sábado, 28 de maio de 2011

O dinheiro sujo da grande corrupção: dele quase não se fala (por razões óbvias)

“Depois de estudar 23 países, Raymond Baker, diretor de um think tank de Washington, elevou (as perdas com as fraudes) a US$ 2 trilhões, e conclui que 3% do total podem ser atribuídos à corrupção política, um terço ao crime organizado e entre 60% e 65% a manobras ilícitas de pessoas físicas e grandes empresas. Traduzindo: os ricos evadem o dobro do dinheiro que os políticos e o crime organizado juntos”.
Marcos Oliveira e Sérgio Souto, colunistas do MONITOR MERCANTIL

No gráfico acima, os paraísos fiscais que abrigam o dinheiro sujo

   É curioso, mas a gente raramente vê na grande mídia falatório sobre as fraudes dos empresários grandalhões, assim como não se exibe os corruptores ao lado dos corrompidos – e, como qualquer rapazote sabe, no ritual da corrupção um não existe sem outro.

Está claro que a corrupção é um cancro que se espalha sob formas variadas. Mas a amplitude de sua genealogia é restrita a alguns especialistas cujas revelações são confinadas no âmbito de alguns círculos intelectuais.

Raymond Baker talvez tenha sido quem mais se aprofundou na devassa dos crimes de dilapidação do dinheiro público. Autor de "Capitalism's Achilles Heel: Dirty Money and How to Renew the Free-Market System" (O Calcanhar-de-Aquiles do Capitalismo: O Dinheiro Sujo e Como Reavivar o Sistema de Livre Mercado), ele hoje está á frente da Força-Tarefa sobre Integridade Financeira e Desenvolvimento Econômico, que reúne entidades da sociedade e cerca de 50 governos, ligados na investigação e análise do uso criminoso do dinheiro público e da sonegação institucionalizada.

Radiografia da grande corrupção

Em outubro de 2005, Baker escreveu: “Ao longo das últimas quatro décadas, foi sendo aperfeiçoada uma estrutura que facilita as transações financeiras internacionais ilegais. Essa estrutura de "dinheiro sujo" consiste em paraísos fiscais, jurisdições sigilosas, cobrança de preços por transferências, empresas de fachada, fundações anônimas, contas secretas, solicitação de lucros obtidos de fontes ilegítimas, propinas e brechas remanescentes nas leis dos países ocidentais que encorajam a entrada de dinheiro criminoso e decorrente da sonegação de impostos.
Apenas o esboço dessa estrutura já existia em 1960, por exemplo. Hoje, aproximadamente metade do comércio entre países envolve partes deste sistema, que frequentemente é usado para gerar, transferir e ocultar dinheiro ilegal.
Muitas multinacionais e bancos internacionais fazem uso rotineiro dessa estrutura, que funciona ignorando ou desviando-se das tarifas, dos impostos, das leis financeiras e da legislação contra a lavagem de dinheiro. O resultado é pura e simplesmente a legitimação da ilegalidade”.

Trabalhando com base nos estudos de Raymond Aron, John Christensen, do Secretariado internacional da Rede pela Justiça Fiscal, observou: “A sonegação de impostos corrompe os sistemas fiscais do Estado moderno e solapa a capacidade de prover serviços exigidos por sua cidadania. Isso representa a forma mais alta de corrupção, pois priva diretamente a sociedade de recursos públicos legítimos. Entre os sonegadores estão instituições e indivíduos que desfrutam de posições sociais privilegiadas, porém se consideram uma elite separada da sociedade e rejeitam “quaisquer obrigações intrínsecas à cidadania numa sociedade normal” (Reich, 1992).
Esse grupo inclui indivíduos ricos e pessoas de renda alta, além de uma infra-estrutura de colarinho branco de banqueiros profissionais, advogados e contadores, acompanhados de uma infra-estrutura extraterritorial de paraísos fiscais com sistemas de governo, judiciários e autoridades regulatórias quase independentes.
Portanto, esse tipo de corrupção envolve um conluio entre atores do setor privado e público que exploram seu status privilegiado para solapar os regimes fiscais nacionais”.

No caso da sonegação, esses estudiosos não se referem às empresas e às pessoas que são massacradas por um fisco insaciável, mas a quem mexe como muita grana, como os banqueiros, e pagam percentualmente muito menos do que pequenos e médios contribuintes pelas razões detectadas por eles.

Os grandes vilões do dinheiro sujo

É o que demonstrou Carlos Drummond, jornalista e professor da FACAMP: “Longe de ser atributo apenas de algumas pequenas corretoras, de distribuidoras de valores obscuras, de escritórios de doleiros e de comerciantes e industriais isolados que se envolvem com sonegação, falsificações contábeis, contrabando, roubo de cargas, mercado negro e adulteração de produtos, a transgressão disseminou-se no mundo dos negócios a ponto de estar presente hoje em grande parte das transações entre empresas”.

E deu exemplo: “O quadro geral dos negócios denota um fenômeno profundo, como indicou um banqueiro paquistanês entrevistado por Baker: "Nós perdemos a distinção entre o que é legal e o que é ilegal. Ninguém odeia as pessoas que obtêm dinheiro através de meios ilegais. A sociedade não está agindo como uma coibidora".

E disse mais: “As evidências do problema são abundantes. Fraudes, roubos, práticas corruptas, irregularidades contábeis, reduções fictícias de valores de ativos, crimes tributários, conflitos de interesses e outras transgressões cometidas por ícones como Citigroup, J.P. Morgan Chase, Enron, WorldCom, Bank of America, Bankers Trust, Bank of New York, Bankers Trust, Halliburton, Global Crossing, Arthur Andersen e mais de uma centena de outras grandes empresas de renome mundial no passado recente provocaram perdas para milhões de contribuintes, consumidores, aposentados e pequenos acionistas, tudo noticiado amplamente pela imprensa. O restante da América coleciona exemplos semelhantes, tanto na área financeira como na indústria, no comércio e nos serviços”.


Onde o dinheiro roubado faz falta

Quando se fala no Brasil em corrupção, os cálculos de seus danos se limitam às patifarias dos políticos, o que por si já causa enormes  estragos, apesar de representarwm apenas 3% do banquete das fraudes.

Em maio de 2010, O Decomtec (Departamento de Competitividade e Tecnologia) da Fiesp divulgou um estudo que deu uma dimensão dos prejuízos econômicos e sociais que a corrupção causa ao País.

Segundo dados de 2008, o custo médio anual da corrupção no Brasil gira em torno de R$ 41,5 bilhões a R$ 69,1 bilhões, o que representa de 1,38% a 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto).

O estudo também mostrou que, se o Brasil estivesse entre os países menos corruptos do mundo, a renda per capita do País entre 1990 e 2008 - que foi US$ 7.954 - subiria para US$ 9.184, aumento de 15,5% na média do período, ou o equivalente a 1,36% ao ano.

O levantamento ainda traz simulações de quanto a União poderia investir, em diversas áreas econômicas e sociais, caso a corrupção fosse menos elevada.

Educação - O número de matriculados na rede pública do ensino fundamental saltaria de 34,5 milhões para 51 milhões de alunos. Um aumento de 47,%, que incluiria mais de 16 milhões de jovens e crianças.

Saúde - Nos hospitais públicos do SUS (Sistema Único de Saúde), a quantidade de leitos para internação, que hoje é de 367.397, poderia crescer 89%, que significariam 327.012 leitos a mais para os pacientes.

Habitação - O número de moradias populares cresceria consideravelmente. A perspectiva do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é atender 3.960.000 de famílias; sem a corrupção, outras 2.940.371 poderiam entrar nessa meta, ou seja, aumentaria 74,3%.

