domingo, 29 de setembro de 2013

(Quase) a última crônica

"A sabedoria nos chega quando já não serve para nada".
Gabriel Garcia Marques, autor de "Cem anos de Solidão"

Dois momentos juvenis: 1959, aos 16 anos com o ministro da Guerra, general
 Teixeira Lott; 1960, aos 17 anos, a primeira viagem ao exterior: congresso de
estudantes da América Latina em Havana, um anos após o trinfo da revolução.
De uns dias para cá tenho me dado conta de que também sou idoso. Que integro esse universo sob suspeita de minar os orçamentos públicos pelo crime de viver além dos cálculos atuariais, pelo que me flagro sob constante ameaça de amputações "saneadoras" destinadas a abolir velhas conquistas.
Aos 70, pretendia virar as costas para o relógio biológico. Pequeno e barrigudo não costumava ver-me ao espelho, hábito que nunca cultivei mesmo imberbe. Dizia-me e aos demais que a idade está na mente. Pode até ser.

Mas pode não ser. As forças não são as mesmas. Por enfermidades presumíveis checadas em baterias de exames dissipa-se o brilho no horizonte. Pela sensação do tempo perdido em inúteis sacrifícios pretéritos aproximo-me de amargas constatações.

Já não sei nem se vale a pena exprimir o pensamento, pois não me consta que exista realmente alguém disposto a refletir sobre minhas perorações.

De repente, creio, a tela do computador tornou-se o meu espelho. Se há um ou outro interessado nos meus escritos será por exceção.

Até prova em contrário, perdemos o hábito de ler. E se lemos o fazemos por distração, procurando adequar o lido a ditos e valores anteriores.
Definitivamente, somos uma sociedade de descartáveis com obsolescência calculada, como disse na ONU o sábio José Mujica, meu paradigma, presidente uruguaio, do  alto dos seus 78 invernos.
Consola-me o óbvio: eu sou você amanhã. Mas não é de consolos compensatórios que o ser humano vive.

Nesses dias de dúvidas acumuladas, olho para trás e, ao contrário da grande maioria, digo que se tivesse que começar tudo agora não faria (quase) nada do que fiz, andando de um lado para outro em busca dos sonhos perdidos e, infelizmente, sepultados no túmulo das desilusões.  Pensaria, sim, como penso desde tenra idade. Mas seria mais prudente em cada passo.

Não que eu tivesse agido melhor se tivesse me rendido à sofreguidão do sucesso pessoal obsessivo. Não. Mas daí a um despojamento febril há um leque de alternativas.
Se ainda posso escrever no conforto material que me permite a palavra livre, incorrosível, devo mais à sorte do que ao cérebro, de fato formatado por larvas vulcânicas, sem o conhecimento do cálculo e da causa própria.
Podia hoje nem estar entre os vivos, tão afoito fui. Por sorte, não faço parte da lista dos mortos e desaparecidos dos anos de chumbo. Podia ser um daqueles jovens que se entregaram aos sonhos e pereceram na liça. E que hoje só são lembrados como ilustração histórica, lixando-se os pósteros para a essência do seu martírio.

A idade desenvolve uma lente cruel, destituída das ilusões inerentes. É o preto no branco sobrepondo-se às mil cores das frenéticas expectativas pueris, produzindo um foco de exigências antes desprezadas, com uma carga áspera de intolerância.

A autocrítica é inevitável. A que nos oferecemos naqueles idos à incerteza? A essa corrida voraz pelo consumo orgástico de qualquer coisa? À sedução fácil aos truques das aparências ou ao afã da acumulação desmesurada?

O mundo hoje pode até ser mais tecnológico do que antes.  Pode nos permitir todas as travessuras e deleites pela fartura de respostas eletrônicas mágicas à avidez do instinto.

Esse progresso, porém, nos desumanizou. Não são tão profundas hoje as relações de amor, antes, pelo contrário. Por qualquer infortúnio efêmero rompem-se os laços. Rareiam como exceções à regra os sentimentos de fidelidade atávica.

