domingo, 7 de março de 2010

As cotas da insensatez escondem a desconstrução do ensino público

“Os alunos da rede pública são, em média, mais pobres que os das escolas particulares, mas é razoável esperar que, dos alunos cotistas, os com melhor desempenho no concurso de admissão às universidades federais venham a ser os de maior renda. As cotas simplesmente transferirão os subsídios públicos dos mais ricos para os menos ricos”.
Armando Castelar Pinheiro, Doutor em Economia, Universidade da Califórnia (Berkley); Professor de Economia na UFRJ e Fundação Getúlio Vargas.
O que é que eu posso fazer? A manipulação das angústias é tão eficiente que entorpece as mentes com a carga de uma droga letal.
Há fórmulas para toda dúvida. E sofismas de sobra. E de tais ingredientes é a química das idéias que não deixa escolha. É concordar com o dito ou correr risco.
Nessa questão das cotas raciais nas universidades, discutidas neste momento em audiências no Supremo Tribunal, ai de quem não concordar.
O fogo parte de todos os lados, inclusive dos intocáveis da mídia, que chegam ao ponto de equiparar o Brasil aos Estados Unidos, fonte de inspiração dessas "ações afirmativas".
Querem por que querem transformar a universidade pública em bode expiatório de traumas encubados e conflagrações virtuais, desvirtuando sua finalidade como plataforma de profissionais aptos para os desafios da ciência e da gestão.
Punem a sobrevivente do ensino público ainda respeitável com a pena da compensação por injustiças pretéritas. Nestes tempos em que o mercadão privado dos diplomas universitários derrapa pelo exagero de ofertas, parece necessário minar a boa Universidade estatal, vergando-a a níveis da assistência social inconsequente.
Ou você acha que a graduação de profissionais não tem compromisso com sua inserção em condições de preparo efetivo na vida dos cidadãos?
Cotas em universidades servem tão somente para tentar escamotear o fracasso das escolas públicas de base sucateadas e para produzir cortinas de fumaça sobre uma sociedade historicamente referenciada pela pirâmide social.
Obtém-se com o suposto resgate de velhas agruras o comprometimento de cenáculo universitário, que passa a desprezar o critério do mérito, conquista essencial nas sociedades que se acham democráticas, em proveito de um sistema esdrúxulo de acesso.
No debate desse novo papel da Universidade pública, não cabe discutir se o Brasil teve ou tem racismo. É até admissível que o racismo no sapatinho entre nós tenha sido tão nocivo como nos chocantes massacres dos Estados Unidos de algumas décadas atrás.
É difícil deparar com um garçom negro, um vendedor dessas lojas de rede, um bancário, ou mesmo um corretor de imóveis, profissões que dispensam diplomas universitários.
Há fartura de informações sobre os percentuais de negros entre os mais desafortunados e excluídos. Mas não consta que o acesso privilegiado dos raros que ultrapassam o ensino médio tenha alcance multiplicador.
Com toda essa janela no ensino superior aberta pelas cotas, a massa “afro-descendente”, como um todo, vai continuar nos estratos subalternos, amargando a vida de cão que acomete a avalanche de pobres, inclusive brancos. Porque a estratificação social e racial se dá com toda ênfase nos pontos de partida.
O erro primário está na transformação das cotas em elemento determinante da escolha de futuros bacharéis. Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, as cotas raciais chegam a 40%, um janelão de efeitos colaterais indisfarçáveis.
Com elas, violam-se as salvaguardas constitucionais sobre a igualdade de oportunidades e ainda permeia-se o centro de ensino de vícios de origem insanáveis. Essas violações abrem caminho para outros fatores seletivos, eliminando direitos inalienáveis (O sistema de quotas viola o disposto no artigo 208, inciso V, da Constituição Federal, que fixa o critério de capacidade para ingresso no ensino superior).
Não é da proposta, mas só falta supor o estabelecimento também de cotas de formandos. Isso está na natureza do privilégio introjetado, cuja existência encontraria sofismas manipuladores em sua defesa.
Não está em jogo, num mundo em que se vive a incerteza do amanhã, o discurso sobre as práticas coloniais. Nesse caso, seria preciso muita parcimônia para não agredir os fatos históricos.
Aconteceu de tudo, como acontece de tudo ainda hoje. Não há, portanto, pecado pretérito a pagar à custa de vulnerar o futuro.
Há, sim, em primeiro lugar, uma grande tarefa que vem sendo maldosamente adiada: o resgate do ensino público de primeiro e segundo graus, tal como foi tentado por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, com a introdução do sistema de tempo integral e de uma pedagogia parceira, que repele a farsa da repetência excludente: hoje, não se ministra educação de verdade, mas se cobra resultados na hora das provas.
A insuficiente janela de escape das cotas é a forma mais desonesta de esconder o caos nas escolas fundamentais e médias dos Estados e municípios. E de manter a má distribuição das verbas orçamentárias: 0,9% do PIB no ensino superior, contra 0,6% no médio. (Já o aluno de faculdade custa 12 vezes mais do que o do ensino infantil).
É, ao mesmo tempo, a desonesta desconstrução das universidades estatais, ainda respeitadas e competitivas. Não que os cotistas sejam em princípio inaptos. A experiência desmente assertivas nessa direção.
Mas a consagração de dois pesos e duas medidas afunila os acessos genéricos, afastando da faculdade quem não se enquadra nos parâmetros seletivos paralelos.
É o que teme o professor Armando Castellar Pinheiro: “A introdução das cotas também custará alto em termos de perda de qualidade do ensino (e pesquisa) nas universidades federais, já que haverá um afrouxamento natural das exigências de desempenho dos alunos, para evitar altas taxas de repetência, e uma desvalorização do mérito enquanto critério orientador da vida acadêmica. Até porque o diploma de conclusão de curso não especificará o método de entrada na universidade, esse perderá valor no mercado de trabalho, e com o tempo haverá uma migração dos alunos com melhor formação secundária para boas universidades privadas, que também atrairão os melhores professores. Esse é um resultado clássico em economia: a moeda de menor valor (alunos com pior formação) sempre expulsa do mercado a de mais valor. Depois de um tempo, o sistema de cotas simplesmente fará com que se reproduza no ensino superior a dicotomia hoje prevalecente na educação básica: de um lado, alunos ricos pagando por um bom ensino em universidades privadas, e, de outro, alunos menos ricos em universidades públicas de qualidade inferior”.
A meu ver, os montadores dessas políticas também jogam no diversionismo que esconde a limitada oferta de vagas para todos os jovens na Universidade pública.
E, o que é mais grave, geram um conflito secundário para mascarar o pouco caso com a educação, ainda vítima da miopia de uma elite governante medíocre e insensata.

