domingo, 29 de agosto de 2010

Opinião em frases que chocam (ou não) e fotos que revelam (ou não)

A lei da ficha limpa é uma ilusória cortina de fumaça. Se fosse real, não seriam candidatos políticos manjados como Renan Calheiros, Picciani, Joaquim Roriz, Quércia e os “mensaleiros”.
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Nossa Justiça dá o pior exemplo do que seja justiça: magistrados pegos com a mão na massa são “condenados” a aposentadorias milionárias.
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Não há maior engodo do que chamar qualquer palpiteiro de cientista político.
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Estou começando a achar que Sócrates está mais atual do que nunca em sua crítica à democracia.
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Nada enlameia tanto o processo eleitoral como a divulgação prévia de pesquisas. Elas não refletem a realidade, por sua própria fórmula: tenho 67 anos e jamais fui “perguntado sobre meus candidatos”, nem ninguém na minha família, nem ninguém que eu conheça.
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Ainda que as pesquisas fossem o espelho da realidade – e não são – só serviriam para dispensar as campanhas eleitorais e o próprio comparecimento às urnas, pois forjam um cenário que antecipa o “resultado”, desmobiliza os “derrotados” e favorece os “vencedores”  de véspera junto aos financiadores de campanha.
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Se financiador de campanha prefere quem vai ganhar, boa coisa não está tramando.
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Não há maior falácia do que defender a liberdade de expressão, quando perseguem as rádios comunitárias, de grande utilidade para o bairro, enquanto as concessões “legais” favorecem sempre os políticos e os grandes grupos midiáticos.
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Quando prendem capitães da PM do Rio de Janeiro roubando fios de fibra ótica na calada da noite é porque a degeneração da corporação é ampla, geral e irrestrita e a polícia já chegou ao fundo do poço.
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Queria entender melhor os homens, especialmente os políticos: se Lula acusou Sarney de ser ladrão, por que hoje está de mãos dadas com ele? Se Requião dizia cobras e lagartos do Osmar Dias na última eleição, por que hoje o recomenda como seu candidato a governador? Se a “nação petista” faturou anos o “fora Collor”, porque agora está no “volta Collor?” (a propósito clique AQUI em  e ouça o jingle do presidente cassado como corrupto).
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Queria entender melhor as mulheres: Marina Silva foi ministra queridinha do Lula durante seis anos e meio; foi militante aguerrida do PT durante 30 anos.  Será que ela entrou nessa para confundir?
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Enquanto a Justiça for intocável, enquanto magistrados corruptos ganharem aposentadorias milionárias ao invés de cadeia quando são pilhados vendendo sentenças, não reconheço autoridade nos que defendem a punição radical unilateral para os bandidos de pés de chinelo.
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Se nossas urnas eletrônicas são tão “confiáveis”, por que essa resistência à imediata implantação da impressão do voto e do “voto biométrico”, como já existe em países como Venezuela e Bolívia?
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Marqueteiros políticos são embustes do macrossistema de mistificação que assola o país. Muitos deles jamais se envolveram pessoalmente numa campanha eleitoral, não conhecem o cheiro do povo e adoram cantar de galo como se fossem donos da verdade.
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Quando há sinais de derrota, todo mundo aparece para dar um palpite, apontar uma causa e oferecer a fórmula da reviravolta. Todos esquecem, porém, que uma vitória se constrói no camninhar de uma longa jornada.
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Já que o humor foi liberado na campanha, sugiro que você dê uma olhada nas declarações de bens dos candidatos, publicadas no site do TSE - http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/
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O Sérgio Cabral, por exemplo, pôs na sua mansão em Porto Belo, na Costa Verde, o valor de R$ 200.000,00. Se você oferecer R$ 1 milhão na mão ele vai rir na sua cara. Seu vice, o Pezão, pôs seu apartamento na Barra da Tijuca com o valor de R$ 168.844,99.
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Criticam o Lula por seu relacionamento cordial como o Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, mas nada dizem de seus laços com Nicolas Paul Stéphane Sarközy de Nagy-Bocsa, que está fazendo uma política de limpeza étnica na França e deportando milhares de emigrantes.

Liberou geral? (As fotos que revelam ou não)
Placas pregadas em árvore desafiam a fiscalização do TER-RJ, e a Secretaria do
 Ambiente: esta é de Marcelo  Sereno, o federal do Zé Dirceu no Rio
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Na campanha passada, a só podia ter placa na rua com o
plaqueiro junto. Agora, libetrou geral.  Será que a lei mudou e eu n]ao fiquei sabendo?

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um Senado sem Paim, o “sonho de consumo” dos bancos que engordam com a previdência privada.

Há uma aliança sórdida para derrotar o parlamentar que está brigando pela equiparação dos aumentos dos aposentados e o fim do “fator previdenciário”.
De um petista sobre o risco do senador Paulo Paim não se reeleger: “o Tesouro agradece”.
Ilmar Franco, Panorama Político, O GLOBO, página 2 - 26.8.2010

