sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Suicidas de consciência

Exército israelense admite um suicídio a cada 15 dias entre militares envolvidos em suas guerras de agressão

 

Ia deixar apagarem-se as luzes do réveillon, curtir um pouco mais as alucinações benignas que nos levam às praias e aos sonhos no primeiro dia do novo ano, para voltar ao teclado de minhas perplexidades e  do meu inconformismo.  
Mas não deu. Uma notícia publicada às 21h13m desse dia 27 de calor abrasador afetou-me o cérebro nervoso, tirou-me do jejum e trouxe-me de volta à reflexão mais aguda na esperança de que você também abra uma exceção em sua agenda festiva e vá fundo comigo nessa querela tão tocante.
Veja: a agência de notícias EFE divulga a versão oficial do Ministério da Defesa de Israel, admitindo que a cada 15 dias, em média, um soldado israelense se suicida.
Uma tragédia incomparável
Proporcionalmente, é muito mais do que ocorre com seus colegas norte-americanos recrutados entre desempregados dos subúrbios de cidades médias e pequenas para irem matar afegãos e ajudarem a manter a poderosa indústria bélica dos Estados Unidos, que não aceita viver apenas das 300 milhões de armas em poder dos seus cidadãos paranóicos e mal acostumados.
É mais, muito mais, do que os militares israelenses vitimados eventualmente por atos cada vez mais raros dos combatentes palestinos, inconformados com a perda de suas terras, de suas oportunidades de sobrevivência e de sua soberania.
É um número realmente chocante, incomparável.
Essa trágica e deprimente revelação oficial só foi feita porque um blogueiro anônimo (viva essa grande novidade midiática) pôs em dúvida os números oficiais sobre suicídios na tropa. Identificado apenas como Ishton, o rapaz contrapôs suas informações às  divulgadas pelo Ministério da Defesa.
Foi censurado, convocado para uma reunião com investigadores militares e ameaçado, enquanto a imprensa foi proibida de publicar o material.  Mas a denúncia já havia caído na rede e não restou ao governo de Israel outra alternativa senão desmentir suas próprias informações.
Segundo os novos dados, referentes aos últimos 10 anos, 237 israelenses suicidaram-se enquanto prestavam serviços às Forças Armadas. O Exército admitiu ainda que vem implementando um programa de compensação psicológica em suas tropas desde 1991, quando 41 jovens preferiram a morte à continuarem participando das conhecidas operações de guerra, marcadas por seus requintes de crueldade.
Em 2010, a própria população israelense ficou chocada quando apareceu na internet o vídeo de soldados dançando o hit "Tik Tok" da cantora pop Ke$ha, em pleno patrulhamento na Palestina.  O Exército apressou-se dizer que não tinha nada com aquilo, que ia punir os soldados, mas hoje se admite que esse "relax" fazia parte do programa para aliviar a tensão dos soldados nas áreas ocupadas.
CLIQUE NA FOTO E VEJA A DANÇA DO RELAX



