sábado, 30 de outubro de 2010

Enquete do blog indica vitória de Dilma sobre Serra por 3 votos


Ao meio dia deste sábado, 30 de outubro, o programa do “Blogspot” fechou a “urna” da enquete para presidente da República, realizada pelo blog PORFÍRIO LIVRE, apontando o seguinte resultado:
Votaram: 489 leitores
Dilma: 224 (45%)
Serra: 221 (45%)
Nulos: 36 (7%)
Indecisos: 4
Brancos: 4
Agradeço a participação de quase 500 eleitores, que correspondem a pouco menos de 10% dos destinatários do JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA. No primeiro turno, haviam postado seus votos 394 leitores.
Em tese, embora a enquete não siga a metodologia das pesquisas, porque não pretende refletir a vontade de todo o eleitorado, os dois presidenciáveis registraram um empate técnico, na faixa dos 45% das preferências.
Esse é o universo dos leitores do blog e dos destinatários do JORNAL ELETRÔNICO POR CORRRESPONDÊNCIA.
Ao longo dos sete dias da consulta, deixei os meus parceiros totalmente à vontade e reafirmei que não tinha a menor interferência no programa gerado pelo provedor do blog, que controla as postagens por IP (computador). Demonstrei que era impossível um mesmo IP gerar mais de um voto para o mesmo candidato.
Eu mesmo, após longa reflexão e avaliação, preferi anular meu voto, o que farei nas eleições de amanhã. Estou consciente que serão poucos os que tomarão essa atitude e respeito a decisão de cada um em canalizar suas esperanças para um dos candidatos, que demonstraram mais uma vez, no falso debate da GLOBO (Foi na verdade uma entrevista coletiva) não terem grandes diferenças, como contarei em outra postagem.
Já as pesquisas dos institutos especializados apresentam números bem diferentes, dando como certa a vitória de Dilma Rousseff por uma diferença mínima de 10 pontos.
Independente das nossas vontades, a partir de amanhã à noite teremos um novo presidente no Brasil, saída das urnas, pelo sistema eleitoral vigente, em que os partidos de maiores bancadas federais têm maiores tempos na televisão e rádio, mais recursos do Fundo Partidário e, naturalmente, mais doações dos interessados no controle do Poder, onde o força do Estado é preponderante e pesa decisivamente no desempenho das empresas.
A partir do dia 3, estarei de novo em todas as trincheiras, procurando oferecer minha opinião e trabalhando pela politização e organização do povo, valendo-me de todas as ferramentas à mão.
Aos 67 anos, sinto revigorar minhas energias e, como não mudei de idéia para acessar ao poder por qualquer preço, estou certo que ainda poderei ajudar a resgatar o sonho que não acabou, pelo menos, para mim.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os sinais explícitos de parentesco próximo entre os finalistas de domingo

As semelhanças entre Dilma e Serra, PT e PSDB, não são meras coincidências
“Nenhum dos candidatos aborda aspectos da política econômica. Não se colocam contra a autonomia e independência do Banco Central; não falam nos aspectos danosos do câmbio flexível, dos juros, da dívida que já ultrapassou os R$ 2 TRILHÕES. Auditoria da dívida... ora, não vão mexer nos interesses dos banqueiros”.
Ronald Barata, ex-dirigente da Cut e ex-presidente do Sindicato dos Bancários.

