terça-feira, 9 de agosto de 2011

Os Estados Unidos estão falindo e nós vamos pagar o pato

Como disse Delfim Neto, essa crise é mais uma obra dos bandidos do Wall Street

“Com um déficit orçamentário perpétuo impulsionado pelo desejo de lucros do complexo militar e de segurança, a causa real do enorme déficit do orçamento dos EUA está fora de discussão”.

Paul Craig Roberts, ex-editor do Wall Street Journal e ex-secretário assistente do Tesouro no governo de Ronald Reagan

 Timothy Geithner, Christina Romer, Obama e Lawrence Summers. Uma equipe econômica sob medida para servir aos interesses dos especuladores do Wall Stret


Em entrevista no Canal Livre da Tv Bandeirantes deste domingo, dia 7 de agosto de 2011, o ex-ministro Delfim Neto, que não é nenhum esquerdista, antes pelo contrário, afirmou categoricamente que essa crise nos Estados Unidos é obra de bandidos – os mesmos que forjaram a débâcle de 1929.

Antes, no dia 25 de julho, o economista norte-americano Paul Krugman escrevera no New York Times: “Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, o que está ocorrendo agora é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que alimentou a Grande Depressão”.

Na segunda-feira, dia 8, enquanto as bolsas de todo mundo despencavam, os “investidores” compravam adoidados os títulos do Tesouro norte-americanos, cujo rebaixamento, por uma agência de risco demoníaca, elevara a taxa de adrenalina dos acionistas à beira de um AVC. Dá para entender?

Crise conjuntural e política, conversa para boi dormir

Diz-se que o mais recente reboliço made in USA é conjuntural e político. O bate-boca no Congresso por conta da necessidade de elevar o teto da dívida teria engendrado a overdose da insegurança que pôs o mundo inteiro com as barbas de molho. Será?

Já em 2008 foi aquela pasmaceira, que se irradiou pelos quatro cantos do mundo em ventos uivantes e fez a fina flor amarelar. Obama assumiu na tempestade e, apesar da retórica envolvente, acabou dando o dito pelo não dito. Preferiu surfar na onda a dar um chega pra lá, limitando-se a algumas encenações, segundo o receituário do Wall Street, o covil da mais refinada bandidagem, e empurrou a tudo com a barriga.

Paul Krugman, proeminência de sua torcida organizada no mundo acadêmico, diz agora que ele se perdeu na selva de pedra. “O foco da política econômica foi desviado da criação de empregos e do crescimento para o problema da redução do déficit. Mas a economia não estava saindo do buraco. É verdade que a recessão chegou ao fim dois anos atrás e a economia escapou de uma derrapada assustadora. Mas em nenhum momento o crescimento se mostrou adequado levando-se em consideração a profundidade do mergulho inicial. Quando o desemprego aumenta tanto quanto o que vimos de 2007 a 2009, é preciso criar muitos empregos para compensar. E isso não ocorreu” – escreveu.

Estamos, portanto, diante apenas de erros de enfoque? O jornalista Matt Hartley, do diário canadense “National Post”, fez uma constatação esquisita, mas sintomática: ele notou que o Tesouro teve um saldo de US$ 73,768 bilhões no balanço operacional do dia 27 de julho, enquanto a Apple, segundo os dados mais recentes, tem US$ 75,876 bilhões em caixa. Claro que o próprio descobridor da pólvora fez uma comparação despropositada. Mas, de fato, o governo norte-americano está na pindaíba.

O rabo preso com a indústria de guerra

E não se manca, porque tem rabo preso com a indústria da guerra. Essa, sim, deita e rola e o mundo que se dane. Ela tem necessidade de dar saída aos seus foguetes de 1 milhão e meio de dólares e a Casa Branca não lhe nega fogo, independente de quem esteja fazendo suas traquinagens no salão oval.

