quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A ceia de natal e o pão que o diabo amassou

“Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.”
Charles Chaplin


Bem que eu queria desejar feliz natal de coração para coração. Queria valer-me das imagens singelas do nascimento de Jesus Cristo, tal como aprendi no catecismo, para cobrir a todos de carinho, afeto e de um luminoso feixe de esperanças.


Queria que a data, referência de uma civilização nascida na cruz e multiplicada nas catacumbas, fosse o momento sublime do mais afetuoso dos abraços.

Queria, sim, juro por tudo quanto é sagrado, que todos os 7 bilhões de seres humanos tivessem um belo motivo para um grande abraço através do planeta, inspirando-se nos sentimentos mais generosos de que desfrutamos e cultivamos no círculo restrito dos entes mais próximos.


Queria, mas, infelizmente, esse desejo é mais uma fantasia de inspiração lunática, típica de quem perdeu a noção da realidade e tenta desconhecer o trágico dos impulsos ensimesmados de cada indivíduo.


Imaginar a “festa máxima da cristandade” para além do corre-corre no comércio à cata de um presente para alguém que já está à espera dessa lembrança é passar atestado de desmiolado incurável.


O natal desses tempos modernos reduziu-se à troca de presentes porque a alma humana reduziu-se também ao império dos interesses, aos impulsos de caráter material, ao culto de satisfações egoístas, seja para hoje, na fruição de cada conquista pessoal, seja para o amanhã, quando a fé em Deus nos supõe eternos, com direito a um paraíso espiritual para todo o sempre.


A alma humana, aliás, é mais uma figura de retórica. Estes seres com que cruzamos na guerra silente de uma sobrevivência apequenada já se perderam no caos de suas próprias querências e compõem hoje apenas uma totalização disforme de partículas amargas e beligerantes.


Portanto, o mais que se disser de mais um 25 de dezembro é subproduto reles da demagógica hipocrisia.


Mesmo assim, imaginando ser esta ainda a oportunidade de uma ceia em família, aproveito o ensejo para exortar a uma reflexão qualquer, qualquer coisa que permita lembrar o calvário de tantos outros filhos de Deus que nesta data santa ainda comem o pão que o diabo amassou

5 comentários:

  1. Frederico Passos8:10 AM

    Este quadro sobre o comportamento das pessoas é desanimador. É cada um cuidando de si, não sei onde vamos chegar.

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  2. O mais triste é encontrar linhas de raciocínio que indicam que essa exploração toda faz bem a economia.

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  3. Anônimo11:05 AM

    Pedro: vc foi ao ponto. Só nos resta refletir mesmo. É um consumismo insano travestido de valores cristãos. Se Jesus estivesse entre nós, sem dúvida alguma sairia a quebrar vitrinas, a chutar comerciantes e acho que até proferiria pesados palavrões contra os neovioladores do Templo. Acabaria preso e talvez até morto antes disso. Nada mudaria muito de lá para cá.

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  4. Prezado Pedro Porfírio.
    O ponto importante de SUA luta é justamente não permitir que "a verdade fique prensada entre duas mentiras." Que a desinformação continue a invadir os lares, sem que a sociedade brasileira tenha a idéia do que é correto e perder-se no delírio. Porque Porfírio esta grande Luta contra os tiranos do Poder. Por ver, o calvário de milhares de filhos de Deus que nesta data santa e também em outras, ainda comem o pão que o diabo amassou. O Brasil necessita de patriotas como você Porfírio destemido, guerreiro, que vestiu as cores da nossa bandeira e por ela luta incessantemente.
    Feliz Natal
    Abraços Fraternos

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  5. Anônimo11:25 AM

    Jesus foi um revolucionário para a sua época e provavelmente nunca afirmou que era filho único direto do Deus Judeu. Isto foi escrito muitos anos depois da sua morte, pelo pessoal que se apropriou de algumas de suas idéis.
    Mas, vale valorizar os nossos 30% de bondade e deixar de lado os nossos 70% de maldade, pelo menos um dis no ano.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.