13 comentários:

  1. Gilson Raslan1:27 AM

    Porfírio, também sou contra as cotas raciais, mas aprovo as cotas sociais, porque, para se ingressar na universidade basta o estudante ser pobre, não importando que ela seja preto, amarelo, índio, pintado, roxo.
    A certa altura de seu post, você afirma que as cotas (não importando se raciais ou sociais)”violam-se as salvaguardas constitucionais sobre a igualdade de oportunidades”.
    Como um estudante pobre, que estudou em uma escola pública ineficiente, vai concorrer em igualdade de condições com um estudante que estudou em uma escola particular?
    Também, permito-me discordar de sua colocação, quando você afirma que o ingresso de cotistas nas universidades públicas vai torná-las ineficientes.
    Isto, Porfírio, não passa de uma discriminação, pois o que você quis dizer é que pobres e pretos são débeis mentais e não têm capacidade de aprender.
    Fica aqui o meu protesto por essa colacação infeliz.

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  2. Anônimo6:37 AM

    Existe algum dado indicando desempenho acadêmico pior de cotista? NÂO. Os que tenho, e trabalho em universidade que adotou cota, dizem que são melhores. Por que os vestibulares das públicas sempre disseram que eram inqualificáveis para isso. A minha pesquisa com provas de matemática diz o seguinte: quem estuda somente 12 anos na escola pública e aprendeu tudo que há nos livros didáticos que o MEC distribuiu na rede pública, quando abrir a prova tende se sentir idiota e só passa por milagre. Já quem estuda na rede privada (terceiro ano do ensino médio é pré-vestibular) ou fez três meses de um bom pré-vestibular, quando abrir a prova vai se sentir um gênio e só não passa por milagre. Basta dizer que nos livros didáticos do MEC constam problemas dos vestibulares de 8 ou mais anos já passados, enquanto material de pré-vestibular são os últimos que caíram e a revisão são os que com quase toda certeza estarão na prova, só precisando decorar alguns detalhes.

