sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O rei está nu, mas tem costas largas

Eike Batista deu cano em meio mundo e, no entanto, ninguém levanta a voz contra suas travessuras 

Amigos, irmãos, camaradas, Eike e Cabral fizeram poucas e boas
Ações do grupo foram ao mercado em nome de empresas que vendiam promessas. As da petrolífera, que hoje estão encalhadas a R$ 0,23, chegaram a R$ 28,50.   Ao longo da história republicana poucas pessoas aprontaram tanto, ganharam tanto, como o outrora todo poderoso "Senhor X". Há centenas de pessoas lesadas por sua manipulação do mercado, por seus blefes e pela massiva venda de papeis sem lastro real.  No entanto, ele continua no gozo da mais ostensiva impunidade, graças às suas íntimas relações com os figurões da República, de todos os partidos, com expoentes de todos os poderes e com astros da mídia, aos quais sempre destinou generosa atenção.  Com certeza, é seu debacle e não os Black Blocks, que tira o sono do Serginho Cabral. Dizem que seus arquivos são poderosos e podem deixar meio mundo mal na fita. Esse seria o segredo do tratamento especial que vem recebendo diante do desmoronamento do seu império como um castelo de cartas marcadas.

Não precisa ser "especialista" pra sacar que essa queda livre do artista Eike Batista é obra de proveta. Ninguém fica exibindo a fortuna a troco de nada. Tudo fazia parte do show. O seu "X" da questão foi um bem urdido jogo de cena que pegou. Isso é o que o vulgo conhece como blefe. Que deixou milhares de investidores com a cara de bunda, igual à de quem cai no "conto do paco".

Em qualquer país sério o Eike já teria tido o mesmo destino de Mikhail Khodorkovsky, ex-magnata do petróleo russo, que foi trancafiado por Vladimir Putin em 2003, pegou 14 anos de cadeia (reduzidos a 11) e viu falir a sua petroleira Yukos, avaliada no auge em US$ 40 bilhões (R$ 112 bilhões), mais do que todas as empresas do nosso "bom burguês" juntas.  

Eike continua aprontando e vendendo o que pode e o que não pode a preço de ocasião.  O império de R$ 98 bilhões da noite para o dia foi reduzido a R$ 2 bilhões, isso com muita boa vontade. As ações da OGX, seu carro-chefe, caíram de R$ 28,50 para R$ 0,23, deixando no aperreio todo mundo que comprou seus papéis - papéis sem lastro, expediente que os bancos também praticam, mas que se garantem com os depósitos dos clientes.

O dinheiro dos acionistas do Eike evaporou-se na solidão de uma farsa, enredada em sua própria teia. Nenhuma outra empresa dos respectivos ramos sofreu qualquer baque expressivo. Ou estão mais abastadas ou permanecem no mesmo.

Não há notícia de um prejuízo de Eike numa operação conjuntural. Tudo começou a degringolar em 26 de junho do ano passado, quando, após o fechamento da BOVESPA daquela terça-feira, um comunicado enviado pela OGX à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que a vazão do poço de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, em produção desde o início daquele ano, seria menor do que fora prometido.

Eike havia pregado uma peça no mercado, comprometendo a própria credibilidade da Bolsa de Valores de São Paulo, que deu mole diante dos seus ardis perceptíveis a olho nu.

No "X" da debacle tem muita gente de rabo preso, envolvida até o pescoço. É pública e notória sua intimidade com alguns políticos, como o governador Serginho Cabral, aos quais servia mais do que cafezinho e água gelada, numa parceria sem segredos.

Talvez seja por isso que até o momento nem se fale no devido corretivo, embora para descobrir suas traquinagens não careça nem mesmo de escutas telefônicas e outros esforços de reportagem.

Eike Batista pode se orgulhar da mais absoluta transparência nas tramas que o catapultaram à oitava maior fortuna do mundo, primeira do Brasil com muitos corpos de vantagem. Tais peripécias, aliás, sempre foram cantadas em prosa e verso pela fina flor da mídia daqui e d'além mar.

Há de se constatar que ainda estamos longe do epílogo e ainda corremos o risco dos cofres do BNDES e adjacentes serem reabertos para socorrer Eike, sob o pretexto de livrar a cara dos acionistas minoritários, com a mesma prestimosidade com que acodem nosso intocável sistema bancário.

Como é dos hábitos, os empresários nunca ficam a ver navios, embora Eike já tenha mandado para o desmanche o seu Pink Fleet, super-iate de R$ 30 milhões, cuja estréia, em 2007 foi o grande evento do  high society nacional,  capitaneado pelo governador Serginho Cabral.

O dele já deve estar a salvo em lugar seguro e sob proteção dos deuses. O dos que caíram em suas arapucas é que vai sumindo no vendaval das ilusões vividas. Resta saber se ainda há leis, promotores e juízes aqui para que danos traumáticos não fiquem por isso mesmo.  

6 comentários:

  1. Anônimo12:54 PM

    As relações pessoais do governador não interferem em seu trabalho . Eike foi um grande parceiro não apenas do Rio mas do Brasil, temos que reconhecer isso.

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    1. Anônimo1:51 PM

      Menos. Quem tem parceiro como esse não precisa ter inimigo. O mal que Eike e Cabral fizeram ao Brasil e aos bons costumes vai atravessar gerações. Quem viver verá.

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  2. Ola Pedro Porfírio, a principio o pouco que o conheço de vista pois sou jovem e ao que observo sobre a sua pessoa você parece ser um cara consciente e do bem, então quero lhe fazer uma pergunta simples e direta. Você é à favor da empreitada do amigo André do Taxinforme ou é à favor da causa do sr. Ivan o famoso sapão da abralixo?
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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.