terça-feira, 28 de junho de 2011

O MORRO PEDE A PALAVRA: Você não pode deixar de ver esse vídeo

No depoimento de um líder comunitario tudo aquilo que a mídia omite
O importante é ver o vídeo clicando em http://www.youtube.com/watch?v=iW_FqStW6D8


Nesse sábado, dia 25, voltei à favela do Jacarezinho, que conheci em 1975, em plena resistência conta a ditadura. Nessa época, os bairros do Jacaré e Maria da Graça, onde fica a comunidade, formavam o principal parque metalúrgico do Rio de Janeiro.

Os grupos mais politizados participavam da Chapa Amarela. Alguns jornais diziam ser aquele o “Moscozinho brasieiro”. Só a General Eletric empregava mais de 7 mil operários, boa parte morando ali mesmo, na vizinhança separada por um muro com portão de acesso direto.

A partir de 1982, passei a conviver mais assiduamente com aqueles moradores, primeiro como coordenador das Administrações Regionais da Zona Norte. Depois como Secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio de Janeiro, cargo que ocupei por duas vezes.

Embora fosse uma das 450 comunidades atendidas pela SMDS, o Jacarezinho sempre me impressionou pela lucidez de algumas lideranças. Mesmo com a decadência do parque metalúrgico, que se tornou obsoleto, essa comunidade sobreviveu como referência, inclusive em nível de escolaridade.

Graças à minha atuação, tanto no Executivo como no Legislativo, o Poder Público se fez presente, principalmente no governo Brizola, que implantou dois CIEPs e várias escolas menores. Coube a mim a instalação de creches e programas voltados para o crescimento dos jovens.

Um convênio com o Banco do Brasil, em 1990, garantiu o recrutamento de 600 adolescentes favelados, 200 dos quais do Jacarezinho. Durante o tempo e que acompanhava de perto, nunca ouvi uma queixa do banco. Muitos desses jovens hoje estão bem encaminhados profissionalmente, alguns fizeram faculdades.

Minha maior obra foi a canalização do rio Jacaré, que acabou com as enchentes lá. Desde a década de 70 o BID havia disponibilizado U$ 1,8 milhão dólares para essa obra, para a qual a Prefeitura entraria com 20% das despesas totais.

Mesmo com esses recursos, os governos não sabiam como ou não tinham vontade política, já que o projeto implicava na remoção de centenas de casas da beira do rio. Refiz o projeto, reduzindo de 40 para 15 metros do centro do rio a faixa atingida e negociei com a Riourbe a construção do Conjunto de 900 casas-embriões que denominei Nelson Mandela, nas proximidades. Depois, ao lado, fiz o Conjunto Samora Machel, que chamam hoje de “Mandela-2”.

Para enfrentar o problema da falta d`água, já como vereador, fiz emenda para o projeto Favela-Bairro construir no alto d morro um reservatório de 1 milhão de litros.

E fiz muitas outras coisas que seria enfadonho relacionar.

A partir de 2009, quando, já sem mandato, meu corpo não respondia aos desafios de longas caminhadas no morro – sou obeso, como todos sabem – recolhi-me quase exclusivamente ao computador, oferecendo minhas opiniões pela internet.

Achava que já havia dado minha contribuição as causas em que acreditava.

Contudo, dezenas de pessoas têm reclamado da minha ausência nas grandes lutas. Eu mesmo sinto que estar na batalha me dar vida e prazer.

Com uma população estimada de 80 mil de habitantes, a segunda maior favela do Rio de Janeiro tem cerca de 60 ruas e becos, mais de 800 estabelecimentos comerciais. Tinha estado no dia 11 na localidade chamada Esperança, no meio do morro. Nessa visita do dia 25, entrei pela Av. Dom Helder Câmara e fui até a Praça da Concórdia, onde a Prefeitura construiu na administração passada o que seria o irradiador de uma CÉLULA URBANA. Nessa, contou com dinheiro de uma fundação alemã.

Convidei o professor Marcos Vilaça, dirigente do PSB, e subsecretário de Ciência e Tecnologia da Prefeitura. Foi muito bom levá-lo para que ele visse com seus próprios olhos o estado de abandono em que se encontra hoje a comunidade. Estado e Prefeitura parecem que a punem por ter sido ela um dos mais fortes redutos do brizolismo. E concentraram todas as suas ações na implantação de UPP, com a qual o tráfico vai para a clandestinidade, mas continua e ainda diversifica suas ações criminosas.

Fomos recebidos por alguns líderes locais: Rumba Gabriel, “Jamaica” e “Betinho”, todos com um histórico de contribuição às conquistas daquela época.

Formado em Teologia e Comunicação Social , e estudando atualmente Direito, Rumba Gabriel é quem está tentando dar vida ao prédio, cujo único serviço hoje é uma lan house mantida pelo jovem Fábio, um profissional da área de informática.

No final, fizemos uma reunião. A exposição de Rumba Gabriel foi incisiva. Gravei parte dela e produzi um filme para o You Tube.

O que escrevi aqui é apenas uma introdução a essa “reportagem” que chamei de O MORRO PEDE A PALAVRA.

Sinceramente, se você quiser entender melhor a realidade das comunidades populares, sugiro que veja o filme de 12 minutos no You Tube.

Veja e reflita comigo.
Eu já decidi voltar ao convívio daquele povo trabalhador, infelizmente tratado desonestamente pelos políticos, que só aparecem lá nos períodos de eleições e derramam muita grana para amealhar os votos de eleitores vulneráveis.Sei das minhas limitações físicas, mas vou para o sacrifício enquanto puder. Se você quiser, terei muito prazer ter sua companhia no trabalho que voltarei a fazer.
Pedro Porfírio

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Nos subterrâneos do poder o jogo do vale tudo das velhas raposas

Nessa briga por nomeações e liberação de emendas o que querem mesmo é  meter a mão na massa


“Há apoios que matam. Se não matam imediatamente, matam a prazo”.
José Saramago, escritor português, Prêmio Nobel de Literatura.

O jogo do poder tem lógicas que a própria lógica desconhece. É em seu interior que se travam os embates mais frontais, apesar de escamoteados ou vazados de forma propositalmente esmaecidos. Esses conflitos são muito mais acirrados e de efeitos mais perversos do que as pugnas entre adversários públicos. Politicamente, são letais, muitas vezes.

O poder é a razão de ser da sociedade humana. Poder é tudo e tudo o mais a seus encantos se subordina. A busca dele não é um ato meramente político. Nem tampouco apenas uma inescrupulosa disputa de vantagens pessoais insaciáveis. Há um elemento crucial que se enxerta em seus movimentos frenéticos: a afirmação existencial, de exposição discreta, se considerarmos a natureza humana, contaminada de sentimentos controvertidos e, na maioria das personalidades, sujeita à fogueira das vaidades, à inveja, aos complexos de superioridade e a outras deformação do instinto.

Em geral, a luta pelo poder aproxima personagens diferenciados. A conquista dele aguça as contradições. Até mesmo nas revoluções impregnadas dos pudores mais dogmáticos, a visão diferente do poder opera dissensões incontroláveis. O poder é a mais estonteante expressão da faca de dois gumes, mormente quando exercido por elementos heterogêneos.

No serpentário é cobra engolindo cobra

Aplicados à realidade brasileira, esses predicados ganham o verniz grosseiro da hipocrisia cultivada. Nestas terras, o jogo é mais pesado, porque hegemonizado por elementos bestiais, primários, medíocres, boçais e de um arrivismo sem freios.

No Brasil, mais do que em qualquer outra paragem, o exercício do poder se assemelha a um serpentário – é cobra engolindo cobra. Até mesmo na ditadura, com todos os vetores sob vigilância férrea, num ambiente monolítico de desconfiança e medo, foi necessário o revezamento pacífico entre cinco generais, num processo de lutas internas, mantidas em segredo, mas reveladoras de ambições individualizadas e entrechoques negociados.

Condutas heterodoxas tornaram-se regras rotineiras. Os elementos impertinentes de perfídias e rasteiras preponderam em todas as etapas na relação com o poder, na sua busca, na sua sustentação e na tentativa de resgate, em caso de perda.

A esperteza não tem limite e prospera como exemplo a ser imitado. Há políticos que se dão bem invariavelmente em toda e qualquer situação. José Sarney é a referência mais escandalosa desse uso triunfal do poder, mas não é o único. Ele por si serve como demonstração patética da falta de dignidade dos homens públicos de todos os partidos, de todas as correntes, de todos os recantos.

Aguerridos fora do poder, agarrados quando nele encastelados

A vida política aqui alcança os mais clamorosos índices de degeneração. O convívio promíscuo entre gestores e clientes do Estado, sugerindo todo tipo de suspeita, não é exclusivo desse o daquele governante. É uma prática deprimente de que não se faz segredo.

Não se pode dizer que existam partidos fiéis a suas bandeiras, aos enunciados de suas siglas. Dizer que há partidos coerentes já é render-se à ingenuidade pueril. Pior será tentar perscrutar-lhes o comportamento. Com diferenças de verniz, são todos semelhantes: aguerridos fora do poder; agarrados ao poder, quando nele encastelados.

Vivemos hoje mais uma variável dos conflitos políticos sem causa. Tanto que o senador Pedro Simon, respeitado por atitudes sintonizadas com a indignação popular, gastou todo o seu latim para reportar-se a um jogo de pressões sujo e perigoso, que mantém ostensivamente a presidente Dilma Rousseff na condição de refém da maioria parlamentar, maioria movida ao pior dos combustíveis para ocupar todos os cômodos do governo.