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  3. Sou a favor das cotas, que tenham prazo de validade. Como assim?
    As cotas deveriam ter um prazo para acabar enquanto o governo investe no ensino básico. Não é o que ocorre.
    Gostaria de saber o que se faz com 12 anos de ensino de baixa qualidade? Joga no lixo e se faz tudo novo quando o aluno entra na faculdade.

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  4. Respeito suas opiniões "recorrentes" na linha do meu primeiro parágrafo. Mas continuo achando que universidade não é casa de reparação, nem órgão de assistência social. Como imaginar construir um edifício pelo terceiro andar? Peço que reflitam melhor sobre os contrabandos imediatistas que vão agravar mais ainda a tragédia da qualificação, transferindo para o ensino superior as farsas dos primeiros patamares da educação. Quero ir a um médico na certeza de que ele está realmente preparado e sabe mais do que eu sobre saúde.

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  5. Bruno Franco12:18 PM

    Bruno Franco
    JS PDT
    Companheiro Porfírio acredito que você com seu grande conhecimento das causas sociais não tenha sido muito feliz neste comentário, entendo que como militante brizolista tenha toda envergadura moral, Mas agora, depois de tão bela história, depois de ter produzido poemas tão poderosos e textos sobre a esquerda, parece acreditar que o país acompanhou a sua cabeça e seu desejo de viver em uma democracia pós-racial.
    Entretanto alguns fatos e números devem entrar nessa balança:

    Primeiro lugar os militantes sociais que creem no sistema de cotas, cujo marco regulatório foi criado num governo do PDT!!! não descredenciam o ensino integral e a boa formação da escola publica, laica e de qualidade, temos que fazer uma reflexão seria sobre o momento, a Coreia do Sul investiu durante trinta anos em educação e tem hoje um PIB de primeiro mundo, para alcançarmos teríamos que investir, temos que investir!!! porém durante esta transição o que fazer com o abismo racial e social???trinta anos... tivemos grandes esforços somente nos Governos Brizola e não abandonamos a bandeira do darcy Ribeiro, lutamos e continuamos a lutar, apenas entendemos que o processo não é de igualdade nesta sociedade capitalista e sim de tratamento diferente e por que????
    como militantes sociais não compreendemos a sociedade brasileira a partir da constituição de 1988, a suposta constituição cidadã.
    Entendemos que o racismo é um contracenso até para o capitalismo pois o mesmo utiliza-se dos talentos, desta forma com o apartaid social criado desde a chegada do primeiro escravo africano e pós abolição o pais perdeu... pela sub-utilização dos brasileiros de pele escura...

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  6. bruno Franco
    Um estudo pioneiro desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB) revela que nas maiores e mais importantes instituições do País o número de professores negros não chega, em média, a 1%.
    “Quando vamos para o mestrado e doutorado, o caso se torna ainda mais excludente. No máximo, algo em torno de 0,5%”, entre as 20 instituições analisadas entre 2000 e 2005, o caso mais expressivo é o da Universidade de São Paulo (USP). Dos 4.705 docentes em atividade, apenas cinco são negros, o que representa em torno de 0,1%.
    Não é possível ignorar as cotas como um movimento natural e necessário, apesar das imperfeições no processo. Diante da revolta contra sua condição de grupos populacionais excluídos, negros e indíos lutam por uma reparação histórica, lutam por seus direitos. Hoje, por trás da emergência identitária destes grupos está a busca pelo reconhecimento dos direitos de partilha das riquezas materiais do país (partilha do direito à educação, à terra, à liberdade religiosa). Vivemos, finalmente, numa sociedade em que os "excluídos" lutam autonomamente no campo da democracia pelos seus direitos. São lutas de ideias, de conquista da opinião pública e de leis. E isso é muito bom, e deve ser respeitado e incentivado. E, veja bem, eles não estão esperando o socialismo, ou a vitória do universalismo francês, ou o triunfo do mercado, para ter acesso à educação. Eles querem acelerar processos, cobrar dívidas históricas. Evitar tensões raciais é promover o reconhecimento dos seus direitos , e incentivar a sua luta política nas formas democráticas e republicanas.

