quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Entre a cruz e a Opus Dei, a vingança


O futuro ex-papa deu seu recado quarta-feira de cinzas e deixou seus cardeais com as barbas de molho

"O mundo moderno se apresenta aos nossos olhos não como uma casa a construir, mas como um organismo a ser curado. Ora, se um edifício pode ser reparado do exterior, um organismo só pode ser curado a partir de dentro".
Padre Louis-Joseph Lebret (1897 -1966), autor do livro Suicídio ou Sobrevivência do Ocidente,            que teve grande participação no Concílio Vaticano II.

Renunciou para fazer o sucessor. Nada mais despropositado, porém nada mais verdadeiro. Nada mais sintonizado com a personalidade de Joseph Alois Ratzinger, adestrado na Juventude Hitlerista em sua fogosa juventude.
Cardeal Carlo Maria Viganó virou o jogo 
Foi o que restou ao irascível papa germânico, ao se sentir totalmente isolado desde que entrou em choque com sua principal aliada e "monitora", a obscurantista Opus Dei, como consequência do afastamento do representante do Banco Santander em Roma desde 1992, Ettore Gotti Tedeschi, da direção do Instituto para Obras de Religião - o Banco do Vaticano, em meio a uma saraivada de denúncias protagonizadas pelo cardeal Carlo Maria Viganò, ex-secretário geral do Vaticano, aos mil documentos contrabandeados pelo mordomo Paolo Gabriele e a um fogo cruzado incontrolável de mexericos.
Tedeschi é um "supernumerário" da poderosa organização de 90 mil seguidores fanáticos,  cognominada como "o Exército do Papa", numa reportagem de novembro de 2008 da revista SuperinteressanteFundada em 1928 pelo confessor do ditador Francisco Franco, o espanhol Josemaría Escrivá Balaguer, foi  reconhecida em 1982 por João Paulo II, como uma "Prelazia Pessoal" (a única na estrutura da igreja romana).  Seu criador morreu em 1975 e foi declarado santo em 2002 pelo mesmo pontífice, num rito sumário.  A Opus Dei  aparece como  principal apoiadora nas escolhas dos dois últimos papas,  como sabe muito bem qualquer repórter setorista do Vaticano.
Numa "vingança perfeita", nas palavras de um diplomata credenciado na "Sana Sé",segundo relato de Paolo Ordaz,  do El País, o ex-futuro Papa pegou pesado na missa da quarta-feira de cinzas ao apontar a "hipocrisia religiosa"  e a luta interna pelo poder, como causas da crise que o levou a um gesto extremo, que desautoriza o dogma da infalibilidade de um sumo pontífice.
Ou uma jogada de mestre
"Em uma cafeteria de Borgo Pio, o bairro de ruas estreitas contíguo ao Vaticano, um diplomata com credenciais junto à Santa Sé chamava a atenção para um aspecto:
 - Praticamente todos os jornais, cada qual com seu estilo, desenham o Papa como uma vítima das lutas de poder no Vaticano. Há alguns meses, quando abordavam o tema da incúria na Igreja, colocavam Ratzinger como culpado. É feio usar essa palavra referindo-se a um Papa, mas pode-se dizer que, com a renúncia, Ratzinger executa a vingança perfeita" - disse o diplomata na reportagem de Paolo Ordaz.
Uma jogada de mestre,  segundo John Allen, um "vaticanista", citado por Jerome Taylor, do jornal Independent de Londres. De fato, dos 120 cardeais com direito a voto na sua sucessão, Bento XVI nomeou 67. Os outros 53 foram nomeados por João Paulo II,  quando o então cardeal Joseph Alois Ratzinger já dava as cartas, como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, a versão moderna do Tribunal da Inquisição.
"Pelo menos, alguns cardeais podem se sentir fortemente pressionados a não fazer algo que possa ser percebido como um repúdio ao papado de Bento XVI, que possa causar consternação a ele. Como isso poderá ser traduzido em termos de votos no conclave não está de todo claro, mas é uma peça do quebra-cabeça que vale a pena considerar" - escreveu John Allen terça-feira,dia 12, no National Catholic Reporter.
Cobra engolindo cobra
Ao longo de seus 2 mil anos, o centro do poder da Igreja Católica sempre foi um ninho de cobras, com os maiores índices de intriga por metro quadrado do mundo. Esse clima levou o então cardeal emérito de Milão, dom Carlo Maria Martini, a afirmar em junho de 2008, que "a inveja é um vício clerical por excelência".
