domingo, 28 de fevereiro de 2010

Nos braços de Cabral, mais uma punhalada na memória do caudilho

"O PDT tem tradição de candidatura própria no Rio de Janeiro e não podemos descartar o fenômeno Wagner Montes, além disso, não concordamos com a política de segurança do Cabral".
Carlos Daudt Brizola (deputado federal Brizola Neto), 10 de janeiro de 2010,na rede de TV CNT, programa “O jogo do poder”.

Lupi mais uma vez renegou Brizola para apoiar Cabral por ordem de Lula. Veja, o projeto de memorial de Brizola, criado por Niemeyer e destruído por Cabral já com a obra adiantada.


Em 1992, quando foi candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSDB, Sérgio Cabral Filho espalhou pela cidade um outdoor com a seguinte mensagem: “Quero ser um Marcello sem o Brizola para atrapalhar”.
Então, Marcello Alencar era prefeito filiado ao PDT. Cabral Filho dividia o controle do tucanato fluminense com o banqueiro Ronaldo Cesar Coelho.
Os tempos passaram e Cabral Filho foi para o PMDB. Juntou-se a Garotinho, fez-se seu candidato a governador em 2006, e, antes mesmo de tomar posse, rompeu com o patrono, levando de quebra o vice Pezão, ex-prefeito de Piraí, com 12 mil eleitores, que o ex-governador impôs para ter “um homem de absoluta confiança” no Palácio Laranjeiras.
Cabral Filho pode ter trocado de partido, mas permaneceu com seu discurso e suas práticas elitistas, com os quais pretende sepultar os últimos resquícios de brizolismo no Estado do Rio de Janeiro.
Esta obsessão, aliás, é a única marca do seu governo medíocre. Marca que se materializa com a implantação de muralhas para cercar em verdadeiros guetos 11 comunidades pobres da Zona Sul do Rio de Janeiro, a começar pela Rocinha, sem poupar sequer a Vila Benjamim Constant, na Urca, onde há mais de 50 anos pouco mais de 120 famílias, em sua maioria funcionários (e filhos) do Instituto Benjamim Constant (para alunos cegos), vivem pacificamente.
Essa obsessão é tão inflamada e marcante que o fez mandar destruir a obra em andamento do “Memorial Leonel Brizola”, iniciada pela governadora Rosinha Garotinho, no final da Presidente Vargas, num ato tão mesquinho que dispensou até uma satisfação prévia à família e aos partidários do grande patriota.
Ninguém sinalizou com maior ênfase sua aversão pelo caudilho. E foi mais além: com a eleição de Eduardo Paes para prefeito, o PDT, que o apoiou no segundo turno, ganhou a Secretaria Municipal de Trabalho, objeto dos projetos financiados pelo FAT, a fada-madrinha do Ministério do Trabalho, do pedetista Carlos Lupi.
Este, interessado na cadeia de repasse de recursos, tratou de negociar também a Secretaria Estadual do Trabalho, que seria entregue ao neto do caudilho, deputado federal. Quando viu que o indicado por Lupi tinha o sobrenome do velho, Cabral Filho recusou-se a fechar o acordo proposto e o PDT ficou fora do seu governo.
