segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Porque você não deve ser um deprimente voyeur

Enquanto é tempo, botar o dedo nas feridas é bom
“Quem continuará mandando no país vai ser Lula. Dilma diz que ela é o Lula. Então as coisas continuarão como estão, com a mesma corrupção, o mesmo manejo da coisa pública”.
Hélio Bicudo, 88 anos, fundador do PT e ex-vice de Lula.
Bicudo: o grito que estava parado no ar

Mais do que a perspectiva de uma vitória da candidata oficial, preocupa-me e a muitos brasileiros lúcidos a carga explosiva que a reveste ostensivamente, em meio a inércia chocante de formadores de opinião e pessoas de um certo nível de informação, extasiados pelo ambiente inebriante que contamina a atmosfera política.
Decididamente não estamos diante de um processo eleitoral limpo, balizado pelas clássicas regras de uma república democrática. Nem tampouco contemplamos a possibilidade de uma revolução social, embasada no conflito de classes, na potencialidade de uma mudança estrutural.
Nesse ponto, erram infantilmente os eternos prisioneiros das paranóias ideológicas, para os quais a facção governante intenciona pôr o Brasil na ante-sala do comunismo. Ao contrário, e nisso erram também muitos esquerdistas, o processo em curso em nosso país guarda um parentesco mais próximo com a peripécia nazista na Alemanha, que fez de um simples pintor de paredes, ex-cabo do Exército, nascido na vizinha cidade austríaca de Braunau am Inn, o maior ídolo de sua história.
Sob a égide da idolatria autoritária
Aqui entre nós, desatentos atávicos, engendra-se um modelo igualmente sustentado pela idolatria cega, geradora de novos códigos interpretativos e de fantasias tóxicas de fácil enraizamento no tecido social como um todo.
Poucos são os que percebem o alcance ameaçador desse novo poder que mescla interesses contrários na formatação de um modelo aperfeiçoado de autoritarismo personalista, de âmago conservador e reacionário, tão sofisticado que produz a assimilação contente das massas convertidas num rebanho acrítico e envenenado pelas migalhas homeopáticas servidas como se fossem as ervas do paraíso.
Mais do que um projeto político de premissas sociais, o que se gesta no Brasil, a partir da afirmação de uma liderança inteligente, mas de formação primária, vaidades, pactos e ambições incomensuráveis, é um “estado novo” modernoso, fundado na cristalização do patrimonialismo escancarado, capaz de seduzir potenciais contendores e cimentar uma arapuca inexpugnável e longeva.
A batalha deste três de outubro é apenas uma etapa de um projeto que se pretende inesgotável e hegemônico, em função do qual se dissemina o embuste do velho clichê, que absolve os meios imorais e  ilícitos quando os fins são vantajosos e co mpensadores.
A ditadura civil na incubadeira
Tal percepção assalta hoje a próceres de conduta ilibada, como o veterano Hélio Bicudo, que jamais poderá ser alcunhado de golpista, sob pena do mais estúpido ridículo. Fundador do PT, a quem agregou seu histórico de coragem, sabedoria e dignidade nos idos adversos, o ex-vice de Lula no pleito paulista de 1982 encabeçou um manifesto de grande alcance histórico, com assinaturas como as de Dom Paulo Evaristo Arns, Therezinha Zerbini (líder do movimento pela anistia e fundadora do PDT com Brizola), Miguel Reali Jr, José Carlos Dias e Leôncio Martins Rodrigues, cujo móvel é a constatação de que “hoje, no Brasil, inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático”.
Lembrado por seu combate aos “esquadrões da morte” na década de setenta, Hélio Bicudo já pressagia o mergulho do país numa ditadura civil, como em entrevista à A Gazeta On Line, transcrita na Folha de São Paulo: “o presidente da República ignora a Constituição, se acha acima do bem e do mal, e, com uma vitória que está delineada em favor da sua candidata, concentrará todos os poderes da República em suas mãos, além do apoio da maioria dos Estados e da população em geral. Com uma pessoa com esse potencial, e que não vê no ordenamento jurídico do país a maneira de estabilizar as discussões e debates, o Basil pode caminhar para uma ditadura civil, sem dúvida".
Fiador da corrupção como arma do poder
Sua verberação considera apenas os elementos explícitos de intervenções do presidente da República em confronto com a liturgia do cargo, em particular o proselitismo no corpo a corpo das ruas, que o destitui da condição essencial de um chefe de Estado maduro.
De fato, ele e seus parceiros de manifesto não disseram da missa um terço. Muito mais grave do que a panfletagem grotesca no exercício do cargo de presidente de todos os brasileiros tem sido suas práticas fiadoras da corrupção, da cooptação e do arrivismo, protegendo da punição exemplar auxiliares pilhados em atos ilícitos e estabelecendo alianças que, sem exagero, podem se configurar como verdadeiras formações de quadrilhas – tudo para consolidar um poder pessoal negociável e um estado de tolerância híbrido, ardiloso e sorrateiro.
Tem sido anestesiar pelo favorecimento com dinheiro público os movimentos sociais, entidades como a UNE e os sindicatos, enquanto utiliza uma grande rede de organizações não governamentais subsidiadas para o enquadramento da sociedade numa pasmaceira inerte e abjeta, enquanto fabrica novos milionários amigos e transforma a atividade especulativa do grande capital numa cartola dourada que faz a festa da plutocracia.
A tragédia do triunfalismo acrítico
Entre os muitos interlocutores na internet, deparo-me com todo tipo de partidário, preocupando-me muitas mentiras e baixarias, espargidas como se elas pudessem incluir-se vitoriosas no conflito sem pudor que denigre a potencialidade de uma sociedade sem peias.
Mas outro dia tive a curiosidade de perguntar a um internauta panfletário qual a sua idade. Surpreendeu-me saber que ele tinha 56 anos e era advogado civilista em Santos. Não podia imaginar que alguém da sua vivência e da sua cultura fosse tão rasteiro no seu triunfalismo acrítico, dedicando-se a cada hora a disparar e-mails sobre a inutilidade de qualquer posição que não fosse de loas à candidata oficial, cuja gestação por si já foi mais do que um desacato às práticas do seu atual partido: foi um atestado de óbito no que os batedores dessa agremiação proclamavam como virtude pétrea e exemplar, a escolha a partir ou com a audiência das bases.
A partir dele – e de outros “articulistas” contumazes – todos com pretensos matizes de esquerda, deparei-me com a tragédia do adesismo, muitas vezes sob impulsos de puras paixões, sem qualquer vantagem pessoal. Vi claramente a supremacia dos elementos subjetivos colaterais sobre os fatos concretos, ostensivos, emblemáticos.
Ao longo da minha vida jamais poderia imaginar que a cidadania sofresse de um mal crônico – o das torcidas de futebol, que xingam o juiz quando prejudica seu time, mas que o aplaudem freneticamente quando os favorece.
Esse acumpliciamento erógeno poderá ser o fermento da grande tragédia institucional por vir. Uma tragédia que vai levar em sua torrente muitos dos que hoje participam da orgia de um poder infectado pelos vírus da trapaça ou simplesmente se saciam fora dele como incorrigíveis voyeurs.

