segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Se Dilma ceder mais uma vez por que as elites querem ver cabeças rolarem, ela que cuide do seu próprio pescoço

Não votei nela, mas não sou rancoroso e vejo em tudo isso uma mesquinha trama política

Querem fazer de Lupi a bola da vez. E quando chegará a vez de Dilma?

“Por trás das denúncias, há o dedo daqueles que ficaram insatisfeitos com a implantação do ponto eletrônico no país. Constatei que existia uma fraude no descontrole da frequência dos trabalhadores. Muitas empresas pagam a hora extra, mas não recolhem FGTS e INSS. Com o ponto, o ministério passa a enfrentar essa sonegação. Mexi com poderosos inimigos. Agora, esses caras me escolheram para derrubar”.
Ministro Carlos Lupi, em entrevista a O GLOBO

Bem que queria ficar na espera de mais informações, mas não precisa. O cinismo do senador Aécio Neves é capaz de tirar qualquer um do sério. Tipo "cheguei", bem sucedido na política por conta da árvore genealógica e da absoluta escassez de homens e idéias nas Minas Gerais, ele tinha que aparecer na fita.
Metido a esperto e, com a graça desse ambiente que fez de um soldado PM ladrão-milionário o novo herói da República, pobre república, resolveu associar-se à orquestração midiatica que só vai parar de fazer barulho quando a presidente Dilma Rousseff fizer todos os seus gostos ou fizer as malas.
Em Minas, tucanos de braços com o PDT
Imagina. Durante todo o seu governo em Minas, Aecinho teve como aliado o próprio PDT que agora ele quer ver longe do Ministério do Trabalho, assim, de supetão, por conta de mais uma reportagem da revista VEJA, inflada pela síndrome do golpe em doses homeopáticas.
Idêntica postura o governo de Anastasia,  seu sucessor,  não teve em relação a um dos seus dois secretários pedetistas - Manoel Costa, que atravessou governos tucanos em meio a denúncias à frente da Secretaria de Regularização Fundiária, e só perdeu o cargo, agora, no dia 20 de setembro, depois de ser preso pela Polícia Federal na “Operação Grilo”, juntamente com toda a diretoria do Instituto de Terras e outros menos cotados.
No dia 12 do mesmo mês, o governador tucano foi distinguido por Carlos Lupi, ao ser o primeiro estado a instalar o “Sistema Mais Emprego”, gerido pelo deputado pedetista Carlos Pimenta, titular de porteira fechada da Secretaria Estadual do Trabalho, criada este ano para abrigar mais um correligionário do ministro.
Como Minas fica escondida por trás das montanhas alterosas, fora do foco da mídia nacional, o senador conhecido por suas noitadas de porre no Rio de Janeiro (já foi pego na Lei Seca) saiu-se com uma declaração pra lá de “marraquechi”:
- O governo (federal) é refém de um aparelhamento absurdo que ele sempre montou na máquina pública e está imobilizado pela pressão da base. O malfeito para este governo só é malfeito quando vira escândalo. Antes disso, está bem feito - disse o senador, esquecendo-se de acrescentar que na sua terra a coisa é pior: o malfeito só é malfeito quando o cara é preso. Que o diga o pessoal do “Novo Jornal”, diário de grande circulação em Belo Horizonte que vinha denunciando os malfeitos de Manoel Costa há dois anos.
“Fogo amigo” e intolerância das elites
Não sei se Lupi vai ter a mesma sorte do Orlando Silva, acho que não.  No seu caso, o “fogo amigo” é disparado às claras, porque não faltam candidatos para o seu lugar dentro do seu próprio partido (que há muito tempo já não é o meu).
Miro Teixeira, que abandonou o PDT para permanecer no governo Lula e depois ficou mal na fita, perdendo a sinecura, voltando  com todas as honras, já está agindo para miná-lo como se fosse um correligionário indignado.
Mas não é só. A elite nunca suportou a idéia de ver um ex-jornaleiro desengonçado,  sempre disposto a uma boa gargalhada, à frente do Ministério do Trabalho, embora este tenha sido cuidadosamente esvaziado do seu papel político.
Desde o dia em que o presidente Luiz Inácio preferiu tirar de lá o sindicalista Luiz Marinho, homem forte da CUT, transferindo-o para a Previdência, os torpedos afiaram-se em sua direção. Falavam a mesma língua o banqueiro Marcílio Marques Moreira, que queria queimá-lo de chofre em nome do Conselho de Ética Pública, e segmentos contrariados da CUT. Tudo para enfraquecer o ex-jornaleiro já nos primeiros dias de trabalho.
A verdade sobre o Ministério do Trabalho
Ao contrário do que diz essa mídia, até por falta de força política, o Ministério do Trabalho não foi entregue de porteira fechada ao PDT. Lupi pagou um perrengue com os sindicalistas do seu partido, à frente Fernando Bandeira, por manter boa parte da equipe anterior, inclusive Luiz Orlando Medeiros, ex-presidente da Força Sindical, e Paulo Singer, este um dos homens mais respeitáveis do PT, que se dedicava a projetos de autogestão nas empresas fracassadas em mãos dos patrões. EsseAnderson dos Santos mesmo, que foi denunciado agora, está no cargo há oito anos, desde de antes de Lupi assumir.
O FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – que restou como corpo do Ministério, também não é domínio pessoal do ministro. É gerido por um conselho de confederações sindicais, que vivem puxando brasas para as suas sardinhas.
Por pouco, aliás, se não fosse pela habilidade de Lupi, por sua conta e risco, não passou ao controle dos grandes latifundiários, através da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura.
Os conflitos com o banqueiro Marcílio Marques Moreira, que perdeu a vaga no Conselho de Ética, e com a senadora do agro-negócio custaram muito caro ao ex-jornaleiro, que sobreviveu até agora porque também não é bobo e fez toda a sua carreira sob a batuta de Leonel Brizola, seu ídolo.
Uma experiência administrativa e uma vida simples
Sim, porque ele não caiu de pára-quedas na administração pública.  Em 1983, enquanto eu coordenava as administrações regionais da Zona Norte, ele exercia a mesma função na Zona Sul do Rio de Janeiro.  Quando Saturnino Braga se elegeu prefeito, unificou as coordenações e fez dele uma espécie de secretário. Eu fui assumir a presidência do Conselho de Contribuintes do município. Ambos saímos dos nossos cargos quando Saturnino deixou o partido de Brizola.
Ambos passamos muitas dificuldades até as eleições seguintes. Ele, lembro bem, foi trabalhar num projeto de reabrir o PASQUIM, com apoio do ex-deputado Getúlio Dias.
Na volta de Marcello Alencar, pelo PDT, foi seu assessor especial, elegeu-se deputado federal e assumiu a Secretaria Municipal de Transportes em meio a uma crise. No governo de Garotinho, por indicação de Brizola, foi seu secretário de governo. Quando este deixou o partido, Lupi imediatamente colocou seu cargo à disposição e foi ajudar o caudilho na administração do PDT, já atingido por debandadas fatais que fizeram da legenda uma miniatura do que foi nos bons tempos do brizolismo.
Lupi tem uma personalidade tão vaidosa que sempre disse a quem me pergunta: para continuar Ministro, com tudo o que isso representa de glamour, o ex-jornaleiro não arriscaria nada que pusesse em risco esse orgasmo. Que, aliás, não afetou sua forma simples de fruir a vida: o seu telefone celular, hoje, tem o mesmo número do seu primeiro aparelho.
Convênios de controle difícil
Em geral, é bom que se diga também, os convênios do Ministério do Trabalho são feitos através dos governos dos Estados e das Prefeituras. Esta era pelo menos a doutrina que conheci quando ainda militava no PDT. 
E que foi consolidada com a adoção de uma nova salvaguarda, adotada por ele em 2007: todos os projetos são submetidos a uma chamada pública, como forma de ter uma avaliação comparativa em relação aos outros. E, ressalte-se, se fizerem as contas, o Ministério do Trabalho tem mais convênios com governos de oposição do que da base aliada. Isso não querem apurar.
Irregularidades em convênios e existência de assessores picaretas são situações que podem e devem ser enfrentadas diretamente. No caso dos convênios, pessoalmente, acho muito difícil o controle sobre esse mundo de ONGs criadas da noite para o dia, inclusive das chamadas “OS” a quem o governo tucano de São Paulo e  do Rio de Janeiro estão transferindo nossos hospitais e centros de saúde.
Por isso, já disse em outro episódio: se quiser fazer uma faxina em regra nessas áreas, a presidente deve imediatamente estancar o fluxo de dinheiro público para empresas e entidades privadas. As sérias, com credibilidade, têm suas próprias fontes de receita, até porque o Fisco abate doações.
Escrevi tudo isso porque me recuso terminantemente a pegar a onda desse golpe em conta-gotas que a elite e os piores abutres engendraram para fazer de Dilma Rousseff uma espécie de “Rainha da Inglaterra”.
Esse pessoal derrotado nas ruas (eu não votei na Dilma, todo mundo sabe, mas não sou rancoroso) também não suporta a idéia de que uma ex-guerrilheira venha se desempenhando tão bem como chefe do Estado brasileiro, isto é, comandante suprema de nossas Forças Armadas.

