sexta-feira, 17 de junho de 2011

Um “baseado” para FHC, porque se fosse Brizola o bicho pegava

Ainda acho que a ode à maconha é um elemento compensatório da alienação do interesse do sistema
“Este é um tema a ser levado para todas as famílias, pois é muito próximo a nós do que parece. A gente tem de sacudir a sociedade”.
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, ao defender a liberação da maconha no documentário “Quebrando o Tabu”.


"Por que a conduta dele (Fernando Henrique Cardoso) é distinta das pessoas que fazem isso em público? Se for porque ele é ex-presidente, teríamos uma ação discriminatória dos que proíbem as marchas da maconha”.
Deborah Duprat, vice-procuradora da República ao defender as passeatas em defesa da maconha.

Em certas “novidades” me considero conservador. Pode ser que isso me custe algumas incompreensões, paciência. É o caso das drogas. Não há quem me convença a aceitar a tolerância do consumo, descarregando eventualmente sobre os vendedores as penas da lei.

Até tento entender a compreensão do STF quando insere as manifestações pela liberação da maconha no âmbito da liberdade de expressão. Só não vejo coerência. Daqui para frente qualquer um pode apregoar as virtudes da droga. Mas a liberdade de expressão continua sob tutela. Ou não?

Há alguns anos, vi o escritor Siegfried Ellwanger condenado por racismo e enquadrado no art. 5º, inciso XLII da Constituição Federal por suas opiniões contrárias aos judeus.

No julgamento de um pedido de habeas corpus para ele no Supremo, o ministro Gilmar Mendes afirmou que a liberdade de expressão não é absoluta – “deve ser exercida de modo compatível com o direito à imagem, à honra e à vida privada e a ela não se pode atribuir primazia em face de outros valores como o da igualdade e da dignidade humana”.

FHC disse o que disse e ninguém chiou

Coerência também é o que falta à mídia e à sociedade. Ninguém se indignou quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente da Comissão Global de Política Sobre Drogas, assumiu a defesa da descriminalização da maconha e ainda fez uma mea culpa por não ter pensado assim quando na Presidência: “na época, eu não tinha informação e o tema não estava candente na sociedade”.

Fala sério. Se esse fosse discurso do Brizola ou do próprio Lula, os jornais da grande imprensa estariam pedindo a cabeça de ambos. Brizola, aliás, chegou a ser apresentado como aliado dos traficantes, por conta de sua decisão de exigir respeito às famílias pobres dos morros – isto é, o mesmo tratamento dado aos bacanas do asfalto.

No caso do príncipe FHC seu posicionamento aparece como uma contribuição ao regime de plena liberdade. Foi sua manifestação que balizou os argumentos dos defensores das passeatas da maconha: se o ex-presidente está empenhado numa cruzada liberalizante os ativistas dessa causa não podem ser penalizados, arguiu a vice-procuradora da República, Deborah Duprat, no histórico julgamento em que o STF unânime considerou a defesa da droga como forma de livre expressão do pensamento.

Coerência mesmo, nessa linha de pensamento, seria legalizar o consumo de todas as drogas e autorizar a abertura do comércio de tais produtose seu plantio "ecológico", às semelhança dos EUA onbde cultivo já é permitido legalmente em 13 Estados, inclusive a Califórnia, o maior deles.

Não me interprete mal. Porque continuo acreditando que só existe venda de qualquer produto quando existe mercado. Exemplo: a geração do meu pai – que morreu em 1950 – usava chapéu. A Ramezoni pontificava. Como quase ninguém usa mais chapéu, a antiga fábrica e suas concorrentes fecharam as portas.

A influência dos filhinhos de papai

Entendeu a comparação? Proteger os consumidores é a alma do negócio. Sair fuzilando traficantes no morro é fácil. Quem irá defendê-los?

A mudança de ótica, isto é, a assimilação da idéia de que os consumidores são vítimas, resulta da proliferação da droga entre filhinhos de papai. Uma certa vez, o delegado Hélio luz, na condição de chefe de polícia, escandalizou o Rio ao afirmar que nas festas de Ipanema a droga rolava solta.

Sua constatação continha o exagero da retórica, mas não era novidade. Hoje, o sistema de vendas nas áreas de maior poder aquisitivo não difere das pizzarias e outros ramos que se valem do “delivery”.

Da mesma forma que cresce a clientela nos grandes condomínios da Barra da Tijuca e Zona Sul do Rio, ou nos burgos luxuosos de São Paulo, ou no Plano Piloto de Brasília, todo mundo sabe que nesses bairros que vivem os magnatas do tráfico. O morro mesmo, com algumas exceções, é um mero entreposto que usa jovens sem horizontes e sem atenção dos poderes públicos, aos quais se serve a pior escola e uma nítida rejeição social.