Pesquisa do PORFÍRIO LIVRE surpreende: Serra tinha 51% dia 27, às 21 horas.
Às 21 horas deste dia 27 de setembro, o resultado da pesquisa do meu blog www.porfiriolivre.info me surpreendia. Serra tinha 51% das indicações e Dilma estava em terceiro lugar, com 15%. Você tem até sábado para votar. O programa do blogspot me parece seguro, isto é, ele detecta o ip de um computador, evitando que uma mesma pessoa vote duas vezes desse endereço.
Serra: 114 (51%)
Marina: 42 (19%)
Dilma: 34 (15%)
Plínio: 19 (8%)
Outros: 6 (2%)
Ninguém: 5 (2%)

Enquete: em quem você votará para Presidente no dia 3 de outubro?

Vamos tirar a dúvida: em quem você votará para Presidente no próximo dia 3?
Veja na coluna ao lado e escolha  seu candidato ou candidata.
Você tem até às 18 horas do  dia 2 para votar. Avise a seus parceiros na internet.
Se desejar, faça um comentário sobre as eleições que se avizinham.

domingo, 26 de setembro de 2010

Onde tem fumaça, tem fogo

Essa do PT querer tumultuar às vésperas do pleito contra o documento com foto é de arrepiar
Antes de 1986, o título eleitral tinha foto. Este é de 1960
 “Desde 1996, no sistema eleitoral eletrônico brasileiro É IMPOSSÍVEL PARA OS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE AUDITAR O RESULTADO DA APURAÇÃO DOS VOTOS. Em outras palavras, caso ocorra uma infiltração criminosa determinada a fraudar as eleições, restou evidente que a fiscalização externa dos Partidos, da OAB e do MP, do modo como é permitida, será incapaz de detectá-la”.
Do relatório do Comitê Multidisciplinar Independente.