As gerações se distanciam no turbilhão da cobiça, nas tatuagens narcisistas que impregnam corações e mentes. O ambiente é de desconfiança generalizada em que cada indivíduo é um mundo ensimesmado.

Quisera estar errado por não assimilar a moderna fórmula da vida. Ou então por estar vendo as coisas em função de um desapontamento localizado.

Mas, até prova em contrário, essa modernidade de superfície é um beco sem saída para a alma e uma fogueira para o corpo. Aquele ser humano que buscava a virtude como fonte de inspiração sucumbiu na mais insana das guerras - a que transforma cada um em adversário e concorrente de cada um, mesclando competição, ódio e inveja num  coquetel letal.
Opor-me a essa sina é uma determinação que me acompanhará até à última crônica. Mas que poderá ficar só comigo, sem traumas nem cobranças, se não houver companhias pela semelhança na compreensão generosa da vida.

29 comentários:

  1. Anônimo8:32 PM

    Meu amado Pedro Porfírio,
    Ambos somos nordestinos. Ambos migramos adolescentes; eu, aos 14 anos incompletos, vindo de Fernão Velho, distrito de Maceió, AL.
    Quem sai da terra natal em outros campos não para; só deixo o meu Cariri no último pau-de-arara, cantou o nosso querido Fagner. Temos ambos a mesma idade, 70 anos.
    Quero te dizer que vivemos ambos os anos de esperanças, de sonhos, de memórias, de reflexões.
    Não deixes que o desânimo te avassale a alma. Leio todas as tuas crônicas e as reencaminho. Gosto muito, tenha a certeza disso.
    Acolha em teu coração, que pulsa pelo bem de nosso Povo e, por extensão, por toda a Humanidade, o meu fraterno abraço.
    Claudio Ribeiro, de Casimiro de Abreu, RJ.

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  2. Porfírio,

    Lindas linhas. Mas que elas jamais sejam um réquiem. Longa vida pra ti por que a humanidade, por tudo que se desenha no horizonte, vai precisar dos bons indivíduos. Acabo de comentar lá no Gilson Sampaio:>

    Gilson,

    Se fosse eu dado a idolatria, com a mais absoluta certeza Porfírio seria meu ídolo. Mas ele não merece essa maldição. Hoje sou taxista muito devido à atuação deste valoroso ser humano. Infelizmente, no meu meio, existem aqueles que lhe viraram as costas estando nas mesmas condições em que estive, recebendo exatamennte o que recebi: uma concessão para trabalhar na praça da cidade do RJ. Só tenho a agradecer ao homem Pedro Porfírio. Numa vida dedicada a boa luta, não se pode ter nada a lamentar e este belíssimo texto não é um réquiem, é apenas uma constatação da implacabilidade do tempo e das marcas que ele nos deixa. Que os anos ainda te sejam longos Pedro.

    Inté.

    Hasta siempre Porfírio!

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  3. Meu comentário tem por base uma constatação: Você pode parecer velho, mas tem uma mente jovem e ampla, como aliás sempre foi sua vida, cercada dos jovens que em você se espelham ou tiram exemplos vividos contigo para suas próprias vidas, e eu Porfírio, sou exemplo disso.
    Nada vai impedir que você continue sendo exemplo, ou mesmo de que suas virtudes sejam apreciadas por aquele que te visitam ou revisitam.
    Independente do peso dos anos, sua VIDA é seu LEGADO, e disso meu amigo, todos somos testemunhas.