São tantas e tais as semelhanças explícitas entre os dois finalistas de domingo que me dispensaria de relacionar algumas não fosse pelas exigências de leitores ainda iludidos com a idéia de que os personagens em tela são de incubadoras diametralmente opostas.
Poderia simplesmente recomendar a leitura do trabalho assinado por Ronald Barata, ex-dirigente da CUT e presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, que transcrevo no blog PORFÍRIO & PARCEIROS.
Mas, como estamos na boca da urna, cuido eu mesmo de citar o enorme parentesco entre ambos, coisa que faço sem precisar ir fundo na pesquisa:
Política Econômica igual, sem tirar nem pôr
Nos últimos 16 anos, FHC e Lula seguiram o mesmo receituário monetarista, inserido no contexto da globalização, sem questionar o modelo econômico dependente dos humores externos e do “mercado”.
O eixo dessa política é a utilização das taxas de juros como elemento “disciplinador” do mercado e “inibidor” da inflação. Com o uso sem pudor dessa ferramenta, ganham principalmente os banqueiros e os inevitáveis detentores de informações privilegiadas, que manipulam as aplicações.
Essa política limita o crescimento do país, como escreveu o economista Daniel Miranda Soares: “o Brasil não cresce porque possui uma enorme dívida pública que não para de crescer. E não pára de crescer porque temos a mais alta taxa de juros do mundo. FHC deixou que essa dívida chegasse a 64% do PIB, quando era 30% no início do seu governo. No momento que a dívida externa se estabilizava FHC aumentava a taxa de juros para estabilizar o Real. Ao manter as taxas na estratosfera a dívida cresceu de R$60 bi para R$890 bilhões. O governo Lula conseguiu estabilizar a dívida pública em torno de 50% do PIB mas às custas de elevado superávit primário, mantendo as taxas de juros elevadas. Resultado disso tudo: baixas taxas de crescimento do PIB, desde a explosão da dívida externa dos anos 80”.
Se FHC engessou a economia no superávit primário, Lula aumentou sua meta de 3,19 para 4,32%. Com esse recurso contábil, o governo tira do setor produtivo para garantir o pagamento das dívidas – interna e externa – sem proceder nenhum questionamento, nenhuma auditoria como queria Brizola.
Estudo do Forum Brasil de Orçamento, uma entidade apartidária, deixa muito claro o que isso significa: “Ter uma meta de Superávit Primário significa necessariamente que o governo vai tirar da economia privada (na forma de impostos ou tributos, que são a receita do governo) mais do que vai injetar nela (na forma dos gastos do governo). O superávit primário não significa Austeridade Fiscal, e sim, Sacrifício Social”!
Os mesmos bodes expiatórios
Para sustentar essas políticas que abastecem o oligopólio financeiro, os dois governos fizeram o mesmo na exibição de bodes expiatórios: gastos com funcionalismo e custos da previdência pública. Ambos trabalharam na prática pelo Estado mínimo e favoreceram a previdência privada, com as duas “reformas” que fizeram através das emendas constitucionais 20 e 40.
E qualquer um que ganhe patrocinará o terceiro garrote, desta vez mais impiedoso, tendo como contrapeso a “reforma trabalhista” preparada por Mangabeira Unger com o assentimento das cúpulas sindicais, devidamente amansadas por um conjunto de expedientes – do abastecimento financeiro dos seus cofres à cooptação de uma numerosa malha de dirigentes.
Na área do funcionalismo, os dois governos mantiveram os arrochos nas atualizações dos vencimentos, principalmente do pessoal do Executivo, civil e militar, estabelecendo também a tática dos reajustes setoriais.
Além disso, dedicaram-se freneticamente às terceirizações de triplo efeito: livram o Estado dos compromissos estatutários, dispensam os concursos públicos e forjam uma máquina de propinas alimentada pela elevada diferença entre o que uma empresa cobra e o que paga pela mão de obra alocada.
Privatizações de primeira e segunda geração
Na questão das privatizações-doações, nada de diferente, a não ser no formato. Além de manter todos os atos privatistas do governo anterior, o governo do PT colocou o BNDES como suporte do que se poderia chamar de “reprivatização” ou privatização de segunda geração.
Com recursos públicos, algumas empresas compraram outras numa ciranda que passou por cima das leis, como relata Ronald Barata em sua matéria. Além disso, concessionárias como a Eletropaulo foram arrematadas  com financiamento do BNES para as empresas estrangeiras, como a AES. Esta não só se beneficiou da proteção tucana, como voltou a tirar vantagens no BNES de Lula.
Na área do petróleo, os dois governos se equipararam no favorecimento às empresas privadas, inclusive as estrangeiras. Nem mesmo a troca do regime de concessão por partilha significou mudança real. Ao contrário, o novo sistema põe a empresa estatal como sócia obrigatória de todas as empresas aquinhoadas, sem peso decisório (ao contrário da propaganda oficial), sujeitando-se aos riscos. Sobre o comportamento verdadeiro dos dois governos, sugiro ler a entrevista que Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobrás, concedeu a O GLOBO, transcrita no blog do Nassif.
Dela, vale destacar um relato emblemático: “Nos negócios normais do capitalismo, quando uma empresa subtrai de outra núcleos estratégicos do conhecimento, as pessoas ficam impedidas de trabalhar, em quarentena técnica ou legal. Neste caso, a presidenta do Conselho de Administração da Petrobras (Dilma Rousseff), sabendo que o núcleo estratégico foi retirado, não fez nada e ainda manteve o leilão. Recrutaram a equipe em meados de 2007 e, em novembro, compraram os blocos. Em julho do ano seguinte, venderam 38% de seu capital por R$ 6,7 bilhões. E, desde ano passado, vem anunciando descobertas, confirmando tudo aquilo que nós já dizíamos sobre aquelas áreas, que eram promissoras. Já anunciaram de 2,6 a 5,5 bilhões de barris. Em valor de mercado, em torno de R$ 50 a R$ 80 bilhões, valor maior que a capitalização da Petrobras. Fora esses barris entregues ao Eike Batista, há tantos outros entregues durante os anos. O governo Lula leiloou mais blocos sobre o pré-sal e verteu por mais tempo o modelo inventado pelo FH do que o FH. FH começou a leiloar em 2000, fez 4 rodadas. Lula leiloou 6, dos quais cinco tinham blocos sobre o pré-sal”.
A ajuda “temporária” que virou meio de vida do lumpesinato
Na questão social, operaram com as mesmas fórmulas concebidas para o lumpesinato dos países subdesenvolvidos pelos cérebros do “Diálogo Interamericano”, a super-ONG presidida por David Rockfeller (presidente do Chase Manhattan Bank), na qual FHC e Lula foram recebidos, de mãos dadas, na “cúpula” de 1992, em Washington.
O mote foi jogar pesado na implementação de políticas compensatórias imobilizantes, bancando o lumpesinato e transformando-o num macro-curral eleitoral. Por sua natureza, os tucanos diversificaram os programas assistencialistas, evitando a centralidade irreversível. Lula, orientado pelos marqueteiros, juntou tudo no “bolsa-família” e hoje o que seria um socorro temporário tende a institucionalizar o parasitismo social: Serra promete até o 13º para ver se quebra a hegemonia petista sobre a massa de viciados dependentes da esmola estatal.
Na educação, os mesmos referenciais, que tornam caricato o ensino público no nível fundamental e no médio, favorecendo a caríssima rede de escolas particulares. Ao invés de investirem na melhoria da educação nessas instâncias, passaram a jogar com a oferta de cotas destinadas a quem não estava necessariamente preparado para acessar a Universidade Pública.
Lula foi mais além no ensino superior, ao favorecer as faculdades privadas que tinham ofertas de sobra, através do Prouni, um programa de compensação tributária que garante diplomas obtidos  sem os critérios das faculdades públicas a milhares de universitários, lançados em condições desfavoráveis no mercado de trabalho.
A saúde continua sendo uma afronta e isso não quer dizer pouco dinheiro público. O problema está no modelo, que despreza a medicina preventiva, através do médico de família, e na falta de saneamento básico: o que o PAC do Lula gasta para implantar um teleférico no Complexo do Alemão (R$ 500 milhões) que ninguém pediu, daria para levar redes de esgotos a todas as comunidades que não dispõem desse serviço. Digo isso porque fui secretário de Desenvolvimento Social e com menos 1% desse valor realizei mais 1000 Kms de redes nas favelas do Rio de Janeiro.
Iguais na impunidade dos torturadores e nos desvios de conduta
Semelhantes são também as posturas dos dois governos em relação ao lixo autoritário. Ao contrário dos Kirchner, FHC e Lula mantiveram impunes os torturadores e intactos os crimes de Estado perpetrados durante a ditadura, sob a pífia alegação de uma anistia de dupla face. O ministro que ensaiou algum questionamento  pôs a viola no saco por ordem superior, enquanto o governo petista registrava a proeza de “desanistiar” mais de 500 ex-cabos da Aeronáutica, beneficiados no governo anterior.
Finalmente, por agora, vale lembrar que não há diferenças na apropriação dos recursos públicos, mais explícita na era Lula porque executada por governantes menos experientes. No tempo de FHC, havia mais discrição, mais “profissionalismo” na hora de meter a mão. Além disso, nada em termos de danos aos cofres públicos supera a farra das privatizações-doações, de que se beneficiaram muitos operadores do governo.
Como o Brasil porque sacrifiquei minha juventude seria mais justo e mais sério, porque acho que qualquer um dos finalistas nada mudará, negarei meu preciso voto aos dois e sairei da seção eleitoral com a consciência do dever cumprido.