Em discurso no Senado, nesta quarta-feira, Simon fez um apelo dramático:
- Resista, presidente, a essa corrupção que invade, ao longo da história, o nosso país. Não aceite indicações que não tenha o lastro da ética. É preciso saber em nome de quem falam os interlocutores. Que interesses reais movem as suas indicações? O bem coletivo ou interesse individual de pequenos grupos?

E foi mais enfático ainda:
- Bom será o dia em que o Congresso votará apenas e tão somente segundo as convicções dos parlamentares, segundo devem ser as aspirações de quem eles representam. Quem sabe, esta postura (da presidente) seja então o início de uma reforma política, ou, pelo menos, de uma reforma de condutas políticas.

Foi a constatação desse conluio de proxenetas políticos que me levou a imaginar qual seria a postura de Leonel Brizola, se vivo fosse, neste exato momento.

Piratas e a marinheira de primeira viagem

Há, sim, um conflito diferente de consequências imprevisíveis nesses podres poderes. É como se o valhacouto de piratas psicóticos estivesse jogando com a “pouca vivência” da presidente da República, valendo-se igualmente das circunstâncias de sua eleição ao comando do país na esteira do prestígio do Sr. Luiz Inácio, que acumulou capital eleitoral em seus oito anos de mandato e se habilitou para fazer o sucessor.

Os políticos astutos martelam o inconsciente vulnerável da ex-guerrilheira, com tempo mínimo de casa no próprio partido que, até sua escolha, exclsuiva do presidente,  fervilhava nas disputas internas por indicações, das quais a única exceção era o próprio Lula, reconhecidamente maior do que a legenda, assim como Brizola foi enes vezes maior do que o PDT.

Um dos dois ministos emplacados por Sarney, Pedro Novais
decidiu desviar dinheiro do turismo para ponte no Maranhão
Em suma, a tratam como marinheira de primeira viagem, sujeitando-a por bem ou por mal aos caprichos dos seus interesses espúrios, numa roda viva imobilizante. Conspiram sorrateiramente pela repartição do poder em quinhões, nos quais cada um fica à vontade para fazer e desfazer, dispondo a seu bel prazer das verbas públicas, tal como aconteceu com o ministro do Turismo, o maranhense Pedro Novais, um dos apadrinhados de Sarney, que desviou recursos de sua pasta para a construção de ponte em São Luiz e virou as costas para os outros 26 estados da federação.

Queda de braço de consequências imprevisíveis

A tentativa de formar feudos no governo tem levado Dilma Rousseff à corda bamba, induzida a conclusões equivocadas, que não refletem sua visão histórica e sua trajetória. Foi o caso da encenação sobre o sigilo eterno, manipulada por Sarney e Collor, sob o pretexto velhaco de revelações desagradáveis de idos seculares. E das mudanças nas regras de licitação para obras da Copa e Olimpíadas, dois pepinos dos quais falarei em outra oportunidade.

A bem da verdade, como já disse antes, o cerco a Dilma move todos os prepostos de interesses, independente da legenda ou, até mesmo integrantes do seu próprio partido, infestado de “emergentes” deslumbrados e seduzidos pelo canto das sereias, aquela armadilha que obrigou Ulisses a tapar com cera os ouvidos dos seus soldados.

Até o presente momento, ela tem resistido como legítima chefa do governo na escolha dos auxiliares. Pôs quem considerou mais adequado nos cargos disponibilizados recentemente e contrariou os velhos caciques, embora, admita-se, não será novidade se a pressão orquestrada a fizer render-se ao fatiamento do poder, para além do que já foi repartido, dentro da lógica da coligação e da governabilidade condicional.

Estamos diante de uma queda de braço de desdobramentos imprevisíveis. Não é necessariamente da natureza clássica dos conflitos essenciais. Mas o enclausuramento virtual da presidente, com seu direito à liderança minado e sob risco de  mãos atadas, repercutirá inevitavelmente sobre o principal, eis que os discursos públicos não passam de jogo de cena, que escondem a guerra suja pelos cordéis, conforme aqueles elementos da lógica matreira citados na abertura desta coluna. (PEDRO PORFÍRIO)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Se estivesse vivo, com quem estaria hoje Leonel Brizola?

Pelo que sei de sua natureza, ele faria de tudo para evitar uma marcha à ré no Brasil

“Cá para nós. Um político de antigamente, o senador Pinheiro Machado, dizia que a política é a arte de engolir sapo. Não seria fascinante fazer agora a elite brasileira engolir o Lula, sapo barbudo?”
Leonel Brizola, 1989

Neste 21 de junho, data do sétimo aniversário da morte surpreendente (e um tanto inexplicável) de Leonel de Moura Brizola, varei a madrugada com uma pergunta na cabeça e uma redobrada disposição para a prospecção dos alvos que escolho para comentar: qual seria a posição do caudilho o hoje, diante de um jogo de poder grosseiro, cuja marca mais realçada é a tentativa das raposas de apoderarem-se do governo da primeira presidente mulher?


É claro que os elementos reunidos para as minhas ilações não são incontestáveis, mas você há de reconhecer o enorme esforço que faço para imprimir exclusivamente com as tintas da honestidade e lisura as expressões do meu pensamento.

Se não fosse pela dogmática busca do que é correto, pelo menos à luz da minha percepção, que presumo aguda, estaria falando sozinho, exposto ao ridículo e ao descrédito.

Pelas manifestações que recebo a cada opinião omitida, pela recente pesquisa que realizei e pelas conversas pessoais com alguns dos meus destinatários, posso dizer sem medo de errar que o meu “índice de credibilidade” é altamente positivo, perdoe-me a “imodéstia”.

Por isso, não me acanho em oferecer minhas opiniões, mesmo quando elas são motivadas por explícitas demonstrações de admiração e simpatia. Essa transparência, aliás, a meu ver, é a chave do respeito granjeado.

Isto é, não escondo minha inabalável crença em idéias que me alcançaram ainda de calças curtas. E exatamente em nome delas procuro demonstrar meu respeito por quem pensa diferente, até mesmo por quem está cronicamente em postura diametralmente oposta.

Lembro ainda, nestas premissas, que sempre estive envolvido dentro dos acontecimentos. Não sou desses que se limitam ao camarote da observação e posam de analistas restritos ao ofício, escondendo suas preferências e suas conveniências sob o manto esfarrapado de compromissos profissionais com a imparcialidade.

Ser honesto é ser visível, é expor o verniz do seu pensamento, mesmo quando se expressa uma conclusão diferente de sua vontade. É, igualmente, nortear-se pelo indispensável distanciamento crítico: nem sempre os meus preferidos estão certos; nem sempre os meus “adversários” estão errados.

Pelo que sei, Brizola estaria com Dilma


Dito isso, posso afirmar com todas as letras que se vivo estivesse, neste momento, Leonel de Moura Brizola tomaria uma posição muito apaixonada em defesa da presidente Dilma Rousseff, diante dos enormes desafios que enfrenta, assim como se aliou ao “sapo barbudo” depois da rasteira que o tirou do segundo turno, em 1989.

Eu mesmo não posso esconder minhas preocupações, decorridos seis meses da posse da primeira mulher a comandar o país. As condições em que ela chegou à Presidência, os interesses econômicos e a hipertrofia das ambições insaciáveis dos políticos brasileiros, para a maioria dos quais o mandato é uma poderosa ferramenta da causa própria, impõem-me uma atitude serena e consequente, focando principalmente o “depois”.

Leonel de Moura Brizola tinha o domínio da hierarquia do processo e não se fazia de rogado nas horas decisivas, mesmo a contragosto. Tentava conviver com o mundo cosmopolita, frio e calculista com enorme dificuldade. Deixava-se dominar pelo emocional em muitas situações, perdia a batalha da vaidade ferida principalmente ante a traições que sofria, mas sempre se posicionava com a lucidez devida nos momentos fatais de nossa história.

Posso dizer isso de conversas pessoais com ele e testemunhos de corpo presente. Ninguém poderia esperar dele uma indignidade, uma atitude movida pela mesquinharia ou pelo cálculo ardiloso dos interesses de sua carreira política.

O Brizola que conheci, com quem mantive ao longo dos anos uma relação crítica em público, tinha como ponto de partida e como referencial exclusivo sua identificação com o povo trabalhador e com a soberania nacional.

Houvesse ameaça em relação a esses postulados, não era difícil saber onde encontrá-lo. Em mais de uma fez, abriu mão de mágoas pessoais, de sentimentos feridos para se apresentar como soldado daqueles que mais próximos estivessem de suas grandes causas. Isso sem pedir nada em troca, até porque lhe repugnava o convívio com a boçalidade fisiológica.

Contra a cobiça insaciável das raposas

Neste momento, Leonel de Moura Brizola, que conhecia Dilma muito bem, que em várias situações conviveu com Carlos Araújo, ex-marido dela e militante íntegro, estaria detectando com sua intuição inigualável a terrível trama das velhas raposas, da abominável “correlação de forças” para acanhá-la na furna do poder, tentando fazer dela uma espécie de rainha da Inglaterra tropical, que se veria forçada a ceder as rédeas a um “premier” virtual saído do pior cruzamento da política e dos grandes interesses econômicos.

É o que eu estou vendo nessa feira de lobbies espúrios, que vêem fraqueza e insegurança no modo cerimonioso da presidente Dilma. É o que percebo com enorme preocupação, inclusive em relação à sua capacidade de resistir, tais os espantalhos que rondam sua cabeça e podem penetrar em seus recônditos, fragilizando seu inconsciente, algo que se explicaria melhor recorrendo à mescla das interpretações políticas e existenciais.

