domingo, 21 de agosto de 2011

De volta à arena política, porque esse combate é uma obrigação de que não podemos fugir

Estou me filiando ao PSB na esperança de um espaço em que possa contribuir para uma virada radical na vida pública.
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."
Martin Luther King

“O preço que os homens de bem pagam pelo seu desinteresse da política é a qualidade dos políticos".   
 Platão

Voltar à praça pública para tentar reacender a confiança dos cidadãos é  nosso dever
 
Estou retornando à vida partidária. Depois de três meses de consultas, nesta quarta-feira, dia 17 de agosto, entreguei minha ficha de filiação no Partido Socialista Brasileiro ao professor Marcos Villaça, secretário do partido, num almoço na Taberna da Glória, com a presença do secretário de organização, Moisés Silva, e o “de acordo” do garçom João Batista, brizolista desde a volta do caudilho.
 
Devo lhe dizer que esta  foi provavelmente a decisão política mais pensada que tomei ao longo dos meus 68 anos. E não significa apenas a intenção de candidatar-me, em 2012, à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, casa em que desempenhei mandatos em quatro legislaturas.

Mais do que isso, creio ter encontrado um espaço, aqui no Rio de Janeiro, para apoiar uma atividade partidária séria, que vá muito além dos limites eleitoreiros. Espaço que será ainda mais fortalecido na medida em que pessoas com a mesma identidade crítica também se incorporem, entendendo que não basta ficar falando de fora, enquanto os maus elementos usam mandatos, cargos públicos e cidadelas partidárias unicamente em benefício próprio e dos seus financiadores.

Em princípio, a direção estadual do PSB deve marcar para a segunda semana de setembro, provavelmente dia 12, para um ato público em que serei formalmente recebido. Esse evento será importante para pautar de forma indelével a natureza mais profunda dessa aproximação, que preservará o respeito por minha total independência, enquanto jornalista.

A pena como arma na luta pela verdade e justiça

Quem me honra com a leitura dos meus comentários desde os idos da TRIBUNA DA IMPRENSA pode testemunhar o despojamento com que procuro contribuir de forma crítica e independente para uma efetiva transformação social no Brasil e para o respeito à soberania dos povos: são 50 anos passados desde que o destino – e não uma faculdade – me fez repórter comprometido com a verdade e a justiça, compromissos que me custaram o sofrimento da tortura, da prisão arbitrária e da mutilação da minha própria carreira profissional.

Meus parceiros não têm dúvida quanto à minha natureza – por vezes quixotesca – que me fez sempre presente em uma trincheira, sem escolher ferramentas, incluindo minha obra teatral em plena ditadura – 8 peças encenadas com sucesso de 1972 a 1982 – expressão artística do inconformismo, o que me valeu também a perseguição implacável da censura, com a proibição de duas delas, uma no dia da estréia.

Por isso, tenho orgulho de minha biografia. Até mesmo os muitos erros cometidos brotaram das mais puras intenções. Em nenhum momento deixei-me impulsionar pelo interesse mesquinho, pela deslealdade, pela ambição pessoal e pelo desrespeito aos princípios cimentados desde a adolescência, ainda na década de 50, na Praça do Ferreira, em Fortaleza, naqueles calorosos debates em que conheci Roberto Amaral, hoje uma dos grandes próceres do PSB.

Naqueles tempos, imagine, já via correr nas minhas veias o sangue quente dos indignados. Já aflorava  uma relação apaixonada com a causa pública, a que me dediquei com o sacrifício da minha juventude.

Com a volta da vida democrática, filiei-me ao PTB e, depois, ao PDT, quando arrancaram a sigla história das mãos do seu mais legítimo continuador. Permaneci fiel a Brizola até sua morte e estaria no mesmo partido se não fossem as novas companhias tão conflitantes com o ideário original da legenda e a predominância de um pragmatismo açodado e desfigurador.

Saindo da sombra e indo à luta de peito aberto

Até o almoço da quarta-feira passada, por vários anos circunscrevi meu combate à palavra. Não parei de escrever, mesmo quando os interesses das elites inviabilizaram a TRIBUNA DA IMPRENSA. Fortaleci meu blog e meu jornal por correspondência. Não me rendi jamais, não calei um instante.

Poderia continuar nos limites das minhas colunas, que posto em dias incertos, no uso pleno da liberdade de um aposentado. Mas vi que isso acaba sendo uma opção pelo mais cômodo, pelo entrincheiramento na minha casa confortável, no sopé da serra dos Três Rios.

Enquanto isso, as casas legislativas ficam cada vez mais expostas ao que há de pior na política. As câmaras municipais, então, nem se fala. O clientelismo, a truculência das milícias e dos poderes paralelos, a interferência do poder econômico corruptor bancando campanhas milionárias, assim como o uso abusivo da máquina oficial compõem uma aquarela berrante, em que poucos edis exercitam suas obrigações – legislar, fiscalizar e representar.