Saneamento - A quantidade de domicílios atendidos, segundo a estimativa atual do PAC, é de 22.500.00. O serviço poderia crescer em 103,8%, somando mais 23.347.547 casas com esgotos. Isso diminuiria os riscos de saúde na população e a mortalidade infantil.

Infraestrutura - Os 2.518 km de ferrovias, conforme as metas do PAC, seriam acrescidos de 13.230 km, aumento de 525% para escoamento de produção. Os portos também sentiriam a diferença, os 12 que o Brasil possui poderiam saltar para 184, um incremento de 1537%. Além disso, o montante absorvido pela corrupção poderia ser utilizado para a construção de 277 novos aeroportos, um crescimento de 1383%

Esses cálculos, repito, só tratam das perdas no uso do dinheiro público. Imagine se tais estudos contabilizassem o ralo da sonegação apontado nas investigações de Raymond Baker.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Romper a armadura corporativista entre políticos, um desafio quixotesco

Porque comandei a "ocupação" da Câmara pelos taxistas explorados, paguei um preço altíssimo

"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons".
Martin Luther King, líder pacifista, assassinado em 1968, aos 39 anos.

Foi o noticiário sobre a mais recente extravagância da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a compra sem licitação de 51 carros de luxo para os vereadores, que me fez refletir sobre minha obrigação de voltar a disputar uma eleição, justamente para aquela casa, onde legislei por quase 12 anos, colecionando algumas vitórias, mas amargando como grande derrota a rejeição do meu projeto de CÓDIGO DE ÉTICA.

Isto porque ficou claro – embora nem o Ministério Público tenha se manifestado – que a Mesa Diretora incorreu claramente nas sanções previstas pelo artigo 89 da Lei 8666/93, que prevê pena de detenção de 3 a 5 anos para quem “dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses previstas em lei, ou deixar de observar as formalidades pertinentes à dispensa ou à inexigibilidade”.

É provável mesmo que, nesse ambiente onde incompetência e má fé se confundem, a Mesa Diretora da Câmara não tenha se tocado também de que não podia pagar antecipadamente pela compra de qualquer produto, muito menos de veículos que somavam mais de R$ 3 milhões e meio.

Isso tudo aconteceu e, no entanto, a atitude até mesmo de alguns vereadores mais prudentes, foi simplesmente anunciar que não aceitariam o carro oferecido pela Câmara. Questionar a ilegalidade da compra sem licitação e o pagamento antecipado, não me consta que isso tenha acontecido, embora desde a primeira reunião, em março, o vice-presidente da Casa, Leonel Brizola, tenha se manifestado contra a compra, juntamente com a vereadora Tereza Bergher. Segundo ela, os dois foram os únicos que se opuseram à essa idéia naquele momento.

Os limites dessa atitude à renúncia da mordomia decorrem da camisa de força corporativa que impera nos colegiados legislativos e nos salões do poder. No caso, é determinante também o cálculo que se faz em face da platéia. A recusa por si já seria uma demonstração de respeito ao contribuinte. Se o presidente da Câmara, sentindo-se “traído” não tivesse voltado atrás, a transação teria sido consumada mesmo que alguns dispensassem o automóvel.

Essa prática é regra. Uma casa legislativa impõe uma interdependência entre os parlamentares, que precisam dos demais para aprovarem suas leis. Romper com isso, indo fundo, só seria possível se o dissidente tivesse como mobilizar um número razoável de cidadãos.

Aprovação de uma lei meio na marra

Mobilizando os escravos das "diárias" em frente á Camara

Quando apresentei o projeto que livrava os taxistas escravos do regime das diárias – quando você paga para trabalhar no carro do “patrão” – poderosos interesses entraram em cena para impedir sua aprovação, começando por infrutíferas tentativas de “fazer minha cabeça”, imagine como.

Os donos das empresas de táxis não tinham o poder de articulação das empresas de ônibus, mas agiram rápido para bloquear a votação, através de manobras nas comissões.

Os taxistas estavam mobilizados e iam perdendo os carros sempre que os donos descobriam sua participação no movimento “Diárias Nunca Mais”. Nem mesmo a presença maciça nas galerias vencia o bloqueio.

Foi então que partimos para o confronto extremo. No cair da tarde do dia 20 de junho de 2000, ante a resistência à votação, declarei que a Câmara estava sob ocupação popular. Os taxistas não sairiam das galerias enquanto a matéria não entrasse em pauta. Um Deus nos acuda.

Foi quando o então prefeito Luiz Paulo Conde me ligou, através da sua líder, Rosa Fernandes, propondo um acordo: ele havia encontrado base na legislação e no dia seguinte assinaria decreto com todos os artigos do meu projeto. Para demonstrar que não estava blefando, marcou hora para a assinatura: às duas horas da tarde do dia 21 de junho estávamos lá, com mais de mil taxistas, testemunhando a assinatura do texto legal.

Apesar disso, continuamos a luta pela aprovação da Lei. Porque um Decreto pode ser revogado por outro. Uma Lei, só outra Lei pode revogar. E os donos das empresas, apoiados pela diretoria do Sindicato pelego, contra a qual consegui instalar CPI, haviam contratado o ex-presidente do Tribunal de Justiça, Wellington Moreira Pimentel, para derrubar o decreto no Judiciário, o que conseguiram, graças a liminares do então desembargador Paulo Cesar Salomão.

Para concluir sobre esse episódio, aprovamos a Lei 3123 em 17 de novembro de 2000, com a sanção imediata de Luiz Paulo Conde. Ao assumir, em 1 de janeiro de 2001, Cesar Maia revogou o Decreto do seu antecessor e entrou com ação de inconstitucionalidade da Lei no Órgão Especial do RJ.

Não tinha como e o relator, desembargador Gama Malcher, acolheu nesse sentido o parecer do procurador da Justiça. Ganhamos lá em 2002, mas só em 24 de março de 2004, quando conseguimos pôr a matéria na pauta do STF, tivemos uma vitória definitiva, apesar do voto contrário do relator, ministro Carlos Veloso, que acabou sendo o único. O primeiro voto divergente, do ministro Marco Aurélio Mello, levou seus colegas ao 10 a 1, decidido com o plenário do tribunal tomado por taxistas, que tiveram de alugar ternos em Brasília para assistir à sessão histórica.

Táxis ocupam Cinelãndia no dia da votação da Lei

Uma vitória que me custou a maldição de quem manda

Conto essa história para que você tenha uma avaliação da vida legislativa. Paguei um preço caríssimo pela minha ousadia, mas hoje há seis mil taxistas na praça do Rio de Janeiro dirigindo seus próprios carros, livres de diárias exorbitantes, enquanto uma autonomia – o alvará para trabalhar – chegou a ser vendida por R$ 120.000,00.

Preço caríssimo? Você não tem idéia. Nas eleições de 2004, embora bem votado, fiquei como primeiro suplente do PDT, que cedendo vez a uma candidata evangélica.

Em 2007, voltei, com a eleição de Brizola Neto para deputado federal. Mas antes mesmo de empossado, o segundo suplente, muito articulado onde se decide, começou a agir para me cassar, o que conseguiu na véspera do recesso do judiciário, com uma liminar do desembargador Nascimento Povoa Vaz que me cassou o mandato, embora ela tenha sido concedida depois de julgamento preferido pela então juíza da 6ª Vara da Fazenda Pública, hoje desembargadora Jacqueline Montenegro.

Mais grave ainda: a liminar foi derrubada no plenário do Órgão Especial por 17 votos a 4, em maio de 2008. Mas teve sua publicação protelada, com o que me mantiveram fora da Câmara até depois do pleito.

Nesse episódio aconteceram tantas patifarias que eu disputei a eleição praticamente a pé, com o mandato indevidamente cassado e a fiscalização do TRE de então arrancando algumas placas que me foram doadas.