Leonel de Moura Brizola, que desconfiava da análise científica e desprezava currículos, guiando-se tão somente por sua intuição aguda, não teria dúvida e estaria oferecendo a Dilma toda a sua experiência, incluindo o reconhecimento de alguns erros e fracassos, como lições oportunas para que afirme sua condição de presidente legitimamente eleita no mar de esperanças que a fez quebrar todo tipo de tabu: ela não foi apenas a primeira mulher presidente, mas foi igualmente alguém que tinha na disputa presidencial sua primeira pugna e, mais significativo ainda, era assimilada por um partido ao qual se juntou no meio do caminho por acidente de percurso.

Tem muito dono da verdade em seu entorno e uma quadrilha de políticos sem menor recato insistindo em fazer do rateio das prebendas e da distribuição de verbas carimbadas (as tais emendas parlamentares) a condição de governabilidade indispensável para o nível de suas responsabilidades.

Tem gente tão canalha e tão sem escrúpulo que joga até com suas condições de saúde como forma de implementar um terrorismo do mais baixo nível, tudo para que seu governo seja fatiado de todas as formas, levando-a a concessões e a retrocessos dramáticos.

Se vivo fosse, insisto, Leonel de Moura Brizola estaria oferecendo o melhor de sua grandeza para nutrir sua ex-correligionária (e fã de carteirinha) das energias necessárias, antes que aconteça aqui o pior, antes que o redemoinho em que tentam sufocá-la abra caminho para a volta ao que há de pior na atividade política brasileira.

Isso eu digo com toda segurança, porque também não gostaria de ver o Brasil dando marcha à ré, não interessa pelas mãos de quem. Principalmente da presidente que um dia se entregou de corpo e alma ao mais generoso dos sonhos juvenis.
Pedro Porfírio

Permitida a publicação e repasse desta matéria, desde que identificada sua autoria

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O dia que Brizola fez a GLOBO engolir a verdade

Ainda sobre os 7 anos da perda do brasileiro mais ousado da nossa vida republicana

Ainda dentro da lembrança de Leonel de Moura Brizola, cuja DIGNIDADE,  CORAGEM E DESASSOMBRO  ninguém chegou perto - e nem chegará mais - vale a pena rever o JORNAL NACIONAL em que o poderoso império midiático, por decisão judicial,  teve de reproduzir as verdades que só o caudilho ousou dizer-lhe.

Clique aqui e depois reflita sobre meu artigo do dia 18. Repasse essa matéria: ela é de um tempo que provavelmente não existirá mais, O TEMPO DOS HOMENS PÚBLICOS QUE NÃO SE VERGAM, nem que isso lhe custasse a própria carreira política.

Independente de suas simpatias pessoais, aponte-me quem ousaria dizer tantas verdades e diga porque nenhum brasileiro pode deixar de lamentar esses 7 anos sem Brizola, que lembraremos neste dia 21.
 Ainda vou escrever mais a respeito.  Onde quer que estejamos, temos o dever de não deixar que a saga de Brizola se perca no tempo e no espaço, como trama o sistema. A memória de Brizola é um legado que não se limita às fronteiras partidárias.

sábado, 18 de junho de 2011

Sete anos sem Brizola, quanta falta ele faz

Uns dizem que ele ainda vive. Onde? Como? Quem lhe segue os passos nos confrontos com os senhores do mundo?

"Vi um homem chorar porque lhe negaram o direito de usar três letras do alfabeto para fins políticos. Vi uma mulher beber champanha, porque lhe deram esse direito negado ao outro.
Vi um homem rasgar o papel em que estavam escritas as três letras, que ele tanto amava. Como já vi amantes rasgarem retratos de suas amadas, na impossibilidade de rasgarem as próprias amadas.
Vi homicídios que não se praticaram, mas que foram autênticos homicídios: o gesto no ar, sem consequência, testemunhava a intenção. Vi o poder dos dedos. Mesmo sem puxar o gatilho, mesmo sem gatilho a puxar, eles consumaram a morte em pensamento.
Vi a paixão em todas as suas cores. Envolta em diferentes vestes, adornada de complementos distintos, era o mesmo núcleo desesperado, a carne viva;
E vi danças festejando a derrota do adversário, e cantos e fogos. Vi o sentido ambíguo de toda festa. Há sempre uma anti-festa ao lado, que não se faz sentir, e dói para dentro.
A política, vi as impurezas da política recobrindo sua pureza teórica. Ou o contrário.. Se ela é jogo, como pode ser pura… Se ela visa o bem geral, por que se nutre de combinações e até de fraudes”.
Carlos Drummond de Andrade, no poema escrito quando o TSE, sob influência do general Golbery, lhe tirou o PTB, entregando-o de mão beijada a uma aliada da ditadura.



Nesta terça-feira, dia 21 de junho, o calendário registra o sétimo ano da morte de Leonel de Moura Brizola. Nesse dia, a igreja católica lembra São Luís Gonzaga, o jovem que recusou o fausto de uma vida aristocrática para dedicar-se à evangelização, tendo morrido com pouco mais de 20 anos. Daí ser o "Patrono da Juventude". Já a literatura lembra o nascimento de Machado de Assis, em 1839.


O 21 de junho é também o Dia da Mídia, que coincidência, e, mais emblemático ainda, é o dia em que começa o inverno em nosso país, quando o frio deita e rola, como pode? Mas para este escriba inconformado, essa data é um marco dramático: depois da morte do caudilho, em circunstâncias surpreendentes, a história do Brasil sofreu um colapso fatal. Parou no tempo e no espaço. E o povo perdeu aquele que mais ousou, que fez da coragem o exemplo infelizmente abandonado.

Como Leonel de Moura Brizola não existirá mais ninguém. Ele não chegou à Presidência da República, como sua ex-pupila Dilma Rousseff, mas e daí?

Fosse o triunfo a qualquer preço o elemento de avaliação não existiria nem o cristianismo. O enviado do Deus todo poderoso foi sacrificado na cruz porque incomodava os “sábios do templo”. E, segundo a Bíblia, quando os sacerdotes judeus pediram sua cabeça a Pilatos, Jesus Cristo foi abandonado por seu povo, que preferiu Barrabás, o zelota que atacava os dominadores romanos, em ações de “guerrilha”.

E não existirá mais ninguém porque o mundo hoje é dos ambíguos e dos transgênicos. É o mundo em que a biruta é a referência única dos profissionais da vida pública, todos, sem exceção: os indignados rabugentos ou estão a sete palmos ou são tratados como loucos desvairados, inconvenientes e jurássicos.

Ninguém nestas terras ousaria mais o embate desigual contra a potência imperial, muito menos contra a mais poderosa rede midiática do mundo, inflada no auge do obscurantismo e feita guardiã implacável da lavagem cerebral massiva e da imbecilidade compulsiva, graças às quais o charme da meninada que ainda podia espernear esmaece no gáudio das prebendas, ou se esvai no delírio ensimesmado ou na fuga dos alucinógenos hodiernos.

O trágico na lembrança de Leonel de Moura Brizola foi o corte epistemológico que sua morte encerrou, como se a tirania das elites houvesse ordenado a estigmatização de seu dístico. Uma corte inquisitorial oculta vedou as portas do destino a tudo o que lhe dizia respeito: suas idéias, seu modo de ser, seus compromissos, seus sentimentos combatentes.

Lembrar Leonel de Moura Brizola hoje é apenas mandar rezar uma missa. Suas barricadas foram desmontadas, pelo menos nestes dias arrivistas. Seus “continuadores” trocaram as armas da eloquência varonil pelo pires na mão.

Em seu nome, servem a Deus e ao diabo, bastando que se lhes saciem a gula anã. Já não ousam o despojado sonho de um porvir soberano e justo. Cuidam, tão somente, de encherem suas burras com as sobras dos podres poderes.

Não acreditam mais, ou talvez nunca acreditaram, na virtude das idéias. Não diferem dos outros, todos esses empostados que lavam as mãos com alcool depois de cumprimentarem os maltrapilhos. Que se dizem em público vestais dos bons modos, mas que, protegidos pela penumbra dos conluios, se jogam de cabeça na roleta das negociatas em causa própria.

Uns aindam dizem no devaneio ou na má fé que Brizola vive. Onde? Como? Quem lhe segue os passos nos confrontos com os senhores do mundo? Hoje, lamento constatar, o brizolismo que se declara como tal, de propriedade lavrada em cartório, não passa de uma troça eleitoreira destinada tão somente a catapultar os mais espertos de seus restos mortais?

Não pense que falo de um ser  sobrenatural. Longe disso. Alma camponesa, ele próprio se enredou em erros elementares, frutos de um modo de ser desconfiado. Tinha mais olhos para os oportunistas subservientes do que para os divergentes leais. Nem sempre preservou a coerência em seus atos, e olha que a coerência ainda era uma de sas virtudes.

Sua sensibilidade epidérmica o levava a reações passionais. Não era um político, na acepção da palavra. Não gostava de ser questionado em público e falava muito mais do que ouvia. Ouvir, aliás, não era seu forte, a não ser o canto dos bajuladores. Faltava-lhe inclusive visão estratégica na compreensão do processo histórico.

Mas esse ser político tão despreparado para o jogo do poder, era, porém, até por isso, a dignidade em pessoa. O patriotismo que o moldou ainda nos pampas era mais relevante do que tudo o mais. A identificação natural com os oprimidos o fazia mais legítimo defensor das causas sociais do que qualquer teórico do mundo novo ou mesmo qualquer ativista classista.