Diferença na enquete continua 1%. Você tem até sábado para votar
Apurados 465 votos postados até às dez e meia da noite do dia 28, os dois presidenciáveis conservam o que se poderia chamar de “empate técnico”, termo que não cabe porque a enquete não pretende refletir o universo de todo o eleitorado.
Como o prazo da votação termina neste sábado, ao meio dia, só divulgaremos o resultado final.
No momento, Dilma tem 216 votos (46%), contra 211 (45%) de Serra. Os nulos chegam a 31 (6%), indecisos são 5 ebrancos somam 4. Para votar, clique aqui.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Fugindo do conflito da dupla face de nuances levemente diferentes



É oportuno ler o artigo de Cristovam
O que você prefere, seis ou meia dúzia?

“Debatem-se velhos temas: como crescer, e não qual crescimento; privatizar o estatizar, e não dar caráter de interesse público a toda atividade econômica, estatal ou privada; como construir mais escolas técnicas, e não como fazer uma revolução na Educação; quem vai distribuir mais Bolsa Família, e não quem a tornará desnecessária”.
Cristovam Buarque, senador reeleito por Brasília


Não sei se você leu o artigo do senador Cristovam Buarque, publicado no GLOBO de sábado, dia 23. Se não o fez, sugiro que dê uma olhada: ele está postado no seu próprio site
Reeleito com uma votação autorizadora, o ex-governador e ex-ministro da Educação esmiúça o processo degenerativo da campanha presidencial, mostrando com sua leveza de ser a ante-sala dos podres poderes.
“Não deveria haver surpresa no fato de o debate eleitoral estar sendo pautado pelo tema do aborto, da sexualidade e da crença no cristianismo.
Dois fatos levam a população a se preocupar com isso: de um lado, décadas de queda nos valores morais da sociedade - resultando em corrupção, desarticulação da família, generalização da droga, gravidez precoce, abandono de mulheres pelos maridos, prevalência da riqueza como objetivo central e valorização absoluta do consumo - fizeram com que ela, desarvorada pela falta de valores, buscasse abrigo na religiosidade.
De outro lado, nos últimos oito anos a apatia ideológica fez com que os partidos ficassem parecidos, o debate sem idéias novas e os candidatos pouco diferentes entre si”.
Tomo as reflexões de Cristovam Buarque como o ponto de partida da agenda do dia seguinte ao jogo de domingo, cada hora mais contaminado pelo vírus da diarréia mental, cada instante mais revelador de sua inutilidade, como se nunca antes nesse país a associação específica e exclusiva para o uso proveitoso do poder e para o leviano descompromisso tivesse ido tão longe.
Falta de bandeiras, excesso de ambições
Já não tenho fígado para ficar aqui cansando sua paciência com queixas infrutíferas sobre o apodrecimento da política, sobre a inversão grosseira e explícita do seu exercício. A sujeição do Estado ao jogo sujo dos interesses espúrios foi banalizada de tal forma que esse desvio de conduta já não conta como elemento de avaliação.
Políticos e aprendizes de formadores de opinião, entre estes a nova leva de missivistas da internet, perderam todo recato: agem e peroram com a certeza da existência de uma população acrítica e manipulável, nivelando-se na indigência de um ilusionismo mistificador e fraudulento, cada um puxando brasa para suas sardinhas reimosas.
Para mim, essa decisão da domingueira próxima é um oneroso conflito entre seis e meia dúzia. Já não lamento a ausência de fundamentos estratégicos e de referências ideológicas – eis que ganhou status de axioma a inventiva de que já não existem opostos entre esquerda e direita. A linha divisória estabelecida na revolução francesa teria morrido de inanição.
Não exijo sequer diferenciação de programas e propostas. Como já dizia o caudilho, tais ingredientes podem ser encomendados a especialistas, oferecidos ao consumo das expectativas e lançados ao lixo depois do seu gasto eleitoreiro.
Nas circunstâncias deste outubro ameno, o máximo que se pode almejar, em nome da construção de uma nação consistente e soberana, é que se tire uma boa lição da ressaca anunciada depois da corrida às urnas.
Não é figura de retórica dizer que os dois presidenciáveis são duas faces da mesma moeda. Igualmente, não há exagero em retirar do baú a velha máxima do primeiro dos Rothschild – “dê-me o Banco Central e não importa quem fará as leis”.
Depois que passaram a ser monitorados por marqueteiros e associados às elites dominantes, os candidatos abriram mão de suas naturezas e dos seus sonhos juvenis em troca de suas conveniências e do gáudio dos palácios.
Os marqueteiros insones ditam as falas de cada um. Para isso, além das consultas divulgadas, esses profissionais debruçam-se noite adentro sobre as tais pesquisas qualitativas para saber qual o fruto do arroto de um e de outro contendor. Dessas ilações  surgem as cenas dos próximos capítulos.
Se você sabe das diferenças, conte-me tudo
De onde ser impraticável alguém de atenção mais acurada pode se louvar nas ladainhas de campanha. Por seu caráter fraudatório, a engenharia eleitoral nutre personagens volúveis, capazes de deixarem o dito pelo não dito e fixados tão somente no rabo alheio, obrigando o eleitor a recorrer à sua intuição, ou mesmo a decidir no par ou ímpar.
Ou você é tão perspicaz que viu diferenças entre os adversários para além dos scriptes ensaiados? Se você penetrou no âmago de cada um, se lhe alcançou a alma blindada, então diga-me tudo e não me esconda nada. Porque eu mesmo, por mais que usasse minha sonda perfuratriz, cavei, cavei e vi sempre dois vultos iguais.
Tal é a fragilidade na diferenciação que o eixo do confronto perpassa a primeira vista: o conflito real é aceitar o fato consumado que o sistema eleitoral e os interesses hegemônicos impõem, como se o segundo turno fosse a consagração do partido único de dupla face, ou negar sua chancela, anulando o voto, numa assimilação da absoluta inutilidade de uma escolha entre os finalistas da mesma cepa, da percepção de um logro malfazejo.
É claro que a ilusão de poder falará mais alto. A população brasileira é politicamente subdesenvolvida, dependente do casuísmo de Estado e contagiada pelas síndromes da torcida e do fã-clube. Irá às urnas muito mais pela idealização fantasiosa dos seus pretendentes de ocasião do que pela compreensão da força motriz do seu voto, como um recado, uma opção por políticas de governo.
O índice de sensibilidade eleitoral pode ser aquilatado por uma pesquisa do DATAFOLHA, segundo a qual 30% dos eleitores já não sabem em quem votaram para deputado federal no último 3 de outubro. Não surpreenderá, portanto, se nos próximos dias os ânimos esquentarem, envolvendo as hordas numa guerra sem causa.
Apesar disso, pensando bem, pesando bem, creio ter chegado a hora de soltar o grito parado no ar e negar fogo a qualquer um dos parentes em transitório desacordo. Essa é a minha decisão, adotada com toda responsabilidade e consciente de que ao negar o voto aos dois estaremos contribuindo para um novo alvorecer.
Em que a sede de poder pelo poder dê lugar a uma emulação respeitável, representativa de partidos de verdade, de lideranças autênticas e de idéias coerentes.
Agora é Serra quem encosta em Dilma na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE
A nova apuração, realizada à zero hora de hoje, dia 26 de outubro, revela que pelos cálculos do “Blogspot”, a diferença entre os votos postados pelos eleitores é de apenas 1%. Das 435 postagens feitas até o momento, Dilma Rousseff tem 204 votos (46%) e Serra, 197 (45%). As indicações de voto nulo subiram para 28 (6%), os indecisos são 4 e os que votarão em banco somam 2.
Se você ainda não votou, basta clicar aqui. Você tem até o meio dia de sábado para indicar sua preferência.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dilma mantém dianteira na enquete e quem paga o pato sou eu

