sábado, 23 de outubro de 2010

Foi quando me perguntei, taciturno: cara, onde fui amarrar meu cavalo?

"Nunca votei no Brizola, tenho horror ao Brizola. Ele arrasou com o Rio de Janeiro"
Índio da Costa, vice do Serra

Com o discurso do sarcófago da intolerância, Índio da Costa tornou explícita a natureza reacionária do projeto de Serra
 Como disse antes, imaginava que José Serra, ex-presidente da UNE, participante do histórico comício do dia 13 de março na Central do Brasil, ao lado de João Goulart, fosse imprimir um verniz progressista à sua campanha.
Não precisa ser cientista político para perceber que Lula cresceu na queimação da “herança maldita”, deixada pelo governo FHC e antecedentes. Mesmo equilibrando-se nas vigas da política econômica herdada, mesmo sem refazer nada do que recebeu, sem questionar as falcatruas das privatizações, que permanecem incólumes, ele executou com maestria a sobreposição do discurso sobre os fatos.
Aos olhos cândidos de uma população lobotomizada não foi difícil vestir o figurino da mudança, enquanto costurava com linhas douradas as máscaras de pai dos pobres. Para isso, só precisou unificar numa única plataforma sedutora os programas sociais criados por seus antecessores, desde o tempo do tíquete de leite distribuído por Sarney.
Inteligente que só ele e, provavelmente, bom de ouvido, Lula cristalizou a idéia de avanços sociais pelo caminho dissimulado das políticas compensatórias, mesmo com o sepultamento de projetos transcendentais como a reforma agrária.
Lula fez-se a imagem do avanço, enquanto cativava banqueiros e associados, que nunca tiveram tratamento tão senhorial, e subordinava as estratégias produtivas ao agronegócio, que está restaurando o feudalismo moderno, sob o controle de uma meia dúzia de potentados, principalmente nos vastos territórios do Centro-Oeste e do Norte do país.
E foi mais longe, com seu talento inegável: sem tocar nas feridas, abocanhou os grotões que serviram de currais ao voto dos partidos conservadores, amarrou com alguns favores os segmentos religiosos mais organizados, como a Universal, cooptando de lambuja boa parte dos adversários “à esquerda”, todos agraciados com a materialização dos seus sonhos políticos de consumo.
As tralhas do obscurantismo no discurso da oposiçao
A oposição dem-tucana (e mais os revisionistas do falecido partidão, apelidado hoje de PPS) foi definhando ao longo dos oito anos de governo petista porque não percebeu e não aprendeu nada. Antes, pelo contrário. Tinha de trabalhar uma alternativa de alternância do poder pela busca de referências identificadas com o avanço. Mas optou pelo regate do atraso, indo ao encontro de uma memória turva que imaginava poder reacender o inconsciente da paranóia atávica e erguer bloqueios capazes de prostrar a fleuma da campanha oficial.
Essa opção pela direita mais reacionária, mais mofada e mais rancorosa ganhou corpo com a inesperada indicação do vice-presidente, o desconhecido deputado Índio da Costa, saído das cartolas aturdidas do DEM, já nos acréscimos do prazo para registro da chapa.
Índio padecia de psicopatias congênitas e, ao invés de querer ser o novo, cedeu à química do seu DNA, vestindo a túnica lúgubre e mal-cheirosa dos verdugos que se sustentavam no poder à base de soníferos extraídos da semeadura do medo, do terror de Estado, do lacre do pensamento e do cerceamento das liberdades.
Por impulsos de um exibicionismo obsceno ou instruído por aprendizes de feiticeiros, Índio da Costa carregou suas tinturas medievais em tal volume que a campanha dessa oposição diabética perdeu a doçura do sonho e submeteu-se ao discurso da casa grande, com gratuitas e primárias agressões à memória protegida pelo féretro.
Ao atacar gratuitamente Brizola, a quem tanto deve o pretenso mago que o retirou do nada para o pódio presidencial, Índio ressuscitou a fala indigna que foi usada maldosamente para barrar a ascensão natural do líder que governou dois estados (o Rio, duas vezes) e hoje é uma admirável referência até pelos seus desafetos, acabrunhados com o boicote do projeto educacional que teria evitado tanta violência e remetido jovens pobres para as universidades públicas pela porta da frente.
O vice de Serra ofereceu na bandeja o prato cheio de um projeto de governo com todos os condimentos do mau-caratismo de da sujeição às elites que podem ter engolido o sapo barbudo, mas jamais assimilaram o caudilho nacionalista e “inconfiável”.
E aí caiu a ficha, mexendo com meus brios
Esse aloprado inconveniente, que teria o mesmo destino eleitoral da maioria dos seus parceiros derrotados nas últimas eleições, não possuía nenhuma legitimidade para nada, tamanho o acaso que fez dele o candidato a substituto do presidente da República.
Acaso muito mais impertinente do que levou o PT a endossar a candidatura de uma cristã nova, por decisão pessoal e cupular do Sr. Luiz Inácio. Mesmo guardadas as diferenças dos cargos, ficou claro que o PSDB pagou caro pelos minutos no rádio e tevê do DEM. Quem tem um vice tão descompensado como esse Índio da Costa não precisa de adversários para sucumbir.
Com suas diatribes idiotas, com essa empáfia nos ataques covardes à memória de Brizola, Índio da Costa conseguiu pôr Serra na rabeira dos grãos candidatos no Estado do Rio, onde milita. O tucano teve não mais de 1.925.166 (22,53%), praticamente a metade de Dilma, (3.739.632 - 43,76%) e bem atrás de Marina (2.693.130 – 321,52%).
Foi exatamente no bojo da prevalência desse discurso odioso que caiu a ficha e eu me perguntei: cara, onde fui amarrar meu cavalo?
Como poderia ter acreditado numa mudança para melhor com gente dessa casta?
Meu Deus, disse-me, será que a idade nos faz retornar à ingenuidade infante?
E agora, - pensei naquele então - o que me resta, além de migrar para a candidatura quimérica do Plínio?
E mais agora, neste exato momento, às véspera do apito final, onde vou digitar meu votinho que não decide nada, mas que reputo sagrado, impregnado de todos os critérios patrióticos perceptíveis, de toda a responsabilidade política imaginável?

Dilma encosta em Serra na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE
Com 229 votos já postados, Dilma Rousseff encostou em Serra, na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE. Às 2 horas da manhã deste dia 23, o tucano havia recebido 105 indicações (45%), enquanto a candidata petista somava 102 (44%), cálculo feito automaticamente pelo programa do “blogspot”. Os indicativos de votos nulos somavam 16 (6%), indecisos, 5, e branco, 1. Você ainda tem mais 7 dias para votar. Reiteramos que essa enquete não pretende ser uma pesquisa, mas refletir apenas manifestações espontâneas dos leitores do blog e de nosso JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA. Para votar, clique aqui. Depois confira o resultado.

Um comentário:

  1. Anônimo12:24 PM

    Pois é !!! É phoda, mano !!!

    Depois da farsa NAZISTA da "bolinha de papel" ou do "rolinho de fita adesiva", as minhas dúvidas acabaram. O Serra e sua turma (Globo-Veja-Folha-Estadão-Etc.) são capazes de tudo. Socorro !!! Qual será a MANIPULAÇÃO desta próxima semana. Como garantir que as Urnas Eletrônicas não serão manipuladas ???

    Por pior que sejam, a Dilma e sua turma, são melhores do que a turma do Serra.

    Não vou correr risco: Voto 13 = DILMA. E vou para a oposição construtiva.

    "Viver é lutar"

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.