sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Suicidas de consciência

Exército israelense admite um suicídio a cada 15 dias entre militares envolvidos em suas guerras de agressão

 

Ia deixar apagarem-se as luzes do réveillon, curtir um pouco mais as alucinações benignas que nos levam às praias e aos sonhos no primeiro dia do novo ano, para voltar ao teclado de minhas perplexidades e  do meu inconformismo.  
Mas não deu. Uma notícia publicada às 21h13m desse dia 27 de calor abrasador afetou-me o cérebro nervoso, tirou-me do jejum e trouxe-me de volta à reflexão mais aguda na esperança de que você também abra uma exceção em sua agenda festiva e vá fundo comigo nessa querela tão tocante.
Veja: a agência de notícias EFE divulga a versão oficial do Ministério da Defesa de Israel, admitindo que a cada 15 dias, em média, um soldado israelense se suicida.
Uma tragédia incomparável
Proporcionalmente, é muito mais do que ocorre com seus colegas norte-americanos recrutados entre desempregados dos subúrbios de cidades médias e pequenas para irem matar afegãos e ajudarem a manter a poderosa indústria bélica dos Estados Unidos, que não aceita viver apenas das 300 milhões de armas em poder dos seus cidadãos paranóicos e mal acostumados.
É mais, muito mais, do que os militares israelenses vitimados eventualmente por atos cada vez mais raros dos combatentes palestinos, inconformados com a perda de suas terras, de suas oportunidades de sobrevivência e de sua soberania.
É um número realmente chocante, incomparável.
Essa trágica e deprimente revelação oficial só foi feita porque um blogueiro anônimo (viva essa grande novidade midiática) pôs em dúvida os números oficiais sobre suicídios na tropa. Identificado apenas como Ishton, o rapaz contrapôs suas informações às  divulgadas pelo Ministério da Defesa.
Foi censurado, convocado para uma reunião com investigadores militares e ameaçado, enquanto a imprensa foi proibida de publicar o material.  Mas a denúncia já havia caído na rede e não restou ao governo de Israel outra alternativa senão desmentir suas próprias informações.
Segundo os novos dados, referentes aos últimos 10 anos, 237 israelenses suicidaram-se enquanto prestavam serviços às Forças Armadas. O Exército admitiu ainda que vem implementando um programa de compensação psicológica em suas tropas desde 1991, quando 41 jovens preferiram a morte à continuarem participando das conhecidas operações de guerra, marcadas por seus requintes de crueldade.
Em 2010, a própria população israelense ficou chocada quando apareceu na internet o vídeo de soldados dançando o hit "Tik Tok" da cantora pop Ke$ha, em pleno patrulhamento na Palestina.  O Exército apressou-se dizer que não tinha nada com aquilo, que ia punir os soldados, mas hoje se admite que esse "relax" fazia parte do programa para aliviar a tensão dos soldados nas áreas ocupadas.
CLIQUE NA FOTO E VEJA A DANÇA DO RELAX



Movimento de desertores cada vez aumenta mais
Sabia-se até agora entre nós do crescimento de um movimento entre os jovens secundaristas contra o serviço militar obrigatório após a conclusão do ensino médio. Muitos foram presos e em 2008 circulou uma carta com mais de 40 mil assinaturas em apoio aos "Shministim" desertores que preferiam a cadeia a participarem dos massacres, alegando objeção de consciência.
No documento, afirmavam: "Nossa recusa é acima de tudo um protesto contra a política de separação, controle, opressão e assassinatos do Estado de Israel nos territórios ocupados".
Já em 2002, o movimento Paz Agora, que já reuniu milhares de israelenses em protestos contra as políticas de guerra dos seus governos cada vez mais inclementes, havia divulgado documento no qual assinalava: "A questão do serviço militar nos territórios ocupados apresenta um dilema difícil, com o qual os apoiadores da paz têm procurado diversos caminhos para lidar. Aqueles que se recusam a fazer o serviço militar nos territórios merecem o nosso respeito por sua coragem pessoal e cívica e sua posição de consciência".
Indignação geral não pesa nas eleições
Resta saber qual será o impacto dessas revelações oficiais sobre o auto-sacrifício de jovens israelenses que preferiram a morte e saírem matando indiscriminadamente, principalmente inocentes, como é rotina principalmente em Gaza.
A internet já está tomada de comentários indignados por todo o mundo, inclusive em Israel. Por enquanto, porém, há indicações de que as eleições do dia 22 de janeiro parecem fadadas a reforçar a política belicista do governo de direita, cujo líder, Benjamin Netanyahu, está cortejando os 350 mil colonos introduzidos na Palestina como pontas-de-lança de uma ação tão perversa que encontra resistência até nos Estados Unidos.
Em 16 de dezembro, Thomas Friedman, do New York Times, escreveu de Tel Aviv um relato bastante pessimista:  
"Espanta-me o que acontece politicamente aqui em Tel Aviv. Na direita, a velha geração de líderes do Partido Likud, que pelo menos mantinha relações com o mundo, falava Inglês e respeitava a Suprema Corte de Israel, foi colocada de lado nas últimas primárias por um ascendente grupo de colonos ativistas de extrema direita que estão convencidos de que os palestinos já não representam mais uma ameaça e que ninguém pode remover os 350 mil judeus que vivem na Cisjordânia.
Esse grupo de extrema direita é tão arrogante e indiferente às preocupações dos Estados Unidos que anunciou planos para a construção um enorme bloco de assentamentos no coração da Cisjordânia – em retaliação à votação da ONU que concedeu Palestina a categoria de Estado observador.
Os principais candidatos para as eleições de 22 de janeiro nem sequer contemplam a pacificação dentro de suas propostas, e parecem obedecer a supremacia da direita nesta matéria".
 