Isso leva o povo a abrir mão do peso do seu voto num estado democrático de direito. A descrença chega a ser patética. Um mês depois das eleições de 2010, 40% dos eleitores já não lembravam em quem tinham votado para deputado. Nada mais assustador.

Não e não. Eu, Pedro Porfírio, com todo um passado de lutas, não posso ficar sentado a um computador vendo acontecerem tantas barbaridades e estelionatos políticos. Tenho que voltar à luta no corpo a corpo das ruas, sim. Nem que isso represente o sacrifício de quem, nessa idade, já não goza das condições de saúde ideais.

Não posso enclausurar-me na crítica caseira num momento em que há sinais de mudanças corajosas no ambiente do poder: há claros indicadores de que a impunidade perde terreno e uma nova odisséia cirúrgica se descortina, precisando somar apoios que ajudem a demolir o poder de chantagem que faz dos legislativos antros de negociatas e pressões inescrupulosas.

O porque da opção pelo Partido Socialista

Como disse no início, escolhi o PSB depois de conversar com vários partidos. Fiquei enojado com a postura de alguns, que avaliavam “pragmaticamente” minha possível adesão: se fosse para ajudar a eleger quem já tem mandato, tudo bem. Mas se oferecesse risco, aí já não interessava.

Foi em alguns dirigentes do PSB que sintonizei preocupações políticas mais profundas. Participei de debates públicos sobre a reforma política, com a presença do presidente estadual, deputado Alexandre Cardoso, do cientista social Jairo Nicolau e do vereador Rubens Andrade, um professor que no seu terceiro mandato se mantém coerente com as mesmas idéias de sua juventude: em 2002, foi o único que se dispôs a ir comigo ao Oriente Médio, numa missão permeada de riscos.

Esse ambiente de debates amplos é um caminho que ajudará a uma visão mais consistente da atividade política e serve para revelar vocações, já que as universidades e as organizações classistas acomoraram-se  na penumbra. É o que se pode fazer de melhor no âmbito dos partidos para que eles possam cumprir suas responsabilidades e, quem sabe, ajudar a resgatar o mínimo de credibilidade junto à população.

Melhor será ainda quando a discussão voltar à praça. Aí  poderemos acender uma fagulha que leve os eleitores a um melhor entendimento da sua própria responsabilidade diante de um país que se move tensamente num enigmático mundo em decomposição.

Socorre-nos, felizlmente,  a força que ganha a internet, com apenas 20 anos de existência. Graças a ela, o mundo ficou pequeno com as imensas possibilidades de comunicação, que estão nos libertando do monopólio midiático. Neste momento, apesar das resistências e da má vontade das áreas oficiais, 43 milhões de brasileiros já acessam a banda larga. No mundo, a cada minuto, 168 milhões de e-mails são enviados, 98 mil tweets são publicados, 694 mil consultas são feitas ao Google, 695 mil atualizações de status no Facebook, enquanto publicam 510 mil comentários e fazem 79 mil ponderações no mural.

A internet abriu um vasto campo de manifestação e conscientização, inclusive para os mais velhos. Entre os que responderam à minha pesquisa, pelo menos 35% tinham mais de 60 anos. Há milhares de listas de encaminhamento de matérias: há um terreno fértil para a reprodução da indignação popular e, através da rede, centenas de protestos são convocados em todo o mundo.

Dito tudo isso, venho à sua presença pedir sua opinião. Você acha que ainda posso contribuir na disputa de um mandato parlamentar? No caso afirmativo, você terá como engajar-se ao meu lado, mesmo à distância?

Não esqueça de que continuo com a mesma independência de sempre e só disponho do poder da palavra para disputar uma eleição. A viabilidade de uma campanha, a essa altura da vida, depende principalmente dos que acreditam nessa palavra, transformando-se em agentes de nossa proposta.

Em síntese, a ajuda de quem acredita no meu bom combate é imprescindível.

18 comentários:

  1. Senhor Pedro Porfírio.

    Sabe Vossa Senhoria da minha admiração pela sua presença permanente na trincheira de lutas em prol de uma democracia; com os contornos da igualdade e da fraternidade solidária com os interesses coletivos. A opção pelo partido do legendário Miguel Arraes de grata lembrança, cuja história é permeada pelos embates democráticos nas mesmas momentos ainda que em trincheiras diferentes do sempre grande Leonel de Moura Brizola, paixão do meu pai que me inscreveu nos contingentes que apoiariam se necessário a luta pela legalidade.
    Em Santa Catarina o PSB será dirigido por um ex-Senador do PFL, médico, indicado a direção nacional do PSB pelo atual Governador Raimundo Colombo, também ex-PFL e agora PSD que dizem se somarão em fusão num futuro próximo, coisas da política brasileira, esfacelada pelos vinte e tantos anos de ditadura.
    Quero dizer-lhe que quando o Senhor foi para o PSDB, sabia que não havia compatibilidade entre o seu passado, as suas idéias e a sua trajetória ao lado de uma figura limpa e clara como Leonel Brizola e a postura do PSDB, entreguista e vendilhões da riqueza nacional.
    Quiçá o Senhor se de bem no PSB, tenho minhas dúvidas, o futuro dirá, penso que Eduardo Campos não herdou as convicções de seu avô, ainda que como Aécio Neves tenha herdado o patrimônio eleitoral. Posso estar errado.
    Saúde.

