sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma guerra muito longe de ter chegado ao fim

Assassinado na resistência, Kadhafi lega aos líbios o exemplo do guerreiro que não foge à luta
"Estão disputando as carcaças, como abutres. O ministro francês da Defesa disse que um avião Rafale atirou contra o comboio. O Pentágono disse que o pegaram com um avião-robô comandado à distância, um drone Predator, que lançou um míssil Hellfire”.
Pepe Escobar, Asia Time (traduzido pelo pessoal da Vila Vudu)


Clque na foto e veja as imagens da britalidade


No mesmo dia em que o Conselho de Segurança desse apetrecho chamado ONU  decidiu patrocinar os bombardeios da Líbia com a fraudulenta resolução de exclusão do espaço aéreo, conforme escrevi a tempo e a hora, Muammar Abu Minyar al-Kadhafi percebeu que seu destino estava selado - naquele 17 de março de 2011 seu país tivera cassado o direito à soberania e ele fora condenado à morte.

Fosse o ditador que essa mídia de aluguel pintou até agora,  teria tratado de si a partir daquela data fatídica. Os governantes corruptos guardam elevadas somas nos colchões dos paraísos fiscais e, no aperto, fogem para lugares igualmente paradisíacos onde vão gastar as fortunas roubadas.

O   Moujahid Kadhafi, não. Ciente de que em horas os mísseis Tomahawk já estariam sendo despejados sobre Trípoli e Mistrata, optou pela resistência na corajosa afirmação da soberania do seu país, a bola da vez da pirataria de Estado. Dos primeiros bombardeios, no dia 20 de março,  até seu assassinato, em 20 de outubro, decorreram exatos 7 meses.
Quase desde a execução, a internet passou a exibir as cenas brutais de uma violência inexplicável. Kadhafi fora capturado e estava num comboio de vários veículos da OTAN que foi bombardeado. Nesse ataque, foi gravemente ferido. Em seguida, os mercenários treinados pela CIA transferiram-no para um carro que tomou o rumo de Misrata. No percurso, quando afirmava em voz trêmula sua condição de líder do país,. recebeu dois tiros fatais: um na cabeça e outro no abdômen, para simular ferimentos de combate.
Logo os palácios das potências agressores fizeram a festa, ecoada por uma mídia de boçais e mercenários. Era preciso dourar a pílula para anunciar aos quatro ventos a “nova Líbia” que nascia com a morte do seu líder, aquele que, aos 27 anos, à frente de jovens militares, pusera para correr o imperador senil, que estava entregando seu petróleo de mão beijada às empresas norte-americanas.
Dá náuseas assistir a esse esforço para justificar a agressão de potências decadentes, mas ainda bem armadas, a um país soberano. Assalta-me uma frustração pueril, a impossibilidade de não ter toda a força do mundo para destruir os arsenais e imobilizar os criminosos que usam de mísseis e artimanhas para apossar-se das riquezas alheias.
Porque na verdade, para além do petróleo líbio, esse golpe tem uma abrangência maior: Kadhafi assumia a liderança de toda uma África que começava a refletir a partir de seu exemplo e de sua ajuda. Além disso, ressaltava ganhos com medidas corajosas, como livrar-se do dólar como moeda intermediária.
Morte que se transforma numa centelha viva
Mas a percepção milimétrica dos fatos mostra que a morte de Kadhafi no campo de batalha, junto aos seus irmãos na sua cidade, bombardeada quadra por quadra, vai ser, sim, o início de uma nova Líbia, mas não a dessa desfigurada súcia que exibe a bandeira dos Estados Unidos como se aspirante á colônia.