Lula sanciona a Lei que o PT agora,
um ano depois, tenta mudar
Trate de pôr as barbas de molho. Como você sabe, a súcia sem escrúpulos do autodenominado partido dos trabalhadores não prega prego sem estopa. Enquanto o STF surpreendia o mundo com sua estranha votação EMPATADA sobre a lei da ficha limpa, o partido governista entrava no dia seguinte com uma ação direta de inconstitucionalidade, com pedido de liminar, para dispensar a apresentação do documento com voto junto com o título eleitoral na hora de votar, em 3 de outubro.
Temos que suspeitar dessa iniciativa do PT, às vésperas do pleito, ou na véspera da lei de 29 de setembro de 2009 fazer seu primeiro aniversário. Tal lei, de número 12.034/09, foi aprovada com os votos da base governista e sancionada pelo presidente Luiz Inácio sem que alguém tenha levantado qualquer senão a respeito do artigo 91-A “No momento da votação, além da exibição do respectivo título, o eleitor deverá apresentar documento de identificação com fotografia”.
Por que só agora?
Querendo apenas tumultuar o processo e escondendo outras intenções dessa ADIN, os petistas só descobriram AGORA que a exigência documento “representa um cerceamento legal do direito político dos cidadãos” e pode levar a que muitos eleitores de Dilma deixem de comparecer às urnas.
A alegação agride à mais comezinha constatação dos hábitos dos cidadãos. Independente da exigência constante da nova legislação, o brasileiro costuma portar documento com foto, até para se identificar numa eventualidade qualquer.
O que não é costume é andar com o título eleitoral rotineiramente. Ele guarda esse documento para as horas da votação ou quando o mesmo será exigido. Portanto, a exigência recente é apenas uma salvaguarda para evitar que pessoas votem por outras, já que o título não tem foto desde 1986. Tire por você: é seu costume andar na rua sem documentos? Uma salvaguarda até precária, que só existirá com a implantação do voto biométrico, em que o eleitor usa as digitais, como existe na Venezuela.
Um plano de fraude em curso?
Circula na internet uma denúncia sobre certo plano de fraude que já teria vazado em Brasília e poderá ser utilizado pelo governo para garantir a vitória dos seus partidários. Pessoalmente, tenho reservas sobre essa teoria da conspiração, publicado em vários blogs como o Conexão Direito .
Mas o relato garante: “esse projeto secreto, conhecido no submundo petista como Milagre da Multiplicação dos Pães, se destina, através de um programa fraudulento ou malicioso previamente inserido no chip do computador que programa as urnas antes da operação chamada pelos técnicos de inseminação das urnas, a computar sempre – para determinado( a) candidato(a) – 3 de cada 4 votos digitados, independentemente de qualquer que seja o candidato de preferência do eleitor, voto em branco, voto nulo, de forma a assegurar a sua eleição já no 1º turno”.
Quem me repassou a denúncia, um advogado, perguntou: “a propósito, quantos eleitores da Dilma você conhece? pouquíssimos, né?e por que será que ela vai ser eleita já no primeiro turno?”.
Histórico contra o voto seguro
Não é de hoje que o PT joga pesado contra a transparência nas eleições. Tão logo assumiu, o presidente Luiz Inácio bancou a Lei 10.740/03, que revogou a Lei no 10.408, de 10 de janeiro de 2002, fruto de um esforço do então senador Roberto Requião, juntamente com Leonel Brizola, pela a qual era obrigatória a impressão simultânea do voto, para eventual conferência, como existe em países como a Venezuela, vale a pena repetir, porque dizem que lá é uma ditadura.
Curiosamente, na revogação do voto impresso, coube a um senador tucano, Eduardo Azeredo, assinar o projeto preparado por alguns ministros do STF, como Sepúlveda Pertence e Nelson Jobim. Para que já vigorasse nas eleições de 2004, a manobra teve uma tramitação veloz: foi apresentada por Azeredo em maio de 2003, aprovada pelo Congresso em 1 de outubro, às 19h30m e sancionada pelo presidente Luiz Inácio duas horas depois.
A respeito, escreveu o engenheiro Amilcar Brunazo Filho, um dos esteios do voto impresso: “O Presidente da República dispunha de quinze dias para poder analisar a importância e mérito desta lei, mas abriu não de sua prerrogativa e o assinou imediatamente. Fica até parecendo que estava de plantão no palácio, aguardando a aprovação da lei na Câmara para poder apor sua assinatura. Não se pode deixar de notar que também o Palácio do Planalto participava do acordo entre a cúpula do TSE e a cúpula da Câmara para aprovar a Lei do Voto Virtual às Cegas sem debate e sem análise”.
Insegurança jurídica explícita
A  situação agora parece muito mais trágica. Eu, que já fui presidente do Conselho de Contribuintes, uma corte administrativa da Prefeitura do Rio de Janeiro, não entendi por que o presidente da STF não desempatou a votação de 5 a 5 no julgamento do recurso do ex-governador Roriz contra a Lei da Ficha Limpa. O Conselho tinha 8 integrantes e sempre que a votação dava empate, o presidente tinha a prerrogativa de dar o “voto de minerva”. O STF parou no empate, o que nos faz ficar com a pulga atrás da orelha.
Em seguida ao impasse no Supremo, Roriz, que dificilmente se elegeria governador de Brasília, renunciou à sua candidatura e formalizou a desistência do recurso. Agora, embora o presidente da corte, Cezar Peluso, indique que a matéria poderá ser discutida na próxima quarta-feira, parece claro, como declarou o ministro Marco Aurélio, que houve perda de objeto e, portanto, só com a inclusão na pauta de um novo recurso a constitucionalidade da Lei poderá ser submetida a um novo julgamento. Aí já houve a eleição.,...
Temos então o estado da mais EXPLÍTICA INSEGURANÇA JURÍDICA. Segundo Peluso, enquanto Lula não nomear o novo ministro para a casa, a corte não tem como decidir em caso de empate.
Tudo isso é de arrepiar. E só não vê a vulnerabilidade do Estado de Direito quem não quer.
Ninguém confiar nessas urnas
Para concluir, por hoje, saiba que, ao contrário do que o TSE proclama, “a impossibilidade de auditoria independente do resultado levou à rejeição de nossas urnas eletrônicas em todos os mais de 50 países que a estudaram”, segundo relatório do Comitê Multidisciplinar Independente, formado por dez especialistas. Veja o seu sumário clicando aqui. O relatório na íntegra está no site Voto Seguro.
Como se vê a vontade verdadeira dos eleitores está ameaçada por todos os lados.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Candidatos que merecem nossos votos nos Estados

Ante a repercussão da minha “Declaração de Voto”, recebi comentários de vários destinatários sobre as eleições em seus Estados. Embora à distância, gostaria de manifestar minha simpatia por alguns candidatos fora do Rio de Janeiro.

