domingo, 1 de janeiro de 2012

A privataria tucana e as demais privatizações-doações

Já que tais crimes voltam à baila, por que não se faz uma AUDITORIA HONESTA e sem rabo preso?

“É preciso dizer sempre e em todo lugar que esse governo não retarda privatização, não é contra nenhuma privatização e VAI VENDER TUDO O QUE DER PARA VENDER”.
Fernando Henrique Cardoso

Amanheci 2012 com o livro “A Privataria Tucana” sobre a mesa. No decorrer de dezembro, recebi muitas mensagens sobre essa obra. Mas, como temia tratar-se de um reles panfleto, estava disposto a ler outros livros antes, - a fila é grande e o tempo, incrivelmente, pequeno - não me motivei para esse levantamento do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

Uma notícia divulgada pelo site “Comunique-se” e a informação de que a Executiva do PSDB pretende processar o autor me fizeram mudar de idéia. O site informou que a revista VEJA deliberou não incluir esse livro entre os mais vendidos, contrariando informações de várias redes livreiras. Dois dias depois, voltou ao assunto, dizendo que, depois de sua matéria, a mesma revista se viu obrigada a relacionar “A Privataria Tucana” entre as publicações mais procuradas.

Foi então que minha mulher adquiriu o livro por R$ 27,00 na FNAC, já na véspera do ano novo. Passara em outras livrarias, no mesmo shopping, e fora informada que já havia esgotado.

No próprio dia 31, comecei a ler e registrei algumas impressões:

1. Não se trata de uma “obra completa” sobre os danos causados pelas privatizações-doações que não começaram com FHC.

2. O que levou Amaury Ribeiro Jr ao assunto foi um conflito interno no PSDB, quando ele trabalhava no jornal ESTADO DE MINAS, ligado a Aécio Neves. Na ante-sala da campanha de 2010, pelo que se lê, José Serra produziu baixarias sob medida para garantir sua indicação à Presidência, sugerindo, inclusive, que o governador mineiro gostava de cheirar cocaína.
O material reunido pelo repórter tem origem nesse conflito de interesses. Com experiência em matérias policiais, ele acabou indo fundo na descoberta de uma lavanderia de propinas pagas no processo de privatização. Mas, até que a leitura do livro todo me prove o contrário, teve como alvo central o candidato José Serra, e não o processo de privatização que teve no governo tucano seu apogeu - com destaque para Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil, que foi tesoureiro de sua campanha e operou pessoalmente algumas negociatas, especialmente nas empresas de telecomunicações. Isso me induz a acreditar no objetivo eleitoreiro de sua pesquisa.

É o caso da privatização da Companhia Siderúrgica Nacional, nascida da obstinação de Getúlio Vargas, contra os que, como hoje, preferiam exportar minério de ferro bruto. Ela foi privatizada em 1993 no governo de Itamar Franco. Essa identificação eu não vi no livro. Antes, em 1990, o governador de São Paulo, Orestes Quércia, privatizou a VASP num processo que gerou uma CPI e deu o primeiro passo para esfolar as empresas aéreas brasileiras da época até o cúmulo do leilão da VARIG, em 2006, entregue de mão beijada por uma ninharia a um fundo de investimentos norte-americano, representado por um chinês da pesada.

Vou continuar lendo para conhecer detalhes de suas denúncias. Mas lamento desde já que esteja diante de uma obra incompleta e direcionada. Porque as privatizações-doações têm de ser criticadas HONESTAMENTE, alvejando quem participou da dilapidação do patrimônio público, seja tucano ou não.
A publicação desse livro agora pode ter o mérito de trazer de volta o debate HONESTO sobre a desnacionalização das empresas brasileiras, que continua vogando, embora sob o manto da mais bem elaborada discrição. Hoje, é temerário dizer que a Petrobrás é uma empresa estatal brasileira. Desde aquele agosto de 1997, quando Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei 9478/97, o monopólio estatal foi para os ares e a própria empresa envolveu-se num esquema de terceirização privatizante. A bem da verdade, os leilões que franquearam nosso petróleo a todo tipo de aventureiros, sem compromissos com nossa soberania – veja o caso da Chevron – tiveram maior incremento na era pós-tucana.

Agora mesmo, começam as privatizações dos aeroportos no mesmo ritual daqueles idos, enquanto o Código Brasileiro de Aeronáutica vai sendo violado, através da liberação por artifícios de espaços aéreos domésticos a empresas estrangeiras, as quais, aliás, já operam desproporcionalmente os vôos internacionais, contrariando as exigências de reciprocidade.

Já que os brasileiros estão mostrando interesse pelo livro sobre as peripécias do Sr. José Serra & Associados, creio ter chegado a hora de esgoelar reclamando a AUDITORIA das privatizações, tal como advogava quase solitariamente Leonel Brizola. É o caso mesmo de reclamar a reestatização de muitas empresas, principalmente as concessionárias que prestam péssimos serviços e só pensam no lucro, como aconteceu, em alguns casos, na Argentina.