Dilma está com 160 (47%) das 336 indicações postadas. José Serra tem 147 indicações (43%).

Embora esteja cada vez mais propenso a anular o voto, dois ou três possessos mais desequilibrados, que destilam ódio por todos os poros contra Lula e sua candidata, resolveram descarregar sobre mim toda a ira acumulada em função da mudança do placar na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE, que resulta de manifestações espontâneas dos leitores.
Um pôs em dúvida a lisura da enquete, alegando que uma pessoa pode votar mais de uma vez num candidato. Antes de recorrer a essa ferramenta do “Blogspot”, fiz questão de testar. Ante essa suspeita, voltei a simular uma tentativa de dar o mesmo voto para um candidato mais de uma vez.
Pelo que constatei, você pode até votar a segunda vez, mas o programa não contabiliza. A única coisa que admite é a mudança do voto. Se uma pessoa tem mais de um computador, aí pode votar de novo, porque o bloqueio é feito ao IP.
Não pensava nem em fazer a enquete no segundo turno. Mas atendi a sugestões de alguns leitores, que haviam votado na primeira, referente ao primeiro turno.
Outro, porém, extrapolou. Tal foi a contundência de suas imprecações, que faço questão de transcrevê-las abaixo, para que você tenha uma noção do que os bolsões da intolerância e da demência são capazes. Honestamente, eu não esperava tanta grosseria só por ter divulgado a notícia de que Dilma havia ultrapassado Serra na última apuração, às seis horas da manhã do dia 24.
Fiquei pensando com meus botões: elementos tão amargos e tão agressivos ainda existem aos borbotões e acabam cumprindo a pior das tarefas – jogar os indecisos no colo do adversário.
Atribuo tudo isso ao baixo índice de politização e de espírito público, como subproduto temporão dos malditos anos de chumbo. Independente do resultado, que não posso prevê, que uma enquete despretensiosa não pode influir, faço um apelo às pessoas lúcidas para que dediquem algum tempo de suas rotinas à discussão política. Daqui a dois anos, teremos eleições municipais. E se não houver uma reflexão profunda da cidadania, o nível dos mandatários cairá mais ainda, cristalizando um confronto real entre os poderes públicos e a sociedade indefesa.
Os números de hoje conservam Dilma na dianteira com 160 (47%) das 336 indicações postadas. José Serra tem nesta apuração 147 indicações (43%). Os votos nulos somam 24 (7%), os indecisos caíram de 5 para 4 (alguém mudou o voto) e há uma indicação de um sufrágio em branco.
Você tem ainda 5 dias para expressar seu voto ou para mudá-lo. Só não pode é votar duas vezes do mesmo computador. Clique aqui e vote. Depois, confira o resultado.
A ira de um leitor pode revelar desespero
Agora veja esse comentário que recebi, só por ter divulgado que a candidata Dilma ultrapassou Serra na enquete do meu blog. Creio ser dispensável identificar seu autor:
“Porfírio,
Pelo visto vc. aderiu de vez à politicagem demagógica e eufemística meu caro. Porque não declara claramente e de uma vez por todas que seu voto é da boneca de ventríloquo do molusco e do Dirceu? Seja razoável e não agrida a inteligência dos mais atentos e esclarecidos meu amigo. Verifica e me conteste caso tiveres base para tanto, se por “uma obra do acaso” a reversão dos resultados de sua “enquete” não se deu “coincidentemente” logo após você postar seu último verborrágico artigo cheio de “elogios” ao candidato vice do Serra? Ora meu caro, de manipulações espúrias em cima da massa ignara e com cultura oportunista como a do nosso povão de “cultura gersiana” já estou farto. Portanto, os artigos por vc. postados acabam de passar recibo de sua ostensiva militância e propaganda pró-status-quo e já deixou de muito de ter uma aparente independência e eqüidistância isenta. Chega de enganação e demagogia, e faça-me o favor retire meu email de seus contatos de uma vez por todas ok? Estão começando a dar náuseas.
Não queira se passar por uma “Imaculada Conceição” isenta, pois suas reais e claramente subliminares intenções são extremamente óbvias. (Talvez seja mais um preocupado em perder mordomias, quiçá seu passe já não tenha sido comprado com a bolada de indenização e não está também recebendo uma bolsa-terrorismo, não é mesmo?) Pare ao menos de tentar vender a falsa imagem de isento de posição cumpanheiro, já está pegando muito mal além de já ter sido claramente identificada sua verdadeira natureza ideológica e subversivamente altamente reacionária. Talvez ainda a nível de inconsciente mas seguramente és mais um sanguinário pronto a pegar em armas e encostar “democraticamente” seus adversários (no seu caso e de todos os petralhas, seus opositores de opinião não são adversários, mas sim inimigos, não é mesmo?) num novo Paredon. Lamentável que esteja a serviço dessa corja de oportunistas, mas sendo mais um oportunista, tenho de admitir que seu posicionamento tem coerência. Mas lembre-se bem de uma coisa camarada Porfírio, os fins nunca justificam os meios! Vocês já foram forçados a pagar um alto preço pela tentativa de impor uma ditadura e continuam “viajando na maionese oportunista” suportados na ignorância do povão sustentado pelas bolsas-estômago, demagogicamente convictos que esse deva ser o regime a ser implantado no país a qualquer preço. Evidencia-se portanto o que eu lhe respondi no primeiro artigo, ou seja: retire de vez a sua mascara de falso democrático e isento de ideologia disseminando artigos isentos de tendencionamentos e assuma de vez sua vociferação reacionária-sanguinária. Na realidade não há a mínima necessidade de “uma auto-análise mais profunda para verificar se talvez inconscientemente vc. também ainda não carrega nas entranhas a sede de sangue Castrista-CheGuevarista-Stalinista!”que lhe sugeri na resposta a seu artigo de desfiliação do PSDB. A pesar de eu condenar o método de punição, não foi por nada vc. foi preso e torturado como diz ter sido, pois vc. faz parte ativa e militante até hoje do núcleo subversivo mais danoso à preservação da ordem democrática. Cuidado para não se picar com seu próprio veneno mais uma vez, mas principalmente, atenção redobrada para quando estiver no leito de morte não vir se arrepender de sua atuação em vida, ao estilo Fidel Castro, que hoje já admitiu em público que “seu” sistema não funciona! Será tarde demais, ao se perguntar de que terão valido milhares e até milhões de assassinatos de opositores às idéias marxistas no mundo, se ao final o pragmatismo corruptor hebraico será o que irá comandar o mundo em breve através da sua plutocracia financeira. Fica mais uma vez a recomendação de que faça uma reexame de suas convicções meu caro”.