Leonel de Moura Brizola, enfim, é alguém cujos 82 anos de lutas ainda vão ser lembrados no futuro com o relevo que seus contemporâneos negam. Será uma lembrança rica pelo caráter singular de sua personalidade, por sua combatividade insone e pelo contexto infame desses anos terríveis que a tantos emporcalham.

Será o inventário do mais injustiçado dos brasileiros, cujo destemor contará no resgate de valores incorporados à sua história e enterrados em seu sepulcro.

Nesse então, palavras como patriotismo, justiça social, soberania nacional, educação decente e respeito à dignidade humana se fundirão numa única legenda: Leonel de Moura Brizola.

Permitida a reprodução e repasse desta matéria, desde que preservada sua autoria.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Um “baseado” para FHC, porque se fosse Brizola o bicho pegava

Ainda acho que a ode à maconha é um elemento compensatório da alienação do interesse do sistema
“Este é um tema a ser levado para todas as famílias, pois é muito próximo a nós do que parece. A gente tem de sacudir a sociedade”.
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, ao defender a liberação da maconha no documentário “Quebrando o Tabu”.


"Por que a conduta dele (Fernando Henrique Cardoso) é distinta das pessoas que fazem isso em público? Se for porque ele é ex-presidente, teríamos uma ação discriminatória dos que proíbem as marchas da maconha”.
Deborah Duprat, vice-procuradora da República ao defender as passeatas em defesa da maconha.

Em certas “novidades” me considero conservador. Pode ser que isso me custe algumas incompreensões, paciência. É o caso das drogas. Não há quem me convença a aceitar a tolerância do consumo, descarregando eventualmente sobre os vendedores as penas da lei.

Até tento entender a compreensão do STF quando insere as manifestações pela liberação da maconha no âmbito da liberdade de expressão. Só não vejo coerência. Daqui para frente qualquer um pode apregoar as virtudes da droga. Mas a liberdade de expressão continua sob tutela. Ou não?

Há alguns anos, vi o escritor Siegfried Ellwanger condenado por racismo e enquadrado no art. 5º, inciso XLII da Constituição Federal por suas opiniões contrárias aos judeus.

No julgamento de um pedido de habeas corpus para ele no Supremo, o ministro Gilmar Mendes afirmou que a liberdade de expressão não é absoluta – “deve ser exercida de modo compatível com o direito à imagem, à honra e à vida privada e a ela não se pode atribuir primazia em face de outros valores como o da igualdade e da dignidade humana”.

FHC disse o que disse e ninguém chiou

Coerência também é o que falta à mídia e à sociedade. Ninguém se indignou quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente da Comissão Global de Política Sobre Drogas, assumiu a defesa da descriminalização da maconha e ainda fez uma mea culpa por não ter pensado assim quando na Presidência: “na época, eu não tinha informação e o tema não estava candente na sociedade”.

Fala sério. Se esse fosse discurso do Brizola ou do próprio Lula, os jornais da grande imprensa estariam pedindo a cabeça de ambos. Brizola, aliás, chegou a ser apresentado como aliado dos traficantes, por conta de sua decisão de exigir respeito às famílias pobres dos morros – isto é, o mesmo tratamento dado aos bacanas do asfalto.

No caso do príncipe FHC seu posicionamento aparece como uma contribuição ao regime de plena liberdade. Foi sua manifestação que balizou os argumentos dos defensores das passeatas da maconha: se o ex-presidente está empenhado numa cruzada liberalizante os ativistas dessa causa não podem ser penalizados, arguiu a vice-procuradora da República, Deborah Duprat, no histórico julgamento em que o STF unânime considerou a defesa da droga como forma de livre expressão do pensamento.

Coerência mesmo, nessa linha de pensamento, seria legalizar o consumo de todas as drogas e autorizar a abertura do comércio de tais produtose seu plantio "ecológico", às semelhança dos EUA onbde cultivo já é permitido legalmente em 13 Estados, inclusive a Califórnia, o maior deles.

Não me interprete mal. Porque continuo acreditando que só existe venda de qualquer produto quando existe mercado. Exemplo: a geração do meu pai – que morreu em 1950 – usava chapéu. A Ramezoni pontificava. Como quase ninguém usa mais chapéu, a antiga fábrica e suas concorrentes fecharam as portas.

A influência dos filhinhos de papai

Entendeu a comparação? Proteger os consumidores é a alma do negócio. Sair fuzilando traficantes no morro é fácil. Quem irá defendê-los?

A mudança de ótica, isto é, a assimilação da idéia de que os consumidores são vítimas, resulta da proliferação da droga entre filhinhos de papai. Uma certa vez, o delegado Hélio luz, na condição de chefe de polícia, escandalizou o Rio ao afirmar que nas festas de Ipanema a droga rolava solta.

Sua constatação continha o exagero da retórica, mas não era novidade. Hoje, o sistema de vendas nas áreas de maior poder aquisitivo não difere das pizzarias e outros ramos que se valem do “delivery”.

Da mesma forma que cresce a clientela nos grandes condomínios da Barra da Tijuca e Zona Sul do Rio, ou nos burgos luxuosos de São Paulo, ou no Plano Piloto de Brasília, todo mundo sabe que nesses bairros que vivem os magnatas do tráfico. O morro mesmo, com algumas exceções, é um mero entreposto que usa jovens sem horizontes e sem atenção dos poderes públicos, aos quais se serve a pior escola e uma nítida rejeição social.

Alienação compensatória

Ainda acho que as drogas ganharam força no processo de alienação programada da juventude, em todo mundo ocidental. É a compensação que o sistema oferece àqueles que poderiam estar engajados em confrontos sociais, catalogados agora como jurássicos.

Muitos dos meus parceiros de passeatas de 68 e alguns dos companheiros de cárcere voltaram à luz do dia com o rabo entre as pernas, traumatizados com a repressão daqueles idos. E partiram para algumas variáveis que os mantêm “diferentes” e na vanguarda, em sintonia com uma meninada grosseiramente ludibriada por um sistema educacional impregnado de falácias insustentáveis, tão hipócrita que transformou a frequência às aulas numa medíocre caça aos diplomas.

Já disse aqui mesmo que essa ode à maconha e similares “leves” é elemento chave para a imobilização política da juventude. Ela faz parte de um coquetel de alienantes de efeito fenomenal, que inclui outros condimentos, como a disseminação desenfreada de filmes estrangeiros de violência, de gêneros musicais ensurdecedores e a busca individualizada do sucesso, fator de desesperadas guerras interpessoais.

O ex-presidente Fernando Henrique não se juntou à cruzada pela liberalização da maconha à toa. Ele está à frente de algumas entidades voltadas para a preservação do sistema de dominação imperialista, como o “Diálogo Interamericano”, a super-ong criada em 1982 pelo banqueiro David Rockefeller, especialista na formação de líderes civis leias a à hegemonia norte-americana.

Já que está tão empenhado na liberação da maconha, não seria ofensivo oferecer-lhe um “baseado” para festejar seus 80 anos. Porque se fosse o Brizola o bicho pegava.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O sigilo eterno que encobre crimes de Estado e algema a presidente

Se Dilma sucumbir às chantagens estará oferecendo os próprios pulsos aos que têm culpa no cartório e são capazes de tudo
Sarney age como um psicótico que tem culpa no cartório e chantageia
 a presidente,  usando pretextos pueris. Collor é o bobalhão que faz seu jogo.

"Não me lembro se colocamos no Isordil, no Adelpan ou no Nifodin. Conseguimos colocar um comprimido nos remédios importados da França. Ele não poderia ser examinado por 48 horas, senão aquela substância poderia ser detectada."

Mário Neira Barreiro, um dos assassinos confessos de Jango, em entrevista gravada por João Vicente Goulart.

Anote e confira um dia, se a sociedade puser a boca no trombone e reverter essa abominável articulação obscurantista para preservar o sigilo eterno de documentos oficiais: seu principal objetivo é encobrir os assassinatos de Estado, como os de  Juscelino Kubitschek, João Goulart, Carlos Lacerda e Tancredo Neves, bem como as verdadeiras circunstâncias da morte de Getúlio Vargas.

É isso mesmo: estou falando de assassinatos perpetrados com os conhecidos requintes que foram mais salientes no regime do apartheid, na África do Sul, e no Portugal salazarista, no tempo da PIDE – Polícia Internacional de Defesa do Estado.

Se esse cavalo de pau vingar, quando o projeto de lei que insere no Brasil nos hábitos das nações civilizadas já está pronto para ser votado 8 anos depois de apresentado, falar em Comissão da Verdade para inventariar os abusos na ditadura será uma impertinente piada de mau gosto.

A sociedade brasileira terá perdido uma grande oportunidade de conhecer tramas do arco da velha, guardadas a sete chaves por exporem as vísceras dos podres poderes ao longo de anos e séculos.

Apenas para esclarecer: o projeto que põe fim ao sigilo eterno foi encaminhado em 2003 ao Congresso pelo ex-presidente Lula. Na Câmara, foi detectada uma falha que, no fundo, preservaria os segredos para sempre, na medida em que permitia a prorrogação indefinida do sigilo dos documentos considerados ultra-secretos. Com a emenda aprovada, o maior prazo é de 50 anos, o que já não é pouco.

