sábado, 24 de agosto de 2013

Porque cuidar da vida é tão simples

Os médicos cubanos estão chegando para tratar do povo que os brasileiros se recusaram a tratar: alvíssaras!
Enfim, caiu a ficha: palmas para Ela, que saiu de uma defensiva até compreensível e optou com coragem e determinação pelos milhões de brasileirinhos que nunca viram um médico na vida, mas que, apesar dos chiliques da direita reacionária, também são filhos de Deus.
Nenhum dos  371.788 profissionais  formados nas 200 faculdades conectadas à lucrativa indústria da doença vai ter como se sentir preterido. A todos indistintamente foi oferecida a oportunidade de exercer a medicina como nos bons tempos, quando o médico tinha paciência para ouvir o paciente e uma boa conversa era meio caminho andado. 

A todos os médicos do mundo, e não são só aos brasileirões, foi oferecida uma remuneração três ou quatro vezes superior às duas SUS e dessas clínicas particulares vinculadas a planos de saúde, alem de casa, comida e roupa lavada.


Formados para depender de parafernálias

Mas poucos formados aqui podiam aventurar-se no escuro, por que o máximo que aprenderam foi prescrever exames e entupir pacientes  (palavra sob medida) de remédios oferecidos por atuantes propagandistas (o genérico ainda não entrou no seu receituário), generosos em brindes, viagens e até remuneração pela prescrição dos medicamentos dos seus laboratórios. Veja reportagem da revista SUPER INTERESSANTE.

Quem sabe mesmo, nem plano de saúde aceita. Está ganhando muito bem no atendimento a uma elite que pode pagar R$ 500,00 por uma consulta para perder uns quilinhos, fazer plásticas à primeira ruga, e cuidar do embelezamento em dermatologistas estéticos.

Durante os últimos 100 dias, desde o primeiro encontro do chanceler brasileiro com o cubano, a mídia, sob todas as formas, foi bombardeada por personagens raivosos e lobistas insolentes, que tentaram de todos os meios, com baixarias de toda natureza demonizar os médicos cubanos. 
Houve até quem garantisse que na ilha de tantos avanços no campo da saúde, reconhecidos no mundo inteiro principalmente pela insuspeita ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, só formavam 100 médicos por ano: os outros eram perigosos agentes comunistas desses que, não sendo como os padres de Boston, se dedicavam a comer criancinhas.
Cruzada juntou a ganância com intolerância

Aliaram-se nessa cruzada obscurantista conselhos de medicina que tiveram processos eleitorais em julho, e precisavam atrair aqueles que pagam quase R$ 600,00 compulsoriamente todos os anos para ter seus registros em dia; os donos do complexo industrial e de serviços que precisam cada vez mais do mercado de enfermos, paranoicos e aprendizes de hipocondríacos,  e os desesperados fascistas que não admitem como até hoje, decorridos 52 anos, a sua dourada potência militar imperialista não conseguiu derrubar a revolução cubana, ou assassinar Fidel Castro, nem mesmo quando se dedicou a uma guerra química na década de 70, despejando sobre a ilha o vírus da dengue hemorrágica importado da Ásia.

É uma aliança suja e mal lavada. Como já aconteceu em Tocantins e Roraima, não faz muito, esses médicos com formação nada mercantilista vão mostrar com a simplicidade e a responsabilidade de um missionário que  não vão precisar da parafernália de ressonâncias magnéticas para cuidar da saúde dos cidadãos.

Um pesadelo para a indústria das doenças

Basta que se despojem das tentações pecuniárias e organizem uma relação FAMILIAR com a vizinhança antes mesmo da ocorrência de enfermidades. Nessas cidades para onde irão, de tão pobres, não se depararão certamente com vítimas de motoristas aloprados e da violência urbana, principais causas de mortes no país.

A elite mercantilista mudou o tom do discurso e agora fala com a maior leviandade das relações de trabalho, embora ainda ameace ir à polícia contra o atendimento que os médicos brasileiros recusaram numa cruzada seletiva de exclusão de quem vive longe da praia e dos shoppings.  Essa turma sabe muito bem como funcionam convênios entre nações, da autonomia de cada uma, mas joga para a platéia e fala menos no revalida, por que soube de uma articulação para que faça o próprio dever de casa: a exigir dos outros, os conselhos de Medicina deveriam fazer o mesmo que a OAB, que obriga a "prova da ordem" para o bacharel advogar.

Se entre os advogados o índice de reprovação chega a 89%, imagine entre os recém-formados de Medicina de faculdades que mal garantem aulas teóricas (agora, estão usando até aulas on line). Essa possibilidade fez murchar um pouco o discurso do revalida.