É preciso ter muito sangue de barata para não se tocar diante dessa onda de suicídios de jovens no Exército de Israel. Ou então pode-se admitir que os israelenses não se chocam com suas próprias baixas, acostumados com os massacres em massa na Palestina ao lado.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Uma sociedade fora do controle

 
O tiroteio que deixou mortos - entre eles crianças - em uma escola da pequena cidade de Newtown, no estado americano de Connecticut, nesta sexta-feira (14), foi um dos mais letais entre os vários outros casos semelhantes dos últimos 20 anos nos Estados Unidos.
14 de dezembro de 2012: Um tiroteio em uma escola infantil na pequena cidade de Newtown, no estado americano de Connecticut, deixou 27 pessoas mortas - entre elas 18 crianças.
20 de julho de 2012: 12 pessoas foram mortas e 40 ficaram feridas em um tiroteio num cinema que exibia o terceiro episódio da série Batman, em Aurora, Denver (Colorado).
2 de abril de 2012: um coreano de 43 anos mata sete pessoas na Universidade religiosa de Oikos (Califórnia), antes de se entregar à polícia. O atacante assassinou metodicamente suas vítimas depois de alinhá-las contra um muro.
 
12 de outubro de 2011: no balneário de Seal Beach (Califórnia), um homem, que tinha problemas com sua ex-esposa pela custódia do filho, abre fogo no salão de cabeleireiros onde ela trabalhava, deixando oito mortos.
3 agosto de 2010: um homem que tinha problemas com seus empregadores mata oito colegas em uma empresa de distribuição de cerveja em Connecticut (nordeste), antes de suicidar-se.
20 janeiro de 2010: um homem mata oito pessoas durante um tiroteio na Virgínia (leste), e se rende após uma caçada humana na qual participam 150 policiais.
5 de novembro de 2009: um psiquiatra militar de origem palestina é o autor do maior tiroteio já registrado em uma base militar americana, matando 13 pessoas e ferindo 42.
3 de abril de 2009: um vietnamita abre fogo em um centro de imigrantes em Binghamton (Estado de Nova York), matando 13 pessoas.
10 de março de 2009: um homem desequilibrado mata dez pessoas, entre elas sua mãe, em três cidades do Alabama (sul), antes de voltar a arma contra si mesmo.
4 de dezembro de 2008: um homem fantasiado de Papai Noel abre fogo contra os convidados de uma festa, matando nove pessoas. Depois também se mata.
16 de abril de 2007: um aluno de 23 anos de origem coreana mata 33 pessoas antes de se suicidar na Universidade de Virginia Tech, em Blacksburg (Virgínia). O massacre é o pior da história dos Estados Unidos em tempos de paz.
21 de março de 2005: em Red Lake (Minnesota), um adolescente de 16 anos mata em sua escola nove pessoas, entre elas cinco estudantes de ensino médio, e depois se suicida.
29 de julho de 1999: depois de matar a esposa e os dois filhos, um especulador da bolsa de 44 anos abre fogo em duas firmas de corretagem em Atlanta (Geórgia), matando nove pessoas, e depois se suicida.
20 de abril de 1999: em Littleton (Colorado), dois estudantes do ensino médio abrem fogo no colégio Columbine. Doze estudantes e um professor são mortos. Os dois jovens assassinos se suicidam.
16 de outubro de 1991: um homem mata 22 pessoas em um restaurante de Killeen (Texas) e deixa outros 20 feridos antes de se suicidar.

Estas informações acima são transcritas do site do G1. Pela primeira vez, limito-me a uma transcrição e ao comentário em uma foto.
 
UM BLOG MAIS DINÂMICO
Estamos estudando um novo formato para este blog.  Conforme os acontecimentos, poderemos até dar uma profissionalizada  nos nossos blogs, envolvendo mais jornalistas. A idéia é fazer um blog central numa outra plataforma, com links para os demais blogs.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Alguém como Niemeyer não morre jamais


Mais do que uma admirável obra arquitetônica, ele deixa como grande legado 105 anos de caráter e coerência

Não é por acaso que a cerimônia do adeus a Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares envolve no mesmo canto harmonioso pessoas e personagens de todas as gerações, todos os credos, todas as ideologias, todos os matizes, todas as pátrias, numa homenagem unânime e uníssona.

Se não fosse por sua obra fecunda e magnífica,  espalhada pelos quatro cantos do mundo, ele mereceria todas as loas que a mente humana conhece só por ter vivido intensamente 105 anos, no gozo da mais rara lucidez e dedicado de corpo e alma a contribuir  e produzir com sua arte e seu pensamento até o seu último dia.

As futuras gerações disporão de um farto acervo artístico. Falarão de uma obra definitiva e marcante. Terão orgulho de um dos maiores arquitetos do universo, que deixou sua marca registrada em dezenas de países.

Caráter, o seu grande legado

Ninguém hoje negará sua contribuição, ninguém ousará mais diminuir-lhe a obra com a alegação invejosa de que ele era tão somente um papel carbono do francês Charles-Edouard Jeanneret-Gris, o Le Corbusier, seu supervisor na obra do Palácio Capanema, que esteve no Brasil em 1926 e 1936, e sobrevoou o Rio de Janeiro pelas asas do piloto Antoine de Saint-Exupéry, aquele que nos extasiou com  O Pequeno Príncipe.

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares foi o nosso arquiteto maior. Mas o Brasil sempre teve e sempre terá grandes arquitetos, como Sérgio Bernardes.

O mundo sempre lembrará seu talento arrojado, mas o mundo também tem grandes profissionais da prancheta.

O que salientava sua personalidade admirável, porém, ia além de sua grife artística.

O maior legado desse gênio foi seu caráter único, sua coerência, sua coragem e seu companheirismo.