Três vultos da história mortos no espaço de 8 meses

No caso das minhas afirmações iniciais, basta lembrar coincidências gritantes: O ex-presidente Juscelino Kubitscheck foi “acidentado” no dia 22 de agosto de 1976; 104 dias depois, em 6 de dezembro do mesmo ano, o ex-presidente João Goulart foi envenenado em Mercedes, na Argentina, no auge frenético da “Operação Condor”, que juntava em ações transnacionais de extermínio as ditaduras do Brasil, Chile, Argentina e Uruguai; 166 dias mais tarde, em 22 de maio de 1977, o ex-governador Carlos Lacerda morreu em uma clínica particular, onde fora internado com uma gripe comum.

Esses três líderes de correntes rivais haviam se unido a partir de iniciativa de Lacerda, o principal arauto do golpe de 1964, quando este descobriu, em 1966, que havia levado uma tremenda volta dos militares, que se apegaram aos poderes encantados de Brasília e implantaram o regime em que qualquer um poderia ser presidente, desde que fosse general do Exército.

Em 1966, antes de ser cassado pelos ex-concubinos na conspirata patrocinada pelos Estados Unidos, Lacerda resolveu dar o troco de maneira surpreendente: através de Renato Archer, adversário de Sarney no Maranhão, chegou a Juscelino, que estava exilado em Portugal, e valendo-se de Doutel de Andrade sensibilizou João Goulart: em 28 de outubro de 1966 a TRIBUNA DA IMPRENSA publicava o manifesto da Frente Ampla, assinado pelos três, pleiteando a volta das eleições diretas e política externa soberana, entre outros pontos.

Mesmo sob desconfiança dos parlamentares oposicionistas, que suspeitavam da metamorfose de Lacerda e da condenação de Brizola, que soltou os cachorros em cima de Jango, a frente começou a ganhar corpo até que em 5 de abril de 1968 a ditadura cassou o ex-governador e proibiu as atividades do grupo. A partir de então, suas articulações passaram para a clandestinidade e pesaram na decisão que levou ao AI-5, em 13 de dezembro de 1968.

Sarney, o pau-mandado da ditadura

Em todos esses episódios, José Sarney se comportou como um crápula de carteirinha, procurando prestar todo tipo de serviço à ditadura para consolidar o vice-reinado do Maranhão, ainda dividido, devido à força que seu ex-padrinho Vitorino Freire ainda gozava no regime, sobretudo pelas mãos dos irmãos Geisel.

Documentos secretos do governo americano, tornados públicos na década de 90, revelaram que Sarney foi o emissário dos militares junto à Embaixada norte-americana para explicar o AI-5, ato institucional ultra-ditatorial que dividia os próprios militares. O grupo de Golbery, que perdera o manuseio dos cordéis, usava seus contatos para convencer os patrões de que esse golpe dentro do golpe era uma carta branca a "linha dura" radical e poderia  trazer dores de cabeças para a Casa Branca e os trustes, tudo, naturalmente dentro do clima de intrigas e disputas pessoais entre generais, almirantes e brigadeiros que marcaram os 20 anos sórdidos, nos quais Sarney deu nó em pingo d’água para manter-se na crista da onda.

Tancredo, a morte mal contada

No caso de Tancredo Neves, de cuja morte foi Sarney o grande beneficiário, como se tivesse ganho a Presidencia na mega-sena, há histórias cabeludas que deixaram até hoje familiares do veterano político mineiro com a pulga atrás da orelha. As suspeitas aumentaram quando o general Newton Cruz admitiu em entrevista à TV Cultura, no ano passado, informnações antecipadas sobre sua morte.

Isso levou a família do ex-presidente a cogitar de pedir abertura de investigações rigorosas. OsNeves até hoje não digeriram o caso do garçom João Rosa, escolhido para ser o mordomo do presidente eleito. Ele também teve uma morte estranha, um dia depois do falecimento de Tancredo. Rosa tinha 52 anos e morreu oficialmente em consequência de diverticulite, primeiro diagnóstico para a doença do presidente. O garçom, que era funcionário do Palácio do Planalto, chegou a trabalhar alguns dias na Granja do Riacho Fundo, residência provisória do novo presidente e onde Tancredo fazia as refeições enquanto definia o Ministério da Nova República.

Suicídio de Getúlio nunca foi devidamente esclarecida

Em relação à morte do presidente Vargas, já se levantaram variadas hipóteses. Em 2007, a ex-vedete Virgínia Lane, que privou de sua intimidade, afirmou no programa de Roberto Canázio, da Rádio Globo, que estava na cama com ele quando quatro homens mascarados o mataram. Gervásio Batista, fotógrafo histórico, autor da última foto de Tancredo vivo, disse em 2008 ao site G1 que foi impedido por Gregório Fortunato de fotografar Getúlio morto, porque este “estava em trajes menores”.

Especulações e doideiras à parte há especulações sobre a possibilidade de que a própria carta-testamento do ex-presidente não tenha sido escrita por ele,mas pelo ex-ministro João Neves da Fontoura, o mesmo que divulgou “correspondências secretas” entre Vargas e Perón sobre repúblicas sindicalistas, usadas no complô para derrubá-lo. Curioso: embora se conheça o documento manuscrito, a historiadora Maria Celina D’Araujo fala de três vias: “Como testemunho de seu gesto Getulio deixou uma carta testamento com três cópias. Uma, na mesa de cabeceira da cama onde morreu, outra dentro do seu cofre e uma terceira entregue a Goulart, ainda durante a reunião ministerial. Getulio pedira a Jango que guardasse o documento sem lê-lo e se retirasse para o Rio Grande do Sul, pois no Rio, ele, Getulio e o próprio governo eram muito vulneráveis”.

Assassinato de Jango não há como esconder

Falo de alguns fatos dignos de suspeita, mas a história dos assassinatos de Estado é madeira de dar em doido. Graças à tenacidade do seu filho João Vicente o Ministério Público Federal passou a investigar a morte do ex-presidente no início de 2008, quando escrevi:

O assassinato de Jango fazia parte de um sofisticado plano internacional, que incluía outras vítimas, como o ex-embaixador chileno Orlando Letelier, "explodido nos EUA", o ex-general chileno Carlos Prates, o ex-presidente boliviano Juan José Torres e dois parlamentares uruguaios - senador Zelmar Michelini e o deputado Héctor Gutiérrez Ruiz - ocorridos na Argentina, após a deposição de Isabelita Peron, em 24 de março de 1976, e a ascensão do mais sangrento bando golpista, comandada pelo general Jorge Rafael Videla, que disputou com o colega chileno Augusto Pinochet a comenda de grão-mestre da tortura e do extermínio de opositores.

Na ocasião, o advogado Christopher Goulart, neto do ex-presidente, declarou que a investigação levaria inevitavelmente à descoberta de outros crimes, no âmbito da “Operação Condor”. A apuração já ia ser arquivada se não fosse pela insistência do seu filho. Agora em junho, a procuradora da Republica Gilda Carvalho determinou à Procuradoria do Rio Grande do Sul, que reative as investigações a respeito e exigiu rigor nos interrogatórios de quem pode esclarecer o crime.

Uma forma de algemar a presidente Dilma

Mas há muita nebulosidade sobre uma história que vem sendo sistematicamente escondida aos brasileiros num ambiente que ameaça até mesmo os governantes de hoje.

Nesse episódio, a presidente Dilma Rousseff tem o apoio de todas as correntes de opinião, inclusive as mais conservadoras, para manter o projeto como chegou ao Senado. Só quem está ensebando é quem tem culpa no cartório, no caso os bolsões da intolerância das Forças Armadas, que esperam assim sepultar a Comissão da Verdade, e traquinas da laia de Sarney e Collor, que devem estar muito mal na papelada que pretendem eternamente protegidas da luz do dia.

A matéria já devia ter sido votada no último dia 3 de maio, mas Dom Sarney e seus lacaios amestrados travaram, puseram as facas no peito da presidente e deixaram todo o país a ver navios.

Se a presidente Dilma se curvar a tamanha monstruosidade, estará oferecendo os próprios pulsos às algemas, iguais as que marcaram seu espezinhado corpo juvenil. E ficará nas mãos tintas de sangue de uma meia dúzia de psicóticos de vida pregressa impublicável.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Servidores públicos: o último a sair apague a luz

Explosão dos bombeiros expõe massacre dos concursados com o projeto de terceirização e privatização do Estado brasileiro


Uma licitação para serviços de faxina na Polícia Civil do Rio de Janeiro foi anulada nesta segunda-feira pela delegada Marta Rocha devido à denúncia de que a firma vencedora falsificou documento para disputar sem concorrentes: o Estado pagaria R$ 3.200,00 por faxineira à terceirizada, valor que não foi questionado pela chefa da Polícia. A trabalhadora ganharia o R$ 545,00, vale transporte e tíquete alimentação de R$ 6,00.
O que será do amanhã?

A revolta dos bombeiros do Rio de Janeiro, consagrada pelo maciço apoio da população, com irreversíveis danos à imagem do governador Sérgio Cabral Filho, é apenas a erupção de um tumor no organismo estatal, alquebrado por uma investida deliberada que visa ao esvaziamento dos serviços públicos pela inanição do funcionalismo, sobretudo nos Estados e municípios, que pagam salários inacreditavelmente miseráveis à maioria do seu pessoal.

Os bombeiros militares que se amotinaram, conforme denúncia do ministério público militar, expuseram as veias das instituições combalidas pela mescla de interesses espúrios corpulentos, que operam cavilosamente na direção da terceirização dos serviços públicos, dentro das metas traçadas pelo “Consenso de Washington”, inspirador dos botes malévolos que escancaram as portas para a mais ampla hegemonia dos grupos transnacionais sobre a economia brasileira.