domingo, 24 de outubro de 2010

Dilma ultrapassa Serra na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE

Com  262 votos já postados, Dilma Rousseff ultrapssou Serra, na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE. Às 6 horas da manhã deste dia 24,  Dilma havia recebido 124 indicações (47%), enquanto o candidato tucano somava 114 (43%), cálculo feito automaticamente pelo programa do “blogspot”. Os indicativos de votos nulos somavam 18 (6%), indecisos, 5, e branco, 1. Você ainda tem mais 6 dias para votar. Reiteramos que essa enquete não pretende ser uma pesquisa, mas refletir apenas manifestações espontâneas dos leitores do blog e de nosso JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA.
Não há nenhuma semelhança de espécie alguma entre a enquete e as pesquisas realizadas pelos institutos especializados.  No entanto, há uma coincidência em relação ao melhor posicionamento da candidata petista  nas recentes pesquisas do IBOPE e do DATAFOLHA.
No nosso caso, não tenho elemenos para explicar a reviravolta. Ao todo, o JORNAL é enviado para cerca de 6 mil destinatários, que formam um amplo arco de opiniões.  Tenho notado na internet e nas ruas do Rio de Janeiro uma intensificação das campanhas com vistas às eleições do dia 31 de janeiro.
Pessoalmente, ainda me incluo entre os indecisos. Como você sabe, no primeiro turno votei em Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. No caso desta enquete, não tenho nenhuma interferência, nem mesmo nos votos familiares - aí incluindo o da mulher e dos filhos.
Finalmente esclareço: a divulgação dos resultados pelo JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA visa tão somente alertar os que ainda não votaram e já têm opinião.  Isto é, não traduzem nenhum sentimento pessoal.
Para votar, clique aqui. Depois confira o resultado, passando o mouse sobre os números que estiverem em amarelo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Foi quando me perguntei, taciturno: cara, onde fui amarrar meu cavalo?

"Nunca votei no Brizola, tenho horror ao Brizola. Ele arrasou com o Rio de Janeiro"
Índio da Costa, vice do Serra

