quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Proteção a um corrupto notório

Atitude irresponsável na Bolívia suscita suspeitas de toda natureza e não pode ficar impune 
Tem que ser um pigmeu estúpido, desonesto e mal intencionado para aplaudir a suspeitosíssima "operação de guerra"  conduzida por um "diplomata" irresponsável (no mínimo) que deu fuga a um bandido do colarinho branco, condenado na Bolívia por corrupção e respondendo a outros 19 processos, inclusive pelo envolvimento no massacre de 11 agricultores indígenas em 11 de setembro de 2008. 
20 processos esperam este corrupto na Bolívia
Pelo que sei desse senador bilionário, tenho todo direito de suspeitar que rolou muita grana ao ponto de levar um secretário de Embaixada a arriscar sua própria carreira para envolver o Brasil numa situação desconfortável e gerar um clima beligerante entre dois países irmãos.

E pelo que sei da política intervencionista e colonialista dos Estados Unidos, não me surpreenderia se essa "fuga" tenha sido planejada e monitorada por uma dessas dezenas agências e empresas terceirizadas de espionagem a serviço de Washington, que tem investido pesado contra o governo do indígena socialista Evo Morales.

Se fosse num país de olhos azuis eu duvido que esse "diplomata" ousasse tal operação. Mas como a Bolívia é uma das nações mais pobres do Continente, como não tem bala na agulha, consumou-se uma das mais insólitas violações das relações internacionais, decorridas algumas semanas de outra humilhação, quando governos da Europa quase provocam um acidente fatal com o avião que conduzia o presidente Evo Morales, sob o pretexto de que ele estaria transportando o norte-americano que revelou ao mundo a espionagem cibernética dos Estados Unidos.

Afronta sem precedentes e indefensável

O que aconteceu neste último fim de semana foi uma afronta inqualificável e indefensável sob todos os aspectos. Feito maior autoridade da embaixada brasileira em La Paz, um medíocre e desconhecido Eduardo Saboia ( desses que entram na diplomacia por "herança", mas sem vocação) convocou dois fuzileiros navais e usou carros oficiais para transportar um político ficha suja até Corumbá, do lado de cá da fronteira, mesmo sabendo que estava cometendo uma gravíssima violação dos seus deveres e comprometendo a seriedade da diplomacia brasileira.

Esse senador, corrupto de papel passado, gozava indevidamente de asilo diplomático e comandava seus negócios escusos de dentro da Embaixada, um edifício confortável conectado ao mundo, onde gozava de todas as regalias e comia do bom e do melhor.

Dono de muitas terras e considerado o maior pecuarista da região norte da Bolívia, na fronteira com o Brasil, teve sua fortuna multiplicada às custas de desvios de verbas federais como governador do Departamento de Pando e diretor da Zona Franca de Cobija, sua capital, onde se apossou irregularmente de muita grana, inclusive de recursos da Universidade Amazônica de Pando.

Percebendo que ia ser condenado já em junho passado, antecipou-se em maio e negociou com o ex-embaixador Marcel Biato sua entrada na embaixada brasileira, sob a alegação de estava sendo vítima de perseguição política. Ao mesmo tempo, mandou a família para o Acre, bem próximo dos seus latifúndios.

Ele já estava sob proteção diplomática quando foi condenado pela Justiça boliviana “por ter agido contra a Constituição e as leis, por prevaricação, e por causar prejuízos econômicos ao Estado de mais de 11 milhões de pesos bolivianos (US$ 1,6 milhão)”, de acordo com um relatório da Promotoria.

Cobertura inexplicável sob todos os aspectos

Mesmo assim, por decisão do controvertido ministro Antônio Patriota, que se tornou chanceler graças a um lobby intermediado pelo vice-presidente Michel Temer, o governo brasileiro formalizou a concessão do asilo diplomático, violando os termos da Convenção de Caracas, de 1954, sobre asilo político, que estabelece em seu Artigo III:
" Não é lícito conceder asilo a pessoas que, na ocasião em que o solicitem, tenham sido acusadas de delitos comuns, processadas ou condenadas por esse motivo pelos tribunais ordinários competentes, sem haverem cumprido as penas respectivas".
Não há pretexto que justifique esse contrabando, que pode muito bem estar forrado em milhões de dólares, e não há a menor condição moral do Brasil legitimá-lo agora, que esse senador corrupto terá de formalizar novo pedido.