A Líbia que sepulta Muammar Abu Minyar al-Kadhafi nos seus 69 anos não é a mesma que ele encontrou em 1969. Bombardeá-la, pagar e treinar mercenários,  explorar conflitos tribais e aspirações pessoais, isso foi fácil.
Apropriar-se de seu petróleo para sempre e subordinar a soberania nacional aos interesses das potências em crise, instalar um governo títere e apaziguar as massas, isso não tem a menor possibilidade de acontecer.
A guerra  subterrânea pelo butim

Como em todas as civilizações, o Moujahid Kadhafi morto se converterá na mais viva centelha da resistência e o heterogêneo Conselho Nacional de Transição, monitorado pela trinca EUA-França-Inglaterra, entrará em choque na disputa da parte do leão. O seu presidente, Abud Al Jeleil, era ministro da Justiça de Kadhafi até fevereiro, quando foi cooptado pela CIA com a promessa de virar o cabeça da sedição.
No entanto, embora prestigiado pessoalmente por Obama e Sarkozi, já teve de enfrentar crises gravíssimas. No final de julho, mandou matar o general Abdul Fattaḥ Yunes, então chefe do Estado Maior rebelde, e em 8 de agosto dissolveu a Executiva formada em fevereiro, entregando seu comando a Mahmoud Jibril, ex-chefe da equipe econômica de Kadhafi, formado na Universidade de Pittsburgh, nos EUA e homem de confiança do governo norte-americano.
Tem contra ele o general Abdel Hakim Belhaj, responsável pela tomada de Trípoli, ligado ao Al-Qaeda e aos talibãs do Afeganistão. Antigo conspirador, chegou a ser condenado a morte depois de um golpe frustrado, à frente do Grupo de Combate Islâmico Líbio.
Com sua pena convertida em prisão perpétua domiciliar, ganhou anistia em 2008, juntamente com outros 170 fundamentalistas islâmicos por iniciativa de Saif al-Islam Muammar al-Gaddafi, filho do líder líbio. Neste setembro, tomar Trípoli, ficou sabendo que havia sido  capturado em 2002 na Malásia pelo M16, serviço secreto britânico, que o entregou a ao governo líbio, quando este havia se aproximado do Ocidente, depois dos atentados de 11 de setembro. Indignado, obrigou o premir inglês e mandar investigar a denúncia, com base em documentos encontrados nos arquivos dos serviços de segurança.
Se o problema fosse apenas as lutas previsíveis no interior do grupo líbio, seria fácil debelar. A briga é mais encima e resulta da convicção da trinca agressora de que é preciso meter a mão logo no que sobrou dos destroços. Estados Unidos e França já estão se estranhando porque seus fracassados governos precisam de qualquer coisa para ludibriar os eleitores nas eleições vindouras.
É farinha pouca, meu pirão primeiro. Porque a “conquista” da Líbia está vinculada à crise da Europa e dos Estados Unidos, uma crise puxada pela insuficiência energética. A França quer ser a dona do petróleo líbio e já pagou adiantado. Os norte-americanos alegam que gastaram um bilhão de dólares nesses sete meses e também reclamam imediato ressarcimento.
Uma mudança na resistência
É provável que a nova Líbia signifique uma mudança nas organizações de resistência que sobreviverão mais escaldadas depois da morte de Kadhafi. O líder apostava numa relação direta entre as massas e ele. Cofiando na mudança que produziu, refletindo-se na elevação dos índices de Desenvolvimento Humano (os maiores da África e maior do que do Brasil), a implantação de ensino gratuito em todos os níveis, saúde pública de qualidade para todos e um arrojado investimento no maior sistema de irrigação do mundo, entre outros benefícios.
Mas, submetido a um pacto entre tribos, desprezava a organização do povo, ao contrário de Cuba, no nariz dos Estados Unidos, que desafia a poderosa potência há 52 anos. Nem com o bloqueio econômico, que mantém a ilha em uma dieta forçada, nem com a as centenas de tentativas das CIA e outras agências de inteligência, os norte-americanos conseguiram derrubar o governo revolucionário.
Desde que assumiu em 1969, Kadhafi priorizou o entendimento entre os chefes tribais, fazendo-se dependente deles. Com isso, apareceram dissidências no núcleo central do poder, formado pelos militares nacionalistas que derrubaram o rei Idris. Isso o levou a um estilo de governo sustentado no seu carisma e nos avanços sociais baseados em políticas compensatórias.
Até mesmo o Exército perdeu sua influência a partir de 2002, quando Kadhafi fez “uma abertura” econômica, privatizou algumas empresas e ganhou como compensação o fim do bloqueio econômico junto com investimentos estrangeiros.
Foi considerando esse quadro e o próprio contexto árabe que as potências estrangeiras viram criadas as condições para recolonizar o país e derrubar seu líder, que mesmo com a guerra impiedosa ainda era a figura mais querida do país.
Agora, com sua morte, essas potências não sabem em quem realmente apostar para a reconstrução do país. A única coisa que querem é apoderar-se do butim, e isso ainda vai dar muitos panos pras mangas. 

