domingo, 23 de junho de 2013

O país se redescobre no grito das ruas

Ai de quem não der ouvidos ao clamor de um povo que se cansou de uma farsa que não ilude mais


Um espectro ronda o país - o espectro das ruas enfurecidas. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, milhões de brasileiros despertaram de um sono letárgico e se redescobriram como cidadãos livres, plenos de energia, coragem e indignação, movidos a partir da primária exibição da promiscuidade nas relações corruptas de autoridades de todos os podres poderes e de todas as instâncias com as máfias  que controlam os transportes urbanos e fazem fortunas graças a aumentos tarifários acima da inflação, com índices forjados segundo sua sanha insaciável.

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Todos os governos de todos os partidos tremem diante da fúria inesperada. Tremem e escondem-se em suas redomas blindadas  os que se locupletaram com o apadrinhamento de governantes levianos, como os Eike Batista, os Cavendish da Delta, as grandes empreiteiras, os banqueiros que exibem lucros exorbitantes, e mais os sanguessugas de uma malta de espertalhões, encastelados em sindicatos coniventes, ONGs picaretas, igrejas mistificadoras, mídias manipuladoras, elites sorrateiras, intelectualidade cooptada, entidades juvenis acopladas,  e toda uma fauna viciada nos ganhos fáceis  que o ambiente de hipocrisias e falsidades alimenta.

De onde saiu essa gente que até há pouco se refugiava  nos salões da alienação, da inércia e da indiferença acrítica? Como podem de repente ocupar ruas e avenidas em aguerridos cordões sem elos orgânicos, sem líderes, sem os ensaios  preparatórios, sem as discussões celulares, sem nenhuma das antigas regras mobilizadoras?

Como os primeiros indignados, contados a dedos, se multiplicaram aos borbotões, em avalanches avassaladoras, oferecendo seus corpos e almas, seus corações e mentes, suas vozes e seus passos ao combate desigual numa hora em que o marketing moleque de encomenda pretendia  envolver as massas com a beleza arquitetônica de estádios  construídos a peso de ouro,  como se o orgulho de sediar a fina flor do futebol mundial enchesse os olhos e cegasse um povo que não tem para onde correr numa dor de cabeça e está sendo engabelado por um sistema educacional farsesco, que se limita à expedição de caricatos canudos de papel?

Como anônimos e estranhos se ligaram em avisos espontâneos, sem chancelas, sem fianças e sem registros cartoriais, embrenhando-se nas incertezas de tardes onde não sabiam o que encontrariam pela frente, embora tivessem testemunhado pelo realce das televisões cenas que também poderiam lhes custar a dor de uma sangrenta bala de borracha ou a inalação de gases tóxicos com alto poder de infringir sofrimentos?

Como tal avalanche podia formar-se se a politicalha reinante se refestelava no gáudio das sinecuras generosas, das negociatas afortunadas, das propinas instituídas, das delícias cortesãs, crentes de que  o povo dominado se dava por eternamente satisfeito com o acesso a alguns dos seus sonhos de consumo, com a vidinha resolvida em doses homeopáticas de efêmeras compensações?  

Não, não era possível acreditar no crescente ocupar das ruas por brasileiros pacíficos ou irados, até então tapeados  por ilusões elaboradas, por expectativas individuais fabricadas, acorrentados ao sofá da sala, envolvidos com a ficção das novelas representadas por artistas convincentes ou ligados nos desempenhos dos seus times, em nome dos quais, aliás, até alguns mataram e morreram.

Estão agora em palpos de aranha os agregados aos podres poderes, os incorrigíveis oportunistas que transformaram a vida pública num balcão de negócios, aqueles esquecidos das querelas juvenis, e até de catilinárias recentes, hoje no desfrute prazeroso de benesses jamais imaginadas,  no convívio amigável com as velhas raposas, na  dependência de tipos com José Sarney, Renan Calheiros e Eduardo Cunha,  a que se aliaram por interesses nada republicanos.
                         
O que vão dizer em casa os militantes de carteirinha se eles sequer podem cair agora de pára-quedas para exibir seu apoio embandeirado aos protestos que irromperam à sua revelia, que não estavam nas suas agendas e de que também são alvos, seja quem for, por que o que está acontecendo é muito mais do que um não rotundo a este ou aquele delito, a este ou aquele desvio de conduta:  é um grande enigma histórico que só o amanhã decifrará, mas que precisa ser entendido ainda que pelos sintomas por aqueles que ofereceram as sementes e os condimentos dessa catarse social.  