    “Não estamos [...] lutando pela liberdade das pessoas negras, mas pela liberdade dos brancos. Porque, quando você é o opressor, você é a pessoa escravizada, desumanizada por si mesmo”.
    Desmond Tutu.

    Nobre companheiro, sobre o que teme o professor Armando Castellar Pinheiro: "A introdução das cotas também custará alto em termos de perda de qualidade do ensino (e pesquisa) nas universidades federais, já que haverá um afrouxamento natural das exigências de desempenho dos alunos. O mesmo deveria procurar o Laboratório de Politicas da Cor da UERJ, e pesquisar os estudos sobre os números dos cotistas, notas, desempenho e a evasão, nas comparações os cotistas são iguais aos não cotistas e alguns cursos as notas são melhores que os não cotistas demostrando que a democratização do acesso e´o grande gargalo...
    sobre a constituição 1988 não vejo violação, o texto fala sobre a capacidade e o cotista passa por ter nota a diferença é que ele concorre com os iguais, os excluídos...
    Deste modo se adequa o princípio da igualdade e se entende que a sociedade não é igualitária primando por defender insticucionalmente os marginalizados e assim promover um principio de igualdade.
    Acredito que meus predecessores, os abolicionistas, se dispersaram cedo demais. Pós abolição era o momentode buscar juridicamente formas do Estado que lucrou com a escravidão por séculos de reduzir a imensa distância que a centenária ordem escravagista havia criado no país. Venceu a idéia de que, deixado ao seu ritmo, o país faria naturalmente a transição da escravidão negra para um outro país, sem divisões raciais. Idéia grandiosa esta da inércia salvacionista. Ela formou o imaginário de uma nação sem racismo por natureza, que teria eliminado o preconceito naturalmente, como se as marcas deixadas por 350 anos de escravidão fossem varridas por um ato, uma lei de duas linhas. Mais nos lembremos do celebre estudo de florestan fernandes para a ONU, ali o Brasil mostra a tua cara e diz quem paga por sermos assim...

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  7. José Augusto7:15 PM

    É uma dureza viver num país de desigualdades, principalmente quando fundado numa base desigual. O trinômio branco- indio-negro, mesmo quando misturado deixou resquícios e,infelizmente, tem-se no branco o algoz. Algoz de que? Da educação, pois é a falta dela(de conhecimento em geral) é que levou indios entregar indios, negros entregarem negros e se elevar a cultura branca, ou isso não se reflete no caso dos brasileiros que endeusam os americanos e europeus. Sou contra as cotas e a favor de uma pressão popular para melhoria de um ensino de base, pois tudo que é decidido de pronto não presta, é politicagem barata.
    Se temos um campi na Ilha do Fundão abandonado, não temos escolas de base, temos um projeto abandonado e ridicularizado, mas que estaria dando frutos hoje se não fosse relegado ao descaso- Brizolão. O Chile teve que rever todo um conceito igual aos nossos e chegou a um patamar invejável de desenvolvimento. Quanto aos EUA é só ver o retrocesso.
    Meios nunca justificaram os fins, mas sim os fins são reflexos do principio, é a teoria da semente.
    abraços

