terça-feira, 15 de março de 2011

Festa para um rei negro fazer barba, cabelo e bigode

Só quero ver a militância pegando no ganzá e agitando as bandeirinhas de 50 estrelas

 “Nosso rei veio de longe
Pra poder nos visitar,
Que beleza
A nobreza que visita o gongá.

Ô-lê-lê, ô-lá-lá,
Pega no ganzê,
Pega no ganzá.
Senhora dona-de-casa,

Traz seu filho pra cantar
Para o rei que vem de longe
Pra poder nos visitar.
Essa noite ninguém chora, ninguém pode chorar”.

Do samba-enredo do Salgueiro, que ganhou o carnaval carioca em1971.
(Versões completas da obra, na voz Clara Nunes, em www.porfiriolivre.info )

Era só o que faltava: vão fechar o “Amarelinho”, reduto da boemia,  no último domingo de verão, privando-nos do melhor chope da praça, e profanar o templo da “Brizolândia” para franquear um  emblemático recanto carioca ao exibicionismo do companheiro Obama, no mais insólito programa de índio já concebido pelas mentes degeneradas dos marqueteiros políticos daqui e d’além-mar.

O impetuoso ponta-de-lança do império decadente, que engabelou o mundo inteiro (e não apenas meio mundo) com o conto do “black brother”, baixará o santo de salvador da pátria (deles) no cenário cavilosamente urdido para envolver nossos voláteis corações e mentes no oba-oba do venha a nós o vosso reino, que se seguirá às tratativas de Brasília, guardadas a sete chaves do Wikeleaks e dos jurássicos patriotas brasileiros, que, aliás, ressalte-se, não têm parentesco de grau nenhum com atual cabeça de bagre do Itamarati.

Antes, para revestir da mais burlesca espetaculosidade a farsa supranacional, o companheiro Obama pegará uma criancinha no colo, beijará seu rosto negrinho e afagará suas bochechas na cerimônia dos coitadinhos, que terá como palco a Cidade de Deus, o conjunto proletário, construído no portal de Jacarepaguá por Carlos Lacerda na década de sessenta, que a mídia meia sola cognomina de favela.

Uma coisa há que registrar em tudo isso com admiração até: essa representação é absolutamente inédita e diz do quanto se inovou no mundo dos negócios e no breviário do socialismo do Século XXI, com a introjeção da idéia de responsabilidade social, essa mesma alquimia que faz do bolsa-família a esperta extrema-unção da plebe ignara.

E esse ineditismo é o bicho. Imagine a Cinelândia púrpura na fila do beija-mão daquele que representa a fina flor de um império punguista, dado a práticas sangrentas na expansão inescrupulosa dos seus maus hábitos coloniais.

Quem vai agitar as bandeirinhas multiestelares e fará o coro do “welcome, comrade”, ingredientes indispensáveis ao balacobaco da festa para o rei negro? Quem vai pegar no ganzê, quem vai pegar no ganzá?

Putis gril, muita gente vai ficar na maior saia justa, a começar pela própria companheira Dilma, que, certamente,  não contava com essa astúcia. (Escolado, Lula não teria caído nessa trama, que bobo nunca foi). A coisa escapou à liturgia da efeméride. É sempre assim: o brasileiro dá o pé, a gringolândia já quer as mãos, o corpo e a alma. Que batismo de fogo mais herege. , não precisava curvar-se a tanto.

De bola murcha e mal na fita vem se virar aqui
O companheiro Obama está de bola murcha, todo mundo sabe. Desdisse tudo o que de hipnótico proclamou nas passadas de sua zebra: para o gáudio da indústria bélica, no mês seguinte à posse, contrariando seu palanque, embarcou mais 30 mil soldados para o Afeganistão e, em 2010, destinou US$ 130 bilhões para as guerras no país dos talibãs e no Iraque.

