segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Apenas alguns apontamentos sobre as eleições de 3 de outubro

"Para pesquisar a verdade é preciso duvidar, quanto seja possível, de todas as coisas, uma vez na vida."
René Descartes (1596 - 1650) filósofo, físico e matemático francês

É preciso muita calma nessas horas. Qualquer achado precipitado sobre a manifestação das urnas poderá pôr a perder a visão correta dos próximos passos. Porque o final do primeiro ato, nesse palco iluminado, terá que ser a fonte de novas estratégias para gregos e troianos.
Eu mesmo não acreditava que o refluxo da candidata oficial levasse à derrapagem fatal, que vai lhe custar mais um mês para tentar realizar o desejo do príncipe operário, que contava com uma peripécia não conseguida nem por ele mesmo nos pleitos que venceu.
Para entender a eleição maior, há que vasculhar todos os resultados, estado por estado, cargo por cargo. Não que haja vinculação estreita entre os votos recebidos por cada um. Mas temos que meter o olhar sobre os mapas e considerar todo e qualquer sintoma constatado, captando seu poder de irradiação.
Assim, penetraremos nos segredos das urnas e poderemos imaginar o que será do amanhã.
Sinto-me no dever de esmiuçar todos os elementos de informação perceptíveis. Muita coisa já saquei: há tragédias aos borbotões, envolvendo os vários escalões. À primeira vista, já vi o crepúsculo de uma legenda. Que pena. Mas esse era o resultado previsível ante a total irresponsabilidade de quem pôs sessenta anos de história no colo de um megalomaníaco sem escrúpulos, em troca de algumas prebendas.
Vi claramente também a decadência do discurso de direita. Não podia imaginar que um candidato com as qualidades e a cultura de um Cesar Maia fosse amargar 11% dos votos para senador, num pleito de duas vagas. Isto é, de fato, o que lhe restou foi um acervo de 5,5%. Ele ia bem até a hora em que inventou o Índio da Costa e este passou a fazer o discurso do Bolsonaro, isto é, a irradiar terrorismo midiático com leviandades como repetir a sandice de que Dilma era apoiada pela “narco-guerrilha” colombiana.
Na verdade, digo com toda segurança: o campeonato da política é decidido por PONTOS PERDIDOS. Entendeu? São os erros dos adversários que definem o placar. Isso eu vou demonstrar nos próximos escritos.
Neste momento, esse subir e descer das ondas sinaliza para o mais hermético dos mistérios. Tudo pode acontecer daqui para frente. Há precedentes que confirmam sem pestanejar: o segundo turno é rigorosamente uma outra eleição.
Mas, desde já, valem duas observações:
1. Esses institutos de pesquisas não valem coisa nenhuma. Ou por incompetência, ou por má fé, venderam gatos por lebres. E não foi só na eleição presidencial. Exemplos mais reveladores foram as previsões para o Senado em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Ceará. Punham Aloísio Nunes lá atrás de Marta e Netinho na preferência dos paulistas. E ele deu um banho em ambos. Entre os gaúchos, davam a derrota de Paulo Paim como favas contadas. E ele foi o mais votado. No Ceará, Tasso Jereissati era pule de dez. E ele caiu do cavalo.
2. O que realmente engrossou o refluxo de Dilma Rousseff foi o espetáculo da arrogância que contaminou toda a tropa petista, do seu messias ao último dos militantes. Cheguei a dar conselhos a alguns bobalhões que já falavam em mais 8 anos de reinado, a partir do dia 3 de outubro, com expressões chulas e humilhantes.
O que tenho a dizer a respeito dá um livro. E não me manifesto como partidário. Por todos esses anos de estradas e barreiras, impus-me uma relação honesta com quem me honra com sua leitura.
É essa convicção que me permitirá repassar minhas análises e receber também suas contribuições.
Até breve.
Pedro Porfírio

5 comentários:

  1. Anônimo1:25 PM

    Como disse Ruy Barbosa: "É foda, mano !!!"

    Como tudo é relativo, só me resta votar na DILMA, que é uma MERDA menor do que o SERRA.

    Com a Dilma/Lula/PT poderemos ser uma semi-Colônia, relativamente próspera, parcialmente sugada e explorada pelo Capital externo. Isto é, sobra alguma coisa para nós, brasileiros.

