quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Alvíssaras: Hélio Fernandes está de volta

Como não podia deixar de ser, a voz dos leitores falou mais alto.

Bombardeado por apelos de todos os lados, Hélio Fernandes, o mais antigo  (e indomável) combatente do nosso jornalismo, mestre de todos nós, com 70 anos de redação, reavaliou sua posição e decidiu voltar a escrever, apesar das dificuldades que seu blog enfrenta. E voltou com a idéia de convertê-lo num site ainda mais amplo, o que não seria necessário. Sua palavra atenta é indispensável nos dias de hoje, concordemos ou não com cada uma de suas opiniões, sempre muito  bem fundamentadas.

Foi com muita alegria que recebi seu telefonema ao meio dia de hoje. Ele relatou que ficou impressionado com a quantidade de manifestações para que  permanecesse escrevendo, levando-o à convicção de que esse ato profissional se tornou um dever de consciência, do qual não poderá se furtar, a não ser por absoluta impossibilidade, o que não é o caso: aos 90 anos, continua com a garra de um jovem, oferecendo a força de sua inquietação à legião de leitores de todo o país que tanto o admiram.

No seu blog, escreveu, com a emoção de sempre:

"quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
12:48

Não é a volta e sim a revolta contra mim mesmo. É o agradecimento emocionado, que todos sabiam que existia, mas não podia ficar silencioso. Depois de mais de 70 anos, não posso deixar de escrever. É possível que esteja aqui diariamente, a partir do Carnaval.
Helio Fernandes

A todos os milhares, neste blog e fora dele, se expressando de todas as maneiras, exercendo o direito legítimo que sempre foi respeitado aqui, de exigir que não parasse de escrever, respondo afirmativamente.

Desculpem, sensibilizado com todas as afirmações que foram feitas, meu respeito a todos, mas principalmente a reafirmação de uma obrigação e de uma necessidade de me comunicar, de informar, de opinar, de participar. Por isso, na abertura deste blog, fiz questão de colocar, “INFORMAÇÃO e OPINIÃO”, que mais do que uma frase ou slogan, é a continuação de tudo o que a Tribuna da Imprensa representou em quase 60 anos. Sem interrupção. Sem concessão. Sem qualquer parada até mesmo para reabastecimento. O que seria necessário, obrigatório, indispensável, mas jamais soube exercer o jogo do troca-troca, o que “peemedebistas”, “petistas” e “peessedebistas” (além dos outros) fazem maravilhosamente.

Sobrevivi quando existia o MDB, que não era o “mais que perfeito”, pelo menos era o domínio do melhor grupo político dos últimos tempos, os “AUTÊNTICOS”, todos cassados, perseguidos, afastados, desaparecidos.

Assim como o golpe de 64 não deixou que a melhor Constituição brasileira completasse 18 anos, também não permitiram que a Tribuna impressa completasse 60 anos de História, de resistência, de luta pela convicção, pela Liberdade de Expressão. Esta que está na PRIMEIRA EMENDA da Constituição dos EUA, e não as outras, que circulam pelo mundo, se fingindo de democráticas.

Uma vez, em plena ditadura, cercado por todos os lados, soterrado, emparedado, seqüestrado, desterrado por “mares nunca navegados”, escrevi: “O último artigo será escrito enquanto meu corpo for transportado da gloriosa Rua do Lavradio para ser cremado no Caju. Depois de aproveitados todos os órgãos, já doados antecipadamente”.

Embora convencido de que a Tribuna da Imprensa de papel jamais voltará a existir (é uma convicção seguríssima, que não está em discussão, é o único fator para o qual eu peço e exijo exclusividade, pois isso é conclusão, análise e sumário), posso garantir para dentro de algum tempo, não um simples blog, mas um verdadeiro site. Amplo, abrangente, livre, que o cidadão poderá digerir satisfatoriamente todas as manhãs, completo.

E o repórter continuando aqui, não sei a partir de QUANDO nem até outro QUANDO. Estas são as designações minhas, estão acima de considerações. Mas uma coisa posso afirmar, avaliar e referendar: minhas últimas palavras escritas, serão postadas, que palavra, aqui mesmo".

Para saber mais sobre Hélio Fernandes, clique aqui.

6 comentários:

  1. Améilia Filomena6:07 PM

    Que boa notícia. Felizes os que não são intransigentes. Hélio Fernandes hoje nos pertence, mais do que a ele.

