domingo, 14 de abril de 2013

Eike aventureiro é criatura do PT, diz na lata Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES

Não é por acaso que o próprio Lula mexe seus pauzinhos para livrar o "bom burguês" amigo do pântano
"O grupo Eike é uma criatura do PT. Digo que a realização do PT no campo social é o Bolsa-Família. E no campo econômico, botar o Eike no pódio internacional das fortunas. A piada é muito boa, mas verdadeira. Doar mais dinheiro para o Eike? Sou contra. Só o porto não paga a dívida dele, não resolve o problema".

Eike foi dos maiores doadores das campanhas desses aí
Esta afirmação, do economista Carlos Lessa, primeiro presidente no BNDES na era petista, é de uma gravidade muito maior do que tudo o que se propagou sobre o suborno de políticos na novela inacabada do "mensalão".

Até bem pouco tempo, "o cara" era Eike Batista.  Disputava freneticamente o topo dos endinheirados do mundo. Ao contrário dos ricaços tradicionais,  numa postura que dava para desconfiar, fazia questão de exibir-se como dono de uma fortuna surpreendente pelo meteórico de sua ascensão. Era o mais rico do Brasil e um dos dez mais do mundo.

Com essa fachada, tornou-se um Midas da modernidade tupiniquim. Em tudo que tocasse, tiraria pepitas de ouro aos montes. Inventasse uma empresa como o seu "X" mágico, logo o mercado corria atrás de suas ações. Era o paradigma do empresário brasileiro de sucesso acachapante.

De repente, na hora da colheita, o gato tinha comido a dinheirama de algumas de suas empresas, verdadeiros blefes. E aí seus "amigos" do poder, comandados pelo ex-metalúrgico Luiz Inácio, começaram a mexer seus pauzinhos.

Isso, sim, daria uma CPI. Mas não se fala nisso

Não era por acaso e isso seria objeto de uma CPI, de uma rigorosa investigação do Ministério Público, de uma devassa da Comissão de Valores Mobiliários.  Mas nem se fala nisso, por que, mais do que investir nos negócios, ele montou uma blindagem inexpugnável e, neste momento, apesar das reservas públicas da presidente Dilma Rousseff, toda a máquina oficial se concentra na salvação da sua lavoura.

O que fizeram para tentar transferir um estaleiro já em fase inicial de instalação do Espírito Santo para o seu quase porto  em São João da Barra, Estado do Rio, foi de uma indignidade sem precedentes.

Embora tenha pernas para além da fronteira pátria, sempre com a cobertura ostensiva dos cardeais petistas, a começar pelo incorrigível José Dirceu, o seu irmãozinho Sérgio Cabral Filho não teve pejo em estimular seus negócios, desde o próprio porto do Açu, que enfrenta ações do Ministério Público local, até o mais forçado dos favorecimentos:  o Estado gasta R$ 1 bilhão  na reconstrução do Maracanã e vai privatizá-lo de mão beijada numa operação em que Eike atuou na formatação do critério de seleção, sendo ao mesmo tempo um dos dois candidatos a ganhá-lo por 35 anos, o que só não acontecerá se agravarem-se as crises  de algumas de suas empresas.
Isso tudo dá uma grande relevância à declaração do economista Carlos Lessa e abre espaço para outras especulações ainda mais "cabeludas".
Um engenheiro amigo meu, desses de uma inteligência e de um volume de conhecimentos exagerados, chegou à conclusão de que Eike Fuhrken Batista, brasileiro de 55 anos, é apenas "operador" de um esquema político, graças a que teve  grande sucesso como "vendedor de castelos de areia com o uso apenas do power point".  

Não há nada mais preocupante do que essa declaração de quem conviveu pessoalmente com essa relação promíscua entre os próceres petistas e o empresário que admitiu numa entrevista à Globo News que "cria riquezas do zero".

O PT tem obrigação de se explicar sobre essa verdadeira revelação do ex-presidente do BNDES, a quem Eike deve hoje mais de R 10 bilhões e de quem sempre vem recebendo "injeções de ânimo".

PT deve explicações sobre esta revelação de Lessa

Já não se pode cobrar coerência ideológica de um partido que jamais foi ideológico e chegou ao poder com um discurso ambíguo que encobre suas íntimas relações com as elites poderosas, que tiveram em Lula, e hoje têm em Dilma, a melhor escora para seus interesses vorazes. Um partido que, como dizia o sábio Darcy Ribeiro, sempre foi "a esquerda que a direita gosta".

Mas na medida em que essa relação irresponsável se dá com o dinheiro público, o silêncio diante da afirmação de Carlos Lessa será a mais explícita confissão de culpa.

Neste exato momento, uma força-tarefa do governo arregaça as mangas na busca de remédios para salvar o seu bom burguês preferido, sob o pretexto de que uma debacle do seu império contaminaria toda a economia brasileira e comprometeria a imagem do país perante investidores estrangeiros.

O mais provável, porém, é que esse desprendimento poderá refluir e afetar a autoridade do governo, expondo-o ao descrédito por empenhar-se tão desesperadamente para salvar um blefe, cujas cartadas, com os mesmos efeitos de uma daquelas "pirâmides" sem lastro, já levou um diretor de um banco de investimento ao desabafo:  "O investidor simplesmente cansou de ser roubado".