Os bancos que controlam a previdência
 privada apostam na derrota de Paim
Li esta notinha na coluna de um dos repórteres mais enfronhados nos labirintos de Brasília. E não tive dúvida: ali tinha truta. Mergulhei fundo no lamaçal dos podres poderes e não foi difícil perceber que o senador Paulo Paim está sendo alvejado pelo “fogo amigo” como punição por sua desassombrada atuação em defesa dos aposentados, através dos projetos que garantem paridade nos aumentos de todos os beneficiários da Previdência e do fim do maledicente “fator previdenciário”.
Paim, sem ser um polemista da verve do conterrâneo Pedro Simon, acaba sendo muito mais visado pela natureza de sua bandeira principal. Ao defender o modelo de previdência pública brasileira e ao demonstrar sua viabilidade, ele se torna um estorvo nos planos dos bancos insaciáveis e inescrupulosos: o monte de fregueses que ganham todos os dias para suas seguradoras não vem exclusivamente da generosa ajuda imoral com a isenção fiscal de 12% do imposto de renda no PGBL: maior estímulo é fundamentalmente o esvaziamento e as incertezas da previdência pública.
Pelas últimas informações, já é possível vislumbrar a possibilidade de uma derrota, a menos que os aposentados e os trabalhadores do Rio Grande do Sul tomem a si a tarefa de sair às ruas em sua defesa, independente de vínculos ou simpatias partidárias.
Uma casa redundante e de maus hábitos
Antes de relatar o que apurei daqui mesmo, do sopé da serra dos Três Rios, nesta outrora zona rural da outrora cidade maravilhosa, convido a uma reflexão.
O Senado da República no Brasil é uma canhestra redundância, nada tendo com sua essência teleológica. Isso eu já disse aqui e mais falei: não há razão para o mandato em dobro, assim como não se explica, à luz dos bons modos, porque o eleitor pode votar em dois senadores, quando há duas vagas. Isto porque, nessa lógica, poderíamos votar em tantos candidatos a deputados quanto fossem as vagas existentes.
O Senado chega a ser uma excrescência na composição dos poderes representativos, na medida em que, na real, não somos uma república de estados federados. Antes, pelo contrário: sob todos os aspectos, a federação é um simulacro de satélites, pedintes e dependentes do grande cofre, o do governo dito federal.
Na prática, lembro, o Senado é uma Câmara paralela, onde a indecência campeia em maior dimensão a partir da existência de suplentes que assumem poderes de legisladores, sem terem sido votados por ninguém, até porque tais enxertos são, quase sempre, camuflados a sete chaves. Alguns são filhos, esposas ou simplesmente são os homens das malas que custeiam as campanhas e, na prática, compram o direito de cantar de galo no legislativo, onde entram pelas portas dos fundos. Nessa última legislatura, tivemos quase um terço de penetras, que se fizeram senadores nas garupas invisíveis dos eleitos.
O Senado brasileiro é menos qualificado de que muitas câmaras municipais e olha que nossos edis também não são flores cheiráveis. Pior ainda: essa casa desnecessária custa mais do que pelo menos oito Estados brasileiros, com suas responsabilidades de prestar serviços variados às suas populações.
Três ou quatro já incomodam
Realço, aliás, que dos 187 parlamentos existentes no mundo, hoje, apenas 75 são bicamerais. Outros 112 funcionam como assembléias nacionais unicamerais, isto é, com a única casa legislativa. Entre os bicamerais, as funções da “Câmara Alta” são meramente revisoras. Ou, como na Grã-Bretanha, são simbólicas, eis que a Câmara dos Lordes nada pode em relação às deliberações da Câmara dos Comuns.
O nosso Senado nesses últimos anos só não foi totalmente desprezível exatamente pela presença de alguns poucos iluminados, como Cristóvão Buarque, Paulo Paim, Pedro Simon e o falecido Jefferson Perez. O resto é o próprio espelho de uma casa de tolerância, sob a guarda de figuras deprimentes, como José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor e Romero Jucá.
No embalo das ilusões que ainda leva o povo a acreditar nessas instituições como “males necessários”, pode-se até dizer que o brilho e a fortaleza moral de Pedro Simon, Cristóvão Buarque e Paulo Paim nos obrigariam a tolerar a fortuna despendida com tal “casa de leis”.
No entanto, embora esses representem menos de 5% da corporação, as raposas do mal caminho só vão sossegar quando puderem ver cada um pelas costas.
Cristóvão, felizmente, parece que será reeleito em Brasília. Simon tem mais quatro anos de mandato. Mas Paulo Paim pode ser rifado agora, sobretudo e especialmente, por ter tido a coragem de pôr o dedo na ferida aberta que transforma num verdadeiro inferno a vida dos dependentes da previdência pública.
A rasteira “acertada” num acordo virtual
Para dar uma rasteira nele, parece que houve um “acordo de cavalheiros” entre os donos do poder no Rio Grande. E o seu absoluto favoritismo no início do ano começou a ser arranhado com a fórmula engendrada pelas coligações montadas em seu Estado.
Paulo Paim é candidato da Unidade Popular pelo Rio Grande, integrada pelo PT/PR/ PSB/PC do B. Mas, ao contrário dos seus principais adversários, não é o único candidato dessa coligação, que tem Tarso Genro como governador. Ele está tendo de dividir o tempo de rádio e tv e as atenções com Abigail Pereira, do PC do B. Embora esta não tenha expressão eleitoral, acaba faturando a militância que gravita em torno do lulismo, de Dilma e de Tarso.
Já os seus principais adversários dispensaram a segunda vaga, facilitando o “segundo voto” no suposto rival. Germano Rigoto, ex-governador, é o único nome da coligação “Juntos pelo Rio Grande”, que reúne o PMDB , PDT, PTN e PSDC em torno do ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça. E a radialista e televisiva Ana Amélia Lemos, do PP, saída da máquina midiática do grupo RBS (filiado à Globo) é a única postulante da coligação “Confirma Rio Grande”, da atual governadora Yeda Crúsis, que reúne PRB / PP / PSL / PSC / PPS / PHS / PSDB / PT do B.
Agora veja como funciona a coisa: se pode dar dois votos para senador, o eleitor de Rigoto jamais daria o seu segundo voto para Paim, porque o eleitor deste “já está amarrado” moralmente com a aliada Abigail Pereira. Raciocínio semelhante move o eleitor da apresentadora de tv. Estabelece-se, então um confronto entre dois pólos: de um lado, Paim e Abigail, da mesma matriz política; de outro, Rigoto e Ana Lemos, de redutos diferentes, que se unem na disponibilidade oferecida por não terem o segundo candidato em suas coligações.
Virtualmente entregue às feras
Como foi revelado pelo jornalista Ilmar Franco, o Planalto não sente menor vontade de ver Paim de volta, tentando resgatar o direito dos aposentados e pensionistas, quando se sabe que já está pronta uma “terceira reforma da previdência”, cuja maldade principal é acabar com as pensionistas.
Além do mais, tanto Germano Rigoto como a moça da RBS integram partidos da ampla base de apoio do governo Lula. Resultado: neste momento, a última pesquisa do IBOPE já registra um “empate técnico”, com a moça em crescimento e Paim estagnado, enquanto Rigoto teve uma ligeira queda.
Um apelo suprapartidário
Como não sou mais criança, quero daqui lançar um apelo suprapartidário para que todos os homens de bem do Rio Grande do Sul, em especialmente os trabalhadores assalariados, aposentados e pensionistas, se transformem em guerreiros de sua campanha, com a mesma garra que um dia os gaúchos demonstraram, quando o então jovem governador Leonel Brizola abriu barricadas naquele agosto de 1961 para garantir o respeito à Constituição e a posse de João Goulart.
Não há exagero no paralelo. Pois eu não sei o que será do Senado da República se a má fé e os interesses espúrios conseguirem evitar a recondução do senador Paulo Renato Paim.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Brasil acabou nas mãos dos bancos, quem diria? E com as bênçãos do príncipe operário...