Movimento de desertores cada vez aumenta mais
Sabia-se até agora entre nós do crescimento de um movimento entre os jovens secundaristas contra o serviço militar obrigatório após a conclusão do ensino médio. Muitos foram presos e em 2008 circulou uma carta com mais de 40 mil assinaturas em apoio aos "Shministim" desertores que preferiam a cadeia a participarem dos massacres, alegando objeção de consciência.
No documento, afirmavam: "Nossa recusa é acima de tudo um protesto contra a política de separação, controle, opressão e assassinatos do Estado de Israel nos territórios ocupados".
Já em 2002, o movimento Paz Agora, que já reuniu milhares de israelenses em protestos contra as políticas de guerra dos seus governos cada vez mais inclementes, havia divulgado documento no qual assinalava: "A questão do serviço militar nos territórios ocupados apresenta um dilema difícil, com o qual os apoiadores da paz têm procurado diversos caminhos para lidar. Aqueles que se recusam a fazer o serviço militar nos territórios merecem o nosso respeito por sua coragem pessoal e cívica e sua posição de consciência".
Indignação geral não pesa nas eleições
Resta saber qual será o impacto dessas revelações oficiais sobre o auto-sacrifício de jovens israelenses que preferiram a morte e saírem matando indiscriminadamente, principalmente inocentes, como é rotina principalmente em Gaza.
A internet já está tomada de comentários indignados por todo o mundo, inclusive em Israel. Por enquanto, porém, há indicações de que as eleições do dia 22 de janeiro parecem fadadas a reforçar a política belicista do governo de direita, cujo líder, Benjamin Netanyahu, está cortejando os 350 mil colonos introduzidos na Palestina como pontas-de-lança de uma ação tão perversa que encontra resistência até nos Estados Unidos.
Em 16 de dezembro, Thomas Friedman, do New York Times, escreveu de Tel Aviv um relato bastante pessimista:  
"Espanta-me o que acontece politicamente aqui em Tel Aviv. Na direita, a velha geração de líderes do Partido Likud, que pelo menos mantinha relações com o mundo, falava Inglês e respeitava a Suprema Corte de Israel, foi colocada de lado nas últimas primárias por um ascendente grupo de colonos ativistas de extrema direita que estão convencidos de que os palestinos já não representam mais uma ameaça e que ninguém pode remover os 350 mil judeus que vivem na Cisjordânia.
Esse grupo de extrema direita é tão arrogante e indiferente às preocupações dos Estados Unidos que anunciou planos para a construção um enorme bloco de assentamentos no coração da Cisjordânia – em retaliação à votação da ONU que concedeu Palestina a categoria de Estado observador.
Os principais candidatos para as eleições de 22 de janeiro nem sequer contemplam a pacificação dentro de suas propostas, e parecem obedecer a supremacia da direita nesta matéria".
 
É preciso ter muito sangue de barata para não se tocar diante dessa onda de suicídios de jovens no Exército de Israel. Ou então pode-se admitir que os israelenses não se chocam com suas próprias baixas, acostumados com os massacres em massa na Palestina ao lado.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Uma sociedade fora do controle

 
O tiroteio que deixou mortos - entre eles crianças - em uma escola da pequena cidade de Newtown, no estado americano de Connecticut, nesta sexta-feira (14), foi um dos mais letais entre os vários outros casos semelhantes dos últimos 20 anos nos Estados Unidos.
14 de dezembro de 2012: Um tiroteio em uma escola infantil na pequena cidade de Newtown, no estado americano de Connecticut, deixou 27 pessoas mortas - entre elas 18 crianças.
20 de julho de 2012: 12 pessoas foram mortas e 40 ficaram feridas em um tiroteio num cinema que exibia o terceiro episódio da série Batman, em Aurora, Denver (Colorado).
2 de abril de 2012: um coreano de 43 anos mata sete pessoas na Universidade religiosa de Oikos (Califórnia), antes de se entregar à polícia. O atacante assassinou metodicamente suas vítimas depois de alinhá-las contra um muro.
 
12 de outubro de 2011: no balneário de Seal Beach (Califórnia), um homem, que tinha problemas com sua ex-esposa pela custódia do filho, abre fogo no salão de cabeleireiros onde ela trabalhava, deixando oito mortos.
3 agosto de 2010: um homem que tinha problemas com seus empregadores mata oito colegas em uma empresa de distribuição de cerveja em Connecticut (nordeste), antes de suicidar-se.
20 janeiro de 2010: um homem mata oito pessoas durante um tiroteio na Virgínia (leste), e se rende após uma caçada humana na qual participam 150 policiais.
5 de novembro de 2009: um psiquiatra militar de origem palestina é o autor do maior tiroteio já registrado em uma base militar americana, matando 13 pessoas e ferindo 42.
3 de abril de 2009: um vietnamita abre fogo em um centro de imigrantes em Binghamton (Estado de Nova York), matando 13 pessoas.
10 de março de 2009: um homem desequilibrado mata dez pessoas, entre elas sua mãe, em três cidades do Alabama (sul), antes de voltar a arma contra si mesmo.
4 de dezembro de 2008: um homem fantasiado de Papai Noel abre fogo contra os convidados de uma festa, matando nove pessoas. Depois também se mata.
16 de abril de 2007: um aluno de 23 anos de origem coreana mata 33 pessoas antes de se suicidar na Universidade de Virginia Tech, em Blacksburg (Virgínia). O massacre é o pior da história dos Estados Unidos em tempos de paz.
21 de março de 2005: em Red Lake (Minnesota), um adolescente de 16 anos mata em sua escola nove pessoas, entre elas cinco estudantes de ensino médio, e depois se suicida.
29 de julho de 1999: depois de matar a esposa e os dois filhos, um especulador da bolsa de 44 anos abre fogo em duas firmas de corretagem em Atlanta (Geórgia), matando nove pessoas, e depois se suicida.
20 de abril de 1999: em Littleton (Colorado), dois estudantes do ensino médio abrem fogo no colégio Columbine. Doze estudantes e um professor são mortos. Os dois jovens assassinos se suicidam.
16 de outubro de 1991: um homem mata 22 pessoas em um restaurante de Killeen (Texas) e deixa outros 20 feridos antes de se suicidar.

