COTIDIANO

Esses conflitos têm a cara do Sérgio Cabral. O prédio da OI estava abandonado há mais de 5 anos, sem vigilância suficiente, e milhares de pessoas vivem o drama da moradia e dos baixos salários.

domingo, 31 de julho de 2011

No prelúdio nababesco as bolinhas anunciam a gastança perdulária

30 milhões incinerados num único evento mostram o  saco sem fundo de uma bolha ilusória
Blatter, Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Ricardo Teixeira: aliados no mesmo engodo

"Em janeiro de 2011, o Ministério do Esporte apresentou previsão de R$ 5,6 bilhões para 11 sedes, sem o custo do Itaquerão. Em junho, a previsão de gastos já chega a cerca de R$ 7 bilhões. Ou seja, somente o custo dos estádios já triplicou, considerando a previsão inicial de R$ 2 bilhões, em 2007".
Romário, ex-campeão mundial e deputado federal

Trinta milhões de reais no prelúdio extravagante do maior alçapão já montado pelos assaltantes do colarinho branco. Trinta milhões saídos dos cofres da Prefeitura carioca e do Estado do Rio de Janeiro, que mantêm professores e todo o funcionalismo a pão e água, muitos pagando para trabalhar. Que sonegam à população o direito fundamental à educação razoável e à saúde básica, tornando-a presa fácil dos tubarões do ensino e do impiedoso sistema privado de assistência médica.

Trinta milhões para a exibição de luxo e riqueza, num evento de duas horas, cuja única finalidade era sortear as bolinhas das chaves eliminatórias da Copa do mundo de 2014, tudo segundo o figurino perdulário de uma máfia sem qualquer recato, a máfia multinacional da Fifa. Todo esse dinheiro foi disponibilizado de mão beijada aos esquemas da filha de Ricardo Teixeira, mafioso de carteirinha, que não terá obrigação de nos prestar contas pelo atalho contábil forjado na transferência blindada do dinheiro público a uma entidade privada.

Esse aperitivo faraônico que teve como cenário a Marina da Glória, do todo poderoso Eike Batista, é pinto diante da arquitetura de gastos irresponsáveis concebida para os dois eventos esportivos, que, por coincidência, acontecem em sequência num único embrulho, gerando uma bolha ilusória em dobro, na mesma sem-cerimônia dos comerciais de cerveja que, depois de instigar o consumidor a um porre, termina com um letreiro rápido de “beba com moderação”.

O espetáculo platinado é apenas, como se poderia dizer, a ponta de um iceberg colossal, que nutre a roubalheira de um script sedutor, revestindo com purpurinas cintilantes a rasteira em um povo já acostumado ao “me engano que eu gosto”.

É como se estivéssemos diante de um mau presságio explícito, de um grande golpe anunciado.

Conversas para enganar os trouxas

Diz-se que sediar a copa de futebol e os jogos olímpicos mundiais tem o condão de alavancar a vida econômica do Brasil, aumentar o PIB e, em particular, reposicionar a cidade do Rio de Janeiro no topo das metrópoles endeusadas. Propaga-se, na maior cara de pau, que a farra homérica de 2014 redundará no aumento das nossas exportações em 30%. E muito mais se diz na carrada obscena de engodos mirabolantes.

Por tal, o vale tudo corre solto. Qualquer excesso será compensado pelo orgulho das visitas esperadas, pela centralização das imagens esportivas que chegarão a todos os cantos do mundo, imagens televisivas que, aliás, serão a única forma dos brasileiros verem os espetáculos, a menos que tenham como morrer numa grana preta nos ingressos que terão o custo médio de um salário mínimo.

Não há arcabouço mais adequado para a rapina. Pelas fórmulas engendradas, o assalto acontecerá em nome das exigências supranacionais dos magos da Fifa e do Comitê Olímpico Internacionais. Se não for como querem, o pau come.

Na copa de futebol, primeira parada do trem da alegria dos “sanguessugas” do erário, a extravagância é ampla, geral, e irrestrita. O vale tudo começa pela festa nababesca que custou aos contribuintes o equivalente à construção de 6 escolas públicas para 400 alunos cada, e passa pelo esbanjamento faustoso com estádios de futebol, pelas renúncias fiscais, envolvimento do BNDES no folguedo e a pela privatização-doação emoldurada dos aeroportos lucrativos.

No caso dos estádios, até a inteligência mais limitada é agredida. No Maracanã, a construtora do amigo íntimo do governador (em sociedade com outras duas empreiteiras) vai faturar 1 bilhão e lá vai picos na terceira reforma em menos de 12 anos. Em São Paulo, o estádio particular da Odebrecht-Coríntias terá só de renúncias fiscais da Prefeitura mais de 420 milhões de reais e ainda receberá uma boa grana do governo do Estado e do BNDES. Só a isenção representa deixar de construir 84 escolas para 33.600 alunos.

Extravagâncias ao gosto dos picaretas
Em Manaus, Brasília e Cuiabá, a extravagância tem os sintomas da insensatez mais tresloucada. Nessas cidades, onde se joga futebol da várzea, o dinheiro público será queimado já se sabendo que os estádios erguidos para quatro ou cinco jogos da Copa não terão mais serventia depois. No Amazonas, clubes como o América estão nos estertores. Enquanto isso, o Serra Dourada de Goiás, onde há tradição de futebol em nível nacional, foi descartado, porque Goiânia, distante 210 km da corte, ficou fora da lista.

No Ceará, um estádio que precisaria apenas de algum trato, foi posto praticamente no chão e deve consumir mais de 600 milhões do contribuinte. Em Pernambuco, nenhum dos três campos tradicionais será remodelado. A arena de lá está sendo construída a 25 km da capital, em São Lourenço da Mata, fora dos eixos naturais de transportes.

Em Minas, a reforma da Mineirão não sairá por menos de 700 milhões. Na Bahia, ao contrário das contas oficiais, a arena da Fonte Nova sairá por 835 milhões, segundo estimativas da Transparência Brasil.

Em suma, considerando os vícios das obras em nosso país e a participação preponderante do dinheiro público, já se prevê que essas construções somarão mais de 11 bilhões no final das contas.

Comparativos expõem as vísceras da malandragem: aqui mesmo, o Palmeiras desembolsará não mais de 300 milhões na nova Arena Palestra Itália, com 45 mil lugares. Já na Alemanha, dois novos estádios acabam de ser erguidos: a Prefeitura de Mainz, capital do Estado da Renânia-Palatinado, precisou de apenas o equivalente a 140 milhões de reais para seu estádio de 34 mil lugares, incluindo nessa conta 35 milhões para a infraestrutura no seu entorno. Já o estádio do Augsburg, na Bavária, com 25.579 assentos, saiu por menos do equivalente a100 milhões de reais.

África do Sul ficou no prejuízo

Falamos apenas dos gastos com as praças de esporte. Elas representam menos da metade das despesas em nome da copa previstas nas cidades. E o retorno? Ao contrário da Alemanha e Estados Unidos, que não precisaram fazer gastos extraordinários porque já tinha estrutura para os eventos, em termos de futebol o exemplo da África do Sul é referencial.

O país de Mandela gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas. Quando foi ver, a rede privada de serviços só faturou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país no mês da competição. Nas previsões da CBF, a nossa Copa atrairá 500 mil turistas, que gastarão 3 bilhões de reais, ou seja 4 vezes mais do que na África do Sul – um cálculo pra lá de alucinado.

Os est com exceção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, são conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo de US$ 650 milhões e usada apenas 12 vezes depois da Copa. Lá já discutem a demolição desse estádio ocioso.

Em se tratando de jogos olímpicos, só se pode falar de ganhos compensatórios mesmo nos de Barcelona, em 1992. Em contraste, o desastre de Atenas, em 2004, é visto como o ponto de partida da crise que levou a Grécia à bancarrota.

Num contexto internacional recheado de dúvidas, com os Estados Unidos na pindaíba e uma dívida colossal de 14 trilhões de dólares, tudo leva a crer que esses eventos vão ajudar a destrambelhar nossas vidas, ao contrário da falácia de quem já começou a engordar as contas com o desperdício do prelúdio luxuriante.

População já disse não aos gastos

Já há uma rejeição explícita das populações a essas farras. Uma pesquisa da Sport+Markt, divulgada há pouco, revelou a insatisfação da cidadania. No Rio de Janeiro, só 14,7% concordam com o uso de dinheiro público nos estádios. No Amazonas, 17%. Entre os que têm opinião formada, na cidade de São Paulo, 60,2% discordam e, no estado, essa rejeição chega a 64,2%. No país, dos que já têm opinião formada 63,7% disseram-se contrários aos gastos com estádios, superfaturados ou não.