Segundo o cardeal italiano, que morreu em agosto de 2012 aos 85 anos, muitos dentro da Igreja estão "consumidos" pela inveja. Alguns não aceitam nomeações de outros para bispo, e este não é o único pecado capital entre os homens da Igreja. Dom Carlo Maria Martini denunciou também o vício da vaidade, salientando que na Igreja "é muito grande. Continuamente,a Igreja se desnuda e se reveste de ornamentos inúteis, numa tendência à ostentação, ao alarde”. O cardeal citou ainda o "carreirismo" na Igreja, e especialmente, na Cúria Romana, onde “cada um quer ser mais que o outro”.
Qualquer clérigo ou seminarista sabe que a intriga é o caminho das pedras no reino de São Pedro. E sabe mais ainda que  tanto Karol Józef Wojtyła  como Joseph Alois Ratzinger só se tornaram papas no estuário dos conflitos dentro da Corte (cúria em latim) vaticana, devidamente manipulados por influentes cardais "numerários" ou aliados da Opus Dei.
  Conflitos tão radicalizados que quebraram uma hegemonia secular dos italianos, afetados pelo envenenamento do Papa João Paulo I, em 28 de setembro de 1978, exatamente um mês depois de empossado sem pompas, por sua decisão,  depois de  uma das mais rápidas votações (4 rodadas) do Colégio Cardinalício. Veja a respeito meu artigo  de 12 de fevereiro.
O dia que o Papa chutou o pau da barraca
Joseph Alois Ratzinger decidiu chutar o pau da barraca por que a coletânea de documentos contrabandeados pelo mordomo Paolo Gabriele, perdoado por ele e já em confortável prisão domiciliar desde dezembro passado, junto com os dossiês do arcebispo Carlo Maria Viganò, e anotações do cardeal Angelo Sodano, ressentido ex-secretário de Estado, deixam meio Vaticano em maus lençóis, inclusive seu secretário pessoal, monsenhor Georg Gänswein.
Tido e havido como um teólogo de mão cheia, Bento XVI sabe do embaraço que vai causar à igreja Católica Apostólica Romana como um todo. Até mesmo como será chamado ainda não se sabe, porque os prelados não imaginavam que possa existir um ex-Papa em vida. Assim como ninguém pode garantir que ele optará pela auto-reclusão no belo mosteiro dentro da Cidade do Vaticano, a sé católica, com menos de 900 metros quadrados e 800 habitantes, quase todos do clero.
Isto é, enquanto estiver vivo e mantiver sua fama de maior autoridade na doutrina da fé, será sempre uma sombra inevitável, como foi aqui dom Eugênio Salles, quando se tornou cardeal emérito e continuou escrevendo semanalmente para os jornais, além de perturbar diretamente a gestão do seu sucessor, dom Eusébio Oscar Scheid.
Em busca de um Papa autônomo
Essa hipótese é que reforça a possibilidade do retorno de um italiano de fora da Cúria à chefia da Igreja, embora cresça nas bolsas de apostas (!) o nome do ganense  Peter Turkson, de 64 anos,  presidente do Conselho Pontifício para Justiça e Paz e fiel escudeiro de Bento XVI, que se considera o Barack Obama da Igreja católica.
Como não entro nessa pilha de bolsas de apostas, e como tenho certeza que a Igreja Católica jamais será a mesma depois da renúncia de um Papa em 600 anos, ainda acredito na escolha de um cardeal em condições de comandar sem precisar pedir a benção ao colega demissionário. E o cardeal Angelo Scola, amigo de Bento XVI, mas festejado por sua visão arejada em relação a outras religiões, é o mais blindado para assumir o vespeiro onde interesses escusos, vaidades, intrigas e ambições substituíram há séculos o poder do Espírito Santo.
Não ser a mesma não quer dizer que seja melhor ou pior, pois cada um tem sua avaliação do que é bom para uma Igreja que perde fiéis enquanto conserva o fausto de uma época que não existe mais como compensação existencial para o poder sustentado em fontes feudais, como o (imposto) laudêmio que lhe é devido em muitos países do mundo, inclusive o Brasil.
Mesmo exposta, Opus Dei influencia
A hierarquia da Igreja está dominada pelo ultra-conservadorismo da Opus Dei, que contou até com o ex-premier Sílvio Berlusconi em seu projeto de hegemonia do Vaticano, mas cujo objetivo estratégico maior era desmontar a Europa socialista. Muitos dos novos cardiais foram apadrinhadas pelos seguidores de São Josemaria Escrivá. 