À luz da legislação, ele está no Brasil sem qualquer sustentação legal, é protagonista de um complô que fere nossa soberania e deve ser recolhido ao presídio da Papuda ou deportado para seu país, já que dispensou o abrigo na embaixada.

Da mesma forma, esse diplomata picareta que violou as normas disciplinares da carreira deve sofrer uma punição exemplar, além de ser demitido por justa causa, por que seu gesto, alem de desmoralizar a gerar insegurança sobre o comportamento de uma diplomacia com fortes tonalidades de hereditária, compromete a credibilidade do Estado brasileiro na sua relação com o mundo.

Na mesma linha, é dever da Comissão de Ética do Senado abrir um procedimento contra  senador Ricardo Ferraço por ter envolvimento direto com a operação ilegal,  cabendo-lhe oferecer um jato executivo para o transporte do delinquente de colarinho branco até Brasília, onde está numa mansão de seu advogado esbanjando saúde.

A presidente Dilma Rousseff fez bem em livrar-se do seu chanceler incompetente, mas errou em nomeá-lo para nossa embaixada na ONU. Tudo indica que essa operação ilegal e irresponsável teve seu dedo, até por que ele sempre fez jogo duplo por suas íntimas ligações com a máquina externa dos Estados Unidos.

O que não pode é deixar isso tudo no barato, sob pena de afundar a diplomacia brasileira no lamaçal da picaretagem e da chicana. Esse Eduardo Saboia, que tem o suporte da pior direita e até medalha vai receber na Câmara do Rio por iniciativa do vereador Cesar Maia, numa descarada provocação, conta com a impunidade, o corporativismo e as fofocas que fazem do Itamarati uma casa de intrigas e baixarias, onde meio mundo tem rabo preso.
Mas se ficar por isso mesmo, ninguém poderá reclamar se os condenados do "mensalão", que tiveram um julgamento único num ambiente claramente politizado, pedirem asilo à Bolívia ou a qualquer outro país, como disse num descuido comprometedor o governador Eduardo Campos:  "cumprimos uma tradição que é própria do povo latino e do brasileiro, que é a de abrigar".

11 comentários:

  1. Anônimo5:40 AM

    Golbery e seus compassos vivos e mortos estão rindo ao baldes. Fazim o mesmo discurso contra Brizola. Porém, veja o último resultado do caso Donaton, sendo tudo isso verdade, estão fazendo o que o povo brasileiro mais gosta, ter corruptos. O petimso é prova disto. Quando vivia só do que miliatnate mulambendo arrecadava vendo broche e jornal e lançada apenas candidatos honesto, não ganahva nada. Mas depois que trouxe para os seus quadro quem poderia ser milhões de vezes mais corrupto que a turma do Collor, gente que o pIG pintou a cara e fez se passar por povo, e ainda o operador de corrupção Valério das ostes do PSDB, a coisa foi outra

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  2. DEUS TE ABENÇOE POR LEVAR AO MUNDO A NOTICIA DA VERDADE
    CERTAMENTE COLHERA DORES MAS BENDITO SEJA OS QUE PERSEVERAM NA VERDADE E SOFREM POR ELA
    HAVERÁ UM TEMPO QUE NO MUNDO SO EXISTIRÃO GENTE COMO VC ...BRAVOS...
    O ADMIRADOR LUIZ ALBERTO

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  3. Anônimo8:50 AM

    "Uma afronta inqualificável e indefensável sob todos os aspectos"PARA DEVOLVER OUTRA.Na hora de nos roubar a Petrobras, Evo Morales não pensou "numa situação desconfortável e gerar um clima beligerante entre dois países irmãos." BASTA DE HIPOCRISIA!

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  4. Anônimo10:12 AM


    Anônimo SAFADO.