No entanto, a onda avassaladora impulsionada pela mídia é capaz de nos encher os olhos de miragens orgásticas. E não é por acaso: a principal fonte de receita da FIFA com a Copa está na venda dos direitos de televisão para a qual há um grande intermediário que compra e revende os direitos para os principais países: a Infront Sports & Midia (ISM), operando através de sua subsidiária HBS (Host Broadcast Services). Há uma expectativa de que as imagens do certame alcançarão uma audiência acumulada de 30 bilhões de telespectadores, um atrativo apetitoso para os grandes anunciantes. É nesse nicho que a Rede Globo já está enturmada, embora tenha feito uma proposta 20% mais baixa do que a Record.

Haja o que houver nas duas competições, vê-se que a mídia é o segmento com maiores interesses e possibilidades de ganhos visíveis.

Daí, o empenho em dourar a pílula, independente do que possa acontecer a este país que não se pode dar ao luxo de jogar dinheiro fora.

Permitida a reprodução e repasse desta matéria, desde que informada a sua autoria.

O que se faria com o dinheiro gasto na preparação da Copa

O site Planeta Sustentável imaginou o que se gastaria com os 11 bilhões previstos para a Copa (essa previsão já está superada).

R$ 2,1 bi
ONDE Expansão do saneamento.
Para levar água tratada a 2,2 milhões de casas e coleta de lixo a 2,1 milhões - cerca de 20% do déficit de saneamento.

R$ 2,8 bi
ONDE Crédito para casas populares.
Para financiar a construção ou compra de 480 mil casas populares - 6% do déficit habitacional.

R$ 2,8 bi
ONDE Universalização da eletricidade.
Para levar luz a 1,6 milhão de pessoas no campo - 13% da população sem acesso à energia.

R$ 1,4 bi
ONDE Combate ao analfabetismo.
Para ensinar 600 mil jovens e adultos a ler e escrever - o que representa 4% a menos de analfabetos no país.

R$ 1,4 bi
ONDE Bolsa Família.
Para custear o programa por um ano para 1,8 milhão de famílias, que receberiam um auxílio mensal de R$ 62.

R$ 700 mi
ONDE Saúde da Família.
Para levar o programa Saúde da Família a mais 2 milhões de pessoas - superaria a população de Curitiba ou Recife.

domingo, 24 de julho de 2011

Para entender o morticínio da Noruega no contexto da indústria do ódio anti-islâmico

Falcões de Israel e Murdoch investiram pesado na guerra global racista e intolerante

"Estamos descobrindo agora que a própria mídia controla estados e governos. É perfeitamente razoável que tenha, também, construído os scripts das guerras, os resultados eleitorais, os atos de terrorismo e o descalabro geral que empurrou os EUA para uma década de selvagem e inútil derramamento de sangue, para vingar-se de atos de terrorismo que provavelmente, não foram obra de terroristas estrangeiros”.
Gordon Duff, veterano da guerra do Vietnã, editor sênior da Veterans Today. Sua carreira incluiu uma vasta experiência no setor bancário internacional, juntamente com áreas tão diversas como consultoria em contra-insurgência, tecnologias de defesa ou atuando como agente diplomático da ONU grupos humanitários.
Um documento de 1.500 páginas redigido, aparentemente, por Anders Behring Breivik (foto), o norueguês que matou 92 pessoas em dois atentados em Oslo na última sexta-feira, revela que o ataque já era preparado desde o outono de 2009. Breivik, de 32 anos, deixou para trás um manifesto detalhado descrevendo como se preparou para os ataques e convocando para uma guerra civil e cristã a fim de defender a Europa contra a ameaça de dominação muçulmana, divulgaram neste sábado as autoridades norueguesas e americanas que participam das investigações.


 O morticínio recorde que abalou a pacata Noruega dos brancos loiros de olhos azuis, torrão do mais elevado IDH do mundo, é o resultado assombroso da globalização do ódio e da intolerância, inserindo-se na mesma teia da irresponsabilidade midiática protagonizada pelo bilionário Rupert Murdoch, cujas façanhas inescrupulosas estão vindo à tona a partir dos criminosos grampos telefônicas da Grã-Bretanha, e da ofensiva agressiva do governo de Israel, intensificada após discurso em que Barack Obama admitiu apoio ao Estado palestino.

Essa matança só não cumpriu seu objetivo inteiramente porque a polícia prendeu o atirador, um ultradireitista norueguês de 32 anos, que não resistiu à prisão, nem tentou se matar após o crime. Até então, a mídia internacional já havia forjado uma declaração atribuída a um grupo islâmico, que teria assumido os atentados.

Desde os anos 90, a tranquilidade polar dos países nórdicos vem sendo contagiada pela propaganda explosiva da fronteira fechada aos emigrantes, especialmente aos islâmicos, produzindo uma seiva venenosa extraída da falácia de que “a cultura do país seria diluída pela imigração vinda de países com valores e religiões diferentes”.

Esse atentado não é uma surpresa para quem acompanha a manipulação mortífera de uma mídia patrocinadora de uma “guerra global” incensada a partir de Israel e do complexo sionista mundial, do qual Murdoch se fez a maior expressão, dotando-se de poderes superiores a qualquer governante.

Judeus pacifistas de vários países mundo já haviam detectado o perigo trágico que a intolerância de sionistas extremistas desenhava, ante o crescimento de vozes discordantes dentro de Israel, notadamente no âmbito universitário e no movimento PAZ AGORA, que ganha milhares de adesões em seus esforços para barrar a sanha terrorista do seu governo.

As resistências internas à implantação de colônias judaicas em território palestino implementadas pela coligação de extrema-direita crescem, mas provocam um traumático efeito inverso: os chefes dessa aliança - o premier Netanyahu, do partido Likud, de direita, e o ex-leão-de-chácara nascido na Moldávia soviética, Avigdor Lieberman, chefe de um partido com maioria de emigrantes russos e atual chanceler de Israel – estão bancando a intolerância anti-islâmica na Europa, tendo como principal ferramenta o império midiático de Murdoch, antigo colaborador da extrema direita no mundo. Nascido na Austrália, ele é cidadão e Israelense e ganhou em 1985 de Ronald Reagan também a cidadania norte-americana, condição legal indispensável para comprar uma das maiores redes de tv e vários jornais nos Estados Unidos.

O dono mundo que fabrica o ódio

Para alcançar meu raciocínio, vale a pena ler o artigo de Gordon Duff, escrito no Veterans Today, - - no qual ele perfila a natureza essencial dessa ultra-poderosa rede midiática:

“Já se começa a dizer que Murdoch controla, há no mínimo 20 anos, todo o sistema político dos EUA e da Grã-Bretanha. Tem poder para eleger e derrubar líderes nacionais, escolher políticas, aprovar leis. De onde vem tanto poder? Sabe-se hoje que vem de espionagem, gravações clandestinas, invasões de telefones e e-mails, suborno de autoridades e muita propaganda. Sim, mas... a serviço de que agenda? Aí está o xis da questão.
É possível que se trate de vender jornais de escândalos e de espionagem a favor de Israel, para empurrar a Grã-Bretanha e os EUA na direção de fazer guerras em nome de interesses de Israel? Há resposta simples.
A motivação básica de Murdoch nem é que ele opere “para Israel”. Murdoch é, provavelmente, o mais influente israelense que há hoje no mundo, muito mais poderoso que Netanyahu. O problema é que Murdoch é homem de idiossincrasias que só se podem descrever como “ultranacionalistas” pró-Israel.
Por isso Murdoch é ameaça grave. Os ultranacionalistas são conhecidos por apoiar guerras, planejar ataques terroristas, manipular populações até converter as pessoas a se matarem umas as outras por questões religiosas, por racismo, sempre semeando o medo e o pânico, quando não promovendo a ruína financeira de muitos”.
Essa visão coincide com as preocupações dos militantes da resistência pacifista dentro de Israel, como escreveu Carlo Strenger no Haaretz, dia 13 de julho passado:
“O resultado do sistemático insuflamento, por Netanyahu e Lieberman, dos temores existenciais dos israelenses é tangível: as pesquisas de opinião mostram que os israelenses estão profundamente pessimistas sobre a paz; na maioria não confiam nos palestinos. E na geração mais nova, a crença nos valores democráticos está erodida”.
Propaganda dirigida na raiz dos atentados na Noruega

Na busca da gênese dessa matança na Noruega não é forçado visualizar a propaganda da intolerâbcia anti-islâmica disseminada pelos falcões de Jerusalém em parceria com o poderoso chefão da mídia, agora desnudado com as revelações sobre os métodos ilegais e imorais de suas empresas jornalísticas.

Na sua análise sobre Anders Behring Breivik, o fazendeiro de 32 anos que confessou a matança na ilha de Utoeya, reconhecendo com frieza que foi “cruel, mas necessária”, Jorn Madslien, da BBC News, observa que ele não agiu sozinho, pois não é um simples “nacionalista”, mas um decidido extremista de direita, auto-definido como “fundamentalista cristão”, sintonizado com grupos que cultivam o medo para encurralar os governos escandinavos:

“Segundo o jornal norueguês Aftenposten o medo é aumentado pela mistura potencialmente explosiva de recessão econômica, aumento do racismo e um sentimento anti-islâmico ainda mais forte” - acentuou.