Não há, como se vê, uma única demonstração de que o dileto amigo de Eike Batista tenha rompido com sua ojeriza em relação a Leonel Brizola. É uma aversão existencial, mas tem muito a ver com as afinidades de Cabral Filho com um certo grupo de interesses, que cresceu na aba do neoliberalismo privatizante.
Quando decidiu manter o atrelamento do brizolismo a Lula (seu maior carrasco) o PDT de Lupi lembrou que Dilma Rousseff foi “companheira” de muitos anos. Esqueceu até que ela abandonou Brizola tão somente para manter-se secretária de Minas e Energia do governador Olívio Dutra (do PT), cargo para o qual havia sido indicada pelo PDT.
Agora, para justificar a adesão incondicional ao governador dos muros sociais, Lupi alegou que as feridas abertas por Garotinho, que também saiu do partido, justificam a decisão anunciada.
O que aconteceu, porém, foi que o PDT foi mais uma vez usado pelo centro do poder, ao qual se entregou de mala e cuia sem nenhum recato.
Cabral Filho exige que Lula feche incondicionalmente com sua ameaçada reeleição no Estado do Rio, embora Garotinho, com seu eleitorado construído no assistencialismo, tenha mais afinidade com a base residual do lulismo.
Sabendo que perder o apoio de Garotinho é uma “furada”, os cientistas políticos do PT bolaram esse contrapeso, entregando ao governador chorão a legenda brizolista na bandeja. O PDT não é hoje aquela fartura de votos de antigamente, mas só não tê-lo ao lado de Garotinho já é uma mão na roda.
Não estou aqui dizendo que o PDT deve aliar-se ao “aliado bastardo” de Dilma. Estou apenas relatando os fatos, até porque, a prevalecer o discurso histórico, o brizolismo sempre se deu melhor e preservou sua personalidade política quando foi de candidatura própria.
Mas me sinto na obrigação de cobrar o mínimo de respeito ao morto, imortal apenas para os queremistas restantes.
Quer cumprir a tarefa, é um direito de quem se apropriou das marcas e patentes, inclusive os herdeiros necessários. O pior já foi feito e o velho foi enterrado mais de uma vez a profundos 21 palmos quando sua legenda cedeu aos encantos das prebendas federais e quando embarcou na canoa de Eduardo Paes, o prefeito que quer resolver o problema da pobreza reeditando a fórmula do falecido Mário Salarini, secretário de Turismo do antigo Distrito Federal e fundador do Clube dos Cafajestes, que já em 1959 apontava a pintura dos barracos como forma de esconder a miséria, proposta que só serviu para inspirar Jota Júnior e Oldemar Magalhães, autores da marchinha carnavalesca “Favela Amarela”, sucesso na voz de Aracy de Almeida.
Mas abre o jogo de uma vez, sem essa de querer dourar a pílula de vida do Doutor Rossi.
Aproveita a adesão encomendada pelo chefe Lula e tenta tirar uma casquinha. Quem sabe não consegue uma ajudinha para os companheiros que não foram contemplados pelos baús da felicidade do Palácio do Planalto e do Palácio da Cidade...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Respeitem quem se insurgiu contra a ditadura

