quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O prefeito do caos perfeito

Chuvas mostram bairros submersos por que ele  preferiu gastar com obras polêmicas e com a destruição da Perimetral

Para reinventar a região portuária, o prefeito Eduardo Paes implodiu a
Perimetral e  está gastando bilhões: até agora só conseguiu nos afogar no caos.
Agora está claro por que o prefeito Eduardo Paes apressou-se em demolir o viaduto da perimetral de forma tão açodada: ele sabia (e escondia) que a sua Via Binário não resistiria à primeira chuva forte e não quis deixar a menor chance de uma pressão da sociedade para manter o mais seguro e confortável elo de ligação entre a Zona Sul e o resto da cidade, sem passar pelo trânsito do centro. Isto por que o viaduto incomodaria os supostos investidores dos esperados prédios de 50 andares que a especulação imobiliária poderá ou não levantar na região portuária.

Como trabalha prioritariamente para defender interesses de grupos econômicos, envolvendo em sua base fisiológica uma penca de partidos com mais de 70% dos vereadores, cooptados com o loteamento da Prefeitura, ele tem dado asas à sua política de subordinação do público ao privado, explicitando sem recato sua incompetência obsessiva.  

Esse caos que transformou a quarta-feira dos cariocas e moradores da Baixada num verdadeiro inferno é reflexo saliente da desconstituição da cidade, a que vem se dedicando com afinco. 

As prefeituras da Baixada ainda padecem de insignificantes orçamentos e da inexistência de estrutura administrativa com alcance sobre suas áreas.

Mas a do Rio de Janeiro, apadrinhada de alto a baixo, joga recursos pelo "ladrão" em obras de interesse quase exclusivo das empreiteiras e empresas de ônibus, abandonando providências elementares: 
essa calamidade demonstrou que Eduardo Paes virou as costas para as obras de prevenções contra chuvas fortes, num desmazelo alucinado, só  equiparado  ao sucateamento da saúde pública e da educação. 
Ultimamente, tenho refletido muito sobre esses 70 anos de vida que espero se prolonguem por cima de pau e pedra. Passo em revista toda uma vida inquieta, pautada pela relação crítica com a hipocrisia,  a manipulação e a má fé. Afigura-se muito doloroso constatar algo que me deixa profundamente amargurado, como se tivesse sido em vão todo o sacrifício juvenil, que me custou um ano e meio de prisão nos cárceres da ditadura, depois de 16 dias de torturas quase mortais:

a classe política de hoje degenerou geral, é muito mais depravada do que os políticos de conveniência de outrora.

Enganar, mentir, corromper, deixar-se corromper, manter uma relação privada com a coisa pública, passar o eleitor para trás, tudo isso se tornou uma rotina descarada. E o que mais me amargura, porém, mais, mesmo, do que a audácia dos políticos espertos é a tendência dos cidadãos em deixar-se enganar, em iludir-se com uma facilidade assustadora, no culto assumido do ME ENGANA QUE EU GOSTO.

Não é exagero dizer que a cidade do Rio de Janeiro vem sendo inviabilizada por uma administração totalmente despreparada, que não sabe o que quer (Já anunciou uma  nova rodoviária em 3 locais diferentes e voltou atrás), que não tem uma visão do todo, não sabe o que é estratégia, não assimila o óbvio, preferindo enveredar por obras faraônicas e projetos de retorno imprevisíveis.

A marca mais saliente desses desatinos é a demolição do elevado da Perimetral, a um custo superior a R$ 1 bilhão, desfazendo o mais eficiente elo entre a Zona Sul e vários destinos nas Zonas Norte, Oeste e até na Baixada e Niterói, sem passar pelo centro da cidade, sem submeter-se aos riscos de alagamento numa região de aterro, que já foi mar, mas onde, temerariamente o prefeito Eduardo Paes está escavando uma passagem subterrânea de 4 km, a mais de 40 metros de profundidade, algo cujos malefícios serão mais sentidos quando esse túnel entrar em operação.

Como ensaio, tivemos o vexame da chamada Via Binário, ainda na superfície, que ficou boa parte do dia fechada ao tráfego, debaixo d'água, enquanto o prefeito alegava na maior cara de pau que algumas bombas de sucção não ficaram prontas ainda: isto é, o escoamento de um trecho dessa importância para o acesso ao Centro da cidade vai depender de bombas que podem funcionar ou não.