Estas informações acima são transcritas do site do G1. Pela primeira vez, limito-me a uma transcrição e ao comentário em uma foto.
 
UM BLOG MAIS DINÂMICO
Estamos estudando um novo formato para este blog.  Conforme os acontecimentos, poderemos até dar uma profissionalizada  nos nossos blogs, envolvendo mais jornalistas. A idéia é fazer um blog central numa outra plataforma, com links para os demais blogs.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Alguém como Niemeyer não morre jamais


Mais do que uma admirável obra arquitetônica, ele deixa como grande legado 105 anos de caráter e coerência

Não é por acaso que a cerimônia do adeus a Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares envolve no mesmo canto harmonioso pessoas e personagens de todas as gerações, todos os credos, todas as ideologias, todos os matizes, todas as pátrias, numa homenagem unânime e uníssona.

Se não fosse por sua obra fecunda e magnífica,  espalhada pelos quatro cantos do mundo, ele mereceria todas as loas que a mente humana conhece só por ter vivido intensamente 105 anos, no gozo da mais rara lucidez e dedicado de corpo e alma a contribuir  e produzir com sua arte e seu pensamento até o seu último dia.

As futuras gerações disporão de um farto acervo artístico. Falarão de uma obra definitiva e marcante. Terão orgulho de um dos maiores arquitetos do universo, que deixou sua marca registrada em dezenas de países.

Caráter, o seu grande legado

Ninguém hoje negará sua contribuição, ninguém ousará mais diminuir-lhe a obra com a alegação invejosa de que ele era tão somente um papel carbono do francês Charles-Edouard Jeanneret-Gris, o Le Corbusier, seu supervisor na obra do Palácio Capanema, que esteve no Brasil em 1926 e 1936, e sobrevoou o Rio de Janeiro pelas asas do piloto Antoine de Saint-Exupéry, aquele que nos extasiou com  O Pequeno Príncipe.

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares foi o nosso arquiteto maior. Mas o Brasil sempre teve e sempre terá grandes arquitetos, como Sérgio Bernardes.

O mundo sempre lembrará seu talento arrojado, mas o mundo também tem grandes profissionais da prancheta.

O que salientava sua personalidade admirável, porém, ia além de sua grife artística.

O maior legado desse gênio foi seu caráter único, sua coerência, sua coragem e seu companheirismo.

Coerência ao manter-se fiel à sua ideologia comunista, que abraçou em 1945 e da qual não  se afastou nem nos momentos mais sombrios da ditadura, que o obrigaram ao exílio, nem quando a consagração de sua obra o fez um homem de confortável situação econômica.

Coerência que o fez recusar alguns clientes e que levou alguns grandes construtores e alguns banqueiros a o evitarem, discretamente.

Nessa coerência pétrea, não se prestou a acompanhar os cabeças do velho partido comunista, quando, após o fim da União Soviética, abriram mão da sigla e dos símbolos, numa manobra deprimente que implicava numa patética renúncia à história.

Coragem de continuar sendo comunista quando a sociedade brasileira havia sido envenenada por uma campanha que criminalizava os comunistas, enquanto muitos deles eram executados nos porões da repressão.

Companheirismo na prática rotineira de ajudar aos que dele precisavam, tanto abrindo vagas de trabalho, como garantindo ajudas financeiras, como aconteceu com o líder comunista Luiz Carlos Prestes, cuja moradia custeou por longos anos.

