quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Antes que Dilma se renda aos assaltantes do poder

Mais do que lágrimas, o Brasil precisa de comando real
“O Brasil paga para que os brasileiros não sejam proprietários dos meios de produção em seu próprio País. Parece que a aspiração máxima da maioria dos quadros dirigentes e dos empresários é serem gerentes a serviço de patrões estrangeiros”.
Adriano Benayron, em artigo publicado no jornal Nova Democracia


Vamos no entender: não votei na Dilma, mas nem por isso cometerei a mal-caratice de torcer pelo fracasso do seu governo. Antes, pelo contrário: como eu, os 193 milhões de brasileiros precisam que ela tenha êxito na tarefa confiada pela maioria do eleitorado. Desejar o contrário é impulso irresponsável de débeis mentais e interesses contrariados.
Não fosse pelas razões maiores, é obrigação de todo mundo dar um tempo a ela. A ela e a todos os novos governantes que assumiram nos Estados. Afinal, embora tenha a marca da continuidade, espera-se que, por dignidade e auto-estima, possa ela imprimir sua própria personalidade ao cargo maior, cabendo a nós, opinantes periféricos, reagir conforme os passos dados.
Por isso, é premissa patriótica fortalecer a nova presidente enquanto chefa de governo, chefe de Estado e comandante das Forças Armadas. Reforçando sua autoridade, estaremos facilitando os meios para que, enfim, diga a que veio. Nada como a prática como espelho absoluto da verdade.
Como pano de fundo, a rapina do país
Pessoalmente, não tenho expectativas otimistas em relação ao novo governo. Quisera sinceramente estar equivocado, mas como esse time que Dilma montou Dunga vai lavar a alma.
Por mais que ela tenha boas intenções – não percebo ainda quais – está mais do que provado do que o exercício de um governo reflete sua composição. Há casos emblemáticos, como a recondução do senador Edson Lobão para o Ministério de Minas e Energia, onde ele não esconde seus propósitos de servir aos trustes, inclusive com novos leilões de nossas jazidas.
Aliás, nessa área estratégica, está na hora dos patriotas falarem a mesma língua, independente de suas filiações e simpatias partidárias.
O processo de desnacionalização e privatização da exploração dessa ainda fundamental fonte de energia se consolidou no governo Lula, que entregou mais jazidas a terceiros, principalmente estrangeiros, do que seu antecessor. E olha que FHC teve o atrevimento de quebrar o monopólio estatal do petróleo, numa hora em que os grandes trustes tinham grana de sobra, mas não sabiam onde “investir”.
Além dos leilões das reservas de portas abertas aos grupos internacionais, o que sabemos é que a própria Petrobras é hoje uma grande empresa privada, voltada para a terceirização da exploração, tendo a regê-la pessoas indicadas pelo governo.
O pessoal do meio sabe muito bem das benesses garantidas às petroleiras privadas na nova lei do pré-sal. Com a assinatura do senador Romero Jucá, que permanecerá líder do governo, as petroleiras receberão de volta o royalties pagos, um presente de 30 bilhões de dólares por ano. Na Câmara, tamanha dádiva já havia sido introduzida na lei pelo líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves.
Mas não é só isso. O processo de desnacionalização da economia segue célere, com o que isso representa em descompromisso com nosso futuro. Sobre essa hecatombe, vale ler os relatos incontestáveis do professor Adriano Benayron. Você estará diante de um inventário alucinante de consequências arrasadoras. Um dia desses, quando acordar, verá que falar português já não dará pro gasto.
Nossa classe política não está nem aí para a continuada invasão estrangeira. Ou, antes, está para facilitar o seu processamento, mediante generosas propinas.
Isto é um assalto ao poder
Daí a corrida sem cerimônia a qualquer nesga do poder. Esses dias, tudo o que lemos, vemos e ouvimos e uma guerra suja pelos órgãos públicos e estatais que disponham de grana farta para saciar ambições explícitas. Os picaretas não se incomodam nem com a remuneração, inferior ao que se paga nas empresas privadas.
Querem os cargos não para servir. Querem, sim, e não escondem, para deles tirarem o máximo de proveito pessoal, no mesmo diapasão de sempre. Na gestão das verbas, os governantes terão como cobrarem propinas cada vez mais gordas. E de uma só tacada se arrumarem para o resto da vida.
Dilma Rousseff, refém desse ambiente, não parece disposta a enfrentar o valhacouto do reduto inexpugnável dos corruptos mais insaciáveis. Não está disposta por que não tem bala na agulha.
Sua condição de ungida pela força de terceiros pesa como uma pedreira em suas costas. São tímidos os seus movimentos na teia que a embaraça e isso poderá ser fatal para ela e para o país. Os escroques de todos os matizes se acham dotados de incomensuráveis instrumentos de chantagem. E estão pagando para ver, na trama grotesca do assalto aos podres poderes.
Agem como sacripantas sem escrúpulos que querem definir suas fatias o quanto antes, isto é, antes que ela possa exibir sua própria luz e descubra sua legitimidade institucional, ainda ofuscada pela cultivada versão de preposta.
Vê-se sem precisar de óculos que a sorte do novo governo vai ser decidida no nascedouro. Se deixar-se dominar pelas raposas do seu entorno, a primeira mulher presidente vai perder as rédeas e não resistirá aos apetites das más companhias.
Certamente, ela sabe disso. E pode até ser que, por comodidade ou fraqueza, aceite render-se ao império dos canalhas de hoje, de ontem e de anteontem.
Se isso acontecer, se continuar sem resistir ao loteamento do governo entre sócios de uma cobiça sem freios, a presidente do Brasil prestará um frustrante desserviço ao povo que deposita nela toda confiança com carinho e afeto.
E a conta do que der de errado no novo governo acabará sendo paga por todos nós. Para variar.