Isso não se fala, como de hábito. Sem os “aditivos de emergência” o orçamento do Pentágono de 2011/12 vai fisgar 19,27% ou US$ 712,7 bilhões do total de US 3,699 trilhões, isso sem falar nos U$ 120,5 bilhões só em gastos com os veteranos de guerra. Não é pouca coisa, não.

Deduzidos os R$ 678,5 bilhões para a rolagem da dívida pública, o orçamento efetivo do Brasil para este ano, é de R$ 1,39 trilhão. Somando investimentos e custeio, incluídas as despesas da seguridade social e os investimentos das estatais. Convertendo as moedas, veremos que os gastos de guerra dos Estados Unidos equivalem quase a todo o orçamento brasileiro.

No início de março, antes das agressões com foguetes Tomahawk (que custam US$ 1,5 milhão de dólares cada) disparados contra a Líbia (106 só no primeiro dia), Amy Goodman dizia no programa Democracy Now, retransmitido por 900 emissoras norte-americanas: “Enquanto o noticiário internacional se concentra nas revoltas no Oriente Médio e no norte da África, os Estados Unidos seguem alimentando suas duas guerras prioritárias no Iraque e no Afeganistão. Os custos para sustentá-las estão afetando diretamente os orçamentos dos estados e da União. Os EUA gastam cerca de 2 bilhões de dólares por semana somente no Afeganistão, o que representa cerca de 104 bilhões de dólares ao ano – isso sem incluir o Iraque. Cerca de 45 estados mais o distrito de Columbia projetam déficits orçamentários de um total de 125 bilhões de dólares para o ano fiscal de 2012. As contas são simples: o dinheiro deveria ir para os estados, em lugar de ser gasto em um estado de guerra”.

Quem dá as cartas quer ver o circo pegar fogo

Ainda em março, Paul Craig Roberts disse poucas e boas sobre os gastos militares dos EUA. Roberts não é qualquer um: ex-editor do Wall Street Journal, foi secretário assistente do Tesouro no governo de Ronald Reagan.

Com a verve de quem entende do riscado, espinafrou: “As oligarquias dominantes atacaram novamente, desta vez através do orçamento federal. O governo dos EUA tem um enorme orçamento militar e de segurança. Ele é tão grande quanto os orçamentos do resto do mundo somados. Os orçamentos do Pentágono, da CIA e da Segurança Interna representam US$ 1,1 trilhão do déficit federal que a administração Obama prevê para o ano fiscal de 2012. Este gasto deficitário maciço serve apenas a um único propósito – o enriquecimento das companhias privadas que servem o complexo militar e de segurança. Estas companhias, juntamente com aquelas de Wall Street, são quem elegem o governo dos EUA”.

Desde que, na década de 50, o general-presidente Dwight David Eisenhower detectou os poderes fulminantes do complexo industrial-militar, o predomínio dos interesses bélicos ganhou sofisticação e mesclou-se com a meia dúzia de três ou quatro que controla o Wall Street – gente que tem ligações remotas com a mais longa das guerras, a que garante a expansão do Estado sionista no propósito estratégico de apoderar-se do petróleo árabe e exercitar o delírio do “povo eleito”.

Essa gente não tem pátria, não tem pai, nem mãe. Banca as bilionárias campanhas eleitorais e ganha como bônus a hegemonia dos governos dos dois partidões de lá, vide a equipe de Obama. Essa gente tem metas que extrapolam a fronteira norte-americana, é coisa de raiz milenar.

Com base em suas panacéias, os Estados Unidos estão fechando suas fábricas e indo produzir em países que dominam ou pretendem dominar, sob a alegação de que é mais vantajoso explorar a mão de obra local. Curiosamente, só não transferem a indústria de guerra.

O que enerva o mundo nestes dias é apenas mais uma ferida que sangra numa economia combalida, que para conservar as aparências tem de recorrer a golpes sequenciais, aproveitando-se da plataforma em que ainda se encontra, tendo a maior parte dos países do mundo a seus pés.

