domingo, 27 de março de 2011

Para além da fraude que encobriu a intervenção estrangeira na Líbia

O Brasil entrou de gaiato ao fazer da abstenção um “nada opor”  
à agressão encabeçada pelos EUA

“Kadhafi representa o controle dos recursos da Líbia por líbios e para líbios. Quando ele chegou ao poder dez por cento da população sabia ler e escrever. Hoje, é cerca de 90 por cento a taxa de alfabetização. As mulheres, hoje, têm direitos e podem ir à escola e conseguir um emprego. A qualidade de vida é de cerca de 100 vezes maior do que existia sob o domínio do rei Idris I”.

Timothy Bancroft-Hinchey, em “Líbia, toda a verdade”, publicado no Pravda, da Rússia.
Só no primeiro dia, 110 mísseis Tomahawk (que custam US$ 1,5 milhão de  dólares cada) foram disparados por navios e submarinos americanos, matando 42 civis líbios.
Essas incursões mortíferas das grandes potências à Líbia compõem uma requintada farsa que cristaliza um perigoso procedimento de múltiplas facetas. O mais acintoso é a leitura de conveniência que fazem de uma resolução mal acabada do Conselho de Segurança da ONU, graças à qual bombardeios de aviões e mísseis, violando o prescrito, operam  uma verdadeira intervenção estrangeira, visando a derrubada do líder Muamar Kadhafi e usando os bandos sediciosos como suas colunas em terra.

É uma fraude calculada que só foi possível devido à colaboração, pela omissão, de países que sabiam claramente da falácia dessa impostura, chamada zona de exclusão aérea. Sabiam, disseram que ia dar no que deu, mas preferiram fugir da raia, chancelando a agressão.

A resolução da ONU é um primor de cinismo direcionado, ao abrir brechas para manipulações ao gosto dos agressores, o que, diga-se de passagem, pelo menos no que diz respeito à França, foi só um tapa-buraco burocrático. Seus aviões já estavam agindo mesmo antes da formalização da carta branca.

O resultado concreto desse conluio é a recomposição dos grupos revoltosos, que iam ser derrotados no sábado em que começaram as incursões estrangeiras. Não se pode dizer que essa ofensiva atípica esteja predestinada a uma vitória, nos termos sonhados pela chamada “coalizão”. No entanto, haja o que houver, a Líbia sairá totalmente fragilizada desses episódios, tornando-se vulnerável à saciedade das potências coloniais.

Insegurança para todos

Essa fraude remete a muitas reflexões. Que país pode se sentir seguro diante de um quadro tão farsesco? Tudo o que se alegava era que uma força internacional seria necessária para proteger civis dos ataques do exército regular. A primeira mentira aí é que não há civis nas praças, como aconteceu no Egito. Há, sim, grupos fortemente armados no exercício de ataques com armas pesadas. Grupos que têm em suas fileiras muitos militares desertores, inclusive de artilharia.

Isso a mídia mercenária não pôde esconder. Ao contrário, toda hora exibe “rebeldes” dando tiros à toa como se tivessem munição de sobra.

Pior ainda é o próprio estatuto casuístico de que se serviu o Conselho de Segurança. O direito internacional terá de presumir sua interferência em conflitos entre países ou em missões de paz, desde que solicitadas por governos constituídos. Não é o caso da Líbia.

Nas matanças de Gaza, nada se fez

Foi, sim, o caso do morticínio promovido em Gaza pela aviação e por foguetes israelenses do dia 28 de dezembro de 2008 a 18 de janeiro de 2009, 21 dias de atrocidades, com um total de 1.412 palestinos mortos. Nesse longo período, o Conselho de Segurança babou e os EUA usaram seu poder de veto para impedir todo e qualquer ato que freasse a ação ensandecida promovida por Israel. A lixeira de Jerusalém, aliás, coleciona dezenas de resoluções da ONU em todos os níveis, e não aparece uma viva alma para chamar seu governo às falas. E a mídia não fala mais nisso.

A fraude que está ensejando matanças indiscriminadas na Líbia também assinala com ênfase a falência do instituto da soberania nacional. Você estará sendo levianamente irresponsável se considerar que o bombardeio em outro país, para favorecer insurretos, tem algum escopo moral.

