sábado, 4 de maio de 2013

A lógica da candidatura própria


A dinâmica do processo político numa escolha em dois turnos torna essa uma opção do interesse do povo

“Não sei o que foi meu avô. Estou muito mais interessado em saber o que será meu neto”
 Abraham Lincoln

Quem se opõe a candidaturas próprias em partidos da “base aliada” do governo insurge-se contra a própria lógica da eleição majoritária em dois turnos e não sabe diferenciar entre estar apoiando uma administração hoje e estar atrelado como “puxadinho” a um partido pelo resto da vida. 
Eduardo Campos e Cristóvam Buarque elevarão o nível da disputa presidencial
Pelo sistema atual, cada partido pode posicionar-se de uma forma no primeiro turno e engajar-se numa composição quando só dois candidatos chegam ao segundo turno.

Conforme a lógica de alianças, os compromissos mútuos no decorrer de um governo não produzem efeitos colaterais na disputa seguinte. Ao participar de uma gestão, um partido soma ônus e bônus. Integra a administração, mas também contribui para a sua sustentação parlamentar e política.

É um pacto por tempo determinado que tem maior consistência na medida em que a coalizão se assenta num programa comum ou, pelo menos, em referenciais assimiláveis pelo conjunto dos aliados.

Mas, tem prazo de validade sem que isso possa acarretar cara feia de parte à parte.

Todo partido tem direito de avaliar o que é mais conveniente para seus projetos em cada situação.

Há legendas que sabem de suas limitações patológicas e não têm como existir autonomamente a nível nacional, nem em caráter episódico.

Mas há outros que precisam mostrar-se na maioridade e acumular forças pela exposição de suas próprias idéias no processo eleitoral, único momento em que é possível envolver a maioria da população no debate político.

Na vida partidária brasileira, em que são tênues as diferenças teóricas e de comportamento entre as legendas, há situações contraditórias cristalizadas no processo eleitoral.  Um partido pode ser grande,  reunir uma bancada federal numerosa, mas não ter ninguém em condições de disputar uma presidência da República. É um aglomerado de confinamento local.

Mas pode acontecer o contrário.  Uma liderança forte pode despontar em suas hostes e a sua presença no pleito majoritário maior pode servir para multiplicar sua bancada parlamentar.

As opções de cada partido são válidas para cada eleição. Num determinado momento,  ele pode não ter outra alternativa senão anexar-se já no primeiro turno a um aliado mais pujante.  Mas em outro momento, permanecer em condição secundária é abrir mão de um grande passo que poderá ter efeito substancioso sobre seu destino.

A dinâmica da política já supõe variações táticas e reavaliações constantes. No Brasil, onde as corporações partidárias são heterogêneas e suas lideranças tendem a posicionar-se em primeiro lugar segundo seus próprios interesses pessoais, essa dinâmica é mais frenética.

O governo atual é um grande leque sustentado mais por seduções fisiológicas do que por identidades programáticas.  Tem em sua base desde um desfigurado partido de trabalhadores até representantes da fina flor das elites, inclusive as mais reacionárias, para as quais o apoiamento é negociado no plano das políticas econômicas e dos acordos em relação a renúncias a avanços sociais como no caso da reforma agrária.

Não é, portanto, um governo de sustentabilidade meramente política. A sua proposta de governabilidade não se origina em boas intenções estratégicas, mas no expediente torpoe do loteamento da máquina pública. Não é, assim, nem um pouco diferente de seus antecessores. Tanto que parcela majoritária da sua base de sustentação também contribuía para os gostos desses que agora estão na oposição.

Nas eleições de 2010, apresentou-se uma situação mais duvidosa, com a candidatura de alguém estreante nas urnas e que era por si uma novidade de grande risco. A enfrentá-la um político “cascudo”, que saltava do governo de São Paulo com um capital acumulado desde a primeira disputa presidencial, em 2002.

A posição dos partidos aliados presumia cautela e até renúncias. Havia inclusive a possibilidade de candidato mais conhecido emplacar no primeiro turno. A postulante situacionista sequer brotara do corpo partidário, onde tinha pouco tempo de casa, em relação a seus expoentes históricos. Era uma escolha pessoal do presidente que saía e precisava ser vitaminada por quem não queria o retorno dos mandantes antigos.

