terça-feira, 16 de julho de 2013

Sequestraram nossos sonhos e pt saudações

Na real, cada um tratou de si e o Poder Público continua exposto aos malfeitos de outros carnavais



"A militância participa no limite da sua disponibilidade. Tem muita gente que, felizmente, está empregada agora depois de 10 anos do governo Lula. (A manifestação) Foi durante a semana, não era feriado, boa parte da nossa militância está empregada".
Rui Falcão, presidente nacional do PT

Pilhado numa reportagem documentada da revista Época, o secretário de Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, do PT, teve de anular duas licitações superfaturadas e de cartas marcadas no valor de R$1,2 bilhão para a contratação das obras de despoluição das lagoas da Barra da Tijuca, bairro da Zona Oeste do Rio, e para contenção das cheias da região noroeste do Estado.

Eike Batista deu o maior golpe no mercado com mentiras repetidas, mas como bancou meio mundo, na política e na mídia, não corre risco nem de ter os bens bloqueados, muito menos do xilindró.

Há uma terrível vocação entre os seres humanos -  a inexplicável volúpia de entregar o ouro ao bandido. Pode até ser por impulsos inconscientes, mas essa é a constatação mais evidente que se observa nesse infortúnio de atitudes kamikazes.

Essa inclinação masoquista é tanto maior quando esse ser humano está por cima de uma carne seca que jamais imaginou tão farta.

A exacerbação dos apetites e a velocidade dos desejos desregraram o comportamento. O triunfo da mediocridade arrivista incensou a fogueira autofágica e abriu as comportas para se botar tudo a perder.

O caos do despudor e da brasa pra minha sardinha
É o caos sem tirar, nem por. O caos do despudor e da miopia. Da brasa pra minha sardinha. Quem antes vituperava contra o mar de lama  nele afogou-se agora na nudez de seus instintos. 
Faz até pior por ser marinheiro de primeira viagem e por ter trocado a virtude crítica por umas prebendas e uns níquéis reluzentes, num desvio de caráter tão nojento que já não  sabe nem como pôr a cara na rua, nem nas paradas dos miquinhos amestrados.

Definitivamente, o Brasil vai de mal a pior e não há para quem apelar. Todos os próceres, os titulares dos podres poderes, embarcaram na nau dos insensatos. Querem moleza, querem usufruir do bom e do melhor, querem tirar proveito de tudo e de cada momento, por que, desgraçadamente, têm os olhos maiores do que as barrigas.
O noticiário fala por si. Todo hora é um escândalo, na repetência de hábitos seculares, já apontados pelo humor do Marquês de Maricá. Perderam a contagem do tempo de uma nação na precipitada abreviação da própria hora.

É a era mais pujante do império da politicagem de interesses, da “governabilidade comprada no “dá lá toma cá”, das negociatas, das roubalheiras, da pilhagem escancarada, do sepultamento das ideologias e dos valores essenciais.

Nas ruas, perdidos cordões sem elos e sem raízes
O povo que foi às ruas não criou raízes, nem elos.  Vai se dispersando depois do mero exercício da catarse. Tirou a espinha entalada na garganta e se deu por satisfeito ao ver os protagonistas tremerem nas bases.
Mas se sabia o que doía, não sabia o que queria. Acabou sendo usado para meia dúzia de peripécias de fancaria que não deram em nada.  Por que o valhacouto visado tem jogo de cintura.

Tiram sarro na Pátria amada e fica por isso mesmo

Triste é ver um país quedo, arrastando-se trôpego diante de graves ofensas, como essas revelações escabrosas sobre o controle dos nossos atos, a violação testicular da nossa intimidade  presumidamente soberana.
Governantes e cidadãos não entenderam ou não quiseram entender a gravidade dessa espionagem de alto teor corrosivo. 
Notinhas aqui e ali e nada mais, palavras ao vento mostrando um país vulnerável,  de cócoras, que não terá como peitar essa invasão estrangeira.
Nesse capítulo sujo, o mínimo que  a soberania clama seria chamar o nosso embaixador para "consulta", suspender as relações já desiguais até repactuá-las com base no mútuo respeito.  Porque foi uma GRAVÍSSIMA invasão de nossas sagradas fronteiras. Se eles estão tão à vontade para bisbilhotar nossas conversas, imaginem como andam no mapeamento de nossas riquezas. 
Ou então se oferecia asilo a quem expôs sua pele para denunciar a trama. Mas não.  Nem a humilhação imposta ao presidente de um país irmão levou à indignação altíssona. Nada. Vai ficar por isso mesmo, na troca de lamentos parfa a platéia. É de praxe.