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  2. Anônimo7:39 PM

    Caro Porfirio,
    Estou muito feliz com a notícia de continuidade de Hélio Fernandes na sua atividade de escrever. Você tem o mérito de levar a questão à consideração dos leitores, o que muito influiu - parece - para o Hélio continuar.
    Solicito-lhe conceder-me um espaço aqui para correção de um erro gramatical cometido no meu comentário anterior.

    Escrevi:

    "Porfírio, vivemos um momento em que carecemos de jornalistas e escritores independentes. Como o próprio Hélio disse: "nem financiadores nem financiados".
    A internet tem revelado vários bloguistas escrevendo e tentando levantar verdades, independentes da Mídia dominante. Mas nenhum de nós tem o alcance do Hélio
    Fernandes, pela sua história, o tempo que atua na Imprensa, a credibilidade conquistada.

    "Sem nos desfizermos dos que estão nessa trincheira de resistência e mantendo a utopia de alcançarmos tempos melhores e mais dignos, o Hélio tem mais da metade do alcance de todos nós juntos. Ao lado dele, e no mesmo grau, ainda há o Porfírio, que se sentiria isolado no seu espaço sem a continuidade do Hélio. Respeitamos os 90 anos do HF. Mas, felizmente a sua parada não parece ser por impedimento de saúde. Sendo assim, o Brasil com dignidade ainda precisa do sacrifício de Hélio Fernandes. Acredito que para ele será mais doloroso interromper seu trabalho intelectual do que manter-se em atividade.
    Força, Hélio, porque vontade e desejo você tem!
    Abraços do admirador,
    Franklin Ferreira Netto"

    O que deve ser lido assim:

    "Porfírio, vivemos um momento em que carecemos de jornalistas e escritores independentes. Como o próprio Hélio disse: "nem financiadores nem financiados".
    A internet tem revelado vários bloguistas escrevendo e tentando levantar verdades, independentes da Mídia dominante. Mas nenhum de nós tem o alcance do Hélio
    Fernandes, pela sua história, o tempo que atua na Imprensa, a credibilidade conquistada.

    Sem desfazermos dos que estão nessa trincheira de resistência e mantendo a utopia de alcançarmos tempos melhores e mais dignos, o Hélio tem mais da metade do alcance de todos nós juntos. Ao lado dele, e no mesmo grau, ainda há o Porfírio, que se sentiria isolado no seu espaço sem a continuidade do Hélio. Respeitamos os 90 anos do HF. Mas, felizmente a sua parada não parece ser por impedimento de saúde. Sendo assim, o Brasil com dignidade ainda precisa do sacrifício de Hélio Fernandes. Acredito que para ele será mais doloroso interromper seu trabalho intelectual do que manter-se em atividade.
    Força, Hélio, porque vontade e desejo você tem!"
    Abraços do admirador,
    Franklin Ferreira Netto


    Obs.: O verbo desfazer fôra empregado em tempo indevido.

    Obrigado,
    Abraços,
    Franklin

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  3. Maria Helena8:19 PM

    É com satisfação que leio sobre sua volta.
    Ou melhor, sobre sua desistência. Seu compromisso com a informação é maior do que sua vontade de parar. Ficamos felizes por seu retorno.
    Salve, Hélio!

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  4. A notícia divulgada por você, Porfírio, sobre o retorno às lides do jornalista Helio Fernandes, é motivo de alegria para aqueles que sentem a falta de um jornalismo combativo e independente, coisa rara nos dias atuais. Nos vinte anos em que trabalhei na Tribuna da Imprensa, onde comecei bem jovem,aprendi a admirar a coragem e a garra de Helio Fernandes na luta contra os poderosos e corruptos. Seus comentários contundentes fazem falta no atual momento da política nacional, onde os conchavos e o enriquecimento ilícito são uma constante. Com a volta de Helio Fernandes à sua trincheira muitos desses políticos profissionais corruptos certamente passarão a ter insônia e pesadelos.
    Um abraço,Walcy Joannou

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  5. Caro Porfírio parabéns pela iniciativa de abrir um precioso espaço para que todos os homens e mulheres que tem conciência cívica clamassem pela continuidade de um dos maiores gênios do jornalismo brasileiro Hèlio Fernandes prosseguisse na vanguarda de uma luta que não tem fim pois trata-se da sobrevivencia da nossa liberdade e da saúde cívica da nossa Democrácia.
    LEON DINIZ.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.