quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Serra que assumiu as vozes das trevas e da intolerância

"Todo mundo sabe, até as árvores da floresta amazônica. Elas são as principais testemunhas de que as Farc se abrigam na Venezuela."
José Serra, mm almoço com empresários do Grupo de Líderes Empresariais -Lide – a fina flor da plutocracia multinacional paulista.
Serra no ninho da plutotocracia paulista com um discurso nostálgico
Meu Deus! Onde fui amarrar meu cavalo.
Sinceramente, esse Serra desses últimos dias me faz lembrar os torturadores que me submeteram a sevícias por 16 dias seguidos nos porões do Cenimar, na Ilha das Flores. É um Serra ao avesso do nosso tempo, alguém saído do sarcófago da intolerância, do atraso e da guerra fratricida que tanto prejuízo nos causou.
Sua insistência em atacar governantes que desagradam o império não vai lhe render um único voto a mais. Em compensação reacende os piores sentimentos obscurantistas que a aragem já varreu, reduzindo a ditadura paranóica a uma péssima lembrança, evitada até pelos que delas se serviram ou graças a ela aumentaram suas fortunas.
Esse discurso soa como filho temporão daqueles idos em que se matava, prendia e arrebentava pessoas que eram apontadas como “agentes de Moscou” forjados na guerra santa que precisava fabricar inimigos externos para justificar sua barbárie.
Primeiro, Serra cometeu o desatino de culpar o governo boliviano pelo consumo de drogas no Brasil. Ao querer atingir Evo Morales, o mais legítimo representante do povo boliviano, cuja integridade moral é reconhecida no mundo inteiro, o candidato do PSDB imaginou alcançar o Sr. Luiz Inácio e sua adversária por tabela.
Existem traficante porque existem compradores
Demonstrou, ao mesmo tempo, que subestima a inteligência do cidadão brasileiro. Nessa questão das drogas, ele preferiu um caminho diferente do seu líder, Fernando Henrique Cardoso, que abriu os olhos e hoje  tem uma compreensão mais lúcida a respeito.
E vai mais além: desconhece a lógica mais cristalina: há traficantes porque há consumidores. E muitos desses compradores de cocaína vivem lá, em Ipanema e nos jardins da elite paulista, onde as festas mais badaladas não dispensam a “branquinha”.
Tenta tapar o sol com a peneira. Desconhece a própria crise da família e todos os fatores que incrementam a proliferação das drogas.
Tenho quatro filhos – os mais novos de 22 e 18 anos – e nunca eles se deixaram seduzir por amigos cujos pais não lhes dedicam a atenção devida. Estes, então, nem cigarro põem na boca.
Todo mundo sabe que esse vício macabro atinge a muitas famílias. Pais desesperados correm atrás de bodes expiatórios e clamam por mais intervenção policial para resolver o que eles não conseguiram resolver. Esse é um grande drama que o Sr. José Serra, numa precipitada irresponsabilidade, debita ao presidente Evo Moraes – um delírio, que só pode ser entendido como uma agressão gratuita e insana.
Chávez como alvo para agradar ao império
Agora, resolveu alvejar o presidente Hugo Chávez, a quem apontou levianamente como uma “ameaça à paz na América Latina”. E ofereceu a cobertura do seu manto aos belicistas da Colômbia, esta, sim, uma cabeça de ponte dos interesses  norte-americanos, totalmente minada por três grandes bases instaladas em Malambo, Palanquero e Apiay (esta a 400 km de nossa fronteira) para assegurar a obediência vil dos países da América do Sul ao império decadente.
Serra decidiu seguir as pegadas do milionário Sebastián Piñera, que chegou à presidência do Chile numa aliança de direita (que agora, por pragmatismo, começa a renegar, negando-se a conceder indulto aos assassinos da ditadura de Pinochet, pedido pela Igreja católica de lá).
Ao invés de oferecer um projeto de avanço, uma alternativa para frente, o candidato oposicionista embarcou na parola da plutocracia paulista. Com vasta experiência, José Serra não pode alegar que desconhece a articulação dos norte-americanos para derrubar Chávez (como já tentaram em 2002) e que a Colômbia é peça chave nesse projeto, no qual o sistema internacional não quer passar pelos mesmos vexames sofridos ao longo dos últimos 50 anos, em suas quase 400 tentativas de assassinar Fidel Castro, invadir Cuba e acabar com a revolução.
Como nos velhos tempos
Essa história sobre o acolhimento de guerrilheiros das FARC pelo governo venezuelano não é nem um pouco diferente dos “informes” sobre a existência de armas químicas no Iraque, pretexto para a invasão do país árabe, amplamente desmascarado pelos fatos.,
Não é diferente também de outras montagens, como o incêndio do Reichstag, forjado por Hitler, em 1933, para assumir o poder na Alemanha e iniciar uma brutal perseguição política.
Contra uma política externa correta
Assessorado por algum primata, Serra ataca a política externa do sr. Luiz Inácio, reconheçamos, a forma mais lúcída de fortalecer o Brasil  como nação soberana e assegurar ganhos excepcionais para o país. Sob esse aspecto, só sendo um grande mau caráter, um asno ou um cego, ou as três coisas juntas, para negar o que significou a presença de Lula em todo o mundo: ele deve ter feito mais visitas a outros países do que todos os presidentes que o antecederam. E isso foi altamente positivo, refletindo-se na afirmação do prestígio internacional do Brasil.
Serra está vestindo a carapuça da volta ao passado mais traumático, mais primário, ao reino da intolerância e da indústria da guerra fria, no que revela mais do que interesse eleitoral. É lícito imaginar que ele esteja agindo assim por  por insegurança ou, o que é mais lamentável, por querer ganhar o apoio e a ajuda dos trilionários internacionais, que se consideram os donos do mundo.
Com esses pronunciamentos ao gosto da pior direita, ele vai acabar jogando nas mãos de sua adversária as pessoas de opinião, as que não querem ver o país alinhado incondicionalmente ao sistema internacional e curtem uma política externa com identidade própria.
Nessa, ele vai ficar perdido no espaço da história, festejado somente pela meia dúzia de nostálgicos da ditadura. E não arrumará um voto sequer: a direita sentimental já está contra Dilma pelos seus arroubos juvenis.
E vai acabar alimentando o discurso  amplamente difundido de que ele seria dos males o pior.

