sábado, 21 de setembro de 2013

De volta ao PDT, por opção ideológica

Andei de um lado pra outro em busca do que não existia. E voltei para onde nunca deveria ter saído


Estou de volta ao PDT - de onde nunca deveria ter saído - por uma pensada opção ideológica. Pode parecer exagero ou até ingenuidade, mas foi isso mesmo que me motivou aos 70 anos a fazer o caminho de volta.  

Afigura-se absolutamente claro que nenhuma outra legenda tem um referencial tão indelével e definitivo: ninguém tem o espólio vivo de Leonel Brizola – o nacionalismo e a justiça social  - como baliza intransponível.

Foi o que constatei nas vezes que imaginei o divórcio entre a fidelidade às crenças e a militância partidária. Achava, sim, que o ideário poderia sobreviver fora do seu corpo, preservados os compromissos essenciais. Hoje faço minha autocrítica: lugar de brizolista é no reduto legado, goste ou não do convívio.

Orquestração de má fé

Tomei essa decisão justo na hora de mais uma ofensiva diabólica de uma mídia que não se conforma com a sobrevivência da grande figura histórica no imaginário popular. E que não perde a oportunidade de tentar minar  as fileiras que dão continuidade ao mito por não ter se esfarelado depois de sua morte, como esperavam efusivamente, da mesma forma que contavam com a rendição de Cuba quando Gorbatchov bancou o fim da União Soviética.
O que está acontecendo nesses últimos dias é  sintomaticamente pérfido: pôr as picaretagens dessa ONG pilhada na conta do PDT é de uma má fé cavalar.  Os jornais e a mídia em geral sequer disseram onde funciona a sede central desse Instituto Mineiro de Desenvolvimento da Cidadania – IMDC  – o centro administrativo do Governo de Minas Gerais.
E omitiram o que estão cansados de saber: quem faz a contratação de entidades terceirizadas não é o Ministério federal, mas os governos municipais e, em alguns casos, os estaduais.  

No caso desse escândalo recente, só depois de um pronunciamento incontestável do líder do PDT no Senado, Acyr Gurgacz, o governo de Minas foi citado e saiu da toca para admitir que todos os contratos com essa ONG foram firmados no seu âmbito, a partir de 2003, sob a batuta de Aécio Neves, seu padrinho.

A mídia não se limitou a tentar atingir o ministro Manoel Dias, um quadro histórico da resistência à ditadura, que pode exibir com orgulho seus 75 anos de vida íntegra e inatacável. 

Lupi foi o único ministro do Trabalho a visitar o Jacarezinho,
comunidade nascida na década de 20   no outrora maior
 parque metalúrgico do Rio de Janeiro.

Foi mais além, querendo alvejar também o presidente do PDT, Carlos Roberto Lupi, por identificar nele o grande timoneiro da sobrevivência digna da legenda brizolista. Lupi é de fato uma espécie de amálgama entre passado e futuro e entre correntes e idiossincrasias de um partido tão vulnerável como todos os demais, sem exceção, onde seus expoentes têm mais olhos para seus umbigos do que para os destinos do povo que prometem defender.

Se não fosse pelo seu fôlego e sua inesgotável habilidade a legenda deixada pelo caudilho já teria explodido em pedaços de vaidades, interesses pessoais e sentimentos amargos.

Foi essa orquestração dolosa que me fez entender com maior clareza o jogo sujo da mídia concentradora e monopolista, que só imagina sobreviver se pautando os acontecimentos segundo suas encomendas.

Por que essa insistência ostensiva em atingir o partido fundado por Leonel de Moura Brizola? Por que essa obsessão em relação ao ex-jornaleiro que estava mais próximo do líder quando outros haviam debandado por imaginá-lo na desgraça irreversível?

A hora do reencontro 

Se ao menos houvesse realmente outro lugar onde o pensamento crítico e transformador encontrasse eco. Mas não há. Antes, pelo contrário.

O que vi no contato direto do lado de fora só serviu para mostrar que, independente de posições menos ortodoxas, o PDT é o único que abre espaço para a sua militância – orgânica e inorgânica – botar a boca no trombone. Nos outros, nenhuma decisão passa por qualquer crivo dos pés-de-chinelo. Sabe-se de suas resoluções cupulares pelos jornais ou por quem  priva da intimidade com comandos cartoriais.