Com o discurso do sarcófago da intolerância, Índio da Costa tornou explícita a natureza reacionária do projeto de Serra
 Como disse antes, imaginava que José Serra, ex-presidente da UNE, participante do histórico comício do dia 13 de março na Central do Brasil, ao lado de João Goulart, fosse imprimir um verniz progressista à sua campanha.
Não precisa ser cientista político para perceber que Lula cresceu na queimação da “herança maldita”, deixada pelo governo FHC e antecedentes. Mesmo equilibrando-se nas vigas da política econômica herdada, mesmo sem refazer nada do que recebeu, sem questionar as falcatruas das privatizações, que permanecem incólumes, ele executou com maestria a sobreposição do discurso sobre os fatos.
Aos olhos cândidos de uma população lobotomizada não foi difícil vestir o figurino da mudança, enquanto costurava com linhas douradas as máscaras de pai dos pobres. Para isso, só precisou unificar numa única plataforma sedutora os programas sociais criados por seus antecessores, desde o tempo do tíquete de leite distribuído por Sarney.
Inteligente que só ele e, provavelmente, bom de ouvido, Lula cristalizou a idéia de avanços sociais pelo caminho dissimulado das políticas compensatórias, mesmo com o sepultamento de projetos transcendentais como a reforma agrária.
Lula fez-se a imagem do avanço, enquanto cativava banqueiros e associados, que nunca tiveram tratamento tão senhorial, e subordinava as estratégias produtivas ao agronegócio, que está restaurando o feudalismo moderno, sob o controle de uma meia dúzia de potentados, principalmente nos vastos territórios do Centro-Oeste e do Norte do país.
E foi mais longe, com seu talento inegável: sem tocar nas feridas, abocanhou os grotões que serviram de currais ao voto dos partidos conservadores, amarrou com alguns favores os segmentos religiosos mais organizados, como a Universal, cooptando de lambuja boa parte dos adversários “à esquerda”, todos agraciados com a materialização dos seus sonhos políticos de consumo.
As tralhas do obscurantismo no discurso da oposiçao
A oposição dem-tucana (e mais os revisionistas do falecido partidão, apelidado hoje de PPS) foi definhando ao longo dos oito anos de governo petista porque não percebeu e não aprendeu nada. Antes, pelo contrário. Tinha de trabalhar uma alternativa de alternância do poder pela busca de referências identificadas com o avanço. Mas optou pelo regate do atraso, indo ao encontro de uma memória turva que imaginava poder reacender o inconsciente da paranóia atávica e erguer bloqueios capazes de prostrar a fleuma da campanha oficial.
Essa opção pela direita mais reacionária, mais mofada e mais rancorosa ganhou corpo com a inesperada indicação do vice-presidente, o desconhecido deputado Índio da Costa, saído das cartolas aturdidas do DEM, já nos acréscimos do prazo para registro da chapa.
Índio padecia de psicopatias congênitas e, ao invés de querer ser o novo, cedeu à química do seu DNA, vestindo a túnica lúgubre e mal-cheirosa dos verdugos que se sustentavam no poder à base de soníferos extraídos da semeadura do medo, do terror de Estado, do lacre do pensamento e do cerceamento das liberdades.
Por impulsos de um exibicionismo obsceno ou instruído por aprendizes de feiticeiros, Índio da Costa carregou suas tinturas medievais em tal volume que a campanha dessa oposição diabética perdeu a doçura do sonho e submeteu-se ao discurso da casa grande, com gratuitas e primárias agressões à memória protegida pelo féretro.
Ao atacar gratuitamente Brizola, a quem tanto deve o pretenso mago que o retirou do nada para o pódio presidencial, Índio ressuscitou a fala indigna que foi usada maldosamente para barrar a ascensão natural do líder que governou dois estados (o Rio, duas vezes) e hoje é uma admirável referência até pelos seus desafetos, acabrunhados com o boicote do projeto educacional que teria evitado tanta violência e remetido jovens pobres para as universidades públicas pela porta da frente.
O vice de Serra ofereceu na bandeja o prato cheio de um projeto de governo com todos os condimentos do mau-caratismo de da sujeição às elites que podem ter engolido o sapo barbudo, mas jamais assimilaram o caudilho nacionalista e “inconfiável”.
E aí caiu a ficha, mexendo com meus brios
Esse aloprado inconveniente, que teria o mesmo destino eleitoral da maioria dos seus parceiros derrotados nas últimas eleições, não possuía nenhuma legitimidade para nada, tamanho o acaso que fez dele o candidato a substituto do presidente da República.
Acaso muito mais impertinente do que levou o PT a endossar a candidatura de uma cristã nova, por decisão pessoal e cupular do Sr. Luiz Inácio. Mesmo guardadas as diferenças dos cargos, ficou claro que o PSDB pagou caro pelos minutos no rádio e tevê do DEM. Quem tem um vice tão descompensado como esse Índio da Costa não precisa de adversários para sucumbir.
Com suas diatribes idiotas, com essa empáfia nos ataques covardes à memória de Brizola, Índio da Costa conseguiu pôr Serra na rabeira dos grãos candidatos no Estado do Rio, onde milita. O tucano teve não mais de 1.925.166 (22,53%), praticamente a metade de Dilma, (3.739.632 - 43,76%) e bem atrás de Marina (2.693.130 – 321,52%).
Foi exatamente no bojo da prevalência desse discurso odioso que caiu a ficha e eu me perguntei: cara, onde fui amarrar meu cavalo?
Como poderia ter acreditado numa mudança para melhor com gente dessa casta?
Meu Deus, disse-me, será que a idade nos faz retornar à ingenuidade infante?
E agora, - pensei naquele então - o que me resta, além de migrar para a candidatura quimérica do Plínio?
E mais agora, neste exato momento, às véspera do apito final, onde vou digitar meu votinho que não decide nada, mas que reputo sagrado, impregnado de todos os critérios patrióticos perceptíveis, de toda a responsabilidade política imaginável?

Dilma encosta em Serra na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE
Com 229 votos já postados, Dilma Rousseff encostou em Serra, na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE. Às 2 horas da manhã deste dia 23, o tucano havia recebido 105 indicações (45%), enquanto a candidata petista somava 102 (44%), cálculo feito automaticamente pelo programa do “blogspot”. Os indicativos de votos nulos somavam 16 (6%), indecisos, 5, e branco, 1. Você ainda tem mais 7 dias para votar. Reiteramos que essa enquete não pretende ser uma pesquisa, mas refletir apenas manifestações espontâneas dos leitores do blog e de nosso JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA. Para votar, clique aqui. Depois confira o resultado.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Desfiliação do PSDB, uma imposição da coerência de quem rejeita o discurso das baixarias

Como discordo radicalmente do discurso e do comportamento do candidato José Serra, em quem não votei no primeiro turno e em que não pretendo votar no segundo, estou formalizando o meu pedido de desfiliação do PSDB, com cópia para o cartório da minha Zona Eleitoral.
Na verdade, filiar-me a essa legenda foi um grande equívoco, por considerar que seria possível uma campanha de mudança fundada na idéia de um avanço, em relação ao quadro atual. O PSDB seria o único partido em condições reais de capitanear uma campanha de confronto político com os rumos do atual governo, cujo receituário me assusta, por todas as razões imagináveis.

