terça-feira, 27 de março de 2012

E por falar em democracia, que diferença há?



“Eu já tenho em mãos os lacres de Justiça Eleitoral para a próxima eleição”
Deputado Fernando Chiarelli, da tribuna da Câmara Federal

É mentira, Terta. No Brasil, o que se chama de democracia é um grande logro. Insisto no tema para dizer algo que a consciência me impõe: afora as atrocidades perpetradas por uma meia dúzia de insanos e o ambiente de medo e coação institucionalizados, não são relevantes as diferenças entre o hoje das fraudes tecnológicas e o ontem das botinas paranóicas.

Em ambos os casos, o povo nunca foi ouvido, nem cheirado.  Naqueles idos, os celerados impunham seus casuísmos, seus arbítrios e sua farsa sobre a existência fictícia dos três poderes basilares de um regime democrático.

Nestes dias, o quadro é o mesmo, só que com as tinturas de um marketing cuidadosamente desenvolvido segundo as novas concepções da matriz, cristalizadas através de organizações não governamentais de pesos pesados da economia mundial, sob a batuta de espoliadores da soberania alheia, como a malta encabeçada por David Rockfeller no depravado “Diálogo Interamericano”.

Há alguma dessemelhança entre o Congresso de hoje e o daquele então? Não fosse por tantas “coincidências”, a figura deletéria de José Ribamar Ferreira Araújo da Costa Sarney está aí para atestar que nada mudou. O vice-rei do Maranhão continua dando as cartas, por cima da carne seca, como nos tempos em que foi o preposto da ditadura à frente do partido dos miquinhos amestrados.

Aliás, ressalte-se, hoje o manda-chuva tem muito mais poderes do que antes: é presidente do Senado da República, controla o Estado do Maranhão em mãos da filhota  como seu feudo medieval, estendeu seus domínios ao Amapá, pelo qual se fez senador fraudando o domicílio eleitoral sem que nenhuma besta da mídia ou desses podres poderes questione, e nada se decide no Planalto sem o seu de acordo.

Antes, esse ícone da podridão política era menino de recado da meia dúzia de generais que se servia da tropa, “prendia e arrebentava” para servir à grande potência do norte, às voltas com a guerra fria contra a "ameaça comunista".  Hoje, inverteu galhardamente os papéis e a comanda uma penca de vertebrados políticos  que não  querem nem saber o que se passa pelo mundo,  não alcançam no que deu a "globalização"  e cuidam tão somente  de interesses menores, os seus, indiferentes ao desdobramento do sucateamento do Estado soberano e de seus pilares industriais, certos de que tudo se resolve com as migalhas de políticas compensatórias imobilizanes..

Nos vinte anos de chumbo, metia-se a mão sem constrangimento, porque a mídia ou estava acuada ou se satisfazia com as pepitas que lhe destinavam.  Hoje, pelo menos,  a gente fica sabendo da farra, embora a legislação leniente e alguns magistrados dóceis se encarreguem de limitar as constatações da roubalheira a um mero espetáculo midiático, que se dissolve no apagar das câmeras ou é esquecido para dar vez a outras "bombas".

Antes, as eleições aconteciam sob o crivo da intolerância, com o risco de cassações decididas entre quatro paredes.  Para ser candidato, o pretendente tinha de jurar que ia aceitar ser figurante de um faz de conta garantido à bala. Mesmo assim, extraviavam-se alguns, que ganhavam sobrevida e encaravam os déspotas com a coragem de um Lysâneas Maciel e de um Chico Pinto.

Hoje, por qualquer meia pataca o mais inflamado dos tribunos põe a viola no saco e entra na dança, cuidando exclusivamente dos seus interesses e de quem financiou suas milionárias campanhas.

Naquele tempo, era tudo às claras. Escreveu não leu, o pau comeu.  Hoje é tudo à escuras, a começar pelo próprio processo eleitoral que levou às últimas consequências o voto secreto: tão secreto que essas urnas eletrônicas o escondem a sete chaves, inviabilizando sua conferência, isto porque, ao contrário do que acontece em países como a Venezuela, todas as tentativas de impressão do voto foram detonadas ou procrastinadas para que as fraudes sejam blindados nos segredos das meia noite.


E desse mistério eletrônico brotem eleitos virtualmente biônicos, sem qualquer histórico digno de um voto, mas com alto poder de sedução.
Exagero? dá uma olhada nas casas legislativas e vê quem é quem,  procura o mapa da mina que os levou a se converterem em representantes de bancadas vinculadas exclusivamente a interesses, a serviço dos quais pautam suas agendas e negociam seus votos, especialmente nas matérias “do interesse do governo”.

É profundamente lamentável que não tenhamos capacidade política de reverter esse quadro, que não tenhamos condições de pleitear uma outra “comissão da verdade” sobre esses desmandos sem porretes de nossos dias, onde os propinodutos se disseminam como motores da gestão pública e o próprio povo já tenha incorporado o noticiário a respeito como parte do folclore permissivo  e "palatável" com ingredientes compensatórios.
Quer saber mais? Gravei comentário de oito minutos sobre essas urnas intocáveis, inspirado em denúncias do deputado Fernando Chiarelli  e do incansável engenheiro Amilcar Brunazo Filho, e pus no You Tube. Aliás, estou muito gratificado com a quantidade de pessoas que estão “participando do meus encontros” nesse espaço que se abre com seu poder de impacto ainda mais contundente.

Se quiser ir direto ao assunto, clique aqui e veja o que um dia falou o deputado Fernando Chiarelli da tribuna da Câmara, sem que se levantasse uma voz para constestá-lo.

Ou saiba da última novidade, - de como técnicos da Universidade de Brasília quebraram o sigilo da dita urna em teste organizado pelo próprio TSSE - clicando aqui.


Clique na foto e veja minha opinião sobre as urnas eletrônicas

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.