    Com o Serra/FHC/PSDB seremos uma completa-Colônia, totalmente sugada e explorada pelo Capital externo. Isto é, não sobrará nada para nós, brasileiros.

    O BRASIL é um país muito rico, mantido na pobreza pela ignorância-política da maioria dos seus "contribuintes-eleitores" e pela ganância, pelo aculturamento, pela hipocrisia e pelo entreguismo dos seus governantes.

    O roubos que a grande-Mídia noticia são mixaria, perto dos grandes roubos que são omitidos, tais como:
    - Dívida externa, que virou interna, com juros maiores;
    - Privatizações piratas;
    - Contrabando de minérios, madeiras e plantas medicinais;
    - Leilões da Petrobrás;
    - Compra de terras, usinas de álcool e de biomassas, por estrangeiros;
    - Etc., etc.;
    Setenta (70%) por cento do PIB brasileiro já está nas mãos de estrangeiros.

    Feliz 4010 !!!

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  2. Anônimo2:25 PM

    Realmente não dá para entender, o povo não sabe realmente pensar e analisar, infelismente, são poucos, muito poucos.
    Recentemente li uma reportagem sobre a educação, onde é apontado que 5% da população realmente sabe ler e escrever e domina matemática, em uma maioria de analfabetos, e analfabetos funcionais. Daí isso refletir-se nas urnas, ora pos como diria o Cabral. Se fossem realmente mais atentos e dominassem melhor a leitura e a escrita, e se tivessem realmente interesse cívico de verdade, prestariam melhor atenção no que diziam cada um, fariam uma avaliação correta do que viam e ouviam. Mas infelismente se deixam levar pelo disse me disse, onde o único que atacou de fato as mazelas do país foi o Plínio Arruda, em segundo a que postou alguma proposta foi de fato a Marina, muitos realmente viram isso, daí a expressiva votação dela e uma grande quantidade de votos do Plínio, mas a maioria não viu nada, como sempre. Pois se realamente vissem alguma coisa teriam evitado tudo isso em 1960, ao invés do homem louco da vassoura, votassem num democrata e nacionalisa como o Mal. Lotti, tenho certeza de que o país teria outros caminhos.Quando o povo acerta temos o exemplo da cidade do Rio de Janeiro, quando elegeu o Carlos Lacerda para governador, ele pode ter sido um político aguerrido, e até ser chingado de fdp, mas foi o melhor administrador que a cidade já teve, ela se mexe e ainda toma banho por providências administativas e obras que foram feitas há 50 anos atrás.Isso é uma verdade absoluta, indiscutível, e inalienável queira ou não queira quem quer que seja.
    Agora o povo se colocou numa ratoeira. Dilma e Serra são semelhantes, haja visto de onde os dois são ladeados.
    O voto obrigatório é antidemocrático é uma ditadura, é obrigar o indivíduo fazer algo forçado, tanto o é que é admitido justificativa, não é feito pela consciência democrática.

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  3. Dilma em que pese seu ar de "segura e confiável" foi muito mal nos debates, insegura, sorrindo à toa e o Serra nas duas últimas semanas melhorou muito seu discurso: articulado, mostrou ser competente e sério. Deu no que deu. A furustreca vai ter de esperar alguns bons e decisivos dias!

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  4. Anônimo6:41 PM

    Diante das opções apresentadas, o Serra é o neo-liberal original e madame Dilma o genérico pirateado e falsificado. Prefiro o original, o preço a ser pago não terá diferença substancial. O idealismo do Plínio é lindo, mais inexequivel. Marina, comeu muito na mão do semideus e cansou de pedir votos para a Dilma, veladamente. Um a bela bucha de canhão! O Brasil precisa de homens livres e livros!

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  5. Anônimo11:26 AM

    Bom dia!!
    Cometi a sandice de votar no lula uma única vez.Esperava como outros tantos milhões de brasileiros que algo novo e bom viesse acontecer.Tivemos o pior dos piores.Alguém que passa anos criticando algo ou alguém, tem por obrigação não repetir o que criticou.Oposição por oposição???
    Não espero que o Serra seja solução para mim e meu grupo (individualmente), contudo espero que seja solução para o Brasil.
    Voto certo, voto Serra.
    Maroildo Oliveira-Ex-Variguiano

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.