Mas não se iluda: de ferida em ferida, mais dia, menos dia, o império vai desabar. Justo, na nossa cabeça, com a conta amarga assumida por quem vive para pagar o pato.
Para ver a entrevista de Delfim Neto, CLIQUE AQUI

Permita a reprodução e repasse desta matéria, preservada a sua autoria.

8 comentários:

  1. Parabéns pela materia

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  2. Anônimo10:01 AM

    É isso aí, mano !!!

    A única esperança é a propagação da informação verdadeira.

    Quanto mais gente entender isto (nos USA, no Brasil, enfim no mundo todo), melhor. Fica mais difícil manter esta FARSA.

    Ou não ???

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  3. Prezado Porfirio, Lembremos o início das privatizações e os ataques ao patrimônio brasileiro na década de 80 ordenados pelos consensos de Washington, quando o então na época pervertido presidente dos EUA era Reagan, o moleque de recado da elite corporativa. O que vcescreve:Com base em suas panacéias, os Estados Unidos estão fechando suas fábricas e indo produzir em países que dominam ou pretendem dominar, sob a alegação de que é mais vantajoso explorar a mão de obra local... lhe pergunto Porfírio? SERÁ SÓ os EUA?. O jornalista Matt Hartley bem observou, e o pior...pasme! os US$ estão no FED!! O pensamento do presidente Eisenhower, em referência ao perigo do complexo militar-industrial foi dada por Steven Lovekin que trabalhou durante a administração Eisenhower e Kennedy na Casa Branca Army Signal Agência. lembra-se Porfírio...Após sua conquista da Europa no início do século XIX, os Rothschilds lançaram seus olhos cobiçosos na gema mais preciosa de todas – os Estados Unidos. Os EUA eram singulares na história moderna. Eram o segundo país na história que tinha sido formado com a Bíblia como seu livro da lei.Existiu, como existe uma imensa cumplicidade entre a elite, governantes, mega-investidores... na finalidade de continuar expropriando as riquezas dominada entre os poucos existentes. Com tudo, o Brasil perdeu, e perdeu muito. Leia:

    http://mudancaedivergencia.blogspot.com/2011/08/rothschild-e-lider-em-privatizacao-e.html

    http://mudancaedivergencia.blogspot.com/2009/12/minerios-brasileiros-kinross-gold-co-na.html
    Abraços Fraternos,

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  4. Livia Mezavila10:54 AM

    Adorei a matéria!

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  5. Anônimo3:45 PM

    O USA* já faliram faz tempo, o dolar é puro papel pintado, sem lastro, isto é, o "lastro" é o seu poderio militar, que sufoca o resto do mundo para manter a sua sobrevivência.

    Os USA* já estão "de olho" no nosso petróleo ("Pré-Sal") e nas nossas agroenergias, renováveis e limpas, como o etanol (de cana de açucar) e os óleos vegetais.

    * Ditadura (Mídia)Financeira Mundial do G8, com comando Anglo(sionista)Americano e sede em Londres.

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  6. Anônimo7:20 PM

    Completando:

    Nossos "irmãos do norte" também estão "de olho" na Amazônia, nos nossos minérios estratégicos, nas nossas plantas medicinais e nas nossas reservas de água.

    Ou não ???

    PS: Os USA são os "músculos" da Ditadura (Mídia)Financeira Mundial, e, a Inglaterra é o "cérebro".

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  7. GENIAL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    VAMOS COLOCAR OS IDOSOS NA CADEIA ...
    UMA IDEIA A EXPLORAR?

    Veja no http://vindodospampas.blogspot.com/

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  8. Anônimo6:12 PM

    Eisenhouer, Washington, Franklin e inúmeros outros patriotas estadounidenses vem denunciando há mais de 2 SÉCULOS a nefasta influência da doutrina política sionista nos USA e,por extensão no mundo todo. É impressionante que mesmo diante de tudo isto, a mídia ainda se cale diante de tamanha ditadura do terror. Quem são os patrões da grande mídia afinal?

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.