sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um Senado sem Paim, o “sonho de consumo” dos bancos que engordam com a previdência privada.

Há uma aliança sórdida para derrotar o parlamentar que está brigando pela equiparação dos aumentos dos aposentados e o fim do “fator previdenciário”.
De um petista sobre o risco do senador Paulo Paim não se reeleger: “o Tesouro agradece”.
Ilmar Franco, Panorama Político, O GLOBO, página 2 - 26.8.2010

Os bancos que controlam a previdência
 privada apostam na derrota de Paim
Li esta notinha na coluna de um dos repórteres mais enfronhados nos labirintos de Brasília. E não tive dúvida: ali tinha truta. Mergulhei fundo no lamaçal dos podres poderes e não foi difícil perceber que o senador Paulo Paim está sendo alvejado pelo “fogo amigo” como punição por sua desassombrada atuação em defesa dos aposentados, através dos projetos que garantem paridade nos aumentos de todos os beneficiários da Previdência e do fim do maledicente “fator previdenciário”.
Paim, sem ser um polemista da verve do conterrâneo Pedro Simon, acaba sendo muito mais visado pela natureza de sua bandeira principal. Ao defender o modelo de previdência pública brasileira e ao demonstrar sua viabilidade, ele se torna um estorvo nos planos dos bancos insaciáveis e inescrupulosos: o monte de fregueses que ganham todos os dias para suas seguradoras não vem exclusivamente da generosa ajuda imoral com a isenção fiscal de 12% do imposto de renda no PGBL: maior estímulo é fundamentalmente o esvaziamento e as incertezas da previdência pública.
Pelas últimas informações, já é possível vislumbrar a possibilidade de uma derrota, a menos que os aposentados e os trabalhadores do Rio Grande do Sul tomem a si a tarefa de sair às ruas em sua defesa, independente de vínculos ou simpatias partidárias.
Uma casa redundante e de maus hábitos
Antes de relatar o que apurei daqui mesmo, do sopé da serra dos Três Rios, nesta outrora zona rural da outrora cidade maravilhosa, convido a uma reflexão.
O Senado da República no Brasil é uma canhestra redundância, nada tendo com sua essência teleológica. Isso eu já disse aqui e mais falei: não há razão para o mandato em dobro, assim como não se explica, à luz dos bons modos, porque o eleitor pode votar em dois senadores, quando há duas vagas. Isto porque, nessa lógica, poderíamos votar em tantos candidatos a deputados quanto fossem as vagas existentes.
O Senado chega a ser uma excrescência na composição dos poderes representativos, na medida em que, na real, não somos uma república de estados federados. Antes, pelo contrário: sob todos os aspectos, a federação é um simulacro de satélites, pedintes e dependentes do grande cofre, o do governo dito federal.
Na prática, lembro, o Senado é uma Câmara paralela, onde a indecência campeia em maior dimensão a partir da existência de suplentes que assumem poderes de legisladores, sem terem sido votados por ninguém, até porque tais enxertos são, quase sempre, camuflados a sete chaves. Alguns são filhos, esposas ou simplesmente são os homens das malas que custeiam as campanhas e, na prática, compram o direito de cantar de galo no legislativo, onde entram pelas portas dos fundos. Nessa última legislatura, tivemos quase um terço de penetras, que se fizeram senadores nas garupas invisíveis dos eleitos.
O Senado brasileiro é menos qualificado de que muitas câmaras municipais e olha que nossos edis também não são flores cheiráveis. Pior ainda: essa casa desnecessária custa mais do que pelo menos oito Estados brasileiros, com suas responsabilidades de prestar serviços variados às suas populações.
Três ou quatro já incomodam
Realço, aliás, que dos 187 parlamentos existentes no mundo, hoje, apenas 75 são bicamerais. Outros 112 funcionam como assembléias nacionais unicamerais, isto é, com a única casa legislativa. Entre os bicamerais, as funções da “Câmara Alta” são meramente revisoras. Ou, como na Grã-Bretanha, são simbólicas, eis que a Câmara dos Lordes nada pode em relação às deliberações da Câmara dos Comuns.
O nosso Senado nesses últimos anos só não foi totalmente desprezível exatamente pela presença de alguns poucos iluminados, como Cristóvão Buarque, Paulo Paim, Pedro Simon e o falecido Jefferson Perez. O resto é o próprio espelho de uma casa de tolerância, sob a guarda de figuras deprimentes, como José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor e Romero Jucá.
No embalo das ilusões que ainda leva o povo a acreditar nessas instituições como “males necessários”, pode-se até dizer que o brilho e a fortaleza moral de Pedro Simon, Cristóvão Buarque e Paulo Paim nos obrigariam a tolerar a fortuna despendida com tal “casa de leis”.
No entanto, embora esses representem menos de 5% da corporação, as raposas do mal caminho só vão sossegar quando puderem ver cada um pelas costas.
Cristóvão, felizmente, parece que será reeleito em Brasília. Simon tem mais quatro anos de mandato. Mas Paulo Paim pode ser rifado agora, sobretudo e especialmente, por ter tido a coragem de pôr o dedo na ferida aberta que transforma num verdadeiro inferno a vida dos dependentes da previdência pública.
A rasteira “acertada” num acordo virtual
Para dar uma rasteira nele, parece que houve um “acordo de cavalheiros” entre os donos do poder no Rio Grande. E o seu absoluto favoritismo no início do ano começou a ser arranhado com a fórmula engendrada pelas coligações montadas em seu Estado.
Paulo Paim é candidato da Unidade Popular pelo Rio Grande, integrada pelo PT/PR/ PSB/PC do B. Mas, ao contrário dos seus principais adversários, não é o único candidato dessa coligação, que tem Tarso Genro como governador. Ele está tendo de dividir o tempo de rádio e tv e as atenções com Abigail Pereira, do PC do B. Embora esta não tenha expressão eleitoral, acaba faturando a militância que gravita em torno do lulismo, de Dilma e de Tarso.
Já os seus principais adversários dispensaram a segunda vaga, facilitando o “segundo voto” no suposto rival. Germano Rigoto, ex-governador, é o único nome da coligação “Juntos pelo Rio Grande”, que reúne o PMDB , PDT, PTN e PSDC em torno do ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça. E a radialista e televisiva Ana Amélia Lemos, do PP, saída da máquina midiática do grupo RBS (filiado à Globo) é a única postulante da coligação “Confirma Rio Grande”, da atual governadora Yeda Crúsis, que reúne PRB / PP / PSL / PSC / PPS / PHS / PSDB / PT do B.
Agora veja como funciona a coisa: se pode dar dois votos para senador, o eleitor de Rigoto jamais daria o seu segundo voto para Paim, porque o eleitor deste “já está amarrado” moralmente com a aliada Abigail Pereira. Raciocínio semelhante move o eleitor da apresentadora de tv. Estabelece-se, então um confronto entre dois pólos: de um lado, Paim e Abigail, da mesma matriz política; de outro, Rigoto e Ana Lemos, de redutos diferentes, que se unem na disponibilidade oferecida por não terem o segundo candidato em suas coligações.
Virtualmente entregue às feras
Como foi revelado pelo jornalista Ilmar Franco, o Planalto não sente menor vontade de ver Paim de volta, tentando resgatar o direito dos aposentados e pensionistas, quando se sabe que já está pronta uma “terceira reforma da previdência”, cuja maldade principal é acabar com as pensionistas.
Além do mais, tanto Germano Rigoto como a moça da RBS integram partidos da ampla base de apoio do governo Lula. Resultado: neste momento, a última pesquisa do IBOPE já registra um “empate técnico”, com a moça em crescimento e Paim estagnado, enquanto Rigoto teve uma ligeira queda.
Um apelo suprapartidário
Como não sou mais criança, quero daqui lançar um apelo suprapartidário para que todos os homens de bem do Rio Grande do Sul, em especialmente os trabalhadores assalariados, aposentados e pensionistas, se transformem em guerreiros de sua campanha, com a mesma garra que um dia os gaúchos demonstraram, quando o então jovem governador Leonel Brizola abriu barricadas naquele agosto de 1961 para garantir o respeito à Constituição e a posse de João Goulart.
Não há exagero no paralelo. Pois eu não sei o que será do Senado da República se a má fé e os interesses espúrios conseguirem evitar a recondução do senador Paulo Renato Paim.