Os mais de 600 jovens trabalhistas atacados pelo extremista haviam aprovado uma resolução em que pediam ao governo do seu partido um boicote a Israel, proposta que formalizaram na quinta-feira ao ministro do Exterior, Jonas Gahr Store, durante a visita que este fez ao acampamento, na qual, como noticiou a agência Reuters, ele declarou apoio ao reconhecimento do Estado Palestino e à demolição do muro construído por Israel para cercar a área sob a autoridade palestina.

Militante da direita anti-islâmica

Ao prender o atirador e submetê-lo ao primeiro interrogatório, O chefe de polícia de Oslo, Sveinung Sponheim, disse que mensagens suas publicadas na internet mostram que ele “tem opiniões políticas voltadas para a direita, anti-islâmicas”.

Voltemos ao artigo de Gordon Duff:

“Quem Murdoch odeia acima de todos os demais ódios? Os muçulmanos, claro. Todos os muçulmanos são “do mal”. De todas as coisas que Murdoch toca, em todas as cenas que suas publicações (centenas!) exibem, em todas as notícias que distorcem, o item que nunca falta, o que nunca essa gangue de degoladores deixa de reafirmar é, sempre, o ódio deles contra os muçulmanos. Com isso, satisfazem os amigos em Israel”.
Há uma grande expectativa sobre o depoimento que Anders Behring Breivik deverá prestar perante um juiz, nesta segunda-feira, em Oslo. O nervosismo aumenta por sua frieza: ao contrário de outros envolvidos em ações semelhantes, ele nem tentou se matar, nem resistiu à ordem de prisão. Desde a noite de sábado, a polícia o mantém incomunicável, mas há que tema por uma “queima de arquivo” antes da audiência.

Para mim, não há dúvida de que ele não agiu sozinho, tal a abrangência das duas ações terroristas. Há suspeitas sobre o próprio comportamento da polícia, que só chegou à ilha, distante 40 km de Oslo, 45 minutos após o último disparo, numa ação que durou uma hora e meia.

Pior ainda: embora a matança de sábado tenha sido o ato mais trágico da Noruega desde o fim de segunda-guerra, em 1945, a mídia internacional tem sido econômica nas matérias a respeito, dando maior destaque à morte da jovem cantora Amy Winehouse, provavelmente por overdose de cocaína.

Como se vê, tem fundamento lógico entrelaçar no mesmo comentário a tragédia da Noruega, as peripécias de Murdoch e a ofensiva belicista das autoridades de Israel.

CORREÇÃO

Na minha coluna anterior, enviada através do JORNAL INSTANTÂNEO POR CORRESPONDÊNCIA, escrevi ALIENISTA, ao invés de ALIENÍGENA, erro que atribuo ao cansaço da madrugada.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Os alienígenas estão chegando pelos ares muito antes navegados

Movimentos orquestrados levam à desnacionalização das companhias aéreas e à invasão estrangeira

Em menos de um minuto um leilão deu a partida para a
desnacionalização da aviação comercial brasileira
“A nossa aviação civil, que já estava no buraco, agora recebeu a pá de cal – como aconteceu com a navegação de cabotagem, hoje na mão de estrangeiros. É claro que os EUA querem os céus abertos: as suas empresas são gigantescas e só uma delas tem mais que o triplo de aeronaves de grande porte que todo o Brasil junto. Resultado, dentro da receita operacional delas, o que é gerado no Brasil é percentualmente muito pequeno (3% a 5%) e isto vai permitir que elas, inicialmente, façam dumping até dando passagens grátis em nosso país. As empresas nacionais, se é que ainda existem, não conseguirão competir”
Comandante Marcelo Duarte, ex-vice-presidente da Associação dos Pilotos da Varig.

Porque hoje é 20 de julho, as nuvens pesadas que escondem nossas constelações me levam de volta a bordo do mais longo dos vôos, o que revela a rendição programada, em meio a turbulências que tantas vítimas inocentes vêm causando, como se nada mais houvesse disponível, nem mesmo um velho pára-quedas em farrapos. Uma rendição que submete nossos céus ao domínio de invasores alienígenas.

Hoje seria o dia do orgulho aéreo, pois lembra o nascimento do visionário Alberto Santos Dumont, nascido em 1873 nas Minas Gerais e admirado por suas façanhas plasmadas na mesma têmpera de Leonardo Da Vince. O desafio o fascinava e foi sob esse ímpeto que se jogou por inteiro na arte de fazer subir o mais pesado do que o ar.
Mas para o desdouro da efeméride, 20 de julho também foi sangrado há 5 anos pela maior vilania já perpetrada na história de nossa aviação, como ele jamais imaginaria: o leilão-relâmpago, a preço de banana, da mundialmente respeitada Varig, a que me referi antes, tendo por cenário tétrico um hangar do aeroporto batizado com seu nome legendário.
 O pior ainda se esconde nessas nuvens impudicas: como consequência direta da desmontagem da nossa octogenária companhia aérea, esta data ainda vai ser lembrada por um certo acerto já negociado, que levará à desnacionalização de nosso espaço aéreo doméstico, coisa que se consumará em questão de dias, quando o Senado da República sacramentar a reforma do Código Brasileiro de Aeronáutica para facilitar a maior participação do capital estrangeiro em nossas empesas, removendo os óbices à macro “fusão” da TAM com a LAN chilena e criando condições até para a contratação de pilotos estrangeiros, o que levará a um aviltamento ainda maior dessa profissão.

A votação do projeto de lei 6716/09, oriundo da Câmara, faz parte de uma operação casada que envolve também as privatizações dos aeroportos rentáveis e a remodelagem de todo o sistema de transportes aéreos, inspirada tão somente em interesses de grupos cobertos por “consultores” com trânsito livre nos centros desses podres poderes.
Com a mudança do artigo 181 do Código Aeronáutico, a participação do capital estrangeiro em nossa aviação comercial salta de 20 para 49%. Isso significa “entregar o ouro ao bandido”, estimulando movimentos correlatos que facilitarão a invasão dos nossos céus, como se o transporte aéreo fosse perder seu escopo estratégico, abrindo-se em leque à sanha de um mercado cuja única lei é a do ganho a qualquer preço. Um deles é a adesão do Brasil ao "open skies", sistema pelo qual os mais poderosos do mundo ganham entrada franco em nosso espaço aéreo.

Nichos dominados pelo duopólio

Para que fosse possível agora a desfiguração das empresas nacionais, engendrou-se um plano estratégico, que começou pelo sucateamento da Varig, a aérea mais tradicional e de maior inserção internacional, e ganhou corpo com a oligopolização do setor, que, por si, torna irrespirável a presença de terceiros nos aeroportos brasileiros.

Com a compra da Webjet (5% do mercado) a Gol passará a concentrar 61,4% das operações domésticas no aeroporto do Galeão (RJ); 57,8% em Confins (MG) e 51,2% em Curitiba (PR). O alto nível de concentração para o qual o mercado se direciona fica ainda mais evidente somando-se as participações da Gol e da TAM. As duas responderão por mais de 98% das operações no aeroporto internacional do Rio; 93,4% no de Brasília; e 92,9% em Congonhas.

Esse quadro monopolista aparece agora como pretexto para o franqueamento do setor ao capital estrangeiro. Quem considera esta única saída esquece que é a própria TAM, através de figuras conhecidas da corte, quem está movendo céus e terras para a aprovação da reforma desnacionalizante do Código.

Nossos céus mais vulneráveis
Em paralelo, o Brasil cedeu finalmente ao sistema "open skies" - ou céus abertos. A partir de março, com decorrência da visita de Obama, não existe mais exigência de reciprocidade nos vôos com destino aos Estados Unidos. No final do semestre, acordo semelhante foi fechado com os 27 países da União Européia.
Na prática, quem tiver mais bala na agulha vai voar mais. Por enquanto, essa abertura acontecerá apenas nas rotas internacionais. A exclusividade dos trajetos domésticos pelas empresas do próprio país é uma tradição em todo o mundo, com exceção da Europa, que vive um processo de integração continental.

Nos dias de hoje, porém, o Brasil é visto como um dos melhores mercados do mundo, dando vazão ao excesso de ofertas das aéreas estrangeiras. A portuguesa TAP que o diga. Com vôos diretos de Lisboa para Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Natal, Recife, Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte e Brasília, quase 30% do total de passageiros transportados pela companhia no mundo têm o Brasil como origem ou destino. Com a inauguração da linha Porto Alegre-Lisboa, a empresa chega à região Sul, onde ainda não atuava. Serão quatro frequências semanais, e cerca de 20 mil pessoas já fizeram reserva para a nova rota.

As empresas adotam políticas tarifárias atraentes, recorrendo ao dumping e redirecionando os destinos turísticos para fora do país. Uma passagem de ida e volta na TAPm de Porto Alegre a Lisboa, foi vendida até junho por R$ 1.714,00, menos do que de Porto Alegre para Fortaleza. Ao inaugurar sua linha Brasília-Montevidéu, em junho passado, a Pluma uruguaia lançou preços promocionais de R$ 480,00 – ida e volta.