Todo mundo sabe que empresas como a Vale do Rio Doce, a CSN e a Light passaram às mãos de grupos econômicos como descaradas doações. E que elas continuam se beneficiando de um guarda chuva oficial prejudicial sob todos os aspectos aos interesses nacionais.

No caso da Vale, como no “agro-negócio” o mal que se faz com a exportação de produtos sem valores agregados é um retrocesso perigosíssimo, influindo negativamente também no processo de DESINDUSTRIALIZAÇÃO DO PAÍS.

No comércio com a China, por exemplo, estamos importando o que precisamos e o que não precisamos para compensar as exportações de minérios e de soja: hoje, 25% do faturamento da Vale vem das vendas àquele país e é pago indiretamente pelos brasileiros, que assistem ao sucateamento da indústria nacional, aliás, por culpa também da miopia e ambição dos nossos empresários.

Bom, vou ficando por aqui: espero ter mais tempo para continuar lendo esse relato sobre A PRIVATARIA TUCANA. E para trocar idéias como você, cuja opinião me ajuda a compor o próprio raciocínio.

6 comentários:

  1. Anônimo12:11 PM

    É lamentável que um jornalista se preste a um papel tão ridículo! Este governo que aí está, vende até a mãe com cheque pré. Está tentando privatizar a mentalidade brasileira de forma vergonhosa. Se houvesse irregularidades nas privatizações, seria obrigação do desgoverno que aí está ter tomado as providências. Não o fez, porque não há. Isso tem cara única de desconstrução do oponente. Está faltando respeito para com a NAÇÃO. Mas isso não podemos esperar de quem não se respeita e cunha a vida na AMORALIDADE do tudo posso e tudo faço pelo poder. Pobre povo que não tem respeito pelo seu voto!

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  2. Anônimo2:32 PM

    Governo FHC = 100% Entreguista
    Governo Lula = 70% Entreguista
    Governo Dilma = 70% Entreguista
    É melhor ficar com 30% do que com ZERO !!!
    Ou não ???

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  3. O livro do Amaury Ribeiro Jr. tem realmente o mérito de despertar o debate a cerca das imorais privatizações, lesivas aos interesses nacionais. Tem sido lamentável a mídia convencional ignorar o interesse dos leitores sobre o assunto. Um livro que fala de política, sendo campeão de vendas, tem que ter o destaque que a imprensa negou.
    O debate traz consequências positivas. Se o livro está incompleto, como realmente parece, é útil fazer como o Porfírio, mostrar o que mais existe de podre a cerca das privatizações-doações.
    O debate provocará o levantamento de outros crimes, praticados por tucanos e demais correntes partidárias, que mancham a política nesta "Democracia" plutocrática, onde o dinheiro tem tido mais força do que a força do Direito e da Justiça.
    Será interessante que o Porfírio continue a ler o livro sem pressa de acabar, e acrescente a cada leitura o que falta entrar no Debate. É bom que este tema fique em pauta pelo maior tempo possível.
    Franklin Ferreira Netto

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  4. Caros leitores deste blog, eu também tive a mesma impressão que o Pedro Porfírio sobre o livro.

    A intenção do autor do livro é clara: denunciar o jogo sujo do Serra nas eleições e a participação de sua "família" na lavagem de dinheiro durante as privatizações.

    Cabe alertar aqui que o tema "privatizações" e as mentiras publicadas pelos meios de comunicação, já foram bem discutidos em obras passadas (Brasil Privatizado vol. 1 e 2, de Aloysio Biondi), sendo que muitas CPIs foram montadas e única ação concreta tomada foi a ordem de prisão contra Daniel Dantas, que a grande mídia tratou como ato autoritário e Gilmar Mendes ajudou a fazer uma grande pizza.

    Quem prestou a devida atenção aos fatos da época, consegue entender mais os detalhes do livro "A Privataria".

    Por isso, eu afirmo, não é tempo perdido ler esse livro até o fim, apesar de eu ter achado um tanto confuso, devido à grande quantidade de nomes de pessoas e empresas envolvidas. Falta algo mais visual para resumir as denúncias. Abraço.

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  5. Hoje sabemos que as denúncias do roubo ocorrido nas privatizações não foram adiante por força, principalmente, dos meios de comunicação (O Globo e Folha), que estão envolvidos até o pescoço, por terem participado ativamente nas negociatas.

    Auxiliaram, também, em gerar na mente da população uma ideia errada de como as empresas privatizadas eram deficitárias, como foi provado, posteriormente, ser tudo mentira.

    Leia o "Brasil Privatizado" de Aluysio Biondi, 2000, que ali tem detalhes de toda a negociação da época.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.