terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mataram, esfolaram, exibiram e agora vão dar sumiço ao cadáver. O que você acha dessas ignomínias?

Se essas agressões viram moda, ninguém garante que os brasileiros não venham a passar por isso

“Se é verdade que Kadhafi foi deposto porque lutava contra a oposição de Benghazi, é verdade também que o desaparecimento de um clérigo libanês xiita (na Líbia) também contribuiu para o desenlace”.
Charles Glass, London Review of Books
Depois de exibir os corpos como troféus de guerra, o conselho títere vai dar sumiço a eles


Como você já sabe, o corpo de Muammar Kadhafi será sepultado nesta terça-feira em LUGAR SECRETO, provavelmente no deserto. Foi o que decidiu o conselho títere que ganhou o governo graças aos 40 mil foguetes despejados sobre a Líbia pelos aviões e navios dos Estados Unidos, França, Inglaterra e satélites menos cotados.

Essa decisão não me surpreende e está em consonância com a execução sumária, ao arrepio de todas as leis, de todos os códigos éticos e de todos os direitos humanos.

Até ontem, essa mesma súcia havia garantido que o corpo de Kadhafi seria entregue a seus familiares e sepultado no coração do seu clã, em Sirte. Teria destino semelhante ao de Saddan Hussein, que foi enterrado no domingo, 31 de dezembro de 2006, em Awja, sua cidade natal, perto de Tikrit, na presença de alguns familiares e membros de sua tribo, um dia depois de sua execução na forca.

Como você vê, esses bandos que se jactavam de defensores dos valores democráticos e dos direitos humanos não são nem um pouco diferentes dos bandidos do Rio de Janeiro, que costumam sumir com os corpos de suas vítimas em “microondas”, como aconteceu com o jornalista Tim Lopes.

Por que o conselho títere mudou de idéia? Curiosamente, as notícias divulgadas pela mídia não dão detalhes. Quanto menos se alongarem sobre mais esse espetáculo de perversidade, melhor. A mídia está comprometida até a medula com essa trama e não tem como opor reparo à barbárie festejada em prosa e versos pelas cortes ocidentais.

Esconder corpos de adversários é uma prática censurada no mundo todo. Aqui mesmo, centenas de familiares ainda esperam saber onde os esbirros da ditadura ocultaram os cadáveres de suas vítimas, eliminados segundo a mesma mise-en-scène – isto é, com a alegação de mortos em combate.

Na Líbia, porém, o requinte de perversidade ganha direito ao livro dos recordes. Esses mesmos que ameaçam usar a “charia” como fundamento de todas as leis da “nova Líbia”, isto é, querem instalar uma teocracia medieval, deixaram de cumprir uma das causas pétreas do Alcorão: o morto deveria ganhar sepultura no prazo de 24 horas.

E agora será mais uma vez sequestrado, sem que os moleques dos governos ocidentais dêem um pio, e se não piam é porque, ou estão por trás dessa idéia de dar sumiço ao cadáver, ou não querem perder posição em relação ao que, para eles, é o principal: precisam que os títeres formalizem a entrega do melhor petróleo do mundo, extraído dali, perto da Europa.

Al Qaeda e Hezbollah a serviço dos EUA, quem diria? 

A essa altura, nessa esdrúxula aliança que juntou no mesmo balaio os imperialistas conhecidos e os fundamentalistas da Al-Qaeda e do Hezbollah devem estar disputando palmo a palmo quem manda mais, quem vai levar mais vantagem com a desnacionalização do petróleo e as fraudes periféricas.

Para você, que vibrou com a morte de Kadhafi, seguindo de olhos fechados a voz do dono, eu só queria informar o que não vão te dizer mesmo: quando a aviação e a marinha dos países agressores começaram a atacar, eles viram que se dependesse dos “rebeldes” de Benghazi, a conta ficaria alta e não daria resultado.

