quarta-feira, 11 de maio de 2011

O analfabeto político é um virtual criminoso social

“Os podres poderes fortalecem os argumentos pela indiferença e o não envolvimento na política. É o moralismo abstrato e ingênuo que oculta a ignorância e dissimula a leviandade egoísta dos que não conseguem pensar para além do próprio bolso. O analfabeto político não sabe que sua indiferença contribui para a manutenção e reprodução desta corja de ladrões que, desde sempre, espreitam os cofres públicos, prontos para dar o golpe à primeira oportunidade que surja. Os analfabetos políticos não vêem que lavar as mãos alimenta a corrupção”.
Antonio Ozaí da Silva , escritor e Docente na Universidade Estadual de Maringá
(Artigo completo na revista ESPAÇO ACADÊMICO, março de 2004)


No passado, escravizava-se com grilhões nas senzalas. Hoje, a moderna tecnologia estabeleceu formas sofisticadas de escravidão – o uso da eletrônica para mantê-lo alienado, indiferente, motivado por outras sensações.

Toda a ciência da indução é usada para paralisar os cérebros. Milhões de pessoas passaram a delegar o seu hábito de raciocinar. Não pensam. Deixam que a máquina pense por elas. E seguem seus passos, posicionam-se em função da carga de informações servidas com o sabor dos doces mais apetitosos.

Faço esse preâmbulo ao apresentar minha opinião de hoje, severa, mas incontestável: o analfabeto político é um virtual criminoso social.

Gravei um vídeo e escrevo a propósito da repercussão da matéria sobre a necessidade de mobilização dos mais velhos, os alvos centrais da “otimização de custos” dos serviços públicos, aqueles que são vistos como uma ameaça social porque o aumento da expectativa de vida, algo altamente enternecedor, é apresentado com as tinturas do terror.

Muitos leitores me escreveram sugerindo que mobilizássemos para a criação de um partido de aposentados – que já existiu, sabe Deus como, até ser “comido” pelo PTB de Roberto Jefferson para somar votos e garantir os valores robustos do dinheiro público, através do Fundo Partidário.

Despolitização programada como grilhões da modernidade

Penso, no entanto, que a questão é mais ampla. O grande problema é a despolitização do povo, essa tendência cada vez mais ostensiva de virar as costas para a atividade política, deixando que ela seja privativa dos profissionais da lambança, da corrupção, das propinas, do exercício do mandato em causa própria.

A máquina do sistema trabalha com esse propósito, inoculando na esmagadora maioria dos cidadãos a idéia de que “todos os políticos são iguais” na prática de repetidos atos delituosos.

Com essa versão consolidada, o cidadão eleitor torna-se presa fácil da malta de políticos bandidos, destituindo-se dos critérios críticos que sinalizariam diferenças protuberantes entre mandatários.

Há ainda homens de bem na vida pública. Serão menos a cada eleição, na medida em que os cidadãos torcerem o nariz para a política ou sufragarem qualquer um, sem nenhum grau de exigência.

Pautados por uma máquina inescrupulosa de fazer cabeças, os cidadãos vão sendo dominados no esplendor de perdidas ilusões. E são cada dia levados a maiores sacrifícios, em função de sua ignorância política.

Pagamos por serviços privados pela insuficiência do Estado

Veja que coisa mais patética: pagamos altos tributos, em todos os níveis, para desfrutar de algumas obrigações de Estado, como educação, saúde pública e segurança. No entanto, somos forçados a enviar nossos filhos para escolas particulares, contratar onerosos planos de saúde e pagar a empresas particulares de segurança para suprir a deliberada deficiência das forças policiais.

Esses três serviços, que são da essência das responsabilidades dos governos, que representam parcelas consideráveis dos orçamentos, são hoje, paradoxalmente, os melhores negócios da atividade privada.

Os cofres das escolas e faculdades particulares estão abarrotados. Há redes de ensino superior que já ultrapassaram nossas fronteiras. A Estácio virou Estácio Participações e é controlada por fundos de investimentos através da GP Investments, com ações na Bolsa, 205 mil alunos nos cursos de Graduação e ramificações em 20 estados e países vizinhos.


Com a má gestão da saúde pública
, os planos privados se fartam
 Na área da saúde, que desfruta de um dos maiores orçamentos públicos, a qualidade dos serviços continua ruim, com algumas exceções, favorecendo a pujança dos planos privados. Aí, se aprofundarmos, as responsabilidades são fomentadas por um ambiente privatizante que seduziu a grande maioria dos médicos.

Uma oferta da Prefeitura do Rio de Janeiro, através de uma organização terceirizada, de salários que podem chegar até R$ 15 mil não tem sido suficiente para atrair a uma quantidade suficiente de profissionais. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, seus colegas rejeitam as 40 horas semanais e isso impõe uma conversa sincera, a que nos dedicaremos em outra oportunidade, esperando ter a compreensão e ajuda dos muitos profissionais da saúde que leem nossas colunas.

De qualquer forma, estamos num país que exacerba ao extremo as pretensões pessoais, como tenho dito. Numa ambiente em que a regra é o sucesso individualizado, tudo é possível. Difícil será imaginar alguém, em qualquer ramo de atividade, impregnado do espírito público, do despojamento, que faça do “compromisso social” mais do que uma linguagem do marketing empresarial.

