segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Solidário a Lula, lembro com pesar das condições em que os brasileiros são atendidos na rede pública de saúde

E me sinto na obrigação de citar a medicina pública em Cuba, com seus invejáveis índices de saúde

“Ninguém me tira da cabeça que ela morreu por negligência da rede hospitalar do Brasil, por problema de relaxamento médico. Como ela, morrem milhões sem atendimento neste país.”
Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a morte de sua primeira mulher, a tecelã Maria de Lourdes Ribeiro da Silva, em depoimento à historiadora Denise Paraná, autora da biografia que serviu de roteiro para o filme sobre sua vida.

Como todo brasileiro – e milhões de cidadãos pelo mundo – estou solidário com aquele que, independente de minha vontade, é a pessoa mais querida de nosso país nos dias de hoje. Estou na torcida por seu restabelecimento completo, como estive quando a presidente Dilma Rousseff foi acometida da mesma terrível doença e, felizmente, venceu essa batalha.

Torci também pelo presidente Hugo Chávez, para quem o pior já passou. E para alguns amigos que, infelizmente, não sobreviveram, como aconteceu com os irmãos Hélio Fernandes Filho e Rodolfo, com quem trabalhei na TRIBUNA DA IMPRENSA. (Esclareça-se que outras enfermidades os vitimaram, relaticamente jovens).

As primeiras notícias são de que o câncer na laringe de Luiz Inácio Lula da Silva foi descoberto em suas primeiras fases, permitindo prognósticos otimistas. Mesmo assim, o cotidiano dos brasileiros terá um elemento de tensão a mais. Enquanto ele não tiver alta, os temores não se dissiparão do consciente coletivo.

Os repórteres mostraram neste domingo que o ex-presidente aguardava ontem com a dignidade que o momento impõe o início da quimioterapia, previsto para hoje.
Mostraram o ex-metalúrgico em seu apartamento na São Bernardo, onde deu os primeiros passos como líder sindical. Ao contrário de outros ex-governantes, em todos os níveis, - observe-se - Lula conserva a vida modesta, muito menor do que sua renda de hoje, como ex-presidente da República, bem remunerado quando convidado para realizar palestras aqui e no exterior.

Ele não se deixou seduzir pelo canto da sereia que acometeu alguns dos seus auxiliares, como o ex-ministro Antônio Palocci, comunista radical na juventude, que caiu depois de comprar um apartamento escriturado em R$ 6 milhões e hoje leva a vida burguesa que o inclui em hábitos e modos no mundo dos privilegiados.

O poço discriminatório da saúde

Mas o atendimento prestado ao ex-operário, que, repito, é do seu direito e diz respeito à sua condição de hoje, me fez lembrar o enorme poço que existe na saúde hoje. Poço que o fez passar o dia mais triste de sua vida, naquele 7 de junho de 1971, quando perdeu sua primeira mulher, a tecelã Maria de Lourdes Ribeiro da Silva e o primeiro filho, em parto de risco num hospital público. Então, ela tinha 22 anos e Lula, 24. Até hoje o ex-presidente está convencido de que aquela morte resultou do péssimo atendimento no Hospital Modelo.

Suas suspeitas aumentaram mais ainda quando soube o autor do atestado de óbito, Sérgio Belmiro Acquesta, além de médico-chefe da Villares, fábrica onde trabalhava, era legista do IML e incluído entre os profissionais que deram laudos falsos durante a ditadura.
O mesmo povo que torce pela cura de Lula pecisa de maior atenção na saúde pública

O caos no Hospital Cardoso Fontes

Na segunda-feira, dia 24 de outubro, como morador de Jacarepaguá, fui levar minha solidariedade aos profissionais do Hospital Cardoso Fontes, em greve de 24 horas, exigindo providências urgentes para cobrir a enorme deficiência de médicos, em função da qual aquele que é o maior hospital  de uma região de 400 mil moradores não tem a menor condição de atender aos mais de mil e quinhentos pacientes que o procuram diariamente.

O caos está transformando o Cardoso Fontes em mal-assombrado hospital fantasma, onde, neste momento o quadro é desesperador, conforme relato dos funcionários:

“Permanecem inviabilizados os seguintes setores por falta de profissionais:
1- Unidade intermediária Cirúrgica
2- Unidade Intermediária Clinica
3- Unidade Coronariana
4- Enfermarias de Cardiologias
5- Ambulatórios de Especialidades Pediátricas: Pneumologia,
Endocrinologia,Nefrologia, Gastroenterologia e Ginecologia.
6- Emergência Pediátrica.
- Ambulatórios de primeira vez terão sua marcação suspensa.
- Emergência Adulta fechada com atendimento apenas dos riscos de morte.
- Pacientes com exames e consultas previamente agendados permanecerão
em acompanhamento”.

Na mesma semana, médicos do Sistema Único de Saúde também paralisaram suas atividades em quase vinte Estados para expor a defasagem salarial na rede pública, algo que faz com que muitos deles, por puro idealismo, “paguem para trabalhar”.

