domingo, 20 de junho de 2010

Com a “ficha limpa” como panacéia, a “urna limpa” ficará para quando Deus quiser

"Eu não acredito no processo de eleição. Se o governo quiser, elege até um poste como presidente da República".
Leonel Brizola, 30 de maio de 2002
A mediocridade, a má fé e a informação de superfície, que caminham de braços dados nestes dias de esterilidade da decência, estão apresentando a “lei da ficha limpa” como a panacéia para os delitos crônicos de uma vida política eivada dos piores vícios.
É como se, daqui para frente, estivéssemos protegidos por um antídoto de eficácia fatal, capaz de limpar a área e afugentar os maus políticos.
Festeja-se em feéricas palavras, induzindo-nos à sensação de segurança moralizadora. Do jeito que falam, não precisa mais nada. O pente fino da Justiça Eleitoral separará o joio do trigo pela simples constatação que os maus elementos estarão catalogados a partir da condenação em segunda instância – ou por órgão colegiado.
Oferece-se ao povo cansado de tantos escândalos o vinho de mais uma inebriante ilusão de cura.
E o povo, que só raciocina sob o turbilhão da mídia, respira fundo e diz: enfim, vencemos.
É uma lástima.
Sarney, Renan e a máfia têm ficha limpa
Essa lei não deixa de ser um passo, apesar de distorcida na semântica da redação final, mas é apenas um passo. E nada mais.
Se o sindicato do crime político estivesse todo catalogado, se os corruptos estivessem sido levados às barras da Justiça ou se houvesse um porvir prometedor, podia até ser que certos vândalos viessem a pôr a viola no saco e saíssem de mansinho para não serem pilhados a olho nu.
Mas e a grande malta de honoráveis bandidos que permanecem à sombra, até porque têm estreitos laços com proeminências desse intocável poder judiciário?
Dá para acreditar numa lei de ficha limpa que não alcança nem de perto figuras como José Sarney, Renan Calheiros, Eduardo Azeredo, João Paulo Cunha, Jader Barbalho e Romero Jucá?
Antes, pelo contrário: do jeito que ficou, quem está ameaçado é um homem de bem, Jackson Lago, o ex-governador do Maranhão que ousou derrotar a grei poderosa, cassado num processo em que seu acusador era nada menos do que um ex-ministro do Supremo e ex-presidente do TSE, que faz pouco ainda estava julgando nas mais altas cortes.
Ameaçado está logo aquele que interrompeu quase meio século de trambiques explícitos e carimbados com o brasão dos seus autores.
Já o clã que ganhou no tapetão o controle do governo estadual parece hoje mais forte do que nos tempos em que seu capo presidia o “partido” da ditadura. Tanto que ordens expressas de Lula puseram sob o tacão de suas mãos sujas o que restava de patrimônio moral do petismo, inclusive o legendário Manoel da Conceição, sobrevivente de épicas lutas no campo e um dos fundadores daquilo que se dizia ser o estuário da pureza política em nosso país.
Até me pergunto se a repentina rapidez com que a lei foi votada e a interpretação sumária do TSE não alimentam uma certa coincidência: vão ceifar candidatos que ameaçavam governistas, como Sérgio Cabral e a filha do todo poderoso, tão convencido da própria força que, sendo o senhor dos anéis no Maranhão, ganhou a cadeira de senador pelo Amapá, onde, com toda certeza, não tem o seu real domicílio eleitoral.
Essa lei, ao contrário do que aparenta, é estranhamente esdrúxula. Sabendo-se que a morosidade é a marca registrada de uma Justiça que hoje empilha 70 milhões de processos, alguns com mais de vinte anos, subordina aos seus prazos proteláveis a constatação da ficha suja.
Renan Calheiros, cujas peripécias o levaram a renunciar à Presidência do Senado, mantendo seu mandato sabe Deus por que tipo de acordo, está lá, lépido e fagueiro, como candidato da santa aliança e com as bênçãos do Papa Luiz Inácio, primeiro e único, num jogo tão pérfido que, para garantir sua volta triunfal ao tapete azul das falcatruas, empurraram para ser candidato a governador o pedetista Ronaldo Lessa, expondo-lhe ao mesmo tempo a um novo confronto com o preferido da corte, o conhecidíssimo Fernando Collor de Melo.
E quando teremos “urnas limpas”?
Enquanto isso, o achincalhe ao processo eleitoral permanece impávido e “imexível”, com as urnas eletrônicas protegidas de qualquer auditagem e ainda expostas ao “voto terceirizado”, apesar da existência de farta tecnologia e equipamentos para a introdução, em nível nacional, do sistema biométrico de identificação, pelo qual o eleitor só vota depois de “tocar piano” no aparelho identificador.
Embora essas urnas tenham demonstrado total vulnerabilidade, inclusive em simulação promovida pela TSE, com elas ninguém mexe e ponto final.
Oferecem a curto prazo a exigência de ficha limpa na Justiça de segunda instância como remédio, mas protelam a perder de vista tanto a impressão do voto como a identificação digital – práticas em países demonizados como a Venezuela e Bolívia.
Por que tanta resistência a esse controle profilático?

4 comentários:

  1. Orlando12:29 PM

    Como o Brizola faz falta para denunciar essas farsas

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  2. João Grillo10:10 AM

    Brizola, o primeiro vitorioso no jogo sujo da Globo com esta corja que passamos a conhecer como tucanodemoníaca. Se o adiamento da condenação do Sarney, Renan... For o preço pra se mandar de vez esta pilantrada tucana pro inferno, digam ao Lula que o povo topa.

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  3. Brizola e Jeferson Peres foram os únicos parlamentares que tiveram peito de enfrentar e gritar BASTA! as privatizações não conseguiram assinaturas para uma CPI "congresso omisso" - doações praticadas pelos pelos ingerêntes FHC/Serra/Covas/Motta/Ricardo Sérgio/Sarney/Collor/Jader,e todos os diretores e assistentes do Bc.Central/BNDE; o Brasil foi doado,a mídia golpista fechou os olhos do povo deixando-os impensante.O brasileiro deve se conscientisar, que pertencemos a um único sólo e devemos lutar para que a classe dominante sionista não tire também, nossa liberdade de ir e vir.

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  4. Maria Bernadete9:12 PM

    Boa Porfírio.
    Desde o início eu sabia que isto era coisa de PTralhas! Esta gentalha não gosta mesmo de liberdade de imprensa e se apressam em implantar uma ditadura "a lá Hugo Chavez" protótipo,PNDH, já assinado pelo Lula (sem ler, ele afirmou) e endossado pela Dillmentira.
    A propósito: Dunga é um anão em todos os sentidos, um grosseiro!

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.