Mais uma vez de fora, cheguei à conclusão de que não havia espaço para alguém como eu numa casa legislativa. Pode-se dizer que entreguei os pontos, naquele instante, ainda mais porque em dezembro daquele ano, finalmente, o sistema conseguiu calar a TRIBUNA DA IMPRENSA, onde escrevia desde 1968 ( Em 1969, era seu chefe de Redação quando fui sequestrado por agentes da repressão, levado para o Cenimar, submetido a 16 dias de torturas e permanecido encarcerado por um ano e meio).

Estava até agora, sem perceber, comportando-me como aquele que já deu o que tinha de dar. Foi quando uma sucessão de fatos imorais, como esse episódio da Câmara carioca, me levou a repensar tudo e produziu em minhas veias uma nova disposição de voltar à luta política, na juventude dos meus 68 anos.

A ocupação das galerias foi a única saída para aprovar a lei

sábado, 21 de maio de 2011

Porque nossos sonhos não acabarão jamais, lutaremos onde tiver de ser

Precisamos saber se é hora de voltar ao combate direto, indo além do ato de escrever


Quando vereador, fui até o STF para garantir a minha lei que livrava os taxistas do regime escravo das diárias. Na vitória de 10 a 1 contra o recurso do então prefeito  Cesar Maia, o voto do ministro Marco Aurélio foi fundamental.

 “Nenhum homem pode fugir de seu destino”.
Sófocles, dramaturgo grego (497 AC a 406 AC)

Esse mundo que se posta ante nossos olhos não é o mundo dos nossos sonhos. É uma afronta abominável aos ideais de uma humanidade serena e profícua, justa e generosa. É a esteira dos domínios cruéis, da opressão viciada por sofismas e eufemismos disseminados por inescrupulosas máquinas de manipulação, mistificação e escravização.

Esse mundo todo, nos diferentes quadrantes, respira por aparelhos de uma engrenagem assentada na barbárie e nas leis impudicas dos mais fortes, mais espertos, mais traiçoeiros, mais covardes.

Esse mundo vil não tem dó, nem piedade. Ao contrário, lastreia-se no inconsciente sádico e perverso que alimenta o massacre dos miseráveis inertes e nutre apetites vorazes de elites cada vez mais gananciosas e mais insaciáveis.

É o mundo cão sem tirar nem por. Um mundo que se serve sem o menor recato do obscurantismo, do charlatanismo, da malícia midiática, do fatalismo e da acomodação forjada, numa ciranda sufocante e implacável.

Esse mundo absurdo não é a última palavra, porém. Não é e nem pode ser o sepulcro dos ideais solidários que sobrevivem no torvelinho da angústia crítica. Esse mundo de podres poderes soçobra nos caminhos ínvios da injustiça e da exploração entre irmãos.

Mesmo sob o manto felino da arrogância, dos fatos consumados, esse mundo, digo-lhes, não tem armadura para resistir aos nossos sonhos por todo o sempre. Um olhar arisco o verá inclinando-se para o fundo do poço, como tigre de papel, eis que nossos sonhos vêm doutras eras e doutras raízes, atravessando procelas e recusando-se a vergar-se.

A esse mundo injusto, opomos o mundo dos nossos sonhos - muito mais do que uma quimera abstrata. Porque nossos sonhos são frutos de uma realidade plausível.

Isto quer dizer: nossos sonhos não emanam de nuvens passageiras. Brotam aos cântaros na valentia dos indignados, na teimosia dos indomáveis. Por isso, nossos sonhos não acabaram, não pereceram na fornalha de uma ditadura invisível, que domina pela sonegação do conhecimento, pelo direcionamento das amarguras e pelo incremento da boçalidade astuta.

Desde outubro de 2008, contentei-me com o verbo virtual. Fiz da grande rede a tribuna exclusiva das minhas reflexões. Circunscrevi a luta ao ato de explodir pelo teclado uma indignação que é de milhões de brasileiros, mas que só chega a alguns milhares nos limites de uma banda larga que ainda não alcança nem motiva as multidões desinformadas.

Procurei equipar-me mais e melhor através da mala direta, do blog, do you tube, das redes sociais. Fiz muito, mas fiz pouco, considerando o que produziria se me expusesse mais uma vez no cerne dos acontecimentos, ali, onde se decide, onde as palavras se encorpam e viabilizam ações no fremir dos embates frontais, no cenário das grandes batalhas.

Foi ali, no teatro dos entreveros políticos, nos conflitos diante das urnas, que assimilei meu compromisso sagrado com a causa da justiça e da liberdade, no sonho magnânimo do mundo melhor, obrigação irrenunciável dos que devassaram a história e viram nas entrelinhas do passado sofrido o livro aberto de um mundo de todos e para todos, sem postergações marotas, sem hipocrisias farsescas, nem desculpas reles.

Estou consciente, portanto, que há uma enorme diferença entre escrever e intervir, criticar e agir. No meu caso, isto é tanto mais evidente quando não dispomos mais nas bancas de nossa TRIBUNA DA IMPRENSA, trincheira que parou porque até hoje espera uma decisão judicial sobre as enormes perdas sofridas durante o período obscuro de perseguições sofridas na ditadura.


Neste instanto, reflito sobre a possibilidade de voltar à liça, ao corpo a corpo dos embates das ruas, da disputa das urnas. É o que me parece um dever diante de tantas farsas, tantas omissões, tantas burlas. Espero sua opinião sobre essa reflexão.

Voltarei a falar a respeito muito em breve.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Os carros que mostram a natureza irresponsável de uma Câmara Municipal

“Noventa por cento dos políticos dão aos 10% restantes uma péssima reputação”

Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA

Clque na foto e veja comentário de PEDRO PORFÍRIO no YOU TUBE


No gráfico de O GLOBO o retrato da irresponsabilidade dos vereadores
 A Câmara do Rio de Janeiro, tem por vício pisar na bola, como as congêneres de todo o país, beneficiando-se do caráter periférico dos legislativos municipais. Isto é, como o foco da mídia privilegia Brasília, os parlamentos locais pintam e bordam sob a proteção de uma penumbra tentadora.


É bem verdade que há ainda alguns vereadores decentes. E que, trabalhando-se com dedicação e persistência é possível fazer leis que justifiquem a existência de um poder legislativo citadino.

Mas a atuação da meia dúzia de três ou quatros vereadores corretos é cada vez mais bloqueada. Nas casas legislativas do Brasil há uma tendência inercial de formação de maiorias acachapantes no “dá lá toma cá” de interesses espúrios. Maiorias, via de regra, atreladas ao Poder Executivo, a quem incumbiria fiscalizar.

Esse episódio da compra de carros de luxo, que despertou a indignação geral da população carioca – uma pesquisa de um jornal na internet mostrou que 96% dos cidadãos a condenavam – é apenas a ponta de um iceberg.

Uma casa de privilégios comprometedores

Ao longo dos anos, a casa que ganhou o epíteto de “gaiola de ouro” já na época do antigo Distrito Federal (década de 50) tem se esmerado em abusivos acréscimos de privilégios que se forjam em plena luz do dia, enquanto muitos dos seus parlamentares costumam rechear seus orçamentos na calada da noite, negociando votações de matérias encomendadas por grupos econômicos – liderados pela construção civil e pelas empresas de ônibus.

Estive na Câmara na quinta-feira, participando de uma audiência pública sobre os guardas municipais, todos concursados, que uma emenda à Lei Orgânica de minha autoria transformou em servidores públicos. Tal emenda foi derrubada na Justiça pelo prefeito Cesar Maia, sob a alegação de que tratava de despesas, mas acabou virando promessa de campanha dos candidatos a prefeito: eleito, Eduardo Paes encaminhou nova proposta semelhante à minha, mas, embora ela tenha sido aprovada em 2009, o processo de transformação ainda não saiu da estaca zero: até hoje os guardas, que eram os únicos no Brasil empregados por uma empresa pública sob regime celetista, não tomaram posse como estatutários.

