quinta-feira, 31 de maio de 2012

Quando tudo se presta a tudo, principalmente a tudo que não presta

“É preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma”
Giuseppe Tomasi di Lampedusa,escritor italiano (1896-1957)

Tudo isso que está acontecendo na corte é muito deprimente e muito desanimador. Espelha a agonia de instituições em pandarecos, entregues a coveiros ébrios, ávidos de todo e qualquer ganho, indiferentes a todo e qualquer valor ético e moral.

Tudo o que se relatou é suspeito. Esses personagens já caíram no descrédito até dos mais crédulos. Agem como se fossemos uma fieira de panacas. E galgam os píncaros de uma mídia trapalhona, flagrada com a mão na massa. Nisso tudo fala quem quer e como ninguém quer, ninguém fala na escala e ninguém se abala.

Tudo é muito feito, muito patético, muito sem nexo. Encomenda torpe de quem  não sabe onde meter a cabeça, onde esconder a alma, nem escapa à farpa.

Tudo se presta a tudo. E principalmente a tudo que não presta. Briga de cachorros grandes sem o pudor diante dos olhares curiosos de perplexidades. Cachorros que adoram uma cachorrada.

Tudo o que se disser disso tudo é pouco. O mau gosto inspira as ladainhas da epifania. A ficha demorou a cair porque é sempre levada a leilão. É do jogo mórbido dos sujos e dos mal lavados.

Tudo o que se jogou no ventilador no atraso programado de nada se aproveita. Por que só depois, muito depois, e logo através de quem? E quem mandou dar trela a quem nunca soube o que é caráter e, envolvido nas trampas, não mede palavras, nem resguarda escrúpulos?

Tudo o que se ouviu dessas pecinhas só surpreende a quem tem memória curta. Um discreto olhar em dias pretéritos identifica tudo o que há por trás de tudo. É tudo ou tudo. Nada de nada.

Tudo serve a tudo, conforme o ângulo e a ótica. Serve porque tudo isso aí é um lixão de podres entulhos. Os entulhos dos podres poderes. Desses dias ínvios, obscenos e obscuros, sob o manto de uma nuvem de voragens  insaciáveis.

Tudo, como sempre, vai dar em nada. Nenhum único cristão pode atirar a primeira pedra. Porque está tudo comprometido até a medula. E o tudo que se vê é quase nada em relação a tudo o que há por baixo dos panos.

Tudo é enganoso e serve ao que há de pior em tudo por tudo. Mas não consegue esconder o que há por trás de tudo isso. Nisso tudo não se restringe a ficha suja. Antes, pelo contrário, tudo é um grande lamaçal, produzindo tudo de ruim e tentando escamotear toda a nudez jamais castigada.

Tudo o que podemos esperar é nada ou quase nada.  Se alguma coisa brotar disso tudo será o parto da montanha. Muito barulho por nada. E nós, mortais da distinta platéia, vamos nos deparar com um rato, mascote emblemático destes dias em que tudo pode acontecer.

Tudo o que disse pode não querer dizer nada. Mas pode revelar tudo o que o cotidiano macabro esconde em suas entranhas.  E pode servir de lente para levar seus olhos aonde eles não chegam à primeira vista.

Tudo aqui pode ser a crônica cifrada desses dias indignos que não merecem bons tratos.  E que, portanto, exigem um mergulho alucinado com tudo o mais nas profundezas  de tudo o que o cérebro embala.

13 comentários:

  1. Jileno Sandes.11:32 PM

    Comentar o que? Se tudo que aí está
    é uma manta de carne podre.

    Não podemos tirar um bife saudável
    em uma manta de carne podre.

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  2. De fato não há nada para comentar e muito a realizar. Primeiro sacudir o Povão até despertar e fazê-lo descobrir a podridão que atraza o País e nos prejudica muito!
    Depois, trancafiar todos ladrões corruptos que nos roubam há décadas. Roubam muito em dinheiro e não respeitam nossos ideais, burlam, mentem e tumultuam. Todos os envolvidos na politicalha merecem prisão perpétua porque se os encostarmos no paredão, viram vítimas da truculência!

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  3. Anônimo6:15 PM

    Retrato de um desgoverno continuista de tudo o que não presta! De uma politicalha sórdida e podre, onde sentimos o cheiro fétido, mesmo pela televisão, e internet.
    Sem que ele ainda não disponha de meios de transmissão.
    Wagner

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  4. Luiz Adolfo Nobre Ramos3:39 PM

    De fato,nao ha nada a comentar,esta tudo escrito nessa linhas,nao ha nada tambem a acrescentar,pois na ha palavra mais indigna que possa traduzir toda essa farsa que estamos a assistir,mas tambem,nada fazemos para mudar,somos um povo muito incapaz,vejo isso todos os dias,nos trens da "SUPERVIA",nos vagoes do METRO RIO,nas alas sem u.t.i.s desses matadouros que chamam de hospitais,nessa policia milicia,em tudo,meu Deus!!! Que lastima e simplesmente desgastante,trabalhar,trabalhar,pagar nossos impostos,que nos sao "impostos"e nao receber nada a altura,e muito triste e cada vez mais me sinto um apatrida,pois nao consigo me emocionar mais com nada nessa terra de ratos,que alias acho uma grande injutiça com eles,pois sao mais socializados entre eles do que nos, seres que juramos sermos humanos,oi? Onde?

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.