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  8. Denis Regis7:01 PM

    Porfírio, a questão das cotas sem dúvida precisa ser debatida, mas uma coisa é certa, há um grande problema na educação básica, o ensino público está cada vez mais deteriorado, e é onde se concentra grande parte dos negros e pardos, o que é necessário a longo prazo para equacionar o problema, é investir maciçamente na educação básica e reativar o programa dos CIEP's criados por Brizola e Darcy Ribeiro, sobretudo nas comunidades. Criou-se um "apartheid" educacional, enquanto as faculdades particulares ganham rios de dinheiro com o ProUni beneficiando as camadas menos favorecidas, as faculdades públicas recebem as camadas mais abastadas e que possuem condições de pagar. Todos nós sabemos que o governo tem obrigação de promover uma educação pública de qualidade e não as universidades privadas que tem por objetivo de auferir lucros. A questão pode complicar ainda mais quando o sistema é estendido às faculdades públicas, onde os negros e pardos tem um percentual de vagas garantido e sem prestar vestibular. Como ficam os estudantes que passaram meses estudando para conseguir uma vaga na faculdade? As consequências são graves, pois a qualidade do ensino pode decair drasticamente, além do racismo, agressões contra negros, pardos e índios. Uma revolta em cadeia que pode transformar-se em tragédia. Ou o governo investe pesadamente na educação básica e evite que as gerações futuras passem por esse processo ou veremos atitudes de racismo e rixas entre estudantes.

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  9. Darcy Ribeiro em seu livro "O povo brasileiro" expõe com clareza que o problema racial no Brasil está atrelado à condição sócio-econômica. Penso que há vários equivocos nesse texto postado em seu blog. A falsa idéia de mérito advém do liberalismo e todos nós sabemos o resultado da importação e imposição dessa direção política nos países da América Latina, bem como do neoliberalismo avassalador. O que o vestibular mede? Sou da universidade federal do rio de janeiro e já passei por turmas nas quais prevalece sempre a classe média branca, onde todos fizeram vestibular e os níveis eram baixíssimos, a ponto de professores se recusarem a dar aulas devido à ignorância e imaturidade generalizadas dos estudantes; então deveríamos nos questionar a respeito da cultura da destruição, corolário do ordenamento social capitalista, o qual reduz a cultura a mercadoria e utiliza as forças produtivas como destrutivas. Atrelar a preocupação com a qualidade da educação e os rumos da cultura ao debate sobre cotas é um argumento perverso que reifica a questão e reproduz a ordem dominante!! O vestibular em nosso país se tornou um funil que mantém desigualdades e isso deve sim ser questionado e não colocado como instrumento de averiguação do mérito...particularmente prefiro a proposição de Marx, a qual resume o sentido do comunismo e desbanca a injusta noção de mérito: "para cada um de acordo com suas necessidades, de cada um de acordo com suas possibilidades". Outro argumento que me assusta é o de que somos iguais porque a constituição assim o estabelece, logo, as cotas seriam anticonstitucionais. Lógico que temos avanços constitucionais, mas em um país de capitalismo periférico a efetivação dos mesmos está longe de ocorrer, já que somos efetivamente desiguais.
    Termino lhe parabenizando por sua atuação política e pedindo que reflita se somos efetivamente democráticos sendo essencialmente desiguais; como falar em democracia (governo do povo) em uma sociedade na qual há fome convivendo com a produção descontrolada de riquezas concentrada nas mãos de poucos? E na qual a política é assunto para poucos...

    Ah, li seu livro "Memórias de um inconformista" e muito me agradou!!