Alienação compensatória

Ainda acho que as drogas ganharam força no processo de alienação programada da juventude, em todo mundo ocidental. É a compensação que o sistema oferece àqueles que poderiam estar engajados em confrontos sociais, catalogados agora como jurássicos.

Muitos dos meus parceiros de passeatas de 68 e alguns dos companheiros de cárcere voltaram à luz do dia com o rabo entre as pernas, traumatizados com a repressão daqueles idos. E partiram para algumas variáveis que os mantêm “diferentes” e na vanguarda, em sintonia com uma meninada grosseiramente ludibriada por um sistema educacional impregnado de falácias insustentáveis, tão hipócrita que transformou a frequência às aulas numa medíocre caça aos diplomas.

Já disse aqui mesmo que essa ode à maconha e similares “leves” é elemento chave para a imobilização política da juventude. Ela faz parte de um coquetel de alienantes de efeito fenomenal, que inclui outros condimentos, como a disseminação desenfreada de filmes estrangeiros de violência, de gêneros musicais ensurdecedores e a busca individualizada do sucesso, fator de desesperadas guerras interpessoais.

O ex-presidente Fernando Henrique não se juntou à cruzada pela liberalização da maconha à toa. Ele está à frente de algumas entidades voltadas para a preservação do sistema de dominação imperialista, como o “Diálogo Interamericano”, a super-ong criada em 1982 pelo banqueiro David Rockefeller, especialista na formação de líderes civis leias a à hegemonia norte-americana.

Já que está tão empenhado na liberação da maconha, não seria ofensivo oferecer-lhe um “baseado” para festejar seus 80 anos. Porque se fosse o Brizola o bicho pegava.

11 comentários:

  1. O STF se tornou o defensor de tudo aquilo que era considerado errado a menos de 30 anos atrás... e quer "legislar" acima de tudo e de todos... acho que esta na hora do Legislativo e Executivo chamarem a responsabilidade e lembrar que o Judiciário deve fazer valer e cumprir a lei e não atender anseios em nome de um direito que visa o beneficio daquilo que fere os princípios e deveres da sociedade... e deixar que quem realmente crie as leis cumpra seu papel e represente a maioria do s brasileiros...

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  2. Antônio Xavier de Moura12:19 AM

    Concordo em que o STF passou dos limites em certas mstérias, para aparecer como guardiões dos direitos constitucionais. Mas tem sido tolerante com os grandes empresários, como Daniel Dantas e Luiz Estévão. Este chegou a ser condenado a 31 anos de prisão, como vi em reportagem da Tv Record, mas permanece em liberdade

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  3. Anônimo1:31 AM

    Nessa, entre outras, você acertou na mosca! FHC como lacaio do império ianque, de há muito, serve duplamente ao "sistema": alienação e lucro para os "empresários" do setor. As drogas são um dos principais ramos burgueses, depois das guerras, não é mesmo?!
    Espero que você tenha caído fora do partido desse tucano-velho de plumagem imperial e antipatriota!

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  4. Anônimo12:14 PM

    Quem são os CAPITALISTAS da "INDÚSTRIA DAS DROGAS" ???

    Que tal investigar o BANCO SAFRA ?

    Que tal investigar as "bancadas das drogas": no SENADO, na CÂMARA FEDERAL, nas CÂMARAS ESTADUAIS, nas CÂMARAS MUNICIPAIS, nas BANDAS PODRES das POLÍCIAS, no EXECUTIVO, no JUDICIÁRIO, na "ALTA SOCIEDADE" ???

    As DROGAS, assim como as GUERRAS, são "INDÚSTRIAS" muito lucrativas, comandadas, nos "BASTIDORES", por quem, no "PALCO", as combate com veemência !!!!

    O FHC, Fernando Henrique Calabar, Falso, Hipócrita, Cínico, já "morreu" de tanta "droga", paga pela Fundação Ford ...

    Se houvesse JUSTIÇA DIVINA, quem deveria ter morrido era o marido da DONA RUTH !!!

    Espero que ele viva, até ser julgado, condenado e fuzilado, pelos crimes de LESA-PÁTRIA do seu governo !

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  5. Anônimo3:41 PM

    Não vê coerência e não compreende a decisão do STF porque está deturpando o sentido e os objetivos da manifestação, que, ao contrário do que insistem os conservadores, não defende liberar o consumo, e sim controlar e regulamentar algo que atualmente está sem nenhum controle. Antes de qualquer manifestação conservadora, seria de bom tom verificar o que é pretendido e usar os termos corretos afim de possibilitar um debate sério. Existe uma gritante diferença entre legalizar e liberar, é uma pena que alguns não consigam, ou não se interessam em assumir essa diferença.