Não voltei para o PDT esperando encontrar um mar de rosas. Sei de muitas divergências internas, algumas sob impulsos nada construtivos que se alimentam até de ódios pessoais.  Alguns chegam a ser inconsequentes e não levam em consideração  quem tira proveito de suas catilinárias.

Sei também de pessoas corretas que se sentiram sem espaço e pularam fora, confundindo-se com alguns poucos que agem ou pelo fígado ou pelo olho grande. Tudo isso acontece em todos os partidos, sem exceção.

Eu mesmo me pergunto se não cedi ao emocional, se não supervalorizei os sentimentos de injustiça que me acometeram quando, por mais de uma vez, saí em busca do que não existe: os seres políticos têm em geral o mesmo caráter, a referência seletiva de poder, de onde cada um é medido mais por sua potencialidade eleitoral do que por suas virtudes essenciais, sejam de natureza ideológica ou moral.

Não sei que contribuição ainda posso oferecer ao PDT e ao povo pelo engajamento partidário a esta altura da minha vida, felizmente dotada do capital moral que se não pesa para os caciques e os donos do poder, é pétreo para muita gente  que infelizmente anda descrente com tudo e com todos, devido ao comportamento dos mandatários que permanecem de costas para seu clamor, como lembrou muito bem o senador Cristóvam Buarque,  em seu artigo Estamos Cegos, publicado hoje.


A única coisa que me ocorre é propor a todos os indignados, especialmente à diáspora brizolista,  que façam a mesma reflexão que fiz: estamos provavelmente diante de uma outra era política que sugere a reoxigenação dos partidos e de todos os condutos para que tudo o que aconteceu de recente não sirva apenas aos velhos conspiradores que apostam na criminalização da vida pública.

16 comentários:

  1. Caro Porfírio, respeito suas posições e admiro sua luta. Entretanto, sou um dos que se desligaram do PDT por causa de suas ligações fisiológicas com o neolibralismo do Governo de Minas, desde Aécio Neves, onde o Manoel Costa ocupa secretaria no governo e o partido lhe dá sustentação parlamentar. PDT como satélite do PSDB.
    Do mesmo modo, no âmbito federal a sigla tem a mesma posição com o PT da política econômica neoliberal, e segue tudo o que FHC fez contra os interesses nacionais, com Lupi no Ministério do Trabalho e, agora, o outro Manoel, Dias. PDT como satélite do PT.
    Essas ligações fisiológicas contrárias ao ideário do partido acontecem em toda as instâncias onde a cargo para barganha. Alianças com o PMDB e outros.
    Só fiz este comentário para não ficar calado diante da admiração que tenho pela sua história.
    Para mim, a posição coerente está no MRLB que luta contra tudo para tentar resgatar as origens do Partido e do Brizolismo.

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    1. Franklin

      Você poderia citar também alianças em São Paulo e outros Estados. Poderia falar de parlamentares e dirigentes que não são e nunca foram brizolistas. Pesei tudo isso e abri minha janela para os reflexos das manifestações das ruas. Como escrevi, pelo menos aqui no Rio, o PDT é o único que reúne com a militância regularmente. Esse dado pesou muito na minha avaliação. Passei dois anos no PSB e nunca soube de uma única reunião, nem mesmo do diretório regional, já que esse partido não tem diretório municipal na capital. E vi que outros partidos funcionam sob controle de quem tem mandato, que fazem um discurso hipócrita, bem diferente da prática. Em 2014, lembraremos o décimo aniversário da morte de Brizola. Se quisermos resgatar seu legado tem de ser dentro do partido, pensando politicamente e considerando o contexto com o mínimo de serenidade. Não dá mais pra alimentar conflitos de poder - interesses pessoais encobertos por discursos de fachada. Mais do que o convívio com certos dirigentes, penso ser prioritário o enfrentamento de uma direita que joga pesado para retornar, por que não aceita nada que lhe escape à hegemonia, principalmente em política externa. Isso os últimos acontecimentos internacionais mostraram. Isso o boicote da elite médica mercantil aos cubanos revela. Ou você não viu o discurso do Bolsonaro dizendo que os médicos cubanos são agentes comunistas que fazem parte de um projeto "guerrilheiro"? Essa investida da direita é pra valer. E eu estarei do lado oposto, como sempre estive. Ver longe, ver mais é o nosso desafio. Pense nisso, amigo.