Nessa época, Kadhafi se recusou a ajudar os talibãs no complô para derrubar o governo do Partido Democrático Popular do Afeganistão, como fez a Arábia Saudita e o Paquistão, o que lhe valeu a sentença de morte dos muçulmanos radicais, embalados pelo impulso do jihad feudalista.
Foi então que Barack Hussein Obama autorizou negociações diretas com o general Abdel Hakim Belhaj, emir (chefão) do Grupo de Combate Islâmico Líbio, treinado pela CIA, na mesma cartilha de Bin Laden, junto com os mujahideens que combateram o governo progressista e secular do Afeganistão nas décadas de 70 e 80.

Os patrocinadores do movimento contra Kadhafi usaram também as velhas rixas entre Kadhafi e o Hezbollah, o “partido de Deus” do Líbano, que em 2003, num só dia, mandou pelos ares, com um caminhão-bomba, 232 “marines” norte-americanos e, em outro atentado, 52 soldados franceses, que estavam acampados em Beirute.

Nascido em 1982 e treinado pela Guarda Revolucionária do Irã, esse grupo xiita faz parte agora do governo libanês ao lado da burguesia financeira. Foi sob sua influência que o Líbano votou no Conselho de Segurança da ONU a favor da intervenção militar da OTAN na Líbia e ainda aliou-se sem qualquer constrangimento às ações seguintes, emprestando pessoal e treinando os marginais e mercenários contratados para serem “rebeldes”.

Há especialistas que dizem que tanto quanto as bombas e foguetes da aviação ocidental a participação da milícia xiita libanesa foi decisiva, principalmente na tomada de Trípoli.

Uma aliança dessa natureza não me surpreende. Os “terroristas” sempre foram criações reais ou fictícias do complexo industrial-militar-financeiro de Washington, pois sua existência, devidamente explorada e exacerbada, justifica o trilhão de dólares que os Estados Unidos destinam ao seu orçamento militar anualmente, favorecendo aquelas empresas de que muitos dos políticos de lá são sócios ou assalariados.

E quando essas agressões baterem em sua porta?

Você ainda vai me cobrar porque estou esses dias todos falando do massacre da Líbia e de todas as ignomínias assimiladas por nossa opinião pública como decorrentes naturais de uma “santa cruzada” de alguns governos para livrar o povo árabe de “ditadores sanguinários”.

É como se eu tivesse muito mais sobre o que escrever e preferisse o samba da nota só.

No entanto, meu empenho é demonstrar como estamos vulneráveis, nós brasileiros, na medida em que todas as trapaças internacionais são aceitas sem qualquer reação de nossa parte. Esses crimes ganham roupagem do bem e podem ser aplicados em qualquer lugar e hora, a juízo dos moleques da Casa Branca.

Ou você acha que esses mesmos donos do mundo vão deixar nossas riquezas em paz? Ou você não sabe da pirataria na Amazônia e das articulações nos centros do poder sobre a potencialidade do petróleo abaixo da camada de sal?

Provavelmente você não sabe que a Convenção do Direito do Mar (1982) reconhece a soberania dos Estados até o limite de 12 milhas marítimas do litoral - o Mar territorial, o direito sobre os recursos naturais até o limite de 200 milhas - conhecida como Zona Econômica Exclusiva (ZEE) - e o controle sobre a plataforma continental. Nosso pré-sal está a mais de 400 Km do litoral e a crise energética bate à porta da Europa, EUA e Japão: entendeu ou precisa de mais explicações?

ONU só serve para “legitimar” os donos do mundo
Para agravar, estão sucateando nossas forças armadas, relegando-as a mosquetões da I guerra, numa hora em que os neocolonialistas só respeitam mesmo quem tem (ou parece ter) arsenal nuclear e/ou tecnologia avançada de guerra.

O que está acontecendo na Líbia cristaliza uma nova doutrina de intervenção, com cobertura desse apetrecho chamado ONU, uma organização subordinada às grandes potências - que até hoje observa as mesmas regras de 1948, quando foi criada e tinha 60 participantes, menos de um terço de hoje: isto é, cinco países com assento permanente no Conselho de Segurança e poder de veto ganham através desse estatuto a condição formal de DONOS DO MUNDO.