Esses indignados  ainda têm meios e ferramentas para processarem o recado profundo das ruas, dos pacíficos e dos vândalos, dos que sabem por que estão na liça e dos que não sabem, dos que sabem o que querem e dos que apenas sabem o que não querem na singeleza de um grito que estava parado no ar.

Erram de má fé os que acenam com o terror do retrocesso só por que uma meia dúzia de órfãos do obscurantismo quer fazer o barco dos descontentes remar para trás. Erram por que lhes falta a honestidade da autocrítica na hora em que são flagrados com a mão na massa, trocando o silêncio e a conivência por algumas prebendas e algumas patacas.

O povo que está nas ruas não é insano para abrir mão desse ambiente de liberdade formal, mas palpável ainda que de leve,  em troca de um regime sustentado na suspeita, na perseguição e no arbítrio.

O que o povo não quer é ser desrespeitado sistematicamente, pagar a conta de uma roubalheira que se espalhou por todas as áreas de poder, envolvendo o público e o privado,  como se parte de uma doutrina cristalizada, na qual o cidadão tem que fazer das tripas coração para pagar duplamente para ter serviços de saúde, para educar seus filhos, para ter segurança, em meio à tirania da  mediocridade, que avilta o conhecimento e torna a arte de viver um sacrifício matemático febril, onde os valores do mal se tornaram tão incrustados que a todos acomete como imperativo de vida ou morte.

O grito das ruas já não está mais parado no ar. Irradia-se altissonante como alto teor explosivo. Não se destina a derrubar governos, mas a abater práticas deletérias, a exigir uma mudança honesta e impostergável no trato com a coisa pública, a cobrar o mínimo de recato a todos que, ocasionalmente, detêm poderes decisórios.

É um grito que detecta e explicita uma grave crise de múltiplas facetas, que só pode ser compreendida à luz de uma visão estratégica, capaz de assimilar as frustrações, os sofrimentos e as desesperanças de quem já não tem como sobreviver com dignidade, de quem não vê horizontes para seus filhos e precisa muito mais do que economizar 20 centavos por passagem.  Precisa, isto sim, de no mínimo manter seus níveis de vida com dignidade e segurança.

Se esse grito não repercutir agora como mutante de hábitos e políticas imorais e insustentáveis, mais dia, menos dia, há de voltar a ecoar com a força de  trovões e relâmpagos catastróficos.

Nesse então, provavelmente, não sobrará  pedra sobre pedra. Não ficará ninguém para contar a história.

12 comentários:

  1. Simplesmente um resumo: o povo paga os maiores impostos da América Latina, para manter os políticos mais caros e mais inútes do mundo.

    Franklin Ferreira Netto

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  2. Anônimo7:10 PM

    Sugiro lerem a matéria da UOL de hoje, que mostra a pouca vergonha nas empresas de ônibus e a omissão das autoridades

    http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1299869-promotoria-investiga-fraudes-em-empresas-de-onibus-de-sp.shtml

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  3. Anônimo7:33 PM

    A insatisfação já estava em cada rua do país. Com a gigantesca concentração de riquezas nas mãos de uns poucos e seus reflexos nas precárias políticas de saúde e nos baixos salários, bastava ter pele para sentir as coisas. E as vítimas desta barbaridade sócio -econômica sempre bradaram em suas casas e esquinas. Agora ,ganham as ruas. Mas nem toda rebeldia leva ao avanço político. Criou-se um "Caçador de Marajás" no final dos anos 80, e o resultado é por demais conhecido, como um triste momento da nossa história. Depois veio o movimento dos "Caras Pintadas", com a ilusão de que no capitalismo só existe uma forma de roubo: a corrupção,não vendo os grupos econômicos, a classe dominante , como os principais corruptores, à busca de agentes próprios no poder público que estejam a serviço de seus interesses. Resultado: a eleição de FHC, de um neoliberal, que levou a doação-privatização às últimas consequências, talvez maior forma de roubo já efetuada em todos o 5 séculos de existência do Brasil.
    Agora, aparecem grandes protestos. Liderados por quem? Por nenhuma força de defesa de transformação da realidade sócio-econômica. O que explica por que consignas como a defesa dos recursos minerais ,a reforma agrária, questionamentos sobre o que se gasta com serviços da dívida pública(em torno de 700 bilhões de reais anualmente), compra de certos políticos através de financiamentos privados de campanha, privatizações que continuam, inclusive do petróleo, não apareçam.