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  4. Caro menino. Admirável senhor! Das suas andanças, lutas e sonhos ganharam muitos. Eu, um ex-variguiano, ganhei sua solidariedade e aprendi a respeitar sua voz indignada com os desequilibrios dessa vida brasileira repleta de vários mundos. Fazer política por ideologia, para se buscar um viver mais harmonioso para todos, deve ser muito desgastante mesmo. Ainda mais quando a individualidade triunfa e torna-se inimiga do bem comum. Afundam todos nesta copia de Titanic, idosos, crianças, idealistas e egoístas. Essas opções que fazemos é o que somos. E para você, me parece, não há mesmo outra opção. Apontar saídas, colocar indagações, provocar a reflexão, fazer denúncias. Fostes nascer num país fértil em diversidade de gente, modo de viver, valores dos melhores e piores, Brasil onde ainda falta muita vitamina na cabecinha das crianças, como dizia o saudoso Darcy Ribeiro. Fazes a sua hora e viva ainda muito dessa vida que vos resta. Deixo para você a minha gratidão.

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  5. Anônimo3:49 PM

    Neste nosso mundo, tudo é relativo, transitório e mutante, e, portanto, tudo é "infinito" enquanto dure ...
    O "bem" e o "mal" estão programados em nosso cérebro e a VIRTUDE está no meio, no centro de gravidade ...
    Cada um que faça a sua opção !

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  6. MONIZ BANDEIRA (por e-mail)6:35 PM

    Caro Porfírio, Garcia Marques está certo. Estou com 77 anos e sinto a mesma sensação que, que deves ter mais ou menos a mesma idade. Manda, por favor, teu endereço para solicitar à Editora Civilização que te envie meu próximo livro a sair em outubro, sobre A Segunda Guerra Fria.
    Abraço do teu companeiro de calabouço na Ilha das Cobras, há 44 anos passados, Moniz

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  7. ARNALDO MOURTHÉ (por e-mail)6:37 PM

    Prezado amigo Porfírio,

    Há, sim, razões para o pessimismo. Há, sim, razão para a desilusão. Não há como não ser pessimista diante do quadro avassalador, da injustiça, da corrupção, da desigualdade, dos conflitos cada vez maiores e mais sem razão. Mas tanto o pessimismo quanto a desilusão têm origem no descalabro de uma sociedade que está vivendo seus últimos dias. Quem deve ir é ela, não nós. Não somos nós os perdedores. O perdedor é ela, que instaurou reinados de metira e de corrupção, para manter seus privilêgios à custa do sofrimento, da alienação e da morte de bilhões. Vivemos momentos tormentosos, de perplexidade. Mas são também momentos de esperança do fim dessa desgraça, que nos escravisa ou avassala. Tornamo-nos inimigos deles quando exigimos nossas liberdade e igualdade de direitos, ou cúmplices, quando nos avassalamos nas suas folhas de pagamento para alienar todos.

    Esta é sim uma hora de reflexão. Para tal, talvez de recolhimento. Afastar-se da podridão que nos cerca é saudável. Mas não para sermos ascetas, mas para equilibrarmo-nos para definirmos o bom caminho e a boa luta. É também a hora do bom combate, aquele que reverterá esse quadro deplorável a favor do ser humano.

    Um gande abraço, e não fique acabrunhado com os leitores, pois continuo a ler seus escritos,

    Arnaldo Mourthé

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  8. SÉRGIO AMORIM (Por e-mail)6:38 PM

    Porfírio. Li o texto inteiro no seu blog. Vou imprimi-lo para guardá-lo para a eternidade, se é que existe essa senhora. Que lição. Quanta verdade! Tomara que você escreva muitos mais.
    Parabéns para a sua alma.
    Sérgio Amorim

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  9. SÉRGIO MUYLAERT (pore-mail)6:53 PM

    Caro Porfírio,

    leio com a sofreguidão dos aprendizes diante da lição de mestre como dizem suas palavras e os sentimentos, na razão direta dos grandes poemas.
    A poiesis não está perto nem se alcança com os fracos.
    Mas, a lança dos seus versos estão mais perto dos altos montes.
    Ho Chi Minh entre milhoes de aflitos de seu povo
    traçou o que parece o certo e deslizou até as paredes do infinito:
    "É BAIXO O PREÇO DO HOMEM QUANDO NÃO PODE USAR A SUA LIBERDADE".
    Conforta este singelo amigo saber quanto pesa esta sua liberdade... caro amigo.
    Forte e comovido abraço,
    Sérgio Muylaert