Comparações sem grosserias torpes

Não participo – e repudio com veemência – os comentários publicados na internet (inclusive de colunistas imbecis) que sugerem que Lula deveria procurar um hospital público. Quem comete tais grosserias com certeza é contribuinte dos extorsivos planos de saúde privados, que em 2010 faturaram R$ 72,7 bilhões, o equivalente ao orçamento do Ministério da Saúde.

Para disparar esse tipo de provocação contra o ex-presidente, tais pessoas, geralmente pequenas demais, infelizes por natureza, precisariam demonstrar elas mesmas que também passam pelo sufoco dos que dependem dos precários atendimentos na rede pública.

Elas sabem muito bem que se um ex-presidente da República recorre a um estabelecimento oficial – e ainda há hospitais de qualidade, como o próprio INCA – a ele seria dispensado um tratamento diferenciado, o melhor possível.

No entanto, não há como não olhar para a situação de milhões de brasileiros quando a mídia exibe a qualidade excepcional do hospital particular em que esperamos o ex-presidente se recupere desse câncer na laringe, detectado poucos dias depois de completar 66 anos.

Não se deseja que a rede pública tenha o mesmo padrão, mas é bom que se saiba que muitos dos profissionais de lá também prestam serviços no SUS, nas santas casas e em outras instituições onde têm condições mínimas para atender aos pacientes, que merecem os mesmos cuidados de todos quando podem pagar pelos “serviços de primeiro mundo”.

 Cuba mostra o que a saúde pública pode

Se tivesse sido diagnosticado em Cuba, que sobrevive a duras penas ao cruel bloqueio econômico patrocinado há quase cinco décadas pelos Estados Unidos, Lula poderia muito bem ter recorrido aos médicos de lá, como aconteceu com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a quem a própria presidente Dilma Rousseff ofereceu as atenção da equipe que a tratou nas luxuosas instalações do Sírio e Libanês.

O governante venezuelano, hoje com 57 anos, estava em Havana quando no dia 20 de junho, numa emergência, extraiu um tumor na região pélvica. Diagnosticado o câncer, apesar de várias ofertas, preferiu fazer o tratamento em Cuba, onde a medicina é exclusivamente pública e tem surpreendentes índices de qualidade, em muitos casos, como na pediatria e no tratamento dos idosos, superiores aos dos países mais ricos, incluindo os Estados Unidos.

Meus leitores mais conservadores (que não são poucos) não gostam que fale de Cuba e acham que estou aproveitando a deixa para fazer propaganda da medicina socialista.

Mas, igualmente, não há como deixar de falar do que esse desempenho representa, também a propósito do atendimento vip dispensado, repito com todo direito, ao ex-presidente Lula, que viu sua primeira mulher morrer há exatos 40 anos por falta dos cuidados que ainda hoje são negados a milhões de brasileiros.

Cuidados que não melhoraram nesses anos em que ele próprio esteve à frente do governo federal e em que o seu Partido dos Trabalhadores continua dando as cartas, prisioneiro a um equívoco de que ajudar aos pobres é distribuir as migalhas da bolsa-família e não investir numa política corajosa de saúde pública e de educação decente.

Infelizmente, a ganância do sistema privado de saúde domina à custa do sucateamento da rede pública. O ex-operário Luiz Inácio Lula da Silva, graças a Deus, poderá desfrutar de uma atenção médica redobrada, até pela necessidade mercadológica de preservar o prestígio do hospital privado, nesses dias nas primeiras páginas de todos os jornais do mundo.

Não é o caso, infelizmente, de milhões de brasileiros que, como ele nos tempos de torneiro-mecânico, permanecem expostos a um sistema público que tem médicos tão competentes, mas aos quais se nega o mínimo de condição de trabalho.

O que não aconteceria, ressalto, num país movido por outros valores sociais, como a Cuba que essa mídia estigmatiza sob encomenda.

8 comentários:

  1. Seu texto, para variar, é uma pérola de contradições e sandices. Tome algum remedinho, pois a senilidade está muito evidente. Cuide-se, mas faça pelo SUS, claro.

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  2. Anônimo11:17 AM

    Esse big jowe, de big só tem o seu reacionarismo!
    Contudo, é para privilegiar imbecis desse gênero que o sistema capitalista penaliza os outros 99% do povo, como dizem os manifestantes acampados em Wall Street, Espanha, Grécia, Portugal, etc.
    Sobre Cuba, sua Medicina, Educação, etc., é reconhecido pelos órgãos competentes ligados à própria ONU, portanto, carece de maiores detalhes. Eu mesmo fui tratado lá e constatei o mercantilismo da medicina daqui, que queria me operar de "problemas" à mais, que não tinha (na época, plano de saúde privado). Hoje, graças à manutenção do fator previdenciário que me roubou parte da aposentadoria a que teria direito, infelizmente mais um desmando que veio de fhc e mantido por Lula/PT, não posso mais pagar o mesmo. Recentemente, constatando problemas de próstata, o clínico geral do SUS, de meu bairro, indicou-me passar pelo urologista (observação: fui atendido como encaixe, pois consulta só para o ano que vem, talvez): isso há mais de 2 meses, disseram para aguardar a chamada, coisa que não aconteceu até agora. Aconselharam-me recorrer à "Justiça"... Aproveitei a ida ao posto do bairro para, além de reclamar a falta do médico urologista, receber os medicamentos de hipertensão que uso continuamente: resposta de que "está em falta e não se sabe quando haverá!". É isso... Meu caso é fichinha perto dos que morrem nas filas, todos os dias, eu sei, mas sintomático!
    Enquanto isso, os governos petistas de Lula/Dilma, pagaram e continuam pagando, mais de módicos R$2 BILHÕES POR DIA (RESSALTE-SE - POR DIA!) a título de juros e amortizações a banqueiros e agiotas de uma suposta dívida trilionária que o país tem com esses especuladores (conferir na edição 442 do semanário "Brasil de Fato").
    Então, parece que a morte da 1ª esposa não sensibilizou o sr. Lula o bastante para dar ao povo algo mais que as mesmas e velhas migalhas dos banquetes das oligarquias daqui e, principalmente, de fora. Aliás, o que o sr. Lula foi aprender em Baltimore, 1972/3, na Universidade "John Hopkins"? Por que isso foi omitido do seu currículo?