Serviços baixa qualidade favorecem a desnacionalização

Com o duopólio das companhias brasileiras e a baixa qualidade dos seus serviços, o espaço aéreo está totalmente disponibilizado para as estrangeiras.

Revela-se agora, assim, o que movia a omissão dos governos na crise que levou à lona nossa maior transportadora: desde o destroço da Varig, com o que ela representava em padrão de serviços, pontualidade e atendimento, a aviação comercial brasileira embiocou nuvens abaixo, perdendo sua personalidade competitiva.

Com a privatização dos aeroportos em regimes de concessão,  não precisa ser especialista para antever a ampla desnacionalização de todos os segmentos dos transportes aéreos.

Aos poucos, desenha-se no horizonte o passo a passo macabro que levou ao sacrifício e humilhação de milhares de profissionais, com a irresponsável insolvência de um fundo de pensão e a consequente descrédito de todo o sistema em que se insere.

Esse horizonte, com certeza, não tem nada com a alma intrépida de Alberto Santos Dumont.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Varig, em busca de una fagulha de lucidez e respeito aos direitos humanos

Executivo e Judiciário protelam solução que resgataria os direitos de trabalhadores e aposentados do Aerus
Pedimos ao Vice-Ministro proteção da União aos nossos direitos, principalmente ao direito à vida que o próprio Estado está nos negando quando se recusa a reconhecer sua responsabilidade na tragédia VARIG/AERUS, que atinge mais de 40 mil pessoas, entre ex-trabalhadores da antiga VARIG, assistidos, participantes e pensionistas AERUS, Planos I e II VARIG”
Comandante Luiz Pereira, no relato da audiência que um grupo teve com o sub-chefe da Advocacia Geral da União.


Nestes tempos em que algumas fagulhas de lucidez atravessam a penumbra da inércia fatalista, cabe refrescar a cabeça dos cortesãos para um dos mais escabrosos atos já praticados nas barbas do governo, que demonstrou inegável cumplicidade com o golpe assestado contra a aviação nacional e, em especial, contra trabalhadores, aposentados da empresa mais enraizada no ramo, com prestígio no mundo inteiro e alta potencialidade competitiva em níveis internacionais.

Faz muito tempo que escrevo a respeito, com maior ou menor frequência. Escrevi muito antes do leilão-relâmpago de 2006, simbolicamente na data do nascimento de Santos Dumont, isto é num 20 de julho com as cores mórbidas das cartas marcadas, que selou a determinação mortífera, envolvendo Executivo e Judiciário, no que se pode chamar de verdadeira doação a um fundo de investimento norte-americano, representado por um chinês de maus hábitos.

Falo da Varig mais uma vez porque calar a respeito é crime. Falo, sobretudo, da mais preparada e mais homogênea corporação de profissionais altamente qualificados, responsáveis pelos melhores índices de segurança e desempenho conservados até mesmo nos seus estertores.

Essa trágica novela cujo fim parece ser de péssimo gosto tem muito a ver com a catarse política de hoje, em que o abuso no uso do poder em causa própria começa a se tornar insuportável e tem levado a conflitos surpreendentes, com risco para a própria forma marota de governabilidade, em voga desde priscas eras.

Uma trama sórdida e impiedosa

Porque o ato do governo federal na hora crucial, abandonando os trabalhadores à própria sorte e usando-os como cobaias de uma estranha lei de “recuperação das empresas” resultou claramente da intenção de desmontar o maior arcabouço nacional nesse mercado, favorecendo sem meias palavras interesses escusos, sustentados por lobistas da copa e da cozinha da corte.

O que aconteceu naqueles anos por determinação de um poder executivo hipócrita, que franqueia o BNDES a uma meia dúzia de empresas transnacionais, tomou forma de escândalo demoníaco a partir daquele 24 de março de 2009, em que a ministra Carmen Lúcia retirou da pauta o julgamento de uma ação da Varig, em nome de um acordo que deveria ter sido fechado em 60 dias. Passaram-se mais de 600 dias, não se falou mais em acordo, e o STF nada fez, porque parece em muitos casos um simulacro de Poder Judiciário.

Desde os primeiros capítulos, assistimos a uma trama sórdida, que mancha qualquer currículo político, pela natureza casada de suas cenas de perversidades: os trabalhadores ficaram sem seus direitos trabalhistas e os aposentados viram suas pensões evaporarem por conta da insolvência de um fundo de pensão que, em sendo autorizado e fiscalizado, tem o governo obrigatoriamente como seu fiador.

Em nenhum momento, em quase meia centena de artigos, eu tentei encobrir a irresponsabilidade dos administradores da empresa e do seu fundo de pensão, que foi inicialmente o fundo de toda a aviação comercial. Mas qualquer um sabe do caráter de uma empresa de transportes concedidos, de sua dependência de políticas públicas, como a que resultou na perniciosa defasagem tarifária, fonte dos desacertos que atingiram não apenas a Varig, mas também a Transbrasil e a Vasp.

A Varig, porém, sempre funcionou como um braço informal do governo, voando a seu pedido para aeroportos onde teria perdas e prestando serviços de toda natureza. Em 2002, quando fui ao Oriente Médio e à Espanha, foi mais fácil encontrar postos avançados da empresa (no caso de Telaviv, onde não pousava) do que de qualquer ente oficial.

Uma omissão imperdoável do governo

Quando a Varig começou a perder altura, não foi a única do seu porte. O 11 de setembro de 2001 levou à insolvência das grandes empresas dos Estados Unidos e Europa, todas, ao contrário da nossa, devidamente socorridas por seus governos.

Nessa época, já era de se esperar uma intervenção das autoridades aeronáuticas. No entanto, por coincidência, um bandido de carteirinha estava entrando no mercado com uma empresa sem qualquer apego ao escrúpulo e sem o menor respeito aos direitos trabalhistas e dos usuários de seus ônibus-voadores. Ele vinha de Brasília, em parceria com um governador corrupto e todos os vícios de um ambiente em que brilham os ladrões e espoliadores dos cofres públicos.

Desde aquela época, o governo tinha meios para impedir o débâcle da Varig, sugestões emanadas de seus próprios profissionais, que se dispuseram a assumir a empresa no que seria uma solução modelar para a época. No entanto, com a postura deprimente de um juiz todo poderoso, todos os que tinham poder se juntaram com o único objetivo de imolar a empresa, mesmo que isso custasse o sacrifício de milhares de profissionais, muitos dos quais vivem hoje numa espécie de exílio, trabalhando como pilotos nos quatro cantos do mundo.

As entidades dos trabalhadores da Varig ofereceram ao governo, através de várias autoridades, uma fórmula simples que injetaria combustível na empresa, preservava sua presença internacional e mantinha o mercado interno sob controle e responsabilidade de empresas nacionais, como é do próprio Código Aeronáutico.

No entanto, a máquina do poder foi direcionada deliberadamente para favorecer uma concorrente amiga e criar as condições para a entrega do nosso espaço aéreo a estrangeiras, como aconteceu na navegação de cabotagem.

A promessa de um acordo de metirinha

À falta de determinação política do governo, restou a expectativa do julgamento de um ação impetrada há quase 20 anos, na qual a responsabilidade do governo nos prejuízos sofridos tem sido reconhecida em várias instâncias e seria fatalmente no julgamento do STF, tal como aconteceu em 1997 em pleito idêntico impetrado pela Transbrasil.

No 24 de março de 2009, Executivo e Judiciário uniram-se para dar uma volta nos trabalhadores e aposentados, na falácia de um acordo possível, que não passava de uma artimanha para evitar o julgamento final de um processo, no qual seria gerada a pecúnia necessária ao ressarcimento dos beneficiários do Fundo Aerus, submetidos hoje a haitianas condições de humilhação e passando todo tipo de privação.

Neste momento, quando já se debitam quase 500 óbitos entre os aposentados ludibriados, não se vê mais do que jogo de cena, numa farsesca manipulação do que ainda resta de esperança entre as vítimas desse que é o maior desastre da aviação brasileira.

À falta de comando, alguns profissionais aposentados fazem das tripas coração para tentar tirar água da pedra. No último dia 6, o comandante aposentado Luiz Pereira e os comissários Antônio Melo, Edson Cardin, Ailton Ramos e Elizabeth Oliveira conseguiram conversar com o vice-chefe da Advocacia Geral da União, Fernando Luiz Albuquerque Faria. Lá, embora bem recebidos, ficaram sabendo que o governo tem umas contas bem diferentes das periciadas no processo e ainda acha que, ao invés de pagar, terá de receber da Varig, isto é, não haverá como abrir caminho ao resgate dos direitos dos beneficiários do Fundo Aerus. Essa mesma autoridade ainda disse que, se perder no STF, o governo remeterá a dívida para a longa fila dos precatórios, demonstrando não está nem aí para a rapina que vitimou os profissionais que tantos serviços prestaram ao país.