    Um abraço

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  10. Porfírio, Saudações
    Ao realizarmos um estudo comparativo das leis brasileiras nos momentos em que as mesmas se relacionam à educação e à história do país, perceberemos um eixo que as vinculam aos princípios do liberalismo. No período em estudo, a Lei 5.540/1968, que reformou o ensino superior no Regime Militar foi construída a partir de estudos realizados por comissões e grupos, com a presença de estrangeiros, que davam especial direcionamento às políticas de cunho liberal como a privatização, e o atendimento aos interesses do mercado.
    - Igualmente a Lei 5.692/1996, que trata das Diretrizes e Bases da Educação Nacional em vigor, no contexto da reforma gerencial do Estado implementada por FHC, representou os interesses liberais na implementação das políticas educacionais, incentivando a privatização, a flexibilização, a terceirização e a publicização da educação, propiciando a transferência das ações que deveriam ser conduzidas pelo Governo ao chamado terceiro setor.
    - No período de transição entre os militares e o Governo FHC, e desde o início do Governo Fernando Collor de Mello (1990), há uma preocupação com a diminuição do Estado para servir apenas como regulador das relações de mercado, favorecendo as políticas internacionais de “inserção definitiva” do país no processo de globalização – inserção essa criticada com propriedade por Fiori (2001), pois o autor revela a posição subordinada que o Brasil passou a ocupar no contexto do processo de globalização, com a “desintegração definitiva de qualquer idéia de nação” (FIORI, 2001, p. 26). Esta seria uma distinção a ser destacada entre os militares e os civis, não fossem os militares também terem sido subservientes e postulantes de políticas orientadas por interesses
    internacionais, especialmente norte-americanos.
    -Diante desta compreensão inicial acerca do método, a seguir nos propomos a apresentar características específicas de cada momento histórico abordado, tecendo críticas à privatização da educação, no intuito de, a partir desta crítica,demonstrar a intenção
    da burguesia no sucateamento da parcela do ensino superior ainda freqüentado pela classe trabalhadora.
    - Portanto, sou contra as cotas para os negros no mundo somos todos iguais, com exceção da elite
    morumbí/leblon, a obrigação de aceitarem os negros aumenta a discriminação, qualquer um tem capacidade; e os negros devem levantar a cabeça, estudar, e mostrar que não precisam da esmola do estado eles conseguirão
    a vaga na universidade pela sua própria capacidade.
    Somente o Nióbio que é expropriado subfaturado e somente existe no Brasil, daria faculdades gratuita a todos os brasileiros.
    abraços,
    http://marildacdeoliveira.blogspot.com/

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  11. Anônimo3:42 PM

    Há uma necessidade circense de fabricar-se universitários num país onde faltam técnicos qualificados, Os americanos já se deram conta de que cotas apenas inundaram o mercado , em xertas categorias. fazendo com que o capital tenha mão de obra mais barata em face do excesso de ofertas, mesmo que ofercidas à bangú. Sou literalmente contra cotas, não contra cotistas. Se a excrecência é oferecida, não podemos condenar quem as aproveita. Ist é apenas uma mácara de entrada para que o ensino público fique pior a cada geração. Recentemente vazou que alguns "compañros" usavam as bolsas de estudo para colocarem gasoliba em seus "zerinhos". Coitados, que p0breza!

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  12. Caro Porfírio,estou de acordo,só discordo é da qualidade do ensino particular,iguala-se ao público,os alunos saem de casa as 8hs,e as 11:30hs,estão de volta,as matérias base para vida(matematica,ciências e português)foram sucateadas,a prova disso,foi o aumento de três para quatro anos o ensino tecnico,porque no primeiro ano muito poucos logravam exito,este ano a mais foi para ensinar matematica e ciencia.Com isto o número de vagas foi reduzido.No noticiário de hontem(13/03/2010),a tv mostrou um trote de calouros de medicina com doações de sangue,pude notar que aqueles jovens futuros academicos de medicina,por suas apararências,demonstram que pertencem a famílias abastadas,ali ninguém parecia ter o perfil de pobre.Aí está a diferença dos super colégios particulares frequentados pelos ricos e as escolas particulares e públicas.Atenciosamente:Luiz Martins da Rocha(lmartinsrocha@hotmail.com)

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  13. Caro Porfírio,estou de acordo,só discordo é da qualidade do ensino particular,iguala-se ao público,os alunos saem de casa as 8hs,e as 11:30hs,estão de volta,as matérias base para vida(matematica,ciências e português)foram sucateadas,a prova disso,foi o aumento de três para quatro anos o ensino tecnico,porque no primeiro ano muito poucos logravam exito,este ano a mais foi para ensinar matematica e ciencia.Com isto o número de vagas foi reduzido.No noticiário de hontem(13/03/2010),a tv mostrou um trote de calouros de medicina com doações de sangue,pude notar que aqueles jovens futuros academicos de medicina,por suas apararências,demonstram que pertencem a famílias abastadas,ali ninguém parecia ter o perfil de pobre.Aí está a diferença dos super colégios particulares frequentados pelos ricos e as escolas particulares e públicas.Atenciosamente:Luiz Martins da Rocha(lmartinsrocha@hotmail.com)

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.