segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Nem que eu tenha que me amarrar a um pilar do Elevado da Perimetral, que querem demolir por bem ou por mal


Vão gastar uma baba para derrubar via expressa que liga Zona Sul às zonas Norte e Oeste do Rio

“Durante a gestão do prefeito Pereira Passos, no início do século XX, deu-se o primeiro aterro marítimo de grandes dimensões com o objetivo de criar uma área central portuária: a demolição do Morro do Senado para aterrar 170 hectares sobre o mar, diante dos morros do Livramento, Conceição, Providência e Saúde. A nova linha de costa possibilitou a construção do berço da Gamboa, primeiro cais do porto moderno”.
O Rio de Janeiro e a sua orla: história, projetos e identidade carioca
Verena Andreatta, , Maria Pace Chiavari e Helena Rego, da Secretaria Municipal de Urbanismo.

Mapa parcial da Cidade do Rio de Janeiro com áreas aterradas sobre o mar
realizado por Verena Andreatta

Ou você exerce agora sua inalienável cidadania e exige o mínimo de lucidez das autoridades desta mui amada cidade do Rio de Janeiro, ou amanhã milhares de cidadãos de toda a região metropolitana pagarão o preço alto do mais terrível nó no trânsito produzido pelo poder autoritário da miopia e da insensatez.


Porque a esta altura só mesmo a mobilização dos cidadãos, principalmente dos que precisam atravessar a cidade, sem obstáculos de sinais, da Zona Sul à Avenida Brasil, à Linha Vermelha ou pegar a Ponte Rio-Niterói, será capaz de tirar a mais imprudente e perigosa das idéias que já passou pela cabeça de um prefeito, no caso Eduardo da Costa Paes, que acaba de completar 42 anos e não tem a menor idéia do que representou para os cariocas e moradores da Baixada a construção a duras penas da única grande via expressa do Rio de Janeiro, o elevado da Perimetral, que liga o aterro do Flamengo às grandes vias de escoamento da cidade em direção às zonas Norte, Oeste, Baixada e Niterói.

Primeiro, o inquieto prefeito disse que derrubaria o elevado no trecho que vai do Arsenal de Marinha, próximo à Praça Mauá, até o Viaduto do Gasômetro, sob a pífia alegação de que essa via essencial, por onde passam diariamente 95 mil veículos, enfeava seu mirabolante projeto do “Porto Maravilha”, numa temerária inversão de prioridades: como se a única preocupação de sua administração fosse “valorizar” a beira do cais, tudo o mais que vá a pique e quem quiser que embarque na mirabolância adjacente – a implantação de túneis em área de aterro precário e lençóis freáticos, já que, como sabem até os ginasianos, tudo aquilo ali foi tomado ao Mar a partir do final do Século XIX, com a utilização de areia extraída dos morros próximos.

Para ser sincero, o prefeito só está pensando nessa extravagância urbana, de consequências imprevisíveis, porque está com o cofre abarrotado pelo dinheiro do PAC, esse projeto majestoso que só consegue sair do papel quando para injetar grana preta no sistema financeiro, em nome do financiamento habitacional.

No final do seu governo, Lula determinou ao Ministério do Trabalho que abrisse as torneiras do FGTS, fundo que pertence aos trabalhadores e não ao governo, e oferecesse casa, comida e roupa lavada ao projeto do Porto Maravilha, com que Eduardo Paes pretende carimbar sua passagem pela Prefeitura carioca.

Sem pestanejar, o ministro Carlos Lupi abriu uma linha de crédito de quase R$ 8 bilhões do FGTS (e ninguém piou porque, no final da linha os grandes beneficiários serão os empreiteiros e sabe Deus quem mais, e estes estão de bem – ou bens - com essa mídia de boca torta).

Sem todos os estudos preliminares impostos pela legislação, o prefeito foi logo anunciando que só para o bota abaixo do elevado gastaria mais d R$ 1 bilhão, dinheiro que poderia ser usado em construções e não em demolições.

