segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dilma na hora da onça beber água

Na reunião com governadores e prefeitos, a presidente, que já foi brizolista, vai dizer qual é a dela

Será que a Dilma vai ajuda a fazer a limonada
para dar mais dinheiro público às empresas de ônibus?
Se depender do Cabral e do Lindbergh....
A presidenta Dilma Vânia Rousseff, de 65 anos, vai dizer qual é a dela hoje à tarde, justo na hora da onça beber água. Depois de conversar às duas horas com a meninada sonhadora do Movimento Passe Livre, que desencadeou os primeiros protestos em São Paulo, terá uma reunião com os pragmáticos 27 governadores e prefeitos das capitais para discutir uma alternativa para os transportes urbanos, já como consequência da fúria das ruas.

Se for pela cabeça do seu ministro das cidades, o paraibano Aguinaldo Ribeiro, do partido do Maluf, ou o senador Lindbergh Faria, pré-candidato do PT ao governo do Estado do Rio, estaremos FRITOS E MAL PAGOS.

Os dois, em sintonia com os prefeitos que historicamente vivem fazendo os gostos das empresas de ônibus em troca de algumas gentilezas indescritíveis, querem carrear mais  dinheiro para os já abarrotados cofres das empresas privadas de transportes públicos.

A limonada do limão ao gosto das empresas de ônibus

O Lindbergh, para a minha total decepção, está fazendo das tripas coração para que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que preside, vote amanhã mesmo um SACO DE BONDADES que garantirá às empresas casa, comida e roupa lavada para continuarem acumulando fortunas, estrategicamente compartilhadas.

Não lhe ocorreu em nenhum momento pedir a abertura da caixa preta das tarifas, lacrada numa planilha manipulada, pela qual, como já escrevi, os preços das passagens sobem sistematicamente o dobro da inflação.

Não lhe ocorreu fazer o que fez o Ricardo Faria, corajoso editor do blog VEJO SÃO JOSÉ, que gravou um depoimento com José Dias, ex-presidente do Sindicato dos Rodoviários de São José dos Campos, no qual ele demonstra com todas as letras como as empresas manipulam o chamado IPK, Índice de Passageiros por KM, e os cálculos de depreciação da frota.

Não ocorreu ao senador, por quem tenho tanto carinho, ler as reportagens publicadas por José Ernesto Credencio e Mário Cesar Carvalho, na FOLHA DE SÃO PAULO, neste domingo, e, antes, por Adamo Bazani, da CBN, em seu blog PONTO DE ÔNIBUS, que transcrevo no DEBATE BRASIL, nas quais  fica demonstrada uma gigantesca fraude de um consórcio de empresas de ônibus que opera na região Leste de São Paulo, graças à qual o promotor Saad Mazloum revela conclusões escabrosas sobre a manipulação do faturamento de três empresas do mesmo grupo.

Um projeto de pai para filho

O projeto apadrinhado por Lindbergh é coisa de pai para filho. Concede diversos benefícios fiscais em nível federal, alguns já previstos em duas medidas provisórias — MP 612/2013 e MP 617/2013. Seu Substitutivo amplia esses benefícios e condiciona o regime tributário à adesão de estados e municípios, que deverão zerar as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre Serviços (ISS) das empresas de transporte, coisa em que o Eduardo Paes já se adiantou no Rio com carinho e afeto.

Vivendo e aprendendo. Eu nunca podia imaginar que o querido amigo, uma legenda do movimento estudantil, fosse se empenhar na fórmula com a qual os poderosos empresários de transportes coletivos vão continuar protegendo seus super-lucros e seu caixa 2, de onde saem os mensalões para os políticos dos Executivos e dos Legislativos.

Como a presidente Dilma vive o ser ou não ser sob a chantagem da governabilidade a partir de parlamentares de aluguel, não é vai ser difícil ela embarcar nessa canoa, como fez em maio, quando editou a Medida Provisória que livrou a cara dos empresários de ônibus em R$ 1 bilhão por ano, graças à dispensa de pagamento do COFINS e do PIS.

Só Brizola teve peito de encarar a turma do Jacob Barata

Ela, que já teve tratos com o assunto quando foi da equipe de Alceu Colares na Prefeitura de Porto Alegre, sabe muito bem como essa banda toca. Naquela época, viu o governador Leonel Brizola acabar com a farra da máfia, quando encampou as 16 maiores empresas de ônibus, através do memorável Decreto 8711, de   9 de dezembro de 1985.

Pena que o Moreira Franco, seu atual ministro dos aeroportos,  como pagamento de compromissos de campanha, reprivatizou o sistema e ainda abriu caminho para o sucateamento da CTC estatal, liquidada no governo Marcello Alencar.

Por que não aprendem com os americanos?

A estatal norte-americana opera trens e ônibus muito bem
Já que tem viagem oficial aos Estados Unidos em outubro, Dona Dilma poderia pedir informações sobre o sistema de transportes públicos na Meca do capitalismo.  Lá, a estatal National Railroad Passenger Corporation – a  Amtrak – constituída em 1971 em meio ao declínio do transporte de passageiros, opera uma rede ferroviária nacional que serve a mais de 500 destinos, em 46 estados da federação, através de 33.800 quilômetros de trilhos, com mais de 20.000 funcionários, e presta um dos serviços mais elogiados daquele país.