5 comentários:

  1. Gabriel Domenico Giovanni12:02 AM

    A impressão que a gente tem é que a revista VEJA pauta os atos da presidente.

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  2. Anônimo10:23 AM

    Para quem ainda não sabe, a revista VEJA é controlada pelo Império Anglo(sionista)Americano.

    Votei na Dilma, isto é, votei CONTRA o Serra.

    Ruim com a Dilma e sua turma (70% entreguista), PIOR com o Aécio e sua turma (100% entreguista).

    É melhor sobrar 30% para os brasileiros, do que sobrar ZERO%.

    Basta comparar os governos LULA e FHC.

    Ou não ???

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  3. Anônimo10:31 AM

    Não me agrada, nem um pouquinho, essa mudança que demonstra nosso articulista. Governinho associado ao Serginho Cabralzinho (royaltes para nosso mestre Hélio Fernandes)que nos impôs tantas barbaridades como é o caso da próxima extinção do 13º e outras como transgênicos da Monsanto, oogeriza ao Ficha Limpa e outras. Não fuja ao seu passado, pelo amor de Deus

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  4. Anônimo10:36 AM

    Nem quero defender a (com perdão da má palavra) revista Veja, de triste passado. ?Entretanto, não vamos chegar ao ponto de passar um paninho quente na cabeça daquele que tanto desonra o antigo PDT do "Velho audilho". Se um maluco entrar no auditórioo e disser que está chovendo lá fora, cabe a você ir lá e constatar que ele está com razão. Jamais dizer que não se pode acreditar, apenas por ele ser louco.

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  5. Anônimo4:05 PM

    Os que estão acusando agora são piores do que os acusados.

    O que eles querem é voltar a mamar nas tetas públicas e entregar o Brasil totalmente ao Império Anglo(sionista)Americano.

    É escolher entre o MAU e o PIOR.

    Considerando que o ser humano tem se mostrado naturalmente corrupto quando chega ao PODER, eu prefiro o "MAU"(PT) ao "PIOR"(PSDB).

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.