Encontrei alguns vereadores e o clima era de tensão. Carlos Eduardo, um aguerrido parlamentar do PSB, foi logo me dizendo: informe a seus leitores que recusei terminantemente esse carro; não há necessidade nenhuma para sua compra.

Rubens Andrade, também do PSB, lembrou que há muito mais o que considerar numa visão crítica da Câmara. E tem razão. A compra dos carros, que já havia sido tentada na década de 90, pega muito mal, porque é uma desnecessária ostentação de mordomia.

Agora, seria uma boa oportunidade para uma criteriosa lavagem de roupa dessa casa de leis, de onde saíram 4 dos seus mandatários direto para a prisão e onde, infelizmente, se chega lá hoje menos pelo espírito público e mais pela manutenção de caríssimos “atendimentos sociais” que se aproveitam do sucateamento dos serviços públicos; pelo uso da máquina oficial, por pressão de milícias e por campanhas milionárias, que custam muito mais do que os subsídios pagos durante os 4 anos de mandato.

Essa não deu para empurrar goela a dentro

O fato de que o presidente Jorge Felipe tenha decidido suspender a compra dos carros não significa que houve uma opção pelos bons modos. Essa atitude era a única cabível, ante a pressão da opinião pública. Do contrário, a casa corria risco até de ser invadida por pessoas indignadas.

Mas, independente de outras mazelas ali, como a contratação excessiva de pessoal terceirizado, sem concurso e sem controle, da quantidade do pessoal de Gabinete, é preciso olhar também para outros órgãos públicos que colecionam mordomias, inclusive com carros de luxo para seus titulares, e para outras casas legislativas, como a Assembléia do Estado, que acaba de renovar sua frota com os mesmos veículos de luxo pretendidos pela Câmara carioca.

Para ser coerente, essa mesma mídia que soube captar a revolta dos cidadãos, poderia fazer um levantamento também nos três poderes. Pode ser que essa Câmara tenha boas companhias, que permanecem na moita.

O preço de um Código de Ética sério

Em tempo: em relação à Câmara Municipal, falo de uma instituição a que pertenci por onze anos, e da qual fui excluído por uma liminar inacreditável, concedida por um desembargador ao suplente apadrinhado pelos “capos” que até hoje manobram a maioria fisiológica.

Na época – 2007 – escrevi bastante a respeito na TRIBUNA DA IMPRENSA. O suplente obteve a liminar quando ainda não havia jurisprudência sobre filiação partidária. Insatisfeito com a guinada para o fisiológico do PDT, eu havia saído desse partido, tanto quanto ele, que caiu fora por motivos bem diferentes.

O mesmo desembargador que me privou do mandato por ter deixado o PDT não tomou conhecimento de que o suplente havia feito o mesmo, e deu posse a ele. E me retirou da Câmara quando estava de novo filiado ao PDT, por considerar que o mandato era do partido. Tudo numa sequência inacreditável de desrespeito ao direito, às leis e à vontade popular.

Nos onze meses em que fiquei na Câmara, no quarto mandato, passei a enfrentar uma saraivada de pressões em todos os níveis. Os seus cabeças não me perdoavam pela luta que travei para aprovar um Código de Ética rigoroso e sumário, proposta que foi derrotada por 28 a 9, fato que teve muito repercussão e que serviu para mostrar o verdadeiro perfil da casa. Na ocasião, alguns jornais divulgaram os nomes dos vereadores que derrubaram o projeto do Código de Ética.

Desde então, embora tivéssemos derrubado a liminar no plenário do Órgão Especial do TJ, tal desembargador, na condição de relator, foi procrastinando o meu retorno, o que só aconteceu depois das eleições de 2008, que disputei em condições precárias. O suplente acabou executado sabe Deus por ordem de quem, tantas pessoas envolveu no seu golpe. Todo mundo sabia que ele era barra pesada, mas até hoje, dois anos e meses depois, seu caso permanece na prateleira dos casos sem solução, sabe Deus também por que.

Uma irresponsabilidade que queima os políticos

Com esse episódio dos carros de luxo, a Câmara do Rio de Janeiro expôs uma natureza irresponsável e a falta total de compromisso com a democracia.

Deu ferramentas aos que jogam na descrença total do povo em relação às suas instituições políticas e à vida pública, o que é por si uma perigosa atitude. A generalização da classe política como um exército de maus elementos leva a um equivocado afastamento, deixando terreno livre para que o exercício dos mandatos seja privativo de ladrões, corruptos e graneiros.

Por outro lado, episódios tão deploráveis como esse dos automóveis acabam caindo no esquecimento daqui a pouco, facilitando a reeleição desse magote de aproveitadores que têm vocação para tudo, menos para a vida pública. Que não estão nem aí para as causas da cidade e só tratam de se locupletarem enquanto tiverem uma cadeira numa casa legislativa ou participarem de outros órgãos da administração.

Mais do que nunca é preciso que cada cidadão assuma suas responsabilidades na escolha dos seus representantes.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O analfabeto político é um virtual criminoso social

“Os podres poderes fortalecem os argumentos pela indiferença e o não envolvimento na política. É o moralismo abstrato e ingênuo que oculta a ignorância e dissimula a leviandade egoísta dos que não conseguem pensar para além do próprio bolso. O analfabeto político não sabe que sua indiferença contribui para a manutenção e reprodução desta corja de ladrões que, desde sempre, espreitam os cofres públicos, prontos para dar o golpe à primeira oportunidade que surja. Os analfabetos políticos não vêem que lavar as mãos alimenta a corrupção”.
Antonio Ozaí da Silva , escritor e Docente na Universidade Estadual de Maringá
(Artigo completo na revista ESPAÇO ACADÊMICO, março de 2004)


No passado, escravizava-se com grilhões nas senzalas. Hoje, a moderna tecnologia estabeleceu formas sofisticadas de escravidão – o uso da eletrônica para mantê-lo alienado, indiferente, motivado por outras sensações.

Toda a ciência da indução é usada para paralisar os cérebros. Milhões de pessoas passaram a delegar o seu hábito de raciocinar. Não pensam. Deixam que a máquina pense por elas. E seguem seus passos, posicionam-se em função da carga de informações servidas com o sabor dos doces mais apetitosos.

Faço esse preâmbulo ao apresentar minha opinião de hoje, severa, mas incontestável: o analfabeto político é um virtual criminoso social.

Gravei um vídeo e escrevo a propósito da repercussão da matéria sobre a necessidade de mobilização dos mais velhos, os alvos centrais da “otimização de custos” dos serviços públicos, aqueles que são vistos como uma ameaça social porque o aumento da expectativa de vida, algo altamente enternecedor, é apresentado com as tinturas do terror.

Muitos leitores me escreveram sugerindo que mobilizássemos para a criação de um partido de aposentados – que já existiu, sabe Deus como, até ser “comido” pelo PTB de Roberto Jefferson para somar votos e garantir os valores robustos do dinheiro público, através do Fundo Partidário.

Despolitização programada como grilhões da modernidade

Penso, no entanto, que a questão é mais ampla. O grande problema é a despolitização do povo, essa tendência cada vez mais ostensiva de virar as costas para a atividade política, deixando que ela seja privativa dos profissionais da lambança, da corrupção, das propinas, do exercício do mandato em causa própria.

A máquina do sistema trabalha com esse propósito, inoculando na esmagadora maioria dos cidadãos a idéia de que “todos os políticos são iguais” na prática de repetidos atos delituosos.

Com essa versão consolidada, o cidadão eleitor torna-se presa fácil da malta de políticos bandidos, destituindo-se dos critérios críticos que sinalizariam diferenças protuberantes entre mandatários.