Outro empresário, que pretendia arrecadar recursos para projetos de infraestrutura, já não escondia seu pessimismo, ao afirmar que a janela do mercado internacional se fechou: "Eike conseguiu contaminar o Brasil".

E não é para menos: Eike prometia petróleo e entregou poços secos aos seus investidores. Prometia uma nova Vale e entregou morros inoperantes. Prometia o maior complexo industrial e portuário da América Latina e no seu porto do Açu há apenas um píer construído. Prometeu um grande estaleiro e, na prática, é ele quem começa a ficar a ver navios.

Rebaixado no início de abril pela agência de risco Standard &amp Poors para o nível B-, com perspectiva negativa, equivalente ao de um pré-calote,    Eike Batista é também o pivô de um conflito silencioso dentro do governo, aprofundando ainda mais o fosso entre Lula e Dilma. 

Lula quer um socorro de mão aberta e olhos fechados; ela, que já tem outros pepinos pela frente, até admite dar uma mãozinha, mas não quer fazer tal generosidade no escuro.

Seja o que for, é de bom alvitre que as lideranças políticas no campo popular tratem de imaginar outras alternativas ao continuísmo de Lula e do PT. Pior será se toda essa trapalhada de alto poder corrosivo se transformar em combustível da direita mais reacionária e confiante em que o povo já esqueceu suas trapaças nos idos sujos da privataria explícita.

Por que uma coisa é definitiva: o desmascaramento de um blefe dessa magnitude na área econômica afetará seus criadores políticos até a medula.

7 comentários:

  1. Sua imensa fortuna foi construída com os grandes roubos que seu pai promoveu enquanto esteve presidindo a Companhia Vale do Rio Doce. Assim qualquer um vira milionário.

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  2. Anônimo8:22 AM

    O caso do Porto do Açu tem todo o traço de uma cruel maldade contra o povo da região de Campos. Posicionado geograficamente de forma estratégica, entre os grandes portos do Rio de Janeiro e Vitória, e no ponto mais avançado da costa em relação às plataformas da Bacia de Campos, o porto foi construído numa região de forte deposição de sedimentos, o delta do Rio Paraíba do Sul. O site da SONDOTECNICA (25/08/2010) http://www.sondotecnica.com.br/noticia.show.logic?noticia.id=99 diz que "No mar, está sendo construído um berço de atracação com ponte de acesso de 2,7 km, um píer para rebocadores, um quebra-mar e um canal de acesso de 13 km de extensão, garantindo um calado de 19 m de profundidade." Em função do levantamento batimetrico em toda a extensão da área (13000 m x 70 m), terá que ser realizada uma senhora obra de dragagem; que não vai ficar só durante a construção a necessidade dessa dragagem, mas sim durante toda a operação do Porto. Ou seja, é uma obra que terá um custo operacional muito alto, que para ser competitivo terá necessariamente que ser "econômico" em mão de obra, ou estar pendurado ao Estado, com subsídios sustentados pelos impostos. O projeto alimentou ilusões no povo do Norte Fluminense, que mais cedo ou mais tarde se tornaria decepção, jogou dinheiro fora e deveria ter sido avaliado antes, pelo Clube de Engenharia ou pelo CREA. A aventura de EB, maior financiador das UPP's do Rio, vai custar caro para quem já não tem mais com o que pagar.

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  3. Anônimo11:37 AM

    Eike Batista é um grande empresário, entende muito de negócios. E Sérgio Cabral sabe aproveitar o que ele tem a oferecer.

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    1. Sai pra lá cheira rola!

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    2. Anônimo7:05 AM

      E papai noel vai depositar um presente na sua árvore de natal! Quanta ingenuidade! O comentário do anônimo, lá em cima, tem a profundidade do seu umbigo!

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  4. Alfredo Massaranduba6:23 PM

    . O Brasil era o maior produtor de manganês do mundo. Como era de outros minérios, todos controlados por ele, Eliezer Batista, o pai, presidente eterno da Vale.
    Eliezer devastou o Amapá, entregou todo o manganês aos americanos, a preços de banana.
    No Porto de Nova Iorque, os navios que vinham do Brasil com manganês, atracavam lá longe para não provocar comentários.
    Mistificavam a opinião pública, queriam convencer a todos, que EXPLORAR AS RIQUEZAS do então Território, deixando os milhares de pobres habitantes sem comer, sem morar, sem hospital e escola. Tudo transitório, enquanto ESBURACAVAM todas as terras, EXTRAÍAM o manganês e DOAVAM tudo aos trustes. A corrupção praticada pelo pai, beneficiando e enriquecendo ele mesmo e acumulando para o filho bem-aventurado.
    Mas como Eliezer foi sempre muito PREVIDENTE, controlou todos os minérios, que deixou para o filho, de “papel passado”, ou então em indicações DEBAIXO DA TERRA. Mas com os mapas atualizados e do conhecimento APENAS DO FILHO, A MAIOR FORTUNA DO BRASIL, ANTES MESMO DE NASCER.

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  5. O PT deve muitas outras explicações ao país. "Nunca antes na história desse país um partido traiu tanto o povo! No Rio de Janeiro, Capital e Estado, nem candidato próprio lançam. Vivem na aba e nas benesses do poder do PMDB de Paes e Cabral. É o partido da boquinha! Querem conferir? Vejam o secretariado de Paes e Cabral!

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.