Um contracheque dos bombeiros não é diferente dos profissionais da educação, da saúde e de outras áreas em que os servidores já vivem a pão e água, sem exagero. A explosão que tingiu a orla de vermelho neste domingo resultou de meses e anos de clamores não ouvidos, levando os subalternos de uma corporação agregada em uma vintena de quartéis a costurarem uma organização de luta precária, mas o suficiente para minar a política autoritária e maliciosa que mantém milhares de servidores numa penúria assentida por falta de elos entre si e pela maldita ideologia da busca individualizada de gratificações pontuais compensatórias.

Sucateamento da saúde e da educação

Desde que o primeiro rábula do Estado Mínimo passou a dar as cartas, ainda no tempo da ditadura, uma avalanche pedras afiadas foi solapando o serviço público, a partir das rendosas áreas da saúde e da educação: foi como resultado dessa ação demolidora de hospitais de excelência mantidos então pela Previdência que surgiram os planos de saúde, negócios que hoje faturam R$ 45 bilhões anuais – R$ 15 bilhões em lucros declarados.

O mal trato das escolas públicas, em todos os níveis, engendrou milionárias redes de ensino privado, que matriculam quem pode e quem não pode aguentar o tranco. Nessa área, o negócio é tão rendoso que faz a festa até no ensino superior, onde a garra e a mobilização permanente dos corpos docentes mantêm a qualidade da maioria das faculdades estatais.

Mesmo assim, universidades como a PUC, beneficiadas por todo tipo de isenção, renúncia tributária e subvenções, cobram os olhos da cara para manter um ensino de qualidade aparente.

Outras, que assumem sua natureza quase cartorial, registram expansões vertiginosas: só a Estácio têm mais de 220 mil alunos, num universo de 6 milhões, dos quais, 5 milhões e 400 mil matriculados em escolas privadas.

A fome com a vontade de comer

A privatização e a terceirização juntam a fome com a vontade de comer dos corruptos e dos entreguistas. Em paralelo, as empresas privatizadas e as terceirizadas flanam nas nuvens da revenda e das fusões, alimentando um mercado especulativo referenciado pela tendência inevitável da formação de cartéis e monopólios. Em ambos os casos, rolam gordas propinas através das “consultorias” comandadas geralmente por quem tem acesso aos podres poderes.

Isso apetece à indústria da corrupção por razões óbvias: desde a Constituição de 1988, o acesso aos cargos públicos só é permitido por concurso. Já a terceirização e privatização podem acomodar milhares de apadrinhados e até fantasmas.

No caso dos concursados, o mais que pode acontecer – e acontece cada vez mais - são as fraudes na seleção, algumas vezes descobertas, que são praticadas por quadrilhas altamente sofisticadas.

Na contratação terceirizada, há uma farra de favorecimentos, abrindo amplos espaços para o pagamento de propinas. Na formulação dos custos se joga com os ingredientes mais gatunos do que nas obras terceirizadas – isto é, o plus pode ser superior a 100%. Um terceirizado acaba recebendo menos de 25% do que o contratante paga à empresa terceirizada.

Esta, por sua vez, também pode ser uma “cooperativa de mão de obra”, que burla os direitos trabalhistas através do artifício do trabalhador cotista, que torna seu custo 50% mais baixo. O resultado é que hoje os dados oficiais indicam a existência de 10 milhões de terceirizados, numa versão moderna dos antigos “bagrinhos” do Cais do Porto.

O estrangulamento do servidor concursado

Estudo da Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico, publicado em maio de 2010 pelo Ministério do Planejamento, revela que os 6 milhões de servidores diretos ou autárquicos, inclusive aposentados e pensionistas, custam 12% do Produto Interno Bruto – PIB. Já os serviços públicos produzidos pelo setor privado e pagos pelo governo somam 15%.

Esse mesmo estudo revela que há proporcionalmente menos funcionários públicos no Brasil (12% do total de empregos no país) do que nos Estados Unidos, a Meca da economia privada, que tem 15% de sua mão de obra trabalhando diretamente para o Estado.

A tendência é estrangular o funcionalismo. Para isso, o pagamento de baixos salários cai como luva. Nesse caso, as disparidades regionais não refletem as disponibilidades dos seus tesouros. O Estado do Rio, que paga os piores salários aos bombeiros é o segundo do país em arrecadação e ainda recebe uma baba em royalties do petróleo.

O Conselho Nacional dos Secretários de Administração, divulgou em maio passado tabelas inacreditáveis: o menor salário de um enfermeiro no Sudeste é R$ 542,42; já no Centro-Oeste, que inclui a capital federal, o vencimento desse mesmo enfermeiro é de R$ 2500,00.

De acordo com a pesquisa, é no Centro-Oeste que os médicos do serviço público estadual recebem a menor e maior remuneração do país para uma carga horária de 20 horas semanais - R$ 497,38 e R$ 22.922,48 respectivamente.

A disparidade é mais gritante ainda se considerarmos os três entes da administração. Se em alguns cargos os servidores federais percebem vencimentos compatíveis, nos Estados e, mais gravemente nos municípios, oferecem remunerações humilhantes: um profissional de nível superior da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro ganha como básico – o que vai contar para a aposentadoria – pouco mais de R$ 600,00.

Se os bombeiros fluminenses mostram claramente a diferença entre seus salários e os de outros Estados, os guardas municipais da Prefeitura do Rio teriam motivos para maior amargura se compararem os seus vencimentos básicos de R$ 630,76 com o dos seus colegas de São José do Rio Preto, em São Paulo, que paga a um GM de início de carreira (3ª classe) 1.529,13, mais gratificação adicional.

No caso do Estado do Rio, por muitos anos houve congelamento dos salários dos servidores, aumentando ainda mais sua defasagem, e foram extintos benefícios como a incorporação de gratificação, após 10 anos.

Finalmente, por hoje, lembro que os servidores do Executivo ganham um terço dos seus colegas do Legislativo, do Judiciário e das grandes estatais. Essas diferenças decorrem da capacidade de mobilização corporativa, de injunções políticas e, no caso das empresas, da própria pressão do mercado.

Uma radiografia da situação dos funcionários públicos no Brasil mostrará que está em curso um processo de transferência acelerada de serviços do Poder Executivo para entidades privadas (as mais recentes novidades são as “organizações sociais”) e de transformação dos atuais servidores em dejetos funcionais, sina que só não atinge as chamadas carreiras de Estado, especialmente na área do Ministério da Fazenda e a Polícia Federal.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Imperícia do governador leva o circo a pegar fogo

"O governo colocou uma tropa com armas letais e não letais para invadir uma unidade militar. Fomos recebidos dentro da nossa casa com truculência e repudiamos veementemente esse ato. Poderia ter tido consequências gravíssimas”.
Nilo Guerreiro, presidente da Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros Militares do RJ.
Bombeiros foram aprisionados pelo BOPE em seu próprio QG
Nesse lamentável episódio que culminou com a criminalização do movimento dos bombeiros fluminenses, tratados como se fossem bandidos, o governador Sérgio Cabral Filho passou de todos os limites toleráveis no relacionamento de uma autoridade com seus subordinados, patrocinando um impasse que compromete sua a própria governabilidade e deixa mal na fita a ampla coligação partidária que costurou para garantir sua reeleição.

Sua incontrolável predileção pela vida inebriante de Paris, esse inusitado desprezo pelas responsabilidades de governante, suprido precariamente pelo esforço incansável do vice Pezão, talvez seja o principal ingrediente de suas reações ensandecidas, sem o mínimo de respeito, como se não estivesse à frente de um governo democrático, permitindo-se rompantes que se imaginavam exclusivos dos tempos abomináveis.

Ele é de fato e de direito o grande responsável por esse momento dramático que envolve os soldados da mais querida e confiável instituição pública do país. Porque virou as costas deliberadamente para uma realidade tão humilhante quanto a situação da educação no Estado do Rio: os bombeiros fluminenses são os que recebem os mais baixos vencimentos do Brasil, como demonstra levantamento do blog SOS Guardas Vidas .
Desde o seu primeiro dia como governador, o “coronel” Sérgio Cabral Filho demonstrou total desprezo pela corporação, subordinando-a ao secretário da Saúde, que passou a ser titular da defesa civil e que, aliás, sumiu do mapa durante todo esse processo que culminou na ocupação do seu QG e na prisão de 439 bombeiros, encarcerados em condições precárias e humilhantes, como nos piores momentos da ditadura.

Tivesse ouvido seu pai, Sérgio Cabral Filho não teria levado milhares de bombeiros a um estado de desespero, ao risco de todo tipo de punição para que a opinião pública ficasse sabendo que eles recebem por mês R$ 1.031,38 (sem vale-transporte), em contraste com os R$ 4.129.73 pagos em Brasília, e R$ 3.012.00, no pequeno Estado de Sergipe.

Se compararmos os vencimentos dos bombeiros com os dos servidores dos poderes legislativos e judiciários de todo país, a diferença será ainda mais acachapante. Um governador que sabe cooptar deputados – até alguns tidos e havidos como a fina flor da combatividade – não poderia ter patrocinado o caos na corporação que responde pela parte mais trágica da segurança pública e que um dia teve seu papel dignificado pelo governador Leonel Brizola, que criou uma secretaria de Estado só para eles e confiou-lhes tarefas hoje emblemáticas, como os primeiros socorros em ambulâncias e o recolhimento dos corpos.

A insatisfação dos bombeiros não de é agora.  Desde o início do ano, um movimento natural foi ganhando corpo, com algumas paralisações e negociações no âmbito da corporação, com intermediação de alguns deputados. No entanto, todas as tratativas não deram em nada porque Sérgio Cabral Filho preferiu pagar para ver o circo pegar fogo.  