Sem "revalida" para pastores que curam

E o que dizer das práticas de curandeirismo das igrejas evangélicas? Todos os dias, em diversos horários, poderosas redes de televisão exibem curas feitas por Deus, através de pastores que nunca passaram perto de uma faculdade, em quem havia sido desenganado pelos médicos.  Não seria o caso do CFM pedir um revalida para os pastores que fazem curas em massa com o simples uso de um lenço ou de uma água milagrosa?
Faça-se uma estatística e a água benta dos pastores está "curando" mais do que a os médicos com sua tecnologia de ponta. Daí o crescimento vertiginoso das igrejas evangélicas, especialmente na periferia, onde os doutores não querem nem chegar perto.
Da mesma forma, os milhares de médicos decentes (e os não médicos) não entendem a indiferença desses conselhos diante de clínicas ilegais de aborto, de clínicas privadas de baixa qualidade, e desses atendimentos médicos em "serviços sociais" de políticos clientelistas. Expor as mazelas da rede pública, isso eles fazem diariamente. Mas as privadas parecem gozarem de uma estranha imunidade, embora o exercício da medicina afete a todos.

O desmascaramento da lenda dos fugitivos

Enquanto o Brasil já gastou U$ 2 bilhões com soldados
 no Haiti, Cuba mandou um exército de 1200 médicos, o 
que nenhum outro país do mundo fez,  nem os EUA.
Por outro lado, vai ser vexaminoso para os arautos da direita desta sociedade fissurada em grana continuar repetindo surradas aleivosias, como aquela de que o maior desejo de  todo cubano é fugir para o mundo consumista.  Alegam para os incautos e idiotas que esses médicos são verdadeiros escravos: só falta forjarem "fotos" de médicos cubanos acorrentados. Esses "escravos" já salvaram vidas em mais de 100 países, de onde voltam orgulhosos para a ilha rebelde.

Na verdade,  toda essa turma doentia está morrendo de medo do entrosamento dos médicos cubanos com as populações pobres, como aconteceu em Mucajaí, a 60 km de Boa Vista, Roraima, onde o médico cubano Josué Jesus Matos casou-se com uma brasileira, naturalizou-se e acabou eleito prefeito da cidade pelo inexpressivo PSL, derrotando o candidato do PMDB, que tentava a reeleição.   

A menos que esses defensores da medicina de mercado consigam tumultuar um programa que se configura o pagamento de uma grande dívida com as populações pobres - esse perrengue atinge também os moradores das grandes cidades que não acham médicos nos postos quando precisam - vamos ver uma mudança real nas condições de saúde dessas populações, onde hoje é comum crianças morrerem até de diarreias.

Aí, com certeza, poderá vingar finalmente no Brasil o programa do médico de família, implantado como uma caricatura em muitas cidades, devido à mentalidade curativa de conveniência da medicina de mercado.



3 comentários:

  1. Não vejo mau nenhum em contratar um profissional da área médica vindo de fora e principalmente de Cuba, o mau maior é deixar a população carente sem nenhum atendimento. Em certas Cidades do interior o cidadão nasce e morre sem ver um médico e o único profissional de saúde presente é a parteira. Essa nossa elite precisa parar de criticar as boas coisas e começar a pratica-las em prol da sociedade desafortunada e muitos sem nada. Apesar de não gostar do PT eu aplaudo essa inciativa de coragem da Presidente
    Dilma e hoje há 59 anos um grande herói calou em prol da grande população trabalhadora deste País e deixou um grande legado e espero que a senhora Presidente, nascida no mesmo Estado de Getúlio Vargas venha continuar o trabalho deixado pelos grandes trabalhista que por aqui passaram.

    ResponderExcluir
  2. Anônimo1:55 PM

    Parabéns, enfim nossa presidente teve pulso e coragem de enfrentar a classe burguesa da nossa sociedade que não está nem aí com a saúde pública, já que tem seus planos de saúde e dinheiro para pagar quantias absurdas numa consulta particular. Os Conselhos de Medicina, autarquias públicas federais que deveriam primar e lutar pela saúde da sociedade, esquece seu objetivo e procura defender o interesse da classe médica, até quando nossa presidente vai permitir o enfrentamento por parte de um órgão que por lei é parte integrante do governo e mesmo assim decide enfrenta-lo.

    ResponderExcluir
  3. Anônimo12:52 PM

    Não sou contra a vinda dos médicos estrangeiros, pelo contrário, acho válida,
    os únicos problemas que vejo:
    Será que o governo fornecerá material, equipamentos, medicamentos para estes médicos terem condições de trabalhar, já que até nas grandes cidades do país falta tudo?
    Por que o Governo até hoje não tomou a iniciativa de melhoria dos hospitais, das clínicas e dos postos de saúde para que o povo brasileiro tivesse melhores condições de atendimento, tratamento e os médicos melhores condições de trabalho?
    Será que só a vinda dos médicos estrangeiros irá melhorar a situação da saúde no Brasil já que a simples consulta e receita pode não resolver os problemas?

    ResponderExcluir

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.