Essa idéia nova de derrubar todo o viaduto da perimetral, agora até o Santos Dumont, – obra de 25 anos - e não apenas o trecho da alegada feiúra, parece muito mais produto de um cérebro com traumas de infância e admirações na adolescência por demolidores de quadrinhos.

Mas é também uma demonstração de força, do controle amplo, geral e irrestrito da Câmara dos Vereadores, e até mesmo da desatenção do ministério público.

Falta alguém com maior experiência, e um pingo de coragem, para soprar ao jovem Eduardo Paes sobre o risco de ter sua própria carreira enterrada nos escombros da via demolida, já que todas as alternativas apresentadas têm conteúdo lotérico e só interessam, rigorosamnte, aos empreiteiros, que terão lucro muito maior na demolição do que em assentar pedra sobre pedra.

A nós, porém, restará a maldição das futuras gerações se calados ficarmos, se não exigirmos discussões amplas e fundadas em informações verdadeiras.


A nós, não. Eu, de minha parte, pretendo fazer qualquer coisa. Nem que seja me amarrar num pilar do elevado que a milhares de pessoas facilita a vida.

7 comentários:

  1. Prezado Pedro Porfírio

    Concordo plenamente. Quando se prioriza o estético em detrimento do prático, desconfio que aí tem. Acho temerário fazer um longo túnel ou canaleta em uma área portuária aterrada porque não dará margem a fugas de emergência em caso de infiltrações e enxurradas. A insensatez também ronda aqui em Niterói, que gasta uma fábula com o Caminho Niemeyer e não faz nada para desafogar o trânsito crescente por conta da corrida imobiliária. Não confio em mergulhões pois me lembro da enchente do Anhangabaú. José Augusto F de Oliveira - Niterói-RJ

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  2. Prezado Pedro Porfírio

    Concordo plenamente. Quando se prioriza o estético em detrimento do prático, desconfio que aí tem. Acho temerário fazer um longo túnel ou canaleta em uma área portuária aterrada porque não dará margem a fugas de emergência em caso de infiltrações e enxurradas. A insensatez também ronda aqui em Niterói, que gasta uma fábula com o Caminho Niemeyer e não faz nada para desafogar o trânsito crescente por conta da corrida imobiliária. Não confio em mergulhões pois me lembro da enchente do Anhangabaú. José Augusto F de Oliveira - Niterói-RJ

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  3. patricia araujo5:12 PM

    o povo unido jamais será vencido , tem que organizar uma manifestação de proporções gigantescas e mudar este absurdo de destruir o que esta pronto, temos que construir mais elevados e desafogar o transito....existem várias formas de revitalizar o porto sem destruir nada.....tá obvio que isto vai rolar grana no bolso de alguns....

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  4. Jileno Sandes.8:51 PM

    Quem é você que não sabe o que faz?
    Meu Deus do céu, que ideia infeliz.
    Esse crime contra a economia e a estrutura viária do Rio de janeira, não pode acontecer.

    Nunca essa cidade foi tão mal administrada.

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  5. Concordo plenamente: o túnel previsto para contornar o morro de São Bento é um desperdício!
    E emendar com o Mergulhão da Praça XV, pior ainda!
    E como será o transporte coletivo no “Porto Maravilha”, com suas dezenas de prédios “de até 50 andares”?
    O que precisa passar pelo Porto e pelo Mergulhão da Praça XV é o Metrô!
    Veja como em http://rioguina.blogspot.com/2011/11/o-que-precisa-passar-pelo-mergulhao-da.html

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  6. Prezado Pedro Porfírio,

    A Revista Cadernos do Desenvolvimento Fluminense propõe-se, desde a sua criação, a atuar como um espaço acadêmico importante para a reflexão sistemática sobre o impacto das transformações em curso no contexto sócio-econômico-territorial do Estado do Rio de Janeiro e de seus impactos em termos da consolidação de uma trajetória sustentável de desenvolvimento.