Como demonstração de gratidão pelo apoio recebido na sua eleição, após 8 votações,  João Paulo II concedeu a esse grupo, em 1982, o status  de "Prelazia Pessoal", que a subordina diretamente ao Papa e fez do seu fundador santo, num dos processos mais sumários de canonização, só superado pelo de madre Tereza de Calcutá.
Estátua de 5 metos do fundador do Opus Dei na
 Basílica de São Pedro, com a benção de Bento XVI
Bento XVI não fez por menos: em 2005 mandou instalar uma estátua de 5 metros do agora São Josémaria Esquivá na fachada exterior da Basílica de São Pedro, que benzeu pessoalmente numa festiva solenidade religiosa em 14 de setembro daquele ano.
Além disso, chamou dois influentes cardeais do Opus Dei para seu primeiro escalão: Julián Herranz, presidente emérito do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, e o secretário da Pontifícia Congregação para os Bispos, arcebispo Francesco Monterisi.  Há quem garanta que o cardeal Tarcísio Bertone, principal homem na cúpula vaticana e pivô da crise que levou à inesperada renúncia, também tenha o respaldo da organização, razão pela qual Bento XVI não conseguiu livrar-se de sua incômoda companhia. 

À distância, mas não tão distante assim, Bento XVI trocava figurinhas com o arcebispo de Madri e principal clérigo da organização, cardeal Antonio Maria Rouco Varela,  também presidente da Conferência Episcopal Espanhola.
A entrega do Banco do Vaticano ao "supernumerário" Ettore Gotti Tedeschi, no final de 2009, foi a gota d'água que cindiu de vez o poder na Igreja, cujas riquezas são incomensuráveis. Descartado então da Secretaria Geral do Vaticano, sob a acusação de malbaratar recursos da Igreja, fazendo pagamentos indevidos a um conjunto de empresas que trabalhavam para a cidade-estado, o arcebispo Carlo Maria Viganò ficou revoltado: durante o seu mandato, que começou em julho de 2009, implementou reformas e cortes que levaram o Vaticano de um déficit de oito milhões de euros em 2009 para lucros de 34,4 milhões de euros em 2010. 
A Opus Dei não vai ficar chupando  dedo. Mas a brusca renúncia de Bento XVI também a deixou  tão exposta como na roubalheira no Banco do Vaticano, documentada pelo arcebispo Carlo Maria Viganò.
Neste momento, a "Santa Sé" está vulnerável, sem liderança e sem destino previsível. O que até agora foi uma guerra intestina, protegida dos fiéis, não é mais segredo para ninguém.
E como o mordomo não estava sozinho no seu estrago devastador, tem ainda muita água para rolar debaixo da ponte, além do que se revelou em conta-gotas.
Decididamente, a Igreja que já superou crises e cismas mais graves no passado de pouca comunicação, vive hoje seu mais dramático dilema, numa atualidade inflada de mídias: o suicídio ou a sobrevivência.

15 comentários:

  1. o ladrão edir macedo é mero aprendiz perto destes safados...

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  2. Anônimo8:30 PM


    O Vaticano deveria fechar para balanço!

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  3. GOSTARIA DE LEMBRAR A TODOS QUE O PROTESTANTISMO VEIO, DO CATOLICISMO, AMBOS SÃO IGUAIS EM TUDO. AMBOS TEM QUE SER CONDENADOS PELOS ERROS E APLAUDIDOS PELOS ACERTOS. OS QUE SE APROPRIARAM DAS LEGENDAS CATÓLICAS E PROTESTANTES. NO CASO CATÓLICO O OPUS DEI E NO CASO DO PROTESTANTISMO AS INÚMERAS DENOMINAÇÕES EVANGÉLICAS, APROVEITAM DA IGNORÂNCIA DE SEUS SEGUIDORES PARA CONSEGUIR IMPOR SUAS IDEIAS E LUCRAR COM ISSO.
    O PIOR QUE USAM O NOME DE DEUS. REGATTIERI.

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    1. CONCORDO PLENAMENTE COM VOCÊ!