Há ainda homens de bem na vida pública. Serão menos a cada eleição, na medida em que os cidadãos torcerem o nariz para a política ou sufragarem qualquer um, sem nenhum grau de exigência.

Pautados por uma máquina inescrupulosa de fazer cabeças, os cidadãos vão sendo dominados no esplendor de perdidas ilusões. E são cada dia levados a maiores sacrifícios, em função de sua ignorância política.

Pagamos por serviços privados pela insuficiência do Estado

Veja que coisa mais patética: pagamos altos tributos, em todos os níveis, para desfrutar de algumas obrigações de Estado, como educação, saúde pública e segurança. No entanto, somos forçados a enviar nossos filhos para escolas particulares, contratar onerosos planos de saúde e pagar a empresas particulares de segurança para suprir a deliberada deficiência das forças policiais.

Esses três serviços, que são da essência das responsabilidades dos governos, que representam parcelas consideráveis dos orçamentos, são hoje, paradoxalmente, os melhores negócios da atividade privada.

Os cofres das escolas e faculdades particulares estão abarrotados. Há redes de ensino superior que já ultrapassaram nossas fronteiras. A Estácio virou Estácio Participações e é controlada por fundos de investimentos através da GP Investments, com ações na Bolsa, 205 mil alunos nos cursos de Graduação e ramificações em 20 estados e países vizinhos.


Com a má gestão da saúde pública
, os planos privados se fartam
 Na área da saúde, que desfruta de um dos maiores orçamentos públicos, a qualidade dos serviços continua ruim, com algumas exceções, favorecendo a pujança dos planos privados. Aí, se aprofundarmos, as responsabilidades são fomentadas por um ambiente privatizante que seduziu a grande maioria dos médicos.

Uma oferta da Prefeitura do Rio de Janeiro, através de uma organização terceirizada, de salários que podem chegar até R$ 15 mil não tem sido suficiente para atrair a uma quantidade suficiente de profissionais. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, seus colegas rejeitam as 40 horas semanais e isso impõe uma conversa sincera, a que nos dedicaremos em outra oportunidade, esperando ter a compreensão e ajuda dos muitos profissionais da saúde que leem nossas colunas.

De qualquer forma, estamos num país que exacerba ao extremo as pretensões pessoais, como tenho dito. Numa ambiente em que a regra é o sucesso individualizado, tudo é possível. Difícil será imaginar alguém, em qualquer ramo de atividade, impregnado do espírito público, do despojamento, que faça do “compromisso social” mais do que uma linguagem do marketing empresarial.

Distorção grave vem se agravando na área de segurança. Embora existam pessoas que exercem esses serviços com a observação de certos valores morais e a convicção de que eles são indispensáveis numa sociedade em que as forças públicas não são capazes sequer de elucidar homicídios, há também outras, as que cresceram mais rapidamente, com poderosa representação política, que jogam pesado na gestão de um poder policial paralelo.

Muitas das empresas de segurança são propriedades de policiais, civis e militares, que usam terceiros, inclusive suas esposas, para escamotear sua presença. Como pode um oficial da PM ou um delegado de Polícia resolver na sua cabeça essa ambiguidade profissional?

O certo é que os Estados cobram impostos de toda natureza para nos prover de segurança. E, no entanto, como o máximo que conseguem oferecer, quando oferecem, é uma “sensação de segurança”, temos de tirar do bolso para o pagamento da proteção privada, que só no Rio de Janeiro tem hoje mais de 100 mil homens, entre os das empresas legais e os informais.

Bom, tudo isso se inclui numa agenda que só será viável na medida em que tivermos capacidade de mobilizar, de unir, de politizar.

Esse desafio, exponho também no nosso ENCONTRO MARCADO do You Tube de hoje. Para ver o vídeo que gravei, clique aqui.

domingo, 8 de maio de 2011

Dia das Mães: quando o consumismo esmaga os sentimentos

Veja o vídeo com minhas reflexões no You Tube
Até parece que a comemoração serve para compensar relações que já não têm a ternura  de antigamente

No dia das mães, mais um pique do consumo. E o sentimento, como vão as relações familiares?

Deixei para falar a respeito da data já no cair da tarde, para não cortar o barato de ninguém, nem estragar o almoço na churrascaria.


No entanto, constato que estamos cada vez mais diante de um calendário comercial, detalhadamente programado para transformar os sentimentos filiais em corrida às lojas. Tanto que o comércio chega a calcular quanto cada um vai gastar, segundo sua classe social – a,b,c,d ou seja lá qual for.

Tenho a sensação de que muitas pessoas aproveitam a data para tentar compensar com presentes uma relação que já não tem o calor de antes, quando comíamos juntos à mesa, pedíamos a benção aos nossos pais ao amanhecer e tínhamos um respeito verdadeiro – quando um simples olhar já dizia tudo.

A modernidade nos cortou os laços naturais com sua tecnologia e essa corrida desesperada pela sobrevivência que cada um persegue individualmente, como se o sistema competitivo nos houvesse inoculado o vírus da guerra interpessoal inconsciente.

Claro que ainda há famílias entrelaçados pelos mais belos sentimentos. Mas provavelmente estas não são a regra. Pode até ser que no fundo, no fundo, guardemos o melhor de nosso apreço por nossas mães. Mas essa vida corrida nos congela numa armadura racionalizada.

As relações entre filhos e mães se inserem num contexto de uma sociedade que vai onde os níveis de auto-estima e impulsos sentimentais estão em queda livre.

É isso que comento no nosso ENCONTRO MARCADO deste 8 de maio.

Para uma conversa olho no olho clique na foto.




A hora e a vez dos mais velhos

Estamos recorrendo ao video para uma conversa olho no olho, em que questionamos a omissão dos aposentados e idosos em geral, que são "punidos" por viverem mais.

E ASSISTA AO VÍDEO DE PEDRO PORFÍRIO


Voltamos a conversar “olho no olho” pelo YOU TUBE.  É o nosso ENCONTRO MARCADO COM PEDRO PORFÍRIO. Hoje, estou abordando o crescimento da população idosa no Brasil e as articulações para cortar ainda mais os benefícios da Previdência, incluindo o fim ou redução das pensões.
Tudo acontece porque os mais velhos, embora com mais tempo, não encontraram ainda o caminho da união, da troca de idéias e da mobilização em defesa dos seus direitos. 
Contribui muito para o imobilismo dos aposentados e pensionistas a alienação e a despolitização manipuladas pelo sistema. 
Parece claro que avançam em suas conquistas os segmentos mais mobilizados. Perdem terrenos os que se acomodam.
Fica, no vídeo, um apelo para que encontremos um ponto que nos reúna: afinal, nós, os idosos, somos uma força política em potencial.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Entrevista no CREA-RJ contra a demolição do viaduto da Perimetral

Em nome do projeto PORTO MARAVILHA, o prefeito Eduardo Paes decidiu  demolir o  viaduto que integra a maior via expressa do Rio de Janeiro. Só a demoição custará 1 bihão de reais e prejudicará 95 mil motoristas que fazem uso diário da Perimetral. Escrevi coluna a respeito e dei entrevista ao jornalista Nato Khandall, da tv do CREA-RJ.
Veja a entrevista clicando na foto


A entrevista é parte de um programa em que dois engenheiros também opiniaram. A nossa, nós mesmos gravamos, para fazer chegar logo ao seu conhecimento.

Saiba o que já escrevi a respeito em

De como o FGTS financiará o caos no trânsito carioca só porque a Perimetral é feia

Convido você a entrar nesse debate e na luta para evitar que a Prefeitura do Rio de Janeiro consuma essa demolição, condenada pela maioria dos engenheiros e arquitetos que se aprofundaram no assunto. Há outras alternativas, além de demolir um viaduto essencial, só porque ele “é feio”.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

E se a execução de Bin Laden for uma grande farsa?