Ainda recentemente, no último dia 13, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, recebeu representante do Sindicato dos Aeronautas, acompanhada pelo senador Paulo Paim e pelo incansável advogado Castagna Maia, responsável pelas ações em defesa dos aposentados.

Mais uma vez se gerou uma réstia de esperança, prática muito comum que, no entanto, não tem dado em nada. Mas o senador Paim lembrou que é autor do projeto 147/10, que autoriza a União a cumprir seu dever institucional, isto é, indenizar os beneficiários do Aerus, providência que seria muito mais decente do que injetar uma grana preta para enriquecer ainda mais o dono do Pão de Açúcar e no socorro repetido às privatizadas que prestam péssimos serviços aos cidadãos e ainda contam com a generosidade do governo.

Você que não passa por esse sufoco tem de se incorporar a uma causa que hoje é de uma corporação, mas que, na inércia cristalizada, poderá se refletir em outros segmentos, inclusive no seu.

Falando de futebol: um vexame sintomático

O futebol é a maior paixão dos brasileiros, mas é também a grande mina de ouro dos picaretas especializados. O fiasco da seleção na Copa América, apesar de toda a festança midiática, entristece os apaixonados, mas não toca os donos da bola.


Desde há muito, o futebol vem sendo corrompido pela “globalização” que faz de cada atleta um mercenário cheio de si, cujo ego aberrante é explicitado em atitudes imbecis, como no exibicionismo do corte de cabelo mesclado com a indolência dentro de campo.

É nesse ambiente vexatório que estão gastando bilhões de reais com vistas à Copa do Mundo de 2014. Uma Copa, aliás, em que o brasileiro comum não terá como pagar os caríssimos ingressos cobrados.

O que aconteceu ontem no jogo com o Paraguai, quando nossos atletas devem ter entrado para o Guines na soma de pênaltis perdidos, é absolutamente sintomático. Ali, a corrupção também faz seus estragos.

E o brasileiro vai perdendo mais uma referência em sua vida.

domingo, 17 de julho de 2011

O que você não sacou ainda: as UPPs protegem os traficantes de “invasão inimiga”

Com seus chefes poupados, eles não precisam mais exibir armas para vender drogas no “sapatinho”

Mesmo com a presença do Exército, ONG foi assaltada no Complexo do Alemão. Na foto de O GLOBO aparecem acima bondinhos do teleférico.

A nossa meta lá dentro (da UPP) não é acabar com o tráfico de drogas. Onde tiver viciado e renda, vai ter drogas. Tem aqui, em Paris, em Londres. O que não dá é para isso ocorrer aos olhos do Estado”.
José Maria Beltrame, secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro.

“Crimes típicos do asfalto e que antes não aconteciam no Morro do Adeus, em Ramos - em razão da ditadura imposta pelos traficantes -, ameaçam agora os moradores da comunidade, ocupada pela PM desde novembro. Na manhã de sexta-feira, três homens armados de revólveres invadiram a sede da ONG Raízes em Movimento , na Rua Diogo de Brito, renderam três pessoas que estavam trabalhando, incluindo uma francesa, amarraram as vítimas e as trancaram numa sala, enquanto saqueavam o lugar. Os criminosos roubaram computadores, telefones, quatro máquinas fotográficas e objetos pessoais dos funcionários, além de dinheiro. Segundo diretores da ONG, que oferece cursos a moradores, o prejuízo foi de cerca de R$ 40 mil”.

Essa notícia, publicada em O GLOBO deste sábado, é apenas um mostra da grande farsa montada pelo governador Sérgio Cabral Filho, numa operação de marketing político bem sucedida, que engabelou a maioria da população fluminense e teve repercussão internacional. A idéia de irradiar uma SENSAÇÃO DE SEGURANÇA vingou com a instalação de “Unidades de Polícia Pacificadora” em comunidades por si criminalizadas no inconsciente coletivo.

De algum forma, os cidadãos do asfalto sentiram um certo alívio, imaginando que o governador fluminense havia cravado uma lança mortal no coração da violência urbana. Houve até elevação dos preços de imóveis nas áreas próximas às comunidades pacificadas e a mídia se encarregou de vender a idéia de que os traficantes bateram em retirada, indo buscar cobertura nas áreas “não libertadas”.

Isto porque, em todas as ocupações, sem exceção, a polícia não prendeu ninguém da hierarquia do tráfico. No Complexo do Alemão, onde se deu a intervenção mais rocambolesca, descobriu-se que a própria polícia facilitou a evasão dos bandidos. Alguns saíram das áreas ocupadas a bordo caveirões, conforme denúncia levada à Corregedoria da PM: esses veículos blindados teriam feito o traslado em mais de uma viagem entre o Complexo do Alemão e o Morro do Chapadão, em Costa Barros, a 30 Km dali.

Não é pequeno o número de pessoas “bem informadas” que acreditam num acordo tácito entre o governo do Estado e os chefes das áreas “pacificadas”, que trocam o exibicionismo de seu armamento pela venda discreta das drogas.

Protegidos pela presença policial

Os traficantes postam suas armas junto às suas “bocas de fumo” para impedir que “alemães” de outras facções ou quadrilhas tentem apoderar-se dos seus pontos. Com a “Polícia Pacificadora”, ganham uma proteção de “responsa”, porque essa presença militar vira uma barreira protetora do próprio poder público.

Em outras palavras, sem exagero: o efeito colateral mais visível da permanência de centenas de policiais nas 17 comunidades “pacificadas” é a prestação de proteção aos bandos locais, que compensam com o bom comportamento e sabe Deus mais o quê.

Já os usuários correm risco de serem traídos pelos próprios traficantes. Na quarta-feira, 18 de maio, dois editores de imagem da Tv Record aproveitaram um intervalo no seu trabalho nos estúdios de Vargem Grande e foram comprar cocaína na Cidade de Deus, 12 km distantes. Na volta, por alguma razão, já perto da emissora, foram parados e revistados por uma patrulha da PM, que encontrou a droga em pequenos tubos plásticos transportados por eles.

Em dezembro passado, o repórter Arthur Guimarães, enviado do site UOL, constatou que na Cidade de Deus o mercado de drogas mantém-se nos becos, sob o comando dos chefes Carlos Henrique dos Santos, o Carlinhos Cocaína, e Julio César dos Santos, o Julinho CDD.

“Ao circular pelas ruas da apelidada CDD (Cidade de Deus), é difícil encontrar um morador que não afirme que a venda de entorpecentes ainda aconteça nas vielas ou nas regiões dos conjuntos habitacionais erguidos na década de 60.

O próprio comandante da UPP local, o capitão da Polícia Militar José Luiz de Medeiros, 30, admite que o trabalho iniciado com instalação da unidade ainda não conseguiu acabar o tráfico gerido pelo Comando Vermelho (CV). “Microtraficantes a gente prende quase todo dia”, disse ele” – escreveu.

Moradores reféns e criminalizados

Para os moradores dessas áreas ocupadas por tropas policiais o clima de reféns parece mais evidente, na medida em que perderam o gozo de certas normas, que impediam assaltos para “evitar sujeira” e manter a comunidade “sob proteção” e ainda passam um tremendo perrengue porque, de fato, a “rapaziada” continua em atividade.

Na manhã do dia 4 de maio, um comerciante da favela Nova Brasília, uma das mais populosas do Complexo do Alemão, foi executado por traficantes por reclamar da venda de drogas na porta do seu estabelecimento. Apesar da presença ostensiva de militares do Exército, seus familiares ainda foram obrigados a sumirem de lá.

Nessa farsa da “polícia pacificadora” a população do asfalto não sabe da missa um terço, até porque a mídia, com raras exceções, sempre abraça a versão dos policiais e, na prática, não chega nem na vizinhança dessas comunidades, ao ponto de confundirem como favelas conjuntos habitacionais como Cidade de Deus, Antares e Nelson Mandela – os dois primeiros construídos pelo Estado e o último pela Prefeitura.

Sensação de Segurança” e lavagem cerebral

A SENSAÇÃO DE SEGURANÇA é de fato uma bolha que se alimenta da própria idealização negativa das favelas – onde milhares de trabalhadores moram porque os míseros salários não dão para pagar moradia, luz e água, despesas que abatem ao se refugiarem nesses guetos.

O cidadão do asfalto levou uma verdadeira lavagem cerebral de criminalização da comunidade pobre como um todo. Daí achar que encurralar seus moradores é a garantia de que o Estado estanca as ações criminosas. Esse cidadão não perdoa Brizola por ter exigido que a polícia respeitasse a dignidade dos moradores do morro, adotando em relação a eles os mesmos procedimentos conferidos aos demais.

Além disso, Brizola ainda teve a audácia de tentar regularizar a posse dos barracos nas favelas, onde implantou mais de 70 CIEPs (outrora escolas de tempo integral).

Para esse cidadão envenenado “favelado bom é favelado encurralado”, mesmo que sua empregada, seu porteiro, 25% dos empregados de carteira assinada e trabalhadores informais ou a massa da construção do seu futuro prédio venham da favela.