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  4. Anônimo9:22 PM

    Onde fica "Jesus Cristo" nesta confusão toda ???
    O que vale é o verdadeiro espírito de Luz que existe dentro de cada um de nós, geralmente encoberto pelas nossas emoções negativas (ganância, raiva, ignorância, hipocrisia, etc.).
    As religiões são organizadas por humanos, que criam "deuses" para nos criar e que são usados (por seus criadores) para controlar seus seguidores e lucrar com isto. É tudo comércio !!!

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  5. Anônimo10:39 PM

    Cuidado. Mexer com o OPUS DEI é dar murro em ponta de faca. Ele está espalhado pelo mundo inteiro, inclusive no Brail. Não é segredo que o governador Geraldo Alkimim tem ligação com o grupo, como também o jurista Yves Gadnra, muito conhecido, que esceveu várias vezes defendendo o OPUS DEI.

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  6. Para ter uma visão melhor sobre religião, é indispensável conhecer o que Inquisição aprontou de barbaridades pelo mundo católico. Praticaram crimes hediondos em série. Mataram um monte de gente inocente! E onde estava Deus omnipotente que tudo enxerga?
    O OPUS DEI é uma organização criminosa que age na sombra e necessitamos combater aqui no Brasil, começando pelo Geraldo Alckmin, condenando-o a prisão perpétua pela barbaridade que aprontou no bairro Pinheirinho em S.José dos Campos/SP! Não podemos esquecer esta violência contra mais de 5.000 cidadãos pobres que foram expulsos de suas casas com extrema violência!

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Não só a Inquisição, teve o massacre dos indios na América do Sul,a conivência com o sistema escravocrata, o apoio ao nazismo e agora tem um candidato a papa africano que é homofóbico apoiando a pena de morte para os homossexuais, é mole ou quer mais?

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  7. Cesar Augusto Molenda8:42 AM

    Muito bom seu comentário, vou compartilhar no face, religião nada mais é do que um COMERCIO e bota comercio nisso

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  8. Você sr. Porfírio é o cara que tem a coragem de escrever estas coisas referente ao império que controla parte do mundo religioso e secular, parabéns.
    O que achei interessante foi o raio atraído pelo para-raio na torre do templo em Roma, fez me lembrar o escrito no livro do Apocalipse sobre a tarca que será derramada sobre o trono da besta.

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  9. Porfírio, Faço lembrar que para ter fé em Deus, em Jesus não precisa visitar um padre.
    A usurpação, lavagem cerebral dos fiéis crentes em Deus, a mando do Vaticano praticada pelos enviados que se dizem padres, espalhados pelo mundo vendo aumentar cada dia mais a prostituição, uso de drogas, vandalismo, crimes etc, sob o olhar omisso e conivente das lideranças governamentais.
    - Os infiltrados, denunciados por Pio X, invadiram a hierarquia do catolicismo no Vaticano, Pio X condenou o modernismo católico, considerado uma “síntese de todas as heresias.
    - Paul Marcinkus que JPII designou para ser o chefe da IOR , foi o suspeito do assassinato de JPI
    - João Paulo II tinha sua própria in-house maçons: o culto anti-católico secreto conhecido como Opus Dei"
    - JPII em 1984 recebe em audiência privada, a organização judeu-maçônico B'nai B'rith; em 1999 beija no Vaticano o Alcorão.
    - ...em relação a canonização possível de Wojtyla, o Papa Bento XVI foi forte e frontalmente resistiu.
    "arma secreta do papado" - e vida pessoal de JPII
    http://mudancaedivergencia.blogspot.com.br/2013/02/o-papa-bnai-brith-o-marxismo-maconaria.html
    Abraços,
    Marilda Oliveira

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  10. Anônimo12:11 PM

    Ah, como seria bom assistir à derrocada da Igreja Católica se essa fosse acompanhada também da derrocada de todas as religiões patriarcais monoteístas que só servem aos seus próprios interesses e dos poderosos capitalistas. Papas, padres, pastores, apóstolos, imãs e rabinos poderiam desaparecer e juntamente com eles, todas as supertições que inculcam na mente dos fiéis incautos.

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    1. ISSO É UTOPIA, MEU CARO! HAVERÁ SEMPRE UMA RAPOSA DISPOSTA A ASSALTAR O GALINHEIRO

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  11. Anônimo9:26 AM

    Quem é esse tal Porfírio? Como diz o samba "Quem é vc que não sabe o que diz"? E viva o papa Francisco

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Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.