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  2. Porfírio, com raríssimas exceções, hoje, nenhum partido presta; são formados por políticos entreguistas que levaram e estão levando o nosso país ao caos político e social. Vejo em você Porfírio, um lutador, um cidadão brasileiro ético, honrado, que merece o melhor. Analisando o PSB do corrupto e entreguistas[.] Kassab, ou o PSD dos do norte Ciro,Cid,Eduardo idem, idem, volte sim para o partido que iniciou e marcou sua trajetória política no RJ desde o dia em que vindo do norte em 24 de abril de 1959 chegava no Aeroporto Santos Dumont, e para sua tranqüilidade, lá estava dona Iracema. Você tinha para onde ir. Era um bom começo, a Dna. Iracema o recebeu de braços abertos na cidade maravilhosa. Volte para o PDT Porfírio, sinta-se bem com a vida, seja feliz, curta cada momento com preciosidade, ensine a esses políticos o que é a ética. Tudo o que escreveu até hoje, marcou, e marcará para sempre como o pequeno porém GRANDE PEDRO PORFÍRIO. Forte Abraço,
    http://mudancaedivergencia.blogspot.com.br/2011/03/pedro-porfirio-sou-um-homem-livre-sob_08.html

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  3. Anônimo11:38 AM

    Pedro Porfírio, o que posso dizer é que você faz parte do FIO DA HISTÓRIA.

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  4. Grande Porfírio,

    Seja muito bem vindo de novo as trincheiras dos brizolistas. Reconheço em você autoridade moral e política para ajudar o PDT na sua empreitada em defesa do povo brasileiro. è bom para nós da JS saber contar novamente com um companheiro combativo e de tantos serviços prestados em prol da luta do campo popular e progressista deste país.

    Grande Abraço

    Saudações VargoJangoDarçaBrizolistas

    Everton Gomes
    www.naluta.blogspot.com
    www.juventudesocialistapdtrj.blogspot.com.br

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    1. Everton
      Fiquei muito honrado - para não dizer emocionado - com suas vibrantes boas vindas. Farei tudo para continuar merecendo a sua confiança e a de tantos jovens que enxergam mais longe, por que o brizolismo tem raízes e é o caminho mais claro para o socialismo que acredita no papel decisivo do povo trabalhador.

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  5. Anônimo4:02 AM

    sr predro porfirio seja muito bem vindo um grade abraço do seu amigo carlinho do jacarezinho

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  6. Sergio Oliveira9:38 AM

    Quem se diz Brizolista de verdade, deve estar é no PDT, mesmo com algumas divergências; ser Brizolista no PR do Garotinho? Em entrevista ao Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul, de 23.09.2013, Juliana Brizola, deputada estadual e neta de Brizola, disse que Garotinho tentou tomar o PDT de Brizola.

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  7. Sergio Oliveira9:41 AM

    Esta história de alianças, citando muitas vezes a esquerda e a direita, é meio conversa que não tem mais sentido; todo mundo coliga com todo mundo; para solucionar isto só proibindo coligações.

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  8. Sergio Oliveira9:46 AM

    2014: 60 anos da morte de Getúlio Vargas; 50 anos do Golpe de 64; 10 anos da morte de Leonel Brizola.

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  9. Sergio Oliveira10:12 AM

    Jecy Sarmento, que foi do PDT e que hoje está no PR do Garotinho, à quem Juliana Brizola acusou de ter tentado tirar o PDT de Brizola, disse no face, faz pouco, que os verdadeiros brizolistas tem que sair do PDT; convenhamos... Tem gente que não sabe envelhecer.