    O artigo Redefinindo a Paisagem do Rio de Janeiro: dilemas constantes sobre o espaço carioca, de Augusto César Pinheiro da Silva, discute a uma "condição identitária carioca" que aceita mudanças constantes da paisagem da cidade do Rio de Janeiro, como reflexo de políticas de modernização espacial que vêm sendo implementadas por agentes políticos em variadas escalas. Argumenta, nesse sentido, que, ao longo dos seus 450 anos, a cidade passou por mudanças reestruturantes da sua morfologia, cujas intencionalidades seguem os modelos tradicionais de desenvolvimento socioespacial, que, muitas vezes, não respeitam as características gerais do sítio carioca e as necessidades de qualidade de vida de sua população. As evidências históricas indicariam que tais modelos se repetem regularmente, adquirindo particular significância no contexto atual de significativas transformações na paisagem da cidade. Em particular, a análise desenvolve uma análise crítica do modelo de cidade ressignificada por megaprojetos, apontando os riscos de exclusão social e de eliminação da pluralidade de espaços que deveria nortear a estruturação de um ambiente urbano com atmosfera mais cosmopolita.

    Para fazer isso, o autor utiliza uma série de imagens, incluindo a de seu site (vide abaixo).

    Gostaríamos de solicitar sua autorização para publicarmos sua imagem no artigo em nossa revista, esclarecendo que não se trata de uma utilização comercial; pelo contrário, o interesse é puramente acadêmico.

    Cientes de sua compreensão e aguardando sua resposta, desde já agradecemos,

    Camila Cunha
    Assistente I
    Revista Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
    Fundação CEPERJ
    Centro de Estatísticas Estudos e Pesquisas
    camila.cunha@ceperj.rj.gov.br

    Imagem: Mapa parcial da Cidade do Rio de Janeiro com áreas aterradas sobre o mar realizado por Verena Andreatta (2008).

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  7. Prezado Pedro Porfírio,

    A Revista Cadernos do Desenvolvimento Fluminense propõe-se, desde a sua criação, a atuar como um espaço acadêmico importante para a reflexão sistemática sobre o impacto das transformações em curso no contexto sócio-econômico-territorial do Estado do Rio de Janeiro e de seus impactos em termos da consolidação de uma trajetória sustentável de desenvolvimento.

    O artigo Redefinindo a Paisagem do Rio de Janeiro: dilemas constantes sobre o espaço carioca, de Augusto César Pinheiro da Silva, discute a uma "condição identitária carioca" que aceita mudanças constantes da paisagem da cidade do Rio de Janeiro, como reflexo de políticas de modernização espacial que vêm sendo implementadas por agentes políticos em variadas escalas. Argumenta, nesse sentido, que, ao longo dos seus 450 anos, a cidade passou por mudanças reestruturantes da sua morfologia, cujas intencionalidades seguem os modelos tradicionais de desenvolvimento socioespacial, que, muitas vezes, não respeitam as características gerais do sítio carioca e as necessidades de qualidade de vida de sua população. As evidências históricas indicariam que tais modelos se repetem regularmente, adquirindo particular significância no contexto atual de significativas transformações na paisagem da cidade. Em particular, a análise desenvolve uma análise crítica do modelo de cidade ressignificada por megaprojetos, apontando os riscos de exclusão social e de eliminação da pluralidade de espaços que deveria nortear a estruturação de um ambiente urbano com atmosfera mais cosmopolita.

    Para fazer isso, o autor utiliza uma série de imagens, incluindo a de seu site (vide abaixo).

    Gostaríamos de solicitar sua autorização para publicarmos sua imagem no artigo em nossa revista, esclarecendo que não se trata de uma utilização comercial; pelo contrário, o interesse é puramente acadêmico.

    Cientes de sua compreensão e aguardando sua resposta, desde já agradecemos,

    Camila Cunha
    Assistente I
    Revista Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
    Fundação CEPERJ
    Centro de Estatísticas Estudos e Pesquisas
    camila.cunha@ceperj.rj.gov.br

    Imagem: Mapa parcial da Cidade do Rio de Janeiro com áreas aterradas sobre o mar realizado por Verena Andreatta (2008).

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.