Serra com a cúpula da plutocracia sionista no Brasil:
Boris Ber, Ricardo Berkiensztat e Cláudio Lottenberg
Compromisso de uma marcha-à-ré na política externa
A prática mostrou que não é esse o propósito do candidato tucano. Ao contrário – a vitória dessa oposição seria um retrocesso ao gosto das elites mais reacionárias e da plutocracia acostumada a servir-se insaciavelmente das políticas públicas de todos os governos. Antes de uma discussão corajosa sobre os descaminhos materializados numa fórmula viciada e perigosa de formação de maioria e sustentabilidade de governo, a campanha do PSDB preferiu o caminho da mentira e do engodo.
Aí não me refiro somente à central de boatos, futricas e baixarias com que pretende solapar a candidatura adversária. Graças ao primarismo de uma campanha movida pelo desespero, questões como os direitos da mulher decidir sobre a concepção, a existência de uma perigosa máfia de abortos clandestinos e o reconhecimento civil de uma realidade explícita - a liberdade de orientação sexual - foram transformadas levianamente em peças do pior terrorismo, num desrespeito indecente ao Estado laico, conquista da República, que separou o Estado da Igreja. Com isso, o Brasil corre o risco de continuar  prisioneiro de alguns prelados hipocritas e pastores picaretas, os quais, no fundo, usam a religião com o objetivos de enriquecerem e manterem um pier para negócios espúrios, como obtenção de concessões para rádios e televisões.
Causa-me indignação a adoção de expedientes desonestos para ganhar votos, como prometer um reajuste de 10% aos aposentados e pensionistas do INSS sem tocar no fator previdenciário, redutor criado no primeiro governo FHC. Na mesma linha de inconsistência é oferecer o aumento do salário mínimo para R$ 600,00, já em 2011, sem os fundamentos legais pertinentes.
Teria muito mais a relatar, mas espero que essa minha atitude, antes do resultado das urnas, quando ninguém pode dizer quem vencerá, sirva como uma autocrítica oportuna. Já cometi muitos erros em minha vida pública, em geral, em face da minha ingenuidade e boa fé: nenhum deles, porém, foi da gravidade de alimentar esperança em quem não tem nenhum espírito público e também vê o poder como um fim em si.

Quando achar oportuno, voltarei ao assunto.

Serra está à frente na pesquisa do blog PORFÍRIO LIVRE

Nas primeiras 48 horas da pesquisa do blog PORFÍRIO LIVRE, 152 pessoas já indicaram sua intenção de votos na eleição presidencial do próximo dia 31 de outubro.
Os primeiros números apresentam os seguintes resultados:
Serra - 75 (69%)
Dilma - 60 (39%)
Indecisos - 3 (1%)
Brancos - 1 (0%)
Nulos - 13 (8%)
Esta enquete não pretende refletir o universo do eleitorado brasileiro, mas dá uma idéia das intenções de votos dos leitores do blog, que recebem o JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA.
Ainda há 9 dias para a coleta de votos. Para conferir você mesmo o andamento da pesquisa, clique em EXIBIR RESULTADO. Se não tiver vendo os números, passe o mouse sobre os votos dos candidatos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quando baixarias e incompetências se nutrem mutuamente no palanque da ignorância

“Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas”. Constituição Federal, artigo 226, parágrafo 7º.

Como era de se esperar, neste país infestado de falsos malandros, mergulhado no lamaçal da mediocridade e exposto a um grande bordel de maus caráteres, o segundo turno das eleições de 2010 já começa mal, com as marcas e as apelações do que há de mais deplorável.
Os marqueteiros e assessores da campanha de Dilma Rousseff concluíram precipitadamente que ela não levou no primeiro turno devido à divulgação maciça na última semana de setembro de sua postura que considera o aborto questão de saúde pública, semelhante, sem tirar nem por, à do presidenciável José Serra, que teve a coragem de assinar algumas medidas nessa área: uma norma técnica de 1998 que regulava a autorização de aborto nos casos de perigo de vida e estupro, previstos no artigo 128 do Código Penal, de 1940, e outra, a portaria 48/99, através do secretário de Assistência à Saúde, que normatizava a realização de laqueaduras e vasectomias no SUS, com base na Lei 9263/96, e do artigo 226, da Constituição Federal.
Com tantos recursos aplicados no “marketing”, os assessores muito bem pagos da candidata não querem admitir a verdade incontestável: Dilma nunca chegou a ter os 51 pontos proclamados por esses institutos de pesquisas de duvidosa competência.
Baixaria e manipulação pesam pouco numa eleição presidencial
A divulgação de uma campanha de baixo nível tentando atingir a candidata do Lula não pesou em nada. Era muita baboseira junta, muita mentira, muita apelação. Coisa, aliás, que não é exclusividade dos seus adversários.
Panfletários primários existem em todas as hostes. Um certo missivista faz questão de associar Arruda ao nome de Serra. Cheguei a escrever-lhe sobre esse expediente baixo, que não tirou um único voto do tucano. Apenas revelou a pobreza retórica que permeia as atitudes dos que se servem abusivamente do panfleto destituído de argumentos consistentes.
Em relação à Dilma, recebi mais de uma vez um aviso para lá de idiota: se eleita, ela não teria como entrar nos Estados Unidos, por causa de seu passado na luta armada. Quem escreveu isso e quem repassa tende nos considerar um monte de idiotas desinformados.
No dia 21 de maio, Dilma falou em
NY aos empresários norte-americanos
Na véspera de lançar-se oficialmente, Dilma Rousseff, exatamente no dia 21 de maio, ela fez palestra em Nova York para empresários norte-americanos, durante a qual garantiu que o Banco Central continuará tendo total autonomia.
Ela também garantiu aos empresários norte-americanos, que a receberam com o melhor da sua gastronomia, que "manterá a
estabilidade macroeconômica por meio do controle da inflação com uma política de metas, do controle fiscal através da redução do endividamento, e com uma política cambial flexível".
Ou você prefere a indústria corruptora de abortos clandestinos?
Até prova em contrário, quem levou uma tremenda lavagem das urnas foi o discurso de direita, representado por políticos até então invencíveis, como o ex-vice-presidente Marco Maciel, em Pernambuco, e o tucano Tasso Jereissati, no Ceará. Outros ícones da velha guarda direitista e reacionária não sucumbiram porque foram socorridos por Lula. Só sua mão de ferro garantiu a vitória da filha do Sarney no Maranhão e a reeleição de Renan Calheiros, em Alagoas.
Sobre a questão do direito da mulher decidir, sobre a necessidade uma política de planejamento familiar, que abordei em meu livro SEM MEDO DE FALAR DO ABORTO E DA PATERNIDADE RESPONSÁVEL, creio que o pior para os dois candidatos é negar o que fizeram e que disseram, no contexto de uma visão madura sobre a irresponsável explosão demográfica.
Em primeiro lugar, é preciso deixar claro, sem medo, sem titubear, que a descriminalização do aborto não significa sequer a sua aprovação. Apenas confere a cada casal, a cada mulher em particular, a legalidade de uma prática que alimenta uma PERIGOSA INDÚSTRIA DE ABORTOS CLANDESTINOS, fonte de corrupção e causa de cerca de 10 mil mortes por ano de mulheres submetidas a essas práticas em verdadeiros açougues.
Ou você não sabe que aí na sua cidade se pratica o aborto em clinicas e até em mãos de leigos, a preços que variam de R$ 600,00 até R$ 5,000,00?
Quem se opõe a uma mudança de enfoque na questão, no fundo, está apenas fazendo o jogo de profissionais e pessoas inescrupulosas, responsáveis por mais de 1 milhão de abortos anuais, realizados sem nenhuma segurança, principalmente em relação às mulheres pobres. As estatísticas do SUS admitem que cerca de 500 mil mulheres procuram anualmente os hospitais públicos depois de abortos mal sucedidos.
Descriminalizar não é induzir. E, a bem da verdade, se houvesse uma política correta de paternidade responsável, com a devida orientação, coisa que pastores e padres primitivos boicotam, nenhuma mulher precisaria recorrer ao aborto.
Uma postura lúcida da CNBB denuncia a manipulação da fé
A defesa do planejamento familiar e da paternidade responsável não é bandeira exclusiva desse ou daquele partido. O mais legítimo dos direitistas, o capitão-deputado Jair Bolsonaro, mais uma vez reeleito no Rio, é um ferrenho defensor de políticas de controle demográfico. Pergunte a ele como isso aconteceria na sua concepção.
Felizmente, mais lúcida do que os assessores dos candidatos, foi a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que divulgou uma nota oportuna neste dia 6 de outubro, através da sua Comissão de Justiça e Paz, na qual alerta, com todas as letras:
"A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) está preocupada com o momento político na sua relação com a religião. Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente. Desconsideram a manifestação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de 16 de setembro, "Na proximidade das eleições", quando reiterou a posição da 48ª Assembléia Geral da entidade, realizada neste ano em Brasília. Esses grupos continuaram, inclusive, usando o nome da CNBB, induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem que ela tivesse imposto veto a candidatos nestas eleições.
Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias.
Constrangem nossa consciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial.
Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos”.
Voltarei ao assunto, esperando que você também não transforme sua paixão partidária ou sua rejeição num foco de baixarias e má fé. E não recorra ao jogo baixo para forçar a vitória do seu (ou sua) candidato.
Em tempo: se desejar, terei prazer de fazer chegar a você o meu livro SEM MEDO DE FALAR DO ABORTO E DA PATERNIDADE RESPONSÁVEL, de 2002.
Em tempo 2 – Eu ainda não escolhi meu presidenciável no segundo turno. Portanto, não me venha com ilações idiotas.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Apenas alguns apontamentos sobre as eleições de 3 de outubro