Coerência ao manter-se fiel à sua ideologia comunista, que abraçou em 1945 e da qual não  se afastou nem nos momentos mais sombrios da ditadura, que o obrigaram ao exílio, nem quando a consagração de sua obra o fez um homem de confortável situação econômica.

Coerência que o fez recusar alguns clientes e que levou alguns grandes construtores e alguns banqueiros a o evitarem, discretamente.

Nessa coerência pétrea, não se prestou a acompanhar os cabeças do velho partido comunista, quando, após o fim da União Soviética, abriram mão da sigla e dos símbolos, numa manobra deprimente que implicava numa patética renúncia à história.

Coragem de continuar sendo comunista quando a sociedade brasileira havia sido envenenada por uma campanha que criminalizava os comunistas, enquanto muitos deles eram executados nos porões da repressão.

Companheirismo na prática rotineira de ajudar aos que dele precisavam, tanto abrindo vagas de trabalho, como garantindo ajudas financeiras, como aconteceu com o líder comunista Luiz Carlos Prestes, cuja moradia custeou por longos anos.

O mesmo entendimento por mais de 100 anos

Um bom arquiteto não é difícil fazer. Um bom caráter é coisa cada vez mais rara numa sociedade competitiva tão brutal que não poupa nem as mais próximas relações familiares.

Um bom caráter pode existir por muito tempo; por mais de 100 anos é quase impossível. Porque o dia a dia de cada um se encarrega de deformá-lo e induzi-lo a mudar para pior sempre que situações extremamente favoráveis ou extremamente desfavoráveis influenciam.

Em relação às convicções ideológicas, a crônica dos nossos dias mostrou que poucos foram e/ou são os que efetivamente nelas acreditam honestamente. Houve uma época em que parecia inevitável que o mundo marchava inevitavelmente para o socialismo.  Muitos pequenos burgueses leram qualquer artigo de Karl Marx ou de seus intérpretes e só para não perder o barco da história vestiram o vermelho de um amanhã que não veio.

Hoje, a situação é mais grave ainda, porque o sistema já não teme essa adormecida  fatalidade e parece suficientemente estrutarado para protelar sine die  a utopia do arquiteto e de alguns poucos sonhadores.

Provavelmente foi o convívio com essa facilidade mutante que alimentou sua reiterada fidelidade aos antigos ideais. Essa firmeza foi, no entanto, uma negação ostensiva do entendimento dialético marxista, segundo o qual a condição econômica de classe  move  o pensamento político. Regra, aliás, burlada ao longo da história, diga-se.

Seja o que for, toda essa homenagem internacional ao grande arquiteto tem o condão de desmontar a indústria de intolerância que alimentou e alimenta ainda o jogo sujo da manipulação das sociedades por conservadores obsessivos.

Comunista ou não, Oscar Niemeyer deu mais projeção ao Brasil de que todos esses ditadores que o perseguiram. E engrandeceu igualmente a  grande massa de idosos, que, como ele, têm um grande potencial e não podem ser descartados como são só pelos cabelos brancos.  A ele, portanto, devemos um reconhecimento muito mais profundo e mais eterno.

Porque homens como Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares não morrem jamais.

Para conhecer melhor o pensamento de Niemeyer, clique aqui e acesse

 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Golpismo, capitulação e apego ao poder


Sem perspectiva de vitória nas urnas, oposição joga pesado, mas o governo também facilita a trama 