Kadhafi foi derrotado e morto pelos milhares de bombardeios aéreos. Os ditos rebeldes só sabiam dar tiros pra cima festejando o sucesso dos aviões estrangeiros. E agora não estão nem um pouco preparados para assumir o governo da Líbia, país  que ia de vento em popa sob o líder covardemente assassinado.
Daí prever o seu amanhã é um exercício de adivinhação. Que vale um prêmio com as tintas da ficção.
E se Kadhafi estiver vivo?
Ao finalizar esta coluna, recebi e-mail garantindo que a notícia da morte de Kadhafi é uma montagem.  Transcrevo trecho da informação para nossa avaliação:
“O Movimento dos Comitês Revolucionários e os Comitês Verdes da Líbia confirmam que o líder está vivo, e que os inimigos procuram tirar proveito da desinformação que estão espalhando através da mídia ocidental.
Segundo analistas políticos da Mathaba (Centro de União dos Povos) na Líbia, o objetivo é repetir esse boato várias e várias vezes. Por um lado eles querem desmoralizar a resistência líbia que continua lutando por mais de sete meses contra forças poderosas da Otan (40 países), exércitos imperialistas e terroristas. Por outro lado, desejam atrair o líder Muamar Kadhafi para uma armadilha, tentando obrigá-lo a fazer uma ligação ou chamada para obter a sua localização”.

5 comentários:

  1. Hoje, como no passado, os países ditos civilizados nada mais fazem do que invadir e saquear as riquezas alheias. Antes era com navios, canhões e espadas; agora com aviões, tanques e mísseis. Esses países são mais ricos porque vêm saqueando as riquezas naturais das nações invadidas. Antes eram especearias; agora é basicamente o petróleo. O Brasil tem tudo o que os outros têm e muito mais, além da cobiçada Amazônia. Apesar de roubarem a riqueza dos outros, esses países "civilizados" estão quebrando porque não sabem construir a própria riqueza. E gastam muito mais do que roubam. Até quando? Quem será a próxima vítima?
    Franklin Ferreira Netto

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  2. Anônimo1:22 PM

    Se "DEUS" é brasileiro, o "DIABO" é sionista inglês, naturalizado americano.

    Nossa "SOCIEDADE JUDAICO-CRISTÃ OCIDENTAL" é uma grande FARSA.

    O próximo será um país abençoado por DEUS e bonito por natureza, mas que beleza....

    Ou não ???

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  3. O mundo é uma piada de mal gosto. Temos, como disse o Pedro, o apetrecho chamado ONU, para mim o braço político dos imperialistas, ou seria dos colonialistas? e ainda a tal OTAN o braço armado daquela coisa chamada ONU. Todos os países soberanos correm risco diante da sanha dessa associação do mal.

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  4. Anônimo2:40 PM

    Cara, o que vc anda bebendo, comendo e fumando ? Esse seu blog é um exercíco ao delírio ? Fala sério, nem a mente mais criativa ou obtusa, poderia imaginar tanta sandice. Acorda sujeito!

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  5. Anônimo2:42 PM

    A esperança é o movimento "OCUPAR WALL STREET".

    A população americana precisa perceber que é enganada pelo seu próprio GOVERNO, que é controlado pelos BANQUEIROS DO FEDERAL RESERVE.

    O Barak Obama é mais um "negro de alma branca", teleguiado pelos BANQUEIROS.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.