A degeneração das elites mandantes produziu um cipoal de rabos presos. Tudo o que fizeram e compromete está nos arquivos implacáveis da central única de informações cibernéticas.

Quem vai ousar bater de frente com quem armazenou sua ficha suja e suas peraltices?

Nossos paradigmas são a fina flor da matreirice

Bem que a gente chegou perto do sonho. Podiam ter tido o comportamento franciscano  dos barbudos do Caribe que se tornaram invictos por não abrirem mão do idealismo da montanha.

Mas aqui entre nós, nesta leniente terra sul-americana,  o planalto se abriu em flor na festa de suas misteriosas noites de desvario. Não houve mudanças, mas trocas e na linguagem da farsa, com o aproveitamento dos mesmos personagens, de onde o sonho juvenil, pra valer, com o culto das vocações sacerdotais, foi para as calendas. E não se fala mais nisso.
Os paradigmas dos nossos dias são a fina flor da matreirice. Meteram a mão na massa e não perceberam que estavam fazendo o jogo dos nostálgicos da longa noite de agonia.
Anote o que escrevo nesta madrugada friorenta sem lampejos de um julho em férias, sem eira nem beira. Este país está à deriva, num mar de lobistas, vigaristas, corruptores e corporativistas, sem uma bússola, uma proposta de nação soberana, de sociedade justa, de progresso consistente, movido por suas próprias pernas.

Se eram as últimas, as esperanças estão definhando até o suspiro final. Pelo menos quanto a este escriba setentão, que fez das tripas coração para um novo dia, não há uma única réstia de luz no horizonte.

Os meus parceiros de utopia esmagaram os passos insurretos e decidiram que suas vidas valiam ouro, que é a vida de cada um que conta, é o prazer insaciável de cada vencedor que determina.

E nessa opção desastrosa pelo atalho pessoal, renderam-se a acordos de conveniência e as alianças espúrias, na celebração da impostura que se tornou um tiro pela culatra.
Estou vendo a olho nu que estão fazendo de tudo por tudo para entregar o ouro ao bandido.
Ou melhor, a um bando de malfeitores dispersos, num ambiente dilacerado, sem uma fortaleza capaz de preservar a integridade do Estado, a dignidade dos cidadãos e a soberania da nação.

3 comentários:

  1. Anônimo6:28 AM

    LEMBRO DO POETA..."E ÁGORA JOSÉ"....Carlos Drummond de Andrade, poema que tanto líamos nos cárceres da Ilha das Flores sob a batuta daqueles palhaços (os principais morreram de câncer). Resta-nos o consolo da caneta e do pensamento da grande Porfírio: é difícil não desistir, como você. Fraterno abraço do velho Herberto Tavares. hjtavares@uol.com.br

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  2. Uma porta velha e envernizada. Alguém passou um pano e pintou com outra tinta sobre o verniz. A tinta secou, rachou com o sol, descascou e o verniz voltou a brilhar. Caro Pedro, isso "tá" no manual do usuário......

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  3. A mentira e a hipocrisia tornam-se a característica de todos os movimentos revolucionários DELES, utilizando como lema a mentira, mentir como um demônio; como escrevia Voltaire: o lema destes movimentos é mentir sempre e com audácia. Não esqueçamos o que disse Benjamim Disraeli, primeiro ministro britânico: o mundo é governado por personagens muito diferentes daquelas que são imaginadas por aqueles que não estão atrás dos bastidores.
    Dizem e propagam às massas belas promessas; para depois fazer o contrário, aí não terá mais nenhuma importância porque OS MOVIMENTOS atingiram o alvo! OS SAQUES; nestes dias ouvi palestra na rádio CBN de representante da comunidade judaica no Brasil, dizendo ter lançado no Rio de Janeiro o curso MATERIALISTAS ANÔNIMOS. Veja, isto foi o que destruiu as Monarquias no mundo inteiro, exterminou massas, índios, etnias, cidades inteiras, a ganância, motivou os protestos+antes de Lutero... Porém os gananciosos eram muitos, e espalhados pelo mundo todo persistiram, até utilizarem o [..] Karl Marx implantando o capitalismo, e ainda, as Leis das Sociedades Anônimas, para disfarçar as enormes fortunas expropriadas POR ELES; eles não querem destruir o capital, mas tornar-se os seus únicos senhores. E hoje, à caminho do socialismo estão ai, sem se importarem com o sofrimento alheio.... Observemos então..., as tentativas das governanças nos últimos tempos que enriquecendo com isto continuam obedientes à eles e em atendê-los, e COMO FEUDAIS permanecem e permanecem no poder, enganando, mentindo ao povo, utilizando a fraude nas urnas eleitoreiras...
    Saudações,
    Marilda Oliveira

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.