Se o governador é o grande vilão nesse episódio, é de se lamentar igualmente a postura da quase totalidade dos deputados estaduais, que também são autoridades e têm responsabilidade perante a população.

Com exceção dos dois do PSOL (Janira e Marcelo Freixo), de Paulo Ramos e Wagner Montes, do PDT; e de Clarissa Garotinho, do PR, não tenho notícia de que outros parlamentares estaduais, inclusive de partidos que do chamado campo progressita, tenham se colocado ao lado de uma luta que ganhou o apoio de toda a sociedade, como demonstra pesquisa feita entre leitores do jornal O GLOBO: Dos 4707 que haviam se manifestado até às 18h50m desta terça-feira, apenas 16,42 se declararam contra a greve dos bombeiros.

População ao lado dos seus bombeiros
Maior é a indignação dos cidadãos mais envolvidos nas lutas sociais, como se infere do desabafo de Abílio Tozini, do Sindicato dos Petroleiros e presidente da Associação dos Moradores da Lauro Muller, primeira entidade no gênero no Estado do Rio, da qual fui fundador, em 1975:

“Como sindicalista ligado à CUT e como comunitário ligado à FAMRIO, FAMERJ e CONAM, como filiado e militante do Partido dos Trabalhadores, conclamo que estas entidades, bem como TODAS AS CENTRAIS, ENTIDADES DE LUTAS PELA MORADIA, PARTIDOS QUE se dizem AO LADO DO POVO que se solidarizem de forma OFICIAL em FAVOR DOS BOMBEIROS, exigindo a IMEDIATA LIBERTAÇÃO DOS TRABALHADORES BOMBEIROS PRESOS, a IMEDIATA NEGOCIAÇÃO pelo GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL e que DEPUTADOS E SENADORES TOMEM VERGONHA NA CARA E VOTEM PELA APROVAÇÃO DA PEC 300 JÁ!”

A crise tende a se agravar com a decisão da juíza Maria Izabel Pena Pieranti, que negou habeas corpus para alguns dos 439 bombeiros presos, acusados de motim e expostos a punições que incluem, além da demissão em massa, penas que chegam a 8 anos de prisão.

Diante da gravidade do caos e da intransigência e arrogância do governador Sérgio Cabral, a população está sendo mobilizada para um grande ato de solidariedade aos bombeiros neste domingo, a partir das 9 da manhã, com concentração em frente ao Copacabana Pálace.

Nesse momento, só a pressão da sociedade poderá reverter essa situação insólita. A população sabe o quanto precisa desses homens e como eles foram presentes em momentos dramáticos, alguns com o sacrifício da própria vida.

Só a voz do povo nas ruas  realmente tem condições de apagar esse fogo que a todos chamusca,chmando o governador à razão e  abrindo caminho para a concessão de salários dignos  a esses soldados de que tanto precisamos.
Os vencimentos da corporação no Brasil

De acordo com uma lista divulgada pelo blog SOSGuarda Vidas, o governo do Rio paga o menor salário do Brasil, e ainda sem o auxílio/vale-transporte. Os bombeiros pedem o aumento para R$ 2 mil líquidos, incluindo o auxílio e o cancelamento de gratificação.
Confira a lista com salários brutos dos bombeiros no Brasil:
01º - Brasília - R$ 4.129.73
02º - Sergipe - R$ 3.012.00
03º - Goiás - R$ 2.722.00
04º - Mato Grosso do Sul - R$ 2.176.00
05º - São Paulo - R$ 2.170.00
06º - Paraná - R$ 2.128,00
07º - Amapá - R$ 2.070.00
08º - Minas Gerais - R$ 2.041.00
09º - Maranhão- R$ 2.037.39
10º - Bahia - inicial - R$ 1.927.00
11º - Alagoas - R$ 1.818.56
12º - Rio Grande do Norte - R$ 1.815.00
13º - Espírito Santo - R$ 1.801.14
14º - Mato Grosso - R$ 1.779.00
15º - Santa Catarina - R$ 1.600.00
16º - Tocantins - R$ 1.572.00
17º - Amazonas - R$ 1.546.00
18º - Ceará - R$ 1.529,00
19º - Roraima - R$ 1.526.91
20º - Piauí - R$ 1.372.00
21º - Pernambuco - R$ 1.331.00
22º - Acre - R$ 1.299.81
23º - Paraíba - R$ 1.297.88
24º - Rondônia - R$ 1.251.00
25º - Pará - R$ 1.215,00
26º - Rio Grande do Sul - R$ 1.172.00
27º - Rio de Janeiro - R$ 1.031,38 (sem vale-transporte)

domingo, 5 de junho de 2011

Quem camufla negócios privados não serve para a vida pública

“Palocci sonegou a informação à Presidenta da República e ao povo brasileiro.Palocci não tem o direito de ocupar um cargo público”.
Paulo Henrique Amorim, no seu site Conversa Afiada.

Na entrevista exclusiva, negócios privados são escondidos
Tinha decidido não meter meu bedelho nesse caso do ministro Antônio Palocci devido à má fé como conhecidos negocistas estavam se posicionando, querendo fazer do limão uma limonada muito mais por ser ele ministro da sra. Dilma Rousseff e muito menos por um suposto arrepio diante das revelações sobre o meteórico crescimento de seu patrimônio, graças aos clientes confidenciais que encheram sua pança.

Não reconheço autoridade em quem se locupletou por tantos anos, principalmente na farra das privatizações-doações, sobre as quais o próprio governo Lula fechou os olhos, negando-se a proceder a indispensável devassa de todos os perniciosos negócios transados em prejuízo do Brasil.

Vi desde o primeiro momento um discurso com a amargura de quem é capaz de qualquer expediente para sair da pindaíba política, para ressuscitar de três pauladas plebiscitárias seguidas.

Nessas horas, não falta quem saia atirando, como se estivesse diante de um enriquecimento inédito, como se essa não fosse a macabra rotina de um Estado onde já existe há décadas uma deletéria parceria “público-privada”, na qual meter a mão na massa é quase um dever de ofício.

Vi do meu jeito que os interessados na queimação de Palocci não eram apenas os adversários oposicionistas. Sinais de fogo amigo espargiram-se na atmosfera pesada de um ambiente por si poluído. Infelizmente, é cada vez mais raro encontrar na corte e no seu entorno figuras com espírito público.

Não exagero em afirmar com todas as letras que a privatização do Estado se dá de forma sórdida, pela ação vampiresca de quem faz de sua própria ambição pessoal, até mesmo de suas vaidades, a mola do processo: o que é bom para cada um, individualmente, nem sempre é bom para o Estado como um todo.

Mas a história é implacável com a imprudência e o desprezo pelo recato. Pessoalmente, já havia me perguntado por que um médico sanitarista, de militância comunista na juventude, tenha se aburguesado ao ponto de comprar um apartamento de R$ 6 milhões (o declarado, e a gente sabe que se manipula muito com preços de imóveis) para oferecer à sua família uma vida de fausto, exclusiva de uma elite espoliadora, que contrasta com sua retórica juvenil e com o próprio discurso de hoje, quando vai ao encontro das massas sofridas prometendo dedicar seu mandato exclusivamente a elas.

Isso por si já demonstra uma atitude cínica e hipócrita: os verdadeiros próceres das causas populares não podem se enredar na extravagância de delirantes sonhos de consumo, através dos quais viram a casaca e perdem a noção do relacionamento crítico com o capitalismo selvagem que sustenta uma degradante pirâmide social.

Esse aburguesamento desvairado, essa opção por uma vida de casta, que só a alguns o sistema permite, teria que ter uma origem nada moral. É a velha sina: o dinheiro que entra fácil sai fácil.

Ao contrário do seu colega José Dirceu, que foi cassado, Antônio Palocci retornou ao Congresso em 2006 com 152.246, a sua maior votação pessoal em todas as eleições que disputou, desde a primeira, em 1988, quando ganhou o mandato de vereador em Ribeirão Preto, aos 28 anos.

Esses votos por si deveriam ter servido para reabilitar sua auto-estima e sacramentar seu compromisso com a vida pública, sem precisar de montar uma empresa com atividades que nada têm com o seu saber acadêmico. Afinal, ele tinha caído do Ministério da Fazenda após episódios desgastantes, um dos quais chocou a nação inteira – a quebra do sigilo bancário de um caseiro que presenciara alguns dos seus deprimentes desvios de conduta.

A história tem sido rica na revelação da mudança de comportamento de muitos supostos idealistas ao se verem com a faca e o queijo na mão. Mas tem se mostrado igualmente mais implacável com os novos corruptos, com aqueles que cresceram na exibição de uma honestidade de palanque, volatizada ao assomar o poder.

Os mais engajados não poderão perder de vista a queda da União Soviética, 72 anos depois da revolução que triunfou em nome de um mundo novo de justiça social, austeridade e trato decente da coisa pública. Mas que se desmanchou quando uma nova classe de apaniguados ficou à vista aos sacrificados.

Esses mesmos engajados têm um exemplo oposto: apesar do bloqueio econômico perverso e de todas as conspirações da grande potência imperialista, a revolução cubana sobreviveu, em alguns momentos a pão e água, porque o povo daquela ilha nunca teve dúvida quanto à lisura e a modéstia dos seus dirigentes. Sofria a massa, mas nunca se soube de que qualquer um dos líderes cubanos levasse uma vida de lorde.