Numa concepção estratégica, as UPPs são um desastre na política de segurança. Só não vê quem não para refletir. Esses 12 mil policiais que o governador Cabral Filho pretende instalar em 40 comunidades até 2014 seriam muito mais úteis se usados na proteção dos cidadãos nas ruas, onde realmente é vulnerável: para combater o tráfico de verdade, qualquer palpiteiro sabe que o melhor caminho é o dos serviços de inteligência, chegando às bocas de fumo quando menos se espera.

As UPPs são meras peças do ilusionismo governamental, utilizando uma sigla que se afigura a panacéia da segurança. Tal é esse verniz que agora o Estado fala em implantar uma no Complexo da Maré, para onde em 2003 transferiu o quartel do 22º Batalhão da PM, com 800 oficiais e praças “treinados para atuar na comunidade, que abriga cerca de 132 mil habitantes” – segundo release distribuídos à época pelo comando da corporação.

Como as UPPs caíram na simpatia desatenta da população, ninguém se arrisca a mostrar sua verdadeira face. A paranóia geral fragiliza a capacidade de raciocínio de quem acompanha o noticiário diário da violência urbana na grande cidade: ou já foi vítima ou teme ser a próxima vítima da roda viva da bandidagem.

Segundo estudo da Secretaria Estadual da Fazenda, o tráfico movimenta por ano  na cidade do Rio de Janeiro até R$ 630 milhões e o consumo chega a 90 toneladas de maconha, 8,8 toneladas de cocaína e 4,2 toneladas de crack.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Se não tinha dinheiro para salvar a Varig, como pode ter para favorecer o multibilionário Abíio Diniz?

A notícia de que a presidente Dilma mandou o BNDES fechar o cofre para outra grande tacada do bilionário Abílio Diniz, na anunciada fusão do seu grupo com o Carrefour, foi um alívio.

Independente dos motivos alegados, se o BNDES desenbolsar mais de 4 bilhões para facilitar o negócio entre esses grupos econômicos, Dilma estaria mordendo a língua.

No caso da Varig, a mais tradicional companhia aérea do Brasil, o governo de que ela participava tirou o corpo fora - e até hoje se nega a um acordo sobre uma dívida - alegando que a empresa, estratégica para o Brasil, era privada.

Aquela omissão imperdoável aconteceu porque setores do governo queriam favorecer sua principal concorrente - a TAM - interessada em suas linhas. Hoje, há milhares de ex-funcionários da Varig no maior aperto e a aviação brasileira campinha para o oligopólio e a desnacionalização dos nossos vôs internos por culpa dessa postura indefensável do governo Lula.

Seria agora uma piada de mau gosto ver dinheiro do banco público servindo para aumentar ainda mais a fortuna do sr. Abílio Diniz.

Corruptos deitam e rolam, mas não aguentam a rebordosa

Dilma pega uns e manda recado aos outros:  ela é presidente de fato e de direito

Dilma: ser presidente é mais do que posar com a faixa

“Num estado democrático existem duas classes de políticos: Os suspeitos de corrupção e os corruptos”.
David Zac, bispo de Kampala, Uganda.

No episódio do Ministério dos Transportes, a presidente Dilma Rousseff parece que vai pular mais uma fogueira sem chamuscar-se nesse emaranhado torpe que faz do chefe do governo refém de bandos parlamentares dedicados exclusivamente à causa própria, numa rapina irrefreável de efeitos catastróficos para as instituições republicanas.

Ela não tem nem 200 dias à frente do governo e parece querer resgatar os valores morais essenciais da gestão da coisa pública, pondo em risco o seu próprio pescoço.
Até outro dia, o jogo do poder, em todas as administrações, de todos os partidos, vinha sendo marcado pela absoluta falta de recato, por uma voracidade insaciável e inconsequente.

Ressalve-se, por oportuno, que as práticas detectadas na área dos Transportes não são exclusivas desse Ministério, entregue de porteira fechada a um partido, em nome da governabilidade. Difícil será encontrar nesse ambiente degenerado que permeia a vida pública hoje, em todos os entes, alguma ilha de lisura.

Espelho de uma sociedade permissiva

O desvio de conduta dos políticos é, de fato, o espelho de uma sociedade inteira que vem se habituando perigosamente ao convívio com golpes de toda natureza. Como já escrevi aqui, nesse carnaval de trambiques, os maus elementos maiores operam nos grandes oligopólios, à sombra, em tacadas de esperteza, inflando suas fortunas pelo abuso de fraudes, sonegações e trapaças imperceptíveis.

O Estado é mais vulnerável pela própria transitoriedade do poder. Muitas dessas vestais de araque que se exibem hoje  como zeladoras do nosso dinheiro não passam de farsantes empavonados, sem a menor autoridade moral para posar de bons moços.

Porque eles próprios, quando no poder, cometeram crimes de lesa pátria sem qualquer constrangimento, privatizando nossas empresas estatais a preços de banana, e favorecendo sempre a empresários amigos.

Mandatos obtidos a peso de ouro

Todos têm o mesmo comportamento quando estão no poder porque até as melhores cabeças acreditam piamente que fora desse jogo não há governo que se sustente. A idéia de governabilidade  numa democracia representativa é eivada de todos os vícios, começando pelo processo de escolha dos mandatários: estes investem fortunas em suas campanhas eleitorais e a massa acrítica e acuada acaba votando no que tem mais dinheiro para se tornar mais visível, fazer favores pessoais ou esmerando-se no uso abusivo das máquinas oficiais.

Pode-se dizer que os mandatos parlamentares, em sua maioria, são comprados a peso de ouro, numa afronta a princípios elementares da representação. E não é só o mercado de leilões eleitorais que facilita a vitória de candidatos saídos das elites minoritárias.
O modelo de voto eletrônico no Brasil é aliado preponderante da tramóia que transforma picaretas e testas de ferro dos grupos econômicos em maiorias no Congresso. Até hoje, a Justiça Eleitoral resiste à impressão do voto, tornando sua conferência impossível. Da mesma forma, a implantação do voto biométrico, que impede alguém de votar por outro, vem ocorrendo em doses homeopáticas: em 2012, usarão suas digitais nas urnas apenas 1 milhão de eleitores, de um total de 135 milhões. Nenhum deles é do Estado do Rio (coincidência?).
A mudança que não mudou nada

Esse Congresso que está aí encurralando o poder executivo, impondo o fatiamento da administração para servir a seus interesses, não é, pois, legítimo representante da maioria do nosso povo, embora, ironicamente, possa exibir um turbilhão de votos obtidos por conhecidos transgressores dos bons costumes.

Era de se esperar que a vitória de um metalúrgico que havia contado 300 picaretas no Congresso abrisse caminho para reverter essa relação deletéria que faz da corrupção a base doutrinária da governabilidade. À primeira vista, ele não tinha o currículo comprometido de seus antecessores. E esbanjava o talento suficiente para investir em novos hábitos administrativos.

No entanto, para a frustração de muitos dos seus seguidores, rendeu-se ao sistema, dando continuidade à política econômica neoliberal e assimilando os mesmos truques abomináveis, com a formação de uma base aliada regada a pepitas mensais.

No ambiente das raposas

A indicação de Dilma Rousseff só foi possível, porém, pela a determinação de Lula de dar uma demonstração de forças na sucessão, passando por cima do próprio PT. Mulher, com o passado juvenil envolvido em sonhos que lhe valeram dois anos e meio de cadeia, ela simbolizava um resgate histórico de alcance profundo, levando as velhas elites a engoli-la. Mas seria, antes de tudo, a candidata do Lula.

Para consumar essa novidade, ele trabalhou igualmente na mesma linha viciada de alianças com qualquer um, absorvendo e até fortalecendo corruptos conhecidos. É de se admitir que esse foi o preço que pagou para elevar à condição de presidenciável alguém sem folha corrida eleitoral e até mesmo sem o sacramento partidário.

A composição do governo da presidente Dilma refletiu esse arco  dominado pelas velhas raposas e manteve referenciais de um longo continuísmo: Sarney permaneceu dando as cartas (o que faz desde 1964) e a malandragem meteu a mão na massa. O que Dilma poderia fazer, senão entrar na dança?

Era pegar ou largar

Sua condição de mandatária sem qualquer prova nas urnas seria mamão com açúcar para o controle total do poder, pensavam as ratazanas. Os ministérios foram distribuídos a retalho em que cada grupo levava a peça  inteira, induzindo cada um a se achar dono absoluto do seu pedaço, diante de uma "presidente fraca".

Essas raposas inescrupulosas não contavam com a astúcia da presidente. Ela sabia que se não assumisse de fato a chefia do governo ia acabar condenada a endossar  as peripécias sinistras dos donos dos cargos, limitando-se a ser uma figura decorativa.
Sabia também que tudo tem limite. Pode-se até admitir que a corrupção e o tráfico de influências são inerentes ao poder. Mas não se pode esconder que o abuso dos corruptos torna insustentável o próprio regime.
Pagando para ver
Nesse momento, a presidente paga para ver, livrando-se sumariamente de alguns bolsões de maus elementos. O desafio que  fez a um grupo, nomeando o novo ministro  sem as bençãos dos seus cardeais, vai alcançar a toda a malha do poder retalhado.