"Para pesquisar a verdade é preciso duvidar, quanto seja possível, de todas as coisas, uma vez na vida."
René Descartes (1596 - 1650) filósofo, físico e matemático francês

É preciso muita calma nessas horas. Qualquer achado precipitado sobre a manifestação das urnas poderá pôr a perder a visão correta dos próximos passos. Porque o final do primeiro ato, nesse palco iluminado, terá que ser a fonte de novas estratégias para gregos e troianos.
Eu mesmo não acreditava que o refluxo da candidata oficial levasse à derrapagem fatal, que vai lhe custar mais um mês para tentar realizar o desejo do príncipe operário, que contava com uma peripécia não conseguida nem por ele mesmo nos pleitos que venceu.
Para entender a eleição maior, há que vasculhar todos os resultados, estado por estado, cargo por cargo. Não que haja vinculação estreita entre os votos recebidos por cada um. Mas temos que meter o olhar sobre os mapas e considerar todo e qualquer sintoma constatado, captando seu poder de irradiação.
Assim, penetraremos nos segredos das urnas e poderemos imaginar o que será do amanhã.
Sinto-me no dever de esmiuçar todos os elementos de informação perceptíveis. Muita coisa já saquei: há tragédias aos borbotões, envolvendo os vários escalões. À primeira vista, já vi o crepúsculo de uma legenda. Que pena. Mas esse era o resultado previsível ante a total irresponsabilidade de quem pôs sessenta anos de história no colo de um megalomaníaco sem escrúpulos, em troca de algumas prebendas.
Vi claramente também a decadência do discurso de direita. Não podia imaginar que um candidato com as qualidades e a cultura de um Cesar Maia fosse amargar 11% dos votos para senador, num pleito de duas vagas. Isto é, de fato, o que lhe restou foi um acervo de 5,5%. Ele ia bem até a hora em que inventou o Índio da Costa e este passou a fazer o discurso do Bolsonaro, isto é, a irradiar terrorismo midiático com leviandades como repetir a sandice de que Dilma era apoiada pela “narco-guerrilha” colombiana.
Na verdade, digo com toda segurança: o campeonato da política é decidido por PONTOS PERDIDOS. Entendeu? São os erros dos adversários que definem o placar. Isso eu vou demonstrar nos próximos escritos.
Neste momento, esse subir e descer das ondas sinaliza para o mais hermético dos mistérios. Tudo pode acontecer daqui para frente. Há precedentes que confirmam sem pestanejar: o segundo turno é rigorosamente uma outra eleição.
Mas, desde já, valem duas observações:
1. Esses institutos de pesquisas não valem coisa nenhuma. Ou por incompetência, ou por má fé, venderam gatos por lebres. E não foi só na eleição presidencial. Exemplos mais reveladores foram as previsões para o Senado em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Ceará. Punham Aloísio Nunes lá atrás de Marta e Netinho na preferência dos paulistas. E ele deu um banho em ambos. Entre os gaúchos, davam a derrota de Paulo Paim como favas contadas. E ele foi o mais votado. No Ceará, Tasso Jereissati era pule de dez. E ele caiu do cavalo.
2. O que realmente engrossou o refluxo de Dilma Rousseff foi o espetáculo da arrogância que contaminou toda a tropa petista, do seu messias ao último dos militantes. Cheguei a dar conselhos a alguns bobalhões que já falavam em mais 8 anos de reinado, a partir do dia 3 de outubro, com expressões chulas e humilhantes.
O que tenho a dizer a respeito dá um livro. E não me manifesto como partidário. Por todos esses anos de estradas e barreiras, impus-me uma relação honesta com quem me honra com sua leitura.
É essa convicção que me permitirá repassar minhas análises e receber também suas contribuições.
Até breve.
Pedro Porfírio

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.