Gostaria que a "esquerda" chapa branca explicasse melhor essa intimidade com  o sistema financeiro que fez a festa dos banqueiros
“Graças a Deus os bancos estão ganhando dinheiro, porque, quando eles não ganham dinheiro, eles dão mais prejuízo”.
Luiz Inácio Lula da Silva, São Paulo, 9 de agosto de 2010.
“O que é assaltar um banco, em comparação com fundar um banco?”
Bertolt Brecht, dramaturgo e pensador alemão (1898 -1956)
Meirelles no BC fez a festa
dos coleguinhas da banca

Vou logo dizendo e desafiando que me provem o contrário: nenhum país dominado pelos bancos, isto é, pela especulação financeira, vai muito longe. Digo mais: o Brasil está nas mãos de uma meia dúzia de agiotas com as bênçãos desse governo aí, que pôs uma raposa para tomar conta do galinheiro e, mesmo assim, ainda consegue enganar a todo mundo com o uso dos piores expedientes – a manipulação da informação, a distribuição de migalhas, a corrupção do pensamento crítico e a compra e cooptação dos novos pelegos sociais.
Os números estão aí e só não vê quem está mamando ou esperando a fila andar.
Dados da consultoria Economática não me deixam mentir: o setor de bancos foi o mais lucrativo entre as empresas de capital aberto (com ações na Bolsa) do país no segundo trimestre de 2010. Os 25 bancos com papéis na Bovespa lucraram R$ 10,1 bilhões e ficaram na frente do setor de petróleo e gás, que ganhou R$ 8,5 bilhões e veio em segundo.
Um escândalo que só a batuta de Henrique Meireles poderia produzir: desde priscas eras, diz-se que o melhor negócio do mundo é petróleo; e nesta atualidade esfumaçada, já existe até uma guerra civil na mídia pela fartura de um petróleo que estaria jorrando por todos os poros.
Em comparação com o mesmo período do ano passado, o lucro dos bancos subiu 18,38% (no segundo trimestre de 2009, os 25 bancos haviam ganho R$ 8,5 bilhões). Outro estudo da mesma consultoria é mais chocante: o lucro líquido dos três maiores grupos do país - Banco do Brasil (BB), Itaú e Bradesco, que respondem hoje por quase 80% do mercado - saltou quase 420% entre os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso e os sete anos e meio da gestão Luiz Inácio Lula da Silva. Os ganhos dessas instituições somaram R$ 167,471 bilhões desde 2003, contra R$ 32,262 bilhões no governo anterior.
Na Era Lula, a boa vida de fazer inveja
O CORREIO BRAZILIENSE mostrou que o carnaval dos bancos é mais alegre no governo Lula: "dados consolidados pelo Banco Central, referentes aos sete anos da administração do petista, mostram que as 100 maiores instituições financeiras do país acumularam no período R$ 127,8 bilhões em lucros, o equivalente a 2,3 vezes os R$ 55,2 bilhões gastos pelo Ministério do Desenvolvimento Social por meio do Bolsa Família, programa que ajuda a melhorar as condições de vida de 46 milhões de brasileiros.
Nem mesmo o estrago provocado pela crise mundial foi suficiente para inibir o apetite dos bancos. No ano passado, também segundo o BC, as 100 maiores instituições engordaram os seus cofres com ganhos de R$ 23,2 bilhões, resultado que superou em 26% os retornos de 2008 (R$ 18,4 bilhões). Isso, apesar de o Produto Interno Bruto (PIB), o total de riquezas produzidas pelo Brasil, ter encolhido 0,2% na mesma comparação".
Quem acompanha o mercado de perto avisa: o último ano da gestão Lula será fechado com pompa pelo sistema bancário: os lucros serão os maiores da história, o que já está sendo comprovado desde os números do primeiro trimestre.
Os dados do BC consideram, porém, somente os resultados dos bancos com a atividade própria. Ou seja, não contabilizam, por exemplo, as seguradoras controladas por eles, que têm inflado ainda mais os ganhos. Pelo critério do BC, o BB embolsou R$ 6,1 bilhões no ano passado (o total passou de R$ 10 bilhões, um recorde). Já Itaú Unibanco e Bradesco ganharam, respectivamente R$ 5,4 bilhões (foram R$ 10 bilhões no geral) e R$ 4 bilhões (R$ 8 bilhões).
Controlando empresas de outros ramos
Também não relatam o controle que alguns bancos exercem sobre empresas de outros ramos. Além dos bancos Itaú Unibanco e Itaú BBA, a Itausa controla empresas como Duratex, Elekeiroz, Deca e Itautec. No primeiro trimestre deste ano, a holding apresentou lucro líquido consolidado de R$ 3,47 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 25,8% sobre os R$ 2,75 bilhões em igual trimestre de 2009.
Com 21% das ações da Valepar, o Bradesco indicou o atual presidente da Vale do Rio Doce, responsável pela exportação de minério bruto para o mundo (um crime)embora a maior fatia na holding (49%) seja de recursos dos fundos de pensão das estatais, particularmente o Previ. Agora, Bradesco e Banco do Brasil assinaram contrato de associação com o Banco do Espírito Santo, em suas agências da África.
O BB, aliás, está dando gás ao Bradesco em empresas como a OdontoPrev, da qual o banco privado é sócio. A parceria envolve estudos para criação de uma empresa com 75% do capital da BB Seguros (49,99% das ações ordinárias e 100% das preferenciais) e de 25% do capital total da OdontoPrev, equivalentes a 50,01% de suas ações ordinárias.
Ainda assim, festejam o sucesso da especulação
A feérica festa dos banqueiros – hoje uma meia dúzia – explica por si a insanidade púrpura que desenvolve o culto ao masoquismo burilado. Até outro dia, sabíamos todos que o capital financeiro é a terrível fonte da apropriação perversa de toda a atividade produtiva. Agora, o discurso inverteu. O sucesso da especulação é festejado em prosa e versos pelo príncipe operário.
Um banco é um grande cassino onde rigorosamente o seu sucesso acontece na proporção exata da espoliação dos seus clientes. O banco de hoje é ainda mais insaciável do que nos idos do primeiro Rothschild, ou nos tempos em que assassinaram dois presidentes norte-americanos para forçar a criação do Federal Reserve privado, intento conseguido em 1913, pelas mãos de um ex-reitor corrupto, o presidente Thomas Woodrow Wilson, financiado em sua campanha por J.P Morgan e coleguinhas.
São mais vorazes porque já não vivem só da usura. Para explorar clientes indefesos, muitos compulsórios, cobram por uma porção de serviços.
Ao todo, as receitas com cobrança de serviços impostos - tarifas bancárias, de fundos de investimentos, de seguros etc. - saltaram 83% entre as eras FH e Lula, somando R$ 258,7 bilhões só entre 2003 e junho passado, segundo a Economática. No caso do Bradesco, as receitas com serviços cresceram 130% no período, somando R$ 76,1 bilhões.
Demitindo e contratando por salário menor
Curiosamente, essa engorda festejada por Lula e pelo PT se deu junto com a redução do número de bancos, tendência cada vez mais observada. Como é da lógica do capital, as fusões vieram  com demissões em massa de bancários e fechamentos de agências. Só no primeiro semestre de 2010, os bancos demitiam 18.261 empregados, segundo o DIESE.
E mais: quando voltam a contratar, os bancos estão pagando menos 38% a cada bancário, como constatou a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro. Em média, os demitidos ganhavam R$ 3.500,00. Seus eventuais substitutos recebem R$ 2.200,00.
Como compensação, em 2009, o governo determinou a abertura de 15 mil vagas nos bancos oficiais. Isto é, os privados “enxugam e otimizam” seus custos. Os públicos são chamados a compensar, com reflexos inevitáveis em seu desempenho.
Banco, uma fraude pela própria natureza
Quando digo que sujeitar a economia de um país à banca é uma temeridade, não estou inventando a roda. A crise do ano passado foi parida no sistema financeiro da economia mais serelepe do mundo. Mas se quiser saber mais, nos mínimos detalhes, sugiro ler o estudo de Nehemias Gueiros Junior, da FGV, que mostra a maior fraude da história
Vale repisar: banco não tem dinheiro; especula com o meu, o seu, o nosso depósito. Porque qualquer peão tem de abrir uma conta para receber salário – aí ele é atacado por todos os lados, obrigado a ter cartão de crédito e a um monte de “produtos” empurrados goela abaixo.
Como você deve saber, a economia brasileira está na mão do Banco Central, que está na mão de um banqueiro nascido e criado no valhacouto dos agiotas. Senhor dos anéis, o BC joga principalmente com as taxas de juros, como forma de inibir a inflação. Só que a cada elevação da taxa básica, os bancos se enchem de gás para aumentar suas próprias taxas.
Então, temos:
1) as taxas cobrados aos clientes são muito maiores do que a oficial;
2) os bancos remuneram nossas aplicações na renda fixa por uma mixaria tão braba que por meses a inflação subiu mais. Mas na hora de emprestar é um horror: o cheque especial, por exemplo, cobra mais de 100% ao ano.
No contexto universal, os bancos sediados no Brasil registraram lucros maiores do que os do primeiro mundo. Curioso, não acha? Desde 2005, A rentabilidade sobre o patrimônio líquido de bancos brasileiros superou o resultado obtido pelas maiores instituições dos Estados Unidos. É o que vem mostrando o ranking de ROE (Return on Equity, rentabilidade sobre o patrimônio), no qual quatro bancos brasileiros figuram no topo da tabela entre os 20 maiores por ativos.
Não há estatísticas oficiais, mas todo mundo sabe que os bancos são campeões de leis e decisões judiciais em seu favor, graças a um lobby sinistro mantido pela Febraban, que joga na onze: exemplo emblemático foi a boca livre organizada para magistrados em 2006, descrita com maestria por Fernando Rodrigues, na FOLHA DE SÃO PAULO:
“O feriado de Sete de Setembro foi especial para 16 ministros (dois aposentados) do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e 31 desembargadores de sete Estados: eles receberam passagem e estada grátis no resort de luxo Transamérica da Ilha de Comandatuba, no litoral baiano, para assistirem a algumas palestras sobre como funciona a arquitetura do crédito do sistema bancário brasileiro.
O patrocínio do evento foi da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que arcou com uma fatura de ao menos R$ 182 mil com hospedagem e transporte dos 47 juízes”.
E os políticos? E os príncipes do Banco Central que ou vieram dos bancos privados, como o Meireles, ou se tornam banqueiros depois que deixam os cargos oficiais?
Francamente, à luz do dia não dá para entender a omissão e cumplicidade desse grupo dito de esquerda, que está por cima da carne seca e tende a perpetuar-se no poder por  muitos longos e tenebrosos invernos.
Como diria o Barão de Rothschild, quem controla
 o Banco Central é quem manda no país