Esse lance do Ministério dos Transportes não foi o primeiro no tenso tabuleiro de Brasília. Antes mesmo de tomar posse,ela deu um fora no governador Sérgio Cabral Filho, que anunciou por conta própria o seu secretário como o novo ministro da Saúde. Nos temporais da região serrana, passou outro pito nele, por estar sempre fora do país nas horas difíceis, mostrando que teria um convívio difícil com ele.

Nos primeiros dias de janeiro, também abortou a compra de caças franceses, que já parecia definida num acerto envolvendo cachorros grandes.

Depois, afastou o seu ministro da Casa Civil, influente petista, pondo em seu lugar uma senadora em seu primeiro mandato político e surpreendendo meio mundo. Além disso,  fez as outras mudanças conforme sua visão de governo, à revelia dos palpiteiros.
Com sua cultura política, ela sabe que é no começo do governo que tem de demarcar seu espaço e tornar explícita sua visão do poder. E logo percebeu que os corruptos são audaciosos, mas não aguentam uma rebordosa. Movem-se com desenvoltura quando não encontram empecilhos. Ao primeiro tranco, perdem o rebolado e põem o rabo entre as penas.

Só espero que a presidente não se assuste com os blefes do crime político organizado. Se for para dar um chega pra lá nessa corja de maus políticos, terá o respaldo do povo e este acabará por readquirir a confiança nas instituições, policiando-se mais na hora de dar o seu próximo voto.
Pedro Porfírio

Autorizada reprodução da matéria, identificada sua autoria.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Um governador de meia boca sob o fantasma das lesões causadas ao Estado

Renúncias fiscais levianas e favorecimentos a Eike e a empreiteiras minam a autoridade de Cabral Filho
No gráfico da FOLHA DE SÃO PAULO, você tem uma idéia do rombo causado por isenções de impostos absolutamente indefensáveis.

“O senhor Eike Batista ganhou, durante o governo Cabral, R$ 75 milhões em isenção. Aí, ele vem com a cara de pau mais lavada do mundo dizer que não tem investimentos. Ele faz o que quiser com o dinheiro dele, eu não estou preocupado com o dinheiro dele, mas com o público. E preocupado com o governador do Rio de Janeiro viajando no jato particular do empresário que foi um dos financiadores de sua campanha”.
Deputado Marcelo Freixo (PSOL)

Sérgio Cabral Filho foi despido, exposto de corpo e alma, cabisbaixo e sem ter como se explicar. As vísceras à mostra expõem toda a podridão de uma nudez insólita e atrevida. Nunca, jamais, em tempo algum, se viu neste país um administrador tão generoso com o dinheiro do erário. Gentilezas inacreditáveis com alguns empresários, em contraste com o tratamento dispensado aos funcionários, à educação e à saúde.

Só um lunático, alguém sem qualquer referência de lucidez, seria capaz de tratar os funcionários do Estado a pão e água, agredir seus médicos, chamando-os de vagabundos; vilipendiar sobre seus professores, menosprezar seus adolescentes, tratando-os como otários; agredir seus bombeiros, taxando-os de vândalos, enquanto disponibiliza dinheiro público, o nosso dinheiro, para todo o tipo de favorecimentos, incluindo isenções a termas (prostíbulos refinados) e a outras atividades mundanas, sem falar das benesses fiscais e até do uso das forças policiais para favorecer o meteórico multibilionário Eike Batista, expulsando de suas próprias terras 4 mil lavradores, em desapropriações arbitrárias no entorno do Porto de Açu, São João da Barra.

Ao longo de sua vida pública, Serginho nunca foi de dar ponto sem nó. Mas seus atos se tornaram mais arrogantes e insolentes a partir da posse como governador do Estado do Rio, em 2007, quando se dedicou ao mais leviano uso indevido do já combalido erário fluminense: as isenções de impostos concedidas a 5 mil estabelecimentos de 2007 a 2010 atingiram a R$ 50,1 bilhões, quase a metade da receita tributária estadual de R$ 97,7 bilhões ou o equivalente às despesas com os 420 mil servidores ativos e inativos do Estado no mesmo período.

Levantamento do JORNAL DO BRASIL revelou que entre as grandes empresas beneficiadas com as isenções, cinco puseram dinheiro na campanha de Cabrail Filho e oito na campanha do PMDB em 2010.  Essas doações somaram R$ 7.213.000,00.
"Somente em 2010, a Gerdau Comercial de Aços teve R$ 4,806 milhões em isenções, dispensas e reduções de pagamento de impostos no Rio. A empresa doou diretamente à campanha de Sérgio Cabral R$ 200 mil e também colaborou com outros R$ 300 mil para o comitê financeiro do PMDB do Rio de Janeiro durante as eleições de 2010.
A construtora Queiroz Galvão foi a segunda maior contribuinte da campanha peemedebista no ano passado, tendo doado R$ 800 mil a Cabral, e R$ 1, 11 milhão para o PMDB do Rio. A empresa teve uma redução de impostos de R$ 4,250 mil no mesmo ano. Outros três consórcios envolvendo a empresa também ficaram isentos: juntos, Queiroz Galvão-Iesa, Queiroz Galvão-Iesa Plangas e Galvão-Alusa-Tomé tiveram uma redução de impostos no ano de R$ 910,121 mil.
A empresa holandesa SHV Gás Brasil Ltda., representante brasileira da maior distribuidora privada de gás LP do mundo, doou R$ 200 mil diretamente à campanha do governador. Só em 2010, a companhia recebeu R$ 193,9 milhões em isenção fiscal".
Enquanto estabelecia uma paradisíaca ponte aérea com Paris, pela qual só nos três primeiros anos de mandato já havia passado 158 dias (mais de 5 meses) fora do país, operava uma estranha “parceria público-privada”, capitaneada pelo amigo Eike ( o senhor dos anéis) e envolvendo em outra frente sua (ex) mulher Adriana Ancelmo, como no caso da prorrogação por mais 25 anos da concessão do Metrô, e da Supervia (trens urbanos) das quais ela, outrora uma inexpressiva assessora na Assembléia, se fez advogada, como de outras tantas empresas com interesses ligados direta ou indiretamente ao Estado.

A festa trágica não foi a única

Nessa promiscuidade ampla, geral e irrestrita, prestadores de serviço, doleiros, sonegadores e elementos da escória moral que se movem nos labirintos da corrupção explícita se tornaram seus parceiros de mesa e de atos inconsequentes, como a bebedeira em pleno sambódromo, com imagens transmitidas para o mundo todo. A festinha de Trancoso, que culminou com a tragédia do helicóptero pilotado por um irresponsável, não foi a única farra que pôs figuras tão escabrosas na copa e cozinha de um governador imaturo e deslumbrado. Mas foi emblemática por si, arrancando-lhes as vestes e remetendo a todo tipo de suposições sobre suas incontáveis viagens ao exterior.

Afinal, ele já está no sexto ano de um governo que é exercido de fato por um preposto, personagem medíocre e sem expressão, alçada ao Palácio para ser o elo com o antecessor, de quem ambos se livraram antes mesmo da posse, para montar o próprio eldorado. Nesses seis anos, Sérgio Cabral Filho deve ter aprontado poucas e boas, valendo-se de um rolo compressor na Assembléia Legislativa e de um leque de cortesias a quem poderia formalmente questionar-lhe o desprezo pelo recato.

Quando agora, desnudado pela tragédia, simula o mais contrito arrependimento e até oferece normas inspiradas no seu mau comportamento, Sérgio Cabral Filho demonstra total desprezo pela inteligência alheia.

Um código que chove no molhado

Zomba dos otários, que a seu juízo devemos ser todos nós, em sua tentativa de produzir uma cortina de fumaça - o novo código de conduta que não encerra qualquer fato novo, pois os delitos compilados ali constam em diversos textos legais, inclusive do Artigo 37 da Constituição Federal (parágrafos 4º ao 7º), da Lei 8429/92, (artigos 9,10 e 11) de 2 de junho de 1992 (e do Estatuto do Servidor do Estado do Rio de Janeiro (artigo 40 do Decreto-Lei 220, de 2 de junho de 1975). Há também o paradigma do Código de Ética do Servidor Federal (Decreto 1.171, de 22 de junho de 1994, especialmente o seu inciso XV).

Ao elaborar esse novo código restritivo no último quarto dos seus 8 anos de mandato, ele espelha o seu próprio comportamento e criminaliza tudo o que fez até agora, acreditando que a barreira do tempo e dogmas do Direito limitem a punibilidade ao daqui para frente, anistiando implicitamente relações promíscuas com empreiteiros, prestadores de serviços ao Estado e beneficiários de sua longa lista de isenções de impostos.