Nesses dias, depois de se informar por pesquisa que o povo norte-americano já se sente também no prejuízo com o bloqueio a Cuba, pediu ao Congresso mais US$ 63 milhões para ações contra  Fidel vizinho, embora tenha falado de paz e amor com a vizinhança.
Internamente, nem se fala: no calote dos banqueiros, em 2009, transferiu sua crise para o mundo e abriu os cofres para socorrer os plutos, enquanto o coronel Hugo Rafael Chávez Frias, quem diria, implementava um programa de socorro a 500 mil norte-americanos pobres, conforme reportagem de Luiz Carlos Azenha na Rede Record.

Sem credibilidade, reabriu passagem para os intolerantes republicanos da ultra-direita, que retomaram o controle da Câmara nas eleições do ano passado. Seu governo, cá entre nós, tem sido a alegria do centenário DITADOR INVISÍVEL que, à sombra, manipula os cordéis da White House.

O mau olhado do olho gordo dos donos do mundo

Fosse só para dar uma mãozinha a ele na tentativa da volta por cima, o prejuízo seria menor. Mas o friend quer casa, comida e roupa lavada. Dou minha cara a tapa se essa rearticulação de mais uma punga nas aposentadorias e pensões não estiver associada à sua vinda. O filé da previdência privada é tudo de bom para os dólares caloteiros que estão cada vez chegando mais.

Tem o superpoço de Libra, no pré-sal de Santos, com 15 bilhões de barris - mais petróleo do que toda a nossa reserva conhecida até agora de 14 bilhões - que vai a leilão neste semestre, gerando o efeito “viagra” nas petrolíferas alienígenas, agora mais brochas do que nunca com o tufão árabe.

Eu mesmo disse aqui que faz parte do protocolo oficial um almoço com o melhor de nossa culinária a visitantes importantes. Mas, tenha paciência, profanar a Cinelândia de histórias mil com um comício policiado pelo FBI é genuflexão servil. Nem no “we like Ike” de JK descemos a tanto. Não vai ser essa encenação burlesca que ajudará a lembrar aos norte-americanos que eles estão secularmente no lucro em nossas costas e que, agora, por imperativo impostergável, a caça quer ver a sua vez.

Vou-me sentir ofendido se me submeterem a constrangimentos na praça que, desde Castro Alves, é do povo, como o céu é do condor. O mais desatento dos brasileiros achará uma grande forçação de barra a montagem de um espetáculo circense na Cidade de Deus para o governante polêmico, como se ele fosse repetir a façanha do Papa, um líder religioso, na favela do Vidigal.

Essa palhaçada toda só vai servir para acanhar a militância habituada a outros carnavais, confundindo as cabeças do alunado e da velharia assediados pela estupidez.

Só falta chamarem o Tiririca, deputado da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, para as loas ao companheiro Obama, que quer fazer aqui barba, cabelo e bigode para compensar seu fracasso lá. Só falta distribuírem brioches a platéia famélica que o Serginho e Pezão deverão recrutar na periferia com a ajuda midiática. Só falta mesmo montarem aquelas catracas que nos mostram o corpo nu para garantir a segurança de um convidado que pode ser do governo, mas, com certeza, não é da massa que nem sabia desse filme.

Decididamente, a gente não merecia isso, empurrado goela a dentro só porque não temos tsunamis.

Encenação por encenação, sou mais o filme UM POBRETÃO NA CASA BRANCA, de 2003, com Chris Rock  no papel de primeiro presidente negro dos EUA (Obama era ainda um ilustre desconhecido do grande público)
E mais: veja em Porfírio Livre cenas que a mídia não mostra: a execução de soldados líbios prisioneiros dos insurgentes que se apresentam como a inocente população civil.