Estados Unidos se serviram da sua imagem de super-terrorista para increntar suas guerras e inflar a indústria bélica
Obama acompanhou a execução de Osama em tempo real. A foto o mostra como figura secundária no ambiente do poder.
“Até agora, recebi três telefonemas de árabes certos de que os americanos só mataram um dublê de Bin Laden. E caberá à própria al-Qaeda esclarecer isso. Claro que, se estivermos errados e o morto for mesmo um dublê, em breve veremos surgir uma nova fita de ameaças do verdadeiro Bin Laden — e o presidente Barack Obama vai perder as próximas eleições”.
Robert Fisk, colunista do jornal “The Independent” de Londres.

A execução de Osama Bin Laden, o “terrorista”, ainda é uma hipótese. É tão provável como a suspeita de que Barack Obama, o presidente que teve de publicar sua certidão de nascimento para provar que é norte-americano, protagoniza uma grande farsa. Algo semelhante à montagem de 11 de setembro, sobre a qual há farta documentação mostrando o envolvimento do próprio governo dos EUA.

Pela variedade contraditória das versões conhecidas, têm razão os leitores do UOL, que fez uma enquete a respeito. Quando 19.864 pessoas já haviam se manifestado, 70,89% disseram não acreditar na morte de Bin Laden. Isso antes da Casa Branca se desmentir seguidamente sobre detalhes do episódio. E de Obama confirmar sua disposição de não divulgar as fotos da operação.

Mentiras causam desconfiança geral

A sequência novelizada dessa execução raia ao ridículo. Dizer que jogaram seu corpo ao mar para cumprir ritual muçulmano é de um primarismo grosseiro. Primeiro, porque a última coisa que se poderia esperar dos Estados Unidos seria esse tipo de preocupação religiosa depois de uma eliminação encomendada, que impede todo e qualquer esclarecimento. Depois porque, como disseram todos os conhecedores do islamismo, essa desculpa é uma grande balela.

Mais estranho, que soa como “queima de arquivo”, foi a ordem de execução sumária, violando todo o discurso jurídico do Ocidente. Osama estava desarmado e podia muito bem ser preso e levado a julgamento, como aconteceu com Sadan Hussein. Por que será que Obama abriu mão de tê-lo como um super-prisioneiro?

Uma farsa ensaiada pelos dois lados

Até fatos novos que me desmintam, fico com a possibilidade da farsa e vou mais além, com todo o risco que isso representa: foi uma “jogada ensaiada” com a participação de ambas as partes.

Osama Bin Laden, um dos homens mais ricos da Arábia Saudita, foi uma invenção da CIA, na década de 80 e a ela se manteve ligado até hoje. Sua última contribuição como aliado foi  o envolvimento na tentativa de derrubar Kadhafi, nas Líbia.

Vídeo sobre a verdadeira relação entre o milionário saudita e os presidentes dos Estados Unidos, narrado em espanhol, você poderá encontrar no meu próprio blog. No mesmo blog, ao pé desta matéria, há informações sobre como a CIA fez dele o seu principal homem no mundo muçulmano.

Uma ameaça aos EUA, por favor!

Se você se der ao trabalho de aprofundar o conhecimento da realidade norte-americana, verá que a queda da União Soviética e dos países da Europa socialista, bem como a guinada da China para uma economia de mercado, causaram profundos impactos estruturais na antiga potência.

Desde o início da “guerra fria” iniciada por Henry Truman, o complexo industrial-militar tem sido o eixo central da atividade produtiva americana. À falta da bipolaridade confrontal, da manipulação da “ameaça comunista”, os Estados Unidos entraram num vácuo sem solução a médio prazo. Esse trauma é mostrado com humor no filme Operação Canadá, dirigido por Michael Moore, o mesmo que assinou o documentário Fahrenheit 11 de Setembro, em que desmonstra o envolvimento do governo dos EUA no atentado.

Como nasceu o aliado

Os Estados Unidos tornaram-se aliados dos fundamentalistas islâmicos para derrubar o governo do Partido Democrático do Povo do Afeganistão, que assumiu em 1978 com uma proposta de reforma agrária, reconhecimento dos direitos trabalhistas e igualdade para as mulheres, ligando-se à vizinha União Soviética.

Os chefes religiosos e tribais não aceitaram essas idéias e mobilizaram homens com apoio financeiro da Arábia Saudita e Estados Unidos, levando o governo de Cabul  a pedir ajuda à União Soviética, que invadiu o país numa desastrada operação de guerra que pesou muito na sua própria dissolução.

Em 1986, o chefe da Central Intelligence Agency (CIA), William Casey, autorizou uma proposta de recrutamento mundial de fundamentalistas islâmicos para se juntarem à “Jihad” (Guerra Santa) no Afeganistão contra as tropas da União Soviética que tinham invadido o país.

Cem mil fanáticos islâmicos deslocaram-se então para o Paquistão, de onde eram enviados ao Afeganistão. Desses, 40 mil foram mobilizados para os combates e os restantes 60 mil frequentaram escolas corânicas para reforçarem as suas convicções e os seus conhecimentos religiosos.

Em 1988, orientado pela CIA, Bin Laden formalizou a criação da Al Qaeda (A rede) que passou a ser influente com a queda do governo progressista. Em 1992, o grupo deu o suporte para o Talibã, movimento que se enraizou entre os jovens da etnia pachtun (que se espalha entre o Afeganistão e o Paquistão) e este assumiu o poder em 1996, de onde só saiu em 2001, depois do 11 de setembro.

Um mito que servia a todos

Ao contrário do que maginavam os norte-americanos, o Al-Qaeda abriu frentes no mundo muçulmano (e fora dele) com estruturas autônomas. As informações sobre a verdadeira história do atentado às torres gêmeas provocaram um grande desgaste para Bin Laden, que  passou o comando do grupo a um coletivo e foi mantido vivo não apenas pela proteção da rede, mas também por decisões de Bill Clinton e George W. Bush, como mostra o vídeo que postei no meu blog.

Para os nacionalistas e/ou fundamentalistas islâmicos, a preservação do mito ajudava a fomentar sua expansão, embora ele pessoalmente tenha estado “fora de combate” há muitos anos, dedicando-se ao tratamento de saúde, com recurso à hemodiálise.

Para o complexo industrial-militar, a sua existência era um bom pretexto para os eleados gastos com a guerra no Afeganistão, onde os Estados Unidos têm hoje mais de 100 mil soldados. Essa guerra já custou mais de US$ 1 trilhão ao seu combalido tesouro: um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso americano revelou que só no ano fiscal de 2010 o governo Obama destinou US$ 330 bilhões a essa aventura, alimentada basicamente junto à opinião pública pela idéia que era lá que se refugiava o seu inimigo público número 1.

Guerras sob encomenda da indústria bélica

Conflitos como o do Afeganistão acabaram ajudando a consolidar, na última década, uma imponente indústria bélica que movimenta cifras extraordinárias, com a venda de armas, veículos, instrumentos e serviços.

Um documento divulgado em junho de 2010 pelo Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (Sipri) revelou que só em 2009 os gastos militares em todo o planeta chegaram a aproximadamente US$ 1,531 trilhão de dólares, garantindo uma grande margem de lucro às empresas privadas do setor. O valor representa um aumento de 5,9% em comparação aos gastos de 2008, e um salto de 49% desde 2000.