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  10. Pedro Porfírio

    Gostei tanto desta sua postagem (muito mais do que todas as outras que você tão bem expõe), fui lendo e sentindo o que você está sentindo e uma dor no coração se fez presente: QUE BOM QUE VOCÊ É HOMEM, E SOFRE, E QUER SEMPRE MAIS PARA SEU POVO, QUE SE ENTRISTECE COM AS REGRESSÕES QUE A POLITICAGEM SEMPRE FAZ SURGIR. ACIMA DE TUDO, PARABÉNS POR SER TRANSPARENTE, VERDADEIRO E CONTINUAR COM A SUA DIALÉTICA, POIS É FUNDAMENTAL.
    Que bom que você é um ser que se expressa em sua angústia, mas só posso pedir-lhe que não desista, é essa angústia que te faz humano e generoso.

    Agora, já que os exames mostram que precisa se cuidar: se cuide, olhe também para você, você tem que se gostar, para poder ter energia para as lutas que continuarão por toda a vida - porque a política está em seu sangue. Tenha certeza de que você é um exemplo a seguir, saiba que têm muitos adeptos ao seu melancólico abrir de olhos (que imagino está sempre presente, mas hoje você se expôs).
    Te peço, não perca a ilusão, esta marca que te caracteriza em seus depoimentos ardentes e corajosos.
    Através de sua leitura, eu me sinto uma pessoa cada vez melhor e tenha certeza, quem te lê é um (uma) ativista e participa de sua indignação e de sua práxis.

    Aceite meu abraço carinhoso. Márcia

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  11. FÁBIO DUTRA COSTA (por e-mail)11:09 PM

    Prezado amigo,
    Posso chamá-lo assim, pois sua lei mudou minha vida e de milhares de pessoas, e quando solicitado, sempre esteve presente e lutando por esta classe à qual faço parte.
    Não se deixe abalar por determinados comentários ou situações, pois Jesus, transformou água em vinho, devolveu a visão à cegos, trouxe morto à vida, entre outros feito, e ainda assim morreu na cruz.
    Não seremos nós que agradaremos aos demais.
    Continue sempre contando comigo para tudo, pois tenho inúmeros defeitos, mas uma coisa que não sou, é ingrato e reconheço a sua importância na vida de milhares de taxistas, como eu.
    Um forte abraço e força meu amigo.

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  12. NORTON SENG (por e-mail)11:14 PM

    Caro Porfírio,
    É isso aí, garoto! Tudo está na mente, quer dizer, tudo depende de como
    pensamos, no que pensamos e no que esperamos do momento (essa coisa
    chamada de futuro).
    Abraços,
    Norton

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  13. WELLINGON MESQUISA11:17 PM

    Que primor de texto! Não pare de escrever, Porfírio! Você sempre foi um lutador tendo o texto como uma das principais armas. Com certeza, suas palavras ainda causam muito efeito nas consciências.
    Veja o texto sobre os médicos cubanos, como repercutiu!
    Força!
    Grande abraço!
    Wellington

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  14. VINICIUS B. (por e-mail)11:55 PM