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  3. Anônimo11:17 AM

    Esse big jowe, de big só tem o seu reacionarismo!
    Contudo, é para privilegiar imbecis desse gênero que o sistema capitalista penaliza os outros 99% do povo, como dizem os manifestantes acampados em Wall Street, Espanha, Grécia, Portugal, etc.
    Sobre Cuba, sua Medicina, Educação, etc., é reconhecido pelos órgãos competentes ligados à própria ONU, portanto, carece de maiores detalhes. Eu mesmo fui tratado lá e constatei o mercantilismo da medicina daqui, que queria me operar de "problemas" à mais, que não tinha (na época, plano de saúde privado). Hoje, graças à manutenção do fator previdenciário que me roubou parte da aposentadoria a que teria direito, infelizmente mais um desmando que veio de fhc e mantido por Lula/PT, não posso mais pagar o mesmo. Recentemente, constatando problemas de próstata, o clínico geral do SUS, de meu bairro, indicou-me passar pelo urologista (observação: fui atendido como encaixe, pois consulta só para o ano que vem, talvez): isso há mais de 2 meses, disseram para aguardar a chamada, coisa que não aconteceu até agora. Aconselharam-me recorrer à "Justiça"... Aproveitei a ida ao posto do bairro para, além de reclamar a falta do médico urologista, receber os medicamentos de hipertensão que uso continuamente: resposta de que "está em falta e não se sabe quando haverá!". É isso... Meu caso é fichinha perto dos que morrem nas filas, todos os dias, eu sei, mas sintomático!
    Enquanto isso, os governos petistas de Lula/Dilma, pagaram e continuam pagando, mais de módicos R$2 BILHÕES POR DIA (RESSALTE-SE - POR DIA!) a título de juros e amortizações a banqueiros e agiotas de uma suposta dívida trilionária que o país tem com esses especuladores (conferir na edição 442 do semanário "Brasil de Fato").
    Então, parece que a morte da 1ª esposa não sensibilizou o sr. Lula o bastante para dar ao povo algo mais que as mesmas e velhas migalhas dos banquetes das oligarquias daqui e, principalmente, de fora. Aliás, o que o sr. Lula foi aprender em Baltimore, 1972/3, na Universidade "John Hopkins"? Por que isso foi omitido do seu currículo?

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  4. Fernanda Arruda11:44 AM

    Nunca vi falar nesse Big Jowe, mas com certeza deve ser uma pessoa muito amarga, muito infeliz, como Pedro Porfírio lembra no seu texto. É um coitado, acho, pois pensa que agressão resolve. Coitado, mesmo, coitado.

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  5. Caro Porfírio,,

    Faço minhas as sua palavras, sou solidário e a você e ao Presidente Lula.
    Que tudo acabe dando certo, para todos, para o povo brasileiro.
    Abraços,
    Zoroastro

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  6. Anhangüera T12:58 PM

    Sou solidário e por isso aconselho o ex-presidente a tratar-se também de forma solidária ao povo brasileiro, no SUS, como brasileiro que também é.

    Afinal, a qualidade de atendimento da saúde pública é consequencia da gestão de TODOS os presidentes, inclusive o que dirigiu a nação pelos últimos oito anos. Como já temos um sistema de saúde PERFEITO (segundo as declarações do próprio EX-presidente), ele será atendido melhor do que no hospital que hoje o serve.

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  7. Anhangüera1:06 PM

    Ah, sim... esquecia-me de perguntar:
    se em Cuba o sistema de saúde é tão avançado, o sr. Luiz Ignacio e sua sucessora poderiam tratar lá os respectivos canceress. Talvez até os levarem de mudança para lá. A estatística da saúde no Brasil iria melhorar, já que seriam dois canceres a menos no país.

    Né não?

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  8. Anônimo6:36 PM

    Solidario com safado! ...Caso fosse ele ou o filho dele o tal lulinha, que estivesse pagando o tratamento tudo bem, ocorre que sao os brasileiros,todos nos, dentre muitos necessitados, e que estaos pagando. o Luxo deste pulha...manda ele pra Cuba!!

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.