domingo, 22 de agosto de 2010

De como os presunçosos perdem as estribeiras e caem do cavalo

“Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis”.
Niccolo Maquiavel (Florença, 1469 —1527 ) em O Príncipe.

Bem que avisei: a oposição “viável”, cheia de si, instigado por rancores e presa ao mofo político, preferiu o haraquiri. Pegou a direta desembestada e caiu do cavalo antes mesmo de setembro chegar.
Por várias vezes, disse e repeti: o adversário da candidata do Lula só teria chance se mostrasse que representava uma alternativa progressista. Isso não seria difícil, porque o governo Lula, além de ter feito todos os gostos do sistema financeiro, dando de lambuja a eliminação, pela cooptação e outras formas de sedução, dos focos de mobilização adversa, ainda se deu ao luxo de cercar-se e fortalecer o que há de pior na política brasileira, mesmo quando isso implicou em oferecer os governos de muitos estados àqueles a quem tratava como ladrões até outro dia.
O rei da cocada preta caiu do galho
É possível que os luas pretas que orientam José Serra tenham-se inspirado em alguns resultados recentes nas eleições do Continente – principalmente as vitórias pela direita de Sebastian Piñera, no Chile; Juan Manoel Santos, na Colômbia, e de Alan Garcia, no Peru. Este último derrotou o general Ollanta Moisés Humala Tasso, apoiado abertamente por Hugo Chávez.
A preocupação de identificar Serra com os eleitores de direita foi tão deliberada que até na propaganda eleitoral, ao falar de sua biografia, é dito que ele foi “presidente dos estudantes brasileiros”, omitindo propositalmente o nome da União Nacional dos Estudantes, a UNE, uma sigla demonizada pela ditadura.
Como o PSDB é muito mais uma empresa do que um partido político, tudo foi tratado sob a ótica do “mercado eleitoral”. Marqueteiros que desconhecem os intestinos partidários e nunca conviveram olho no olho com os eleitores, bem como jornalistas acostumados a análises de camarote cruzaram informações e venderam o peixe podre da vitória inevitável da oposição, por ser detentora de governos importantes como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul e por conta da própria condição de Dilma, uma marinheira de primeira viagem, imposta ao PT e ao espectro partidário situacionista pelo presidente Luiz Inácio.
José Serra se achava desde cedo o rei da cocada preta. Primeiro, definiu que qualquer um poderia ser o candidato da oposição, desde que fosse ele, alijando o governador Aécio Neves, que tem muito mais jogo e maior facilidade de lidar com o eleitorado para além das fronteiras de São Paulo.
Depois, manteve todo mundo de saia justa, à espera da sua fumacinha, que só foi irradiada no último dia do prazo, quando Dilma já havia saído da sombra e assumido o proscênio com um discurso estudadamente palatável, afinado com o modelo vitorioso de Lula, e até mais moderado.
Dilma foi mais ladina ao beijar a mão de dona Lily
Mais ousada do que o tucano, ela fez sua primeira aparição já como candidata justo na casa onde mais se conspirou contra o povo, onde o golpe de 64 foi negociado a peso de ouro, onde o assassinato de muitos “subversivos” foi brindado e onde Collor foi fabricado para impedir a ascensão de Brizola. Tendo a “comunista” Jandira Feghali ao lado, a ex-guerrilheira foi beijar a mão de dona Lily Marinho, na mansão do Cosme Velho que sempre foi o templo do poder paralelo no longo reinado do todo poderso Roberto Marinho.

