sábado, 1 de dezembro de 2012

Golpismo, capitulação e apego ao poder


Sem perspectiva de vitória nas urnas, oposição joga pesado, mas o governo também facilita a trama 

Algumas coisas me parecem absolutamente claras:
1.   Há uma trama golpista de conteúdo polivalente, processamento modulado e objetivos moldáveis, forjada por todo tipo de motivações;
     2. O governo petista (e sua ampla coligação) está cada vez mais vulnerável e não consegue produzir uma leitura positiva de ações saneadoras que só acontecem pela determinação corajosa da presidenta Dilma Rousseff.
3.    . Os casos pontuais de corrupção e desvios de conduta, comuns em todos os governos, inclusive em algumas administrações estaduais tucanas, podem servir ingredientes ao projeto golpista e deveriam sofrer tratamento profilático rigoroso, o que parece não acontecer.
4.    O governo petista (e sua ampla coligação) é alvo dessa orquestração golpista não por causa desses episódios tornados públicos sem censura por ações policiais apoiadas pelo Ministério da Justiça, mas porque o governo petista, hoje altamente contemporizador, pode amanhã ser diferente e reencontrar-se com suas origens radicais.
5.     O governo petista (e sua ampla coligação) vem cedendo demasiadamente nas questões estratégicas essenciais, adotando as mesmas receitas neoliberais que favorecem a interesses insaciáveis, como no deplorável processo de privatização de aeroportos e portos lucrativos, deixando com o Estado o que dá prejuízo e o que não seduz empresários vorazes, brasileiros ou não. Nessa área, aliás, o governo petista acumula um pesado contencioso, iniciado quando abandonou a altamente capacitada corporação da VARIG à própria sorte e abriu caminho para um duopólio pernicioso e a  desnacionalização de nossos céus.
6.    Nos termos dessa linha capitulacionista, o PT perdeu a essência de partido das massas, mobilizador, galvanizador, para dar lugar a um aglomerado chapa branca, sem recatos ideológicos, tendo como base de apoio popular tão somente beneficiados por imobilizantes programas oficiais assistencialistas e paternalistas.
7.    O núcleo decisório desse governo coligado abandonou  as ruas para buscar no dá lá, toma cá dos conchavos palacianos a chave da governabilidade, opção incompleta, segundo essa receita, por não envolver no processo de sedução a grande mídia e os segmentos hegemônicos do Judiciário que têm projetos próprios de conteúdo insustentável, e recusado pela grande maioria da magistratura, como passar para 75 anos o limite para a aposentadoria compulsória, conforme a PEC-Bengala, em tramitação no Congresso.
Com a colaboração de ministros do STF
Que há manobras desestabilizadoras parece evidente na manipulação de informações interligadas propositalmente com o objetivo de caracterizar a administração atual, resultante de três vitórias eleitorais seguidas, como patrocinadora de articulações e ações imorais, indevidas e dilapidadoras.
Esse complô ganhou verniz peculiar com a utilização de ministros do Supremo Tribunal inventados e catapultados por essa mesma correlação de poder, numa ofensiva sui generis de ampla abrangência, que opera de forma orquestrada e conduzida com bem sucedido apelo popular.
O super-dimensionamento midiático do julgamento do mensalão e a forja de um novo herói inquisitorial alimentam a conspiração que não visa necessariamente uma ruptura da legalidade com a deposição de um governo, mas trabalha com objetivos institucionais de tutelá-lo e/ou condicioná-lo, imobilizando-o até a sucessão de 2014.
Nesse jogo, foi proposta uma ruptura virtual da presidenta com o PT e com o ex-presidente Luiz Inácio, bem como um racha na coligação governista, envolvendo principalmente o PSB do brilhante governador Eduardo Campos, mas como a trama não prosperou, a própria Dilma já começa a ser alvejada pelo fogo golpista.
Em nenhum momento, por exemplo, foi dito que só na era presente a Polícia Federal age com cultivado desembaraço, não apenas na investigação, mas, sobretudo e principalmente, na sua estrepitosa e glorificante divulgação.
Pode até não ser essa a filosofia do governo atual, mas é isso que o difere de seus antecessores, provavelmente mais profissionais, que sempre esconderam e protegeram seus malfeitos, mesmo os mais escancarados como as privatizações-doações que avolumaram muitas fortunas, e a compra da Emenda Constitucional que permitiu as reeleições dos presidentes, governadores e prefeitos, articulada por FHC e sua turma.
Tivesse estatura e menos apego ao poder
advogado geral da União, Luís Adams,
 teria pedido para sair.
Na defensiva ou querendo represálias pueris
No entanto, como baratas tontas sem convicção de nada, nem confiança no próprio taco, como parece mesmo que muitos foram com muita sede ao pote, o PT e o governo entregaram-se a uma defensiva perigosa, só desprezada por atitudes pueris, como tentar forçar represálias pontuais.
O que transparece de mais grave e mais assustador é a predominância de personagens medíocres e despreparadas, que chegaram por acaso ao pináculo do poder e a ele se agarram sob impulsos fisiológicos, protegidas por fuxicos, padrinhos desatentos e riscos de comprometerem os demais.
O caso do advogado geral da União, Luís Inácio Adams, espelha esse ambiente de ausência de caráter na corte. A simples constatação de que seu braço direito foi pego com a mão na massa indicaria uma atitude ética de sua parte, renunciando a seu cargo em caráter irrevogável. (Willy Brandt, de outra estirpe, renunciou em 1974 à  chefia do governo da Alemanha Ocidental ao descobrirem que Gunther Guillaume, seu auxiliar, espionava para a Alemanha Oriental). No entanto, ele prefere sobrecarregar a presidente Dilma, expondo-a ao desgaste da sua permanência ou ao trauma de sua demissão.
Nada mais irônico: quem tem auxiliares tão apegados ao poder e não pouco escrupulosos no seu uso e abuso dispensa opositores.  Estes, em compensação, não passam de viúvas de um passado sem futuro, tão desprovidas de espírito público e patriotismo que não vão além da fofoca reprisada nas suas pretensões de poder.

