sábado, 21 de maio de 2011

Porque nossos sonhos não acabarão jamais, lutaremos onde tiver de ser

Precisamos saber se é hora de voltar ao combate direto, indo além do ato de escrever


Quando vereador, fui até o STF para garantir a minha lei que livrava os taxistas do regime escravo das diárias. Na vitória de 10 a 1 contra o recurso do então prefeito  Cesar Maia, o voto do ministro Marco Aurélio foi fundamental.

 “Nenhum homem pode fugir de seu destino”.
Sófocles, dramaturgo grego (497 AC a 406 AC)

Esse mundo que se posta ante nossos olhos não é o mundo dos nossos sonhos. É uma afronta abominável aos ideais de uma humanidade serena e profícua, justa e generosa. É a esteira dos domínios cruéis, da opressão viciada por sofismas e eufemismos disseminados por inescrupulosas máquinas de manipulação, mistificação e escravização.

Esse mundo todo, nos diferentes quadrantes, respira por aparelhos de uma engrenagem assentada na barbárie e nas leis impudicas dos mais fortes, mais espertos, mais traiçoeiros, mais covardes.

Esse mundo vil não tem dó, nem piedade. Ao contrário, lastreia-se no inconsciente sádico e perverso que alimenta o massacre dos miseráveis inertes e nutre apetites vorazes de elites cada vez mais gananciosas e mais insaciáveis.

É o mundo cão sem tirar nem por. Um mundo que se serve sem o menor recato do obscurantismo, do charlatanismo, da malícia midiática, do fatalismo e da acomodação forjada, numa ciranda sufocante e implacável.

Esse mundo absurdo não é a última palavra, porém. Não é e nem pode ser o sepulcro dos ideais solidários que sobrevivem no torvelinho da angústia crítica. Esse mundo de podres poderes soçobra nos caminhos ínvios da injustiça e da exploração entre irmãos.

Mesmo sob o manto felino da arrogância, dos fatos consumados, esse mundo, digo-lhes, não tem armadura para resistir aos nossos sonhos por todo o sempre. Um olhar arisco o verá inclinando-se para o fundo do poço, como tigre de papel, eis que nossos sonhos vêm doutras eras e doutras raízes, atravessando procelas e recusando-se a vergar-se.

A esse mundo injusto, opomos o mundo dos nossos sonhos - muito mais do que uma quimera abstrata. Porque nossos sonhos são frutos de uma realidade plausível.

Isto quer dizer: nossos sonhos não emanam de nuvens passageiras. Brotam aos cântaros na valentia dos indignados, na teimosia dos indomáveis. Por isso, nossos sonhos não acabaram, não pereceram na fornalha de uma ditadura invisível, que domina pela sonegação do conhecimento, pelo direcionamento das amarguras e pelo incremento da boçalidade astuta.

Desde outubro de 2008, contentei-me com o verbo virtual. Fiz da grande rede a tribuna exclusiva das minhas reflexões. Circunscrevi a luta ao ato de explodir pelo teclado uma indignação que é de milhões de brasileiros, mas que só chega a alguns milhares nos limites de uma banda larga que ainda não alcança nem motiva as multidões desinformadas.

Procurei equipar-me mais e melhor através da mala direta, do blog, do you tube, das redes sociais. Fiz muito, mas fiz pouco, considerando o que produziria se me expusesse mais uma vez no cerne dos acontecimentos, ali, onde se decide, onde as palavras se encorpam e viabilizam ações no fremir dos embates frontais, no cenário das grandes batalhas.

Foi ali, no teatro dos entreveros políticos, nos conflitos diante das urnas, que assimilei meu compromisso sagrado com a causa da justiça e da liberdade, no sonho magnânimo do mundo melhor, obrigação irrenunciável dos que devassaram a história e viram nas entrelinhas do passado sofrido o livro aberto de um mundo de todos e para todos, sem postergações marotas, sem hipocrisias farsescas, nem desculpas reles.

Estou consciente, portanto, que há uma enorme diferença entre escrever e intervir, criticar e agir. No meu caso, isto é tanto mais evidente quando não dispomos mais nas bancas de nossa TRIBUNA DA IMPRENSA, trincheira que parou porque até hoje espera uma decisão judicial sobre as enormes perdas sofridas durante o período obscuro de perseguições sofridas na ditadura.


Neste instanto, reflito sobre a possibilidade de voltar à liça, ao corpo a corpo dos embates das ruas, da disputa das urnas. É o que me parece um dever diante de tantas farsas, tantas omissões, tantas burlas. Espero sua opinião sobre essa reflexão.

Voltarei a falar a respeito muito em breve.

15 comentários:

  1. Parabéns. Eu adorei, colocastes tudo pra fora o que sente neste texto. Assino embaixo meu amigo.
    Fiquei até emocionada porque, me enquadro perfeitamente na luta do dia dia. Ainda bem que sonhar não paga imposto ainda! Beijos

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  2. Maria Helena10:23 AM

    Pedro, a cada vez que leio um artigo seu, ainda que com conteúdo confessional, penso que a humanidade sempre foi assim do jeito que a conhecemos hoje. Lendo sobre o passado remoto, onde os povos lutavam corpo a corpo em busca de conquistas por terras, vejo que tudo permanece ainda como antes: a vileza humana, a ganância, a boçalidade, enfim, muitas semelhanças com o mundo antigo. Mas percebo também que sempre houve almas assim como a sua, indignadas com as condições de vida vigentes e com as injustiças cometidas pelos poderosos. Sempre houve e haverá seres com espírito elevado, desejando realizar alguma mudança. E isso é importante: você faz a diferença, porque contagia a todos com seu inconformismo. Sabe que estou sempre ao seu lado, apoiando-o em todas as suas decisões; portanto, se este é um desejo seu, conte comigo na nova empreitada. Boa sorte, amigo.