11 comentários:

  1. Anônimo7:02 PM

    Qualquer governo,para começar a ser um governo sério,não pode nunca jamais ter como Ministro Moreira Franco.É como colocar rapôsa para tomar conta do galinheiro...

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  2. Anônimo10:23 PM

    Um povo que não deu sangue pela sua liberdade, não conhece o preço dela e muito menos a valoriza.
    Vai ser roubado e sacaneado eternamente!

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  3. Anônimo3:57 AM

    É COMO VOC~E DIZ; DILMA NÃO TEM BALA NA AGULHA PARA ENFRENTAR A CORJA QUE LULA DEIXOU NO PODER.
    VEJA POR EXEMPLO, LULA SAIU MAS AINDA GOZA DE DIREITOS COM O DINHEIRO DO POVO. MESMO ATRAVÉS DO CONVITE DO MINISTRO DA DEFESA ELE LULA DEVERIA SE ENVERGONHAR DE USAR PRÓPRIOS DA UNIÃO COM TODA SUA FAMILIA EM FÉRIAS. ATÉ QUANDO O POVO VAI SUTENTAR ESSES MAUS CARATERS. SÓ VOC~E PORFIRIO PODERIA NALIAR COM MAIS PRECIZÃO
    ESSE ABUSO DE LULA..

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  4. Realmente, Lula parece montado num poder paralelo.

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  5. Anônimo11:04 AM

    O grupo "Serra/FHC/PSDB+Aliados" entrega 100% do Brasil, e, o grupo "Dilma/Lula/PT+Aliados" entrega "SÓ" 70% do Brasil...

    30% tá bom prá você ???

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  6. Gilson Raslan2:57 PM

    A Presidente Dilma pode ser tudo, menos acomodada e fraca.
    Como falar que Dilma é acomodada, se ela, de classe média alta, ainda garota, lutou contra a ditadura?
    Como flar que Dilma é fraca, se nem a tortura a fez fraquejar?

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  7. Até gostaria que a presidente Dilma tenha conservado a altirez daqueles idos. Mas já viu muitos daquela época se adaptarem com facilidade às novas regras do poder. Digo isso com a autoridade de quem passou um ano e meio nos porões da ditadura, depois de 16 dias de tortura.

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  8. Anônimo12:06 PM

    O "PODER" inebria e corrompe !!!

    Votei na Dilma, isto é, votei CONTRA o Serra - dos males, o menor - mas não tenho ilusões.

    É lamentável ainda não termos opções viáveis e realmente nacionalistas.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.