O mesmo entendimento por mais de 100 anos

Um bom arquiteto não é difícil fazer. Um bom caráter é coisa cada vez mais rara numa sociedade competitiva tão brutal que não poupa nem as mais próximas relações familiares.

Um bom caráter pode existir por muito tempo; por mais de 100 anos é quase impossível. Porque o dia a dia de cada um se encarrega de deformá-lo e induzi-lo a mudar para pior sempre que situações extremamente favoráveis ou extremamente desfavoráveis influenciam.

Em relação às convicções ideológicas, a crônica dos nossos dias mostrou que poucos foram e/ou são os que efetivamente nelas acreditam honestamente. Houve uma época em que parecia inevitável que o mundo marchava inevitavelmente para o socialismo.  Muitos pequenos burgueses leram qualquer artigo de Karl Marx ou de seus intérpretes e só para não perder o barco da história vestiram o vermelho de um amanhã que não veio.

Hoje, a situação é mais grave ainda, porque o sistema já não teme essa adormecida  fatalidade e parece suficientemente estrutarado para protelar sine die  a utopia do arquiteto e de alguns poucos sonhadores.

Provavelmente foi o convívio com essa facilidade mutante que alimentou sua reiterada fidelidade aos antigos ideais. Essa firmeza foi, no entanto, uma negação ostensiva do entendimento dialético marxista, segundo o qual a condição econômica de classe  move  o pensamento político. Regra, aliás, burlada ao longo da história, diga-se.

Seja o que for, toda essa homenagem internacional ao grande arquiteto tem o condão de desmontar a indústria de intolerância que alimentou e alimenta ainda o jogo sujo da manipulação das sociedades por conservadores obsessivos.

Comunista ou não, Oscar Niemeyer deu mais projeção ao Brasil de que todos esses ditadores que o perseguiram. E engrandeceu igualmente a  grande massa de idosos, que, como ele, têm um grande potencial e não podem ser descartados como são só pelos cabelos brancos.  A ele, portanto, devemos um reconhecimento muito mais profundo e mais eterno.

Porque homens como Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares não morrem jamais.

Para conhecer melhor o pensamento de Niemeyer, clique aqui e acesse

 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Golpismo, capitulação e apego ao poder


Sem perspectiva de vitória nas urnas, oposição joga pesado, mas o governo também facilita a trama 