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  3. Naira Mendnonça Aguiar12:37 PM

    Creio que esta é uma boa hora de resgatar os sonhos de nossa geração, aliás, de muitas gerações, quem sabe, das gerações atuais que ainda podem despertar.

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  4. Anônimo2:20 PM

    Porfírio,

    Manda bala !!!

    Em 2012 temos vagas para: Prefeito e Vereador.

    É preciso diminuir o número de AUTO-IGNORANTES e consequentemente IGNORANTES POLÍTICOS.

    Água mole, em pedra dura, tanto bate, até que fura !!! D-e-m-o-r-a m-u-i-t-o, mas fura....

    "Nossos atuais governantes"* são GANANCIOSOS, ACULTURADOS, HIPÓCRITAS, CÍNICOS, VENAIS e consequentemente ENTREGUISTAS.

    * dos 3 PODRES PODERES (Civis e Militares) e da INICIATIVA "PRIVADA".

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  5. Anônimo8:37 PM

    Realmente me amigo Pedro, não dá mais para ficarmos somente proseando, teremos que partir de fato para o combate, o bom combate, que é na luta direta, num cargo eletivo, mas que se faz necessário mais de um combatente, pois não se poderá ficar como Don Quixote. Lamentavelmente vejo que falamos aos ventos para a maioria, onde a grande massa manipulável os analfabetos políticos sem discernimento nunca votam certo, elegem sempre os mesmos. Perderam grandes oportunidades no passado, de elegerem um General Andrada Serpa para presidente, um Lott da vida, deram oportunidade a um insano, não te elegeram por duas vezes, não elegeram um Hélio Fernandes para senador, e muitos outros que poderiam de fato trabalhar realmente em prol de fato deles mesmos, vão sempre atrás do canto das sereias, o que é sempre perigoso, como diz a lenda cantam bem para matar o marinheiro afogado, e é a semelhança o que essa corriola faz!
    sabe porque? têm preguiça de ler, procurar informações, ou leem e não entendem nada, pois além de analfabetos políticos, são funcionais. Mas a minha esperança é um dia todos acordarem e modificarmos isso tudo. Os egípcios mostraram o caminho, está na hora de seguirmos.
    Tens como sempre meu total apoio.
    Apesar de toda boçalidade de cartilhas que querem impor onde procuram sob falsas teses impor mais ainda o obscurantismo.
    Grande abraço Pedro
    Wagner

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  6. Anônimo9:22 PM

    A "VIDA" não é "BOA", nem "MÁ", é um "JOGO" de "ERROS" e "ACERTOS".

    Os "ERROS" e "ACERTOS" são nossos.

    "CERTO" é o que dá certo, e, "ERRADO" é o que dá errado. Parece óbvio, mas, não é !!!

    Para existir um "ESPERTO", é necessário existir um "TROUXA".

    Enquanto a maioria for de TROUXAS, os ESPERTOS continuarão dominando.

    A longo prazo, todos os ESPERTOS e todos os TROUXAS, estarão mortos; o que vale é o "DURANTE".

    Façam sua escolha: pelo "LADO BOM", ou pelo "LADO MAU", da "FORÇA".

    "A vida é luta renhida, que aos fracos abate e aos fortes só faz exaltar. Viver é lutar !!!"

    Ou não ???

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  7. Anônimo9:36 AM

    Simplificando !!!???:

    As "Sinapses CONSTRUTIVAS" ("Deus" - Lado BOM da FORÇA) são 30% e as "Sinapses DESTRUTIVAS" ("Diabo" - Lado MAU da FORÇA) são 70% do processamento do nosso cérebro.

    Faça sua escolha !!!

    Fácil, não ???

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  8. Caro Porfírio. É hora,sim,sua hora e sua vez, agora para um cargo executivo. Cearense lutador,que conhece todos os problemas do Rio e tem a vida pautada pela ética, a dinâmica e a solidariedade, o mínimo que você precisa ser é o prefeito da cidade. Depois, governador e presidente.
    Victor Cavagnari Filho.

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  9. Anônimo12:21 PM

    Eu gostaria que você fosse candidato a Prefeito do Rio, para poder aumentar a sua área de influência.

    Como viabilizar isto ???

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  10. Anônimo3:31 PM

    Prezado Pedro,
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Se sentes que o momento é chegado para entrares novamente na liça, faça-o já! Vamos arregaçar as mangas e entrarmos contigo na luta redentora. Saudações nordestinas, Cláudio Ribeiro, de Casimiro de Abreu, RJ.

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  11. Ótimo texto, estaremos juntos nessa nova etapa. Parabéns por ser este incansável, um exemplo!

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  12. Adorei o post!
    Estamos juntos!!

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  13. Excelente post. Já está marcado nos meus favoritos, irei recomendar para a redação do
    jornal para uma pauta, gostei muito bom.

    Fernanda Araujo - Swing
    Analista de programação swing para Site de Swing no jornal do povo

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  14. Anônimo10:51 PM

    Parabéns pela postagem, irei recomendar para nossa redação fazer uma matéria sobre seu site. Julia Alves Ferreira Suporte ao cliente Alugue temporada

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.