quarta-feira, 8 de junho de 2011

Imperícia do governador leva o circo a pegar fogo

"O governo colocou uma tropa com armas letais e não letais para invadir uma unidade militar. Fomos recebidos dentro da nossa casa com truculência e repudiamos veementemente esse ato. Poderia ter tido consequências gravíssimas”.
Nilo Guerreiro, presidente da Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros Militares do RJ.
Bombeiros foram aprisionados pelo BOPE em seu próprio QG
Nesse lamentável episódio que culminou com a criminalização do movimento dos bombeiros fluminenses, tratados como se fossem bandidos, o governador Sérgio Cabral Filho passou de todos os limites toleráveis no relacionamento de uma autoridade com seus subordinados, patrocinando um impasse que compromete sua a própria governabilidade e deixa mal na fita a ampla coligação partidária que costurou para garantir sua reeleição.

Sua incontrolável predileção pela vida inebriante de Paris, esse inusitado desprezo pelas responsabilidades de governante, suprido precariamente pelo esforço incansável do vice Pezão, talvez seja o principal ingrediente de suas reações ensandecidas, sem o mínimo de respeito, como se não estivesse à frente de um governo democrático, permitindo-se rompantes que se imaginavam exclusivos dos tempos abomináveis.

Ele é de fato e de direito o grande responsável por esse momento dramático que envolve os soldados da mais querida e confiável instituição pública do país. Porque virou as costas deliberadamente para uma realidade tão humilhante quanto a situação da educação no Estado do Rio: os bombeiros fluminenses são os que recebem os mais baixos vencimentos do Brasil, como demonstra levantamento do blog SOS Guardas Vidas .
Desde o seu primeiro dia como governador, o “coronel” Sérgio Cabral Filho demonstrou total desprezo pela corporação, subordinando-a ao secretário da Saúde, que passou a ser titular da defesa civil e que, aliás, sumiu do mapa durante todo esse processo que culminou na ocupação do seu QG e na prisão de 439 bombeiros, encarcerados em condições precárias e humilhantes, como nos piores momentos da ditadura.

Tivesse ouvido seu pai, Sérgio Cabral Filho não teria levado milhares de bombeiros a um estado de desespero, ao risco de todo tipo de punição para que a opinião pública ficasse sabendo que eles recebem por mês R$ 1.031,38 (sem vale-transporte), em contraste com os R$ 4.129.73 pagos em Brasília, e R$ 3.012.00, no pequeno Estado de Sergipe.

Se compararmos os vencimentos dos bombeiros com os dos servidores dos poderes legislativos e judiciários de todo país, a diferença será ainda mais acachapante. Um governador que sabe cooptar deputados – até alguns tidos e havidos como a fina flor da combatividade – não poderia ter patrocinado o caos na corporação que responde pela parte mais trágica da segurança pública e que um dia teve seu papel dignificado pelo governador Leonel Brizola, que criou uma secretaria de Estado só para eles e confiou-lhes tarefas hoje emblemáticas, como os primeiros socorros em ambulâncias e o recolhimento dos corpos.

A insatisfação dos bombeiros não de é agora.  Desde o início do ano, um movimento natural foi ganhando corpo, com algumas paralisações e negociações no âmbito da corporação, com intermediação de alguns deputados. No entanto, todas as tratativas não deram em nada porque Sérgio Cabral Filho preferiu pagar para ver o circo pegar fogo.  


Se o governador é o grande vilão nesse episódio, é de se lamentar igualmente a postura da quase totalidade dos deputados estaduais, que também são autoridades e têm responsabilidade perante a população.

Com exceção dos dois do PSOL (Janira e Marcelo Freixo), de Paulo Ramos e Wagner Montes, do PDT; e de Clarissa Garotinho, do PR, não tenho notícia de que outros parlamentares estaduais, inclusive de partidos que do chamado campo progressita, tenham se colocado ao lado de uma luta que ganhou o apoio de toda a sociedade, como demonstra pesquisa feita entre leitores do jornal O GLOBO: Dos 4707 que haviam se manifestado até às 18h50m desta terça-feira, apenas 16,42 se declararam contra a greve dos bombeiros.

População ao lado dos seus bombeiros
Maior é a indignação dos cidadãos mais envolvidos nas lutas sociais, como se infere do desabafo de Abílio Tozini, do Sindicato dos Petroleiros e presidente da Associação dos Moradores da Lauro Muller, primeira entidade no gênero no Estado do Rio, da qual fui fundador, em 1975:

“Como sindicalista ligado à CUT e como comunitário ligado à FAMRIO, FAMERJ e CONAM, como filiado e militante do Partido dos Trabalhadores, conclamo que estas entidades, bem como TODAS AS CENTRAIS, ENTIDADES DE LUTAS PELA MORADIA, PARTIDOS QUE se dizem AO LADO DO POVO que se solidarizem de forma OFICIAL em FAVOR DOS BOMBEIROS, exigindo a IMEDIATA LIBERTAÇÃO DOS TRABALHADORES BOMBEIROS PRESOS, a IMEDIATA NEGOCIAÇÃO pelo GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL e que DEPUTADOS E SENADORES TOMEM VERGONHA NA CARA E VOTEM PELA APROVAÇÃO DA PEC 300 JÁ!”