Com o sorriso da "comunista" Jandira Feghali, Dilma tratou de beijar a mão da viúva de Roberto Marinho na casa que sempre foi o santuário da direita e dos queridinhos do imperialismo
Serra imaginou que a lembrança da Dilma “companheira em armas de José Dirceu”, como este alardeou ao passar o comando das Casa Civil, a tornaria um pesadelo para os defensores da propriedade, sejam os donos do agro-negócio que nunca foram tão favorecidos em nosso país como no governo petista, sejam os pequenos proprietários, sempre temerosos de perderem o que conquistaram a custa do suor do seu rosto.
Certo de que sua eleição eram favas contadas, Serra desprezou regras elementares da cartilha política. Seu vice só foi conhecido nos acréscimos do prazo. E, ao contrário do que se poderia esperar, ao invés de um jovem com a verve da cidade inquieta e cosmopolita, ele preferiu a farda do capitão Jair Bolsonaro, o herói dos porões da ditadura, indo chover no molhado com tal incompetência  que até sua aspiração compensatória de disputar a Prefeitura do Rio em 2012 pode ir por água abaixo.
Marina é uma peça do xadrez oficial
Dilma cuidou de cultivar a arte da prudência. Não entrou nas divididas em relação a quesitos sagrados da esquerda, como na mais recente ofensiva contra o reparo devido aos perseguidos políticos daqueles idos tenebrosos. E deixou que o seu inventor se expusesse nas polêmicas sobre as quais têm um domínio teatral invejável. Lula ganharia o Oscar como intérprete de uma tragicomédia em que seduz as massas com migalhas, não toca no cerne da injustiça social e ainda pode festejar o sucesso das elites, especialmente os banqueiros, cada vez mais ricos e mais concentrados.
Serra não percebeu que Marna Silva era um subproduto elaboado do governo a que serviu por sete anos, e do partido que liberou seu passe sem cobrar multa contratual, apesar da farisáica lei de fidelidade partidária. Seu papel na estratégia palaciana é tumultar o arraial oposicionista, tarefa que cumpriu com louvor ao desmontar a coligação no Estado do Rio, onde o candidato a governador apoiado pelos tucanos e democratas está de mãos atadas na retribuição devida.
Ainda em agosto de temperaturas amenas, já se prevê a vitória da debutante no primeiro turno e por uma margem avassaladora. Vitória que será também, como é do folcore político brasileiro, da velharia corrupta e arrivista, encabeçada pela figura deletéria do decano José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, vulgo Sarney.
Não me pergunte se ainda é possível reverter esse quadro patético. Nada em política é impossível. Mas acho que já é tarde, até porque o pessoal do Serra não sabe o que é “semancol”. Traduzindo: prepare-se para um longo e tenebroso período, que ainda partirá para uma espécie de governo de partido único, do tipo mexicano.
Bem feito, repito. Você pode dizer que nós não merecemos esse desenlace. Eu, porém, não tenho certeza disso.
Tentativa de calar o blog.

Esta semana, tiraram do ar o meu blog http://www.porfiirolivre.com/
Para resgar seu conteúdo, tive que mudar para http://www.porfiriolivre.info/
 Agora, você já sabe: o meu blog tem um novo endereço. É o “info” no lugar do “com”.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Quando o jogo baixo resvala e provoca o tiro no pé

“Eu tinha 19 anos, eu fiquei três anos na cadeia, senador, e fui barbaramente torturada, senador. E qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para interrogadores compromete a vida dos seus iguais. Entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido, porque mentir na tortura não é fácil”.
Dilma Vana Rousseff, 7 de maio de 2008, em resposta a uma pergunta estúpida o senador Agripino Maia, que emocionou a todos a acabou servindo para mostrar a simpatia do povo pelos rebeldes que se insurgiram contra a ditadura militar.
CLIQUE AQUI E VEJA A RESPOSTA QUE DEIXOU OS SENADORES NA SAIA JUSTA

