quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Jango vive. Hoje mais do que nunca!

Mais do que homenagens, devemos ao grande presidente o resgate e a visibilidade da obra que lhe custou o sacrifício da própria vida

Brasília viverá um dia memorável nesta quinta-feira, 14 de novembro de 2013: a presidenta Dilma Rousseff e os demais governantes pós-ditadura farão o mais justo dos resgates históricos: os restos mortais de João Belchior Marques Goulart, nosso querido Jango, serão recebidos com honras de chefe de Estado, num ato de grande simbologia e inevitável transcendência. Será um marco que nos remete a uma enorme tarefa - refletir sobre um projeto de grande alcance social e patriótico, criminosamente interrompido por generais aliciados pelo governo imperialista dos Estados Unidos como parte de uma estratégia de consolidação dos seus interesses espoliadores sobre toda a América Latina.
É de grande significação que esse ato ocorra às vésperas dos 50 anos da quartelada de 1964 e num momento em que os brasileiros se dão conta de um grande logro: por estelionatos manipulados, o Estado democrático ainda não se livrou do lixo histórico deixado por 21 anos de ditadura perversa, como se fosse possível virar a página sem punir os usurpadores e seus colaboradores, numa capitulação que só serve para manter as cicatrizes e os fantasmas que comprometem a própria segurança institucional do país.

Às ameaças de golpe, Jango respondeu com
corajosas medidas patrióticas
A homenagem ao presidente João Goulart não pode restringir-se à solenidade de uma efeméride. O devido esclarecimento de sua morte aos 57 anos, em 1976, resultado principalmente do trabalho incansável e corajoso do seu filho João Vicente, é antes de tudo um dever de todos os amantes da verdade. Ele foi assassinado por um complô de ditaduras na América do Sul.

Mais do que isso, porém, está na hora de resgatar o fio da história, trazendo às gerações de hoje informações imprescindíveis sobre o momento mais fértil do pensamento nacional e sobre aquele período que ainda está por ser resgatado como peça de referência dos passos futuros.

Já são decorridos 28 anos desde que nos noticiaram da restauração do regime de direito. As expectativas dos primeiros anos dessa nova etapa, que culminaram com a Constituição cidadã de 1988, não se concretizaram, porém.

Antes, vivemos um processo de desfiguração dos nossos sonhos, com a rendição de antigos e novos timoneiros, amesquinhando a própria natureza da vida pública e abrindo caminho para o mais abjeto desprezo pelos compromissos históricos e pela frustrada transformação decorrente do que seria a antítese do regime civil-militar entreguista e cristalizador do capitalismo selvagem.

A lembrança de Jango, o presidente que mais ousou na direção das verdadeiras reformas de base, ainda por serem materializadas, é o resgate da ideia de um Brasil que não seja refém dos banqueiros, dos trustes e do "agronegócio". Que ande pelas próprias pernas e que tenha nos seus 201 milhões de cidadãos o seu foco pétreo.

Dar dignidade aos últimos dias de um chefe de Estado que era efetivamente amado pelo seu povo, que enfrentou uma conspiração golpista desde o primeiro dia que assumiu, mas não se acovardou, significa dar maior visibilidade à sua obra.  Neste país de poucos conhecimentos, será frustrante pedir a um jovem ou até mesmo a um cidadão de meia idade que fale de Jango e de sua história, permeada de confrontos com as elites reacionárias. 
De há muito se reclama um memorial que exponha sua biografia e o contexto em que viveu. De há muito se pede mais do que a verdade sobre aqueles anos trágicos que se sucederam à sua deposição. 
E mais ainda: enquanto convivermos com ruas, rodovias, escolas e até monumentos com nomes dos ditadores e dos seus esbirros, a história estará sugerindo um tipo de cumplicidade e assimilação do golpe financiado pelos EUA, como se não houvesse obrigação de dar-lhe pelo menos a punição exigida pela história.

Jango, um dos maiores símbolos deste país, precisa ocupar com maior proeminência o lugar que lhe cabe no panteão dos verdadeiros heróis brasileiros. É um exemplo que precisa ser difundido, por que homens como ele vivem para todo o sempre. Hoje, mais do que nunca!

7 comentários:

  1. Anônimo9:28 PM

    Prezado Pedro Porfírio, agradeço o encaminhamento e te parabenizo pela ênfase dada ao papel constitucional e democrático desempenhado pelo Jango, que contrariou os interesses do império anglo-norte-americano e de seus cúmplices, as elites nacionais.
    Mais uma vez, parabéns pela matéria.
    Saudações nacionalistas,
    Claudio Ribeiro - C. Abreu, RJ.

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  2. Querido Porfírio. Acompanho a luta do João Vicente Goulart e nada mais justo do que esclarecer de vez a morte do seu querido pai o nosso ex-presidente João Goulart. No entanto, no atual momento em que a esquerda comunista procura por todos os meios motivos para se perpetuarem no PODER, a ministra Maria do Rosário queria até um palanque oficial eleitoreiro no cemitério onde está enterrado o ex-presidente Jango Goulart, por ocasião do atendimento ao pedido de exumação do seu corpo. Mas, para reforçar sua intenção de defesa dos direito humanos, que tal a Dna Maria do Rosário pedir também a exumação dos corpos dos ex-prefeitos Celso Daniel, de Santo André e do Toninho de Campinas SP? Sabemos também que, ambos foram mortos covardemente por aqueles que desrespeitaram os direitos humanos.

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  3. parabéns pela matéria muito lucida e autentica.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.