Com a entrada dos Estados Unidos na guerra do Afeganistão, após os ataques de 11 de setembro de 2001, o setor militar do país voltou a ficar em evidência. “Há um foco maior no suporte às operações de guerra e à compra de equipamentos para forças terrestres”, afirmou Michael O’Hanlon, ex-analista do Congresso para assuntos orçamentários e pesquisador sobre estratégia militar da organização independente Brookings Institution, em matéria publicada pela revista VEJA, que diz ainda:

Parte imprescindível da política externa dos EUA, a indústria bélica é prioridade financeira do governo americano. Especialistas explicam que é comum ainda o intercâmbio de funções: quando militares de alta patente se aposentam, podem assumir um lugar nos conselhos de administração de empresas do setor bélico, e empresários desse ramo também stão no topo do poder político.

Tesouro não aguenta mais despesas

O’Hanlon nega, no entanto, que o governo lucre com os negócios. “As guerras são responsáveis por grande parte do nosso déficit, que gira em torno de um trilhão de dólares”, justifica.

O problema é que o governo norte-americano esgotou sua capacidade de financiar a indústria bélica e a população já se mostra contrária ao envolvimento dos EUA no Afeganistão, com sucessivas quedas nos índices favoráveis. As previsões do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, é que até o próximo dia 16, o país vai estourar sua capacidade de endividamento, que é de US 14,3 trilhões.

Como o Congresso resiste à proposta de ampliar essa margem, Obama ordenou medidas excepcionais de emergência. Um freio nos gastos de guerra é inevitável. A “morte de Bin Laden” veio a calhar. E pode até ser que, com ela, o presidente, com mais 11 pontos na aprovação do seu governo e a sinalização de uma marcha-a-ré militar, ganhe fôlego para uma moratória interna. Isso é mais preponderante do que a melhoria de sua posição em relação à sucessão presidencial, que acontecerá somente daqui a 17 meses.

Por todas as razões acima, insisto em que todas as hipóteses sobre a estranha “execução” de Bin Laden são admissíveis.

Daí ser mais prudente esperar o seu desdobramento.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Como a CIA criou Bin Laden: Veja ao lado as suas estranhas relações com os EUA

Para entender melhor essa novela sobre o "terrorista" da família mais rica da Arábia Saudita

"Em abril de 1978, o Partido Democrático do Povo do Afeganistão (PDPA) tomou o poder no Afeganistão em reação a uma ofensiva contra o partido do governo daquele país repressivo.
 O PDPA estava comprometido com uma reforma agrária radical, que favoreceu os camponeses, os direitos sindicais, a expansão da educação e serviços sociais, a igualdade para as mulheres ea separação entre Igreja e Estado.
Tais políticos instituição religiosa muçulmana (mulás muitos eram também grandes proprietários de terra) e os chefes tribais.  Eles imediatamente começaram a organizar a resistência a políticas progressistas do governo, sob o pretexto de defender o Islã.
Washington, temendo a expansão da influência soviética (e pior novo governo radical no exemplo) para seus aliados no Paquistão, Irã e países do Golfo, imediatamente ofereceu apoio aos mujahedin afegãos, como o contra a "força" é conhecida".
Norm Dixon, historiador.


Bin Laden e a sua rede terrorista, a Al Qaeda, foram criados pelos serviços secretos norte-americanos, a CIA, durante os anos oitenta do século passado.


A tese é defendida pelo historiador Norm Dixon num artigo dedicado a alguns aspectos da guerra dos mujahidines afegãos contra as tropas soviéticas no Afeganistão durante os anos oitenta.

Segundo o artigo, em 1986, o chefe da Central Intelligence Agency (CIA), William Casey, autorizou uma proposta de recrutamento mundial de fundamentalistas islâmicos para se juntarem à “Jihad” (Guerra Santa) no Afeganistão contra as tropas da União Soviética que tinham invadido o país em 1979.

Cerca de 100 mil militantes islâmicos deslocaram-se então para o Paquistão até ao ano de 1992. Cerca de 40 mil foram mobilizados para os combates e os restantes 60 mil frequentaram escolas corânicas para reforçarem as suas convicções e os seus conhecimentos religiosos.

Alguns dos operacionais foram recrutados pelo Centro de Refugiados de Kifah em Brooklin (Nova Iorque) no âmbito da chamada “Operação Ciclone”, de acordo com o jornal “The Independent”, de Londres, citado pelo autor do artigo. Os fundamentalistas islâmicos recrutados receberam dinheiro e equipamento distribuídos no Paquistão através da organização Maktab al Khidamar (MAK – Escritório de Serviços), um ramo dos serviços secretos paquistaneses (ISI). O ISI era o principal canal para onde eram encaminhados os apoios secretos da CIA e da Arábia Saudita aos chamados “contras” afegãos.

Osama Bin Laden, membro de uma abastada família saudita bem relacionada com a família real, era um dos administradores do MAK. Em 1989 tornou-se o único gestor desse organismo.

As atividades de Bin Laden no Paquistão e Afeganistão realizavam-se com o conhecimento e o apoio do regime saudita e da CIA. Milt Bearden, chefe do escritório da CIA no Paquistão de 1986 a 1989 admitiu em 2000 ao jornal “New Yorker” que embora nunca tenha encontrado Bin Laden pessoalmente conhecia as suas atividades à frente do MAK.

O artigo de Norm Dixon cita também um antigo soldado britânico que se juntou secretamente aos mujahidines, Tom Carew, segundo o qual militares norte-americanos treinaram os fundamentalistas islâmicos em atividades de terrorismo urbano, designadamente carros-bomba, para atuar contra as tropas soviéticas nas maiores cidades afegãs.

Em 1987-88, Bin Laden concentrou a gestão dos campos de treino e das operações dos mujahidines numa organização que designou Al Qaeda (A Rede), uma holding criada com apoio dos serviços secretos paquistaneses, norte-americanos e sauditas.

Os mercenários desta organização, diretamente recrutados e pagos por Bin Laden, foram armados pela CIA. Os militares que os treinavam foram destacados pelo Paquistão, pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha.

O objetivo principal destas atividades no Afeganistão era combater e expulsar as tropas da União Soviética, que o presidente dos Estados Unidos, então Ronald Reagan, qualificara como “o império do mal”. “Movimentos de libertação erguem-se e afirmam-se por si próprios em todos os continentes povoados pelo homem”, declarou Reagan em 8 de Março de 1985. “Isso acontece nas colinas do Afeganistão, em Angola, no Cambodja, na América Central. (…) Eles são os combatentes da liberdade”.

Osama Bin Laden chefiava os “combatentes da liberdade” atuando no Afeganistão, Depois da derrota soviética no Afeganistão e em virtude da guerra civil que deflagrou neste país entre os mujahidines, Bin Laden transferiu depois o seu apoio para os talibãs.

De acordo com Norm Dixon, Bin Laden apenas passou a ser considerado “terrorista” pelos Estados Unidos quando se pronunciou contra a presença de 540 mil soldados norte-americanos na Arábia Saudita a partir da Guerra do Golfo em 1990-91.

No entanto, existe controvérsia quanto ao momento em que aconteceu esta viragem. Segundo o jornal francês “Le Fígaro”, Bin Laden teria sido visitado pelo chefe do escritório da CIA num hospital do Dubai, onde estava em tratamento, em julho de 2001, a dois meses do atentado de 11 de Setembro contra as torres gémeas de Nova Iorque.

Informação do site http://pt.shvoong.com, de Lisboa.

domingo, 1 de maio de 2011

Matança que revela a verdadeira natureza de uma agressão chancelada pela ONU a um país soberano

Morticínio que vitimou filho e netos de Kadhafi impõe uma reflexão honesta de todos os governos e cidadãos do mundo

"Devemos tirar de suas mãos o comando e o controle do país, e se ele for morto ou ferido devido a isso, tudo bem. Precisamos de uma estratégia para ajudar os rebeldes a serem bem sucedidos e derrubarem Kadhafi e quaisquer outros associados a ele".
Senador John McCain, candidato presidencial republicano nas últimas eleições nos EUA, que foi pessoalmente levar apoio aos insurretos de Benghazi.