João Goulart Filho (, deputado distrital, Brasília)
O primeiro deles, é João Goulart Filho, candidato a deputado distrital em Brasília (PDT 12012). Acompanho-o há muitos anos, mas creio que é hoje que ele parece mais maduro, mais identificado com a legenda do seu pai, o nosso querido presidente João Goulart. Se eu estivesse em Brasília, estaria engajado de corpo e alma em sua campanha. Dos seus vídeos de campanha , escolhi este para o seu conhecimento: http://www.youtube.com/watch?v=hF81Nmca-Jg

Cristóvan Buarque (Senador, Brasília) – Seu nome dispensa comentários. É um homem digno e inatacável. Sua ligação com a causa da educação pública é conhecida de todos. Contudo, poucos conhecem seu corajoso diagnóstico sobre a distribuição equivocada dos recursos públicos, defendendo o maior apoio ao ensino de base, graças ao qual foram criados alguns programas nessa área. Sua reeleição será importante para Brasília, para o Brasil e em especial para o PDT, que precisa ver melhor os seus verdadeiros expoentes.

Jackson Lago (governador, Maranhão) – Se há uma disputa emblemática, essa é a do Maranhão, onde Lula obrigou o PT a apoiar Roseane Sarney, humilhando seus correligionários históricos. Jackson foi cassado por pressão do “dono do Maranhão”, mas não se rendeu. Está numa campanha difícil e eu não tenho visto empenho do próprio PDT para ajudá-lo. Apesar da máquina e até da má fé da candidata que esconde o sobrenome do pai, há possibilidade da eleição ir para o segundo turno. Quem puder, faço alguma coisa pela dignidade no país: ajude o pedetista histórico a ganhar novamente.

Paulo Paim (senador, Rio Grande do Sul) – Num Estado em que o candidato a governador do PT pode vencer no primeiro turno, não tem lógica que Paulo Paim esteja ameaçado de não ser reeleito. Já disse aqui que sua derrota é o sonho de consumo dos bancos e dos defensores da previdência privada. Ele foi, sem dúvida, um dos raros senadores do bem, colocando-se com firmeza na defesa das causas dos trabalhadores, aposentados e pensionistas. Sua vitória é possível, mas depende de um grande esforço nesses últimos dias de campanha.
Protógenes Queiróz (deputado federal, São Paulo) – O Brasil inteiro o admira por sua coragem no combate direto aos grandes corruptos deste país. Sabe que ele pagou um preço alto por sua firmeza nas investigações que levaram à prisão do milionário Daniel Dantas. No seu caso, não basta garantir sua eleição. É preciso uma votação que demonstre que vale a pena arriscar o pescoço no desbaratamento das quadrilhas do colarinho branco. Com o número 6588 (PC do B) Protógenes será ainda mais necessário ao país como deputado federal. Veja seu site http://www.protogenes6588.com.br/

Heitor Ferrer (deputado estadual, Ceará) – À distância, acompanho o trabalho sério do médico Heitor Ferrer (PDT 12350) desde quando era vereador em Fortaleza. Ele tem sido coerente e corajoso na oposição aos vários governadores que usam o poder em benefício próprio. Meus conterrâneos sabem o que Heitor Ferrer representa. E, com certeza, garantirão sua reeleição.

Tarcísio Leitão ( senador, Ceará) – Conheci esse corajoso advogado em minha adolescência. Atribuo a ele uma certa influência na minha politização. Participamos juntos da grande manifestação que parou Fortaleza em 15 de novembro de 1958. É o voto que daria como uma homenagem à história. E à resistência à luta contra a ditadura. Seu número é 210, PCB.
Ficam esses nomes, por hoje. Pode ser que volte a falar dos candidatos de outros Estados. Espero que meus parceiros também se pronunciem.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Declaração de voto

Tenho recebido indicações de votos e telefonemas de pessoas, interessadas em saber das minhas escolhas para estas eleições. Com a responsabilidade de quem exerceu mandatos em quatro legislaturas, de quem tem uma biografia de que podem se orgulhar os filhos e amigos, faço aqui a minha declaração de voto, sem nenhuma pretensão de proselitismo.
É uma escolha suprapartidária que parte de um princípio; esses candidatos serão úteis ao processo democrático e nem sempre comungo de todas as suas idéias. Reconheço, sim, o valor de cada um.

Veja a minha chapa:


Presidente: Plínio de Arruda Sampaio, 50, do Psol.
É uma homenagem a uma das figuras mais admiráveis de nossa história. Um homem de bem, que começou sua carreira ao lado do governador Carvalho Pinto, elegendo-se deputado federal, em 1962 pelo Partido Democrata Cristão, integrando a sua ala progressista, ao lado de Paulo de Tarso e de Franco Montoro. Foi cassado na primeira lista do golpe de 64. Hoje preside a Associação Brasileira de Reforma Agrária.