Algumas coisas me parecem absolutamente claras:
1.   Há uma trama golpista de conteúdo polivalente, processamento modulado e objetivos moldáveis, forjada por todo tipo de motivações;
     2. O governo petista (e sua ampla coligação) está cada vez mais vulnerável e não consegue produzir uma leitura positiva de ações saneadoras que só acontecem pela determinação corajosa da presidenta Dilma Rousseff.
3.    . Os casos pontuais de corrupção e desvios de conduta, comuns em todos os governos, inclusive em algumas administrações estaduais tucanas, podem servir ingredientes ao projeto golpista e deveriam sofrer tratamento profilático rigoroso, o que parece não acontecer.
4.    O governo petista (e sua ampla coligação) é alvo dessa orquestração golpista não por causa desses episódios tornados públicos sem censura por ações policiais apoiadas pelo Ministério da Justiça, mas porque o governo petista, hoje altamente contemporizador, pode amanhã ser diferente e reencontrar-se com suas origens radicais.
5.     O governo petista (e sua ampla coligação) vem cedendo demasiadamente nas questões estratégicas essenciais, adotando as mesmas receitas neoliberais que favorecem a interesses insaciáveis, como no deplorável processo de privatização de aeroportos e portos lucrativos, deixando com o Estado o que dá prejuízo e o que não seduz empresários vorazes, brasileiros ou não. Nessa área, aliás, o governo petista acumula um pesado contencioso, iniciado quando abandonou a altamente capacitada corporação da VARIG à própria sorte e abriu caminho para um duopólio pernicioso e a  desnacionalização de nossos céus.
6.    Nos termos dessa linha capitulacionista, o PT perdeu a essência de partido das massas, mobilizador, galvanizador, para dar lugar a um aglomerado chapa branca, sem recatos ideológicos, tendo como base de apoio popular tão somente beneficiados por imobilizantes programas oficiais assistencialistas e paternalistas.
7.    O núcleo decisório desse governo coligado abandonou  as ruas para buscar no dá lá, toma cá dos conchavos palacianos a chave da governabilidade, opção incompleta, segundo essa receita, por não envolver no processo de sedução a grande mídia e os segmentos hegemônicos do Judiciário que têm projetos próprios de conteúdo insustentável, e recusado pela grande maioria da magistratura, como passar para 75 anos o limite para a aposentadoria compulsória, conforme a PEC-Bengala, em tramitação no Congresso.
Com a colaboração de ministros do STF
Que há manobras desestabilizadoras parece evidente na manipulação de informações interligadas propositalmente com o objetivo de caracterizar a administração atual, resultante de três vitórias eleitorais seguidas, como patrocinadora de articulações e ações imorais, indevidas e dilapidadoras.
Esse complô ganhou verniz peculiar com a utilização de ministros do Supremo Tribunal inventados e catapultados por essa mesma correlação de poder, numa ofensiva sui generis de ampla abrangência, que opera de forma orquestrada e conduzida com bem sucedido apelo popular.
O super-dimensionamento midiático do julgamento do mensalão e a forja de um novo herói inquisitorial alimentam a conspiração que não visa necessariamente uma ruptura da legalidade com a deposição de um governo, mas trabalha com objetivos institucionais de tutelá-lo e/ou condicioná-lo, imobilizando-o até a sucessão de 2014.
Nesse jogo, foi proposta uma ruptura virtual da presidenta com o PT e com o ex-presidente Luiz Inácio, bem como um racha na coligação governista, envolvendo principalmente o PSB do brilhante governador Eduardo Campos, mas como a trama não prosperou, a própria Dilma já começa a ser alvejada pelo fogo golpista.
Em nenhum momento, por exemplo, foi dito que só na era presente a Polícia Federal age com cultivado desembaraço, não apenas na investigação, mas, sobretudo e principalmente, na sua estrepitosa e glorificante divulgação.
Pode até não ser essa a filosofia do governo atual, mas é isso que o difere de seus antecessores, provavelmente mais profissionais, que sempre esconderam e protegeram seus malfeitos, mesmo os mais escancarados como as privatizações-doações que avolumaram muitas fortunas, e a compra da Emenda Constitucional que permitiu as reeleições dos presidentes, governadores e prefeitos, articulada por FHC e sua turma.
Tivesse estatura e menos apego ao poder
advogado geral da União, Luís Adams,
 teria pedido para sair.
Na defensiva ou querendo represálias pueris
No entanto, como baratas tontas sem convicção de nada, nem confiança no próprio taco, como parece mesmo que muitos foram com muita sede ao pote, o PT e o governo entregaram-se a uma defensiva perigosa, só desprezada por atitudes pueris, como tentar forçar represálias pontuais.
O que transparece de mais grave e mais assustador é a predominância de personagens medíocres e despreparadas, que chegaram por acaso ao pináculo do poder e a ele se agarram sob impulsos fisiológicos, protegidas por fuxicos, padrinhos desatentos e riscos de comprometerem os demais.
O caso do advogado geral da União, Luís Inácio Adams, espelha esse ambiente de ausência de caráter na corte. A simples constatação de que seu braço direito foi pego com a mão na massa indicaria uma atitude ética de sua parte, renunciando a seu cargo em caráter irrevogável. (Willy Brandt, de outra estirpe, renunciou em 1974 à  chefia do governo da Alemanha Ocidental ao descobrirem que Gunther Guillaume, seu auxiliar, espionava para a Alemanha Oriental). No entanto, ele prefere sobrecarregar a presidente Dilma, expondo-a ao desgaste da sua permanência ou ao trauma de sua demissão.
Nada mais irônico: quem tem auxiliares tão apegados ao poder e não pouco escrupulosos no seu uso e abuso dispensa opositores.  Estes, em compensação, não passam de viúvas de um passado sem futuro, tão desprovidas de espírito público e patriotismo que não vão além da fofoca reprisada nas suas pretensões de poder.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pepitas para os interesses velhacos

Todos os caminhos levam a uma saída esperta que garanta royalties para todos, menos para educação 

Falso Papa foi à rua brigar por royalties e inspirar uma saída
Macaco velho, tido e havido como paradigma de um Congresso envolvido até à medula na picaretagem ampla, geral e irrestrita, o deputado Eduardo Cunha (provável futuro líder do PMDB) matou a charada, ao afirmar que o grande problema na votação ocorrida na Câmara em 9 de novembro, quando a sanha de uma maioria pra lá de fisiológica prevaleceu, foi a proposta de destinar os recursos dos royalties para a educação, como pretendia a presidenta Dilma:
-  Nesse momento todos os demais estados ficaram contra o relator e decidiram aprovar o projeto do senador paraibano Vital do Rego que acabou dividindo os recursos para todos os entes federativos, pulverizando os recursos dos estados produtores.
Agora, com o processamento de frenéticas negociações para saber como descascar o abacaxi da corrida aos royalties, tem-se como provável que a presidente Dilma recorrerá a uma decisão salomônica para aquinhoar a todos sem prejudicar quem já estava com a mão na massa.
Mas para isso vai abrir mão do carimbo que garantiria recursos para a educação, fantasma que assusta a quem já ganha por conta e quem quer receber qualquer grana, desde que livre e desimpedido para sua própria orgia.
Com esse denominador comum, a educação irá para as cucuias mais uma vez e a meta de 10% do PIB para ela não passará de mais um ilusório sonho de uma noite de verão. Quando dezembro vier, a ignorância e o obscurantismo farão a festa de braços dados com a corrupção e a insensatez míope e mal intencionada.
De fato, não será difícil uma conta de chegar. O dinheiro dos royalties violará sua natureza reparadora e servirá algumas pepitas a quem não tem nada com o peixe, mas isso não será novidade. No Estado do Rio, apenas 5 dos 94 municípios não recebem algum do petróleo, isso independente de serem ou não afetados diretamente pelas atividades de exploração, refino ou até de passagem de carga ou oleoduto. Ou seja,  com as novas regras apenas estaremos estendendo a mão amiga aos ávidos gestores de todo o país.
Como se vê, essa não é uma briga de cachorros grandes, mas vai saciar os apetites de toda a fauna, ratazanas à frente. E tem componentes típicos de uma era decadente, onde tudo que um homem público quer é privatizar o tesouro, de preferência para seu bolso.
A resistência aos gastos com educação tem sua lógica. Pagando melhor aos professores e não fazendo obras superfaturadas não tem como garantir as propinas que são os grandes sonhos de consumo de nove e meio de cada dez políticos vitoriosos neste país deitado eternamente em berço esplêndido.
Deixando a educação à míngua não há risco de abalar a pirâmide social e o domínio exercido por uma elite medíocre, degenerada e insaciável, que controla todos os cofres, públicos e privados, e aposta no atraso como forma de preservar a concentração de rendas e de poderes políticos.
Em outras palavras, esse conflito sobre os royalties terá final aconchabrado como o diabo gosta. Dezembro é um mês de festas e confraternizações. Os donos da cocada preta erguerão um brinde à partilha da conveniência e à vitória da ignorância, elemento motor em um país em que se acha sempre um jeitinho para conciliar interesses velhacos.
Não há clima para novidades no front.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Matança eleitoreira