No caso específico, autoridades mais lúcidas já vinham antevendo as intenções das potências ocidentais em embarcar na onda de descontentamentos em alguns países árabes para alvejar aquele que ia melhor das pernas na consecução de um projeto social de grande alcance: Kadhafi inverteu as taxas de analfabetismo – de 90 para 10%, registra o mais alto IDH da África, (0,755,em 53° lugar no mundo, comparável aos 0,699 do Brasil, em 73°) e está num processo de modernização que prevê grandes investimentos, incluindo a construção de 1 milhão de casas em dez anos para uma população total de 6,5 milhões.

A Líbia de Kadhafi administrava com equilíbrio as rivalidades tribais atávicas e ainda oferecia refúgio para 1 milhão e meio de egípcios e outros milhares de africanos. Com a sedição de Benghazi, reacenderam-se feridas a partir de algumas tribos da região da Cirenaica, uma das três províncias do país.

Obama despontou até seus correligionários

A fraude que deu na agressão à Líbia aconteceu quando Barack Obama visitava à América Latina, de olho no petróleo do pré-sal brasileiro e na transformação da China no principal comprador do Brasil, Chile e Argentina. Essa visita foi tão burlesca que, depois dela, o governo anunciou a importação de álcool dos Estados Unidos, algo jamais pensado, mas causado pela ganância dos usineiros brasileiros (isso ainda vou comentar).

O títere da ditadura invisível quer porque quer criar fatos sensacionais para recuperar a imagem desbotada, e está tomando atitudes tão desesperadas que conseguiu irritar até os aliados: em geral, decisões dessa natureza são previamente submetidas ao Congresso.

O deputado Dennis Kucinich, do seu partido, aventou a possibilidade de pedir o seu impeachment por conta de sua atitude irresponsável sob todos os aspectos. Com o apoio dos também democratas Barbara Lee, Mike Honda, Lynn Woolsey e Raúl Grijalva ele acusou Obama de "mergulhar outra vez os Estados Unidos numa guerra que não podemos financiar". O grupo foi mais além ao afirmar que o deslumbrado presidente entrou numa “guerra precipitadamente com um conhecimento limitado da situação no terreno e sem uma estratégia de saída".

Até mesmo na mídia norte-americano houve restrições a essa ordem de agressão. O analista político Michael Walzer questionou: “O objetivo é resgatar uma rebelião fracassada, que as tropas ocidentais façam o que os rebeldes não puderam fazer sozinhos: derrubar Kadafi? Ou é apenas mantê-los lutando pelo maior tempo possível, com a esperança de que a rebelião pegue fogo e os líbios dêem cabo em Kadafi por si mesmos? Ou é apenas chegar a um cessar-fogo? Parece que nem os envolvidos no ataque são capazes de responder a essas questões”.

Apesar da boa vontade de alguns jornalistas, quem realmente ordenou a primeira carga pesada de mísseis foi Obama. Só que sua atitude foi tão indigna que ele tenta dar a entender que está tirando o corpo fora -  mais uma grosseira lorota que quem tem o mínino de tutano  não pode engolir.

Já Nicolas Sarkozi amarga uma sucessão de derrotas em eleições locais e dificilmente será reeleito, conforme as tendências registradas hoje. Ele apela e tenta reacender nos franceses de centro e da direita o velho gosto colonial compensatório, em meio aos escândalos de corrupção, favorecimentos e subtração de direitos sociais. Não é diferente a atitude do premier britânico, David Cameron, que neste sábado foi alvo de umas das maiores manifestações de rua em Londres, em protesto contra os cortes orçamentários, que afetarão a vida dos ingleses.

A vacilação que pode custar caro ao Brasil

Essa fraude também arranhou a política externa brasileira, que  nos últimos anos havia resgatado  o sonho iniciado com Jânio Quadros, João Goulart, Afonso Arinos e Santiago Dantas. Graças a uma ostensiva priorização dos nossos interesses, o Brasil vinha sendo uma referência obrigatória juntamente com seus parceiros do BRIC (Rússia, Índia e China).

Só se pode atribuir a vacilação no Conselho de Segurança à inexperiência da presidente Dilma Rousseff e a incompetência do seu chanceler Antônio Patriota, um diplomata medíocre, que parece saído do “orfanato” - como o ex-chanceler Azeredo da Silveira definia o Itamarati acuado no tempo da ditadura.