Leva-me a escrever também a própria angústia diante da lavagem cerebral que a mídia faz diariamente sobre todos os brasileiros, segundo regras absolutamente tirânicas e avassaladoras. Senão veja: três ou quatro grupos econômicos controlam todos os meios de comunicação, impedindo, inclusive, a existência de rádios comunitárias de baixa potência e ocupando todos os canais da tv a cabo – as lixeiras americanas dominam toda a grade de alternativas. Nem mesmo uma estação argentina ou de outro país vizinho pode ser vista por nós.

Tenho a esperança de que alguns dos leitores de meus escritos procurem aprofundar-se, conhecer melhor os fatos, a fim de que não sejam, eles próprios, as próximas vítimas do embuste e da mistificação.

É por isso que escrevo sobre a conspurcação da África pela fraude ocidental-fundamentalista.

7 comentários:

  1. Estranho! Kadhafi, Bin Laden, e tantos outros...
    A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos. Falsificar os jornais, revistas, ou qualquer forma de documentação de fatos, afim de alterar o passado, para “progredir” no futuro (para aliviar o estado de qualquer forma de rebelião). A IMPRESSÃO de criar uma evolução do socialismo, mas de uma forma capitalista. Dezenas de engrenagens montam um sistema praticamente inquebrável, desde a sociedade dividida em classes até a alienação do setor operário dominação, de guerras, de alienação e variações de poder um grito de advertência para aonde nosso mundo está caminhando, e também como uma sátira – ou metáfora, quem sabe – para o caminho invariável a que toda ditadura nos leva. Na sociedade, todas as pessoas estão sob constante vigilância das autoridades, constantemente lembradas pela propaganda do Estado: “o Grande Irmão (governo) zela por ti” ou “o Grande Irmão (governo) está te observando” (Big Brother da TV Globo com a intenção de manter o proletariado sem educação e sem possibilidade de acumular capital, mantendo as classes mais altas no poder perpétuo) O Livro escrito por George Orwell e lançado em 1949, reflete com exatidão o futuro que nos espera no mundo se não abrirmos os olhos e desligarmos a televisão pra ENXERGAR-MOS o plano terrível que está sendo armado contra a humanidade.
    A exposição do “suposto” corpo de Kadhafi é imoral e indigna.
    Carta das Nações Unidas e da Convenção de Genebra (Quem respeita??)
    Convenção de Genebra (1929) - Tratamento dos prisioneiros de guerra (art.13,art.27)
    Protege prisioneiros de guerra, estabelecendo a obrigatoriedade de respeito e tratamento condigno de todos os prisioneiros de guerra sem excepção. Esta convenção surge após a II Guerra Mundial, em resposta às novas necessidades humanitárias causadas pelos números sem precedentes de prisioneiros de guerra feitos durante o conflito.

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  2. Anônimo9:51 AM

    É isso aí, mano !!!

    Esta nossa "SOCIEDADE" é uma grande FARSA.

    NADA é o que parece !!!

    Enquanto a maioria for de TROUXAS (analfabetos-políticos), a festa continuará a ser dos ESPERTOS.

    Eles só querem o nosso "BEM"....., ou será, os nossos "BENS" ???

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  3. Anônimo10:08 AM

    O Kadhafi, o Sadam e o Bin Laden, podem ser MAUS, mas a turma* representada pelo "testa-de-ferro" Barak Obama é MUITO PIOR !!!

    * Ditadura Mídia-Financeira Mundial Anglo-sionista-Americana, onde a Inglaterra é o CÉREBRO e os USA são os MÚSCULOS.

    SE LIGA, MANO !!!
    OCUPE WALL STREET !!!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Jileno Sandes1:33 AM

    Toda vez que você ouvir dizer que alguém está com um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito,lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre perigo. O problema da Líbia, amanhã poderá ser o do Brasil.
    Acorda brasileiros! A nossa imprensa está nos anestesiando.

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  6. Mazinho3:52 PM

    O capital transnacional tem se empenhado duramente em conquistar as reservas de petroleo do Mundo e para isso invadem Nações e matam seu povo destituindo governantes e até matando-os. O povo libio dissidente sentirá grande saudade de Kadhafi. Só para finalizar, se o capital internacional estivesse preocupado com o ser humano acabaria com a fome no Mundo.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.