    HIPOCRITA É VOCE CANALHA, QUE APOIA A IMPORTAÇÃO DE MAIS CORRUPTOS PARA O NOSSO PAÍS, JÁ TEMOS BASTANTE, VOCE DEVE SER MAIS UM PICARETA QUE CERTAMENTE DEVERIA ESTÁ TAMBEM NA CADEIA, PORQUE INFELISMENTE NÃO TEMOS PENA DE MORTE, QUE É O QUE CORRUPTO E PICARETA MERECEM

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  5. Eu quero ver é o circo pegar fogo!

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    1. Anônimo9:28 AM

      Se você é desses que gostam de ver o circo pegar fogo, quando ele estiver em chamas, pegue sua mãe e jogue ela dentro do circo.

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  6. Podem falar o que quiserem , mas a vinda do senador boliviano teve o apoio dos governos da Bolívia e do Brasil nem poderia ser de outra maneira. Evo ficou bem com os índios e a garupeira Dilma tenta explicar o inexplicável. É só uma presidenta genocida responsável pelo aniquilamento de 40 mil índios na área da malfadada usina de Belo Monte. Brazil com z - nada mais do que isso para trolar os otários

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  7. Não se esqueçam que o diplomata até deixou cair uma lágrima afirmando que "escutou a voz de Deus ao afirmar ... snif..."eu tinha que fazer a coisa certa..."... snif..snif...
    Não deviam ter abolido o pelourinho.....

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  8. Anônimo8:14 PM

    Simples assim. Joga-se um jogo. Quem perde é sempre o povo.

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  9. TEMPOS PRIMITIVOS
    Celso de Lanteuil
    Em algum lugar do globo
    30 de Agosto de 2013

    Caro Porfírio,

    estamos vivendo tempos primitivos
    sob o domínio do medo seguimos
    nas mãos de criminosos tentamos ser livres
    testemunhamos horrores e não choramos

    o poder institucionalizado gosta de sangue
    seus agentes gozam com a máquina pública
    nossa denúncia é sempre frágil
    não provoca mudanças profundas

    o mundo explode nas ruas e esquinas
    e a nós não resta outra porta a abrir
    é a liberdade que nos falta
    é a justiça que não chega

    o Brasil está dominado
    pela desesperança
    pelo desrespeito a vida
    em defesa da corrupção

    e o que nos cabe fazer é abrir essas portas
    que tentam nos condenar
    a aceitar o mediocre, a miséria, o medo
    essa política que sufoca mais do que liberta

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  10. Anônimo8:28 PM

    Prezado Pedro,

    A diplomacia em tela assim como todos as demais, no mesmo sentido, "coisas brasileiras", não seria apenas um reflexo da moral vigente aqui?

    Se for assim mesmo, como parece razoável admitir, não há o que se espantar em torno de como se vem encaminhando este assunto. Afinal, a montanha de fatos acumulados ao longo dos últimos anos demonstra que nos tornamos um país de corruptos, dirigido por corruptos, em prol de corruptos.

    O máximo da novidade, agora, seria a internacionalização da nossa prática. E neste contexto, a reciprocidade que voce aponta como eventualmente passível de tornar-se imune a questionamento melhor parece enquadrar-se como objetivo do que como consequência.

    Afinal, se o tal senador for mesmo o que a coluna indica ser em nada difere dos que aqui já se comprovou serem e constinuam tranquilamente com seus mandatos (agora com a expectativa de impunidade mais reforçada ainda graças ao descaramento do congresso no seu último ato da farsa nacional, em preparo para o tratamento a ser dado aos próximos que tiverem suas condenações confirmadas pelo STF).

    Com isto, parece forçoso concluir que TODO e QUALQUER ato relacionado a este " conflito" de interesses internacionais (desde as aparentes punições até as críticas de conveniência)somente visam garantir a continuidade do que ora vivemos e a contínua busca de reverter os efeitos deste desenlace "fora da curva" que foi a condenação, ainda que leve, dos responsáveis pelo mensalão.

    Só não elogio como premonitória a possibilidade de abrigo na Bolívia para os notórios daqui, que voce aponta ao fecho do seu artigo, por espelhar a mesma, lamentavelmente, o exato tipo de encaminhamento que faria sentido óbvio face as circunstâncias.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.