Essa entrevista do ministro Palocci e mais novas revelações a seu respeito me levam agora a uma convicção, construída de forma imparcial, como simples observador de cabelos brancos: quanto mais dias ele permanecer no governo da presidente Dilma Rousseff, pior para ela.

Primeiro, porque continuará no foco da desconstrução desse governo, que é bem diferente do seu antecessor, na própria dessemelhança de histórias pessoais e políticas, de temperamentos e de personalidades. Certas coisas que o carisma de Lula permitia não cabem na figura da primeira mulher a presidir o Brasil.

Depois, pelo precedente que encerra. É fato que não se pode inferir do enriquecimento meteórico antes de estar no governo a razão automática para que o ministro seja descartado. Mas a avaliação a ser feita tem de considerar o pesado ônus que sua permanência à frente da Casa Civil acarreta, na medida em que ele sustenta segredos profissionais que a toda ilação se oferecem.

Até a escolha de um único jornalista e de uma única televisão para a difusão de suas explicações acabou gerando mais suspeitas. É difícil à massa média da opinião pública descartar um acordo de perguntas de cartas marcadas, às quais respondeu de forma burocrática e cosmética, sem convencer nem aos correligionários.

Onde quer que vá consultar nos compêndios da história, a presidente da República vai encontrar exemplos fatais daqueles que não souberam entender as entrelinhas do jogo político e não cortaram os males pela raiz.

Nesse ponto, têm razão os que dizem que Palocci jamais poderia ter assumido um papel tão importante no governo, pois de há muito ele descobriu sua vocação para “consultorias” que rendem muito mais do que os vencimentos de ministro, com os quais jamais poderia sonhar em comprar o super-apartamento de declarados R$ 6 milhões.

Palocci se nivelou aos que priorizam seus interesses e seu gozo pessoal no exercício da vida pública e isso ele fez questão de assumir, ao lembrar outros exemplos que justificariam a prestação de serviço que fez a clientes camuflados a sete chaves, como se essa relação clandestina encobrisse mais do que práticas normais no mundo empresarial.

Ele é um péssimo exemplo de novo rico, de emergente dedicado a ganhos por baixo do pano, à sombra, algo mais adequado à guerra suja, à espionagem industrial. Deixou de ser um homem público para se converter num promissor homem de negócios, independente da armadura legal de sua avassaladora “consultoria”. Não será surpresa se já não tiver seu iate, seu dinheirinho nos paraísos fiscais, tudo como manda o figurino de uma elite magnetizada pelo orgasmo pecuniário, pelo prazer sem limites morais, como diria o outro, até mesmo pelo ganho exagerado sem qualquer responsabilidade social, esse revestimento que está muito em moda hoje em dia.

A presidente Dilma Rousseff, que declarou um patrimônio de R$ 1 milhão, e que demonstra um grande apreço pelos valores morais que nos embalaram na juventude, não tem porque tê-lo a seu lado, como se fosse o novo “bom burguês”.

A menos que tenha vocação suicida. Ruim para ela e para as instituições democráticas.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Volta de Fujimori no Peru, o sonho de consumo da direita golpista

Para impedir a vitória de Ollanta Humala ,  o sistema não se constrange em apoiar a filha de um ditador condenado
"A eleição da candidata da direita, Keiko Fujimori, à presidência do Peru seria o pior resultado possível, pois significaria o mesmo que atribuir o poder novamente a seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, preso por violações dos direitos humanos e corrupção"
Manifesto assinado por 99 intelectuais peruanos de várias tendências.

A direita latino-americana  faz qualquer coisa para imnpedir a vitória de Ollanta Humala, símbolo dos sonhos incas
Essa disputa no Peru, com segundo turno no próximo dia 5, mostra o nível de insensatez que envolve políticos e jornalistas brasileiros amargos, provavelmente em busca de compensações psicológicas para seus fracassos entre nós.

Torcer pela vitória da filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de cadeia por roubo, corrupção e violação dos direitos humanos, é identificar-se com o que houve de pior em nosso país naqueles anos que poucos têm coragem de defender e ainda tratam de escamotear, com a pressão para que não se apure nada das atrocidades cometidas.

Mas há quem sonhe com o retorno do “fujimorismo” no Peru como uma revanche diante das seguidas derrotas acumuladas aqui. Essa postura irresponsável e passional me lembra o torturador Solimar, que transformava cada interrogatório na Ilha das Flores em espetáculo de puro sadismo – um sadismo que acabava sendo mais importante do que a inquirição em si, como contei no meu livro CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA.

Campanha com dinheiro sujo

A comparação me ocorreu exatamente por conta da simbologia dessa candidatura, alicerçada em muita grana roubada no tempo em que seu pai prendia e arrebentava, e no apoio de uma elite empedernida, que conserva sua condição de minoria aversa à civilização inca, ainda identificada com Francisco Pizarro, o exterminador de milhares de nativos. Há muito dinheiro numa campanha em que o expediente do “clientelismo” encobre uma compra de votos em massa.

Essa cruzada que recorre a todos os expedientes imagináveis tenta prioritariamente impedir a vitória de Ollanta Humala, - o guerreiro que tudo olha, na linguagem inca - um oficial nacionalista que encarna hoje os sonhos do general Juan Velasco Alvarado, líder de um governo militar que desafiou os interesses internacionais em plena farra das ditaduras forjadas pelos EUA – de 1968 a 1975. E cujo legado inspira as idéias de soberania, tal como aconteceu com o general Omar Torrijos, líder nacionalista do Panamá, morto em acidente aéreo provocado pela CIA, em 1981, conforme relato do seu ex-agente John Perkins.

A pressão contra Ollanta Humala decorre principalmente do que ele representa no contexto de uma América Latina em que muitos militares assumem posições distantes da School of the Americas (hoje, Western Hemisphere Institute for Security Cooperation) o centro de lavagem cerebral que desde 1946 fez a cabeça de mais de 80 mil oficiais do continente, induzindo-os a participarem da “guerra fria”, como aliados incondicionais dos Estados Unidos.

Quer dizer: essa paixão doentia da direita brasileira pela filha de Fujimori, que tem como principal preocupação tirar da cadeia o pai e seus cúmplices condenados, sinaliza a rearticulação de um retrocesso perigoso, que ganhou fôlego (mas não vingou totalmente) com a vitória do milionário Sebatián Piñera para a presidência do Chile.

Não é, portanto, uma opção de natureza política dentro das regras do jogo democrático, tão decantado por esses grupos. Porque figuras da direita peruana que não querem a volta da ditadura, ao contrário da nossa direita, consideram a candidatura da sra. Fujimori uma afronta a todos os valores democráticos peruanos.

Até o escritor Mário Vargas Llosa, obstinado defensor das idéias mais reacionárias no Peru, assinou o manifesto de 99 intelectuais advertindo para o retrocesso que seria uma vitória de Keiko Fumori. Com o mesmo raciocínio ex-presidente Alejandro Toledo, que ficou fora do segundo turno de domingo, formalizou seu apoio a Ollanta Humala, dentro da mesma preocupação dos intelectuais peruanos.

Um ditador condenado e na cadeia

Alberto Fujimori foi condenado a 25 anos de cadeia no Peru por acusações muito graves:
Violação de direitos humanos: 1.- Homicídio qualificado, lesões graves e desaparecimento forçado nos massacres de Barrios Altos (1991), onde morreram 15 pessoas que participavam de uma festa, e da Universidade La Cantuta (1992), cujas vítimas foram um professor e nove alunos. Estes crimes foram cometidos pelo grupo paramilitar Colina, comandado pelo então assessor presidencial Vladimiro Montesinos, também condenado.

2.- Homicídio qualificado, desaparecimento forçado e torturas praticadas nos porões do Serviço de Inteligência do Exército (SIE) a agentes do organismo, crimes denunciados desde 1997.

Por corrupção: 3.- Desvio de dinheiro público, atentado contra a fé pública e formação de quadrilha por pagar US$ 15 milhões a Montesinos por seus dez anos de serviço ao Governo de Fujimori. Após receber o pagamento, o ex-assessor fugiu para o Panamá.

4.- Formação de quadrilha e corrupção ativa por pagamentos a parlamentares de outros partidos para apoiarem a reeleição no ano 2000, como foi comprovado em uma série de vídeos gravados pelo próprio Montesinos.

5.- Ocultação de provas, usurpação de funções e abuso de autoridade por ordenar a invasão ilegal da residência de Montesinos para apreensão de vídeos e documentos incriminatórios.

6.- Violação do segredo das comunicações, desvio de fundos públicos e formação de quadrilha por espionagem telefônica de dezenas de políticos, empresários, jornalistas e funcionários ordenado por Montesinos.

7- Crime contra a administração pública, usurpação de funções e desvio de fundos públicos pela compra da linha editorial de diversos meios de comunicação.

A filha do retrocesso e da trama

Keiko Fujimori chegou ao segundo turno por uma manobra solerte do atual presidente Alan Garcia, que não pode disputar a reeleição e agora trabalha para desestabilizar a candidatura de Humala, esperando criar uma crise institucional, no caso de uma vitória dela, quando poderia ser chamado a “permanecer no poder” para garantir a ordem no país.

Estamos, pois, diante de um pleito que engorda a coletânea de tramas golpistas da direita continental, para a qual a existência de governos alheios à influência da grande potência colonial tem de ser solapada, mesmo que tenha que se servir da pior escumalha política.

A única garantia de estabilidade democrática nesse país vizinho de quase 29 milhões de cidadãos é a vitória de Ollanta Humala. O contrário seria uma perigosa senha para os golpistas incorrigíveis de todo o Continente latino-americano.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.