Algumas coisas me parecem absolutamente claras:
1.   Há uma trama golpista de conteúdo polivalente, processamento modulado e objetivos moldáveis, forjada por todo tipo de motivações;
     2. O governo petista (e sua ampla coligação) está cada vez mais vulnerável e não consegue produzir uma leitura positiva de ações saneadoras que só acontecem pela determinação corajosa da presidenta Dilma Rousseff.
3.    . Os casos pontuais de corrupção e desvios de conduta, comuns em todos os governos, inclusive em algumas administrações estaduais tucanas, podem servir ingredientes ao projeto golpista e deveriam sofrer tratamento profilático rigoroso, o que parece não acontecer.
4.    O governo petista (e sua ampla coligação) é alvo dessa orquestração golpista não por causa desses episódios tornados públicos sem censura por ações policiais apoiadas pelo Ministério da Justiça, mas porque o governo petista, hoje altamente contemporizador, pode amanhã ser diferente e reencontrar-se com suas origens radicais.
5.     O governo petista (e sua ampla coligação) vem cedendo demasiadamente nas questões estratégicas essenciais, adotando as mesmas receitas neoliberais que favorecem a interesses insaciáveis, como no deplorável processo de privatização de aeroportos e portos lucrativos, deixando com o Estado o que dá prejuízo e o que não seduz empresários vorazes, brasileiros ou não. Nessa área, aliás, o governo petista acumula um pesado contencioso, iniciado quando abandonou a altamente capacitada corporação da VARIG à própria sorte e abriu caminho para um duopólio pernicioso e a  desnacionalização de nossos céus.
6.    Nos termos dessa linha capitulacionista, o PT perdeu a essência de partido das massas, mobilizador, galvanizador, para dar lugar a um aglomerado chapa branca, sem recatos ideológicos, tendo como base de apoio popular tão somente beneficiados por imobilizantes programas oficiais assistencialistas e paternalistas.
7.    O núcleo decisório desse governo coligado abandonou  as ruas para buscar no dá lá, toma cá dos conchavos palacianos a chave da governabilidade, opção incompleta, segundo essa receita, por não envolver no processo de sedução a grande mídia e os segmentos hegemônicos do Judiciário que têm projetos próprios de conteúdo insustentável, e recusado pela grande maioria da magistratura, como passar para 75 anos o limite para a aposentadoria compulsória, conforme a PEC-Bengala, em tramitação no Congresso.
Com a colaboração de ministros do STF
Que há manobras desestabilizadoras parece evidente na manipulação de informações interligadas propositalmente com o objetivo de caracterizar a administração atual, resultante de três vitórias eleitorais seguidas, como patrocinadora de articulações e ações imorais, indevidas e dilapidadoras.
Esse complô ganhou verniz peculiar com a utilização de ministros do Supremo Tribunal inventados e catapultados por essa mesma correlação de poder, numa ofensiva sui generis de ampla abrangência, que opera de forma orquestrada e conduzida com bem sucedido apelo popular.
O super-dimensionamento midiático do julgamento do mensalão e a forja de um novo herói inquisitorial alimentam a conspiração que não visa necessariamente uma ruptura da legalidade com a deposição de um governo, mas trabalha com objetivos institucionais de tutelá-lo e/ou condicioná-lo, imobilizando-o até a sucessão de 2014.
Nesse jogo, foi proposta uma ruptura virtual da presidenta com o PT e com o ex-presidente Luiz Inácio, bem como um racha na coligação governista, envolvendo principalmente o PSB do brilhante governador Eduardo Campos, mas como a trama não prosperou, a própria Dilma já começa a ser alvejada pelo fogo golpista.
Em nenhum momento, por exemplo, foi dito que só na era presente a Polícia Federal age com cultivado desembaraço, não apenas na investigação, mas, sobretudo e principalmente, na sua estrepitosa e glorificante divulgação.
Pode até não ser essa a filosofia do governo atual, mas é isso que o difere de seus antecessores, provavelmente mais profissionais, que sempre esconderam e protegeram seus malfeitos, mesmo os mais escancarados como as privatizações-doações que avolumaram muitas fortunas, e a compra da Emenda Constitucional que permitiu as reeleições dos presidentes, governadores e prefeitos, articulada por FHC e sua turma.
Tivesse estatura e menos apego ao poder
advogado geral da União, Luís Adams,
 teria pedido para sair.
Na defensiva ou querendo represálias pueris
No entanto, como baratas tontas sem convicção de nada, nem confiança no próprio taco, como parece mesmo que muitos foram com muita sede ao pote, o PT e o governo entregaram-se a uma defensiva perigosa, só desprezada por atitudes pueris, como tentar forçar represálias pontuais.
O que transparece de mais grave e mais assustador é a predominância de personagens medíocres e despreparadas, que chegaram por acaso ao pináculo do poder e a ele se agarram sob impulsos fisiológicos, protegidas por fuxicos, padrinhos desatentos e riscos de comprometerem os demais.
O caso do advogado geral da União, Luís Inácio Adams, espelha esse ambiente de ausência de caráter na corte. A simples constatação de que seu braço direito foi pego com a mão na massa indicaria uma atitude ética de sua parte, renunciando a seu cargo em caráter irrevogável. (Willy Brandt, de outra estirpe, renunciou em 1974 à  chefia do governo da Alemanha Ocidental ao descobrirem que Gunther Guillaume, seu auxiliar, espionava para a Alemanha Oriental). No entanto, ele prefere sobrecarregar a presidente Dilma, expondo-a ao desgaste da sua permanência ou ao trauma de sua demissão.
Nada mais irônico: quem tem auxiliares tão apegados ao poder e não pouco escrupulosos no seu uso e abuso dispensa opositores.  Estes, em compensação, não passam de viúvas de um passado sem futuro, tão desprovidas de espírito público e patriotismo que não vão além da fofoca reprisada nas suas pretensões de poder.

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.