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  6. Para quem não é carioca, brizola, em certa época, era gíria para papelote de cocaína.

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  7. "Não há quem me convença a aceitar a tolerância do consumo, descarregando eventualmente sobre os vendedores as penas da lei."
    _________________________

    Isto é uma verdade irrefutável na fala de FHC.
    A única medida profilática em relação às drogas é a campanha educativa maciça e uma exemplar responsabilização do usuário pelo possível mal causado à sociedade quando sob uso de qualquer entorpecente.
    Acho que aí poderíamos pensar em descriminalizar ate a venda, pois um mercado consumidor inicialmente em crescimento não seria tão compensador sob o ponto de vista financeiro ao vendedor da droga, tal como acontece hoje com o cigarro de tabaco.

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  8. Porfírio, Brizola foi um grande líder Político e defendeu com vigor os interesses do cidadania.
    NÃO É DE HOJE QUE MEGA EMPRESÁRIOS ALIADOS A POLÍTICOS ENTREGUISTAS E CORRUPTOS TRAMAM A LIBERAÇÃO DAS DROGAS NO BRASIL. INICIARAM COM O DESARMAMENTO DA POPULAÇÃO, PERMITINDO ATRAVÉS DO DESCASO E DA (IN)GERÊNCIA POLÍTICA, O CRESCIMENTO DO NARC0-TRAFICO EQUIPADOS COM ARMAMENTOS PESADOS E DE ÚLTIMA GERAÇÃO.
    Dentre os participantes,destacaram-se o banqueiro DAVID ROCKEFELLER, o então chanceler FERNANDO HENRIQUE CARDOSO...
    http://mudancaedivergencia.blogspot.com/2011/06/liberacao-das-drogas-desarmamento-da.html?spref=gr#close=1

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  9. Não dá para discutir este tema sem conhecimento de causa. Quem coloca a maconha no mesmo grupo de drogas sintéticas como cocaína, crac, extasy e outras, realmente não sabe o que está falando. Se for para generalizar o termo drogas, por que não proibimos o álcool? Já que gera tantos problemas sociais!
    O máximo de informação sobre a maconha deve trazido à tona. Qual o efeito, prejuízos, benefícios, propriedades medicinais, terapêuticas e industriais. Por que não se utiliza mais a fibra de canhamo como antigamente como alternativa à indústria têxtil e de celulose? Poderiam ser gerados milhares de empregos legais com as devidas contribuições fiscais.
    Eu consumo maconha desde meus 17 anos e hoje tenho 39. Não sou alienado e nem lesado mental. Sou casado e tenho dois filhos. Não bebo e não fumo tabaco. Defendo a legalização pelo meu direito de escolha da droga que me faz bem. Tantos antidepressivos são prescritos e são muito piores que a maconha. A orientação e a informação são imprescindíveis neste processo de aceitação do que já é fato: a humanidade nuca vai deixar de se drogar! O que é preciso é utilizar a droga mais apropriada para cada pessoa com o menor dano possível. As propagandas de cerveja são alegres cheia de artistas famosos dizendo que é bom beber. Realmente é, para quem gosta e conhece o seu limite. Então por que a maconha não pode, se é comprovadamente menos nociva à saúde? O álcool sim é uma droga alienante. Tente conversar com um bêbado sem ter bebido. Depois tente conversar com quem consumiu maconha. Qualquer um pode notar que a maconha, ao contrário do álcool, traz a consciência da pessoa para dentro, para uma percepção de si mesmo, de autocrítica, para um pensamento de paz e não violência.
    Senhor Porfirio, não critique o que não conhece. Existem muitos livros à respeito, pesquise. Poderia escrever muito mais sobre o assunto, mas deixo aqui este breve comentário.

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  10. O que é droga para você? Existem 30 mil produtos que podem ser feitos de Cannabis e, só porque ela pode ser fumada e não causa mal algum a quem fuma, deve ser proibida? Voc~e é um excelente jornalista: estude mais a fundo a questão e publique seus achados. Verá que existe muito mais do que FHC's na questão. Existem milhares de pesquisadores sérios, antropólogos, doutores, médicos, advogados, delegados, agentes do DEA etc, que chegaram a conclusão de que repressão contra as drogas não funciona! O que funciona é educação e tratamento multidisciplinar de viciados em cocaína (tratados com maconha), de heroína (tratados com maconha), de crack (tratados com maconha) etc.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.