Junto com essa decisão, o Brasil também entrou na pilha das manobras contra o governo do Irã, embarcando na velha tática de brandir a questão dos “direitos humanos”,como fenda para forjar a intervenção externa nesse país. O governo Dilma não pode cair numa esparrela: por que também não votam uma investigação sobre as bárbaras violações na prisão de Guantánamo, que o próprio Obama prometeu desativar e deixou o dito pelo não dito? E no Iraque? E O tratamento perverso dispensado aos palestinos e árabes em geral pela polícia política de Israel? Eles podem barbarizar? O Brasil nada faz contra tais perversidades, apesar do acúmulo de denúncias?

Visto para além dessas agressões moralmente insustentáveis contra a Líbia, o mundo que acredita na soberania dos povos está perigosamente vulnerável. Nós já vivemos ameaça semelhante, em 1964, só que não foi preciso o apoio da frota norte-americana estacionada de frente para o nosso litoral. Aqui, derrubaram o governo no grito.

PALANQUE LIVRE BLOQUEADO
Dessa vez, tiraram do ar o  site do Palanque Livre, por onde enviava o JORNAL ELETÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA. Fiquei imobilizado até que o preparadíssimo  Ruben Albuqueque, cobra em informática,  viesse em meu socorro e procedesse a transferência do programa de e-mail para o domínio pedroporfirio.com.
Graças a esse jovem, da boa safra da UFRJ, você está recebendo minha matéria por outro endereço. No entanto, ainda vou depender de algumas providências para recuperar os e-mails que estavam no pop.palanquelivre.com. Se isso não for possível, comunicaei aos amigos, pois em alguns há material para novas colunas.

14 comentários:

  1. Maria Helena8:06 PM

    Ah! Mais uma vez você é a voz da lucidez e do bom senso. Eu até me sinto radical quando converso com amigos e me manifesto contra certas coisas, como essas invasões americanas em países soberanos a pretexto de salvar os direitos humanos. Bando de hipócritas! Até quando iremos sucumbir a essa balela? Muito bem lembrado o caso de Guantánamo. De fato, estamos nos arriscando a ter nossa soberania violada no futuro. Só vai depender de uma reação do governo brasileiro contra a política externa do Tio Sam.Mas, pensando bem, faltam homens de caráter para peitar esse status quo. Parabéns pela matéria!

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  2. Anônimo9:23 PM

    Em Guantanamo e na faixa de Gaza não existem direitos humanos. Os "patrões" de Obama estão indo longe demais. Fomentar esta "revolução" no mundo árabe pode muito bem sair pela culatra e varrer de lá a ditadura apátrida.

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  3. Miguel Sales10:40 PM

    Pedro.
    Se essa guerrinha insana durar muito, como foi o caso da Guerra do Vietnam (derrota do gigante americano) e está sendo a ao Afeganistão, a Europa rica (França Inglaterra e Alemanha) e seus periféricos (Itália, Espanha, etc.) vão pagar muito caro. E olhe que a Europa não está conseguindo decolar. Os PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) já estão com a língua de fora. Grécia, Portugal e Irlanda, então, nem se fala. Olha, amigo, guerra é artigo de luxo. Não é para qualquer economiazinha não. Até o todo poderoso Estados Unidos está vendo urso de gola para fechar seu orçamento com o custo bélico que tem de arcar pelo custeio de suas guerras. O futuro vai dizer se essa encrenca com a Líbia foi um bom negócio. Eu, particularmente, acho que eles já estão mais que arrependidos de terem calculado mal e entrado nessa guerra que teve data para começar, mas só Deus sabe o quanto ela vai durar e drenar as já parcas finanças européias.

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  4. Gostaria de saber se vão marcar alguma manifestação na Cinelância contra esse genocício Líbio.

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  5. admiro muito seu trabalho, mas existe um erro de avaliacao no seu artigo. parece algo como propaganda anteamericana em plena guerra fria. sugiro que voce leia O France Press, BBC, e outras midias, a nao ser que voce ache tambem que sao sub produtos do ïmperialismo americano. informacao deve ser passada sem cunho de crenca ou credo. No foi o USA que invadiu a Libia, foi uma acao do que se chama Coalisao, um pouco diferente do que aconteceu no Iraque. lamento...

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  6. Ricardo Américo Xavier Moreira.7:20 AM

    O cantor Roberto Carlos disse em uma de suas canções: "A covardia é surda e só ouve o que convém".

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  7. Anônimo10:02 AM

    A invasão da Líbia é a "edição revista e ampliada" da invasão do Iraque.