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  2. Anônimo11:37 PM

    Conte comigo meu amigo Pedro! Vamos a luta!
    Wagner

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  3. Anônimo8:27 AM

    Sr. Pedro, já morei no Rio, desde 1980 moro em São Paulo. Parabenizo-o pela escolha do PSB, mas minha alegria seria completa se o PT fosse o escolhido. Nele estou, como simples militante de base, desde a sua fundação. Só fico bastante triste quando o senhor o joga na vala comum dos outros agrupamentos que aliás, não os considero Partidos e sim grupos de negociatas, chantagistas que buscam simplesmente se enriquecer com o dinheiro público. Mas vá en frente, tenho lido alguma coisa do senhor através do Castor que é pra mim, também leitura obrigatóra.

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  4. Querido amigo fico bastante feliz com a noticia, sempre achei que nao era hora do Porfirio pendurar a chuteira na vida politico partidaria, creio que o guerreiro precisa de uma trincheira e esta é o partido politico, parabens é conte com o amigo;
    Hilario Rocha

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  5. Querido amigo fico bastante feliz com a noticia, sempre achei que nao era hora do Porfirio pendurar a chuteira na vida politico partidaria, creio que o guerreiro precisa de uma trincheira e esta é o partido politico, parabens é conte com o amigo;
    Hilario Rocha

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  6. Caro Pedro Porfírio, não sei por que cargas d'água, lendo seu artigo me veio à mente alguma coisa do tipo: "Não importa o que não houve; mas, sim, o que ouve".
    Abraços
    Fernando

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  7. PORFIRIO O PSB SO TEM A GANHAR COM SUA PRSENÇA. CONFIO EM VOCE. TRABALHO COMO VOLUNTARIO P/VOCE. VAMOS A LUTUA. VAMOS URGENTE P/RUAS.PRECISAMOS ESTAR COM O POVO. O POVO PRECISA DE POLITICOS IGUAL A VOCE. A LUTA COMPANHEIRO. REGATTIERI

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  8. Não creio que faça muita diferença, mas é sempre bom poder ter ao menos uma opção de voto, dentre tantos párias e sanguessugas que habitam este nosso RJ.

    Toda luta em prol da liberdade e verdadeira democracia é válida!

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  9. Porfírio, sábia decisão.
    Fundado em 1945 como Esquerda Democrática, assumiindo em 1947 o nome Partido Socialista Brasileiro, tem procurado desde então combinar as transformações sociais com ampla liberdade civil e política. Defende o socialismo construído de forma gradual e legal, com base no nacionalismo e na defesa da democracia.
    Como todos os partidos, tem seus problemas internos a serem resolvidos. Mas é de longe o partido mais adequado para quem quer construir alternativas nacionalistas e socialistas da atualidade brasileira.

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  10. marcocurado11:18 AM

    Creio, meu caro jornalista, ser seu papel. O senhor deve sempre fazer parte do processo político, pois está num patamar que desde sempre nas lutas sociais não se adaptou as regras que dominam as mentes dos homens comuns e que manifestam nos sistemas, nos partidos políticos, na sociedade como um todo por estarem desencorajadas, ludibriadas e despreparadas.

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  11. marcocurado11:19 AM

    Creio, meu caro jornalista, ser seu papel. O senhor deve sempre fazer parte do processo político, pois está num patamar que desde sempre nas lutas sociais não se adaptou as regras que dominam as mentes dos homens comuns e que manifestam nos sistemas, nos partidos políticos, na sociedade como um todo por estarem desencorajadas, ludibriadas e despreparadas.

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  12. Estimado Porfírio, vá em frente! mostre a todos e durante todo o tempo que a luta pelo DÍGNO enobrece o ser humano. Mostre a todos sua luta incenssante pela Soberania Brasileira, desde que chegou no RJ em 1959 acolhido pela dona Iracema. Pedro Porfírio, voce demonstrou seu potencial de cidadania, NUNCA fostes anônimo sempre foi ouvido, é ouvido, e será sempre ouvido. Portanto, continue levando sua vóz ao povo brasileiro dizendo SEMPRE a VERDADE REAL.
    Abraços Fraternos,
    Marilda Oliveira-SP

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  13. atitude certa. voce não psb poderar exercer plenamente sua atividade politica, com independencia. parabens pela decisão. regattieri

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  14. estamos a sua disposição para ir-mos a rua. confio e acredito nas suas proposta. voce e novidade politica do psb. a luta. regattieri

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  15. A PLITICA DO ESTADO DO RIO E PORQUE NÃO DO BRASIL, SO TEM A GANHAR COM SUA ATITUDE DE VOLTAR A VIDA PUBLICA.
    REGATTIERI

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  16. PRECISAMOS QUE OS BONS POLITICOS SIGA SEU EXEMPOLO. REGATTIERI

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.