Governador: Fernando Gabeira, 43, PV.
Foi o primeiro voto que defini. É uma pena que tenha conduzido mal sua campanha, em meio à confusão da coligação que o apóia. Faltou ir fundo nos problemas de um Estado administrado em favor dos piores interesses econômicos. Mas ainda tem muito o que contribuir pela sua reconhecida integridade, por sua história e por sua sensibilidade.

Senadores: Cesar Maia (251 – DEM) e Lindberg Farias (131, PT).

Pode ser uma escolha contraditória (por coincidência é a mesma de Caetano Veloso). No entanto, considero que os dois poderão dar ao Senado o brilho de suas inquietações.
 Cesar, de quem divirjo e com quem tive confrontos quando vereador no Rio (ele prefeito) é uma das maiores culturas políticas que conheço, alguém que tem tudo para melhorar o nível do Senado. No contexto da vitória iminente de Dilma, sua presença lá será valiosa para o estabelecimento do contraditório de alto nível.

Lindberg será um senador aguerrido, com idéias e luz próprias. Desde a militância estudantil, revelou-se um inconformista. Ele será uma voz com quem poderão contar os segmentos perseguidos. Tenho certeza de que sua natureza independente prevalecerá na hora das grandes decisões.



Deputado Federal:  Otávio Leite (4555 – PSDB).

Conheço-o desde a sua atuação na juventude do PDT. É ético e leal. Tem uma grande vocação para o legislativo, tendo sido o primeiro parlamentar a encarar com seriedade e competência a luta silenciosa dos portadores de deficiência. Continua fiel às suas raízes nacionalistas.

Deputado Estadual: Luiz Paulo Corrêa da Rocha (45678, PSDB)

Quando estudante de engenharia, estava ao lado da resistência à ditadura. Na Prefeitura do Rio de Janeiro, foi um secretário de Obras de conduta corretíssima. Deputado por dois mandatos, forma ao lado de Marcelo Freixo, do PSOL, e Paulo Ramos, do PDT, uma espécie de trio quixotesco, na defesa clara da ética e das causas justas. É hoje o corregedor da Assembléia, responsável, ele sim, pelo esforço quase solitário de dar combate aos colegas corruptos.

Como disse antes, essa é a minha chapa. A circunstância me permitiu elaborá-la com total independência. Isso me dá autoridade para levá-la à sua consideração.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Apenas um recado (ou mais do que um recado)

Hoje, apenas um recado.
Um recado só para romper com o silêncio da perplexidade.
Uma espécie de proposta. Uma proposta para reflexão.
Veja o noticiário e é corrupção de cabo a rabo. Nos quatro cantos deste país se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão.
No cerne do poder, começam a despir dona Erenice, aquela que deitou e rolou nos últimos anos, como parceira da mais absoluta confiança da ungida à sucessão do presidente mágico, cuja cartola cintila entre truques que o fazem o preferido do lumpesinato, do proletariado, da classe média e das elites, dos sem terras e dos com muitas terras...
Não é o primeiro flagra. Por todos esses anos, as travessuras engarrafaram nos podres poderes. E o que veio à tona foi muito pouco. Em todos os níveis, em todas as esferas, os corruptos fizeram a festa.
Viu o que aconteceu no Amapá? Ali, estão no mesmo covil os políticos do PDT, PC do B, PP e os afilhados do Sarney, o todo poderoso. Só na alimentação dos presos, o ex-governador Walder de Góes mamava R$ 500.000,00 por mês. E para legalizar terras de estrangeiros, pediu R$ 30 milhões de uma só tacada. Com tanta grana, fez do primo prefeito de Macapá e pôs outro como vice da nova chapa. Até outro dia, estava cotado para ser o senador mais votado do Amapá.
No Rio de Janeiro, a PF prendeu toda a cúpula da Polícia Rodoviária Federal. Estavam todos num esquema brabo de liberação de veículos apreendidos, mediante propinas.
Saiu no jornal também que o presidente do Banco do Brasil comprou uma casa com dinheiro vivo no interior de São Paulo, escriturando o equivalente à metade do imóvel vizinho, igual, também posto à venda. Aí tem truta, todo mundo sabe. O presidente do BB prefere guardar dinheiro em casa a depositá-lo? Francamente...
Isso é do noticiário de hoje. Certamente, amanhã, teremos outros escândalos. Que se perderão na aragem do esquecimento com uma rapidez meteórica.
E não terão a menor repercussão no processo eleitoral. Tanto para os governos como para os legislativos, o povo fará sua escolha sem o menor cuidado, em benefício das quadrilhas ainda não fichadas. O cordão dos picaretas cada vez aumenta mais.
O povo não se toca sobre a roubalheira porque acha que todos roubam. Uns roubam, mas distribuem alguns trocados e abrem algumas portas para potenciais contestadores. Ninguém faz as contas: os R$ 12 bilhões em esmolas do Bolsa Família, que a tantos imobiliza, e a tantos covardes cala, não chegam sequer ao lucro previsto para 2010 de um único banco – o Itaú, que já mo primeiro semestre contabilizou R$ 6,4 bilhões.
Em todos os segmentos, reina a teoria de que a corrupção é um mal necessário. Porque, em geral, ninguém é contra a corrupção: é contra, sim, a corrupção dos outros. Em havendo oportunidade, cai dentro.
Aí vem o meu recado. Não adianta espernear. Décadas foram investidas na alienação dos cidadãos; na injeção de uma overdose de paralisantes no tecido social. Todos hoje estão impregnados da idéia da busca individual do seu ganho, do descompromisso total com o bem público. A sociedade da inércia está sob a hegemonia da esperteza: tudo o que se diz em nome do bem é máscara do próximo assalto.
O sistema operou com a ótica das elites, de forma a transformar a democracia num embuste palatável. Uma cortina ilusória. Uma farsa adocicada. Uma mentira histórica.
A perfeição da trama se deu com a ascensão do metalúrgico. O plano “B” do neoliberalismo global se mostrou mais rendoso do que o “A”, experimentado antes.
Daqui para frente, vai ser ainda pior. O “me engana que eu gosto” cristalizará o comportamento trêfego de uma sociedade ébria, sonolenta, inerte.
Eu já não espero mais nada desta eleição, à porta, pelo caminho sinuoso que percorreu. Nessa arapuca, a sorte está lançada, com a divisão dos poderes entre as elites – o PT só quer a Presidência, os Estados estão sendo fatiados, satisfazendo a todos os balaios.
Mas estou disposto a participar de um esforço honesto de conscientização dos cidadãos, do resgate de algum espírito crítico. Da retomada da idéia de uma sociedade mais atenta, começando pela reavaliação da educação pública até à melhor utilização dos meios de informação, como a internet.
Isso, nem que tenha que me esgoelar pelas ruas das cidades. Nem que tenha de clamar sozinho pela rede, cutucando todas as onças com a vara curta que não se verga.
E aí não dá para falar só das perebas morais. É preciso construir um caminho para uma sociedade democrática e justa, em que a maioria possa escolher com os critérios e informações consistentes. É preciso dizer todas as verdades, gritar aos ouvidos moucos, mostrar aos olhos vesgos. Se não estiver sozinho, seria muito melhor. Não importa a cor de sua opinião. Importa a convicção de que só na restauração da verdade, na exposição limpa de todas as informações, será possível fazer andar essa multidão de lázaros submetida à coma induzida.
Ou então, se isso já não for possível, desistir da democracia como regime político. Mas nunca desistir da palavra, que apontará sempre uma luz no fim do túnel.