14 comentários:

  1. Pois é a revolução comunista na Russia não aconteceu de uma hora pra outra. Foram anos de solapação da monarquia. Ai quanto estava em ebulição veio a tona. Então tudo que havia de radicalismo se adonou de tudo aquilo que condenavam na elite, tornando-se verdadeiros demônios na usurpação de liberdades e de bens de ostentação. O filme DR JIVAGO dá uma pequena idéia, mais o filme KATIN de Andrzej Wajda.É claro que Serra deveria a essas alturas ter uma postura mais ufanista em seus pronunciamentos. Parte mais descontraida da população que prefere, audácia, entusiásmo e positividade, mas isso depende do ambiente.

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  2. Pois é a revolução comunista na Russia não aconteceu de uma hora pra outra. Foram anos de solapação da monarquia. Ai quanto estava em ebulição veio a tona. Então tudo que havia de radicalismo se adonou de tudo aquilo que condenavam na elite, tornando-se verdadeiros demônios na usurpação de liberdades e de bens de ostentação. O filme DR JIVAGO dá uma pequena idéia, mais o filme KATIN de Andrzej Wajda.É claro que Serra deveria a essas alturas ter uma postura mais ufanista em seus pronunciamentos. Parte mais descontraida da população que prefere, audácia, entusiásmo e positividade, mas isso depende do ambiente.

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  3. Anônimo10:34 AM

    Tanto a "turma do Serra", quanto a "turma da Dilma", vendem a "Mãe-Pátria", mas, a "turma da Dilma" entrega mais devagar.

    Com a ignorância-política dos atuais contribuintes-eleitores, continuaremos phodidos em 2010. Talvez em 4010, as "coisas" comecem a melhorar ..., se ainda houver "coisas".

    Em tempo: a "turma da Marina" também vende a "Mãe"...

    A minha "Bola de Cristal", com precisão de 100 %, para + ou para -, indica que a Dilma vencerá já no 1º Turno.

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  4. Gilson Raslan4:44 PM

    Pedro,
    você tem razão: que tem um tal DaCosta como vicê, só pode estar sendo assessorado por um primata.

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  5. Anônimo11:03 PM

    Não sei o que é pior para o Brasil: a ventriloca da cria de laboratório do gal Golbery ou o original neo-liberal. Segundo a lei dos genéricos, o princípio ativo é o mesmo. Quando não se tem candidatos de qualidade, qualquer ator ou atriz de chanchadas classe c serve! Que bosta!