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  10. Sergio Oliveira11:57 AM

    Muitas vezes dizem que nós, os verdadeiros trabalhistas, vivemos do passado, pois falamos muito em nossos líderes que já morreram, os reverenciando; esquecem do que eles fizeram pelos trabalhadores, aposentados e pensionistas, por exemplo; o trabalhismo é o verdadeiro partido dos trabalhadores, aposentados e pensionistas (não é o pt não). A história de Getúlio Vargas, Jango, Brizola, Darcy Ribeiro, Pasqualini, e tantos outros, é muito bonita. Os protagonistas da história morrem, como todos nós morreremos um dia, mas a história não morrerá jamais.
    De repente estes que nos criticam não reverenciam os responsáveis pela sua história de vida, seu pais, os mais próximos, por exemplo
    E OS OUTROS PARTIDOS? REVERENCIAM QUEM? QUAL A HISTÓRIA DELES.
    E QUEM ESTÁ NO PR DO GAROTINHO, REVERENCIA QUEM? ELE? ALGUNS SE DIZEM BRIZOLISTAS, MAS, NA VERDADE, SÃO GAROTISTAS.

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  11. Sergio Oliveira1:04 PM

    DO SITE DO PDT. PARTE DO TEXTO
    DOCUMENTO: VIDA E OBRA DE LEONEL BRIZOLA
    SOBRE A SAÍDA DE GAROTINHO DO PDT, EM 2000
    Em plena campanha há acirramento cada vez maior dos desentendimentos com Garotinho, fato que desemboca numa reunião convocada do Diretório Regional do Rio de Janeiro, convocado por Brizola, para discutir a expulsão ou não do partido do Governador Anthony Garotinho. O Diretório Regional do PDT/RJ fecha com Brizola, Garotinho é expulso do PDT. Para evitar o desgaste maior, Garotinho se antecipa e sai do partido, assinando ficha no PSB em uma reunião de seu grupo político onde há um rito de "passagem" – antes de assinar a ficha no PSB, os pedetistas que acompanharam Garotinho na nova opção partidária, jogam as bandeiras do PDT no chão, substituindo-as pela da nova sigla.
    E ELES TEM CARA DE FICAR SE DIZENDO BRIZOLISTAS E CRITICANDO O PDT

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  12. Sergio Oliveira7:06 PM

    Quando Garotinho saiu do PDT, em 2000, os que o acompanharam teriam atirado as bandeiras do PDT no chão, pegando após as do PSB, para onde foram, numa espécie de rito de passagem, conforme consta no site do PDT. Continuaram sendo brizolistas no PSB? Do PSB o Garotinho foi para o PMDB. Eles foram juntos? Continuaram sendo brizolistas no PMDB? A seguir Garotinho foi para o PR, para ser dono do mesmo no Rio de Janeiro. Estão lá com ele, sendo brizolistas no PR. Brizolistas itinerantes. Eles estão surfando na onda das denúncias em relação ao Ministério do Trabalho. Valdemar Costa Neto, uma das figuras do mensalão, é do PR de São Paulo. Continua como presidente de honra do PR? Os brizolistas do PR do Rio dizem o que disto? Ou a contrariedade deles com coisas erradas é seletiva? O PR é o antigo PL.
    Valdemar Costa Neto foi filiado a Arena, PDS, PL e atualmente PR. Bem de acordo com os “esquerdistas brizolistas” (ou não são esquerdistas) do PR do Garotinho. Valdemar está entre os nove deputados que votaram a favor da PEC 37 no dia 25 de Junho de 2013, que limitaria poderes de investigação do Ministério Público (verdade?). No entanto, a PEC 37 foi derrubada com 430 votos contra e 9 a favor.

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  13. Sergio Oliveira6:08 PM

    O que leva alguém, filiado ao PDT, ao PMDB, ao PSDB, ao DEM, a sair destes partidos e se filiar a partido fundado/comandado pelo Paulinho da Força Sindical (Solidariedade) ou por um obscuro ex- vereador do interior de Goiás (PROS)?
    O Paulinho disse que o PDT tem muita comissão provisória e é comandado por gente que não tem voto, dentro daquela opinião imbecil de que são donos dos votos de quem votou neles (todos nós só temos um voto, garantido por nosso título eleitoral); não lembrou ele, “que tem votos”, de que era presidente eleito do PDT de São Paulo e em 2012, por exemplo, o partido não elegeu um vereador sequer na capital do Estado.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.