Olhando bem, não há a menor diferença entre suas traquinagens e às do governador de Brasília, José Roberto Arruda, preso, cassado e demolido politicamente por conta de um vídeo em que aparece recebendo grana de um auxiliar inescrupuloso, intermediário das propinas lá.

Só na viagem às Bahamas, mais uma vez no jato exuberante do empresário Eike Batista, Cabral deixou de gastar especificamente no transporte de seus nababos mais R$ 600.000,00, conforme cálculo do colunista Ricardo Noblat, que fez mais revelações em sua matéria de segunda-feira, dia 4, sob o título Nas Asas de Eike, entre elas a de que seus alegres familiares e amigos pagaram diárias de U$ 800,00 no luxuoso hotel Atlants, de 6 estrelas, em Nassau.

Nenhum ente de Estado comporta o comando de alguém que reconhece como punível seu comportamento pretérito no exercício do cargo e imagina virar a página num abrir e fechar d’olhos. Se para cassar uma deputada federal há doutrinas que a penalizam por atos anteriores ao exercício do mandato, o mesmo há de se aplicar com maior nitidez em atos cometidos no exercício do mandato de governador, mesmo anteriores a um decreto recente, de sua própria lavra, já capitulados em legislação análoga.

No caso específico, a fieira de desmandos e atos lesivos ao erário público não será afetada. Os R$ 50,1 bilhões que beneficiaram a empresas de toda natureza, como 6 motéis,as termas Solarium e Monte Carlo, o salão Werner Coiffeur (frequentado pela primeira dama), os R$ 75 milhões para o amigo Eike, incluindo isenção até para iate e restaurante chinês de sua propriedade, continuarão fora do alcance dos cofres do Estado, que alega não ter fundos para pagar decentemente seus bombeiros e e profissionais da Educação e Saúde.

Aos amigos, tudo, que o diga a Delta

Até agora, só tratamos de isenções fiscais. Mas ainda está por ser levantado em detalhes o grosso dos atos de favorecimentos e superfaturamentos, que se refletem na ação deletéria de empreiteiras como a Delta, de Fernando Cavendish, companhia inseparável do governador. Essa empresa, que passou a trabalhar para o Estado há menos de 15 anos, desbancou concorrentes tradicionais e tornou-se ostensivamente a preferida no governo Sérgio Cabral Filho, especialmente nas emergências, com dispensa de licitação, quando o Estado contrata quem escolher e paga o que quiser.

Se esse avião falasse...Como disse o Eike, ele empresta a
quem quiser, especialmente ao amigo Cabral Filho.
Levantamento assinado pelos repórteres Carla Rocha e Rubem Berta em O GLOBO revela que de 2007 até hoje, os contratos da empreiteira do amigo com o governo do Estado somam R$ 1 bilhão, boa parte dos quais em obras não licitadas.

De janeiro a novembro do ano passado, fazendo-se um recorte específico nos dados da Secretaria estadual de Obras, constata-se que a construtora teve no período empenhos de R$ 128 milhões do órgão, sendo que R$ 74,9 milhões (58,9%) foram com dispensa de licitação. Entre os contratos emergenciais em 2010 estão, por exemplo, a reforma do prédio-sede do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), no Centro do Rio” – escreveram, assinalando ainda:

Além da falta de concorrência, outras questões polêmicas, como o reajuste de valores de obras, envolvem a Delta. Recentemente, a reforma do Maracanã, inicialmente orçada em R$ 750 mil, foi reajustada para R$ 1 bilhão”.

E olha que o Maracanã havia consumido R$ 100 milhões em obras de reforma estrutural em 1999 e outros R$ 200 milhões em 2007, para os jogos pan-americanos.

Estamos diante de tantos elementos de suspeitas que não dá para escamoteá-los com medidas diversionistas: o governador perdeu virtualmente sua autoridade e sobre sua cabeça rondará o fantasma de suas práticas abomináveis, agora do conhecimento de toda a população, principalmente dos seus subalternos.

Até sua insistente pressão para favorecer Eike Batista e algumas construtoras com a privatização do Aeroporto do Galeão deve ir de água abaixo. Em seus próximos dias, Sérgio Cabral Filho terá a sua capacidade de iniciativa minada em questões de toda natureza, desde o lobismo indevido até causas pertinentes, como a guerra dos royalties do petróleo.

Teremos um governador de meia boca, por assim dizer.

Permitida a reprodução e repasse desta matéria, desde que informada a sua autoria.

Brasileiro é solidário na gripe: eu que o diga

Você não tem idéia do número de mensagens que recebi de todo o país – algumas do exterior – manifestando preocupação e desejando pronta recuperação da gripe que me prendeu à cama até agora. Recebi indicativos de tratamento, conselhos amigos, ofertas de consulta médica e até de um medicamento importado que poderia abreviar a infecção.
Guardei todas as mensagens para responder de uma vez só. Mas quero desde já expressar o meu reconhecimento público a quem se mostrou tão generosamente solidário na minha gripe braba. A coletânea dessas mensagens é uma prova cabal da sobrevivência de sentimentos nobres e profundos entre nós, brasileiros.

Muito obrigado. A gripe, antes de nos separar, aproximou-nos ainda mais.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Antes que a gripe nos separe

Estou levantando da cama para escrever algumas poucas linhas. É o que posso, agora. Desde o domingo, 26 de junho, fui acometido de forte gripe, embora TIVESSE TOMADO A TAL VACINA no posto de saúde de Jacarepaguá.

Como em outras oportunidades, supus curar-me com os mesmos medicamentos – vitamina C, apracur, um xarope e pastilhas de flogoral.

A gripe resistiu. No meio da semana, saí para resolver um problema na obra da  minha futura sala, perto da minha casa.  No sábado, dia 2, sentindo-me melhor – e já sem tosse – fui a duas festas juninas – da minha querida Lauro Muller, onde em 1975 fundamos a primeira associação de moradores de classe média do Rio de Janeiro, e, ali perto, ao arraial do PSOL, onde fui dar um abraço num dos políticos mais íntegros com quem convivi, o vereador Eliomar Coelho, por coincidência, cearense, como eu. Por motivos alheios à minha vontade, não havia ido à festa dos seus 70 anos, semanas atrás.

Passei no máximo 40 minutos em cada festa para não “forçar a barra”.

Cheguei em casa de novo em petição de miséria. A tosse voltou e o corpo só pedia cama.

Devo dizer que na terça-feira pensei em recorrer ao bactrim, mas agora esse medicamento só pode ser vendido com receita médica. Qualquer remédio que tenha antibiótico, mesmo uma pomada, só com receita médica.

Tenho plano de saúde, pelo qual pago os olhos da cara. Mas não se consegue marcar uma consulta médica em menos de 15 dias. Logo, se depender desses médicos, não terei a consulta em tempo hábil com a receita devida.

Podia ir tentar o Cardoso Fontes, um hospital público que tem uma excelente equipe de profissionais. Mas gripe não é emergência, até segunda ordem. Imaginei igualmente que mais de mil pessoas recorrem ao atendimento desses profissionais dedicados. Desisti.

Creio que com um pouco de paciência, cama e vitamina C, estarei de novo em forma nos próximos dias. Minha gripe é gripe mesmo, tenho certeza. Não tem nada com aquela que matou inexplicavelmente Carlos Lacerda em maio de 1977, em seguida à morte por envenenamento de João Goulart, em dezembro de 1976, e do “acidente” que matou Juscelino Kubitscheck em agosto do mesmo ano.

Estou escrevendo estas mal traçadas linhas do meu quarto para que você não pense que estou fugindo da raia. Tem muita indignidade na praça, e eu, mesmo sabendo do curto alcance dos meus petardos, não posso me omitir.

Por hoje, gostaria apenas de lembrar a situação dos professores do Estado do Rio, que ganham uma miséria, enquanto rola grana nos cofres estaduais para empreiteiros e campeiam renúncias fiscais por todos os lados. Eles estão em greve porque um professor no Rio não ganham nem o piso nacional.

Nós devemos aos profissionais da educação a mesma calorosa solidariedade que foi fundamental para levar o governador a admitir que foi infeliz ao chamar os bombeiros de vândalos. Infelizmente, aliás, além das anistias votadas, aumento decente que é bom, necas.

Quero ter a saúde plena de volta para escrever sobre tudo, sempre com a consistência de que pretendo revestir meus textos. ´ Se fosse só para atividades físicas, até daria, moderando os movimentos. Mas nem ao meu futebol pude pir, e esse é o úncio exercício que faço. Por outro lado, para escrever, com a responsabilidade que cristaliza a credibilidade, é preciso um clima inspirador: o primeiro dano que a gripe nos causa é tornar a cabeça mais pesada, prejudicando o raciocínio. Ou estou exagerando?

Por favor, espere um pouco. O máximo que consegui foi este texto corrido, que dedico aos que partilham das minhas matérias.
Mesmo com o quarto fechado, ainda preciso estar agasalhado.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.
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