10 comentários:

  1. Maria Helena4:52 PM

    Pedro, quando ouvi essa notícia no rádio, senti vergonha. Muita subserviência do Brasil dar palanque pra esse panaca. Fala sério!
    Não precisamos disso! Chega de tanto se abaixar. Tenho uma tia que diz que de tanto se abaixar, se mostra os fundilhos. Vergonha! E a Dilma paga esse mico com a rede Globo divulgando essa palhaçada Brasil afora.
    Tô pasmada! Soberania nacional existe, mas parece que se esqueceram.

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  2. Anônimo5:31 PM

    VIVA O PRESIDENTO "MULATINHO".
    É DE GRAÇA, MACACADA !!!!

    Só vai custar o PETRÓLEO do Pré-Sal e o ETANOL da cana-de-açúcar..., com aval de "A CARA".

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  3. Franklin Ferreira Netto11:48 PM

    Estamos vivendo o tempo daqueles que vêm com cara de povo operário, ou excluído, e agem com as mesmas armas dos magnatas ditadores a serviço do grande capital espoliador e colonialista. É o avesso do avesso.

    Franklin Ferreira Netto

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  4. Maria Helena8:02 AM

    Onde eu parto o botão de "curtir", que esxiste no Facebook?
    (Para o comentário do Franklin.)

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  5. Maria Helena8:03 AM

    Corrigindo:
    Onde eu aperto o botão de "curtir", que existe no Facebook?
    (Para o comentário do Franklin.)

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  6. Anônimo11:52 AM

    O BRASIL é um país RICO, com muito Sol, muita Água, muita Terra boa para a Agricultuta, muita Fotossíntese, muita ENERGIA renovável e limpa, proveniente das Biomassas (etanol, óleos vegetais, etc.) e com, até, o poluente e finito Petróleo.

    Mas..., é mantido como COLÔNIA dos USA (DMFMG8*) pelos seus governantes, que são aculturados, gananciosos, venais e consequentemente ENTREGUISTAS.

    Enquanto os contribuintes-eleitores forem TROUXAS, os governantes ESPERTOS continuarão "fazendo a festa"!!!

    *Ditadura Mídia-Financeira Mundial do G8, com comando Anglo(judáico)Americano, e, sede em Londres.

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  7. Salvador de Farias12:08 PM

    Esquerdistas Unidos do Brasil:

    Não esqueçam de botar isso na conta do PT.

    E vocês não aplaudiram quando Lula saiu pelo mundo dizendo-se "um mascate" com o declarado propósito comercial de "vender o Brasil" lá fora?

    Por que Obama não pode fazer o mesmo?

    A rainha Elizabeth, em nome da educação e dos interesses nacionais, permitiu que Lula sentasse ao seu lado em um passeio de carruagem por Londres.

    Por que Obama não pode visitar a combalida Cinelândia?

    E quem acha que o Pré-Sal vai resolver algum problema nosso pode observar a Venezuela, que nada em petróleo mas ainda é um país pobre e atrasado.

    Esperem para ver.

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  8. Anônimo11:48 AM

    Porfírio,

    Depois da "festa" para o Ozama, digo Obama, aborde em um próximo artigo o problema da ENERGIA NUCLEAR.

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  9. OS QUE SE RENDERAM AO DOMINIO AMERICANO VÃO FAZER MUITO BARULHO, E SÓ. PRECISAMOS VOLTAR PARA AS RUA PARA ALETAR O POVO BRASILEIRO A FARÇA DE UM GOVERNO QUE MENTIU E ESTÁ NO PODER, PARA PROTEJER O CAPITALISMO SELVAGEM. REGATTIERI

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  10. Anônimo12:04 PM

    Quem veio foi o fantoche e quem continua mandando é o DITADOR INVISÍVEL, para o qual, TODOS os presidentes dos eua, sejam republicanos ou democratas se ajoelham antes de cada eleição. Assim sendo, sabendo da interminável sede por "ouro" que jamais se aplaca neste "grupo", o que podemos esperar é uma lorota qualquer para tirar o que é nosso e nos dar bananas.Foi-se o tempo e os Protocolos de outrora não tem mais lugar no Brasil.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.