    Porfírio,
    Você é um dos seres humanos de melhor qualidade que eu já conheci direta e/ou indiretamente.
    Você foi, junto com o Azedo, o melhor secretário que já passou pela SMDS. Depois de vocês veio a insensibilidade social, o desprezo pela nossa gente mais necessitada, o enganar/alienar o pobre em troca de buscar receber o voto por atacado.
    Você ainda tem uma grande contribuição a dar para as novas gerações.
    Eu quero te fazer uma proposta: há algum tenho vontade de fazer um filme documentário com você. Tenho uma filmadora HD digital, com a qual eu dirijo filmes e depois edito. Não é preciso gastar quase nada, por que eu entro com o equipamento e o trabalho de filmar e editar, enquanto você entra com seu talento de ator nato e político com consciência crítica e retórica privilegiada.
    Penso em fazer esse documentário com você muito solto, do seu jeito, misturando passado com presente, contando sua história misturada com a história do Brasil e do mundo. Depois, nós poderíamos conseguir imagens de arquivo, manchetes de jornais, etc. para misturar com seus depoimentos.
    Para fazer o roteiro, que seria na base do improviso, nós poderíamos usar escritos seus em livros, peças teatrais, Jornal do Porfírio, etc.
    O ano passado eu te dei 4 filmes, em DVD, produzidos, dirigidos, roteirizados e editados por mim. Você poderia assistir a esses filmes para ter uma ideia do meu trabalho. Eu terei um grande prazer em fazer esse filme com você. O primeiro passo é sentarmos para conversar, planejar...
    Participar de sua campanha em 82 foi uma grande escola política e de dignidade para mim. Trabalhar sob o seu comando na SMDS foi outra grande escola.
    Esperando que você avalie a minha proposta, despeço-me com um muito obrigado por tê-lo conhecido.
    Tudo de bom. Vinicius

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  15. EDINALDO SOUZA (por e-mail)1:53 AM

    Porfírio,

    Muito boa a sua crônica. Muito boa é pouco. Não há dimensão nas palavras para elogiar.

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  16. NIVALDO ORLANDI (por e-mail)12:45 PM

    Parabéns por CONTINUAR A LUTAR!....

    sou assíduo leitor de tuas verdades...

    Parabéns por ao PDT VOLTAR!....

    NIVALDO ORLANDI

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  17. RUDENILSON ANDRADE (por e-mail)12:48 PM

    Meu grande amigo Pedro Porfírio
    li a sua (Quase) a última crônica na integra e o seu artigo referente à sua volta ao PDT, estou enviando esse material para diversas pessoas com proximidade política conosco e outros são parentes e amigos, meu objetivo na altura do campeonato não é fazer a cabeça de ninguém, mas acho tua matéria de uma leveza confortadora que todos deveriam perder 10 minutos e tomar conhecimento dela, até porque independente de ter sido várias vezes vereador e Secretário de Desenvolvimento Social na cidade do Rio de Janeiro você é Jornalista, Escritor e Teatrólogo considerado. Aproveito e lhe faço um pedido: Ponha a sua "pena" e blog em prol dos profissionais da educação que neste momento estão sendo massacrados moralmente e fisicamente de uma maneira covarde.

    Eu de minha parte estou cuidando da minha saúde seja usando todos os recursos materiais (medicina) e os recursos espirituais com uma fé inabalável, atualmente estou em contato direto com a Casa Dom Inácio de Loyola na cidade de Abadiânia em Goiás e de 15 em 15 dias (sempre aos sábados) levanto às três e meia da madrugada e me dirijo ao Lar Espiritual Sagrado Coração de Jesus, um lugar simples, com pessoas simples num cantinho escondidinho tipo interior, em Campo Grande (Estrada do Cantagalo, próximo à estrada do Monteiro), mas com muita energia positiva, faço as minhas cirurgias invisíveis com o Dr. Hansen ou Dr.Frederico ou outros médicos espirituais que estão na casa, compro as ervas, no próprio local, para fazer o chá recomendado no tratamento (Se o Fidel sempre teve o seu próprio Babalorixa da Santeria. Aqui é América Latina e isso é outro papo, tua acha que eu vou ficar de bobeira,).
    Um grande amigo um fraterno abraço.

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  18. NEDDO ZECA (por e-mail)2:14 PM

    Brilhante,
    começo da sabedoria.
    Só falta fazer poesia e cantar.
    O verso está dito e a roda se abre.
    caro amigo todos seguimos o mesmo curso.
    Que finda e começa nos valores e premissas da conduta.
    A tua foi longa e atribulada e continua na inquetação da mente.

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  19. MÁRCIO (por e-mail)6:36 PM

    Caro Pedro Porfírio,

    Você não me conhece, mas sou leitor de suas crônicas já faz um bom tempo.