PRGRAMA DE E-MAILS BLOQUEADO
Neste momento, onze da noite do dia 17 de setembro, encontrei um BLOQUEIO no meu programa de e-mails. Não tenho como abri-lo para enviar esta matéria aos 6 mil destinatários. Vou tentar localizar o técnico que fez o programa há mais de 8 anos. Corro o risco de perder inclusive os endereços.  Se você tiver acesso ao blog, por favor, avise aos seus parceiros.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

No zôo da incompetência que move a cavalgada da estupidez

“Na posição em que me encontro só vejo nobreza na canalha que menosprezei, e só encontro canalhas na nobreza que criei.”
Napoleão Bonaparte, depois da queda.
Se não há dúvida da gravidade sobre a quebra do sigilo fiscal de uma centena de cidadãos, é igualmente deplorável a tentativa de pôr tais violações na conta da candidata Dilma Rousseff, ao ponto de querer tirá-la do páreo, ato que só se pode atribuir, serenamente, ao absoluto desespero de quem não acredita mais no seu taco.
Lamento indignado que ainda existam pessoas com a mesma paranóia dos idos da ditadura, quando bisbilhotar a vida alheia era “defender a segurança nacional”. Quem se prestou a esse tipo de baixaria não está a serviço de nenhum candidato.
Qualquer foca sabe em Brasília da existência de uma verdadeira máfia, especialista em confeccionar e vender dossiês com peças negativas não apenas a candidatos. Mais de uma vez algumas publicações foram compradoras ávidas desse tipo de material.
Isso acontece em todos os ramos e vai muito além das informações fiscais, registradas na Receita Federal. Qualquer um “tira” de terceira sabe que os grandes delinquentes não declaram suas fortunas: preferem camuflá-las no exterior ou em cofres subterrâneos.
O que se obtém de revelação oficial sobre patrimônios chega a ser uma piada. Basta acessar o site do TSE para ver a tremenda farsa das declarações entregues pelos candidatos. Clique em http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/
Como exemplo, veja a casa do governador Sérgio Cabral em Porto Bello, Mangaratiba, com valor declarado de R$ 200.000,00. O blog do Vinicius, um jovem carioca, mostrou outra, junto com a mansão do governador, menos charmosa, que está a venda por R$ 5 milhões e 800 mil (http://www.blogdoviniciusps.com/2010_07_01_archive.html)
Acessar os dados oficiais de um cidadão só produz efeitos políticos espetaculares se a pessoa tiver como mostrá-lo na condição “sonegador”. Não parece ter havido qualquer movimento nessa direção em relação às vítimas conhecidas.
Insistindo em que há delitos graves a serem apurados, pessoas a serem processadas e punidas, volto a deplorar que os políticos de oposição apresentem o caso como uma espécie de carta na manga, ferramenta para virar a mesa, capaz de reverter o quadro desfavorável, resvalando perigosamente para atitudes de viés golpista e desestabilizador.
Porque a vaca foi pro brejo
O que existe, isto sim, é uma constatação patética de que a vaca foi pro brejo no pântano tucano, antes mesmo de setembro chegar. A mim surpreenderá se a candidata oficial precisar ir para o segundo turno. Infelizmente, a vitória de Dilma é uma irrefutável constatação, independente dessas pesquisas marotas, já que não vislumbro no horizonte vida inteligente em torno de José Serra e de sua coligação partidária. Antes, pelo contrário, nunca vi tantos estúpidos reunidos em uma só cavalgada.
É claro que seria uma covardia, uma indignidade, os oposicionistas apearem de sua cavalariça e tirarem o chapéu de véspera. Eleição, como qualquer outra competição, só pode se desmobilizar nos “acréscimos”.
Há ainda a possibilidade de ter alguns ganhos como a eleição de governadores e de uma bancada oposicionista. Portanto, não tem sentido ensarilhar armas.
Antes da galinha pôr o ovo
Mas o percurso que resta só poderá ter alguma reversão, ainda que difícil, a partir do momento em que os caciques da oposição acordarem do primarismo que marcou todos os seus passos, como se houvesse por baixo do pano um pacto de alternância de poder entre os sociais democratas do PT e do PSDB.