Quem espalha a ficha policial de Dilma é um energúmeno que ainda pensa como nos idos da intolerância
Uma indignidade repugnante
Quem acha que vai atingir Dilma ou qualquer combatente da ditadura pelo expediente da divulgação de suas fichas no DOI-CODI vai acabar prestando serviço a eles.

"A ditadura militar foi ação de parcela da oficialidade das Forças Armadas, em nome das classes proprietárias e do imperialismo, contra a população, com destaque para a trabalhadora. Ação que, para se materializar, agrediu violentamente os homens mais dignos de suas próprias fileiras".
Mário Maestri, professor e historiador.

Meu cérebro comprometido com as melhores intenções vive às turras com o cotidiano. Pode até ser que tenha uma tendência para a perplexidade. Mas também estou convencido de que isso é positivo e  só me ocorre pela leitura  rigorosa dos fatos.
Digo isso já meio sem forças ante a tragédia visível que a estupidez forja já na antevéspera de mais uma decisão sucessória. Pelo andar da carruagem, queiramos ou não, teremos uma mulher na Presidência da República. Dilma Rousseff poderá ser eleita já no primeiro turno.
Para isso, não precisa nem fazer campanha. Antes, pelo contrário. Basta deixar que os desnorteados próceres da oposição e os órfãos da ditadura se juntem no mesmo palanque para esbravejarem carcomidos impropérios, ainda subprodutos do lixo autoritário, espargidos nos porões assassinos do DOI-CODI, tentando exprimir ranços amargos à semelhança do solitário alemão, nostálgico dos tempos do nazismo.
Sinceramente, parceiros, não há nada mais deprimente do que esse discurso retrógrado e repugnante, que tenta alcançar a candidata do Sr. Luiz Inácio, por sua atuação no combate ao regime militar ilegal, usurpador, que tanto nos infelicitou, ao promover a destruição da liberdade e a estagnação do pensamento e das idéias.
Ficar dizendo que a jovem Dilma pegou em armas para enfrentar a ditadura militar todo poderosa, entreguista, corrupta, obscurantista, soa aos mais sensatos – que não são poucos – como uma recomendação positiva, um chamado ao conhecimento do punhado de bravos que trocou a tranquilidade de suas vidas resolvidas, futuros promissores, pelo risco do confronto desigual com forças armadas envenenadas e perfiladas na histeria macabra ao gosto do grande império norte-americano.
Tantos quanto os heróis da resistência ao nazifascismo, como os guerreiros de Nelson Mandela, os que se expuseram no combate aos sinistros aparatos da ditadura militar brasileira são vistos e serão sempre lembrados como aqueles que tiveram coragem e convicção para trocarem suas juventudes pelo restabelecimento do regime de direito e até pela eventualidade da construção de uma sociedade mais justa, demonizada naqueles idos tenebrosos, idos de que se envergonham até alguns dos seus protagonistas, como a mesma mídia cúmplice de então, que agora cospe no prato que comeu.
Pela lógica desses epítetos, foram terroristas e como tal devem ser amaldiçoados os maquis da França, os partisans da Itália e todos os grupos de resistência que recorreram às armas e à sabotagem para enfraquecer os arrogantes soldados do III Reich e executaram o ditador Benito Mussolini, contribuindo decisivamente para a vitória dos aliados, encabeçados pela Inglaterra, União Soviética e Estados Unidos.
É uma pavorosa indignidade apelar para a “ficha policial” de alguém que pagou caro por não aceitar a ditadura que rasgou a Constituição de 1946, derrubou o presidente constitucional, matou opositores em seus porões de torturas e sevícias, esmagou as liberdades, cassou e baniu da vida pública meio mundo, inclusive alguns dos seus aliados, como Carlos Lacerda e Ademar de Barros.
Indignidade cega e burra, diga-se. Porque pensa que consegue com isso criar embaraços para uma candidata que enfrenta as urnas pela primeira vez, logo na disputa do maior cargo republicano.
Eu, pessoalmente, estou enojado com esses e-mails canalhas que pretendem atingir a candidata situacionista com a divulgação da sua ficha juvenil. Quem faz isso ainda não acordou do pesadelo de 20 anos em que a “verdade” era monopólio dos esbirros da ditadura, que caiu de podre,  quando já não merecia o apoio nem dos seus subalternos.
É gente intolerante, nostálgica dos tempos em que o povo vivia sob o terror de um regime que prendia e arrebentava, que reprimia, calava, massacrava e se dedicava com esmero à pior das corrupções, a imposta e conservada pelo medo e pelo silêncio.
Só espero que ainda haja o mínimo de lucidez e maturidade nas oposições, até porque em suas fileiras há muitos que também resistiram aos verdugos, a começar pelo governador José Serra, ex-presidente da UNE, que viveu longos anos no exílio. Se querem ser competitivos, livrem-se desses imbecis nocivos e dispensáveis. Fujam de qualquer identificação com essa tentativa torpe de natureza inquisitorial.
Essa campanha presidencial é tema sério e tem eixos mais decisivos e mais razoáveis: é neles que devem se debruçar os contendores.
Porque, insisto, é muito mais limpa a ficha de quem se insurgiu contra a ditadura, não importa como - e é aos insurgentes que devemos em grande parte o direito de falar e escrever hoje sem medo de ir em cana – do que a folha corrida dos alcaguetes, financiadores e colaboradores do aparato criminoso montado nos porões da repressão ensandecida.
Era só isso que queria dizer hoje. Para que não prosperem sem a repulsa da sociedade pensante e atuante essas peças urdidas pelos fariseus de fancaria, que ainda não desistiram de serem os cavaleiros das trevas. E sofrem coléricos com o fim do arbítrio tétrico dos tanques e das baionetas.
Serra também era "perigoso subverviso"

José Serra também era fichado na ditadura como subversivo. E agora?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Prenderam o sujo. Quando vão pegar os mal lavados?

“Infelizmente, hoje em dia não existe ninguém na política brasileira que possa acusar o governador Arruda ou levantar a bandeira da honestidade de forma absoluta. Caso alguém o faça, será, como dizem no linguajar comum, o sujo falando do mal lavado".
Humberto Dantas, cientista político.