Só um prefeito aloprado e caótico  abriria ao tráfego uma via importante com o seu projeto de drenagem inconcluso.  

Imagine como será o túnel de 4 km, cavado a 40 metros de profundidade em área de aterro, somente por que o prefeito, como o seu enorme poder de decisão pessoal, quer valorizar uma região engolfada, uma opção temerária e de resultados especulativos só comparáveis à construção de Brasília.

E não é só isso. De tal sorte é a irracionalidade desse prefeito que,  sem esperar sequer os pareceres dos órgãos especializados, apressou-se em desapropriar (comprar, na prática) o terreno alagadiço de Guaratiba, onde o Papa  rezaria uma missa, aliviando o prejuízo do todo poderoso Jacob Barata, o rei dos ônibus, que antes pretendia implantar ali um loteamento no rastro da missa papal. Agora, o Instituto dos Arquitetos do Brasil, consultado oficialmente, está  apontando a área como inadequada para construções.  Um parecer, aliás, que seria desnecessário, pois o terreno pantanoso saltava à vista. Esse é apenas um exemplo da gestão nada republicana de um administrador no mínimo incompetente. 
Tudo acontece, infelizmente, por conta do silêncio dos próprios interessados, os cidadãos do Rio de Janeiro, que se omitem perigosamente, deixando a terceiros as decisões sobre seu destino: isto tanto a nível macro como nas próprias células urbanas, os condomínios, onde os abusas são cometidos sem qualquer reação. 
Essa cidade está perdida à falta de um timoneiro sereno, maduro e competente e de um corpo legislativo independente, capaz impregnar-se do espírito público e de resistir à cooptação fisiológica. É uma cidade politicamente capturada pelo que há de pior, sem o contraponto sequer das entidades da sociedade civil: até mesmo as associações de moradores surgidas nos idos dos anos 70 sucumbiram ante a inutilidade do seu grito, hoje abafado.

É uma pena, mas viver nesta cidade abençoada pela natureza é uma aventura cada vez mais arriscada: a maldição dos seus homens públicos e os interesses espúrios que os subornam falam muito mais alto. 

5 comentários:

  1. O Rio de Janeiro foi invadido por uma legião de picaretas que não conseguem ser políticos nem administradores dos bens públicos, mas cuidam muito bem de seus negócios pessoais como nos mostram Sérgio Cabral Fº e Eduardo Paes. A sociedade carioca anda meio atordoada com a violência instalada pelo tráfico de drogas, não reagindo como deveria aos desmandos e é exatamente por isso que o governo do estado não acabou com a guerrilha urbana que o tráfico de drogas vem impondo. Tudo nos leva a esta conclusão, mas a Copa do Mundo vai obrigar o governo federal a agir com severidade contra o tráfico e abrir espaço para que o Povo possa reclamar e depôr os picaretas que arrasam com a cidade!

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  2. Jileno Sandes10:31 AM

    O Estado do Rio de Janeiro e a cidade do Rio de janeiro, estão totalmente desgovernados,
    o pior,o povo totalmente alienado pela mídia aliada dos seus "governantes.

    Quanto a Guaratiba, podemos dizer que o Papa é argentino, mas Deus ainda é brasileiro. Mesmo sem uma gota de chuva, aquele terreno não suportaria o peso de dois milhões de pessoas. Deus nos livrou de uma grande tragédia.

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  3. Anônimo5:02 PM

    O que o Jacob Barata tem a ver com esses problemas?

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  4. Anônimo6:12 PM

    Inacreditável, é mesmo com a repulsa da população, sai um prefeito ( acusado disso e daquilo) e mesmo assim, e em seu lugar, entra o seu secretário. Virou moda, o atual, já esta providenciando o seu sucessor nos mesmos moldes, daquele que o elegeu...estamos perdidos.

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  5. Salvador de Farias2:02 AM

    Excelente, Porfírio! Falou tudo! Pena que o cidadão carioca ou é cúmplice por ter votado em Eduardo Paes ou acovardou-se diante dos males que ele causou à cidade.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.