Distorção grave vem se agravando na área de segurança. Embora existam pessoas que exercem esses serviços com a observação de certos valores morais e a convicção de que eles são indispensáveis numa sociedade em que as forças públicas não são capazes sequer de elucidar homicídios, há também outras, as que cresceram mais rapidamente, com poderosa representação política, que jogam pesado na gestão de um poder policial paralelo.

Muitas das empresas de segurança são propriedades de policiais, civis e militares, que usam terceiros, inclusive suas esposas, para escamotear sua presença. Como pode um oficial da PM ou um delegado de Polícia resolver na sua cabeça essa ambiguidade profissional?

O certo é que os Estados cobram impostos de toda natureza para nos prover de segurança. E, no entanto, como o máximo que conseguem oferecer, quando oferecem, é uma “sensação de segurança”, temos de tirar do bolso para o pagamento da proteção privada, que só no Rio de Janeiro tem hoje mais de 100 mil homens, entre os das empresas legais e os informais.

Bom, tudo isso se inclui numa agenda que só será viável na medida em que tivermos capacidade de mobilizar, de unir, de politizar.

Esse desafio, exponho também no nosso ENCONTRO MARCADO do You Tube de hoje. Para ver o vídeo que gravei, clique aqui.

6 comentários:

  1. Anônimo9:57 AM

    De alguma maneira, ainda desconhecida para nós humanos, foi criada a "VIDA", que é um "JOGO" tipo "CERTO" e "ERRADO".

    Neste "JOGO", tudo é TEMPORÁRIO e MUTANTE, e, nós humanos, temos que optar pelo "CERTO" ou pelo "ERRADO", que em termos de SOCIEDADE, significa optar pelo "INDIVIDUAL" ou pelo "COLETIVO".

    A "FELICIDADE INDIVIDUAL" pode ser obtida pela "GANÂNCIA", como predomina ATÉ HOJE, onde, POUCOS são FELIZES (os enganadores), à custa da INFELICIDADE de MUITOS (os trouxas; os analfabetos políticos).

    A "FELICIDADE COLETIVA" é a soma das "Felicidades Individuais" e, depende das EVOLUÇÕES do AUTO-CONHECIMENTO e dos CONHECIMENTOS POLÍTICOS, com o controle da "GANÂNCIA" que está dentro de cada um de nós, por construção.

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  2. Prezado Porfírio que satisfação ler em sua página o texto do nóbre professor Antonio Ozaí da Silva do ESPAÇO ACADÊMICO.
    Concordo com suas colocações;-anexo
    fato político, que necessita da fiscalização da população; SE OS RECURSOS serão destinado realmente em benefício da cidadania ou destinado a campanhas política dos candidatos.
    http://mudancaedivergencia.blogspot.com/2011/05/cultura-sbc-frank-aguiar-recebeu-22.html
    abraços,
    Marilda Oliveira

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  3. Anônimo2:30 PM

    Complementando:

    No "Jogo da VIDA", tudo também é RELATIVO.

    Assim: Tudo é RELATIVO, TEMPORÁRIO (TRANSITÓRIO) e MUTANTE.

    Simples, não é ???

    Faça sua ESCOLHA !!! (pelo LADO BOM ou pelo LADO MAU da FORÇA).

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  4. Anônimo2:55 PM

    VOCÊ, que NÃO é um ANALFABETO POLÍTICO, já sabe que:

    1- São roubados anualmente do BRASIL (via JUROS INTERNOS e EXTERNOS, mais TAXAS CAMBIAIS, mais CONTRABANDO de MINÉRIOS, de MADEIRAS e da PLANTAS MEDICINAIS, mais PRIVATIZAÇÕES, mais EXPLORAÇÕES de PETRÓLEO) aproximadamente, 2 TRILHÕES e 300 BILHÕES de REAIS (R$ 2.300.000.000.000,00);

    2- É MENTIRA que o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) seja deficitário. O INSS é roubado e muitas das suas verbas são desviadas.

    3- Nossos "Governantes" são GANANCIOSOS, ACULTURADOS e consequentemente ENTREGUISTAS, eleitos pelos ANALFABETOS POLÍTICOS, que também são GANANCIOSOS, ACULTURADOS, ENTREGUISTAS e TROUXAS.

    4- Etc., etc. e tal.

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  5. Jileno Sandes5:24 PM

    Esse tipo de analfabetismo, está cada dia maior,fato que deixa o país cada dia pior.
    Basta você dá uma olhada nas cámaras de veriadores e deputados do nosso país,
    para ver quanto é grande o número de analfabetos político.
    Ele é diretamente proporcional ao número de pilantras aí encontrados.

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  6. Péssima a escolha da frase do Henry Kissinger, um cara que utilizou a máquina do Estado para seus próprios interesses pessoais (e de seus amigos corporativistas).

    Henry Kissinger foi Secretário de Estado nos governos Nixon e Ford;
    O ex-satanista Doc Marquis disse que Kissinger é o único americano membro do grupo ocultista Conselho dos Nove, chefiado pelo príncipe Charles;

    Kissinger é membro do Conselho de Relações Exteriores; da infame sociedade secreta de Magia Negra chamada de Grupo Bilderberg e é membro da Comissão Trilateral;
    Foi nomeado, pelo presidente Bush, chefe da Comissão de Inquérito sobre os atentados de 11 de setembro de 2001.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.