 Pacifistas israelenses afirmam que bombardeios de Gaza  é para garantir reeleição da ultra-direita

 
Pode parecer enxugar gelo, mas não dá para calar diante da nova ofensiva mortífera de Israel, no seu cultivado confronto com o Hamas, o Movimento de Resistência Islâmico, criado em 1987 pelos Xeques Ahmed Yassin, Abdel Aziz al-Rantissi e Mohammad Taha,  da ala palestina da Irmandade Muçulmana do Egito.
Isto porque o Estado de Israel é hoje uma incontrolável potência militar e econômica, mesmo com menos de 8 milhões de habitantes estimados para este ano no seu “território-base” (números 2007 indicavam  5,4 milhões, contra os 5,6 milhões de judeus norte-americanos, segundo o jornal israelense Maariv).

Apesar dos limitados recursos naturais, tem hoje um renda per capita de US $ 32 mil, quase três vezes a brasileira, graças a ingressos de dinheiro vindo de todas as partes do mundo, especialmente dos Estados Unidos, cuja economia sofre grande influência de sionistas.
Essa nova operação de guerra que já vitimou 107 palestinos em seis dias de ataques aéreos acontece porque Israel pode, tem um arsenal de guerra muito maior do que o do Brasil e conta com a imobilização providencial de quem poderia segurar seus ímpetos.
Desta vez, os bombardeios fazem parte da campanha eleitoral, como escreveu  no The Daily Beast dos EUA,  Gidon D. Remba, diretor executivo da Aliança Judaica pela Mudança, organização que trabalha pela democratização de Israel.
Gidon D Remba apontou matança
como manobra eleitoreira
“O medo de perder as próximas eleições e os crescentes presságios dessa inquietação podem ter desempenhado o papel de orientar Netanyahu a assassinar o líder militar do Hamas, o comandante Ahmde Al-Jabari e optar por uma retaliação em larga escala contra os foguetes jogados pelo Hamas, quando Jabari estava considerando seriamente a possibilidade de uma trégua de longo prazo com Israel. Neste mesmo dia, Ehud Olmert (centrista que estava à frente do governo nos ataques de 2008) também esperava lançar-se para concorrer com Netanyahu ao cargo de primeiro ministro, enquanto o Likud e Yisrael Beiteinu (coalizão de ultra-direita no poder) estavam caindo nas pesquisas. Não há, afinal, nada como uma vitória militar temperada com medo para unir os israelenses ao redor da bandeira de líderes fortes no poder”.
Obama não tem peito de contrariar
Se essa manobra vai vingar na eleição israelense do dia 22 de janeiro, tudo vai depender dos próximos acontecimentos. Mas ela por si diz da certeza de impunidade e cumplicidade em relação ao poder que o governo israelense dispõe sobre as vidas dos palestinos, sacrificados apenas para garantir a continuidade do governo ante a possibilidade do crescimento da oposição “moderada”.
Cumplicidade principalmente do presidente Obama, que tentou justificar os bombardeios, alegando que eram “atos de defesa”, e viajou para as bandas de Miamar, Cambodja e Tailândia porque sabe ser inconveniente para seu governo, às voltas com um déficit monumental que aumenta US $ 1 trilhão a cada ano, fazer qualquer coisa que possa ser mal recebida pelos sionistas, influentes em todos os segmentos da economia norte-americana.
É até provável que se consiga uma nova trégua nas próximas horas porque a ameaça de invasão por terra poderá ter efeitos negativos para o projeto eleitoral do premier israelense.
Mas a possibilidade de outros ataques existirá sempre que o complexo político-militar-econômico israelense demandar.
Israel preferiu desconhecer o plano de paz
Nesta matança eleitoreira, Netanyahu quis também barrar os progressos para se obter uma trégua duradoura. Horas antes de Ahmed Jabari ser assassinado, o chefe militar do Hamas recebeu o rascunho de um acordo permanente de trégua com Israel, que incluía mecanismos para manter o cessar-fogo, em caso de uma escalada entre Israel e as facções da Faixa de Gaza. Foi o que disse o militante pacifista israelense Gershon Baskin.
Gershon Baskin trabalhou
pessoalmente por um acordo
“Eu penso que eles cometerem um erro estratégico”, disse Baskin, um erro “que custará a vida de um número considerável de pessoas inocentes em ambos os lados”.
“Esse sangue poderia ter sido poupado. Quem tomou essa decisão deve ser julgado pelos eleitores, mas para o meu lamento, eles terão mais votos por causa disso”, acrescentou.
Segundo Baskin, durante os últimos dois anos, Jabari internalizou o entendimento de que a rodada de hostilidades com Israel não beneficiaria nem o Hamas nem os habitantes da Faixa de Gaza e só causaria sofrimento, e muitas vezes intercedeu para evitar ataques do Hamas contra Israel.
Ele disse que até mesmo quando o Hamas foi levado a participar do lançamento de foguetes, os seus foguetes eram sempre dirigidos a áreas abertas. “E isso era intencional”, esclareceu Baskin.
Nos últimos meses, Baskin esteve em contato permanente com representantes do Hamas, com membros da inteligência egípcia e também com oficiais de Israel, cujos nomes ele se recusa a divulgar. Há alguns meses Baskin apresentou ao ministro da defesa Ehud Barak um rascunho de um acordo preparado para constituir uma base para uma trégua permanente entre Israel e o Hamas, que evitaria as repetidas trocas de tiros.
“Em Israel”, disse Baskin, “eles decidiram desconhecer o plano e nos meses recentes eu tomei a iniciativa de fazer pressão de novo”.