    Liderado tal momento por uma força de proposta de mudança de fundo, falar-se-ia dos partidos, mas não se defenderia o anti-partidismo por princípio. Falar-se-ia,sim, das diferenças entre os partidos, sem a intenção de defender a ideia atrasada de que todos os partidos, os de hoje, os de ontem, e os que possam ser criados, são maléficos pela sua própria natureza, de que todos os partidos, pela sua essência mesma, são e, até mesmo, sempre serão iguais.
    Sem a influência de setores progressistas ou de esquerda, as forças de direita, através de sua mídia, buscam apoderar-se politicamente dos protestos, enxugando a pauta do quase-tudo por uma pauta de falsa condenação da corrupção, procurando,ao que tudo indica, produzir um "caçador de ladrões", para" salvar" o país.
    É lógico que a conjuntura é outra: a direita está dividida. Uma parte dela está com Dilma, principalmente, depois da incrementação de privatizações como política de governo e o uso de recursos do BNDS para o agronegócio e multinacionais.
    Contudo, a disputa não vai parar entre as direitas, que de tudo estão fazendo para que essa gigantesca inquietação de massas não fuja ao seu controle. Até o momento a conjuntura as favorece.
    São preocupações, só mais tarde serão possíveis análises mais completas.
    Alberto

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  4. Anônimo8:25 PM

    ale também ler essa matéria sobre o mesmo assunto:
    http://search.babylon.com/imageres.php?iu=http://blogpontodeonibus.files.wordpress.com/2011/02/happy-play-1.jpg&ir=http://blogpontodeonibus.wordpress.com/2011/02/26/empresa-que-nao-opera-leva-dinheiro-da-populacao/&ig=http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTsmnqak7ACD_M9Tz5AAZacWUxom22du2MhlS4BdM_gLbejkkhe5I9xxjs&h=2304&w=3072&q=empresa+Happy+Play&babsrc=SP_ss

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  5. Anônimo2:29 AM

    A bagunça é fomentada por setores apátridas externos e internos, antiga classe média e goísta que tem alergia a pobre, parte do empresariado reacionário, militares de pijama insatisfeitos com a Comissão da Verdade, cúpula da igreja católica REAÇA e por Marias vai com as outras. Tudo com o objetivo de desestabilizar o Governo. O que, teoricamente, se contesta, são coisas que ocorrem há 500 anos e melhoraram MUITO nos últimos 10 anos. Portanto, é uma tentativa de golpe de Estado nos mesmos moldes dos distúrbios provocados na Venezuela, Bolívia, Síria, Turquia, Egito, Irã, etc. ESTRANHAMENTE, os focos do colapso da economia mundial, os Eua, a Inglaterra e os sionistas, além de ditaduras aliadas como Arábia Saudita, Barhein, Kwait, Catar, etc são poupados. O movimento é orquestrado por USAID e anexos, COMO SEMPRE. Só os incautos não percebem o dedo sujo por trás das JUSTAS demandas. Porém, apesar de JUSTAS, se são fruto de 500 anos de parasitagem da "elite" sobre o povo, não podem ser resolvidas totalmente em 10 anos.

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    1. Anônimo6:29 PM

      A população paga uma carga exorbitante de impostos para um governo corrupto, que rouba e mantém privilégios e nada dá em troca à população. Não há transporte adequado, não há saúde, não há educação etc. A população está cansada, e a meu ver ainda bastante apática diante de tanta bandalheira e má utilização do dinheiro público. Quem precisa utilizar o transporte público sabe exatamente das condições desumanas a que são submetidos: viajam amontoados, em carros precários, perdem horas de seu precioso dia num transporte de puro sofrimento e ainda são menosprezados por motoristas mal treinados e sem educação. O PT, que eu ajudei a colocar no poder, teve 10 anos para mudar isso. E o que fez? Fatiou o país com a corja de políticos que sempre assolou a nação, aumentou o consumo artificialmente concedendo créditos à população, optou por uma política assistencialista de bolsas, enfim não investiu onde deveria, nem ajudou a reduzir a corrupção ou melhorar a gestão pública. Agora a conta está sendo apresentada, numa manifestação independente nunca vista na história deste país. Não se trata de um movimento de classe A, B, C ou D, trata-se de uma revolta popular e grandiosa. E não é só contra o PT não, é contra esse monte de partidos e de políticos vagabundos que vem explorando o povo há décadas.

