quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ainda sobre o Lupi e toda essa orquestração de odor escatológico

Lamento que, por motivos pessoais, hóspedes do brizolismo engrossem o coral dos seus arquiinimigos

“Tem rabo de jacaré, tem olho de jacaré, tem couro de jacaré e não é jacaré?” – frase que Leonel Brizola costumava repetir.

Todo mundo ficou sabendo do acidente de helicóptero durante um animado fim-de-semana na Bahia, em que o governador Sérgio Cabral fez de um, tudo: foi até Porto Seguro num avião do Eike Batista, em companhia de um dos mais bem aquinhoados empreiteiros do Estado do Rio, o dono da construtora Delta, e foi recebido com nababescas mordomias por outro empresário do ramo de hotéis.

Durante alguns dias, falou-se naquele desvio de conduta, mas não me consta que tenham acionado a Polícia Federal ou pedido CPI e a cassação do seu mandato por conta daqueles momentos de abjeta promiscuidade de um chefe de governo estadual. Ou que o foco paroquial de dissidentes do PDT tenha ido a procuradorias pedir a cabeça do governador em más companhias.

Lupi no taxi aéreo alugado pelo PDT: Vamos e venhamos: não estão procurando chifre em cabeça de burro?
Agora, na falta de algum comprovante de qualquer tipo de dolo que possa ser atribuído ao ministro do Trabalho, o ex-jornaleiro Carlos Roberto Lupi, a máquina de triturar auxiliares da presidente Dilma Rousseff instalou uma bizarra polêmica sobre uma certa viagem de táxi aéreo feito por ele no interior do Maranhão, tudo porque, segundo o mais que se disse como “delito comprometedor”, estaria em tal vôo um dirigente de uma ONG que tivera convênio com o Ministério.

Sinceramente, você não acha que estão passando dos limites no furor conspiratório insaciável? Pense bem: não é pra lá de suspeito a exacerbação desse fato? Não é uma demonstração da mais mesquinha baixeza, que o senso comum rejeita em nome dos mais elementares bafejos da lógica e da inteligência?

Isso me faz lembrar os tempos em que estudava latim no ginásio, aquela fábula “Lupus et agnus” , que a gente traduzia da língua mãe. O lobo queria papar o cordeiro e o acusava de poluir sua água, embora este a bebesse do outro lado do rio, já depois da corrente que antes saciava a sede do lobo. Depois de muito violar a lógica, o animal feroz atacou e abateu sua vítima.

Desculpe, caros parceiros e parceiras, mais esse tipo de jogo sujo me dá náuseas e me faz abrir mão do sono (nessas horas, ele foge no escuro da madrugada) para reverberar contra esse achincalhe do papel da mídia e dessa   oposição calhorda. Mais ainda, enoja-me ver nesse coreto midiático de encomenda alguns correligionários do Lupi, a maioria de pregressas vidas indexadas a vários tipos de malfeitos.

Essa história do táxi aéreo contratado pelo diretório do PDT do Maranhão, sob a égide do falecido Jackson Lago realça o viés inegavelmente GOLPISTA de quem não admite que a ex-guerrilheira Dilma Rousseff está se havendo com sabedoria, talento e equilíbrio à frente do governo no momento em que o mundo capitalista vive o mais apavorante dos seus terremotos cíclicos.


Estou muito à vontade para meter minha mão no fogo, até porque saí do PDT atormentado com erros políticos, a meu juízo, de sua direção, que perdeu o rigor necessário na franquia dos seus espaços e favoreceu quem não tinha nada com a legenda, como o antibrizolista visceral Sérgio Zveiter, que agora, num surto de “semancol” bandeou-se para outra legenda.

Estou mais à vontade ainda porque na hora em que alguns dos atuais desafetos corriam atrás de uma boa prebenda, eu escrevia contra a forma como o PDT juntou-se ao governo Lula.

Estou finalmente muito tranquilo porque faz parte da minha natureza inquebrantável e da minha história de escriba cinquentenário a rejeição explícita e irada de todas as injustiças e de todas as hipocrisias que, infelizmente, infestam do pior fel o convívio humano escatológico que vem tornando nosso cotidiano uma ode a toda forma de indignidades.

O conflito nesses podres poderes sempre foi inspirado nos abutres insaciáveis, na sujeição covarde aos interesses espúrios, com a produção de jogos de cenas diversionistas, cuja marca maior ainda permanece blindada – todo aquele período lúgubre de arbitrariedades, violações, torturas e assassinatos, cujos protagonistas permanecem historicamente impunes e ainda dão nomes a escolas, logradouros e rodovias.

No caso em tela, isto é, nessa busca encomendada de qualquer coisa para incriminar o ministro do Trabalho, a mídia golpista, abarrotada de grana dos grandes grupos econômicos, de um patronato ávido por rasgar o legado de Getúlio Vargas e das lutas sociais pretéritas, é deprimente ver a que lamaçal chegou a espécie humana.

É o caso de “pedetistas” que já estavam no ostracismo decorrido do fim do seu período de vacas gordas, com  espaços nobres em jornais como O GLOBO, que não se cansa de vituperar contra qualquer um que tenha algum tipo de parentesco político com aquele que teve peito – e pagou caro por isso – de enfrentar o todo poderoso Roberto Marinho.

É patético ver posar de vestal o mais industriado rebento da corrupção chaguista e colaboracionista, hoje hospedado pela segunda vez no que resta do sonho do caudilho, a quem desprezou, como ao seu primeiro chefe, preferindo permanecer ministro na estratégica área de interesse da família a quem realmente serve, quando o velho pediu a saída todos do primeiro governo Lula.

Desobediência que acometeu também esse que tenta somar sua amargura pessoal no coro da direita raivosa, quabdi desafiou o seu partido em troca de uma empresinha do leque de subsidiárias da Petrobrás.

Falei direita raivosa porque ela é a matriz indisfarçável desse discurso de cartas marcadas, que, como disse, poupa deliberadamente os amiguinhos do tucanato que deitam e rolam no maior Estado do país, exercitando práticas de fazer inveja ao Maluf.

Ma eu, Pedro Porfírio, que estou na outra margem do rio, só tenho a deplorar tanto o estoque de indignidades que uma mídia ensandecida produz no corpo de uma “agenda negativa” de encomenda, como a falta de grandeza (ou mesmo de bom senso) que reacende em alguns dos meus amigos rancores de mal-entendidos, restrições precipitadas,  que, nesta hora, não servem para nada, a não ser para endossar as indignidades conspiratórias que querem muito mais do que questionar quem estava a bordo de teco-teco da era moderna. Querem, isto sim, tutelar o governo a serviço do poder econômico.
A essa altura do campeonato, já nem sei o que pode acontecer com mais esse ministro da Dilma, contra quem, efetivamente, nada de substancioso se exibiu.

Nesse caso, perdoem-me, se depender de mim, vai gorar toda essa conspirata de meia tigela. O povo brasileiro pode até ser manipulável, mas até a manipulação midiática tem limite.

2 comentários:

  1. Amélia Almeida3:54 AM

    Pelas notícias, , parece que a mídia e a oposição derrotada é que estão decidindo quem deve continuar no governo da presidenta Dilma.

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  2. Anônimo11:29 AM

    O Lupi pode não ser uma "Brastemp", mas é muito melhor do que os "tucanos" hipócritas, entreguistas e golpistas, que o atacam.

    A "Grande Mídia" é gananciosa, aculturada e entreguista.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.