Ao relembrar a jovem Dilma, a ÉPOCA acabou falando de alguém que arriscou a própria vida no combate á ditadura militar
Não fossem tão estúpidos os primatas mercenários que manipulam a mídia, saberiam eles ser elementar a regra de que a produção de matérias sob encomenda tende a ter o efeito do tiro no pé, principalmente quando o escarcéu transborda os decibéis do senso comum.
Sendo tão despreparados como são, tais figurinhas carimbadas desconhecem inteiramente elementos que produzem efeitos e reagentes opostos a seus propósitos maliciosos. Isto ocorre pelo vício do desconhecimento do contexto, pela insensibilidade em relação ao momento, pela rasa percepção ontológica e, pasmem, pela afronta deliberada às informações históricas.
Infelizmente – ou felizmente, eis o paradoxo sadio – essas lesmas mentais ainda têm a alimentá-las uma súcia de falsos profetas, impulsionados muito mais pelo excesso da carga de ódio inerente aos contendores sem causa e a má fé míope que não enxerga o abismo de suas atitudes mal pensadas.
Uma reportagem de cartas marcadas
Veja tudo isso com a clareza cristalina ao deparar-me com o último rebento do laboratório de placebos que uma gravidez mal sucedida deu à luz. Refiro-me, para ser mais preciso, à reportagem de capa da revista Época, destinada a destilar uma paranóia que já não povoa o inconsciente coletivo, como naqueles tempos obscuros em que uma ditadura de trogloditas recorria à fórmula surrada de Paul Joseph Goebbels, o marqueteiro de Adolf Hitler, segundo a qual “uma mentira muitas vezes repetida torna-se verdade”.
Não tenho a menor dúvida: essa reportagem sobre o passado rebelde da sagitariana Dilma Vana Rousseff quis alvejá-la no que poderia ser o esconderijo de alguns segredos comprometedores. Ela ficaria mal fita se a classe média que ainda paga R$ 6,00 por uma revista de conteúdo amorfo ficasse sabendo dos detalhes daqueles momentos em que a filhinha de papai trocou o conforto da vida burguesa, das festinhas prazerosas e da alienação compensada por uma proeza da qual não sabia se sairia com vida, ainda na flor da idade.
Como se falasse de uma delinquente
Dispondo do acervo do lixo autoritário, a revista incursiona pela vida juvenil da rebelde d’antão como se estivesse falando de uma delinquente sem ideal, cujas práticas se assemelhavam a dos bandidos que nos assustam e nos ameaçam.
A intenção inegável da publicação da família Marinho é “alertar” a cidadania para os “riscos” de entregar a chefia do Estado brasileiro a alguém que, em sua juventude, mergulhou na “ilegalidade” e esteve “associada” a práticas nada amistosas para tentar derrubar o regime ilegítimo imposto pelos tanques e pela insanidade, que só não foi mais trágico porque o capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho – o Sérgio Macaco – abortou o plano sinistro do brigadeiro João Paulo Burnier, então todo poderoso da FAB, que queria explodir o gasômetro junto à estação de trem da Leopoldina, provocar milhares de óbitos e culpar os comunistas.
Para os primatas que engendraram a matéria, com a fartura de informações sobre a Dilma rebelde estar-se-ia abalando sua meteórica ascensão, decorrente exatamente da incúria e da incompetência de uma oposição, cujos despautérios se converteram no elevador da candidata governista.
Não sei se tal travessura dá para rir ou para chorar. Pensar que o povo brasileiro vê como criminosa a meia dúzia de bravos que ousou expor suas vidas no confronto desigual e utópico contra uma tropa envenenado e maculada pelas práticas animalescas que hoje nega de pés juntos é demonstrar total falta de compreensão da alma humana.
Esquecem que Che Guevara é um grande ídolo
Se ser rebelde, se pegar em armas contra a tirania fosse mácula, Che Guevara não seria de longe o maior ícone da história, cujo rosto carismático é reproduzido por todos os cantos do mundo, despertando a incontida admiração não apenas dos afinados com seu poema escrito com o sangue do seu assassinato covarde, aos 39 anos de idade. Che Guevara, o grande rebelde do Século XX, é a imagem mais cultivada em adesivos, bandeiras e até tatuagem de gente como a modelo Gisele Caroline Bündchen, que não tem nada de comunista ou subversiva.
Na prática, ao lembrar que a agora bem comportada Dilma Vana Rousseff já foi alguém que se alçou em armas contra uma implacável ditadura militar a mídia maniqueísta está resgatando a corajosa idealista que o mau tempo se encarregou de enferrujar. Os seres humanos, que se criam no culto aos heróis, que sabem da maldição dos audazes, como Tiradentes, jamais poderiam imaginar que essa Dilma que está aí, cheia de si, disposta a dar continuidade à alquimia do sr. Luiz Inácio, é alguém que já teve a vida por um fio, que pagou com a tortura mais cruel e o sofrimento do cárcere por que teve peito de enfrentar os brutamontes sádicos que um dia já saciaram suas taras sob a armadura de um regime de força, tão perverso que submeteu ao silêncio covarde e cúmplice essa mesma mídia que hoje quer cantar de galo.
Só para assustar os potentados
Pode até ser que essa matéria, manipulada segundo as mesmas técnicas da elegia inquisitorial, tenha a repercussão desejada como condimento de uma fritura que afeta meia dúzia de potentados, aqueles que estão apostando na candidata oficial como garantia de que continuarão tendo o melhor ambiente para a realização dos seus projetos empresariais.
Pode ser, mesmo, que o objetivo da reportagem seja muito mais minar as pragmáticas relações do mundo do capital com esse modelo de poder que fez de um operário o mais abrangente condutor de um processo em que todos se sentem aquinhoados, mesmo que a alguns caiba o banquete das mais apetitosas iguarias e à grande maioria apenas a garantia de que não lhes faltará feijão no prato.
Mas no grosso, como tenho dito exaustivamente em vão, essa armação será mais um ingrediente oferecido de mão beijada pelos desesperados oposicionistas à coroa que está vivendo sua primeira experiência eleitoral com o horizonte de uma vitória inevitável. Será um presente igual à provocação do senador Agripino Maia, um pulha de carteirinha.
Eu mesmo, que passei todos esses anos no sereno da indignação explícita, já disse e repito: se for para voltar àqueles tempos em que o entreguismo e a corrupção eram protegidos à bala e à mentira, não contem comigo, nem com os parceiros que jamais contribuirão para um retrocesso sem só, nem piedade.
A nós interessa o passo à frente e mais nada.

domingo, 15 de agosto de 2010

De como a direita deita e rola, mesmo na “clandestinidade”

Diferenças cosméticas são incensadas pelo sistema, que mantém o controle sobre os negócios de Estado e os candidatos do pódio
“Pela primeira vez não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso? Querem conquista melhor do que em uma campanha a gente não ter nenhum candidato de direita? Porque antigamente como era a campanha? Era o de centro-esquerda ou de esquerda contra os trogloditas de direita. Era assim em toda campanha”
Luiz Inácio Lula da Silva, 16 de setembro de 2009, no 45º aniversário do IPEA.
Collor e Lula: direita e esquerda de mãos dadas -  tudo pelo poder
“É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma pelos mais carentes. É Lula apoiando Dilma, é Dilma apoiando Collor para o bem da nossa gente”.
Do jingle da campanha de Fernando Collor ao governo de Alagoas.