sábado, 17 de novembro de 2012

O que assusta é o dia seguinte


Não sei como a nação conviverá com sentenças de fundamentos discutíveis e sob influência facciosa

 
"A ordem aqui é a que o relator
fixar" - afirmou Joaquim
Barbosa revelando o seu modo
autoritário de impor seu rito.
Sinceramente, estou preocupado com o dia seguinte a todo esse espetáculo que mergulhou o STF no mais longo e mais badalado dos seus julgamentos. Isto porque a midiatificação da Ação Penal 470 varreu a liturgia de um rito que decidia destinos e afetava biografias, atropelando todas as salvaguardas e premissas inerentes a decisões de graves repercussões.

Independente do mérito, o procedimento judicial que desprezou regras pétreas e princípios inalienáveis pode comprometer a carga penal e expor a mais alta corte como um cenáculo de punições mal fundamentadas, iracundas, direcionadas, revanchistas, sob impulsos políticos facciosos vulneráveis a um questionamento em nome da venda arrancada dos olhos da Justiça.    

Preocupa-me até porque, especulando tecnicamente, embargos inteligentes poderão deixar os ministros da Suprema Corte na maior saia justa, tais as lacunas produzidas na ânsia de ganharem o panteão e saciarem a platéia desejosa de compensação por 5 séculos de impunidades e impotência.

Indo fundo, sem negar o mínimo de lisura inerente a funções tão determinantes, poderemos enveredar, no mundo subjetivo, nas percepções dos impulsos existenciais geradores de comportamentos, tal a escalação dos 11 magnos juízes.  Desses, observe-se para efeito de melhor entendimento, apenas três não saíram de indicações processadas no âmbito familiar aos acusados nessa espetaculosa ação penal.

Joaquim Barbosa incorporou o espírito do mocinho e
já entrou em cena determinado a condenar.
Isso pode ter provocado a necessidade impetuosa do exorcismo de todo e qualquer parentesco, proximidade, influência, coincidência e dependência, prática já compilada há milênios por Confúcio – a necessidade impulsiva de se voltar contra quem lhe fez algum bem.

Tudo pode ter acontecido a partir do momento em que a glamorização do juízo, através da multiplicação das imagens da outrora discreta TV Justiça, via canais privados, atribuiu a suas excelências um verniz novelesco, o sentimento glorificante e provavelmente imperceptível da condição de mocinhos, justiceiros e tudo o mais do que tinha sede a mágoa cidadã, internalizada há séculos e manipulada agora na fonte da amargura, do despeito e da forra.

Nos casos que afetam cidadãos no gozo de seus direitos elementares o ponto de partida seria outro, totalmente inverso do acontecido, quando se deixou transparecer desde o primeiro capítulo a ânsia punitiva, e não a função elementar de julgar conforme os autos.

Tal foi o objetivo político explícito que o relator recorreu ao além-mar para encontrar na Alemanha a base hermenêutica do domínio de fato, usado de forma indevida para dar sustância ao que a leitura imparcial consideraria meras suposições, sobre as quais não caberiam ilações.

O domínio do fato, usado para condenar José Dirceu a dez anos de cadeia,  é mais ou menos o seguinte, conforme definiu J Carlos de Assis, na revista Carta Maior: “alguém com superioridade moral, mesmo que não hierárquica, sobre três outras pessoas com funções específicas torna-se responsável por qualquer coisa que essas pessoas façam de irregular. Ou seja, o que se condena é a superioridade moral, não a ação irregular”.

Na confusão que moldou decisões, até quando poupavam, os ministros não escaparam ao despropositado. Foi o que aconteceu no caso do publicitário Duda Mendonça, que confessou ter recebido dinheiro no exterior, de forma fraudulenta: ele foi absolvido sob a alegação de que a acusação foi mal formulada. E ponto.

Parece juridicamente insustentável o julgamento de todos os acusados no STF, quando em processos anteriores foi remetido para a primeira instância quem não tinha direito a foro especial. Exemplo disso foi a ação criminal aberta no caso do ministro Paulo Medina, do STJ: o ministro Cezar Peluso acolheu pedido da Procuradoria e desmembrou  o processo. Os acusados que não gozavam de foro especial foram remetidos para 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro,  onde se originaram as investigações. No Supremo permaneceram sob investigação, além do ministro do STJ, dois desembargadores, um juiz federal e um procurador federal.

Pela forma açodada e deliberadamente espetaculosa como agiram suas excelências poderemos estar correndo o risco de uma grande frustração. O que se pretende um referencial histórico como marco de punibilidade pode ganhar uma conotação diversa, a da utilização do Supremo como desaguadouro das mágoas, de interesses e personagens politicamente decrépitos e sem chances de retornarem ao controle da Nação.

Na liça judicial, como qualquer advogado sabe, o respeito ao processo e aos rituais é tão decisivo como a apreciação do mérito. Quando se viola os procedimentos compromete-se inevitavelmente a credibilidade do conteúdo.