Em alguns estados, como Nova York e Califórnia, a estatal federal opera um serviço de ônibus interurbanos denominado Thruway Motorcoach, destinado a servir passageiros de localidades sem serviços ferroviários, de modo a conduzi-los à estação ferroviária mais próxima, possibilitando assim conexões com os trens. Mais recentemente, segundo um brasileiro muito viajado por lá, ela vem assumindo praticamente todas as linhas de ônibus da cidade de Nova York.

Estou falando dos Estados Unidos, mas poderia pegar outros exemplos onde o transporte público é PÚBLICO mesmo. E funciona muito bem.

Ir fundo ou ir para o fundo do poço

Dona Dilma, o PT e o escambau, toda essa malha agregada aos podres poderes, podia ir fundo na questão dos transportes urbanos, que são definidos como Direito Constitucional dos cidadãos, abrindo mão desse esquema pernicioso de alta capilaridade corruptora, reescrevendo todo o modelo de transportes, tarefa que pegaria bem para um senador cria do PC do B, com passagem pelo PSTU e tido e havido como da parte ainda coerente do PT.

Primeiro, concentraria os recursos públicos no incremento ao modal ferroviário. Em paralelo, restabeleceria o caráter público estatal de todo o sistema, única maneira de assegurar uma prestação de serviços decente, como aconteceu com a CTC no primeiro governo Brizola.

Sei que é querer muito imaginar essa turminha fazer qualquer coisa nessa direção, justo quando estão privatizando os aeroportos lucrativos e ficando com os deficitários, enquanto ampliam a malha de rodovias privatizadas e pedagiadas, além de ter aprovado no ano passado a Lei que permite a cobrança de pedágios urbanos.

Mas como o povo gostou da rua, e nela pode permanecer ou a ela retornar de quando em vez, é de bom conselho que esse governo que se considera popular pela caridade do bolsa-família repense seu cavalo-de-pau enquanto é tempo.


Do contrário, vai ser uma tremenda hipocrisia apresentar-se à distinta platéia como farinha de outro saco, sem nada em comum com a súcia de embusteiros que conseguiu a proeza de ver o povo nas ruas rejeitar as bandeiras de partidos e sindicatos, por mais “diferentes” que fossem.

5 comentários:

  1. Confesso impotente à opinião formada. Estaríamos no efeito outoborus? Mas quem é ou a quem pertence a cobra? Algo está claro, o teste próprio à desarticulação ou desestruturação foi perfeito, os resultados esperados. Dilma grudou o martelo na mão e tem que bater na mesa. A redução do ministério em pelo menos 50% é claro e evidente, mas, como sempre tem um "mas", como governar com um congresso e um legislativo como temos? Resposta: "Milagres existem..."

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  2. Anônimo2:47 PM

    Se a "grita" das ruas se resumisse às tarifas de ônibus, nossa presidente Dilma ainda poderia encontrar a saída com relativa facilidade mesmo que, como sempre, tivéssemos de pagar a conta, mas a gama de pleitos é muito maior e a põem em cheque.Ademais, seu último pronunciamento contém muito daquilo que lhe propuseram as "35 entidades de movimentos sociais" reveladas no blog do Dirceu na mesma data do referido pronunciamento", assim assinalando que querem mantê-la emparedada. Por outro lado, temos o "outro lado" que não quer compartilhar o bolo com o povo brasileiro. Terá coragem de "dar o murro na mesa"? Encontra-se entre a "cruz e a caldeirinha".

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  3. Anônimo3:47 PM

    Neste nosso complexo Universo, tudo é Relativo, Transitório e Mutante, para o BEM e para o MAL.
    Estas "inocentes" manifestações poderão levar a um Golpe, como o que houve contra o Chávez na Venezuela (mas durou pouco), ou, poderão levar a uma melhoria do Governo da Dilma, com sua consequente consolidação para a reeleição em 2014.
    Façam suas "apostas" !!!
    Quem viver, verá ???

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    1. Anônimo6:31 PM

      Caro anônimo (3:47), minha aposta vai pra outra alternativa que vc não nos contemplou. Nem golpe, nem melhoria do Governo da Dilma e sabe porque?? primeiro pq até os milicos já se cansaram de tanta bandalheira. No tempo deles a corrupção era pra "poucos" e a propina eram percentuais. Hoje, a coisa tá tão escancarada que eles duplicam os valores na maior e tá todo mundo metendo a mão, desde o presidente até o "contínuo". Daí nessa cumbuca milico não põe mais a mão!!!! e segundo, a Dilma, seu partido e correligionários estão nessa até o pescoço. Estão de pés e mãos "atados". Veja a última grande novidade...médicos estrangeiros para atender a pop. do interior...bem para salvar a pop. do interior nesse momento só mesmo se esses médicos forem curandeiros, porque a situação de total descaso, abandono da saúde à essas pop. não diz respeito somente a falta de médicos mas sim e o mais importante a toda uma estrutura hospitalar, ambulatorial e de exames totalmente inexistente em grande parte das cidades do interior do Brasil. O que ela está importando, não são médicos e sim mais uma política porca, imunda e assitencialista que ela e seu partido acabaram descobrindo por ocasião da morte de Chávez e virão ali um novo meio de manter o seu curral eleitoreiro, fazendo toda a encenação típica do populismo de 5 ou 6 décadas atrás... Meu voto vai pra garotada das manisfetações, que torço para que continuem infernizando a vida deles e coloquem todos os podres deles pra fora até a próxima eleição....e dai sim teremos alguma chance de mudar o rumo do Brasil!!!

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    2. Anônimo6:40 PM

      corrigindo: virão=viram
      ass. o anônimo que vos escreveu!!!rs
      obs. como se faz para editar uma vez postado???

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.