6 comentários:

  1. Anônimo8:38 PM

    Estava no Banco do Brasil realizando uma operação e vi a minha frente uma senhora aposentada pegando um empréstimo consgnado. Segundo a gerente, ela já estava com sua margem de endividamento por esgotar e mesmo assim, estava aos quatros ventos a agradecer ao príncipe w sua sapa de presépio por ter a chance de empenhar os cabelos do rabo. Será que esse tipo de eleitor tem condição de enxergar esse teu apelo? Duvido muito. Tá na cara que a m ...irá feder para os que ainda vão se aposentar ou entrar no mercado. Todos pagaremos por esta esmola mal dada.

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  2. O senado, com letra minúscula mesmo, é valhacouto de alguns indivíduos que não merecem o ar que respiram e para mostrar seu valor, nada melhor que ser presidido por Zé Ribamar Costa, vulgo Sarney, grande lacaio dos generais da ditadura que o deixaram ser dono do Maranhão. Com um curriculum que envergonharia qualquer bandidão famoso, Escapou de ser degolado há pouco tempo por conta das patifarias que já fez no senado onde Paulo Paim destoa muito por ser um cidadão honesto que tem lutado muito pela vida dos aposentados que lhe são eternamente gratos e votarão nele!

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  3. Prezado Porfírio,Paim é um lutador; do outro lado existe às empresas de J.P.Morgam,o expropriador, banqueiro guloso que quer todo o lucro das previdências rendendo sómente aos banqueiros todos sob seu domínio.

    Paulo Paim disse: Porque o fator prejudica a economia? ISTO É MENTIRA DESLAVADA! Senador Romero Jucá!, OS APOSENTADOS PAGARAM... SÓ QUEREM RECEBER DE VOLTA.... NÃO TEM OUTRO SENTIDO....
    Leia no link abaixo todo o conteúdo

    http://mudancaedivergencia.blogspot.com/2010/05/reforma-da-aposentadoria-luta-do.html#links

    abraços,
    Marilda Oliveira

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  4. Anônimo10:52 PM

    O Senador Paulo Paim cometeu um grande erro ao se omitir em seu blog com relação aos comentários sobre o veto presidencial ao fim do fator previdenciário. E esses comentários acabam de sair do ar, outro erro. Está na cara que a votação pelo fim do fator no senado foi uma farsa enorme ou, caso contrário, o veto do molusco teria sido derrubado. Resta saber quem são os responsáveis pela tramóia e o Senador falhou em ser fiel aos conchavos, ao invés de ser fiel aos seus eleitores.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.