Uns podem lavar a alma porque nada mais vão conseguir nas urnas. Outros podem festejar de boa fé o conto da punição exemplar de figuras influentes e até de empresários tidos como intocáveis. Tais gozos, porém, são efêmeros.  Se a postura do STF tivesse sido só jurídica as punições impostas teriam ido para os anais com a pompa condizente.

Mas a prejulgamento tópico na aliança ostensiva com uma mídia prepotente,  partidarizada e inconsequente põe por terra muito mais do que as sentenças anunciadas: os efeitos decorrentes alcançarão tão danosamente o Poder Judiciário que não será paranóia ver em tudo isso, mesmo sem vínculos formais,  um projeto desesperado de cunho nitidamente golpista, ou pelo menos uma camisa de força,  ante a tendência percebida da vontade popular.

Tendência, aliás, que não é a minha, mas que terei de respeitar se por outros meios lícitos e éticos, dentro das regras do jogo, não conseguir modificar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Quando a pena por corrupção é a aposentadoria precoce


Na sabedoria do seu silêncio, os cidadãos se perguntam por que a dosimetria dos magistrados é outra



Sessão plenária do Conselho Nacional de Justiça em que foi
decidida a  aposentadoria do ministro  Paulo Medina. Foto
oficial da Secretaria de Comunicação do CNJ.
Ao cair da tarde da terça-feira, 3 de agosto de 2010, o Conselho Nacional de Justiça anunciou, numa impostação solene, a aplicação da mais alta pena no seu âmbito contra um ministro do STJ acusado de vender sentenças e favorecer a máfia dos caça-níqueis: por todo o seu envolvimento comprovado na Operação Furacão da Polícia Federal, o ministro Paulo Medina foi condenado a uma gorda aposentadoria para o resto da vida.

Na mesma sessão, a pena máxima aplicada pelo CNJ aos magistrados pilhados em atos imorais alcançou também o desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim, ex-vice-presidente do Tribunal Federal Regional da 2ª Região, acusado igualmente de receber propinas no mesmo esquema para proferir sentenças ao gosto da máfia dos caça-níqueis.  

Na investigação, iniciada em 2005, a Polícia Federal reuniu provas abundantes sobre o envolvimento do ministro.  Seu irmão Virgílio seria quem intermediava a venda de sentenças, segundo a PF. Gravações da PF, obtidas com autorização judicial, apontam o irmão  negociando o pagamento de R$ 1 milhão para a concessão de uma liminar liberando o funcionamento de 900 máquinas caça-níqueis em Niterói, no Rio de Janeiro;

Segundo o Ministério Público (MP), as gravações mostravam o envolvimento do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina; do advogado Virgílio Medina, irmão do magistrado; do desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), José Eduardo Carreira Alvim; do juiz do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Ernesto da Luz Pinto Dória; e do procurador-regional da República, Sérgio Leal, no esquema de venda de sentenças.
 
 Seu advogado, Almeida Castro, um dos mais requistados de Brasília, afirmou que Medina teve o nome usado indevidamente por pessoas ligadas à exploração de jogos ilegais e pelo próprio irmão.

O ministro Paulo Medina estava afastado do STJ desde 2007, quando irrompeu o escândalo envolvendo-o, mas recebia seus vencimentos normalmente. Em 26 de novembro de 2008, o STF decidiu abrir contra ele uma ação penal, que ainda está em curso, sob segredo de Justiça,  e da qual não se falou mais, decorridos mais de quatro anos.

Naquela sessão, os ministros seguiram a interpretação do relator, Cezar Peluso e, por maioria, abriram procedimento contra Medina por corrupção passiva e prevaricação, mas o livraram da acusação de formação de quadrilha, embora a acusação do Ministério Público  sugerisse a participação de outras  pessoas no esquema, entre empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal.

Para  o advogado Almeida Castro, foi importante que o STF tenha concluído que Medina não deve responder a ação por formação de quadrilha.  Ele fez questão de frisar que Medina não foi julgado, já que o STF apenas decidiu abrir uma ação penal por prevaricação e corrupção passiva contra o ministro. "O que se decidiu  foi apenas que se deve apurar", declarou.

Ao contrário do que aconteceu com o "mensalão", o ministro Cezar Peluso acolheu pedido da Procuradoria e desmembrou  o processo.Os acusados que não possuem foro especial foram remetidos para 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro, de onde se originaram as investigações. No Supremo permaneceram sob investigação, além do ministro do STJ, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo de Siqueira Regueira, o juiz federal do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas/SP Ernesto da Luz Pinto Dória e o procurador regional da República João Sérgio Leal Pereira.

Não foi diferente a sorte do desembargador Sebastião Teixeira Chaves, preso em 4 de agosto de 2006 quando presidia o Tribunal de Justiça de Rondônia, ao ser pilhado pela Polícia Federal num cipoal de maracutaias, a mais grave delas num conluio com o presidente da Assembléia Legislativa daquele Estado. Dez dias depois o magistrado teve sua prisão relaxada pela ministra Eliana Calmon, no STJ.

Na sua decisão, ela ordenou a libertação de sete dos nove presos pela PF na Operação Dominó. Permaneceram detidos, então, o presidente da Assembléia Legislativa, Carlão de Oliveira, e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Edilson de Souza Silva. Agora, em maio de 2012, o TJ de Rondônia absolveu o juiz Jorge Ribeiro da Luz, preso naquela ocasião como braço direito do desembargador Sebastião Chaves.

Esses são apenas dois dos milhares de casos objetos de processos no Conselho Nacional de Justiça. Ao presidir pela última vez a sessão do CNJ, nesta terça-feira, 13 de novembro, o ministro Carlos Ayres de Brito foi saudado pelo ministro Carlos Alberto Reis de Paula como aquele que "levou o colegiado a consagrar um dos princípios fundamentais de uma república democrática, que é a transparência”. Não é para menos: durante sua gestão de 180 dias,  5.003 novos processos ingressaram no CNJ e 4.027 ações foram julgadas, o que equivale a 573 processos por mês.