A crise tende a se agravar com a decisão da juíza Maria Izabel Pena Pieranti, que negou habeas corpus para alguns dos 439 bombeiros presos, acusados de motim e expostos a punições que incluem, além da demissão em massa, penas que chegam a 8 anos de prisão.

Diante da gravidade do caos e da intransigência e arrogância do governador Sérgio Cabral, a população está sendo mobilizada para um grande ato de solidariedade aos bombeiros neste domingo, a partir das 9 da manhã, com concentração em frente ao Copacabana Pálace.

Nesse momento, só a pressão da sociedade poderá reverter essa situação insólita. A população sabe o quanto precisa desses homens e como eles foram presentes em momentos dramáticos, alguns com o sacrifício da própria vida.

Só a voz do povo nas ruas  realmente tem condições de apagar esse fogo que a todos chamusca,chmando o governador à razão e  abrindo caminho para a concessão de salários dignos  a esses soldados de que tanto precisamos.
Os vencimentos da corporação no Brasil

De acordo com uma lista divulgada pelo blog SOSGuarda Vidas, o governo do Rio paga o menor salário do Brasil, e ainda sem o auxílio/vale-transporte. Os bombeiros pedem o aumento para R$ 2 mil líquidos, incluindo o auxílio e o cancelamento de gratificação.
Confira a lista com salários brutos dos bombeiros no Brasil:
01º - Brasília - R$ 4.129.73
02º - Sergipe - R$ 3.012.00
03º - Goiás - R$ 2.722.00
04º - Mato Grosso do Sul - R$ 2.176.00
05º - São Paulo - R$ 2.170.00
06º - Paraná - R$ 2.128,00
07º - Amapá - R$ 2.070.00
08º - Minas Gerais - R$ 2.041.00
09º - Maranhão- R$ 2.037.39
10º - Bahia - inicial - R$ 1.927.00
11º - Alagoas - R$ 1.818.56
12º - Rio Grande do Norte - R$ 1.815.00
13º - Espírito Santo - R$ 1.801.14
14º - Mato Grosso - R$ 1.779.00
15º - Santa Catarina - R$ 1.600.00
16º - Tocantins - R$ 1.572.00
17º - Amazonas - R$ 1.546.00
18º - Ceará - R$ 1.529,00
19º - Roraima - R$ 1.526.91
20º - Piauí - R$ 1.372.00
21º - Pernambuco - R$ 1.331.00
22º - Acre - R$ 1.299.81
23º - Paraíba - R$ 1.297.88
24º - Rondônia - R$ 1.251.00
25º - Pará - R$ 1.215,00
26º - Rio Grande do Sul - R$ 1.172.00
27º - Rio de Janeiro - R$ 1.031,38 (sem vale-transporte)

5 comentários:

  1. Anônimo12:38 PM

    Como disse o PELÉ: o brasileiro não sabe votar !!!

    Enquanto os contribuintes-eleitores-ignorantes-políticos continuarem elegendo estes políticos de "LERDA", principalmente no RIO DE JANEIRO e em SÃO PAULO, estes fatos serão permanentes.

    Em quem votar em 2012 ???

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  2. Amélia Almeida5:05 PM

    Fiquei indignada quando soube que a esposa de um bombeiro perdeu o filho durante a invasão do BOPE, não precisava disso.

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  3. vanessa sanches moura10:01 PM

    porque ao inves de deixr chegar a este ponto o Governdor nao deu sua resposta no dia 3deste mes sobre o aumento ja q ele disse q ja daria em Dezembro Tudo q ele diz agora v ai ser uma desculpa para tapar a f alta de responsabilidade deles Jam ais desistam este é um direito q tem todas as pessoas do mundo q são obrigadas a votar Só assim tal vés o Brasil vai p frente

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  4. Jileno Sandes1:44 AM

    Não considero o ato do governador como uma imperícia.Foi sim, um ato truculento por parte de alguém que não tem nenhum compromisso com a arte de governar.
    "Vândalos"!São os políticos que não respeitam e sucateiam a educação,a saúde e a segurança de um Estado, coma o Rio de Janeiro.
    Se a "grande imprensa" desse uma passada pelas escolas da Estado,viam salas de aulas, muitas da quais sem portas e janelas,mas com aparelhos de ar refrigerados, que segunda as más línguas, são alugados; não sei se isso é verdade, porem devia ser investigado.Se salvar vidas, for vandalismo,os bombeiros são doces vândalos.É só ver as imagens das últimas tragédias do nosso estado, para sabermos quem são os verdadeiros v^ndalos.

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  5. A justiça brasileira e suas incoerências: dá liberdade a um bandido internacional -BATTISTI e, mantém a prisão estúpida dos HERÓIS BOMBEIROS. Lamentável sobre todos os aspectos!!! Klaus Nogueira

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.