Só não digo que o bombardeio à casa do presidente Muammar Kadhafi, no bairro residencial de Garghour, passou de todos os limites porque não há limites de espécie alguma na agressão à Líbia, “lavada” por um pusilânime Conselho de Segurança da ONU, com aquela máscara hipócrita de criação “de uma zona de exclusão aérea”.

Vocês me desculpem, mas o assassinato de um filho e três netos do líder líbio alvejou-me no mais profundo dos meus sentimentos de indignação. Queria ser mais jovem, como naqueles idos, e não me bastaria com o ato de escrever.

Essa monstruosidade que está sendo perpetrada com a chancela e a omissão de governos que jamais poderiam calar cristaliza, em alto relevo, a insegurança internacional, abrindo um perigoso precedente: qualquer país pode ser alvo da mesma trama, desde que os donos do mundo decidam apoderar-se de suas riquezas para superar suas insanáveis crises internas.

O mais revoltante é a cara de pau dos governos assassinos: mandam atirar sobre a residência do governante, matam crianças inocentes e ainda juram de pés juntos que não estão cometendo tais crimes. Que só querem atingir alvos militares, sem fazer vítimas.

Isso que aconteceu no sábado em Trípoli é de uma gravidade inimaginável. Para ajudar um grupelho que armou e abastece, grupelho que já teria sido derrotado se o conflito ficasse no âmbito do povo líbio, alguns governos ocidentais arrancaram da ONU uma imprudente decisão destinada oficialmente “a proteger” o que seria a população civil do país.

Com tal mandato, norte-americanos e seus aliados europeus, puxados pela França, despejaram milhares de mísseis e bombas sobre as cidades líbias, destruindo suas infra-estruturas e reduzindo ao mínimo as condições de habitabilidade em quase todas as regiões bombardeadas.

Os corpos do filho e dos netos de Kadhafi
foram reconhecidos pelo bispo católico de Trípoli

Conselho da ONU ou reage ou se desmoraliza

Não precisa ser especialista para constatar que a própria resolução foi escancaradamente violada. O que seria uma missão de proteção de civis, manobra solerte que eu já havia denunciado antes mesmo do início das agressões, tornou-se uma sequência de matança de cidadãos indefesos e de destruição de um país.
Mas é preciso ter dotes sobrenaturais para entender porque toda essa violência prossegue sem que o próprio Conselho de Segurança se reúna para avaliar a burla e para determinar a suspensão das agressões, consumadas em seu nome.

Maior dote é ainda necessário para entender porque certos governos, principalmente os que assinaram a resolução, optaram pela mais covarde omissão. Uma nação inteira está sendo destruída  em nome da ONU, e não se tem notícia de nenhuma movimentação diplomática para frear essa intervenção estrangeira, que desrespeita normas elementares da convivência e do direito internacionais.

Bombas  despejadas pela OTAN destruiram várias partes
 da casa de Kadhafi
Só alguém sem o menor escrúpulo, sem o mínimo de apreço pela verdade, seria capaz de reproduzir a versão de que os mísseis lançados sobre a própria casa de Kadhafi não tinham por objetivo EXECUTÁ-LO junto com sua família, num ato criminoso de desespero diante da fibra do povo líbio.

Porque os líbios lutam

A resistência aos bombardeios da “aliança” ocidental já deixou clara uma firme disposição de enfrentar a poderosa tecnologia bélica ocidental mesmo que tenha que recorrer ao arco e à flecha.

Esse povo não está defendendo apenas o seu petróleo, objeto do desejo insaciável dos agressores estrangeiros, cujos mercenários internos treinados pela CIA,  estão virtualmente encurralados.
Mais do que essa riqueza, muito mais, os líbios que resistem aos bombardeios estrangeiros querem garantir as conquistas sociais que o governo de Kadhafi lhes oferece, como o ensino público gratuito em todos os níveis, que incluem a concessão de bolsas total para que pelo menos 10% dos jovens em idade universitária estudem nas melhores faculdades da Europa e dos Estados Unidos.

Querem preservar, a custa da própria vida, os avanços sociais que colocam a Líbia à frente de países como o Brasil em índices de desenvolvimento humano, que retirou as massas do analfabetismo, - hoje 90% dos líbios estão livres dessa peste, exatamente o percentual de analfabetos que existia no país antes da queda da monarquia corrupta e da ascensão de Kadhafi.

Que têm um sistema de assistência social tão abrangente, em condições de socorrer com dignidade as populações carentes e até mesmo de atrair emigrantes de outros países: cerca de 1 milhão e meio de egípcios, além de outros milhares de africanos, estavam lá, provendo seu sustento em condições razoáveis.

Desde 2007, o maior sistema de irrigação do mundo

Você não sabe, porque essa mídia aí é por demais tendenciosa, mas os líbios têm razão de sobra para preferir o coronel nacionalista aos corruptos cooptados pela CIA e pelos serviços secretos da França e da Inglaterra.

Veja mais algumas:

Ao casar, o casal recebe do governo até o equivalente a US$ 50.000 para adquirir seus bens.

O Sistema público de saúde gratuito rivaliza com os europeus e usa equipamentos de última geração. Todos os segmentos são atendidos. No sábado, mísseis da OTAN alvejaram também a escola para crianças mantida pelo governo, através da Sociedade Líbia da Síndrome de Down, responsável pela preparação de crianças com até 6 anos para que possam frequentar as aulas regulares, dentro de um programa que é referência para a OMS.

Os empréstimos do banco estatal têm caráter social: não cobram juros.

Inaugurado em 2007, o maior sistema de irrigação do mundo, vem tornando o deserto (95% da Líbia), em fazendas produtoras de alimentos.

O governo líbio contratou com a empreiteira brasileira Queiroz Galvão a construção de 1 milhão de casas, no prazo de 10 anos, para uma população total de 6 milhões e meio de habitantes. Com os bombardeios, estão paralisadas essas obras e outras confiadas às empresas brasileiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, em projetos orçados em 3 bilhões de euros.

Da mesma forma, além de apoderar-se de um petróleo de alta qualidade e baixo custo – a extração sai por US$ 1,00 o barril – os responsáveis pelos bombardeios querem desmontar o modelo econômico líbio, soberano e desatrelado do dólar e do euro, graças às suas reservas em ouro. O Ocidente não admite que outros países da África se associem à Líbia na criação de uma moeda única e soberana, iniciativa que poderá vingar no futuro.

Bombardeio pode ter saído pela culatra

Pode-se dizer neste momento que o bombardeio saiu pela culatra. Há um clima de comoção e revolta na maior parte da Líbia, o que levou populares a invadirem sedes diplomáticas da Inglaterra e da Itália, enquanto as forças leais ao governo retomavam com maior empenho as ações para resgatar a cidade de Mistrata, a terceira maior do país, provocando a fuga de insurretos que estão buscando o socorro de organizações humanitárias internacionais.

Não há igualmente como mascarar com nenhum pretexto o caráter da intervenção estrangeira, que recorre à torpeza do pior terrorismo para derrubar o governante líbio e apoderar-se de suas riquezas petrolíferas com a ajuda de um grupo títere, que se concentra em Benghazi, sob proteção da aviação da OTAN.

O morticínio do filho e netos de Kadhafi deve deixar os governantes do mundo na maior saia justa. Se permanecerem omissos diante dessas atrocidades, estarão desmoralizando o que resta de credibilidade do sistema internacional e legitimando um “direito imperial” que ameaça a todos os povos.

Principalmente os que ousarem priorizar os interesses nacionais no contexto de uma economia em que alianças econômicas novas emergem, deixando as velhas potências isoladas e perdidas em suas próprias crises.

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.