Trapaceiam maldosamente os que, por oportunismo ou má fé, tentam escamotear as históricas diferenças entre esquerda e direita. Tais malversações semânticas abstraem a própria origem dessa terminologia, que é anterior ao manifesto comunista de 1848, assinado por Karl Marx e Friedrich Engels.
Os epítetos remontam aos albores da Revolução Francesa, em referência ao lugar em que se sentavam as facções dos corpos legislativos franceses. A aristocracia sentava-se à direita do presidente e o terceiro estado (representantes do povo) à esquerda. Então, o ponto que definia o espectro ideológico era o antigo regime, cuja defesa – a direita - implicava o apoio aos interesses aristocráticos ou reais, enquanto ser da esquerda, implicava confrontá-los e pugnar por mudanças radicais.
O poder em primeiro lugar
Convém relembrar esse conflito para acentuar que persistem os fatrores da contradição básica, em que pesem a sofisticação e a mistificação produzidas nos tempos modernos. Em outras palavras: sempre haverá uma direita conservadora, reacionária, preocupada tão somente com a preservação do status quo, dos privilégios da classe dominante, e uma tendência identificada com a idéia de mudança, com a busca de uma sociedade que considere, em primeiro lugar, os dramas das imensas maiorias de explorados.
Essa linha divisória está longe de ultrapassada somente porque os políticos oportunistas resolveram recorrer à alquimia marota que transforma o controle do poder, a manipulação do Estado, em peça motora do processo social.
Esses políticos, com o consentimento e anuência dos formadores de opinião, sobrepõem ao conflito original uma nova equação: tudo consiste em ganhar o poder, nele permanecer ou a ele retornar.
Nessa sofreguidão insaciável, os políticos formulam teoremas de toda espécie para explicar atos e atitudes heterodoxas. São capazes das mais cínicas elucubrações para dourar seus conchavos imorais, que estão na raiz da corrupção do pensamento, responsável por todo um ambiente de licenciosidade, dilapidação e destruição dos pilares do Estado, privatizado não especificamente a serviço de uma classe, mas de alguns interesses de grupos, como já apontava Raymundo Faoro em “Os Donos do Poder”, publicado originalmente em 1958.
Assim, mesmo diante da maquiagem protetora, ainda é possível identificar direita e esquerda no processo atual, aqui e além mar.
A ausência do confronto no pleito de 2010
O pleito presidencial de 2010 no Brasil poderia até ser o supra sumo da tentativa de abolição dos elementos essenciais do espectro direita-esquerda. O sistema trabalhou ardilosamente no sentido de limitar a discussão pública na superfície, de forma a manter o vitorioso método que transforma a gestão das políticas de Estado numa química conveniente, graças à qual os grandes interesses econômicos são brilhantemente preservados e hipertrofiados, enquanto se concede um feixe de migalhas, ilusões e expectativas ao povaréu.
Antes mesmo de oficializados os candidatos presidenciais, em 16 de setembro de 2009, o sr.Luiz Inácio festejou a inexistência de “candidatos de direita” na sua sucessão. Isso aconteceria porque as forças e os interesses do conservadorismo entraram na “clandestinidade”, ante o desgaste imposto pelo processo histórico, preferindo a manipuladora penumbra dos bastidores.
Essa fórmula vingou a partir do esgotamento do método de confronto transparente, cuja maior expressão foi a ditadura militar, e do confronto subreptício, que produziu a mal sucedida experiência do governo Collor. Ambos trataram de sepultar suas matrizes, como é da fatalidade histórica: ironicamente é a direita que aniquila a direita, assim como é a esquerda que aniquila a esquerda.
A revisão semântica e operativa se deu a partir do governo Itamar Franco, fraco por seu caráter “tampão” e provisório, o qual deu certo na introdução do Plano Real, cujos pilares persistem até hoje, com o saldo conjuntural intocado: graças a seus fundamentos monetaristas, a inflação foi reduzida e se mantém sob controle e vigilância do QG monetário do Banco Central.
Manutenção do modelo como cláusula pétrea
Os resultados obtidos pela política macroeconômica se traduzem por uma férrea sustentação dos mecanismos de controle da inflação, em função dos quais seus efeitos colaterais são desprezados. Tanto é que a concentração de renda e o modelo de apropriação da mais valia permanecem no formato do mais perverso capitalismo selvagem: em termos de renda, a metade pobre da população brasileira ganha em soma quase o mesmo valor (12,5% da renda nacional) que os 1% mais ricos (13.3%). E o salário real encolhe, tanto pelo aviltamento do mercado de trabalho como pelo sucateamento dos serviços públicos, notadamente na educação, saúde e previdência.
Desde o governo FHC até hoje, perpreta-se uma fórmula de mascaramento da injustiça social através de subterfúgios como o Bolsa-Família, programa institucionalmente temporário, que opera alguma trasferência de renda para os mais pobres na inconsistência de um subsídio que distorce a própria natureza das fontes de renda rais. Mas que age como um poderoso elemento de chantagem eleitoral.
Meireles como símbolo da hegemonia do mercado
Os quadros da direita – isto é, dos interesses econômicos – permanecem à frente das políticas de Estado. O exemplo mais emblemático é o do presidente do Banco Central, o banqueiro Henrique Meireles, ex-presidente mundial do Bank Boston, que se elegeu deputado federal pelo PSDB de Goiás em 2002 e nem foi exercer o mandato, conquistado a peso de ouro. Por todos os motivos imagináveis, tornou-se o “tzar” da economia sob o governo petista.
Graças a esses quadros, a política tributária é a maior alavanca da dominação das elites. Ela espolia mais os assalariados na tributação da renda, a arrecadação direta, abrindo flancos para reduções e até isenções em benefício dos grandes conglomerados. Já na tributação indireta, os efeitos sobre os que ganham menos são ainda maiores: o décimo mais pobre sofre uma carga total equivalente a 32,8% da sua renda, enquanto o décimo mais rico, apenas 22,7%.
Diferenças cosméticas não preocupam o sistema
Os candidatos do topo não aprofundam as discussão sobre o modelo econômico, porque estão comprometidos com sua manutenção como uma cláusula pétrea. Esse acordo existe no papel desde 2002, quando FHC fez Lula, Serra e Cyro Gomes assinarem documento sobre a intocabilidade dos pactos com o sistema econômico.
Com a blindagem do modelo, a direita e o mercado não têm porque temer o resultado das urnas presidenciais. E ainda podem se dar ao luxo de acompanhar a tendência conservadora dos eleitores com a consolidação da fórmula de conciliação de classes e de interesses políticos exercitada com “louvor” no governo Lula.
Não há surpresa na aliança de poder que reúne em torno da outrora “subversiva” Dilma Roussef o rebotalho da direita de todos os tempos. Os direitistas profissionais não têm do que se queixar nesses oito anos de gozo e prazer. Lula trabalhou e fez concessões de toda espécie para plasmar uma aliança em que todos entram com uma excessiva dose de pragmatismo e apostam com tranquilidade num longo e delicioso reinado, no qual os renegados ideológicos se mostram ideais para a preservação das castas, consolidadas pelo assentimento tácito das massas exploradas.

domingo, 8 de agosto de 2010

Tem moral para censurar o Irã quem silencia diante do genocídio dos palestinos?


“A devastação de Gaza pelos israelenses, contra uma população civil cercada – e usando bombas, dinheiro e cobertura diplomática dos EUA – foi tão brutal e horrenda que mudou para sempre o modo como o mundo vê o conflito no Oriente Médio”
Glenn Greenwald, blogueiro de Salon.com, durante o massacre de Gaza, sobre o qual José Serra não esboçou um só lamento.