    Aprecio sua palavra tão livre quanto comprometida com valores e ideais socialistas, solidários e éticos.
    Ao ler que você duvida se vale a pena continuar a exprimir o pensamento, senti-me comovido e compelido a afirmar na condição de leitor: não pare, uma eventual falta de suas reflexões seria muito sentida.

    A “sabedoria que não serve para mais nada” digamos que é uma verdade amarga, mas também é um exagero retórico. Digamos que não é dada à sabedoria seu valor devido, é um “produto subvalorizado”. Mas eu mesmo tenho me valido de seu saber, grande Pedro Porfírio.
    Continue a escrever e a compartilhar suas crônicas recheadas de sabedoria. Você tem muito a nos ensinar, divertir, advertir, provocar...

    Márcio

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  20. JOÃO CARLOS LAGO NETO (por e-mail)9:28 AM

    Estimado PEDRO PORFÍRIO,
    Tenho, também, 70 anos de idade, sofri há 15 anos uma cirurgia de câncer, e, de uns tempos para cá, tenho estado acompanhado de sentimentos como os expressos em sua mensagem. Conforta-me, como sei que deve acontecer com o amigo, o sentimento de que, durante toda a vida, tentei dar o melhor de mim, lutando, na medida de minhas possibilidades, o bom combate, sendo fiel, não obstante as fraquezas humanas, ao ideal máximo de "não fazer aos outros aquilo que desejo não me seja feito" e, de acordo com meu norte ideológico, pensando, sempre, no bem coletivo e em um planeta mais justo.
    Já sufraguei, em eleições, por diversas vezes, o seu nome e sou leitor atento de suas mensagens. Sei que o atual panorama político brasileiro é deprimente. Infelizmente, expressiva quantidade dos políticos age como coveiros da democracia. Outrora, até no meio daqueles que pensavam diametralmente oposto a mim, conseguia vislumbrar muitos aos quais admirar, pois me pareciam acreditar que suas idéias eram as melhores para o povo. Atualmente, confio, até prova em contrário, em pouquíssimos, incluídos aí aqueles que, costumeiramente, têm idéias semelhantes às minhas.
    No seu caso, mesmo nos momentos em que temos pensamentos conflitantes, sei que não há envolvimento de interesses subalternos.
    Portanto, PEDRO PORFÍRIO, não abadone a trincheira.
    Saudações Fraterna
    JOÃO CARLOS LAGO NETO

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  21. ANTÔNIO CARLOS (por e-mail)12:35 PM

    Companheiro Pedro Porfírio,

    Boa tarde!

    Acompanho à distância regulamentar a sua bela coluna neste espaço virtual.

    Hoje não pude me conter e resolvi comentar o artigo, porquanto me identifico e concordo com o seu teor em 100%. Sou, como você, idoso, embora no meu caso precocemente, aos 57. E sofro todas as idiossincrasias dessa condição senil, e também como você, deploro os (anti)valores da sociedade artificializada e imbecilizada de hoje, onde vale mais o tablet e celular do que a boa e velha conversa do fim de tarde, por exemplo. Acho que um tsunami de discutível modernidade fulminou o que tínhamos de mais caro: os valores humanos, a capacidade de amar e apreciar o belo, a natureza... Creio que, desgraçadamente por conta da ditadura, paradoxalmente nos anos 60/70, éramos felizes e não sabíamos! Esse seu texto é uma obra de arte, e eu o coloco ao lado de outros, análogos, de Neruda e Gabo. Parabéns, e força e firmeza, até o fim!

    Antonio Carlos, do Recife

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  22. PAULO CALAZANS (por e-mail)12:57 PM

    Prezado amigo Pedro,

    Fiquei bastante emocionado com este seu capítulo do jornal. E espero mesmo que esteja longe de ser o último.

    Pedro, vc tem razão em absolutamente tudo o que diz. E acho que sua leitura da vida é quase perfeita, exceto na avaliação da própria. Tudo está mesmo muito mais corrido do que antanho. São milhares de acessos a textos, jornais, emails, fora a miríade de power points, fotos de "os melhores disso e daquilo". Enfim, um entulho de informação. Informação esta que toma-nos tempo. Mas, nem por isso, se transforma em conhecimento, o qual requer reflexão. E, menos ainda, em sabedoria, que só o conhecimento, com a experiência e a prudência (dos romanos) traz.