A prisão de um governador no exercício do mandato, fato sem precedentes na história republicana, é apenas a ponta de um iceberg mal cheiroso que revela a existência de um verdadeiro mar de lama na gestão do Estado brasileiro.
José Roberto Arruda, 56 anos, mineiro de Itajubá, era franco favorito nas eleições de 2010 até que o Ministério Público e a Polícia Federal passaram a contar com a colaboração de seu principal operador na captação e distribuição de propinas, em negócios sujos, comuns em todo o país, envolvendo políticos sem escrúpulos e empresários insaciáveis.
Seu governo era um amplo arco político, envolvendo partidos de todos os matizes, inclusive o seu DEM, PSDB, PMDB, PR e PDT. Até estourarem os primeiros filminhos da coleção particular do seu secretário Durval Barbosa, tinha-se como certa uma aliança na qual o senador pedetista Cristóvão Buarque tentaria a reeleição no mesmo palanque.
Meliante de ficha suja
Arruda não era marinheiro de primeira viagem. Formado na escola da corrupção dos órgãos do Distrito Federal, onde muitos políticos e empresários fizeram fortunas desde os primórdios da Novacap de JK e Israel Pinheiro, o engenheiro eletricista já havia sido pilhado com a mão na massa em 2001, quando foi forçado a renunciar ao mandato de senador pela violação do painel eletrônico do Senado, junto com o falecido ACM, durante a votação do processo de cassação do seu colega e mega-empresário Luís Estévão.
Nesse episódio, Antônio Carlos Magalhães acusou a então senadora Heloisa Helena de ter votado pela absolvição de Estévão, pilhado em superfaturamento e desvios de verba nas obras do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo, que valeram a prisão do juiz Nicolau dos Santos Neto.
O que levou o STJ a determinar sua prisão foi a tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra, uma figura típica do mundo midiático local. Através de um auxiliar, que tentou apontar como farsante, Arruda mandou comprar um depoimento de encomenda com R$ 200.000,00 de entrada àquele que estava por trás das denúncias negociadas pelo operador, já investigado desde o governo Roriz, onde, aliás, o governador preso iniciou sua carreira política como chefe de Gabinete.
Isso tornou inevitável a decretação de sua prisão. Ele estava tentando manipular os depoimentos, como forma de evitar sua condenação, apesar da coletânea de filmes reveladores.
O espetáculo da impunidade
Presume-se que sua prisão fecha todas as portas para que continue à frente do governo do Distrito Federal. Como seu vice, o empresário Paulo Otávio, também está sendo investigado, não será surpresa se o STF acatar o pedido de intervenção, formulado pelo procurador geral da República.
Vistos e revistos os fatos relatados, sobram indagações das pessoas decentes que ainda tentam acreditar na viabilidade do regime democrático: e os outros bandidos políticos, quando serão objeto do mesmo tratamento de choque?
Até hoje, não se sabe da prisão de nenhum cartola envolvido no mega mensalão federal, capitaneado por José Dirceu de Oliveira e Silva, chefe da Casa Civil do presidente da República, hoje um dos principais formuladores da campanha de Dilma Rousseff, a candidata que Lula tirou do bolso do colete.
Nem de tantos outros protagonistas de um balaio de crimes contra o erário, todos minuciosamente detalhados pela Polícia Federal.
Ao contrário, o espetáculo da impunidade mostrou seus relevos no próprio âmbito da Justiça, quando o presidente do STF, o diamantino Gilmar Ferreira Mendes, mandou soltar duas vezes o banqueiro Daniel Dantas e ainda, de quebra, abriu processo contra o juiz Fausto Martin de Sanctis, uma espécie de emblema do que ainda existe de íntegro nesses podres poderes, ímpeto que alcançou também o delegado Protógenes Queiroz, punido após ter se recusado a livrar o banqueiro, mediante oferta filmada de R$ 1 milhão.
Se Arruda foi mal na tentativa de suborno de testemunha, não vejo diferença na conduta do então ministro Antônio Palocci, envolvido na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, testemunha ocular dos bacanais da nova elite na Brasília desvairada do Lago Sul.
Ambos os atos tinham o mesmo afã de desclassificar ou subornar testemunhas. Palocci, no entanto, foi totalmente inocentado no Supremo e não se falou mais nisso. Hoje, pontifica como um dos homens de ouro do PT e pt saudações.
Regime fernenta seu apodrecimento
Tais exemplos servem para demonstrar o que já disse aqui: com raras exceções, a corrupção campeia de cabo a rabo nos podres poderes da República. Ela é decisiva em todos os entes públicos – a começar pelas câmaras municipais, muitas delas beneficiadas por mensalões paroquiais oferecidos por empresas de ônibus e empreiteiros.
No entanto, de tanto banalizarem tais delitos, ninguém se sente roubado ou disposto a estrebuchar. A sociedade acostumou-se com a fatalidade da patifaria. No Brasil emasculado de hoje, existem dois tipos de corruptos: os do armário e os já pilhados; os das nossas cores e os adversários.
Há alguém mais mal lavado do que o todo poderoso senador José Sarney, cujas façanhas criminosas são dissecadas em detalhes por Palmério Dória em seu livro “Honoráveis bandidos?”
O xilindró do governador José Roberto Arruda é o de toda essa canalha que se dedica 24 horas por dia a meter a mão no dinheiro público de um país campeão em extorsão de impostos, comprometendo a democracia representativa, tão trôpega que fermenta seu próprio apodrecimento, tornando-se letra morta ante a hegemonia ostensiva e festejava de quadrilhas de todos os matizes e naipes.
Resta saber se a abundância de delitos fará a sociedade perceber que sua omissão é ingrediente cavalar desse triste espetáculo criminoso.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