Hoje, o quadro mudou totalmente a seu favor, com efeitos positivos e negativos para os aliados. Ela já entra em campo como protagonista e tende a uma auto-suficiência incensada principalmente por assessores medíocres, criando uma idéia falsa de que ante a sua invencibilidade inevitável só resta aos demais pegar sua traseira como se  fossem eternos reboques.

Nesse ambiente, é lícito cada partido da base aliada fazer sua própria avaliação em relação às eleições de 2014, sem que isso incida hoje, um ano e meio antes, sobre a vigência ou não dos pactos firmados.

Partidos como o PSB e o PDT não podem manter alinhamentos automáticos ao PT para todo o sempre. São vertentes diferenciadas do campo progressista e dispõem de próceres cuja presença no primeiro plano da disputa presidencial será de grande valia não só para suas legendas, mas também, e principalmente, para elevar o tom da campanha sucessória.

Além disso, ante um processo vulnerável, em que situações diversas são possíveis, o pior que pode acontecer ao povo é ficar prisioneiro dos conflitos menores nas duas variáveis da social-democracia neoliberal.

Mais relevante do que interesses pessoais dos inebriados do poder é a visão estratégica de quanto pode ser salutar para a oxigenação da República um painel de opções no primeiro turno das eleições presidenciais.

A partir delas, o mesmo vai acontecer nas disputas estaduais, inclusive em lugares como o Estado do Rio de Janeiro, onde partidos aliados em Brasília no apoio ao governo da presidenta já tratam de suas campanhas próprias, oferecendo uma multiplicidade de cruzamentos ao eleitor.

É com essa visão ampla que ainda poderemos ter eleições com participação popular consciente, independente do voto obrigatório. E poderemos, igualmente, fazer alguma coisa mais consistente para consolidar a vida republicana.

6 comentários:

  1. Paulo Augusto Maciel9:22 PM

    Eu acho que o PSB e PDT deviam fazer uma coligação com uma proposta nova, diferente desse esquema do PT, que escolheu o PMDB como seu aliado preferencial. Acho que outros partidos poderiam se juntar também nessa coligação para criar uma alternativa para o povo sem precisar voltar atrás com oPSDB e o DEM.

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  2. Sou favorável a candidatura própria até porque significa a identidade ideológica do PDT. Quando o PDT foi criado não foi para sair a reboque de nenhum partido e quando isso aconteceu foi um desastre total, quando Brizola aceitou ser vice de Lula. Da morte do Governador Brizola para cá o PDT vem sendo mais um da ala governista do PT e nada se cria apenas um Ministério falido e sem identidade trabalhista e agora sem voz para não aceitar a flexibilização da CLT criada no primeiro Governo Vargas. Os Sindicatos falidos e o Ministério do Trabalho sem representação a classe trabalhadora fica a mercê dos patrões e é agora que o PDT tem que entrar se opondo a tudo isso que está aí. Só utopia, com Lupi na gestão nada acontecerá.

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  3. SOU MEMBRO ATUANTE DO PSB, DESDE QUE SAI DO PDT. FUI PRESIDENTE DO PARTIDO EM MINAS GERAIS(ZONA DA MATA) FUI CANDIDATO A DEPUTADO FEDERAL JUNTO COM O MAURO LOBO(DEPUTADO ESTATUAL) EM MINAS GERAIS.
    SEMPRE DEFENDI QUE O PSB DEVERIA TER CANDIDATO PRÓPRIO-PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA AINDA BRASILEIRA.
    EDUARDO(governador de Pernambuco) é um nome de total confiança da base PSB, de todo BRASIL.
    O PSB PODE COLIGAR COM TODOS OS PARTIDOS DE ESQUERDA, DESDE QUE ESSES PARTIDOS NÃO REPRESENTE A CLASSE DOMINANTE. REGATTIDERI

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  4. CRISTÓVÃO E EDUARDO É O QUE TEMOS DE MELHOR NA POLÍTICA BRASILEIRA. COMPANHEIROS, VAMOS UNIR AS FORÇAS PROGRESSIVAS PARA ELEGE-LOS. REGATTIERI

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  5. Anônimo1:41 PM

    O Porfírio é um comunista inCUBAdo. E como todo comunista, sempre com uma boquinha no Estado.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.