13 comentários:

  1. Improtante lebrar Pedro. O mesmo STF que hoje adota essa linha golpista ontra o governo do PT, já havia aplicado golpe no Governo do saudosa Jackson LAgo no MAranhão com a anuência da turma do Lula, que se omitiu para não melindrar o clã Sarney, seus prestigiados aliados.
    De mesma forma que salvou de mais terrível crise, que certamente s levaria a falência, os mafiosos grupos de comunicação Abril e Globo. Só dói quando sentem na própria pele.

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  2. Alexandra Maciel Antunes.7:28 AM

    Penso da mesma forma sobre a posição de certos interesses que não se cansam de querer mais. Mas acho que o golpe que se passa pela cabeça de certas pessoas não tem limite. Podendo, tiram todo mundo do governo numa só tacada. Se eu fosse a Dilma, ficaria ligada. Onde tem fumça, tem fogo.

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  3. COMO SEMPRE PORFIRIO, ANALISE PERFEITA DESSA COLIGAÇÃO MALDITA, ENTRE PT DO SENHOR LULA E SEUS ALIADOS TRAIDORES DA PATRIA. NAO SEI SE A PRESIDENTA DILMA, AINDA TEM FORÇA POLITICA PARA MUDAR TUDO E CONSEGUIR LIMPAR DE VEZ A CORRUPÇÃO E O ENTREGUISMO QUE CORROI NOS RIQUIZAS.
    ENTENDO QUE LULA ESTEJA CONSPIRANDO, JUNTO DOS TRAIDORES DA PATRIA, PARA TIRAR DA PRESIDENTA O APOIO QUE SE FAZ NECESSÁRIO PARA TRANSFORMAR ESSE PAIS NUMA NAÇÃO, SEM OS MALDITOS APROVEITADORES DE PLANTÃO. REGATTIERI

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  4. COMO SEMPRE PORFIRIO, ANALISE PERFEITA DESSA COLIGAÇÃO MALDITA, ENTRE PT DO SENHOR LULA E SEUS ALIADOS TRAIDORES DA PATRIA. NAO SEI SE A PRESIDENTA DILMA, AINDA TEM FORÇA POLITICA PARA MUDAR TUDO E CONSEGUIR LIMPAR DE VEZ A CORRUPÇÃO E O ENTREGUISMO QUE CORROI NOSSAS RIQUIZAS.
    ENTENDO QUE LULA ESTEJA CONSPIRANDO, JUNTO DOS TRAIDORES DA PATRIA, PARA TIRAR DA PRESIDENTA O APOIO QUE SE FAZ NECESSÁRIO PARA TRANSFORMAR ESSE PAIS NUMA NAÇÃO, SEM OS MALDITOS APROVEITADORES DE PLANTÃO. REGATTIERI

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  5. Ricardo Guerrero6:00 PM

    Correta análise do momento político. As forças progressistas tem que mostrar coragem, retidão e caráter.

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.