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  6. Pois é Pedro: confesso, sinceramente, que não entendí aquela sua opção e, hoje, me sinto mais aliviado pela sua auto-crítica (meu deus, onde fui amarrar meu cavalo?. Gosto muito dos seus textos, vibráteis, lúcidos e engajados. Assim como você, também não gosto de muita coisa nesse governo Lula, mas não posso deixar de levar em conta os grandes avanços em várias áreas, o que me faz pensar que em política devo estar optanto por aquilo que está mais próximo da minha maneira de pensar. Nesse sentido poderia optar pela candidatura Plínio, mas temo pela volta ao passado retrógrado das privatizações, do entreguismo e, agora, para surpresa de todos nós, com o saudosismo macartista de Serra. Parabéns pela visão lúcida

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  7. Anônimo3:10 PM

    meu caro Pedro, você não olhou direito aonde amarrou o cavalo? e logo no Serra? o assunto não carece de maiores comentários porque a Dilma vai ganhar. talvez até no primeiro turno. vou votar com o Plinio 50 para apoiar uma candidatura deveras cidadã. se houver segundo turno, aí então vou de Dilma. Serra??? nem pensar! detalhe curioso: o estudante Serra, de engenharia dizia-se, nos idos de 1963, deu aulas de economia?! num curso de desenvolvimento econômico Sudene|Cepal, em que participava. era bem esquerdinha. e hoje, hein? está na direitona, tranquilão. boa sorte pr'ocê. sérgio guimarães, primeiro candidato a senador pelo PT/BA, 1982, eleições viciadas e manipuladas pela ditadura militar, como as de agora, 2010, pela direita SerraDilmista.

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  8. Oi amigo Porfírio
    a matéria está de capa no www.vejosaojose.com.br
    forte abraço
    ricardo faria

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  9. Este debate direita/esquerda não faz mais o menor sentido meu caro Pedro! As soluções para o futuro sustentável da humanidade e do seu frágil eco-sistema pertence às mentes livres da escravidão dogmática anacrônica das igrejinhas ideológicas.
    Quanto a "ofender a inteligência do Povo", isso na verdade ocorre sempre que alguém defende a absurda idéia de que apanhar da polícia ou dos órgãos de repressão permanentemente promove um cidadão a paladino da ética e coerência intelectual, ou em um competente e honesto administrador da coisa pública!
    Se passaram mais de 20 anos da queda dos muros das sanguinárias ditaduras socialistas. Como alguém ainda pode acreditar na viabilidade de uma ideologia que só conseguiu se impor na prática à custa do extermínio sistemático de dezenas de milhões de seus próprios compatriotas...
    Quanto ao Serra, é quase uma piada tentar "queimá-lo" como "direitista" e no mesmo parágrafo tecer loas aos PTistas (supostamente de "esquerda") que fazem a festa dos bancos e dividem cama e mesa com os Sarneys e Collors da vida...
    Nada como a fé cega para matar a razão e coerência!
    Abr. Peter

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  10. Anônimo4:53 PM

    70 % do PIB brasileiro já está nas mãos de estrangeiros; nossa (???) "Dívida" é de TRILHÕES, mas, a Dilma, o Serra e a Marina, não tocam neste assunto. Só o Plínio fala sobre isto. Mas, o Plínio tem só 1 % dos votos dos contribuintes-eleitores, que são aculturados, ignorantes-políticos e votam por obrigação.

    Abrem uma nova firma para o "Pré-Sal", que é poluente e só durará 30 anos, e, ignoram as BIOMASSAS, as AGROENERGIAS, que são limpas e infinitas.

    A salvação dos USA serão as nossas AGROENERGIAS, e, eles sabem disso, pois já estão comprando todas as nossas terras e usinas, com aval do Lula, "O CARA".

    E os chineses também ....

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  11. Anônimo5:36 AM

    Quando acabou o jogo DPFC e INTERNACIONAL DE PA, dei uma olhada no debate da BAND; A ventríloqua estava imitando os gestos de mão do seu gestor e o cabelo cortado próximo à semelhança do mesmo. Será que vai cortar o dedinho e deixar a barba crescer para virar "o cara"?
    Ridículo!

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.