No massacre dos trabalhadores e aposentados da Varig a verdadeira natureza do governo Lula


“O tempo é justiceiro e volta a pôr tudo no seu devido lugar”.
Voltaire, pensador francês (1694-1778)

O crime continuado cometido pelo governo Lula contra os trabalhadores da Varig e seus aposentados e pensionistas acaba de exibir um dos seus capítulos mais perversos, reforçando tudo o que tenho dito sobre a grande fraude política implantada em nosso país por um governo que é capaz das maiores indignidades contra o povo.
É algo tão monstruoso, tão repugnante, que me obriga a pedir o julgamento sereno de todos, inclusive dos que acreditam que o governo de petistas & cooptados representou um avanço no campo das conquistas sociais.
Mostra a dupla face de um processo deliberado de massacre de uma categoria numa operação coordenada que se dá com a conivência ostensiva do sindicato, cujos cabeças foram previamente imobilizados com a concessão indevida e imoral de um benefício inscrito na Constituição de 1988 como uma reparação destinada exclusivamente aos que comprovadamente tiveram suas vidas profissionais afetadas e destruídas na ausência do regime de direito.
Refiro-me neste instante à resposta cínica da Advocacia Geral da União à consulta de Cristiane Gonçalves sobre a abertura de negociações, forçada às véspera do julgamento no STF de um processo que se arrasta há exatos 18 anos, cuja decisão seria fatalmente desfavorável ao governo, como aconteceu em 1957 em pleito semelhante reclamado pela Transbrasil.
O leilão como ponto de partida