      E digo mais, a indignação ainda é pouca diante de tanto descaso. Vá alguém depender da educação ou dá saúde pública para sentir o quanto o brasileiro é desrespeitado. As pessoas ficam meses aguardando para fazer um exame de saúde, morrem nos corredores dos hospitais, não dispõem das mínimas condições para tratamento de suas doenças. Porém, os políticos, quando ficam doentes, vão com o dinheiro do povo, se tratar no Sírio Libanês. É uma vergonha, nosso povo é pacífico demais. Diante de tanta injustiça, temos toda razão de protestar e protestar muito, porque de outra forma não seremos ouvidos. E os resultados já começaram a aparecer, porque eles estão com medo e é bom que tenham medo, porque de outra forma as consequências serão bem piores.

      Temos uma tributação de país desenvolvido e serviços de terceiro mundo. Basta! Temos que apoiar todas essas manifestações e expor nossa indignação com tudo isso. Vamos em frente! A revolução francesa demorou 10 anos, nós estamos apenas começando.

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  6. Anônimo12:45 AM

    Pedro,sou uma admiradora de seu árduo trabalho e de suas idéias sempre tão coerentes.Participo de seu saber e belo texto,e lhe parabenizo.As mudanças há tempo eram desejadas por várias camadas da sociedade brasileira,indignada com os mais diversos segmentos da máquina política.A livre expressão dos anseios,da insatisfação e a vontade de mudar o País para uma sociedade mais justa é louvável e enriquecedora para todos.No entanto,quando nos dirigimos à população em geral,com um leque de insatisfação tão genérico que não seria errado dizer,com reivindicação de mudança geral,de tudo,devemos avaliar os riscos a que expomos essa sociedade.Quem não sabe para onde vai,arrasta consigo um bolo de órfãos sem rumo.Estamos assistindo isso diariamente no País,que há duas semanas está parado devido à passeatas.Ocorre que o clima destas passeatas,desde a primeira,foi marcado pela intervenção de vândalos,situação normal quando não temos metas pré-estabelecidas e sem liderança.O que antes eram apenas um grupo de no máximo 20 vândalos,virou uma massa de grandes proporções,em quase todas as cidades da federação.É um perigo expor uma sociedade a rostos de máscaras e sem lideranças porque apesar de terem se auto entitularam os sem partido mas ninguém é sem partido.Ninguém é apolítico.De maneira que o movimento se tornou o prato feito para oportunistas de todo o tipo,desde fascistas a ladrões.Tornou-se um movimento marcado pela violência e o Estado Democrático de Direito está seriamente ameaçado,isso para não falar dos últimos confrontos e destruição na Barra da Tijuca.

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  7. João Carlos Bezerra de Melo1:31 AM

    Caro Porfírio.

    Primeiramente, parabéns, pela sua corajosa luta contra os tubarões da FETRANSPOR.

    Em momentos como estes, surgem sempre os profetas dos pós-fatos a dizer do alto da sua arrogância: “Eu bem que disse ...” Não me incluo entre eles.

    Mas, modéstia à parte, pelo testemunho diário das minhas sucessivas empregadas domésticas, que morando cada dia mais distante, ficam, para vir ao trabalho e retornar a casa, pelo menos, 5 horas por dia espremidas nos ônibus que utilizam, sempre defendi que o governante que tivesse a coragem política de desenvolver um sistema de transporte de massa rápido, eficiente e com um mínimo de conforto para o usuário, nas regiões metropolitanas, cuidando também, por outro lado, em nível de prioridade, da educação e da saúde, além do reconhecimento público de toda a sociedade, acumularia um capital político inesgotável, por décadas.