O mais primário de todos foi exatamente o candidato José Serra. Primeiro, exigiu que Aécio Neves desistisse antes da convenção, alegando que essa seria sua última oportunidade. E ainda barrou a idéia de uma prévia, que traria dividendo de toda natureza, até porque, naquele momento, ao contrário da tradição que sempre favoreceu a imagem do PT, a candidata oficial foi imposta de cima para baixa pelo “salvador da Pátria”, que, de quebra, montou uma das alianças mais esdrúxulas para a história do partido que se dizia a nata da pureza.
Depois, protelou até o último minuto a admissão pública de sua candidatura. Finalmente, no mesmo ritmo suicida, cozinhou o quanto pôde a escolha do seu vice, preocupado tão somente com o tempo no rádio e televisão. Nesse ambiente absolutamente amador, assimilou uma indicação que não acrescentava nada, embora o ser jovem do vice pudesse contribuir – isso se o menino não tivesse desandado e assumido o discurso avô das cavernas da intolerância.
Nesse caso, Serra caiu na esparrela de priorizar o tempo de televisão como móvel da aliança central. Pelos minutos do horário eleitoral, engoliu o nome do DEM, abortado de última hora, como já disse, sem considerar as condições de inteligência mínimas exigíveis de um vice-presidente da República. Alguém lhe disse que isso facilitaria inserção no Estado do Rio e ele acreditou. Se fosse para ter um nome do ex-PFL fluminense, só um poderia acrescentar-lhe votos, o ex-prefeito César Maia, que está a caminho de uma cadeira no Senado. Este, mais vivido, jamais espantaria tantos eleitores do povão ao declarar, como o fez gratuitamente o vice de Serra: "nunca votei no Brizola, tenho horror ao Brizola. Ele arrasou com o Rio de Janeiro".
Mulas não serão cavalos jamais
No Estado do Rio, o desastre só foi comparável ao do Ceará e de Pernambuco. Na minha terra natal, o tucano Tasso Jereissati cuidou tão somente dos seus interesses pessoais e trabalha para facilitar a reeleição do irmão do Cyro Gomes, repetindo a mesma molecagem que levou à derrota de Lúcio Alcântara em 2006. Já em Recife, Serra conseguiu levar o senador Jarbas Vasconcelos a disputar o governo do Estado, apenas para montar um palanque oposicionista, mas esqueceu de combinar com seus próprios correligionários tucanos, que estão no outro lado da rua.
Se quisesse acrescentar votos no Estado do Rio, ele teria que ter trabalhado desde o primeiro momento o conflito entre Garotinho e Sérgio Cabral, única condição para enfrentar a máquina mortífera que reúne 18 legendas, de todos os matizes, em torno da inevitável reeleição do governador atual. Há que lembrar que foi exatamente o casal Garotinho quem bancou a eleição daquele que se voltaria contra os padrinhos antes mesmo do dia da posse.
Isso refletiu total incompetência no trato das questões locais. Enquanto Lula tratava pessoalmente de aproximar contrários em cada Estado, ao ponto de abrir mão de antigos companheiros em troca de uma costura que favorecesse exclusivamente a sucessora, Serra e seus aliados mergulharam em tragédias locais de efeito catastrófico. Que o diga a aliança construída no Rio de Janeiro, que inverte a lógica: aqui, é o governador que tem dois presidenciáveis. Mas, em contrapartida, não conta nem mesmo com o apoio do presidente regional do PSDB, o polêmico José Camilo Zito, prefeito de Caxias e outrora o “rei da Baixada”.
O latido dos cães raivosos assusta a qualquer um
O mais deplorável, porém, é seu discurso de campanha, que mistura os piores anátemas no posicionamento político, ao gosto exclusivo da banda rancorosa da direita, dos órfãos da ditadura, com a exibição miúda de cenários típicos e meras performances de um candidato a prefeito. Nessa comédia de erros, Serra aparece ser o primeiro e único, o enviado das estrelas,  como se a coligação encabeçada pelo PSDB, que tem vários governadores e prefeitos, não estivesse igualmente envolvida na tentativa de retorno ao poder central.
Por mais que o povo viva hoje um momento de deprimente despolitização, certos traumas permanecem no inconsciente coletivo e são afetados sempre que alguém acena, ainda que por meias palavras, com a a simbologia dos  idos insuportáveis hoje em dia: em dissonantes diatribes,  atos falhos repetidos abusivamente,  Serra está parecendo mais um intolerante general de pijama.