Os direitos humanos das crianças de Gaza não existem para Serra

Cearense, fosse fanático do Padre Cícero estaria me impondo uma sova de chicotadas por ter acreditado, nalgumas noites de verão, que José Serra seria uma alternativa aos meus temores sobre os destinos do Brasil.
Não me caberia outra forma de autocrítica porque já não sou mais criança e me considero, ao contrário, razoavelmente informado.
Mas quis este tempo de frescor agradável que o próprio Serra se encarregasse de mostrar-se e as suas entranhas na emblemática demonstração do mais explícito comprometimento com o que há de pior neste mundo hegemonizado por interesses espúrios e ameaçadores.
Hoje, no espelho de um agosto revelador, sou forçado a penitenciar-me para dizer, ainda a tempo e hora, que Serra também é um rendido ao que há de pior na atmosfera e não se peja em repetir os velhos scripts da hipocrisia mais obscurantista.
Sem olhos para o massacre de Gaza
Leva-me a esta deprimente conclusão sua insistência em alardear identificação com os direitos humanos para chacoalhar o relacionamento soberano e lúcido do governo brasileiro com alguns países amaldiçoados pela potência decadente e estigmatizados pela calculista beligerância sionista.
De fato, não há nada mais falso e mais indecente do que essa peroração. Ou terá autoridade para reclamar de qualquer coisa quem silencia ante o genocídio continuado do Estado de Israel contra o povo palestino? Que indignação esboçou Serra naquele 27 de dezembro de 2008, quando centenas de bombas letais israelenses afogaram Gaza numa imensa poça de sangue, deixando um rastro de 1400 mortos, entre tantos, 400 crianças e adolescentes menores de 14 anos?
Ou aos olhos do ex-presidente da UNE os palestinos, que já foram esbulhados em suas terras, já não têm direito sequer a viver no que lhes deixaram de sobra? Nem mesmo no impiedoso ataque a um navio com ajuda humanitária aos famélicos de Gaza no último 31 de maio, quando tropas israelenses fuzilaram 9 voluntários a bordo, o Serra que se jacta de defensor dos direitos humanos deu um único pio.
Centenas de bombas levaram luto a milhares de palestinos
Catilinária sob encomenda
Não acho que o regime do Irã é intocável. Governos teocráticos, em geral, tendem a misturar políticas de Estado com dogmas religiosos. Mas as críticas que sofre são tergiversadoras e emanam de outra matriz: é a sua pujança - a possibilidade de emergir no Oriente Médio como uma nação forte que assusta e move a campanha orquestrada para abatê-lo, mesmo à custa de uma catástrofe nuclear sem precedentes.
Por que Serra escolheu o Irã para saco de pancadas? Como já disse, não o motiva a catilinária de uma falsa indignação. Investigando melhor, fui ter com as íntimas relações do candidato tucano com o banqueiro Joseph Safra e a malha sionista que controla as finanças daqui e d’além mar. É desse bolsão de poderosos argentários que brota a sua inspiração. Outra fonte não há.
Tanto que o mesmo Serra não deu um pio quando da divulgação das fotos das torturas infligidas pelos norte-americanos aos iraquianos na prisão de Abu Ghraib, nem tampouco chiou contra a utilização da base naval de Guantánamo, em território cubano, que os EUA detêm pela força, como centro de torturas de iraquianos e afegãos.
Combustível para a guerra
E não é para menos. O sionismo anda ouriçado na articulação de uma ofensiva militar contra o Irã, único remédio prescrito por Israel como forma de “evitar um ataque futuro dos Iranianos”.
Há uma convergência de intenções entre os militares de Israel e dos Estados Unidos, estes ainda atordoados com a repercussão da crise econômica que está longe de superada. Para ter um suporte a tal agressão, admitida como possível pelo almirante Michael Mullen, chefe do Estado Maior norte-americano, e como próxima pelo general Michael Heiden, ex-diretor da CIA, faz-se necessária indispor os povos dos outros países contra o Irã, valendo-se de todo e qualquer pretexto.
O principal deles é a idéia de que o Irã, com grandes reservas de areias monazíticas, evoluirá inevitavelmente para a produção de sua bomba atômica. Estamos diante de outra hipocrisia grosseira: por que esses críticos nada dizem das 220 ogivas nucleares de Israel, nada falam sobre o arsenal atômico de Dimona, no sul do deserto de Neguev?
Em Jerusalém, corre que Israel chamará para si o início de uma ação militar contra o Irã. O ex-chefe da Mossad, Shabtai Shavit, afirmou recentemente que seu país não ficará esperando permissão dos Estados Unidos para atacar as instalações nucleares do Irã. Sobre a intenção de atacar, o governo já consultou até o general reformado Aviam Sela, responsável o ataque aéreo de surpresa contra o reator nuclear iraquiano há 27 anos.
Para os israelenses, o governo Obama não tem pressa de usar sua força militar contra o Irã. “As autoridades dos Estados Unidos preferem conduzir guerra psicológica, a qual bem poderá também ser o começo de uma guerra real”.
Em plena campanha eleitoral, José Serra formula seu alinhamento ostensivo e incondicional aos beligerantes de Israel e dos EUA, o que mostra uma espécie de imatura senilidade, na afoiteza típica de quem não tem escrúpulos na caça a toda e qualquer ajuda à sua pretensão obsessiva.
À cata de ajuda financeira
É provável que Serra tenha desbundado de vez ante a constatação de que o sistema financeiro está mais para Dilma do que para ele, conforme constatou Raymond Colitt, da agência britânica Reuters, em correspondência postada de Brasília no último dia 31. Em sua matéria, o analista citou Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes da Nomura Securities em Nova York, que teria admitido: "O sistema financeiro secretamente prefere a Dilma".
De fato, essa preferência pela continuidade da política econômica de Lula se reflete na minguada arrecadação de grana para a campanha tucana: com R$ 3,6 milhões amealhados até agora, Serra beliscou menos do que Dilma (R$ 11,6 milhões) e que a própria Marina (R$ 4,65 milhões). Menos até que o candidato a governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral (R$ 4,7 milhões).
É muito triste, porém, que, diante de um quadro financeiramente “desfavorável”, o candidato do PSDB-DEM-PPS tenha perdido o rebolado e o recato, apelando com acenos de uma política externa ao gosto dos grandes conglomerados bélicos.
Com tal expediente, vai continuar deslizando e fortalecendo a candidata noviça, que tem a seu favor a tendência eleitoralmente conservadora dos brasileiros. E deixando a oposição sem discurso plausível: ao contrário, exibe a tosca imagem de que se comprometeu até a medula com a volta ao passado de um alinhamento automático com os projetos de um Pentágono a serviço da indústria bélica, ainda poderosa na potência decadente. Alinhamento que já não interessa a um país emergente com inevitáveis aspirações internacionais e só serve para miniaturizar a figura de um chefe de Estado.

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O controle do petróleo na origem do conflito entre Venezuela e Colômbia
Análise irretocável de Wladmir Coelho, mestre em direito e historiador.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.