    Uma ferramenta imprescindível para o alcance dessas metas, no que diz respeito ao transporte, é, na minha modesta apreciação, a transformação das linhas férreas das antigas Leopoldina (ou o que dela resta) e da Central do Brasil, em metrô de superfície, completando-se a matriz com linhas de ônibus alimentadoras nos dois lados da linha férrea. Lembro-me que, ao discutir o problema, no tempo em que exerci cargo em comissão na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, havia uma idéia de que a recuperação e modernização do sistema de trens de superfície, no Rio de Janeiro, ficaria em torno de 800 milhões de dólares, algo equivalente a 30% a mais que a “farra do boi” em que se tornou a “reforma” do Maracanã.
    Havia, sim, um constrangimento orçamentário, em termos das burras do Tesouro Estadual, de todo vazias, no governo Benedita. Mas havia, sobretudo, falta de vontade política de mexer no vespeiro do oligopólio dos mafiosos da FETRANSPOR. Cheguei a ouvir absurdos do tipo que a redução vertical do tempo de viagem para regiões mais distantes das áreas metropolitanas acarretaria um surto de especulação imobiliária que deixaria inviável a aquisição de terras pela (ou para a) população pobre.
    Não é este o espaço próprio para abrir a discussão sobre as medidas de natureza tributária que podem ser utilizadas para contornar esse alegado problema, por via do imposto de transmissão intervivos e da contribuição de melhoria, prevista constitucionalmente mas não utilizada, no Brasil.
    De qualquer maneira, ante à intensidade e à abrangência do problema que, a meu ver, chegam quase ao nível de crimes hediondos que vitimam diariamente a população dos subúrbios habitados pelo povo trabalhador, salta à vista que a incúria governamental fica muito próxima aos interesses da bandidagem dos oligopólios dos ônibus.
    Especificamente no que se refere às tarifas, além da falta de idoneidade e transparência que cerca a questão, vale ressaltar que, mesmo admitindo, por mera hipótese, a fidedignidade dos números indicados nas planilhas apresentadas pelos tubarões, há que se discutir a margem de lucros das concessionárias, caso contrário o exame das ditas planilhas será, como na realidade é, um instrumento de mero repasse dos aumentos dos insumos, algo, por si somente, imoral, em um regime onde subiste além da demanda garantida, o pagamento, à vista, do preço final, completa ausência de risco, portanto. Em suma, refiro-me a seguinte questão: qual a taxa de retorno propiciada por esse sistema de cumplicidades aos tubarões?
    Caso você o considere de alguma valia, pode usar este texto da maneira e forma que melhor lhe aprouver.
    Abraço do
    João Carlos Bezerra de Melo

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  8. Li outro dia que 70% da imprensa nacional dependem de apenas seis famílias. Isso me faz crer no que li numa mídia que não faz parte desses 70% que a distribuição de renda aqui está muito longe de ser tão ruim quanto a que se crê: 10% do povo detém 50% da renda toda. Segundo o Mundo Rotário", de março de 2007, apenas 3% detém 90%!
    Aí vem a pergunta: pode haver democracia, ou sequer república (=coisa pública) com tamanha desproporção, comparável à de Dubai, Baren, Emirados Árabes e outras monarquias?
    Parecemos mais inquilinos num condomínio em que só os 3% condôminos têm voto na assembléia, do que cidadãos com direitos iguais de voto. Voto aqui se compra. Quem elege MESMO é quem banca candidaturas e suas campanhas milionárias: os 3% de "condôminos". Só isso explica não se regulamentar o artigo da CF que preconiza taxação das grandes fortunas. O POVO NA RUA PODE MUDAR ISSO TAMBÉM!

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  9. Também o escandaloso contrabando de nióbio do país para o exterior via Venezuela para o 1º mundo. Esse metal estratégico nale mais que ouro; dele depende a produção de turbinas de jatos e foguetes, canos de canhões grandes metralhadoras, mísseis, dado seu altíssimo ponto de fusão. Ainda tb para os reatores a fusão nuclear, ainda em experiência, que prometem ser a próxima fonte de energia em escala, pra substituir a nuclear a fissão. Produzimos 98% da produção mundial, mas o preço é feito na Inglaterra, onde custa mais barato do que aqui! Um quarto do valor. E ainda assim é contrabandeado. A criação da reserva Raposa do Sol e expulsão dos rizicultores de lá foi para garantir a americanos e ingleses a extração ilícita. E a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, patrocinada pela ONU, não assinada pelos EUA, diga-se de passagem, mas sim pelo Brasil, por Lula, dá direitos de NAÇÃO a tais povos, com soberania inclusive para assinar tratados e alianças militares. E para disfarçar, fingem nossas autoridades corruptar tratar-se de política nacional e se põem a perseguir agricultores para doar suas propriedades a índios. Só as pequenas, pq os latifúndios são intocáveis.

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  10. Anônimo9:53 PM

    O morro vai descer e aí ......

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.