Dentro dessa forma, ele resolveu ressuscitar e aliar-se aos restos mortais da era Bush, ao investir corriqueiramente contra personagens e situações que dão um novo relevo aos países vizinhos e indicam o bom senso na condução de relações internacionais comprometidas pragmaticamente com os interesses brasileiros. A política externa não é necessariamente um elemento de decisão eleitoral, mas é preciso reconhecer que Lula foi esperto ao jogar com a auto-estima do povo, passando a idéia de um falso culto à soberania, uma corajosa postura de independência, valendo-se de grandes sacadas, como, por exemplo, essa jogada de “passar de devedor a credor do FMI”.
Miquinhos de rabos presos
Faltou a Serra e à sua turma uma corajosa análise crítica do governo que pretendem substituir, como o aprofundamento da avaliação das políticas compensatórias, do tipo bolsa-família, que precisariam ter uma leitura focada no seu indispensável caráter temporário e transitório, oferecendo alternativas futuras mais dignas, em que os cidadãos não fiquem sujeitos à humilhação da dependência das migalhas do poder público. Em outras palavras, realçando que é mais decente tentar gerar emprego, qualificar, do que oferecer  esmolas pro resta da vida.
No começo, o candidato tucano ainda tentou expressar preocupações sensatas, como a condenação ao poder paralelo exercido pelo Banco Central, que, não sendo privado como o FED norte-americano, é hoje, de fato, algo semelhante, ostensivamente  sintonizado com o sistema financeiro e de costas para o governo. Mas os seus aliados do “mercado” avisaram que não abririam mão desse modelo “mamão com açúcar” que fez do banqueiro Henrique Meireles mais poderoso do que o ministro da Fazenda – tão cheio de si que ganhou o status de ministro de Estado, sem análogos no mundo todo.
Na mídia, Serra foi induzido a um discurso insosso e vazio. Disseram para ele que poderia jogar com os dotes de sua carreira, algo que Dilma não poderia exibir. Sua “experiência” seria um toque de Midas.
Esqueceram os seus marqueteiros e aliados que políticos profissionais não são necessariamente o sonho de consumo do povo  nas disputas majoritárias. Quanto mais fala de sua intimidade com o poder, mais o cidadão comum descobre na adversária periférica pontos de identificação.
Faltou também determinação para questionar os lances de corrupção e de expedientes aéticos que se sucederam nesses oito anos. Isso eu atribuo ao rabo preso. Pode ser que aí tenha prevalecido a guerra psicológica, a possibilidade de que os petistas tenham armazenado munições para a eventualidade de um conflito nessa área. E em tema tão delicado, só quem não deve pode botar a boca no trombone.
Raposas deitam e rolam no poder
Agora, depois da porta arrombada, o PSDB resolveu lembrar das raposas inescrupulosas que fazem parte do círculo íntimo da candidata situacionista. Só esqueceu de dizer que essas mesmas feras tinham a mesma intimidade com Serra nas eleições de 2002, quando o PMDB indicou sua vice. Porque quem muda são os outros - a raposada está por cima da carne seca.
A esta altura, porém, não cabe fazer o inventário de um passamento que não aconteceu ainda. Nem cumpre, pessoalmente, imaginar que minhas palavras serão levadas em conta por qualquer uma das partes. Trechos delas serão acolhidos por uns – outras frases agradarão a seus adversários, de onde não espero mais do que ter me desincumbido de uma tarefa: o resgate da lucidez. Esse é um caminho íngreme e tenho consciência disso.
Mas espero que você pelo menos leia este escrito com a devida compreensão. E tire da cabeça a idéia de que os tucanos poderão virar o jogo, virando a mesa com a sôfrega exploração desse episódio insólito e sem rosto que envolve práticas provavelmente antigas na Receita Federal.
No Brasil eletrônico do Século XXI, não há mais a menor possibilidade de alguém ter sucesso ao chutar o pau da barraca. Só um lunático pode contar com tal estupidez.
O palhaço de carteirinha comanda o espetáculo
Recebi de vários parceiros as gravações do Tiririca, candidato a deputado federal em São Paulo. Com uma campanha que extrapola o ridículo, já é tido e havido como o grande fenômeno eleitoral do Estado mais rico do Brasil, com uma previsão que supera os 500 mil votos. Clique aqui e veja o programa eleitoral do palhaço na televisão. Espero seu comentário. Depois, farei minha própria análise.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.