    A chamada COALISÃO é "laranja" do G2 (INGLATERRA"cérebro" e USA"músculos") que chefiam a DITADURA"Democrática" Mídia-FINANCEIRA MUNDIAL.

    Não interessa o que ocorre às populações do Iraque e da Líbia, o que interessa é o controle total do PETRÓLEO, para lastrear os falidos DOLAR e EURO.

    Espero que "ALÁ" derrote "GOD" !!!

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  8. Anônimo10:11 AM

    O Brasil ainda é COLÔNIA do G2.

    FHC/Serra/PSDB/Aliados = 100% ENTREGUISTAS.

    Lula/Dilma/PT/Aliados = 70% ENTREGUISTAS.

    30% está bom para você ???

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  9. D ÁRTAGNAN2:24 PM

    Infelizmente a grande maioria da Imprensa que se intitula Cristã e Democrática faz o jogo das AVES DE RAPINA. O BRASIL que PONHA AS SUAS BARBAS DE MOLHO pois ESTÃO de OLHO na AMAZÔNIA e a pretexto de criarem nações indigenas a partir de tribos TENTARÃO uma "intervenção humanitária".

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  10. Anônimo4:39 PM

    Após "salvarem" as populações indígenas do BRAZIL, e, INTERNACIONALIZAREM a AMAZÔNIA, a COLIGAÇÃO* aproveitará a oportunidade para ficar com o controle total das AGROENERGIAS, renováveis e limpas(ETANOL da cana-de-açúcar, Óleos Vegetais, etc.) e, de quebra, com o PETRÓLEO, finito e poluente, do PRÉ-SAL. Incluindo, também, os MINÉRIOS ESTRATÉGICOS (como o Nióbio) e as PLANTAS MEDICINAIS.

    Isto tudo, para "O bem" da TROUXA população brasileira, com o aval dos E$PERTO$-PODRE$-PODERE$.

    *COLIGAÇÃO = DITADURA MÍDIA-FINANCEIRA MUNDIAL do G8, com comando ANGLO(judáico)AMERICANO e sede na CITY de LONDRES.

    MÍDIA = Meios de comunicação: TVs, rádios, jornais, revistas, etc.

    FINANCEIRA = Donos dos Bancos Privados ANGLO(judáicos)AMERICANOS. Incluido o FEDERAL RESERVE (Banco Central dos USA) que é formado por bancos PRIVADOS.

    Para sair da atual FALÊNCIA, a COLIGAÇÂO precisa conquistar e "democratizar" o Iraque, a Líbia, o Irã, a Venezuela, o Brasil, e, quem mais tiver ENERGIAS (petróleo, agroenergias, etc.), ÁGUA, MINÉRIOS, etc.

    Isto tudo, é para o seu BEM (seu TROUXA)!!!

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  11. Salvador de Farias10:48 PM

    Kadhafi é um santo, um mártir das causas humanitárias.

    Ele podia ter tido uma vida tranquila e confortável longe do poder mas preferiu dedicar 40 anos de sua existência sacrificando-se em favor do povo líbio.

    Mau mesmo foi Ghandi.

    Me internem que eu estou doido!

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  12. Anônimo10:38 AM

    O KA(ga)DAFI pode ser um ditador, mas, ele faz mal só dentro da Líbia.

    Já o Ozama, digo OBAMA, representa uma DITADURA-DEMOCRÁTICA, que está FALIDA, e, para sobreviver tem que explorar o resto do mundo.

    Se o KADAFI é MAU, o OSAMA é PIOR !!!

    GHANDI pregou a não violência, mas nunca foi omisso. Ele lutou contra os ingleses invasores, que eram, e continuam sendo, parte desta DITADURA-DEMOCRÁTICA* representada pelo OBAMA.

    Assistam ao filme TRABALHOS INTERNOS, ganhador do OSCAR, como melhor documentário.

    *Ditadura Mídia-FINANCEIRA do G8, com comando Anglo(judáico)Americano e sede (cérebro) em Londres (bancos).

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  13. Anônimo10:54 AM

    Porfírio e Leitores,

    Proponho a criação de uma COLIGAÇÃO ALTERNATIVA para bombardear cirurgicamente as cidades de LONDRES, WASHINGTON, PARIS e ROMA, para libertar as populações civis oprimidas pela DITADURA MÍDIA-FINANCEIRA MUNDIAL ANGLO(judáico)AMERICANA(francesa-italiana).

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Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.