Para você que não conhece os detalhes, vou tentar recapitular de forma sumária: desde 20 de julho de 2006, quando a Varig foi entregue de mão beijada a um fundo de investimentos norte-americano, representado pelo chinês La Chan, num leilão de 30 segundos pela existência de um único participante, seus trabalhadores foram para o olho da rua sem direito sequer aos salários atrasados. (Clique aqui e lei texto de Paulo Resende, comissário aposentado da Varig).
A Varig foi a primeira empresa a ser levada ao garrote vil com a aplicação da Lei 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, votada pelo rolo compressor parlamentar capitaneado pelo PT, que excluiu os trabalhadores como credores prioritários, tal como constava no Decreto-Lei nº 7.661/45, revogado pelo artigo 200 dessa nova Lee.
Numa Vara empresarial, a questão dos trabalhadores passou a ser totalmente subordinada à nova legislação, cujo escopo era permitir o sacrifício dos direitos trabalhistas ante a eventual possibilidade de “recuperação da empresa”.
O leilão foi ordenado pelo juiz Luiz Roberto Ayub, da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que trabalharia sob a égide de uma Lei ainda sem precedentes. Mas teve a concordância formal do Sindicato dos Aeronautas, cuja presidente, Graziela Baggio, gozava de uma “segunda anistia”, obtida em 2004, que lhe garantia uma pensão vitalícia de R$ 7.300, reajustável anualmente e com direito aos “atrasados” de R$ 648 mil, por ter sido demitida numa greve na Vasp em 1988, tendo deliberadamente recusado a reintegração na empresa, que foi garantida em 1989 a todos os 27 punidos originalmente.
A dívida do governo no STF
A partir do leilão, com decisões judiciais que excluíam a Justiça Trabalhista do caso, as esperanças dos trabalhadores e aposentados se voltavam para a dívida do governo com a Varig, provocada pela defasagem tarifária do Plano Cruzado, que poderia chegar a mais de R$ 6,5 bilhões.
A Varig é devedora de quase R$ 4 bilhões ao Aerus, fundo de pensão dos seus trabalhadores, que está sob intervenção e virtualmente falido. As tratativas feitas a parir da insolvência previam que, com o a decisão sobre a dívida proferida pelo STF, o fundo teria recursos para honrar seus compromissos com 9 mil beneficiários.
No dia 24 de março de 2009, às véspera do último julgamento - Varig ganhara nas instâncias inferiores - o então advogado geral da União, José Antonio Dias Toffoli, pediu sua suspensão, prometendo uma proposta de acordo num prazo de 60 dias, no que contou mais uma vez com o servil beneplácito do que resta do sindicato da categoria.
Pesava ainda contra o governo decisão do Superior Tribunal de Justiça, de 2006, que considerou a União responsável pela complementação do pagamento dos benefícios dos quase 11 mil aposentados da Varig.
Passaram-se 60, 120, 240 dias e nada. A manobra torpe e desumana criou mais uma vez uma angustiante esperança entre os massacrados do Aerus, que vivem uma situação de penúria desesperadora: desde a intervenção, em abril de 2006, morreram 336 aposentados do Aerus, aumentando em 41% o número de óbitos por ano. Aconteceram alguns suicídios, outros morreram de depressão profunda, muitos faleceram por falta de assistência médica adequada.
A cara cínica da torpeza
E o acordo? José Antonio Dias Toffoli catapultado ao Supremo aos 41 anos, trocou de cadeira para uma em que permanecerá até os 70, enquanto a possibilidade de uma solução que garantiria direitos elementares de trabalhadores e aposentados virou um grande e perverso engodo.
É o que ficou claro da informação prestada pela mesma Advocacia Geral da União que tomou a iniciativa de acenar com tal acordo. Numa reviravolta que não me surpreende, conhecendo as peças que estão à frente do governo, o “ouvidor” da AGU informou do sepultamento da solução prometida:
“Todavia, conforme restou demonstrado no Relatório Final do Grupo - entregue aos patronos dos sindicatos - e, sem embargo dos esforços empreendidos pelo Grupo de Trabalho, foi identificado óbice intransponível à realização do acordo, qual seja a impossibilidade de realizar qualquer transferência de recursos para o Instituto AERUS, tendo em vista a norma inserida no artigo 100, da Constituição Federal, relativa ao sistema de precatórios judiciais. No mesmo sentido, inclusive, é a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que ao interpretar o referido dispositivo constitucional, afasta qualquer possibilidade de eventual acordo judicial se sobrepor à ordem de apresentação dos créditos, decorrentes das sentenças transitadas em julgado. Assim é que, por estrita obediência às diretrizes legais e constitucionais, o Grupo de Trabalho deixou de apresentar proposta de acordo."
Diante dessa alegação, no mínimo poderíamos inferir que o ministro José Antonio Dias Toffoli e os “patronos dos sindicatos”, a terem frequentado uma faculdade de Direito, sabiam de antemão desse patético desfecho, isto é, que a oferta do acordo era uma farsa destinada tão somente a tirar a matéria da pauta do STF. A própria Constituição é apontada como entrave à solução prometida “sob juramento” e com o aval dos sindicatos, como compensação pelo adiamento da decisão judicial.
Este é um fato concreto e demonstra claramente a má fé crônica dos canastrões que chegaram ao poder em nome da classe trabalhadora e que esperam ter o apoio das próximas urnas para nele perpetuarem-se.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Porque o tempo é senhor, o silêncio pode falar mais alto

Escoltado pelo "comunista" Orlando Silva, ministro dos Espoertes de Lula, Sérgio Cabral foi tirar Tony Blair do sufoco, ante as acusações dos ingleses de má fé no envolvimento do seu oaís na invasão do Iraque.