Até que alguém me demonstre o contrário, não há informação de que qualquer um dos magistrados acusados de vendas de sentenças ou liminares tenha sido condenado à prisão e a pesadas multas. Ao nosso conhecimento só chegam condenações a aposentadorias precoces.  Não há notícia, igualmente, de que esses senhores, que são de longe uma ínfima minoria no Judiciário, tenham sido impedidos de exercer a advocacia ou perdido seus direitos políticos.

Por mais desinformado que seja a população, alguma coisa dessas chega ao seu conhecimento.

E vem à sua lembrança nestes dias em que o STF aparece como o símbolo do fim da impunidade.

Porque mesmo na sua ignorância manipulada pelas elites o cidadão não aceita que para esse mesmo STF o espetáculo da dosimetria seletiva e iracunda só foque determinados personagens, de uma determinada grei.     

Os seus, que já gozam de uma inefável blindagem constitucional, ainda não foram para a berlinda sob as câmeras de tv, se é que irão um dia.   

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A maldição do petróleo na guerra suja que esconde interesses nada republicanos


O mais grave foi desprezar a destinação dos royalties para educação, que nenhum governante quer


"O projeto de lei em si gera um colapso nas finanças públicas do estado. É absolutamente inviável. O estado fecha as portas, não faz Olimpíadas, não faz Copa do Mundo, não paga servidor público, aposentado, pensionista. Enfim, sofre um abalo".
Governador Sérgio Cabral Filho

Honestamente, eu não sabia que o pagamento de aposentadorias e pensões dependia dos royalties do petróleo. A ser verdadeira essa informação, contida na manifestação espasmódica do governador Cabral Filho, estamos fritos.  O sistema previdenciário do Estado do Rio faliu e a gente não sabia. Faliu e teria conseguido  uma sobrevida com os royalties. Será mesmo?

Dessa sobre Copa do Mundo e Jogos Olímpicos também estou sem saber qual a relação.  Aliás, aqui entre nós, esses eventos já mostram que serão mais nocivos do que benéficos ao Estado do Rio.  Quem está gostando dessa farra por sua conta é a turma da pesada, cujas fortunas incharam com os favores do poder público. Fora dela, não sei quem mais está com tanta água na boca.

No desprezo pela educação, a nota zero dos governantes

Mas não é essa a discussão. O diabo é que o espasmo do governador e as lágrimas de crocodilo dos seus adjacentes conseguiram escamotear o mais grave: os interessados nessa grana - punguistas e pungados -  não querem nem saber da destinação carimbada para a educação, que um ministro Mercadante pouco convincente propôs em nome de um governo que pisa em ovos.

Nessa posição indecente estão de pleno acordo políticos dos Estados produtores e interessados em pegar o seu na mão grande, em nome de qualquer coisa, graças a uma  Câmara leviana, sem responsabilidade republicana, em que cada um puxa a brasa para o seu tubarão.

No bate-boca instalado nos palácios cintilantes não se falou do descaso pela proposta de carimbar todo o dinheiro para a educação, medida necessária para garantir a viabilização do Plano Nacional de Educação, que prevê a destinação do equivalente a 10% do PIB, o que significaria alfabetizar as quase 13 milhões de pessoas com mais de 15 anos; cumprir a Emenda Constitucional 59, de 2009, que determina a obrigatoriedade do ensino dos 4 aos 17 anos, segmento no qual há 3,5 milhões de crianças e adolescentes fora da escola; atender à demanda por creches públicas; cumprir a Lei do Piso Salarial Nacional para os Profissionais do Magistério Público; valorizar a carreira dos profissionais da educação e oferecer formação continuada; e cumprir as demais Metas e as Estratégias previstas no Plano Nacional de Educação e nos planos estaduais e municipais de educação.

Não tratam dessa rasteira porque a grande maioria dos envolvidos nessa contenda  está de olho mesmo é no dinheiro extra do petróleo para meter a mão, através dos conhecidos subterfúgios que ensejam gordas propinas. Do jeito que pautaram a divergência, mais parece um suspeito confronto de interesses espúrios, em que vencerá quem tiver mais bala na agulha.

Royalties existem para compensar áreas afetadas

Independente dessa guerra suja há que deixar claro, no entanto, que os royalties, pretéritos, presentes e futuros, são destinados por natureza aos Estados afetados, como muito bem definiu o professor Gustavo Kaercher, da Universidade de Brasília. 

"Há também o que se poderia chamar de impacto. Por exemplo, a demanda crescente por infraestrutura para acomodar as (novas) necessidades da indústria e da população que ela atrai (estradas, escolas, hospitais etc.). Se o poder público provê serviços para a indústria, reduzindo-lhe dispêndios, nada mais justo do que ressarcir a unidade da Federação que os fez.

Outro tipo de impacto é de tipo intergeracional: os fatores produtivos de uma região hospedeira tendem a orbitar em torno do empreendimento petrolífero, de duração limitada. Finda a exploração, o que fazer para que a região não se torne área fantasma, ou para que as futuras gerações não fiquem presas a um ciclo que se encerrará? Há que se financiar o desenvolvimento alternativo.

Ao lado destes elementos, outros haveria, mas não se pretende aqui listar danos, prejuízos, impactos e custos — muito menos sugerir que a quantificação deles possa ser feita com exatidão, ou que as atuais regras devam permanecer — mas chamar a atenção para a necessidade de distinção que justifica um tratamento diferenciado aos entes afetados".

Meu receio é que isso seja desconsiderado da mesma forma que a sua destinação,  prevalecendo a lei do mais numeroso, o que deixa a própria presidente de sai justa.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.