    Este chuva torrencial de informações ocupa as pessoas. Mas, como são fugazes, ocupam lugares de conforto e relaxamento no cérebro, dizem os especialistas, pois não requer esforço para processamento e amadurecimento das mesmas. Com isso, vc tem razão, poucos são os que lêem livros, a gramática, a história, o que interessa ao mundo politico dos homens. Só os abutres de plantão, que disto se aproveitam. E bem.

    O que coloca vc, Pedro, assim como outro querido amigo de igual estatura intelectual e ética (Cmte. Luiz Tito Walker de Medeiros, a quem copio este email), em permanente confronto com este estado de coisas que aí está, sobretudo por destacarem-se tanto no plano da razão, quanto da ação, pois conhecem, compreendem, refletem, mas não se omitem. E não é bom o que se vê por aí. Só que ética, Pedro, vc bem sabe disso, não se mede por resultados. Por isso, vc., assim como o Tito, é um grande vitorioso na vida. E porque, embora nem sempre ouçam isso (mas, deviam, por merecido), vcs. são admirados por uma enorme legião de acólitos, como eu. Nem sempre respondemos ou participamos ou sequer nos comunicamos, como deveríamos, em seu site ou jornal. Mas, é o inferno de sobrecarga de leitura neste universo descontrolado, bom e mau, da internet. E a fúria correlata, como disse, da informação. É a doença dos tempos que, enquanto nos aproxima, nos afasta. A peste da informação desenfreada, que ataca o conhecimento e inviabiliza, assim, a sabedoria.

    Vc., o Cmte. Tito e outros são arautos de nossos tempos. Pessoas que lutaram muito para que tivéssemos exemplos, referenciais. Para que, nos momentos de dúvida, pudéssemos discernir o certo do errado. Para que, em meio a tanta sujeira política e lixo ético de nossos pseudo-representantes, possamos ainda ter esperança. E compreender, olhando para vcs, que a luta pela decência vale a pena. Com todos os preços que vc, mais do que ninguém, sabe o quanto custa à vida pessoal. Encargos incomensuráveis, que só quem os suportou sabe.

    Não é verdade que os desonestos não se deitam tranquilos ao travesseiro. Nem há qualquer indício a sustentar que o que aqui se faz, aqui se paga. São apenas brocardos que repetimos entre nós mesmos para uma sensação metarreligiosa de que vale a pena ser correto, querer o bem aos outros, ser justo.

    Mas, a recompensa aos homens de bem, acho eu, Pedro, é intangível. É ontológica, pois diz respeito à essência das coisas, o que é muito difícil de compreender (se é que se as pode conhecer). Mas, está lá, em algum lugar da alma, justificando a existência, dando sentido em lugares comuns, significados à vida.

    É claro que todos erramos e faríamos as coisas de outro modo na vida. Mas, tanto Gabriel Garcia, quanto Thoureau estavam certos, este, em dito semelhante, afirmando que "a experiência é o pente que a vida nos dá quando ficamos calvos".

    Pedro, vc sabe, seus amigos e admiradores são muitos. Estamos espalhados pelos quatro cantos do mundo. Às vezes, distantes e silentes, mas próximos em outros planos, esteja certo.

    Um grande, forte e saudoso abraço,

    Paulo Calazans

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  23. MARCUS BERNARDO (por e-mail)8:59 PM

    GRANDE Pedro Porfírio...Quanto mais idade, MAIS conhecimento,
    MAIS raciocínio, MAIS sabedoria, MAIS liberdade, MAIS alegria,
    MAIS entendimento...Daí vamos aproveitar como bons EDONISTAS,
    esse pouco tempo que a natureza nos está dando...!!!! Bj ao amigo e
    COMPANHEIRO sempre..

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.