“Senti vergonha como brasileiro, quando vi uma camisa tão simbólica como a camisa 10 sendo entregue a um criminoso de guerra”.
Paulo Coelho, escritor

Já faz algum tempo que não produzo e não lhes envio uma única linha. O mundo está virando de cabeça para baixo e eu permaneço calado, como se tivesse perdido a voz. Estamos comprando aspargos da China, vendo o mago Paulo Coelho irado com a exumação do cadáver político de Tony Blair, outra presepada do Cabral, e não me animo a atirar uma única lança. Logo eu, que vivo dos pingos de letras desde os 17 anos – isto é, há quase meio século.
Muitos não sentem falta das minhas prosopopéias. Alguns, porém, as nutrem. Habituaram-se a elas. Oswaldo, mais que advogado, quase um anjo da guarda, é o primeiro a cobrar uma peroração qualquer. Não admite o meu sumiço do seu computador. Não aceita que me suma de mim mesmo.
Devo-lhe oxigênio, carinho e respeito. Pelo que entendi da vida, se há uma única alma a quem teu canto encanta, a sonata de tua inquietação é tão devida como se a uma numerosa turba.
Eis a confissão de dívida. Somos prisioneiros de quem cativamos. Nem os próprios embaraços pessoais nos desembaraçam dessa síndrome benigna.
Disso eu sei e disso não me furto, nem que o mundo caia sobre minha cabeça vulcânica.
O diabo é a torrente de indignidades que se despeja em enxurradas patéticas, num círculo de alto teor lobotômico, enfeixando cargas letais de esquizofrenias, depressão e industriada inconsciência social.
Prostra-me, sim, repito mais uma vez, a total ausência de elementos críticos na indução dos hábitos. O culto servil da alienação.
A internet, como tudo na civilização, é uma afiada faca de dois gumes. Dois ou mais.
O comum é a automatização no repasse de veleidades espargidas por gente amarga, sem pé e sem cabeça, sem noção do passado e do futuro. O jogo da mentira atravessa mares nunca dantes navegados. Uma torcida implacável de interesses contrariados, feridas não cicatrizadas, ambições insaciáveis e vaidades descomunais carrega suas tintas sobre uma rede eletrônica que só não explode porque não tem olhos, nem ouvidos.
Na roda viva da moderna individualização dos silogismos e dos aforismos parvos, a audição e a visão foram esmagadas pela transformação dos seres humanos em máquinas falantes de sensibilidade programada, perdidas no desencanto estéril e desencontro enganoso que agridem o bom senso e fulminam a lucidez, feita inconveniente e dispensável.
Isso afeta gravemente a quem acha que a palavra pensada é a última flor do Lácio, com seus inerentes poderes de alerta e convencimento. Afeta e afoga ao produzir a apocalíptica sensação de que o sonho acabou, destituindo o homem de toda e qualquer virtude, da pureza das utopias, restando-lhe tão somente a corrida sórdida para si e para os seus dos subprodutos de uma civilização eivada dos piores ingredientes do pragmatismo arrivista.
É como se fossemos golpeados antecipadamente pelo aviso da inutilidade das polêmicas incisivas e da inviabilidade do proselitismo crítico.
Tudo o que possa vir à mente parece exaurir-se na muralha erguida pela tecnologia do amém, pela bitola virtual que conduz à vala comum da pequenez abjeta, da cumplicidade inconsciente, da banalização da indulgência.
É penoso cavalgar no pântano, até porque a má sorte está lançada nas asas da mediocridade triunfante, essa borbulhante usurpadora, sustentada pela vassalagem torpe.
Bem que eu queria trançar minha inquietação com a sua, partilhar honestamente das minhas insatisfações, dúvidas e até das poucas luzes que emanam de momentos raros.
Mas não sei, sei não. O pior que me pode acometer é a idéia de um visitante indesejado, cujas palavras incomodam e cujo inconformismo afigura-se jurássico e perdido no tempo e no espaço.
Esse é o perverso ingrediente do silêncio imobilista, que começa a falar mais alto ante a única certeza visível: o tempo é o senhor, é o mestre, e a vara de condão.
É dele que espero o sinal cristalino, cujo poder inesgotável haverá de remover montanhas.
E nos tirar desse breu macabro.

Enquanto exportamos minério bruto e soja, compramos qualquer coisa da  China para compensar a balança - até aspargos. Tudo pela glória do nosso "agro-negócio".

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.