terça-feira, 4 de junho de 2013

Furnas: um caso de perversidade explícita

Ninguém poderia supor que um funcionário com câncer aos 58 anos fosse vítima de tanta insensibilidade

Rude, com 34 anos de casa, resiste a um câncer aos 58 anos com dignidade exemplar,  mas ao invés de apoio, está sofrendo uma abominável discriminação em Furnas Centrais Elétricas, que parece mais interessada em vê-lo pelas costas. 

CLIQUE NA FOTO E VEJA A MENSAGEM DE RUDE  EM VÍDEO
Confesso que tenho dificuldade de escrever a respeito por que esse caso expõe toda a perversidade que pode acometer alguém com poder de decisão passageiro, mas que se acha no direito de ter dois pesos e duas medidas: a mesma reivindicação  que foi negada a esse profissional acabou tendo atendimento a outros com uma diferença  cruel: ele está lutando com toda a dignidade para derrotar o câncer, que já fez metástase, e os outros, mais próximos da diretoria, estão no gozo de toda a saúde do mundo.

Rudenilson Antonio Andrade Costa é antigo funcionário de Furnas e sempre esteve engajado nas lutas da categoria e da sociedade por um Brasil justo e democrático.  Cruzei com ele muitas vezes e, como todos que o conhecem, sempre admirei sua férrea coerência e sua coragem pessoal.

Ninguém poderia imaginar que essa terrível doença fosse atingi-lo num dos momentos mais pujantes de sua vida.

Mas da mesma forma que aconteceu, o mais exemplar é a dignidade com que enfrenta a doença e a sua disposição de cancelar uma adesão a um programa de demissão voluntária para que possa sentir mais forças e ter uma atividade mais viva nesse momento.

Ele tem a convicção de que será trabalhando que reunirá as condições psicológicas  necessárias para ir dando combate ao câncer que, por enquanto, parece estar contido. Mas não foi extirpado.

A direção de Furnas, tendo à frente seu presidente Flávio Decat até hoje não atendeu ao pedido de reconsideração, embora tivesse sido procurado pelo ministro do Trabalho, Manoel Dias, e pelo ex-ministro Carlos Lupi, aos quais garantiu que daria a ele o mesmo tratamento dispensado em 19 de novembro do ano passado, através da Resolução de Diretoria nº006/2677, a um grupo de funcionários na mesma situação.

Rude, como é carinhosamente chamado por seus amigos e colegas, trava agora duas lutas desiguais: contra um câncer no estômago, aos 58 anos, e contra a insensibilidade da Diretoria de Furnas. Não dar para dizer sequer qual delas é mais dramática.

Em sua luta, ele escreveu uma mensagem para um grupo de pessoas que o conhecem. Mas não ficou só aí: gravou um vídeo em frente à sede da empresa onde dedicou 34 anos de sua vida, pela qual luta como um titã.

Este vídeo é mais uma demonstração de sua admirável dignidade diante de tantas incertezas em relação à sua própria vida.

Veja o que ele postou na mensagem pela internet e comente para que possamos levar a palavra de muitos à diretoria de Furnas:

"Eu Rudenilson Antonio Andrade Costa, funcionário de Furnas Centrais Elétricas S/A, há quase trinta e cinco anos, matrícula 13612-1 em 19/07/2011 me inscrevi no "Programa de Bônus para Desligamento Voluntário - PBDV do Plano de Readequação de Pessoal- PREQ de Furnas Centrais Elétricas S/A". Porém em junho de 2012 descobri que estava acometido de um câncer maligno no estômago com metástase já passei por várias sessões de quimioterapia e estou lutando ferozmente para viver, reunindo todas as forças para derrotar está doença. Se eu fosse vidente ou tivesse bola de cristal e soube-se que iria ser acometido de uma doença que na América Latina mata 70% das pessoas, na Europa, 40% e nos Estados Unidos, 30%, eu não teria assinado o PREQ. Venho tentando insistentemente junto à Diretoria da empresa cancelar a minha inscrição no PREQ, porém ela se nega a ter essa atitude digna e humana e me informou que o prazo legal para desistir se encerrou em 27/02/2012, porém essa mesma Diretoria em 19/11/2012 emitiu uma RD - Resolução de Diretoria nº006/2677 permitindo que um grupo de funcionários gozando de plena saúde tenha o direito de cancelar a inscrição no PREQ. E eu, um homem indefeso com um tumor maligno no estômago que está contido, mas que pode voltar à atividade a qualquer momento, conforme afirmação do Oncologista, e nove nódulos no fígado (metástase) não posso, estou proibido. Talvez o cancelamento da minha inscrição possa afetar o índice inflacionário, aumentar a dívida pública, provocar uma queda no PIB e até gerar um aumento na tarifa de energia, sinceramente eu não consigo entender tamanha monstruosidade, a sensação que tenho é de um homem massacrado, pisado e humilhado".

2 comentários:

  1. Palavras me faltam e as lágrimas chegam aos olhos.Irei divulgar Rudenilson.Sabemos que o problema é decorrente do perversso sistema de assistência à saúde que temos, tanto privado quanto público, que apesar das governanças que temos ( antes PSDB, agora PT), não querem resolver a questão da saúde pública deste país...

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    1. Anônimo7:53 PM

      Somos o país dos injustiçados...

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.